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O Fracasso Escolar Segundo a Psicopedagogia

2.5. A PSICOPEDAGOGIA HOJE

A Psicopedagogia tem por objeto de estudo a aprendizagem como um processo individual, em que a trajetória da construção do conhecimento é valorizada e entendida como parte do resultado final.Vivemos na era do conhecimento. Não se pode pensar no exercício da cidadania sem que o cidadão tenha acesso à formação acadêmica mínima de oito anos mas, na prática, a sociedade demonstra que a exigência real de um segundo grau e, de preferência, com um pós-médio. Temos visto que para exercer qualquer profissão, seja ela a mais simples ou a mais complexa, a pessoa será submetida a treinamentos que devem passar, não apenas por especificidade da função e do local de trabalho, mas por treinamentos de ética, qualidade, perfil de cliente, economia, etc. A pessoa é valorizada por seus diplomas mas também por sua capacidade de construir conhecimento, de gerar instrumentos e serviços adequados ao contexto sócio-econômico-cultural.Estamos vivendo em plena era de globalização, em que o conhecimento e as descobertas científicas circulam com uma incontrolável rapidez e as próprias instituições de ensino têm dificuldade em acompanhar o fluxo dessas informações. É extremamente fácil acontecer um avanço científico em determinada área do conhecimento sem que o profissional especializado saiba, ou ainda, é possível que uma outra pessoa, de outra área do conhecimento venha a saber dessas descobertas antes do especialista. Ao mesmo tempo que o conhecimento circula com facilidade por todos os lados, é necessário saber como encontrá-lo, ter acesso à tecnologia adequada e às fontes de informações seguras do conhecimento.. 
Diante disso, surge a pergunta: só a informação basta? Sabe-se que não. O que fará a diferença é a forma como a pessoa integra uma informação, transforma-a em aprendizagem e a coloca a serviço da comunidade. Nessa perspectiva, a freqüência à escola não garante o salto qualitativo que requer o movimento social. A Psicopedagogia tem por objeto de estudo a aprendizagem como um processo individual, em que a trajetória da construção do conhecimento é valorizada e entendida como parte do resultado final. A preocupação maior da Psicopedagogia é o ser que aprende, o ser cognoscente e o seu objetivo geral é desenvolver e trabalhar esse ser de forma a potencializá-lo como uma pessoa autora, construtora da sua história, de conhecimentos, e adequadamente inserida em um contexto social. 

O trabalho da Psicopedagogia é evitar ou debelar o fracasso escolar em uma visão do sujeito como um todo, objetivando facilitar o processo de aprendizagem. O ser sob a ótica da Psicopedagogia é cognitivo, afetivo e social. É comprometido com a construção de sua autonomia, que se estabelece na relação com o seu "em torno", à medida que se compromete com o seu social estabelecendo redes relacionais. "Para o pensador sistêmico, as relações são fundamentais" (CAPRA, p 47)

A dificuldade de aprendizagem nessa definição é entendida e trabalhada com um agente dificultador para a construção do aprendiz que é um ser biológico, pensante, que tem uma história, emoções, desejos e um compromisso político-social. "A Psicopedagogia tem como meta compreender a complexidade dos múltiplos fatores envolvidos nesse processo" (RUBINSTEIN, p 127 Nem sempre a Psicopedagogia foi entendida da forma como aqui está caracterizada.
A Psicopedagogia, inicialmente, começou tendo como pressuposto que as pessoas que não aprendiam tinham um distúrbio qualquer. (BOSSA, p.42) A preocupação e os profissionais que atendiam essas pessoas eram os médicos, em primeira instância e, em segunda Psicólogos e Pedagogos que pudessem diagnosticar os déficits. Os fatores orgânicos eram responsabilizados pelas dificuldades de aprendizagem na chamada época "patologizante" A criança ficava rotulada e a escola e o sistema a que ela pertencia, se eximiam de suas responsabilidades: "Ela (a criança) tem problemas..."Posteriormente, com a ampliação da visão de que o sujeito não é apenas um ser racional, os psicopedagogos passaram a estudar e a avaliar o processo da aprendizagem. Porém, essa observação levou a uma prática pautada no refazimento do processo de aprendizagem e requeria reposição de conteúdos e repetições até que a criança aprendesse. A criança ficou subdividida em setores e não havia articulação entre o emocional, a cognição, o motor e o social.

