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Trabalho e consumo descrevem as duas principais formas de participação das pessoas na economia: produzir bens e ganhar dinheiro por meio do trabalho, e comprar ou utilizar produtos para viver.
O trabalho e consumo na sociedade em que vivemos, não estão articulados com as reais necessidades de um ser humano.
O excesso de informações (a mídia) acaba influenciando em diferentes formas o consumismo desnecessário.
Antigamente, o homem lutava pela sobrevivência. O trabalho tinha um significado real e imediato. O consumo estava restrito apenas para saciar as reais necessidades.
O trabalho assalariado é central para a sociedade de mercado: ele nos confere sentido, proporciona renda e fomenta a divisão do trabalho que ajuda a gerar crescimento. Isso levou muitos a encarar as economias modernas como “sociedades do trabalho”, ao passo que mudanças mais recentes na natureza do trabalho levaram outros a argumentar que o consumismo domina nossas vidas.
Trabalho e consumo sempre estiveram entrelaçados, com sua interação moldada por circunstâncias sociais e históricas. A “sociedade de consumo” (Baudrillard, 1998/1970) em que, pode-se argumentar, vivemos é frequentemente associada a um interesse decrescente pelo trabalho. Nessa perspectiva, o trabalho assalariado é visto simplesmente como um meio de financiar o consumo durante o tempo de lazer (Berger, 1964; Gorz, 1985). No entanto, as fronteiras entre consumo e trabalho tornaram-se cada vez mais difusas. O consumo não se restringe mais ao lazer, tendo se tornado central para a relação de emprego (Korczynski, 2007; Dale, 2012), mas também transcendendo-a. Simultaneamente, certas formas de consumo tornaram-se produtivas nos circuitos do capital (Arvidsson, 2005).
Trabalho – Economia
Trabalho, na economia e na sociologia, refere-se às atividades e ao esforço laboral necessários à sobrevivência da sociedade.
As principais atividades dos primeiros seres humanos eram a caça e a coleta de alimentos, bem como o cuidado e a criação dos filhos. Já em 40.000 a.C., caçadores começaram a trabalhar em grupos para rastrear e abater animais. Outros membros da sociedade tinham maior aptidão natural para a coleta de alimentos. É provável que as mulheres, devido às exigências da gravidez e da amamentação, geralmente não participassem da caça; no entanto, o trabalho feminino na coleta provavelmente gerava mais valor nutricional do que a caça.
Quando o cultivo agrícola substituiu a simples coleta, o consequente aumento na oferta de alimentos liberou alguns indivíduos para se dedicarem a ofícios como a cerâmica, a tecelagem e a metalurgia, permitindo assim um dos primeiros exemplos de divisão do trabalho. Alguns povos primitivos também demonstraram aptidão para a fabricação de ferramentas e armas.
Uma oferta suficiente de alimentos e o desenvolvimento de ferramentas de cobre e bronze lançaram as bases para sociedades mais complexas, capazes de sustentar populações maiores. O que se seguiu foi uma mudança revolucionária na natureza do trabalho: à medida que povoados eram estabelecidos, surgiam novas ocupações especializadas nos campos do comércio, do direito, da medicina e da defesa. A crescente complexidade dessas profissões exigia registros permanentes, o que impulsionou o desenvolvimento da escrita e da escrituração contábil.
As primeiras civilizações – e as sociedades posteriores da Grécia e de Roma – caracterizavam-se por estruturas de classes rígidas, hereditárias e hierárquicas. Reis e nobres governavam e eram apoiados por guerreiros; sacerdotes atuavam como funcionários do governo; comerciantes distribuíam os produtos de artesãos e artífices; camponeses trabalhavam em propriedades familiares; e escravos trabalhavam em minas e oficinas artesanais. Essas oficinas eram protótipos da fábrica moderna, produzindo armas e ferramentas de metal com menos de uma dúzia de trabalhadores sob a direção de um mestre artesão. Projetos de maior porte, como pirâmides e aquedutos, eram dirigidos por mestres de obras, auxiliados por capatazes e escribas. O trabalho mobilizava grandes grupos de trabalhadores, variando desde artífices até escravos.
