Obras Literárias

maio, 2017

  • 31 maio

    Odeon

    Vinícius de Moraes (Ernersto Nazareth e Vinícius de Moraes) Ai, quem me dera O meu chorinho Tanto tempo abandonado E a melancolia que eu sentia Quando ouvia Ele fazer tanto chorar Ai, nem me lembro Há tanto, tanto Todo o encanto De um passado Que era lindo Era triste, era …

  • 31 maio

    Octavio

    (Vinícius de Moraes) Toca a boca, olha as coisas abstrato Percorre da varanda os quatro cantos E tirando do corpo um carrapato Imagina o romance mil e tantos… Logo após olha o mundo e o vê morrendo Sob a opressão tirânica do mal E como um passarinho, vai correndo… Escrever …

  • 31 maio

    O Apelo

    Vinícius de Moraes Que te vale, minha alma, essa paisagem fria Essa terra onde parecem repousar virgens distantes? Que te importa essa calma, essa tarde caindo sem vozes Esse ar onde as nuvens se esquecem como adeuses? Que te diz o adormecimento dessa montanha extática Onde há caminhos tão tristes …

  • 31 maio

    Não Comerei da Alface a Verde Pétala

    Vinícius de Moraes Não comerei da alface a verde pétala Nem da cenoura as hóstias desbotadas Deixarei as pastagens às manadas E a quem mais aprouver fazer dieta. Cajus hei de chupar, mangas-espadas Talvez pouco elegantes para um poeta Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta Que acredita no cromo …

  • 31 maio

    Místico

    Vinícius de Moraes O ar está cheio de murmúrios misteriosos E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização… Tudo está cheio de ruídos sonolentos Que vêm do céu, que vêm do chão E que esmagam o infinito do meu desespero. Através do tenuíssimo de névoa que …

  • 30 maio

    Mensagem à Poesia

    Vinícius de Moraes Não posso Não é possível Digam-lhe que é totalmente impossível Agora não pode ser É impossível Não posso. Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro. Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo. …

  • 30 maio

    Marinha

    Vinícius de Moraes Na praia de coisas brancas Abrem-se às ondas cativas Conchas brancas, coxas brancas Águas-vivas. Aos mergulhares do bando Afloram perspectivas Redondas, se aglutinando Volitivas. E as ondas de pontas roxas Vão e vêm, verdes e esquivas Vagabundas, como frouxas Entre vivas! Fonte: www.secrel.com.br

  • 30 maio

    Marcha de Quarta-Feira de Cinzas

    Vinícius de Moraes Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Ninguém passa mais brincando feliz E nos corações Saudades e cinzas foi o que restou. Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri, se beija e se abraça E sai caminhando …

  • 29 maio

    Mais um Adeus

    Vinícius de Moraes (Toquinho e Vinícius de Moraes) Mais um adeus, uma separação Outra vez solidão, outra vez sofrimento Mais um adeus Que não pode esperar O amor é uma agonia Vem de noite, vai de dia É uma alegria e de repente Uma vontade de chorar Olha, benzinho, cuidado …

  • 29 maio

    Líbelo

    Vinícius de Moraes De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco [com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar ? E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem [senão de suas mãos, uma pro …