Os vários profissionais envolvidos na questão aprendizagem foram percebendo que não bastava retirar o eixo da patologia para a aprendizagem, mas era necessário saber que sujeito era esse, de onde ele vinha e para onde ele queria e podia ir. A constatação que apenas uma área do conhecimento não conseguiria respostas absolutas e definitivas para a situação, deflagrou o que é hoje a Psicopedagogia. 

Os profissionais interessados nas questões de aprendizagem entenderam que o caminho era a interdisciplinaridade para compreender a complexidade desse fenômeno. A partir de diferentes referenciais teóricos, tais como a Pedagogia, a Psicologia, a Fonoaudiologia, a Psicanálise, a Sociologia, a Neurologia, etc. foram se construindo e pesquisando outros referenciais, outros instrumentos, outras sínteses. Esse conhecimento foi construído a partir do encontro desses profissionais, pautado em teorias, experimentos, pesquisas, práticas diferenciadas e, o mais provocante, de uma realidade que teimava em incomodar - o fracasso escolar!


Neste raciocínio, a Psicopedagogia não é a justaposição da Psicologia e da Pedagogia e, nem tampouco, um Pedagogo ou um Psicólogo "mais especializado". A Psicopedagogia se propõe a investigar e a entender a aprendizagem com base no diálogo entre as várias disciplinas. O Psicopedagogo é um outro profissional, com um outro referencial, a partir de um outro conhecimento e com um outro olhar.A psicopedagogia, hoje, é entendida num contexto de interdisciplinaridade, sem contudo, perder de vista que "Os diferentes níveis de Realidade são acessíveis ao conhecimento humano graças à existência de diferentes níveis de percepção, que se acham em correspondência biunívoca com os níveis de realidade... sem jamais esgotá-la completamente." (NICOLESCU, p 56)

Diante desses avanços, a criança que não está conseguindo aprender é entendida e trabalhada, não como alguém que possui um déficit ou um problema, mas como um aprendiz que possui um estilo de aprender diferente, que está diretamente relacionado ao estilo de família e da comunidade a que pertence.Em face da complexidade das questões aqui levantadas e da delicadeza do nosso objeto e objetivo de trabalho, não prescindimos dos nossos parceiros. Trabalhamos e necessitamos dos Pedagogos, dos Psicólogos, dos Fonodiólogos, etc, mas possuímos os nossos instrumentos de trabalho, os nossos referenciais, a nossa escuta e o nosso olhar. 

Analisando a trajetória aqui apresentada, fica claro o entendimento do porquê da formação em Psicopedagogia estar organizada na forma de pós-graduação. Ela exige do aprendiz uma articulação, uma abordagem e um avanço qualitativo inerentes a uma maturidade profissional e acadêmica. Portanto, é necessário muito cuidado na escolha do curso de pós-graduação em Psicopedagogia. Devemos analisar a oferta de disciplinas inerentes a aprendizagem, o número de horas ofertadas, se os professores são psicopedagogos especialistas, se tem estágio supervisionado por um psicopedagogo. Os profissionais psicopedagogos, quando inquirido da necessidade ou relevância do curso de Psicopedagogia ser de especialização, testemunham que apenas a formação é insuficiente para entender e trabalhar, competentemente, com a aprendizagem e seus possíveis percalços.
Onde trabalham os psicopedagogos? Como trabalham? Quais as suas ferramentas de trabalho? Os psicopedagogos trabalham em clínicas, em atendimentos individuais, em instituições escolares, hospitais e empresas onde se promova aprendizagem. Os recursos são os que possibilitem entender quais as dificuldades que aquele aprendiz está enfrentando para aprender e quais as possibilidades para mudança que ele apresenta. Os instrumentos não costumam ser os padronizados e sim os jogos, as atividades de expressão artística, a linguagem escrita, as leituras e dramatizações, etc. Enfim, atividades que valorizem o que a criança sabe, que estimulem a expressão pessoal, o desejo de aprender e sua possibilidade de amadurecer, vencer situações e resolver problemas. Os psicopedagogos, tanto em clínicas quanto nas instituições, trabalham com diagnóstico e intervenção.Por tudo o que aqui foi descrito é que estamos lutando pela regulamentação da profissão de Psicopedagogo. Entendemos que, se o projeto de lei que regulamenta a nossa profissão for aprovado, poderemos cuidar da qualidade dos cursos oferecidos e estender o atendimento à comunidade como um todo, já que poderemos participar de concursos públicos, de convênios, etc. A aprovação do projeto de lei será uma oficialização do que já está socialmente reconhecido. 

