Para a aplicação dos agrotóxicos na lavoura, as duas primeiras atividades do processo (escolha e manuseio), situam-se entre as que apresentam os maiores riscos de acidentes e contaminação.
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Designamos por escolha, o ato de selecionar o produto (de origem comercial ou fabricado na própria fazenda, como o biofertilizante feito a partir do estrume do gado ou feito com fumo de rolo, por exemplo) que deverá resolver o problema específico de uma praga ou doença que esteja atacando a plantação.
Chamamos de manuseio o ato do preparo, formulação e mistura do(s) produto(s).
| Classe | Alvo |
|---|---|
| Acaricidas | Ácaros |
| Fungicidas | Fungos |
| Herbicidas | Ervas daninhas |
| Inseticidas | Insetos |
| Nematicidas | Nematóides |
Quem deve escolher o tipo de agrotóxico a ser utilizado é o Engenheiro Agrônomo (através do uso do Receituário Agronômico) e não o seu revendedor ou o agricultor, por mais experientes que sejam estes últimos. Mesmo assim, apenas um pequeno e seleto grupo desses Profissionais, está legal e tecnicamente habilitado a receitá-lo.

Entre os riscos e prejuizos do agricultor quando da escolha errada do produto, relacionamos os seguintes:
1. Ineficácia pela troca: inseticida em vez de nematicida, por exemplo;
2. Uso de produtos cuja venda esteja proibida no País;
3. Uso de produtos mais tóxicos do que o necessário;
4. Formulação inadequada: líquido em vez de pó, por exemplo;
5. Dosagem superior ou inferior à necessária;
6. Desinformação quanto ao período de carência; e
7. Uso inadequado da técnica de aplicação.
| NOME DO PRODUTO | P.C.(d) |
|---|---|
| Etil Parathion | 7 a 21 |
| Metil Parathion | 7 a 21 |
| Malathion | 1 a 14 |
| Metil Dimeton | 21 |
| Mevinfos | 1 a 3 |
| E.P.M. | 14 a 21 |
| Diazinon | 7 a 14 |
| Carbofenothion | 7 a 30 |
| Anzinfos Etil | 7 a 30 |
| Metoxiclor | 3 a 14 |
| Clordane | 30 |
| Dicofol | 7 a 30 |
| Carbaril | 1 a 5 |
| Endosulfan | 7 a 14 |
| Lindane | 7 a 20 |
| Endrin | 35 a 60 |
| T.D.E. | 7 a 30 |
| Triclorfon | 14 a 28 |
| Thiocron | 12 a 15 |
| Dimecron | 10 a 12 |
| Quintion LVC | 14 |
| Texason LVC | 40 |
| Dieldrin | 20 a 60 |
| Etil Fenthion | 14 |
| Acasol 40 | 30 |
| Cidofen E-50 | 20 |
| Acason 30 | 21 |
| Morestan | 7 |
| Disyston Granulado | 60 |
| Dipterex Pó Sol.80% | 7 |
| Dipterex Ultra 500 | 4 |
| Folimat 1000 | 21 |
| Folidol 1%+Methomil 1% | 15 |
| Folidol pó | 15 |
| Folidol Em.60% | 15 |
| Folidol Etílico Em.5% | 15 |
| Folidol Óleo | 15 |
| Folidol Em.10% | 15 |
| Folidol Et.Em.60% | 15 |
| Folidol Em.7,5+DDT 30% | 30 |
| Folidol 30 + Toxafeno 50 | 30 |
| Folidol Em.50% | 14 |
| Folidol Ultra 1000 | 10 |
| Folithion + DDT Ultra | 30 |
| Gusathion Ultra A 500 | 21 |
| Gusathion A + DDT Ultra | 30 |
| Gusathion A Em.10%+DDT 30% | 30 |
| Gusathion A Em.40% | 21 |
| Gusathion A Pó 1,5%+DDT 10% | 30 |
| Gusathion A Pó 1,5% | 21 |
| Lebaycid Em.50% | 10 |
| Metasystox | 21 |
| Terracur P.Gran. | 90 |
| Toxafeno 800 UBV | 30 |
| Tamaron 600 | 21 |
| Unden P.M.50% | 4 |
| Hinosan Em.50% | 15 |
Além da aplicação do agrotóxico no campo, esta é a outra oportunidade em que o agricultor entra em contato direto com o produto.

