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História do Teatro

 

O teatro que surgiu na Grécia Antiga era diferente do atual.

Os gregos assistiam às peças de graça e não podiam freqüentar o teatro quando quisessem.

Ir ao teatro era um compromisso social das pessoas.

Os festivais de teatro tinham grande importância. Dedicados às tragédias ou às comédias, eles eram financiados pelos cidadãos ricos sendo que o governo pagava aos mais pobres para que estes pudessem comparecer às apresentações.

Os festivais dedicados à tragédia ocorriam em teatros de pedra, ao ar livre, onde se escolhia o melhor autor pois embora alguns atores fizessem sucesso, os grandes ídolos do teatro eram os autores.

As apresentações duravam vários dias e começavam com uma procissão em homenagem ao deus Dioniso, considerado protetor do teatro.

A platéia acompanhava as peças o dia todo e reagia com intensidade às encenações.

No palco, os atores usavam sapatos de sola alta, roupas acolchoadas e máscaras feitas de panos engomados e pintados, decoradas com perucas e capazes de amplificar as vozes.

A partir do Império Romano que sucedeu a civilização grega, o teatro entrou em declínio. Os romanos preferiam o circo o qual na época era voltado para lutas entre gladiadores e animais.

No início da Idade Média, em 476, o teatro quase sumiu. A Igreja Católica, que detinha o poder, combatia o teatro, pois considerava pecado imitar o mundo criado por Deus.

Poucas manifestações teatrais parecem ter resistido nessa época. Apenas alguns artistas percorriam as cortes de reis e nobres, como malabaristas, trovadores (poetas que cantavam poemas ao som de instrumentos musicais), imitadores e jograis (intérpretes de poemas ou canções românticas, dramáticas ou sobre feitos heróicos).

História do Teatro

No século 11, com o aumento da produção agrícola, o comércio se expandiu, cidades e feiras reapareceram e a população aumentou. O teatro reapareceu na Igreja.

Para divulgar seus ensinamentos, a igreja passou a usar recursos teatrais nas missas como diálogos entre o sacerdote e os fiéis. Surgiram então representações do nascimento e da morte de Cristo dentro da Igreja e fora dela.

No fim da Idade Média, surgiram vários tipos de representações teatrais, relacionadas a datas solenes e encenadas por amadores. As paixões e os mistérios, por exemplo, eram espetáculos públicos, encenados durante dias em palcos ao ar livre.

O teatro, expressão das mais antigas do espírito lúdico da humanidade, é uma arte cênica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto literário (comédia, drama, e outros gêneros), exige uma segunda operação artística: a transformação da literatura em espetáculo cênico e sua transformação direta com a platéia.

Assim, por maior que seja a interdependência entre texto dramático e o espetáculo, o ator e a cena criam uma linguagem específica e uma arte essencialmente distinta da criação literária.

Durante os espetáculo, o texto dramático se realiza mediante a transformação do ator em personagem.

A literatura dramática não é um gênero, como outros, da literatura geral, pela indispensável presença e cooperação do público. Assim, o teatro é principalmente fenômeno social e, como tal, sujeito às leis e dialética históricas. Por isso, não existe teatro em sentido absoluto, com normas permanentes, mas vários teatros, muito diferentes, de diversas épocas e nações.

Na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa.

No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus.

Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama.

Nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo é possível perceber através destes exemplos, uma origem religiosa para as manifestações teatrais.

Origem

A palavra "teatro" significa um gênero de arte e também uma casa, ou edifício, em que são representadas vários tipos de espetáculos.

Ela provém da forma grega "Theatron", derivada do verbo "ver"(theaomai) e do substantivo "vista"(thea), no sentido de panorama.

Do grego, passou para o latim com a forma de "Theatrum" e , através do latim para outras línguas, inclusive a nossa.

Mas o teatro não é uma invenção grega, espalhada pelo resto do mundo. É uma manifestação artística presente na cultura de muitos povos e se desenvolveu espontaneamente em diferentes latitudes, ainda que, na maioria dos casos, por imitação. Antes mesmo do florescimento do teatro grego na antiguidade, a civilização egípcia tinha nas representações dramáticas uma das expressões de sua cultura. Essas representações tiveram origem religiosa, sendo destinadas a exaltar as principais divindades da mitologia egípcia, principalmente Osíris e Ísis. Três mil de duzentos anos antes de cristo já existiam tais representações teatrais.

E foi no Egito que elas passaram para a Grécia, onde o teatro teve um florescimento admirável, graças á genialidade dos dramaturgos gregos. Para o mundo ocidental, a Grécia é considerada o berço do teatro, ainda que a precedência seja o Egito.

Mas no continente asiático o teatro também existia, com outras características, que ainda hoje o singularizam.

Na china, por exemplo, o teatro foi estabelecido durante o dinastia Hsia, que se prolongou do ano 2205 ao ano 1766 antes da era cristã. Portanto, o teatro chinês é o segundo, cronologicamente, antes mesmo do teatro grego. Como no Egito, surgiu também com características rituais. Mas além das celebrações de caráter religioso, passaram também a ser evocados os êxitos militares e outros acontecimentos. Assim, as procissões e danças foram cedendo lugar á forma dramática.

A Índia começou a desenvolver seu teatro cinco séculos antes da era cristã, depois do aparecimento de seus poemas egípcios Mahabharata e Ramayana, que são as grandes fontes de inspiração dos primeiros dramaturgos indianos. Países tão distantes como a Coréia e o Japão, mesmo sem contatos com o mundo ocidental, desenvolveram a seu modo formas próprias de teatro-a Coréia ainda antes da era cristã e o Japão durante a Idade Média(o primeiro dramaturgo japonês, o sacerdote Kwanamy Kiyotsugu, viveu entre os anos de 1333 e 1384 da era cristã).

Teatro no Brasil

A implantação do teatro, no Brasil, foi obra dos jesuítas, empenhados em catequizar os índios para o catolicismo e coibir os hábitos condenáveis dos colonizadores portugueses. O padre José de Anchieta (1534-1597), em quase uma dezena de autos inspirados na dramaturgia religiosa medieval e sobretudo em Gil Vicente, notabilizou-se nessa tarefa, de preocupação mais religiosa do que artística.