A Associação Brasileira de Psicopedagogia é uma entidade de caráter científico cultural. Fundada em 1980, tem como objetivo principal congregar profissionais psicopedagogos e profissionais afins e promover estudos, pesquisas, cursos, encontros e compartilhamentos. Temos hoje, no Brasil, uma sede nacional localizada em São Paulo, doze(12) seções, onze (11) núcleos que atendem a todo o território nacional.Obviamente que muito ainda necessitamos avançar, mas já conseguimos nos fazer entender, nos diferenciamos e promovemos parcerias sem ocupar ou "invadir o mercado, apenas estamos exigindo uma legalização de uma atuação já legitimada pelo mercado de trabalho" (NOFFS, p 2) 

As ações que caracterizam uma comunidade cidadã é a luta por uma comunidade justa, equilibrada, constituída a partir de um objetivo comum e bom para todos. Pois bem, isso nos leva ao entendimento da nossa responsabilidade e do nosso compromisso político social de aprender, em cada novo dia, a promover mais aprendizagens. Como nos ensinou Paulo Freire "Ai de nós, educadores, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis..." 

A questão da formação do psicopedagogo assume um papel de grande importância na medida em que é a partir dela que se inicia o percurso para a formação da identidade desse profissional.Alicia Fernández afirma o seguinte: "O pensamento é um só, não pensamos por um lado inteligentemente e, depois, como se girássemos o dial, pensamos simbolicamente. O pensamento é como uma trama na qual a inteligência seria o fio horizontal e o desejo vertical, Ao mesmo tempo, acontecem a significação simbólica e a capacidade de organização lógica" (1990, p. 67).

O trabalho psicopedagógico não pode confundir-se com a prática psicanalítica e nem tampouco com qualquer prática que conceba uma única face do sujeito. Um psicopedagogo, cujo objeto de estudo é a problemática da aprendizagem, não pode deixar de observar o que sucede entre a inteligência e os desejos inconscientes. Diz Piaget que "o estudo do sujeito ‘epistêmico’ se refere à coordenação geral das ações (reunir, ordenar ,etc.) constitutivas da lógica, e não ao sujeito ‘individual’, que se refere às ações próprias e diferenciadas de cada indivíduo considerado à parte" (1970, p. 20). Desse sujeito individual ocupa-se a psicopedagogia. O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a Psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo num processo de interação com o meio físico e social. Nesse processo interferem o seu equipamento biológico, as suas condições afetivo-emocionais e as suas condições intelectuais que são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. O produto de tal interação é a aprendizagem.

Na maioria das vezes em programas lato sensu regulamentados pela Resolução n° 12/83, de 06.10.83, que forma os especialistas e que os habilita legalmente também para o ensino superior – ainda que não necessariamente, em termos de conhecimentos, o aluno esteja realmente habilitado para tal.Além das diferenças resultantes da própria divergência acerca do que é a Psicopedagogia, ocorre também que, a depender do enfoque priorizado pelo curso, alguns conteúdos são valorizados em detrimento de outros. Outro aspecto a considerar é que o curso se destina a profissionais com diferentes graduações. Estes se identificam com um referencial teórico que irá nortear a sua prática a partir da formação anterior. Interferem também características de personalidade no perfil desse profissional.Conhecer a Psicopedagogia implica um maior conhecimento de várias outras áreas, de forma a construir novos conhecimentos a partir delas. Ao concluir o curso de especialização em Psicopedagogia, o aluno está iniciando a sua formação, o que deve ser um ponto de partida para uma eterna busca do melhor conhecimento.

