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Barroco

Origens e Características do Barroco

O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música.

O berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países europeus como, por exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha.

O barroco permaneceu vivo no mundo das artes até o século XVIII.

Na América Latina, o barroco entrou no século XVII, trazido por artistas que viajavam para a Europa, e permaneceu até o final do século XVIII.

O barroco se desenvolve no seguinte contexto histórico: após o processo de Reformas Religiosas, ocorrido no século XVI, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder. Mesmo assim, os católicos continuavam influenciando muito o cenário político, econômico e religioso na Europa.

A arte barroca surge neste contexto e expressa todo o contraste deste período: a espiritualidade e teocentrismo da Idade Média com o racionalismo e antropocentrismo do Renascimento.

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Vista interna da matriz de Santo Antônio, em Tiradentes MG

Barroco Europeu

As obras dos artistas barrocos europeus valorizam as cores, as sombras e a luz, e representam os contrates. As imagens não são tão centralizadas quanto as renascentistas e aparecem de forma dinâmica, valorizando o movimento. Os temas principais são : mitologia, passagens da Bíblia e a história da humanidade.

As cenas retratadas costumam ser sobre a vida da nobreza, o cotidiano da burguesia, naturezas-mortas entre outros. Muitos artistas barrocos dedicaram-se a decorar igrejas com esculturas e pinturas, utilizando a técnica da perspectiva.

As esculturas barrocas mostram faces humanas marcadas pelas emoções, principalmente o sofrimento. Os traços se contorcem, demonstrando um movimento exagerado. Predominam nas esculturas as curvas, os relevos e a utilização da cor dourada.

Podemos citar como principais artistas do barroco: o espanhol Velázquez, o italiano Caravaggio, os belgas Van Dyck e Frans Hals, os holandeses Rembrandt Vermeer e o flamengo Rubens.

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Arte da Pintura - Jan Vermeer, c. 1665-1667

Barroco no Brasil

O barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo barroco português, porém, com o tempo, foi assumindo características próprias.

A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidade auríferas de Minas Gerais, no chamado século do ouro (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística em pleno desenvolvimento.

O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa também conhecido como Aleijadinho. Sua obras, de forte caráter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil.

Podemos citar algumas obras de Aleijadinho : Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG).Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram: o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim. No estado da Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por exemplo, de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco.

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Detalhe de o Cristo do carregamento da Cruz, por Aleijadinho

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Busto do Profeta Daniel, Aleijadinho

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Última Ceia, Aleijadinho

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho

Seu projeto para a igreja de São Francisco, em Ouro Preto, por exemplo, bem como a sua realização, expressam uma obra de arte plena e perfeita. Desde a portada, com um belíssimo trabalho de medalhões, anjos e fitas esculpidos em pedra-sabão, o visitante já tem certeza de que está diante de um artista completo. Além de extraordinário arquiteto e decorador de igrejas foi também incomparável escultor. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra-sabão de doze profetas, cada um desses personagens numa posição diferente e executa gestos que se coordenam. Com isso, ele conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito forte para o observador a sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando.

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Imagem de São Francisco de Paula, Aleijadinho

Barroco Basílica do Bom Jesus, Aleijadinho

Características da escultura de Aleijadinho

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Profetas, Aleijadinho

Música barroca

A música barroca é o estilo musical correlacionado com a época cultural homônima na Europa, que vai desde o surgimento da ópera no século XVII até a morte de Johann Sebastian Bach, em 1750.

Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, fecunda, revolucionária e importante da música ocidental, e provavelmente também a mais influente.

As características mais importantes são o uso do baixo contínuo, do contraponto e da harmonia tonal, em oposição aos modos gregorianos até então vigente. Na realidade, trata-se do aproveitamento de apenas dois modos: o modo jônio (modo “maior”) e o modo eólio (modo “menor”).

O apogeu da música instrumental

Pela primeira vez na história, música e instrumento estão em perfeita igualdade.

Nesse período a instrumentação atinge sua primeira maturidade e grande florescimento. Pela primeira vez surgem gêneros musicais puramente instrumentais, como a suíte e o concerto. Nesta época surge também o virtuosismo, que explora ao máximo o instrumento musical. Johann Sebastian Bach e Dietrich Buxtehude foram os maiores virtuoses do órgão. Jean Philipe Rameau, Domenico Scarlatti e François Couperin eram virtuoses do cravo. Antonio Vivaldi e Arcangelo Corelli eram virtuoses no violino.

