Tomás Vieira da Cruz Os teus defeitos são graças que mais me prendem, querida… Mistério de duas raças que se encontraram na vida. E, no mato, em nostalgia, num exílio carinhoso, fizeram essa alegria do teu olhar misterioso. E deram forma de sonho, em seu viver magoado, a esse estilo …
Obras Literárias
abril, 2017
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18 abril
Fruta – Tomás Vieira da Cruz
Tomás Vieira da Cruz Quitanda de fruta verde, dá-me um gomo de laranja para matar a sede. Ou, então, será melhor dar-me um veneno qualquer porque eu ando perturbado e o meu sonho anda queimado por uns olhos de mulher! – Minha senhora, laranja, limão, fresquinho, caju, ananás ou abacate!… …
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18 abril
Coqueiro – Tomás Vieira da Cruz
Tomás Vieira da Cruz Ali, na rua do Carmo um coqueiro ficou abandonado quando destruiram a casa velha a que deu sombra. E onde um par enamorado teve sonhos de Amor, nesse pedaço de Luanda antiga agora modernizada. E o coqueiro ligado à terra, tombado na direcção da Rua da …
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17 abril
Niani
Machado de Assis I Contam-se histórias antigas Pelas terras de além-mar, De moças e de princesas, Que amor fazia matar. Mas amor que entranha n’alma E a vida soe acabar, Amor é de todo o clima, Bem como a luz, como o ar. Morrem dele nas florestas Aonde habita o …
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17 abril
Musa dos Olhos Verdes
Machado de Assis Musa dos olhos verdes, musa alada, Ó divina esperança, Consolo do ancião no extremo alento, E sonho da criança; Tu que junto do berço o infante cinges C’os fúlgidos cabelos; Tu que transformas em dourados sonhos Sombrios pesadelos; Tu que fazes pulsar o seio às virgens; Tu …
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17 abril
Musa Consolatrix
Machado de Assis Que a mão do tempo e o hálito dos homens Murchem a flor das ilusões da vida, Musa consoladora, É no teu seio amigo e sossegado Que o poeta respira o suave sono. Não há, não há contigo, Nem dor aguda, nem sombrios ermos; Da tua voz …
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17 abril
Missa do Galo
Machado de Assis Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. A casa em que eu …
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17 abril
Menina e Moça
Machado de Assis A Ernesto Cybrão Está naquela idade inquieta e duvidosa, Que não é dia claro e é já o alvorecer; Entreaberto botão, entrefechada rosa, Um pouco de menina e um pouco de mulher. Às vezes recatada, outras estouvadinha, Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor; Tem …
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17 abril
Manhã de Inverno
Machado de Assis Coroada de névoas, surge a aurora Por detrás das montanhas do oriente; Vê-se um resto de sono e de preguiça, Nos olhos da fantástica indolente. Névoas enchem de um lado e de outro os morros Tristes como sinceras sepulturas, Essas que têm por simples ornamento Puras capelas, …
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17 abril
Luz Entre Sombras
Machado de Assis É noite medonha e escura, Muda como o passamento Uma só no firmamento Trêmula estrela fulgura. Fala aos ecos da espessura A chorosa harpa do vento, E num canto sonolento Entre as árvores murmura. Noite que assombra a memória, Noite que os medos convida, Erma, triste, merencória. …
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