Parte da sofisticação organizacional evidente nesses grandes projetos perdeu-se na Europa logo após a desintegração do Império Romano, à medida que a vida social se retraía para esferas menores e mais fechadas. Os nobres possuíam extensões de terra cultivadas por camponeses, que estavam vinculados às suas parcelas por laços hereditários. Os camponeses entregavam grande parte de sua produção aos nobres em troca de proteção militar. A Igreja tornou-se um elemento importante da economia medieval, oferecendo trabalho a pedreiros, escultores e vidreiros.
Com o fortalecimento da vida urbana, as corporações de ofício ganharam maior relevância, atingindo seu apogeu no século XIV. Seu objetivo era limitar a oferta de mão de obra em determinada profissão e controlar a produção. Os membros das corporações eram hierarquizados segundo a experiência: mestres, oficiais e aprendizes. A estrutura dessas corporações começou a se desintegrar quando alguns mestres descobriram que podiam lucrar mais com o comércio de matérias-primas e produtos acabados do que exercendo seus ofícios tradicionais. Outros perceberam que poderiam obter lucros maiores recusando-se a promover oficiais à categoria de mestre. Como resultado, aprendizes e oficiais passaram a constituir uma classe de trabalhadores livres, estabelecendo-se assim a relação empregador-empregado.
A partir de cerca de 1000 d.C., a energia eólica e a hidráulica começaram a substituir ou complementar a mão de obra humana em atividades como o curtimento de couro, o processamento de grãos, a prensagem de azeitonas e o acionamento de foles em minas e altos-fornos. No entanto, a mecanização teve pouco impacto nos grandes projetos de construção: igrejas e castelos eram erguidos por artesãos individuais sob a supervisão de um mestre-pedreiro, que não apenas projetava a edificação, mas também administrava as contas e adquiria as matérias-primas.
Os avanços tecnológicos, aliados à exploração e à colonização em escala mundial por parte das potências europeias, provocaram mudanças profundas na vida econômica. Alguns mestres de corporações de ofício conseguiram acumular grandes quantidades de capital, utilizando-o para expandir suas atividades. Isso forçou alguns dos mestres menos bem-sucedidos a se tornarem trabalhadores assalariados. Essa transição foi mais acentuada na Inglaterra, onde foi incentivada pela concessão de cartas de monopólio, pela evolução das finanças e do comércio e pelo desenvolvimento de maquinário – particularmente a máquina a vapor – no século XVIII.
As primeiras fábricas dividiam o trabalho, antes realizado por um único artesão, em diversas tarefas distintas; cada uma delas era executada por trabalhadores não qualificados ou semiqualificados, de baixa remuneração, com o auxílio de máquinas. Essa nova organização reduzia o tempo necessário para produzir um item, diminuía seu custo e, frequentemente, melhorava sua qualidade. No entanto, os trabalhadores – que anteriormente controlavam a produção – rebelaram-se contra a disciplina exigida nessas fábricas, tornando necessária a implementação de uma hierarquia de supervisão muito mais complexa do que a exigida pela gestão pré-industrial.
O sistema fabril tanto estimulou quanto exigiu o crescimento de grandes cidades. A urbanização demandava maior produtividade agrícola, a qual foi alcançada por meio do uso de fertilizantes, de práticas científicas de melhoramento genético e da mecanização. As colônias do Novo Mundo abasteciam as cidades europeias com produtos agrícolas, muitas vezes cultivados por mão de obra escravizada.
A produção de grandes quantidades de bens a baixo custo, mediante o uso de peças padronizadas e uma ampla divisão do trabalho, tornou-se possível graças ao desenvolvimento de máquinas-ferramenta (máquinas semelhantes a tornos para moldar metais) no século XIX. A produção em massa incentivou o crescimento das empresas manufatureiras, exigindo cargos cada vez mais especializados para gerentes, supervisores, contadores, cientistas, engenheiros, técnicos, vendedores, entre outros. Em alguns casos, o trabalho administrativo passou a ser organizado segundo princípios semelhantes aos da linha de montagem industrial.
A continuidade das tendências de especialização e profissionalização do trabalho nas nações industrializadas impulsionou o desenvolvimento de novas disciplinas profissionais, tais como aquelas voltadas para o conforto físico e a motivação dos trabalhadores, a eficiência da tecnologia ou de sistemas completos, a produtividade e a aplicação da ciência à indústria. Entre essas disciplinas – cujas funções, em alguns casos, se sobrepõem – estão a gestão da produção, as relações industriais, a gestão de recursos humanos, a pesquisa e desenvolvimento, a ergonomia, a pesquisa operacional e a engenharia de sistemas.