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A Pintura, a arquitetura, a musica do Barroco

Arte barroca

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Música arroca

Embora tenha o Barroco assumido diversas características ao longo de sua história, seu surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cênico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.

O Barroco é o estilo da Reforma católica também denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.

O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os "autos sacramentais", peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.

Contrariamente à arte do Renascimento, que pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos, no Barroco há uma exaltação dos sentimentos, a religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.

Além da temática religiosa, os temas mitológicos e a pintura que exaltava o direito divino dos reis (teoria defendida pela Igreja e pelo Estado Nacional Absolutista que se consolidava) também eram freqüentes.

De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da Idade Média, numa espécie de ressurgimento da visão teocêntrica do mundo. E não é por acaso que a arte barroca nasce em Roma, a capital do catolicismo.

A escola literária barroca é marcada pela presença constante da dualidade. Antropocentrismo versus teocentrismo, céu versus inferno, entre outras constantes.

Contudo, não há como colocar o Barroco simplesmente como uma retomada do fervor cristão.

A sua grande diferença do período medieval é que agora o homem, depois do Renascimento, tem consciência de si e vê que também tem seu valor - com exemplos em estudos de anatomia e avanços científicos o homem deixa de colocar tudo nas mãos de Deus.

O Barroco caracteriza-se, portanto, num período de dualidades; num eterno jogo de poderes entre divino e humano, no qual não há mais certezas. A dúvida é que rege a arte deste período.

E nas emoções o artista vê uma ponte entre os dois mundos, assim, tenta desvenda-las em suas representações.

Pintura do barroco

A pintura barroca é uma pintura realista, concentrada nos retratos no interior das casas, nas paisagens nas naturezas mortas e nas cenas populares (barroco holandês). Por outro lado, a expansão e o fortalecimento do protestantismo fizeram com que os católicos utilizassem a pintura como um instrumento de divulgação da sua doutrina.

O método favorito empregado pelo barroco para ilustrar a profundidade espacial é o uso dos primeiros planos super dimensionados em figuras trazidas para muito perto do espectador e a redução no tamanho dos motivos no plano de fundo.

Outras características são: tendência de substituir o absoluto pelo relativo, a maior rigidez pela maior liberdade, predileção pela forma aberta que parecem apontar para além delas próprias, ser capazes de continuação, um lado da composição é sempre mais enfatizado do que o outro.

É uma tentativa de suscitar no observador o sentimento de inesgotabilidade e infinidade de representação, uma tendência que domina toda a arte barroca.

Nos estados protestantes, a pintura barroca assumiu características diferentes.

Como nesses países havia condições favoráveis à liberdade de pensamento, a investigação científica iniciada no Renascimento pôde prosseguir.

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As Meninas

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Francisco de Zurbarán
Sant Bonaventura. 1629.

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Crucificado

Texto Desenvolvido por:
Bruno Fumagalli de Lima

Barroco

A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como termo técnico, estabeleceria, desde seu início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e até mesmo sob formas anárquicas, de grande imperfeição e mal gosto.(Suzy Mello, Barroco. São Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)

No início do século XVII, o Classicismo já estava perdendo a força. Depois de dominar por um século o palco da literatura ocidental, o Classicismo esgotou as renovações trazidos do Renascimento e pouco a pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu, então, o Barroco.

O barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo. O Barroco é fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII era um ser contraditório, tanto que ele se expressou usando a arte.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano. O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico prosopopéia, a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós, da autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira. O final do Barroco brasileiro só concretizou em 1768, com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa . No entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante o século XVIII.

O Barroco no Brasil foi um estilo literário que durou do século XVII ao começo do século XVIII, marcado pelo uso de antíteses e paradoxos que expressavam a visão do mudo barroco numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo.

Momento Histórico

Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. Com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578 D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica.

A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito de Sebastianismo (crença segundo qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.

A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton.

Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.

O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.

Características

O culto da forma manifesta-se tanto na literatura quanto nas artes plásticas do Barroco. Neste detalhe de um grupo de esculturas de Aleijadinho que representa a Última Ceia, não há lugar para a expressão serena das imagens religiosas; os apóstolos revelam intensa agitação, traduzida nos gestos e olhares que trocam a respeito do que acabaram de ouvir de Cristo.

Algumas características da linguagem barroca merecem especial atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que sendo feito de algumas delas em escolas posteriores.

Arte da Contra-Reforma: a ideologia do Barroco é fornecida pela Contra-Reforma. A arte deve ter como objetivo a fém católica.

Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse estado de alma são a antítese e o paradoxo;

"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a Luz, porque não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

......................................................................

