Obras Literárias

maio, 2017

  • 11 maio

    A Brusca Poesia da Mulher Amada

    Vinícius de Moraes I Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente… Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte! A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo A mulher amada é como o lago …

  • 11 maio

    Bom Pastor – Vinícius de Moraes

    Vinícius de Moraes Amo andar pelas tardes sem som, brandas, maravilhosas Com riscos de andorinhas pelo céu. Amo ir solitário pelos caminhos Olhando a tarde parada no tempo Parada no céu como um pássaro em vôo E que vem de asas largas se abatendo. Amo desvendar a vaga penumbra que …

  • 11 maio

    O Bom Ladrão

    Vinícius de Moraes São horas, inclina o teu doloroso rosto sobre a visão da velha paisagem quieta Passeia o teu mais fundo olhar sobre os brancos horizontes onde há imagens perdidas Afaga num derradeiro gesto os cabelos de tuas irmãs chorando Beija uma vez mais a fronte materna. São horas! …

  • 10 maio

    O Bergantim da Aurora

    Vinícius de Moraes Velho, conheces por acaso o bergantim da aurora Nunca o viste passar quando a saudade noturna te leva para o convés imóvel dos rochedos? Há muito tempo ele me lançou sobre uma praia deserta, velho lobo E todas as albas têm visto meus olhos nos altos promontórios, …

  • 10 maio

    Barcarola

    Vinícius de Moraes Parti-me, trágico, ao meio De mim mesmo, na paixão. A amiga mostrou-me o seio Como uma consolação. Dormi-lhe no peito frio De um sono sem sonhos, mas A carne no desvario Da manhã, roubou-me a paz. Fugi, temeroso ao gesto Do seu receio modesto E cálido; enfim, …

  • 9 maio

    Balada Negra

    Vinícius de Moraes Éramos meu pai e eu E um negro, negro cavalo Ele montado na sela, Eu na garupa enganchado. Quando? eu nem sabia ler Por quê? saber não me foi dado Só sei que era o alto da serra Nas cercanias de Barra. Ao negro corpo paterno Eu …

  • 9 maio

    Balada do Mangue

    Vinícius de Moraes Pobres flores gonocócicas Que à noite despetalais As vossas pétalas tóxicas! Pobre de vós, pensas, murchas Orquídeas do despudor Não sois Loelia tenebrosa Nem sois Vanda tricolor: Sois frágeis, desmilingüidas Dálias cortadas ao pé Corolas descoloridas Enclausuradas sem fé. Ah, jovens putas das tardes O que vos …

  • 9 maio

    Balada do Cavalão

    Vinícius de Moraes A tarde morre bem tarde No morro do Cavalão… Tem um poder de sossego. Dentro do meu coração Quanto sangue derramado! Balança, rede, balança… Susana deixou minha alma Numa grande confusão Seu berço ficou vazio No morro do Cavalão: Pequena estrela da tarde. Ah, gosto da minha …

  • 9 maio

    Balada de Pedro Nava

    Vinícius de Moraes (O anjo e o túmulo) I Meu amigo Pedro Nava Em que navio embarcou: A bordo do Westphalia Ou a bordo do Lidador? Em que antárticas espumas Navega o navegador Em que brahmas, em que brumas Pedro Nava se afogou? Juro que estava comigo Há coisa de …

  • 9 maio

    Balada das Meninas de Bicicleta

    Vinícius de Moraes Meninas de bicicleta Que fagueiras pedalais Quero ser vosso poeta! Ó transitórias estátuas Esfuziantes de azul Louras com peles mulatas Princesas da zona sul: As vossas jovens figuras Retesadas nos selins Me prendem, com serem puras Em redondilhas afins. Que lindas são vossas quilhas Quando as praias …