Um dos maiores problemas nessa fase da aplicação do agrotóxico é o não atendimento das recomendações do fabricante do produto quanto ao manuseio correto e leitura da bula.
É aqui que encontramos os problemas: quando
o agricultor não é analfabeto, sente dificuldades de interpretar as orientações
contidas no rótulo do produto.
Assim, entre os riscos de um manuseio inadequado do(s) produto(s),
destacamos:
1. Não uso ou uso ineficaz dos Equipamentos de Proteção Individual - EPI;
2. Mistura de produtos incompatíveis ou perigosos (pela reação química inesperada);
3. Descuido ou inabilidade do agricultor, provocando respingos desnecessários;
4. Uso das mãos (sem luvas) diretamente em contato com o produto químico;
5. Uso do cigarro ou de alimentos durante o processamento da mistura; e
6. Destino inadequado dos restos, água de lavagem e embalagens do produto.

A maioria dos acidentes com agrotóxicos ocorre, justamente, durante o seu manuseio: no preparo da calda e na aplicação do produto no campo.
Daí a necessidade do agricultor procurar um Engenheiro Agrônomo, para que este, recomende o produto adequado, a formulação correta e a técnica de aplicação mais indicada.

Um engano comum é pensar que o aumento da dosagem (ou o preparo
do produto mais concentrado) vai resolver o problema (da praga ou doença da
planta) mais rápido. Saiba que o uso de um produto mais tóxico do que o necessário,
pode colocar em risco (de intoxicação) as pessoas, os animais, o meio ambiente
e a própria planta. Assim, prepare somente a quantidade necessária à aplicação
a ser feita. Nunca prepare o produto para deixar armazenado para a próxima
aplicação. Siga as dosagens indicadas no rótulo ou as instruções de um Técnico.
Outras recomendações para o manuseio correto dos agrotóxicos, antes
da sua aplicação na lavoura, são:
1 - Utilize os Equipamentos de Proteção Individual - EPI´s indicados no rótulo do produto;
2 - Para abrir as embalagens, use o abridor adequado, em vez de improvisar com talhadeiras, formões, canivetes, etc.
3 - Ao misturar a calda, utilize um pedaço de madeira ou um misturador adequado e/ou luvas impermeáveis;
4 - Mantenha o produto em sua embalagem original, evitando colocá-lo em recipientes que não possam ser identificados facilmente pelas demais pessoas;
5 - Não reaproveite as embalagens dos produtos químicos, principalmente como depósito de água;
6 - Siga rigorosamente o PERÍODO DE CARÊNCIA do produto;
7 - Para colocar o líquido no pulverizador, use um funil adequado pata evitar a contaminação do local;
8 - Não use pulverizador com defeito ou vazamentos e não desintupa os bicos com a boca;
9 - Não permita que pessoas fracas, idosas, crianças, gestantes, doentes ou destreinadas, apliquem agrotóxicos;
10 - Se ventar durante o trabalho, caminhe numa direção que faça com que o vento carregue o produto para longe do seu corpo;
11 - Mantenha a distância de, pelo menos, 15 m de distância dos demais trabalhadores do local; e
12 - Se durante o trabalho o produto atingir o seu corpo desprotegido, lave imediatamente a parte atingida com água corrente e sabão. Ao terminar o serviço, tome um belo banho e ponha para lavar as roupas e demais EPI´s.
Fonte: www.ufrrj.br