Obras Literárias

março, 2017

  • 24 março

    Curta história

    Machado de Assis A leitora ainda há de lembrar-se do Rossi, o ator Rossi, que aqui nos deu tantas obras-primas do teatro inglês, francês e italiano. Era um homenzarrão, que uma noite era terrível como Otelo, outra noite meigo como Romeu. Não havia duas opiniões, quaisquer que fossem as restrições, …

  • 24 março

    Conversão De Um Avaro

    Machado de Assis Publicado originalmente em Jornal das Famílias (1878) Os vícios equilibram-se muita vez; outras vezes neutralizam-se ou vence um a outro… Há pecados que derrubam pecados, ou, pelo menos, quebram-lhes as pernas. Gil Gomes tinha uma casa de colchões em uma das ruas do bairro dos Cajueiros. Era …

  • 24 março

    Conto de Escola

    Machado de Assis A ESCOLA era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro …

  • 24 março

    Conto Alexandrino

    Machado de Assis Capítulo I No mar — O quê, meu caro Stroibus! Não, impossível. Nunca jamais ninguém acreditará que o sangue de rato, dado a beber a um homem, possa fazer do homem um ratoneiro. — Em primeiro lugar, Pítias, tu omites uma condição: — é que o rato …

  • 24 março

    Como se inventaram os almanaques

    Machado de assis Some-te, bibliógrafo! Não tenho nada contigo. Nem contigo, curioso de histórias poentas. Sumam-se todos; o que vou contar interessa a outras pessoas menos especiais e muito menos aborrecidas. Vou dizer como se inventaram os almanaques. Sabem que o Tempo é, desde que nasceu, um velho de barbas …

  • 24 março

    O Menino Perdido

    Pablo Neruda Lenta infância de onde como de um pasto comprido cresce o duro pistilo, a madeira do homem. Quem fui? O que fui? O que fomos? Não há resposta. Passamos. Não fomos. Éramos. Outros pés, outras mãos, outros olhos. Tudo foi mudando folha por folha, na árvore. E em …

  • 24 março

    Cavalo dos Sonhos

    Pablo Neruda Desnecessário, me olhando nos espelhos, com um gosto de semanas, de biógrafos, de papeis arranco do meu coração o capitão inferno, estabeleço clausulas indiferentemente tristes. Vago de um ponto a outro, absorvo ilusões, converso com os alfaiates nos seus ninhos: eles, freqüentemente, com voz fatal e fria cantam …

  • 24 março

    Assim é Minha Vida

    Pablo Neruda Meus deveres caminham com meu canto. Sou e não sou: é esse meu destino. Não sou, se não acompanho as dores dos que sofrem: são dores minhas. Porque não posso ser sem ser de todos, de todos os calados e oprimidos. Venho do povo e canto para o …

  • 24 março

    Amor Perdido…

    Pablo Neruda Eu fiz retroceder a muralha de sombra, e caminhei além do desejo e do ato. Oh carne, carne minha, mulher que amo e perdi, a ti, nesta úmida, evoco e elevo o canto. Como um vaso abrigaste a infinita ternura, e o esquecimento infindo te partiu como a …

  • 24 março

    Antes de Amar-te…

    Pablo Neruda Antes de amar-te, amor, nada era meu Vacilei pelas ruas e as coisas: Nada contava nem tinha nome: O mundo era do ar que esperava. E conheci salões cinzentos, Túneis habitados pela lua, Hangares cruéis que se despediam, Perguntas que insistiam na areia. Tudo estava vazio, morto e …