Produção sem continuidade, ela não foi substituída por outra que deixasse memória, nos séculos XVII e XVIII, salvo alguns documentos esparsos. Sabe-se, de qualquer forma, que se ergueram "casas da ópera" nesse último século, no Rio, em Vila Rica, Diamantina, Recife, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, atestando a existência de uma atividade cênica regular. A sala de espetáculos de Vila Rica (atual Ouro Preto) é considerada a mais antiga da América do Sul. Menciona-se o Padre Ventura como o primeiro brasileiro a dedicar-se ao palco, no Rio, e seu elenco era de mulatos.

A transferência da corte portuguesa para o Rio, em 1808, trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822, a que se ligou logo depois o romantismo, de cunho nacionalista. O ator João Caetano (1808-1863) formou, em 1833, uma companhia brasileira, com o propósito de "acabar assim com a dependência de atores estrangeiros para o nosso teatro".

Seu nome vinculou-se a dois acontecimentos fundamentais da história dramatúrgica nacional: a estréia, a 13 de março de 1838, de Antônio José ou O Poeta e a Inquisição, "a primeira tragédia escrita por um brasileiro, e única de assunto nacional", de autoria de Gonçalves de Magalhães (1811-1882); e, a 4 de outubro daquele ano, de O Juiz de Paz na Roça, em que Martins Pena (1815-1848) abriu o rico filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da nossa tradição cênica.

Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias (1823-1864), distingue-se como o melhor drama romântico brasileiro. A trama, que poderia evocar Otelo, se constitui, na verdade, um antecipador manifesto feminista. E a comédia de costumes marcou as escolas sucessivas, do romantismo e até do simbolismo, passando pelo realismo e pelo naturalismo. Filiaram-se a ela as peças mais expressivas de Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), José de Alencar (1829-1877), Machado de Assis (1939-1908), França Júnior (1838-1890) e Artur Azevedo (1855-1908), notabilizado pelas burletas A Capital Federal e O Mambembe. Fugiu aos esquemas anteriores Qorpo-Santo (1829-1889), julgado precursor do teatro do absurdo ou do surrealismo.

A Semana de Arte Moderna de 1922, emblema da modernidade artística, não teve a presença do teatro. Só na década seguinte Oswald de Andrade (1890-1954), um de seus líderes, publicou três peças, entre as quais O Rei da Vela, que se tornou em 1967 o manifesto do tropicalismo. Naqueles anos, registrava-se a hegemonia do astro, representado por Leopoldo Fróes e depois por um Procópio Ferreira. Só em 1943, com a estréia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), sob a direção de Ziembinski, modernizou-se o palco brasileiro. Mas a excelência do texto não iniciou ainda a hegemonia do autor, que se transferiu para as mãos do encenador.

Começava na montagem do grupo amador carioca de Os Comediantes a preocupação com a unidade estilística do espetáculo, continuada a partir de 1948 pelo paulista Teatro Brasileiro de Comédia, que contratou diversos diretores estrangeiros, e pelos elencos dele saídos - Cia. Nydia Lícia-Sérgio Cardoso, Cia. Tônia-Celi-Autran, Teatro Cacilda Becker e Teatro dos Sete. Maria Della Costa passou por ele enquanto esperava a construção de sua casa de espetáculos e adotou no Teatro Popular de Arte os seus mesmos princípios. O ecletismo de repertório desses conjuntos provocou, a partir do êxito de Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, uma guinada na política do Teatro de Arena de São Paulo, inaugurando a fase da hegemonia do autor brasileiro, ainda que tivessem estreado antes A Moratória, de Jorge Andrade (1922-1984), em 1955, e o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna (n.1927), em 1956, além de outras obras.

Veio, em 1964, o golpe militar, e cabe dizer que ocorreu uma hegemonia da censura. Afirmou-se um teatro de resistência à ditadura, desde os grupos mais engajados, como o Arena e o Oficina de São Paulo e o Opinião, do Rio, aos dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho e Plínio Marcos. Autores afeitos ao veículo da comédia, a exemplo de João Bethencourt, Millôr Fernandes, Lauro César Muniz e Mário Prata, seguiram a mesma trilha. Número enorme de peças, até hoje não computado, conheceu a interdição.

Quando, a partir da abertura, os textos proibidos puderam chegar ao palco, o público não se interessava em remoer as dores antigas. Talvez por esse motivo, enquanto se aguardavam novas vivências, o palco foi preenchido pelo "besteirol", ainda que Mauro Rasi, um dos seus principais autores, se encaminhasse depois para um mergulho autobiográfico. A partir dos anos 70, Maria Adelaide Amaral se tem mostrado a autora de produção mais constante e de melhores resultados artísticos.

Com a estréia de Macunaíma, transposição da "rapsódia" de Mário de Andrade, em 1978, Antunes Filho assumiu a criação radical do espetáculo, inaugurando a hegemonia dos encenadores-criadores. A tendência teve acertos, sublinhando a autonomia artística do espetáculo, e descaminhos, como a redução da palavra a um jogo de imagens. Aparados os excessos, essa linha, da qual participam nomes como Gerald Thomas, Ulysses Cruz, Aderbal Freire-Filho, Eduardo Tolentino de Araújo, Cacá Rosset, Gabriel Villela, Márcio Vianna, Moacyr Góes, Antônio Araújo e vários outros, está atingindo, nas temporadas recentes, um equilíbrio que ressalta todos os componentes do teatro.

Fonte: www.virtual.epm.br/www.anossaescola.com/www.mre.gov.br

História do Teatro

A antiguidade Clássica

A dramatização como forma artística surgiu num estágio relativamente avançado da evolução cultural.

O Teatro grego antigo tem suas raízes em atos rituais (culto de Dionísio). Mas as peças existentes já o mostram emancipado dessas origens, como instituição pública organizada custeada pelo Estado, como espécie de festivais cívicos.

Só possuímos peças completas de três autores, que costuma agrupar em ordem aproximadamente cronológica: Ésquilo, fortemente baseado em convicções mitológicas e de um poder verbal próximo da epopéia; Sófocles, grande moralista e grandíssimo poeta, de equilíbrio perfeito; e Eurípedes, meio descrente, psicólogo e de grande força lírica. Essa apresentação da história da tragédia grega é convencional e pouco exata. Na verdade, os três grandes são quase contemporâneos, e nossa ignorância dos outros tragediógrafos não permite esboçar linha de evolução coerente. Na verdade, em quase todos aqueles três a arte do diálogo e dos coros é mais ou menos a mesma; as diferenças de técnica dramatúrgica, importantíssimas para os contemporâneos, são pouco sensíveis para nós; e ideologicamente o suposto inovador e rebelde Eurípedes esta mais perto de Ésquilo que de Sófocles, As Bacantes mais perto do Prometeu Acorrentado do que da humaníssima Antígona.

