Contexto da Obra
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O romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, nos mostra como era a vida em um cortiço no Rio de Janeiro do século XIX. Ele cria um quadro grande das relações sociais daquela época. Desde o início, vemos como o ambiente e as condições econômicas influenciam o comportamento e o destino dos personagens. O espaço coletivo não é apenas um cenário, mas algo que estrutura a própria ação.
O cortiço como centro da narrativa
O cortiço é o centro da história. Ele não é apenas um lugar onde as pessoas vivem, mas um organismo vivo onde diferentes histórias se cruzam. É lá que acontecem tensões sociais, disputas econômicas e conflitos afetivos que mostram as desigualdades da sociedade urbana.

João Romão e a ambição econômica
Uma das figuras importantes é João Romão, o dono do cortiço. Ele é ambicioso e calculista, começou com pouco e foi enriquecendo explorando o trabalho dos outros e a precariedade dos moradores. Seu objetivo é subir na sociedade, mesmo que para isso tenha que ser frio e oportunista. Sua história simboliza a busca pelo poder econômico em detrimento das relações humanas.
Bertoleza e a desigualdade social
Em contraste com a ascensão de João Romão, está Bertoleza, uma mulher negra que vive sob a dependência dele. Ela trabalha muito, contribui para o crescimento financeiro dele, mas é maltratada e explorada. Ela representa o sofrimento e a desigualdade estrutural da sociedade.
Jerônimo e Rita Baiana
Outra parte importante da história envolve Jerônimo e Rita Baiana. Jerônimo é apresentado como um trabalhador disciplinado, ligado a valores tradicionais, mas muda após se envolver com Rita, que é espontânea, sensual e cheia de vida. À medida que o relacionamento se intensifica, ele deixa seus antigos princípios e mergulha em conflitos pessoais, mostrando a força do ambiente sobre o indivíduo.
Outras personagens do cortiço
Além dessas personagens, há outras que ampliam o retrato social do cortiço. Pombinha, por exemplo, perde sua inocência devido ao ambiente; Miranda representa a ambição burguesa e rivaliza com João Romão; e há vários trabalhadores e moradores que compõem um mosaico de culturas e experiências que reforçam o caráter coletivo da obra.
Conflitos e determinismo social
Ao longo da história, acumulam-se conflitos amorosos, disputas por poder e transformações psicológicas. Isso mostra que as ações individuais não podem ser entendidas sozinhas, pois estão muito ligadas ao contexto social e material. O sucesso econômico de João Romão contrasta com a degradação moral de suas relações; o destino trágico de Bertoleza mostra a violência estrutural; e a mudança de Jerônimo confirma o impacto do ambiente sobre a conduta humana.
No final, o cortiço permanece como um microcosmo da sociedade maior, cheio de tensões, vitalidade e desigualdade. Assim, a obra consolida uma visão naturalista de que o meio social é uma força determinante na formação do caráter e na definição dos destinos individuais.
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