2.6 A PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA

O trabalho psicopedagógico, implica compreender a situação de aprendizagem do sujeito dentro do seu próprio contexto. Tal compreensão requer uma modalidade particular de atuação para a situação em estudo, o que significa que não há procedimentos predeterminados. Defino esta característica como uma configuração clínica da prática psicopedagógica.O psicopedagogo, procura observar o sentido particular que assumem as alterações da aprendizagem do sujeito ou do grupo. Busca o significado de dados que lhe permitirá dar sentido ao observado. Na medicina, o médico observa o paciente, vê o que se passa, escuta o seu discurso para fazer o diagnóstico e proceder ao tratamento. A expressão "olho clínico", emprestada da Medicina, é freqüentemente utilizada na Psicopedagogia Clínica referindo-se à postura terapêutica do profissional.

Ora, na instituição escolar, a prática psicopedagógica também apresenta uma configuração clínica. O psicopedagogo pesquisa as condições para que se produza a aprendizagem do conteúdo escolar, identificando os obstáculos e os elementos facilitadores, numa abordagem preventiva. Uns e outros (elementos facilitadores e obstáculos) são condicionados por diferentes fatores, fazendo com que cada situação seja única e particular. Esse trabalho requer uma atitude de investigação e intervenção.

A Psicopedagogia preventiva se baseia principalmente na observação e análise profunda de uma situação concreta, de forma que podemos considerar clínico o seu trabalho.A função preventiva está implícita na atitude de se considerar aquele grupo específico como os sujeitos da aprendizagem, de forma a adequar conteúdos e métodos, ou seja, respeitando as características do grupo a pensar o plano de trabalho. O caráter clínico está na atitude de investigação frente a essa situação como uma situação particular e única, quer dizer, há características problemáticas, experiências condições, manifestações do grupo ou sujeito muitas vezes intransferíveis.O trabalho clínico na Psicopedagogia tem função preventiva na medida em que, ao tratar determinados problemas, pode prevenir o aparecimento de outros.

As características da família, da escola, ou até mesmo do professor podem ser a causa desencadeante do problema de aprendizagem. Assim, essas características que constituem a causa problemática influenciam também na forma de abordagem do profissional. Ainda que o psicopedagogo assim o desejasse, seria-lhe impossível negar a família, a escola, o professor ou mesmo a comunidade.

Para Fernández e Paín, o problema de aprendizagem pode ser gerado por causas internas ou externas à estrutura familiar e individual, ainda que sobrepostas. Os problemas ocasionados pelas causas externas são chamados por essas autoras de problemas de aprendizagem reativos, e aqueles cujas causas são internas à estrutura de personalidade ou familiar do sujeito denomina-se inibição ou sintoma – ambos os termos emprestados da Psicanálise. Segundo essas autoras, quando se atua nas causas externas, o trabalho é preventivo. Já na intervenção em problemas cujas causas estão ligadas à estrutura individual e familiar da criança, o trabalho é terapêutico.

Segundo Alicia Fernández (1990), (para resolver o problema de aprendizagem reativo) necessitamos recorrer principalmente a planos de prevenção nas escolas, porém, uma vez gerado o fracasso e conforme o tempo de sua permanência, o psicopedagogo deverá também intervir, ajudando através de indicações adequadas para que o fracasso do ensinante, encontrando um terreno fértil na criança e sua família, não se constitua em sintoma neurótico.Para resolver o fracasso escolar, quando provém de causas ligadas à estrutura individual e familiar da criança, vai ser requerida uma intervenção psicopedagógica especializada. Para procurar a remissão desta problemática, deveremos apelar a um tratamento psicopedagógico clínico que busque libertar a inteligência e mobilizar a circulação patológica do conhecimento em seu grupo familiar.

É a escola, indubitavelmente, a principal responsável pelo grande número de crianças encaminhadas ao consultório por problemas de aprendizagem. Assim é extremamente importante que a Psicopedagogia dê a sua contribuição à escola, seja no sentido de promover a aprendizagem ou mesmo tratar de distúrbios nesse processo. "Todo pensamento, todo comportamento humano, remete-nos à sua estruturação inconsciente, como produção inteligente e, simultaneamente, como produção simbólica" (Paín, apud Fernández, 1990, p. 233).