Convém insistir em que todas as traduções, assim como as cada vez mais freqüentes representações modernas das tragédia gregas, modernizam esse teatro antigo, tão remoto quanto grande.

A impressão de Eurípedes ter sido meio descrente e inovador irreverente é devida, através dos séculos, ao seu intransigente inimigo, o aristocrático e conservador Aristófanes, criador da comédia antiga: gênero estranho, composto de paródia mitológica, sátira política, diatribes pessoais e poesia lírica. No teatro de tempos modernos não existe nada de comparável à comédia aristofanesca, a não contarmos certas sátiras literárias, só destinadas à leitura. Mas as comédias de Menandro (342 -291 A.C.), das quais duas foram encontradas em papiros egípcios, já são reflexos de uma vida burguesa de uma época totalmente desmitologizada e despolitizada.

De aspecto ainda mais moderno teria,m sido comédias domésticas de Filemon e Difilos, que só sobreviveram nas versões latinas de Plauto e Terêncio; moderno, porque essas comédias latinas foram imitadas, durante os séculos, em todos os países modernos.

A comédia romana antiga, apesar de usar largamente fontes gregas, é no entanto de forte originalidade. Plauto é um farsista de grande força cômica, mas também de poder poético-lírico. Terêncio é muito menos cômico, antes um moralista sério que prefere à representação das classes baixas e das suas diversões grosseiras a da vida das classes abastadas e cultas.

Mas os problemas são sempre os mesmos: domésticos, eróticos e de dinheiro. Plauto e Terêncio criaram os tipos do fanfarrão, do avarento, do criado astuto, do devasso filho de família, do parasita, que através da Comédia dell'Arte dominam todo o teatro cômico moderno.

Da tragédia romana só sobrevivera, completas, as últimas peças: as do filósofo Sêneca, nas quais a eloqüência (aliás admirável) e os horrores físicos substituem a poesia e a tragicidade do teatro grego; sua influência através dos séculos também foi muito forte.

Teatros Nacionais

O primeiro teatro nacional da Europa moderna é o espanhol, do fim do século XVI e do século XVII. Humanismo e Renascença manifestam a influência, nesse teatro, nos enredos, tirados da antiguidade greco-romana e da novelística italiana. Mas os dramaturgos espanhóis não se preocupam nada com as regras ou pseudo-regras antigas; a forma do seu teatro e medieval, ligeiramente desenvolvida e já se aproximando das convenções cênicas do teatro moderno. Assim também usam enredos da história espanhola e de outros países, roteiros livremente inventados, e os da história bíblica e das vidas dos santos. Um gênero especial é o Auto, representação alegórica de temas religiosos, especialmente para a festa de Corpus Christi.

O Teatro Clássico Francês

O Teatro clássico francês do século XVII é radicalmente diferente dos teatros espanhol e inglês da mesma época, porque lhe falta totalmente a raiz popular. Há, nas origens, influências espanholas e da Commedia dell'Arte italiana.

Mas foram logo superadas para agradar ao gosto de seu público culto, sofisticado e disciplinado por rígidas normas de comportamento da sociedade: La Cour et la Ville, a Corte de Versailhes e a cidade de Paris. A formação intelectual desse público era humanística. Por isso, o espírito barroco de época contra-reformista e absolutista teve de acomodar-se às formas ditas antigas, isto é às mal compreendidas regras aristotélicas, unidade de ação, de lugar e de tempo; enredo reduzido ao essencial e expressão verbal disciplinada pelas bienséances, ao modo de falar em boa sociedade. Nenhum teatro do passado é, pelo menos aparentemente, mais distante do nosso do que esse; mínimo de ação e mínimo de poesia. Mas é aparência. Na verdade, este é o primeiro exemplo de teatro moderno.

No teatro clássico francês a posteridade aprendeu a construção lógica e coerente, livre das exuberâncias e incoerências dos teatros espanhol e inglês que admiramos como grande poesia, embora hoje às vezes nos choquem; e o mínimo de ação exterior teve como efeito a concentração nos acontecimentos dentro dos personagens, isto é, a moderna psicologia dramática. A influência espanhola ainda predomina no Venceslas e Saint Genest de Rotrou (1609-1650), mas já devidamente disciplinada. Corneille já modifica muito os enredos tomados emprestados a autores espanhóis, enriquecendo-os pela disciplina religiosa dos jesuítas e pela política dos maquiavelistas, fantasiados de romanos antigos. Em Racine o Jesuitismo é substituído pela psicologia religiosa do Jansenismo e a política romana pelo erotismo grego. Ao mesmo tempo Molière, inspirado de inicio na Commedia dell'Arte italiana e nas recordações escolares de Terêncio, cria a fina comédia de sociedade, psicológica e satírica. Racine e Molière são tão perfeitos, dentro do estilo dramático escolhido, que não será possível continuá-los. Toda continuação seria imitação e repetição.

A tragédia francesa, depois de Racine, petrifica-se em fórmulas vazias; em vão Crébillon (1674-1762) tentaria revivificá-la pela introdução de horrores físicos à maneira de Sêneca. Na comédia Regnard (1655-1709) não chegou além de farsas alegres; Dancourt (1661-1725) e o romancista Le Sage, em Turcaret, cultivavam a sátira, já não contra determinados tipos psicológicos, mas contra classes da sociedade. No entanto, a decadência do teatro clássico francês foi retardada pelo gênio de Marivaux e pela habilidade de Voltaire. Racine, o trágico, não tinha cultivado muito talento pela comicidade (Les Plaideurs); Molière, o cômico, foi pela rigidez das regras impedido de cultivar a tragédia (Le Misanthofe). Mas Marivaux introduziu na fina comédia de costumes a psicologia erótica de Racine e criou um novo gênero. Voltaire estendeu as fronteiras do estilo trágico francês pela escolha dos enredos orientais e medievais, pela maior preocupação com detalhes arqueológicos e geográficos, e pela tendência filosófico-política; o que lhe falta é a verdadeira tragicidade.

A tendência revolucionária infiltrou-se, enfim, também na comédia: a de Beaumarchais contribuiu para a queda de Ancien Régime; o teatro clássico não sobreviveu à Revolução Francesa.