Parâmetros Curriculares Nacionais
Trabalho e Consumo
Os Parâmetros Curriculares Nacionais tiveram seu processo de elaboração iniciado em 1995, com o propósito inicial de subsidiar e apoiar, como referência, o projeto das escolas na elaboração de seus programas curriculares.
Os PCN foram transformados num conjunto de dez livros, lançados no dia 15 de outubro de 1997, data comemorativa do Dia dos Professores, em Brasília. Após esse primeiro momento,os PCN passaram a ser distribuídos a todos os professores.
Enquanto isso, o MEC iniciava a elaboração dos conteúdos dos PCN para 5ª a 8ª séries.
Os PCN propõe, inicialmente, orientações para o ensino das disciplinas que formam a base nacional, além de apresentar os Temas Transversais que permeiam todas as disciplinas, com o intuito de auxiliar a escola em suas ações educativas, além de permitir à mesma o cumprimento de sua função constitucional de fortalecimento da cidadania.
Com os PCN, pretende-se que os discentes cheguem a correlacionar diferentes situações normais da vida, desenvolvendo, assim, a capacidade de se posicionarem de maneira crítica diante de questões que interfiram na coletividade e façam parte da realidade.
Por considerar que os temas transverais estão voltados para a compreensão e para a construção da realidade e dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida pessoal e coletiva, correspondendo, assim, à questões relevantes que traduzem preocupações e problemas inerentes à vida social, o Ministério da Educação definiu alguns temas que abordam valores referentes à cidadania: Ética, Saúde, Meio Ambiente, Orientação Sexual, Pluralidade Cultural e Trabalho e Consumo.
Esses temas foram integrados no curriculo por meio do que se chama de transversalidade, no sentido de integrar as áreas convencionais de forma a estarem presentes em todas elas, relacionando-as às questões da atualidade.
No tema Trabalho e Consumo, percebe-se a proposta de abordagem da quantidade e diversidade de trabalho presente em cada produto ou serviço, assim como as relações entre trabalho e consumo, considerando-se as dimensões políticas e econômicas do trabalho e do consumo, com suas repercussões sociais.
É através do trabalho que o homem modifica a natureza, interferindo na coisas naturais, transformando-as em produtos desse trabalho realizado, de forma a satisfazer as suas necessidades.
O trabalho humano tem o poder de reorganizar e transformar a sociedade e está representado e visível de diversas formas, seja nos objetos de consumo até nos produtos e bens materiais e nos serviços.
Dessa maneira acreditamos que a escola, em seu papel de articuladora e intermediadora dos conhecimentos que envolvem os aspectos da sociedade, seja fundamental na discussão desses temas com seus alunos, futuros integrantes do mercado de trabalho e consumo, no sentido de orientar e explicitar as relações sociais na quais se produzem as necessidades, os desejos e os produtos e serviços que irão satisfazê-los.
Assim, entendemos que a prática da educação escolar tem a possibilidade de criar nos alunos, condições reais e significativas de desenvolvimento das capacidades de compreensão sobre as formas de realização e organização do trabalho e do consumo, assim como suas relações e, principalmente, os valores que são associados à cada tipo de trabalho realizado.
Logo, através da discussão e do conhecimento das formas de realização e organização do trabalho e do consumo, é possível que o aluno compreenda a sua própria realidade construindo, assim, uma visão crítica em relação ao fenômeno no consumismo, às mensagens de publicidade e às estratégias de venda.
É possível, também, que esse futuro integrante do mercado de trabalho, passe a reconhecer como se dá o processo de inserção nesse mercado, identificando problemas de discriminações e injustiças em situações de trabalho e consumo e possíveis soluções para esses problemas.
Contudo, acreditamos que cabe à escola como um espaço de aprendizagem e construção do conhecimento, uma formação sólida de seus futuros cidadãos, favorecendo o desenvolvimento de habilidades e atitudes de cooperação, solidariedade e justiça que contribuam significativamente tanto para a inserção mercado do trabalho quanto para a formação de uma consciência individual e coletiva dos significados e contradições presentes no mundo do consumo e das possibilidades de transformação dessa realidade.
Fonte: Portal São Francisco/www.cambridge.org/ephemerajournal.org/Encyclopædia Britannica/pt.shvoong.com
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