Bosques e lagos são os únicos intrusos nesta zona da República Checa, onde a pedra reina sob todas as formas. Local privilegiado para caminhadas e escalada, Adrspach continua a ser um local apenas bem conhecido pelos checos.
Antes de mergulhar na floresta, não é má ideia atravessar a aldeia de Adrspach e subir os seiscentos e setenta metros da Colina da Cruz, para ter um panorama extraordinário sobre toda a região: para além das casas e dos prados, bosques fechados, planaltos rochosos, e as mais altas torres naturais de pedra do país.
O início dos percursos é lá em baixo, num grande parque com um lago ao fundo, onde se pode admirar as primeiras esculturas naturais. A entrada nesta Reserva Natural custa cinquenta coroas, mas o local vale cada uma - sobretudo aqui em Adrspach, onde a paisagem é mais “concentrada”. No lago há alguns barquitos a remos, mas as pessoas aproveitam, sobretudo, para nadar na água gelada. A floresta é densa e escura, com pinheiros nórdicos a desenharem uma coroa aguçada em volta da água, onde abundam as trutas. Para além de podermos circundá-lo e apreciá-lo de todos os ângulos, um circuito de dois quilómetros e meio começa nas proximidades e permite-nos entrar na floresta, guiando-nos ao longo de uma série de formações estranhas cujos nomes estão inscritos em placas. Algumas exigem um pouco de imaginação, mas em geral os nomes são óbvios. Passamos pela Caneca, pela Cadeira de Baloiço do Gigante, pela Luva e pelo Cogumelo, entre outros; uma das mais famosas e a maior da zona é a “estátua” dos Amantes, bem visível do cimo do Castelo, onde antes existiu um castelo de madeira e agora se sobe apenas pela vista.

Escalada na Reserva Natural de Teplice-Adrspach, República Checa
Segundo as opções que fizermos, porque o caminho é labiríntico mas bem assinalado, podemos refrescar-nos em duas cascatas, que nos fazem a surpresa do silêncio até estarmos bem perto, já que circulamos por entre muros altos de pedra que abafam os sons. Um busto e uma placa na gruta da Grande Cascata assinalam a presença de um dos fãs da zona, que por aqui andou no século XVIII: o escritor romântico Goethe. Um pouco acima fica um pequeno lago, de onde saem alguns carreiros curtos e menos frequentados. Há um número infinito de pássaros num canto constante, mas dos mamíferos mais comuns da zona, como raposas ou veados, só ouvimos falar.
Os “dedos” arredondados que saem da floresta, os “castelos” e os corredores labirínticos de paredes de pedra dão uma atmosfera fantasmagórica ao local. As árvores que conseguem desenvolver-se num punhado de areia nascem muito direitas no cimo das rochas, como velas num bolo de anos. Por todo o lado há caminhos abertos para escalada, actividade que parece requerer igual dose de força, agilidade e falta de vertigens, já que alguns dos rochedos ultrapassam os trinta metros de altura. A paisagem a verde e cinzento remete-nos para as civilizações pré-colombianas da América Latina e para os seus templos antigos cobertos de vegetação tropical, que só os mais intrépidos exploradores conseguiam encontrar.
Segundo as opções que fizermos, porque o caminho é labiríntico mas bem assinalado, podemos refrescar-nos em duas cascatas, que nos fazem a surpresa do silêncio até estarmos bem perto, já que circulamos por entre muros altos de pedra que abafam os sons. Um busto e uma placa na gruta da Grande Cascata assinalam a presença de um dos fãs da zona, que por aqui andou no século XVIII: o escritor romântico Goethe. Um pouco acima fica um pequeno lago, de onde saem alguns carreiros curtos e menos frequentados. Há um número infinito de pássaros num canto constante, mas dos mamíferos mais comuns da zona, como raposas ou veados, só ouvimos falar.

Turistas em Adrspach
Os “dedos” arredondados que saem da floresta, os “castelos” e os corredores labirínticos de paredes de pedra dão uma atmosfera fantasmagórica ao local. As árvores que conseguem desenvolver-se num punhado de areia nascem muito direitas no cimo das rochas, como velas num bolo de anos. Por todo o lado há caminhos abertos para escalada, actividade que parece requerer igual dose de força, agilidade e falta de vertigens, já que alguns dos rochedos ultrapassam os trinta metros de altura. A paisagem a verde e cinzento remete-nos para as civilizações pré-colombianas da América Latina e para os seus templos antigos cobertos de vegetação tropical, que só os mais intrépidos exploradores conseguiam encontrar.
A Reserva Natural de Teplice-Adrspach fica a Nordeste, numa pequena área da Boémia que entra em território polaco. Estas são, sem dúvida, as paisagens mais dramáticas do país, e basta gostar de caminhar para descobrir as suas belezas.
Para além de não ocupar uma área demasiado grande, esta Reserva fica apenas a cerca de quinze quilómetros da cidade de Trutnov, junto às aldeias de Adrspach e Teplice, dois pequenos e dispersos aglomerados de casas entalados entre prados e as torres de calcário, que se levantam da floresta como uma muralha. Acede-se à Reserva por qualquer uma das localidades, mas em Adrspach as formações rochosas estão mais próximas uma das outras.

Aldeia na região de Adrspach, República Checa
A rocha calcária da zona é suficientemente mole para ser erodida de forma espectacular em forma de torres, agulhas, paredes e arestas. A erosão abre fissuras finas, que vão alargando e se transformam em fendas profundas que acabam por se destacar da massa principal de arenito, dando origem a verdadeiras chaminés de pedra. Nas saliências penduram-se árvores de pequeno porte; em alguns locais só há água imediatamente após uma chuvada ou depois de um nevão, uma vez que o arenito é esponjoso, chegando a absorver até 14% do seu peso. Molhada, a rocha é particularmente frágil, tendendo a esboroar-se e a originar sempre novas formas. Para além disso, também as raízes ajudam a criar fendas, fossos e grutas - mas as mais espectaculares são as que se abrem em dedos, como gigantescas mãos no ar.
É extraordinário pensar que, por causa da espessa e extensa floresta virgem que cobria toda a região, as suas irreais formações rochosas naturais só se tornaram conhecidas no século XIII, isto apesar de os romanos terem andado por aqui, e de lhe terem mesmo dado um nome: Floresta Hercynia. Provavelmente, a abundância de animais selvagens e de salteadores foi suficiente para dissuadir as explorações mais profundas e, sobretudo, a permanência.
Fonte: www.almadeviajante.com