Obras Literárias

março, 2017

  • 1 março

    Alegres Campos, Verdes Arvoredos

    Alegres campos, verdes arvoredos, Claras e frescas águas de cristal, Que em vós os debuxais ao natural, Discorrendo da altura dos rochedos; Silvestres montes, ásperos penedos, Compostos em concerto desigual: Sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E, pois me já não vedes …

  • 1 março

    Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! (1685-1668)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! Quão asinha em meu dano vos mudastes! Passou o tempo que me descansastes, agora descansais com meus cuidados. Deixastes-me sentir os bens passados, para mor dor da dor que me ordenastes; então nü’hora juntos mos levastes, deixando em …

  • 1 março

    A sepultura del-Rei dom João Terceiro

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Quem jaz no grão sepulcro, que descreve tão ilustres sinais no forte escudo? – Ninguém; que nisso, enfim, se toma tudo mas foi quem tudo pôde e tudo teve. Foi Rei?- Fez tudo quanto a Rei se deve; pôs na guerra e na paz …

  • 1 março

    A morte, que da vida o no desata (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões A Morte, que da vida o nó desata, os nós, que dá o Amor, cortar quisera na Ausência, que é contr’ ele espada fera, e co Tempo, que tudo desbarata. Duas contrárias, que üa a outra mata, a Morte contra o Amor ajunta e …

  • 1 março

    A fermosura desta fresca serra

    Luís Vaz de Camões A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a …

  • 1 março

    Schiller

    I Tíbio o sol entre as nuvens do ocidente, Já lá se inclina ao mar. Grave e solene Vai a hora da tarde! O oeste passa Mudo nos troncos da alameda antiga, ue à voz da Primavera os gomos brota: O oeste passa mudo, e cruza o átrio Pontiagudo do …

  • 1 março

    O Soldado

    Alexandre Herculano I Veia tranquila e pura De meu paterno rio, Dos campos, que ele rega, Mansíssimo armentio. Rocio matutino, Prados tão deleitosos, Vales, que assombravam selvas De sinceirais frondosos, Terra da minha infância, Tecto de meus maiores, Meu breve jardinzinho, Minhas pendidas flores, Harmonioso e santo Sino do presbitério, …

  • 1 março

    O Castelo de Faria

    A breve distância da vila de Barcelos, nas faldas do Franqueira, alveja ao longe um convento de Franciscanos. Aprazível é o sítio, sombreado de velhas árvores. Sentem-se ali o murmurar das águas e a bafagem suave do vento, harmonia da natureza, que quebra o silêncio daquela solidão, a qual, para …

  • 1 março

    O Bobo

    Alexandre Herculano I Introdução A morte de Afonso VI, Rei de Leão e Castela, quase no fim da primeira década do século XII, deu origem a acontecimentos ainda mais graves do que os por ele previstos no momento em que ia trocar o brial de cavaleiro e o cetro de …

  • 1 março

    O Bispo Negro

    1 Houve tempo em que a velha catedral conimbricense, hoje abandonada de seus bispos, era formosa; houve tempo em que essas pedras, ora tisnadas pelos anos, eram ainda pálidas, como as margens areentas do Mondego. Então, o luar, batendo nos lanços dos seus muros, dava um reflexo de luz suavíssima, …