Quando não se pode negar que o homem é sujeito a uma ordem inconsciente e movido por desejos que desconhece, falar do tratamento psicopedagógico significa muito mais que discorrer sobre métodos definidos de reeducação.Encontramos na literatura orientações de tratamento que estão acompanhadas de um plano de treino de memória visual, onde em síntese as atividades consistem na apresentação de estímulos visuais que, após serem retirados do campo visual da criança, devem ser evocados e representados segundo a instrução do reeducador.

O enquadre que se refere ao estabelecimento do marco fundante da ação terapêutica – a definição do universo da relação clínica – e que, portanto, engloba elementos como tempo, lugar, freqüência, duração, material de trabalho e estabelecimento da atividades, nessa modalidade de tratamento tem como objetivo, sempre, solucionar os problemas de aprendizagem, motivo do encaminhamento.

3. CONCLUSÃO

O fracasso escolar na alfabetização, ainda hoje, faz parte do cotidiano das nossas escolas, acarretando na grande maioria das vezes na reprovação. O trabalho psicopedagógico pode e deve ser pensado a partir da instituição escolar, a qual cumpre uma função social: a de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta, dentro de um projeto social mais amplo.Através da aprendizagem, o sujeito é inserido, de forma mais organizada, no mundo cultural e simbólico, que o incorpora à sociedade.A entrada na escola significa antes de mais nada para a criança, uma penetração num círculo social mais amplo, uma ocasião de enfrentar o desconhecido.Esse momento pode representar uma oportunidade para um agravamento de tensões, incertezas e carências que já vem de longe com a criança, mas também pode constituir-se numa oportunidade para que a criança reexperimente o mundo, as pessoa e a vida de outra maneira: mais construtiva, mais confiante, mais feliz.Na sua tarefa junto às instituições escolares o psicopedagogo deve refletir sobre estas questões, buscando dar a sua contribuição no sentido de prevenir ulteriores problemas de escolaridade.O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que essa atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo da observação.

Essa constatação reforça a importância do psicopedagogo institucional no sentido de criar condições juntamente com os professores para que a aprendizagem da leitura e da escrita aconteça de maneira eficaz, prazerosa e significativa. Atuando, como assessor, na busca da melhoria do processo de aprendizagem, desenvolvendo um trabalho integrado professor-psicopedagogo-escola no sentido de melhor desenvolver a prática educativa. Isto significa que o professor precisa entender como acontece a aprendizagem da leitura e da escrita, buscando as origens das dificuldades, do fracasso, avaliar, diagnosticar e, acima de tudo, estabelecer um rumo teórico de ação.Portanto, através da intervenção psicopedagógica dirigida aos professores que se acredita no real progresso da aprendizagem voltada sobretudo, a uma educação integrada ao desenvolvimento do aluno como agente produtor do seu meio e não apenas como um resultado.

Se estivermos atentos para isto poderemos contribuir para que a escola corresponda de modo positivo às suas necessidades e expectativas. È uma forma muito eficaz de se prevenir o aparecimento dos temidos problemas de comportamento.Estes, apesar da nossa cautela, muitas vezes se manifestam. Para não agravar ou precipitar a sua evolução a observação continua sendo indispensável e juntamente com ela a atenção e a dedicação.Quando tudo isso não bastar devemos procurar uma orientação especializada pois pode ser que o nosso aluno esteja precisando de algo mais que não depende só de nós

A especificidade do tratamento psicopedagógico consiste no fato de que existe um objetivo a ser alcançado: a eliminação do sintoma. Assim, a relação psicopedagogo-paciente é mediada por atividades bem definidas, cujo objetivo é "solucionar rapidamente os efeitos mais nocivos do sintoma para depois dedicar-se a afiançar os recursos cognitivos" (Pain, 1986, p. 77). Este é um aspecto cuja prática tem me mostrado como bastante complicado na atuação do psicopedagogo, pois está relacionado com a operacionalização do trabalho e conseqüentemente com seu êxito."Somente uma boa avaliação psicopedagógica de fracasso escolar de uma criança pode discernir e ponderar devidamente "o que" e o "quantum" é da criança, da escola, da família e da interação constante dos três vetores na construção das dificuldades de aprendizagem apontadas pela escola".A conquista do espaço na escola significa uma escola aberta, contígua à vida, cheia de presenças humanas, realizando experiências realmente brasileiras.

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Robson Stigar

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