Começa o Mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância."

(Gregório de Matos)

O tema da fugacidade do tempo, da incerteza da vida, é desenvolvido por meio de um jogo de imagens e idéias que se contrapõem, num sistema de oposições: nasce x não dura; luz x noite escura; tristes sombras x formosura; acaba x nascia.

O espírito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3º ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the question". ("Ser ou não ser, eis a questão...")

Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos;
Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas já que a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.
"...Gozai, gozai da flor da formosura,

Antes que o frio da madura idade

Tronco deixe despido, o que é verdura..."

"Lembra-te Deus, que és pós para humilha-te,

E como o teu baixel sempre fraqueja,

Nos mares da vaidade, onde peleja,

Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."

Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo.

Cultismo

É caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido como Gongorismo.

O aspecto exterior imediatamente visível no Cultismo ou Gongorismo é o abuso no emprego de figuras de linguagem como as metáforas, antítese, hipérboles, hipérbatos, anáforas, paronomásias, etc...

"O todo sem a parte não é o todo;

A parte sem o todo não é parte;

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,

E todo assiste inteiro em qualquer parte,

E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica todo."

(Gregório de Matos)

Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceitos; assim a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde reinavam a exuberância e o exagero.

Assim, é usual a presença de elementos da lógica formal, como:

A – O SILOGISMO

Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. Assim, temos como exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior); ora, eu sou homem (premissa menor); logo, eu sou mortal (conclusão).

Observe a construção dos tercetos finais de um soneto sacro de Gregório de Matos que, referindo-se ao amor de Cristo diz:

"Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

Porém pode ter fim todo o pecar,

E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar

Que, por mais que pequei, neste conflito

Espero em vosso amor de me salvar."

Estes versos encobrem a formulação silogística, como segue:

Premissa maior: O amor infinito de Cristo salva o pecador.
Premissa menor: Eu sou um pecador.
Conclusão: Logo, eu espero salvar-me.

B – O SOFISMA

É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso, elaborado com a função de enganar.

Ex.: Muitas nações são capazes de governarem-se por si mesmas; as nações capazes de governarem-se por si mesma não devem submeter-se às leis de um governo despótico. Logo, nenhuma nação deve submeter-se às leis de um governo despótico.

Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes, superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha ao nível de palavra, da imagem; busca mais argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o Conceptismo, predominante na prosa.

Barroco – As Origens da Cultura Brasileira

O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco. É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subseqüentes, até os nossos dias.

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.

Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;

Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino);

Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;

O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal. Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.

Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

INÍCIO

1601 – com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.
TÉRMINO: 1768 – com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.

Representantes

Padre Antônio Vieira

Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.

Podemos dividir sua obra em:

Profecias

Constam de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum, em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.

Cartas

São cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.

Sermões

São quase 200 sermões. De estilo barroco conceptista o pregador português joga com asa idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.

"... Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregdores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, da outra há de estar negro; se de um parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta, que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? ..."

(Fragmento do Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira)

Dentre sua obras mais conhecidas, destacam-se ainda: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e o Sermão de Santo Antônio.

Antigo interior da igreja de Nossa Senhora da Ajuda (Salvador, Bahia), onde vieira proferiu seu Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as Holandas.

Padre Manuel Bernades

Orador sacro português. Nasceu em 1644. Um dos maiores clássicos da língua. Obras: Luz e Calor, Nova Floresta etc. Morreu em 1710.

Gregório de Matos

O escritor Gregório de Matos Guerra, nascido na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, Gregório de Matos firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra, onde se gradua em Direito. Formado, vive alguns anos em Lisboa exercendo a profissão; por sua sátiras, é obrigado a retornar à Bahia. Em sua terra natal, é convidado a trabalhar com o jesuítas no cargo de tesoureiro-mor da Companhia de Jesus. Ainda por sua sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola; já bastante doente volta ao Brasil, mas sob duas condições: estava proibido de pisar em terras baianas e de apresentar sua sátiras. Morreu em Recife, no ano de 1696.

Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido "Boca do Inferno" –, Gregório também praticou, e com esmero, a poesia religiosa e a lírica. Cultivou tanto o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogo de palavras ao lado de raciocínios sutis, sempre como o uso abusivo de linguagem.

Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras, entre 1923 e 1933, publicou seis volumes, assim distribuídos: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III. Poesia graciosa; IV e V. Poesia satírica; e VI. Últimas.

- Poeta religioso: Gregório coloca-se dinate de Deus, como um pecador, pedindo perdão por seus erros e confiante na misericórdia divina.