O Novo Classicismo Alemão

O grande crítico Lessing (1729-1781) acabou com a imitação do classicismo francês na Alemanha, apontando, embora com cautelas, o exemplo de Shakespeare. Mas nas suas próprias peças, modelos de técnica dramatúrgica, ainda não desprezou a maneira francesa. A influência avassaladora de Shakespeare já se faz sentir nas obras de mocidade de Goethe, que mais tarde se converteu a um classicismo sui generis, greco-alemão. O Fausto é o coroamento desta fase final da vida artística do grande poeta alemão. Embora só tenha sido contemplado na velhice, este poema dramático acompanhou Goethe desde sua juventude e foi o repositório das mais variadas experiências de sua vida, tendo sido chamado a "divina comédia" do humanismo do século XVIII. Em virtude de sua complexidade é pouco representada fora da Alemanha.

O compromisso entre o classicismo e elementos shakespearianos define a arte de Schiller, que passa por ser o maior dramaturgo alemão, embora os realistas e os anti-retóricos de todos os tempos sempre o tenham contestado.

Entre os epígonos desses dois grandes só um alcançou importância quase igual: Grillparzer (1791-1872), o dramaturgo nacional da Áustria, fortemente influenciado pelos espanhóis. Como romântico, costumava ser classificado o prussiano Heinrch von Kleist; mas só o é em aspectos secundários; é um caso inteiramente à parte e provavelmente o maior gênio trágico da literatura alemã (O Príncipe de Homburg).

A verdade é que o Romantismo alemão produziu numerosas peças dialogadas de grande interesse literário, mas nenhum drama capaz de viver no palco.

Pós-românticos e pré-realistas são dois outros autores, infelizes na vida e cuja fama póstuma passou por modificações inversas. Antigamente, Grabbe (1801-1836) era elogiado como autor de tragédias histórico-filosóficas e de uma comédia satírica, ao passo que Georg Büchner (1813-1837) era menos conhecido que seu irmão, o filósofo materialista Louis Büchner. Hoje, Grabbe não passa de uma curiosidade literária. Mas Büchner, o autor de Woyzek, A Mostre de Danton e da comédia Leonce e Lena, é considerado como gênio extraordinário, desaparecido antes do tempo, precursor do Expressionismo.

Os verdadeiros representantes do Romantismo no teatro alemão são os grandes atores da época entre 1780 a 1840: Schröder, que introduziu as obras de Shakespeare nos palcos de Hamburgo de Viena; Iffland, Esslair, Anschütz, que fizeram os papéis heróicos de Shakespeare e Schiller; Ludwing Devrient e Seydelmann, os demoníacos representantes de papéis como Ricardo III e Shylock.

O Teatro Poético

Nos países e literaturas em que o Expressionismo só tarde entrou, a primeira reação contra Realismo e Naturalismo foi o teatro poético.

Só com reserva merece esse nome o teatro de Rostand (1869-1918): "Cyrano de Bergerac" foi um fogo de artifício verbal e um caso isolado. Em geral, vale o mesmo para as peças de D'Annunzio, com exceção para "Figlia di Jorio", obra nutrida de raízes folclóricas, como serão mais tarde as de Garcia Lorca. A tendência principal do Anti-Realismo foi a poesia simbolista, e entre os grandes poetas simbolistas, vários escreveram peças de fundo fantástico ou lendário, levando para o palco a poesia das sugestões sutis e das "brumas nórdicas". O primeiro foi Maeterlinch, que o entusiasmo de Mirabeau chamou de "Shakespeare Flamengo"; mais tarde, voltou, em Monna Vanna, para o teatro dos fortes efeitos no palco.

Suas peças simbolistas foram imitadas em toda a parte: ocasionalmente por Hauptmann e Strindberg; na Irlanda, pelo grande poeta Yeats (1865-1939); mas o maior dramaturgo do Abbey Theatre de Dublin foi Synge (1871-1909), que sabia reunir as cores folclóricas da terra, a poesia do enredo inventado e o espírito mordaz de sua raça, como em "The Playboy of the Western World" (O Prodígio do mundo ocidental). Na Rússia, são maeterlinckianas as peças simbólicas do grande poeta Block (1880-1921).

Uma grande geração do teatro poético inicia-se com Claudel, que de início enquadrou nas suas peças a defesa da religiosidade católica; em "Le Soulier de Satin" (O Sapato de Cetim), recriou forma e espírito do teatro barroco. Enquanto isso, Montherlant tentou revivificar a forma e o espírito clássico francês, inclusive, em Port-Royal, a atmosfera religiosa do Jansenismo. Também de base religiosa, na Inglaterra, o teatro de T.S.

Eliot muito contribuiu para a renascença do teatro elizabetano; mas em suas próprias peças tentou criar uma atmosfera litúrgica: "Murder in the Cathedral" (Assassinato na Catedral); ou então insuflar espírito religioso à comédia de sociedade, como em "The Family Reunion" (A Reunião de Família). O mais autêntico teatro poético do século talvez seja o espanhol Garcia Lorca, de tragicidade sombria e forte seiva folclórica. Outro caminho para a superação do realismo teatral foi aberto pelo método de conferir novo sentido, superior, às coisas da própria realidade cotidiana. Ibsen tinha tentado esse caminho em suas últimas peças, simbólicas. Ibseniano nesse sentido foi o italiano Ugo Betti (1892-1953), que manteve a tendência ibseniana de crítica social.

Mas o maior representante de um "realismo poético" foi o russo Tchekhov: teatro de atmosfera, de sugestões, de estilo coloquial e no entanto poético, sempre con sordina e ausência de ação espetacular. Esse teatro realístico-poético causou funda impressão no mundo inteiro e é dos mais representados; ms não há quase dramaturgos que tenham tido a coragem de imitar esse estilo, intensamente pessoal.

Origem do Teatro

É comum ouvirmos dizer que o teatro começou na Grécia, há muitos séculos atrás. No entanto, existem outros exemplos de manifestações teatrais anteriores aos gregos. Por exemplo, na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa. No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus. Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. E nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo. É fácil perceber através destes poucos exemplos, uma origem religiosa para as manifestações teatrais.

Fonte: www.milvezesteatro.hpg.ig.com.br

História do Teatro

A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um caráter ritualístico.

Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.

Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas (ditirambos).

A tragédia, em seu estágio seguinte, se realizou com a representação da primeira tragédia, com Téspis. A introdução de segundos e terceiros atores nas tragédias veio com Ésquilo e Sófocles.

Surgiu também a peça satírica: o conservador Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a sátira política. Todos os papéis eram representados por homens, pois não era permitida a participação de mulheres.

Os escritores participavam, muitas vezes, tanto das atuações como dos ensaios e da idealização das coreografias. O espaço utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande círculo. Com o passar do tempo, grandes inovações foram sendo adicionadas ao teatro grego, como a profissionalização, a estrutura dos espaços cênicos (surgimento do palco elevado) etc. Os escritores dos textos dramáticos cuidavam de praticamente todos os estágios das produções.

Nesse mesmo período, os romanos já possuíam seu teatro, grandemente influenciado pelo teatro grego, do qual tirou todos os modelos. Nomes importantes do teatro romano foram Plauto e Terêncio. Roma não possuiu um teatro permanente até o ano de 55 a.C., mas segundo é dito, enormes tendas eram erguidas, com capacidade para abrigarem cerca de 40.000 espectadores.

Apesar de ter sido totalmente baseado nos moldes gregos, o teatro romano criou suas próprias inovações, com a pantomima, em que apenas um ator representava todos os papéis, com a utilização de máscara para cada personagem interpretado, sendo o ator acompanhado por músicos e por coro.

Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio de patrocinadores, sendo considerado pagão. Desta forma, as representações teatrais foram totalmente extintas.

O renascimento do teatro se deu, paradoxalmente, através da própria igreja, na Era Medieval. O renascimento do teatro se deveu à representação da história da ressurreição de Cristo. A partir deste momento, o teatro era utilizado como veículo de propagação de conteúdos bíblicos, tendo sido representados por membros da igreja (padres e monges). O teatro medieval religioso entrou em franco declínio a partir de meados do século XVI.

Desde o século XV, trupes teatrais agregavam-se aos domínios de senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro elisabetano. Os atores - ainda com a participação exclusiva de atores homens - eram empregados pela nobreza e por membros da realeza. O próprio Shakespeare, assim como o ator original de Otelo e Hamlet, Richard Burbage, eram empregados pelo Lorde Chamberlain, e mais tarde foram empregados pelo próprio rei.

Na Espanha, atores profissionais trabalhavam por conta própria, sendo empresariados pelos chamados autores de comédia. Anualmente, as companhias realizavam festivais religiosos, e sobretudo no século XVII, as representações nas cortes espanholas encontravam-se fortemente influenciadas pelas encenações italianas. Os nomes mais proeminentes deste período (a chamada idade de ouro do teatro espanhol) foram Calderon de La Barca e Lope de Vega.

Foi mais notadamente na Itália que o teatro renascentista rompeu com as tradições do teatro medieval. Houve uma verdadeira recriação das estruturas teatrais na Itália, através das representações do chamado teatro humanista.

Os atores italianos deste, basicamente, eram amadores, embora já no século XVI tenha havido um intenso processo de profissionalização dos atores, com o surgimento da chamada "Commedia Dell'Arte", em que alguns tipos representados provinham da tradição do antigo teatro romano: eram constantes as figuras do avarento e do fanfarrão.

Devido às muitas viagens que as pequenas companhias de Commedia Dell'Arte empreendiam por toda a Europa, este gênero teatral exerceu grande influência sobre o teatro realizado em outras nações. Um dos aspectos marcantes nesse teatro foi a utilização de mulheres nas representações, fato que passou a se estender para os outros países.

No século XVII, o teatro italiano experimentou grandes evoluções cênicas, muitas das quais já o teatro como atualmente é estruturado. Muitos mecanismos foram adicionados à infra-estrutura interna do palco, permitindo a mobilidade de cenários e, portanto, uma maior versatilidade nas representações.

Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais na Inglaterra a na França. Na Inglaterra, os papéis femininos eram antes representados por jovens atores aprendizes. Na França, uma das atrizes que outrora havia sido integrante do grupo de Molière passou a fazer parte do elenco das peças de Racine. Therese du Parc, conhecida depois como La Champmesle, foi a atriz que primeiro interpretou o papel principal de Fedra, da obra de Racine, tornando-se então uma das principais atrizes da chamada "Commedie Française".

No Brasil, o teatro tem sua origem com as representações de catequização dos índios. As peças eram escritas com intenções didáticas, procurando sempre encontrar meios de traduzir a crença cristã para a cultura indígena. Uma origem do teatro no Brasil se deveu à Companhia de Jesus, ordem que se encarregou da expansão da crença pelos países colonizados. Os autores do teatro nesse período foram o Padre José de Anchieta e o Padre Antônio Vieira. As representações eram realizadas com grande carga dramática e com alguns efeitos cênicos, para a maior efetividade da lição de religiosidade que as representações cênicas procuravam inculcar nas mentes aborígines. O teatro no Brasil, neste período, estava sob grande influência do barroco europeu.

Ao cabo do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática da peças foram reflexo de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Surgiram formas como o melodrama, que atendia aos gosto do grande público. Muitos teatros surgiram juntamente com esse grande público.

No século XIX as inovações cênicas e infra-estruturais do teatro tiveram prosseguimento. O teatro Booth de Nova York já utilizava os recursos do elevador hidráulico. Os recursos de iluminação também passaram por muitas inovações e experimentações, com o advento da luz a gás. Em 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o primeiro a utilizar iluminação elétrica.

Os cenários, assim como o figurino, procuravam reproduzir situações históricas com um realismo bastante apurado. As sessões teatrais, em que outrora encenavam-se várias peças novas ou antigas, foram passando a ser utilizadas apenas para a encenação de uma peça. Todas as inovações pelas quais o teatro foi passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que trata de todos os estágios artísticos de uma produção.

Ao final do século XIX uma série de autores passaram a assumir uma postura de criação bastante diversa da de seus predecessores românticos, visando a arte como veiculo de denúncia da realidade. Escritores como Henrik Ibsen e Emile Zola foram partidários dessa nova tendência, cada qual com sua visão particular.

O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradições. O "design" cênico, a direção teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se vincularam a um único padrão predominante. Entretanto, pode-se dizer que as idéias de Bertolt Brecht foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht , o ator deve manter-se consciente do fato que esta atuando e que jamais pode emprestar sua personalidade ao personagem interpretado. A peça em si, por sua vez, assim como a mensagem social nela contida, deveria ser o supremo objeto de interesse. Para tanto, os espectadores deveriam ser constantemente lembrados que estão vendo uma peça teatral e que, portanto, não identifiquem os personagens como figuras da vida real, pois neste caso a emoção do espectador obscureceria seu senso crítico.

