Obras Literárias

abril, 2017

  • 26 abril

    Os Trabalhadores do Mar

    De Victor Hugo e tradução de Machado de Assis Machado de Assis Apresentação A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o templo; precisa criar, daí a cidade; precisa viver, daí …

  • 26 abril

    Memórias Póstumas de Bras Cuba

    Machado de Assis AO LEITOR QUE STENDHAL confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, cousa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. …

  • 26 abril

    Saudade – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Aqui outrora retumbaram hinos; Muito coche real nestas calçadas E nestas praças, hoje abandonadas, Rodou por entre os ouropéis mais finos… Arcos de flores, fachos purpurinos, Trons festivais, bandeiras desfraldadas, Girândolas, clarins, atropeladas Legiões de povo, bimbalhar de sinos… Tudo passou! Mas dessas arcarias Negras, e desses torreões …

  • 26 abril

    Rima – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Rondo pela noite Imaginando mil coisas Meditando sozinho Até a madrugada Isto tudo é tão contrário Medo e coragem Amor e ódio Revolta e compreensão Mas nada rima nesse mundo Apenas eu e você restávamos Resto do que o mundo já foi Intensamente, imensamente, eternamente Até mesmo nós …

  • 26 abril

    Primeiras Vigílias – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Dos revoltos lençóis sobre o deserto Despejava-se, em ondas silenciosas, O luar dessas noites vaporosas, De seu lânguido cálix todo aberto. Rangia a cama, e deslizavam, perto Alvas, femíneas formas ondulosas; E eu a idear, nas ânsias amorosas, Uns ombros nus, um colo descoberto. E a gemer: — …

  • 26 abril

    Plenilúnio – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Além nos ares, tremulamente, Que visão branca das nuvens sai! Luz entre as franças, fria e silente; Assim nos ares, tremulamente, Balão aceso subindo vai… Há tantos olhos nela arroubados, No magnetismo do seu fulgor! Lua dos tristes e enamorados, Golfão de cismas fascinador! Astro dos loucos, sol …

  • 26 abril

    Plena Nudez – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Eu amo os gregos tipos de escultura; Pagãs nuas no mármore entalhadas; Não nessas produções que a estufa escura Das modas cria, tortas e enfezadas. Quero em pleno espendor, viço e frescura Os corpos nus; as linhas onduladas Livres: da carne exuberante e pura Todas as saliências e …

  • 26 abril

    Ondas – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Ilha de atrozes degredos! Cinge um muro de rochedos Seus flancos. Grosso a espumar Contra a dura penedia, Bate, arrebenta, assobia, Retumba, estrondeia o mar. Em circuito, o Horror impera; No centro, abrindo a cratera Flagrante, arroja um volcão Ígnea blasfêmia às alturas… E, nas ínvias espessuras, Brame …

  • 26 abril

    Ofélia – Raimundo Correia

    Raimundo Correia Num recesso da selva ínvia e sombria, Estrelada de flores, vicejante, Onde um rio entre seixos, espumante, Cursando o vale, túrgido, fluía; A coma esparsa, lívido o semblante, Desvairados os olhos, como fria Aparição dos túmulos, um dia Surgiu de Hamlet a lacrimosa amante; Símplices flores o seu …

  • 26 abril

    Ode Parnasiana – Raimundo Correia

    Raimundo Correia De cípreo mosto cheia A taça ergui. Cogitabunda Musa, Fuge os pesares. Eia! Desta alma a flama viva afla, e enaltece-a! Insufla-me o estro; e, minha vista ilusa, As prístinas grandezas patenteia Da celebrada Grécia! Musa, a Grécia, como antes Do último heleno, dá que eu sonhe agora! …