"Eu sou, Senhor, Ovelha desgarrada;

cobrais: e não queiras, Pastor Divino,

perder na nossa ovelha a vossa glória."

- Poeta satírico: criticava os letrados, os políticos, a corrupção, o relaxamento dos costumes, a cidade da Bahia, ...

"Que os brasileiros são Bestas,

e estão sempre a trabalhar

toda a vida, por manter

Maganos de Portugal."

- Poeta lírico: seu lirismo amoroso se define pelo erotismo, revelando uma sensualidade ora grosseira, ora de rara fineza. Gregório de Matos foi o primeiro poeta que admirou e glorificou a mulata:

"Minha rica mulatinha

Desvelo e cuidado meu."

Bento Teixeira Pinto (1565 – 1600)

É autor de Prosopopéia, poema épico em decassílabos, dispostos em oitava rima, publicado em 1601. Apesar da deficiência, o texto é visto por alguns críticos como iniciador do Barroco no Brasil. Durante muito tempo pensou-se que fosse natural de Recife, cidade descrita no poema, que narra um naufrágio sofrido por Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco. Hoje se admite que teria nascido em Portugal, embora tivesse morado a maior parte da vida no Recife.

Botelho de Oliveira

O primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado, Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) nasceu em uma família afastada de Salvador e estudou Direito em Coimbra. Foi vereador, advogado e agiota. Escreveu Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de autor nascido no Brasil. A sua fama perdurou como autor do poemeto (silva) A Ilha da Maré, apontando como precursor do nativismo pitoresco.

Fonte: netopedia.tripod.com

Barroco

"Que, por mais que pequei, neste conflito Espero em vosso amor de me salvar."
(Gregório de Matos Guerra)

Momento Histórico: Séculos XVII e XVIII

Barroco
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Surgimento dos primeiros núcleos de povoação
no Brasil (Pernambuco e Bahia)

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“Produção manufatureira”
Atividades econômicas voltadas para a produção manufatureira e para o comércio

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“Cangados (escravos)”

Estrutura social fundada nas diferenças entre classes, raças e nacionalidades ( aristrocacia x plebeu, senhor x escravos, brancos x negros e índios, português x brasileiros, etc)

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“Política na época Barroca”

Panorama político moldado de acordo com o sistema absolutista

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“Antropocentrismo renascentista”

Manifestações culturais marcadas por conflitos entre o pensamento de base teocêntrica, herança medieval, e o antropocentrismo renascentista

Características da Época Barroca

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“Teto da Igreja São Francisco de Assis (Ouro Preto - MG)
por Manuel da Costa Ataíde. “

Expressão de uma religiosidade tensa, conflituosa: oscilação entre o senso de pecado e o desejo de fluir os prazeres da vida - carpe diem.

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Dimas, O Bom Ladrão ( Antônio Francisco Lisboa “Aleijadinho”)

Fusionismo: tentativa de conciliar valores opostos (matéria e espírito; bem e mal; prazer e dor; claro e escuro)

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“O Cristo carregando a cruz”
(Aleijadinho), Santuário de Bom Jesus
de Matosinho, Congonhas,MG.

Consciência da brevidade da existência: uso freqüente de símbolos relacionadas com a idéia de fugacidade e instabilidade da vida, inevitabilidade da morte (rosa, nau, caveira, ruínas, etc.)

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“Ultima ceia” (Aleijadinho) , Santuário de Bom Jesus de Matorsinhos, Congonhas,MG

Pessimismo: focalização das limitações e misérias humanas.

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“A flagelação de Cristo” (Jaime Huguet), Museu do Louvre, Paris.

Abandono da concepção clássica de beleza: exploração intensa do elemento sensorial, valorização do rebuscado, do engenho, do desarmonioso, chocante, do locus horrendus.

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BUSCANDO A CRISTO

À vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados.     

A vós, divinos olhos, eclipsados De tanto sangue e lágrimas abertos, Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados.             

A vós, pregados pés, por não deixar-me, A vós, sangue vertido, para ungir-me, A vós, cabeça baixa, pra chamar-me         A vós, lado patente, quero unir-me, A vós, cravos preciosos, quero atar-me, Para ficar unido, atado e firme.

Gregório de Matos

“Teto da Nave”
(Manoel da Costa Ataíde), Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto

A linguagem da obra volta-se para o cultismo, o requinte da forma (vocabulário raro, acúmolo de alusões e imagens) e para o conceptismo, a sutiliza de idéias (raciocínios elaborados, associações imprevistas, paradoxos).