Dado o seu temor no caso dos atores mostrarem-se incapazes de desempenhar os papéis com tanta imparcialidade, Brecht utilizou vários recursos que libertariam as encenações de quaisquer ilusões de realidade que poderiam ser criadas nas mentes dos espectadores. A cenografia se dirigia a muitos efeitos não-realísticos, assim como as próprias atividades de mudança de palco podiam ser vistas pelo público. No teatro contemporâneo tanto as tradições realistas como as não-realistas convivem simultaneamente.

Fonte: liriah.teatro.vilabol.uol.com.br

História do Teatro

O Teatro e sua origens

A origem do teatro remonta às primeiras sociedades primitivas que acreditavam que a dança imitativa trazia poderes sobrenaturais e controlava os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas, etc). Estas mesmas danças eram feitas para exorcizar os maus espíritos. Portanto, a conclusão de historiadores aponta que o teatro, em suas origem, possuía caráter ritualístico.

Com o desenvolvimento do domínio e o conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro foi aos poucos deixando suas características ritualísticas, dando lugar às ações educativas. Em um estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.

O Teatro - A Arte de Representar

O teatro ou a arte de representar floresceu em terrenos sagrados à sombra dos templos, de todas as crenças e em toda as épocas, na Índia, Egito, Grécia, China, entre outras nações e nas igrejas da Idade Média. Foi a forma que o homem descobriu para manifestar seus sentimentos de amor, dor e ódio.

São quatro os principais gêneros dramáticos conhecidos:

A tragédia, nascida na Grécia, segue três características: antiga, média e nova. É a representação viva das paixões e dos interesses humanos, tendo por fim a moralização de um povo ou de uma sociedade.

A comédia representa os ridículos da humanidade ou os maus costumes de uma sociedade e também segue três vertentes: a política, a alegórica e a moral.

A tragicomédia é a transição da comédia para o drama. Representa personagens ilustres ou heróis, praticando atos irrisórios.

O drama (melodrama) é representado acompanhado por música. No palco, episódios complicados da vida humana como a dor e a tristeza combinados com o prazer e a alegria.

As edificações dos teatros

A partir do momento em que o homem começou a representar suas emoções e sentimentos através do teatro, surgiu a necessidade de criar espaços específicos. E assim apareceram construções de diversos estilos. As diferentes edificações sofreram influências culturais que se espalharam por gerações.

A exemplo do Teatro Grego a.C., as edificações eram erguidas nos flancos das colinas para diminuir as despesas. Os romanos preferiam os terrenos planos. Mas até a metade do século I a.C., eles usavam construções de madeira que eram constantemente deslocadas de um lugar para outro.

No ano 50 a. C., o Imperador Pompeu concluiu seu teatro que possuía 40 mil lugares com os assentos e toda a decoração interna em mármore. Mais tarde o arquiteto italiano Bramante retirou 50 colunas de granito desse teatro para usar no palácio da Chanelaria.

Outro arquiteto, Emílio Escauro, construiu uma das obras mais espetaculares em madeira, que comportava até 80 mil pessoas. O palco era dividido em três planos superpostos e decorado com 360 colunas de mármore. O primeiro plano era todo em mármore. O segundo tinha as paredes cobertas com cubos de vidro. O terceiro era revestido com madeira dourada, colunas e três mil estátuas.

E assim as construções, movidas pelo desenvolvimento de novas técnicas, foram se ampliando e ficando cada vez mais sofisticadas e modernas.

A arte grega teve muita influência sobre os romanos. Foi marcante a influência helenística, que aparece nas principais construções romanas como os arcos triunfais, teatros, circos e esculturas.

Egito

O mais antigo texto encontrado, referente aos Escritos das Pirâmides - denominados em 1882, como Dramas - data de cerca de 4.000 a.C..

Nos textos hieroglíficos examinados foram encontradas diretrizes para a representação e indicações para o uso de atores, capazes de observar as instruções para o palco e interpretar fielmente as passagens do drama. Tanto nas representações dos textos das pirâmides como em outras peças egípcias se encontra o emprego de máscaras de animais.

Esses textos dramáticos e religiosos eram provavelmente representados pelos sacerdotes, que moravam perto das Mastabas e Pirâmides. As representações dedicadas à memória dos mortos aconteciam em um grande pátio, ao lado do rio Nilo e ao pé da pirâmide em degraus, construída em Sakkarah. Denominada Heb Sed, celebrava o jubileu da Coroação e simbolizava a renovação do poder real, através da morte e da ressurreição.

Grécia

O Teatro como conhecemos tem origem nos festivais religiosos gregos em honra ao deus Dionísio, a partir do século VII a.C.. Os cânticos eram entoados por um coro, conduzido por um solista, o corifeu.

No século VI a.C., as primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto com as canções dionisíacas (ditirambos). Em seguida surgiu a Tragédia, quando o poeta Téspis colocou em cena um ator cujo papel era conduzir o diálogo com o coro.

A introdução do segundo e terceiro atores nas tragédias veio sucessivamente com Ésquilo e Sófocles. Surgiu também a peça satírica. Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a sátira política. Os atores usavam coturnos com plataformas e grandes máscaras para aumentar sua figura e dar melhor ressonância à voz. Todos os papéis eram representados por homens, porque não era permitida a participação de mulheres.

As apresentações aconteciam durante o dia, ao ar livre. A área da platéia, chamada de teatron, tinha a forma de semicírculo com degraus escavados na encosta de uma montanha ao redor da orquestra - espaço circular que continha o altar de Dionísio onde o coro dançava e cantava.

O palco era feito de tábuas sobre uma armação de alvenaria, com o proskênion - área de representação - e ao fundo, com três portas, a skene, que abrigava também os locais de guarda de material e troca de roupa dos atores.

Mais tarde foram construídas nas laterais do palco, os periactos (prismas triangulares) que giravam em torno de um eixo e cada um dos lados apresentava uma cena diferente: trágica (um palácio e um templo), cômica (uma série de casas particulares), satírica (uma paisagem campestre ou marinha com cabanas, arbustos, árvores, rochas e cavernas).

Roma

Em Roma predomina a comédia. Durante o Império Romano (de 27 a.C. a 476 d.C.) a cena é dominada por exibições acrobáticas, jogos circenses e pantomimas em que apenas um ator representava todos os papéis, acompanhado por músicos e pelo coro, usando máscaras para interpretar personagens.

