Obras Literárias

março, 2017

  • 1 março

    Cá nesta Babilônia? donde mana (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Cá nesta Babilónia, donde mana matéria a quanto mal o mundo cria; cá onde o puro Amor não tem valia, que a Mãe, que manda mais, tudo profana; cá, onde o mal se afina, e o bem se dana, e pode mais que a …

  • 1 março

    Bem sei, Amor, que é certo o quereceio (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Bem sei, Amor, que é certo o que receio; mas tu, porque com isso mais te apuras, de manhoso mo negas, e mo juras no teu dourado arco; e eu to creio. A mão tenho metida no teu seio, e não vejo meus danos …

  • 1 março

    Árvore, cujo pomo, belo e brando (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Arvore, cujo pomo, belo e brando, natureza de leite e sangue pinta, onde a pureza, de vergonha tinta, está virgíneas faces imitando; nunca da ira e do vento, que arrancando os troncos vão, o teu injúria sinta; nem por malícia de ar te seja …

  • 1 março

    Aqueles claros olhos que chorando (1860)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Aqueles claros olhos que chorando ficavam quando deles me partia, agora que farão? Quem mo diria? Se porventura estarão em mim cuidando? Se terão na memória, como ou quando deles me vim tão longe de alegria? Ou s’estarão aquele alegre dia que torne a …

  • 1 março

    Aquela que, de pura castidade (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Aquela que, de pura castidade, de si mesma tomou cruel vingança por üa breve e súbita mudança, contrária a sua honra e qualidade (venceu à fermosura a honestidade, venceu no fim da vida a esperança porque ficasse viva tal lembrança, tal amor, tanta fé, …

  • 1 março

    Aquela fera humana, que enriquece (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Aquela fera humana que enriquece sua presuntuosa tirania destas minhas entranhas, onde cria Amor um mal que falta quando crece; Se nela o Céu mostrou (como parece) quanto mostrar ao mundo pretendia, porque de minha vida se injuria? Porque de minha morte s’enobrece? Ora, …

  • 1 março

    Apolo e as nove Musas, discantando (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Apolo e as nove Musas, discantando com a dourada lira, me influíam na suave harmonia que faziam, quando tomei a pena, começando: — Ditoso seja o dia e hora, quando tão delicados olhos me feriam! Ditosos os sentidos que sentiam estar se em seu …

  • 1 março

    Apartava-se Nise de Montano (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Apartava se Nise de Montano, em cuja alma partindo se ficava; que o pastor na memória a debuxava, por poder sustentar se deste engano. Pelas praias do Índico Oceano sobre o curvo cajado s’encostava, e os olhos pelas águas alongava, que pouco se doíam …

  • 1 março

    Amor, co a esperança perdida (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Amor, co a esperança já perdida, teu soberano templo visitei; por sinal do naufrágio que passei, em lugar dos vestidos, pus a vida. Que queres mais de mim, que destruída me tens a glória toda que alcancei? Não cuides de forçar me, que não …

  • 1 março

    Amor é um fogo que se arde sem se ver

    Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar …