Raimundo Correia Rondo pela noite Imaginando mil coisas Meditando sozinho Até a madrugada Isto tudo é tão contrário Medo e coragem Amor e ódio Revolta e compreensão Mas nada rima nesse mundo Apenas eu e você restávamos Resto do que o mundo já foi Intensamente, imensamente, eternamente Até mesmo nós …
Leia maisPrimeiras Vigílias – Raimundo Correia
Raimundo Correia Dos revoltos lençóis sobre o deserto Despejava-se, em ondas silenciosas, O luar dessas noites vaporosas, De seu lânguido cálix todo aberto. Rangia a cama, e deslizavam, perto Alvas, femíneas formas ondulosas; E eu a idear, nas ânsias amorosas, Uns ombros nus, um colo descoberto. E a gemer: — …
Leia maisPlenilúnio – Raimundo Correia
Raimundo Correia Além nos ares, tremulamente, Que visão branca das nuvens sai! Luz entre as franças, fria e silente; Assim nos ares, tremulamente, Balão aceso subindo vai… Há tantos olhos nela arroubados, No magnetismo do seu fulgor! Lua dos tristes e enamorados, Golfão de cismas fascinador! Astro dos loucos, sol …
Leia maisPlena Nudez – Raimundo Correia
Raimundo Correia Eu amo os gregos tipos de escultura; Pagãs nuas no mármore entalhadas; Não nessas produções que a estufa escura Das modas cria, tortas e enfezadas. Quero em pleno espendor, viço e frescura Os corpos nus; as linhas onduladas Livres: da carne exuberante e pura Todas as saliências e …
Leia maisOndas – Raimundo Correia
Raimundo Correia Ilha de atrozes degredos! Cinge um muro de rochedos Seus flancos. Grosso a espumar Contra a dura penedia, Bate, arrebenta, assobia, Retumba, estrondeia o mar. Em circuito, o Horror impera; No centro, abrindo a cratera Flagrante, arroja um volcão Ígnea blasfêmia às alturas… E, nas ínvias espessuras, Brame …
Leia maisOfélia – Raimundo Correia
Raimundo Correia Num recesso da selva ínvia e sombria, Estrelada de flores, vicejante, Onde um rio entre seixos, espumante, Cursando o vale, túrgido, fluía; A coma esparsa, lívido o semblante, Desvairados os olhos, como fria Aparição dos túmulos, um dia Surgiu de Hamlet a lacrimosa amante; Símplices flores o seu …
Leia maisOde Parnasiana – Raimundo Correia
Raimundo Correia De cípreo mosto cheia A taça ergui. Cogitabunda Musa, Fuge os pesares. Eia! Desta alma a flama viva afla, e enaltece-a! Insufla-me o estro; e, minha vista ilusa, As prístinas grandezas patenteia Da celebrada Grécia! Musa, a Grécia, como antes Do último heleno, dá que eu sonhe agora! …
Leia maisO Vinho de Hebe
Raimundo Correia Quando do Olimpo nos festins surgia Hebe risonha, os deuses majestosos Os copos estendiam-lhe, ruidosos, E ela, passando, os copos lhes enchia… A Mocidade, assim, na rubra orgia Da vida, alegre e pródiga de gozos, Passa por nós, e nós também, sequiosos, Nossa taça estendemos-lhe, vazia… E o …
Leia maisO Monge – Raimundo Correia
Raimundo Correia —”O coração da infância”, eu lhe dizia, “É manso.” E ele me disse:—”Essas estradas, Quando, novo Eliseu, as percorria, As crianças lançavam-me pedradas…” Falei-lhe então na glória e na alegria; E ele—alvas barbas longas derramadas No burel negro—o olhar somente erguia Às cérulas regiões ilimitadas… Quando eu, porém, …
Leia maisO Misantropo – Raimundo Correia
Raimundo Correia A boca, às vezes, o louvor escapa E o pranto aos olhos; mas louvor e pranto Mentem: tapa o louvor a inveja, enquanto O pranto a vesga hipocrisia tapa. Do louvor, com que espanto, sob a capa Vejo tanta dobrez, ludíbrio tanto! E o pranto em olhos vejo, …
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