As diferenças fundamentais entre o teatro romano e grego podem ser expressas do seguinte modo:

1) Toda representação do teatro romano desenrolava-se no palco, ficando a orquestra reduzida a um semicírculo, reservado para os senadores e hóspedes ilustres.
2) 
O teatro grego, pela natureza de sua construção, não prescindia de uma depressão no terreno, enquanto o romano, construído sob galerias abobadadas, poderia ser levantado em qualquer terreno plano.

Esquema comparativo entre grego e romano:

1 Theatron
2 Thumelê
3 Orkhêstra
4 Parodos
5 Proskênion
6 Skené
7 Cavea
8 Vomitoria (corredor)
9 Cadeiras de Honra
10 Vomitorium principal
11 Proscenium (Pulpitum)
12 Frons Scenae
13 Scena

Uma das principais características construtivas era a parede de fundo que, conjugada à cobertura da cena, melhorou extraordi- nariamente a acústica dos teatros.

O palco ganhou mais espaço e foi rebaixado para 1,50m, permitindo melhor visão aos espectadores sentados na orquestra.

Alguns teatros eram cober- tos por um toldo pintado de cores alegres (velarium), para proteger os espectadores do sol. Surge a cortina de boca de cena (auleum).

A história mostra que era grande a rivalidade entre Pompeu e César, a ponto que, quando César soube do magnífico teatro construído por de seu rival, mandou levantar dois teatros de madeira. No dia da inauguração, depois da representação matinal, um dos teatros girou sobre "pivots" fazendo face ao outro, formando pela primeira vez o anfiteatro (amphi = duplo), para os espetáculos de gladiadores e corridas.

O Teatro Medieval

Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio e foi considerado pela igreja pagão. Desta forma, as representações teatrais foram extintas.

O retorno do teatro aconteceu, paradoxalmente, através da própria igreja, na Idade Média, entre o século X e o início do século XV, chegando a influenciar o teatro no século XVI.

A princípio foram encenados dramas litúrgicos, em latim, escritos e representados por membros do clero. Os fiéis participavam como figurantes e, mais tarde, como atores. Esta integração mesclou o latim à língua falada nas regiões.

As peças, sobre o ciclo da Páscoa ou da Paixão, eram longas e podiam durar vários dias. A partir dos dramas religiosos, formaram-se grupos semi-profissionais e leigos, que se apresentavam nas ruas. Os temas, ainda religiosos, incluíram situações tiradas do cotidiano.

Espaço cênico medieval - O interior das igrejas era usado inicialmente como teatro. Quando as peças se tornaram mais elaboradas e exigiram mais espaço, passaram a ser apresentadas em frente às igrejas.

Palcos grandes enriqueceram cenários extremamente simples porque permitiram a inclusão de painéis que representavam diferentes lugares: uma porta simboliza a cidade; uma pequena elevação, uma montanha; uma boca de dragão, à direita, indica o inferno; e uma elevação, à esquerda, o paraíso.

No Mistério da Paixão, peça baseada na via sacra, do período medieval, aparecem oito cenários diferentes que representam o caminho que liga as duas extremidades da imagem: o inferno e o paraíso, com um critério realista contundente para que os fiéis compreendessem a natureza do pecado, seu castigo e, consequentemente, o prêmio dado aos que obedeciam aos mandamentos. Surgem grupos populares que transformam carroças em palcos e se deslocam de uma praça à outra.

Durante o século XII surgiram na Europa companhias de teatro que se apresentam de cidade em cidade. Este teatro já não tinha caráter religioso e seus atores, chamados de Saltimbancos, andavam em carroças, sempre em grupos, chamadas trupes, e não tinham morada certa. Hoje, esse teatro itinerante também é conhecido como teatro mambembe.

Perseguidos pela Igreja e tratados como fora-da-lei, os saltimbancos começaram a usar máscaras para não serem reconhecidos. Uma tradição que descende diretamente desses artistas é o circo, que até hoje percorre as cidades apresentando seus números.

O Teatro Renascentista

Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio e foi considerado pela igreja pagão. O Teatro Renascentista vai do século XV ao XVI, prolongando-se, em alguns países, até o início do século XVII. O crescimento das cortes de reis e de salões de nobres levou as pessoas a apreciarem o teatro como diversão.

No final da Idade Média e início do Renascimento foram criadas as companhias de artistas, os teatros privados e os públicos. A paixão grega pela arte teatral parecia ter ressurgido. Foi nesta época que passou a ser cobrado ingresso para as apresentações de teatro.

Um exemplo entre o teatro antigo e o moderno é o Teatro Olímpico de Vicenza (1583). O auditório, com degraus em semicírculo, pode ser considerado como tipicamente romano, mas as construções cênicas, e sobretudo os curiosos cenários fixos, revelam algo de novo.

Na parede de fundo do palco, pomposamente decorada, aparecem três aberturas, sendo a central em arco. Por essas aberturas, divisam-se cinco ruas constituídas por cenários sólidos e permanentes, reproduzindo fachadas de palácios e ruas de uma cidade. Tudo admiravelmente estudado, permitindo aos atores entrar e sair das casas, dobrar esquinas, etc.

Todo esse luxuoso conjunto de pórticos, estátuas, decorações, cenários, foi obtido com o emprego de madeira e argila. Para ocultar o madeiramento do telhado foi usado como forro uma tela esticada, com a pintura de pássaros em vôos e outras imagens.

Equipados com um simples cavalete, acoplado à carroça, para carregar as roupas e os acessórios, os grupos da commedia dell'arte paravam em todas as cidades, da Espanha à Boêmia, da Inglaterra à Polônia. Alguns grupos eram disputados fervorosamente pelas cortes da Europa e chegaram a fazer fortuna.

O teatro erudito, imitando modelos greco-romanos, era muito acadêmico, com linguagem pomposa e temática, sem originalidade. Já o teatro popular manteve viva a herança medieval. As peças eram cheias de ação e vigor, e o ser humano tratado como o centro das preocupações.

Teatro Europeu

Itália

Em reação ao teatro acadêmico surgem, no século XVI, as encenações da commedia dell'arte, baseadas na criação coletiva e no uso de máscaras. Os diálogos eram improvisados pelos atores, que se especializavam em personagens fixos como a Colombina, o Polichinelo, o Arlequim, o capitão Matamoros e o Pantalone.

Nesta época surgem atrizes representando personagens femininos, porque até então os papéis eram representados por homens. Os grupos apresentavam-se pela Europa com uma carroça e um tablado.

Os cenários eram muito simples: um telão pintado com a perspectiva de uma rua. Mais tarde, comediógrafos como Molière, inspiram-se nestes grupos.

Inglaterra

Desde o século XV, trupes teatrais agregavam-se aos domínios de senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro elizabetano. Os atores - ainda com a participação exclusiva homens - eram empregados pela nobreza e por membros da realeza, assim como William Shakespeare.

O teatro elizabetano tem seu auge entre 1.562 e 1.642. As peças caracterizavam-se pela mistura sistemática do sério e do cômico; pela variedade dos temas mitológicos, da literatura medieval e renascentista e da história. A linguagem misturava o verso mais refinado à prosa mais descontraída.

Outra característica do espaço cênico elizabetano era a forma arredondada poligonal das construções. O palco era dividido em até três níveis para que várias cenas fossem representadas simultaneamente. Circundando o interior do edifício, em um nível mais elevado, ficavam as galerias para os espectadores mais ricos.

Os mais simples ficam em pé, quase se misturando aos atores, abaixo do nível do palco. Uma cortina ao fundo modificava o ambiente.

O Globe Theatre foi construído em 1599, à margem sul do rio Tâmisa, em Londres e comportava até três mil espectadores. Os mais abastados sentavam-se em bancos nas galerias de madeira protegidas por tetos de sapê. Os pobres ficavam de pé na platéia central, a céu aberto. Todos podiam comprar bebidas e comidas durante as representações, que começavam por volta das duas da tarde e terminavam com um número de canto e dança cerca de três horas depois. O palco elevado ficava de costas para o sol da tarde, de tal forma que os atores representavam na sombra.

Espanha

Entre os séculos XVI e XVII o teatro espanhol chegou ao seu apogeu. As regras eruditas foram desprezadas e as formas originárias das apresentações populares foram incorporadas em peças de ritmo rápido, com ações que se cruzavam. Os temas mitológicos, misturados a elementos locais estavam impregnados de sentimento religioso.

Atores profissionais trabalhavam por conta própria e eram empresariados pelos chamados autores de comédia.

Os nomes mais proeminentes deste período (a chamada idade de ouro do teatro espanhol) foram Calderón de La Barca e Lope de Vega. O espetáculo teatral espanhol surgiu em espaços improvisados - os corrales- pátios ou áreas nos fundos das casas onde se erguia um tablado. Os espectadores ficavam nas janelas das casas vizinhas ou em pé em volta do tablado. O cenário era apenas uma cortina.

França

O primeiro teatro público francês surgiu em 1.548, mas apenas no século XVII apareceram os mais célebres autores franceses dos tempos modernos como Corneille e Racine, que escreveram tragédias. Molière, também dessa época, se dedicou às comédias. Como a platéia francesa era barulhenta e agitada, a primeira parte da cena continha situações que acalmavam o público. Só assim se conseguia o silêncio. Com o mesmo objetivo, Molière criou três pancadas ou sinais, usados até hoje para avisar à platéia que o espetáculo ia começar.

Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais na Inglaterra e na França. Na Inglaterra, os papéis femininos eram antes representados por jovens atores aprendizes.

O Palco Italiano

O teatro italiano experimentou grandes evoluções cênicas, muitas das quais são atualmente utilizadas. Muitos mecanismos foram adicionados à infra-estrutura interna do palco, o que permitiu a mobilidade de cenários e maior versatilidade nas apresentações.

Espaço cênico italiano

Troca-se a cena greco-romana pelo palco italiano, com boca de cena arredondada e luzes na ribalta, escondidas do público por anteparos. Pela primeira vez é usada uma cortina para esconder o cenário. As três portas da cena grega são substituídas por telões pintados que permitem efeitos especiais de perspectiva, conseguidos através de maquinaria própria. Apagam-se as luzes da sala durante o espetáculo, para concentrar a atenção do público no palco. Há platéia e camarotes, dispostos em formato de ferradura.

A ópera torna-se tão popular que, só em Veneza no século XVII, funcionam regularmente 14 casas de espetáculos.

No século XVIII a difusão dos teatros públicos e o declínio do teatro ambulante levaram à fabricação de máquinas que criavam efeitos mágicos e ilusões visuais na platéia, como por exemplo, pessoas voando.

No final do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática das peças continham reflexos de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Surgiram gêneros como o melodrama, que atendia ao gosto do grande público. Também nesse período foram construídos muitos teatros para atender à demanda de público.

Já no século XIX, as inovações cênicas e de infra-estrutura do teatro tiveram grandes inovações.

O teatro Booth, de Nova Iorque, utilizava os recursos do elevador hidráulico. Com o advento da luz a gás, a técnica de iluminação também passou por transformações e novas experimentações.

Em 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o primeiro a utilizar iluminação elétrica. Nos cenários e figurino da época, reproduzia-se situações históricas com realismo bastante apurado. As sessões de teatro, que antes apresentavam várias obras, passaram a encenar um única peça.

As inovações que surgiram acabaram criado a figura do diretor, responsável por todos os estágios artísticos de uma produção teatral.

Ao final do século XIX muitos autores assumiram uma postura de criação bastante diversa daquela de seus predecessores românticos. Passaram a usar a arte como veículo de denúncia de acontecimentos da vida real.

Já o teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradições. O design cênico, a direção teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se vincularam em um único padrão predominante.

Na cenografia passaram a ser utilizados efeitos não-realísticos. As próprias atividades de mudança de palco podiam ser vistas pelo público. No teatro contemporâneo, tanto as tradições realistas como as não-realistas convivem simultaneamente.

Referências Bibliográficas

CAMPOS , Geir. Glossário de Termos Técnicos do Espetáculo . Niterói: Universidade Federal Fluminense / EDUFF, 1989.
FERRARI , Giulio. La Shenografia . Milano: Ulrico Hoepli Editore, 1902.
PILBROW , Richard. Stage Lighting . New York : Drama Book Publishers, 1976.
REID , Francis. The Stage Lighting Handbook . London : AXC Black, 1987.
SERRONI , J.C.. Glossário de Termos Técnico .
SONREL , Pierre. Traité de Scénografie . Paris: Odette Lieutier, 1943.
Apostila Coletânea do Professor 2003 , Arte - 1º Ano. Curitiba: Organização Educacional Expoente, 2003.

Fonte: www.teatroguaira.pr.gov.br

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