Conceitos Básicos

Literário ou ficcional

Barroco
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“Os 12 profetas” (Aleijadinho)

Texto Desenvolvido por
Marcela C. Formigari

Barroco

Definição da palavra barroco

A palavra “barroco” tem sua origem controvertida. Enquanto alguns afirmam que está ligada a um processo relativo à memória que indicava um silogismo aristotélico de conclusão falsa, outros defendem que designaria um tipo de pérola de forma irregular, ou mesmo um terreno desigual, assimétrico.

Ninguém angariou tantas críticas e inimizades quanto o "impiedoso" Padre Antônio Vieira, detentor de um invejável volume de obras literárias, inquietantes para os padrões da época.

Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã (por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos); os pequenos comerciantes (por defender o monopólio comercial) e os administradores e colonos (por defender os índios).

Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custaram a Vieira uma condenação da Inquisição, ficando preso de 1665 a 1667. A obra do Padre Antônio Vieira pode ser dividida em três tipos de trabalhos: Profecias, Cartas e Sermões.

As Profecias constam de três obras: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. Nelas se notam o sebastianismo e as esperanças de que Portugal se tornaria o "quinto império do Mundo".

Segundo ele, tal fato estaria escrito na Bíblia. Aqui ele demonstra bem seu estilo alegórico de interpretação bíblica (uma característica quase que constante de religiosos brasileiros íntimos da literatura barroca). Além, é claro, de revelar um nacionalismo megalomaníaco e servidão incomum.

O grosso da produção literária do Padre Antônio Vieira está nas cerca de 500 cartas. Elas versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos novos e sobre a situação da colônia, transformando-se em importantes documentos históricos.

O melhor de sua obra, no entanto, está nos 200 sermões. De estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao Gongorismo, o pregador português joga com as idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos de retórica dos jesuítas.

Um dos seus principais trabalhos é o Sermão da Sexagésima, pregado na capela Real de Lisboa, em 1655. A obra também ficou conhecida como "A palavra de Deus". Polêmico, este sermão resume a arte de pregar. Com ele, Vieira procurou atingir seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos, analisando no sermão "Porque não frutificava a Palavra de Deus na terra", atribuindo-lhes culpa.

Gregório de Matos Guerra

Uma das principais referências do barroco brasileiro é Gregório de Matos Guerra, poeta baiano que cultivou com a mesma beleza tanto o estilo cultista quanto o conceptista .

Na poesia lírica e religiosa, Gregório de Matos deixa claro certo idealismo renascentista, colocado ao lado do conflito (como de hábito na época) entre o pecado e o perdão, buscando a pureza da fé, mas tendo ao mesmo tempo necessidade de viver a vida mundana. Contradição que o situava com perfeição na escola barroca do Brasil. É patente do movimento nativista quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração lusitana.

Carpe Diem

O tema central do Barroco se encontra na antítese entre a vida e a morte. Daí decorre o sentimento da brevidade da vida, da angústia da passagem do tempo, que tudo destrói. Diante disso, o homem barroco oscila entre a renuncia e o gozo dos prazeres da vida.

Quando pensa no julgamento de Deus, foge dos prazeres e procura apoio na fé. Quando a fé é insuficiente, a atração dos prazeres o envolve e cresce o desejo de desfrutar da vida. Por isso, o Carpe Diem, expressão latina que significa “aproveita o dia (presente)”, é um dos temas freqüentes da arte barroca. A mocidade ou a juventude é freqüentemente comparada à flor que é bonita por pouco tempo e logo morre. Daí o apelo dos poetas barrocos.

O Carpe Diem é um tema que vinha já da Antiguidade, mas no Barroco foi desenvolvido de forma angustiada, pois era uma tentativa de fundir os opostos, de conciliar o que, no fundo, é inconciliável: a razão e a fé, a matéria e o espírito, a vida carnal e a vida espiritual.

Barroco X Renascimento

O homem do período renascentista acreditava que a cultura mais perfeita era a cultura desenvolvida em meio ao paganismo. Acreditava que a arte, a ciência e a erudição tinham florescido durante o período clássico, Grécia e Roma, e na capacidade de ação do homem, na sua atuação como ser dono do Universo e capaz de modificar tudo à sua volta. Na literatura eram imitados os textos da antiguidade Clássica.

Já o homem do período barroco estava dividido entre a religião e o paganismo, entre a verdade e a mentira, o amor e a solidão, o pecado e o perdão. As poesias são rebuscadas e utilizam o jogo de idéias, são assimétricas e apresentam antíteses, reflexo do conflito em que o homem barroco vivia

Literatura Barroca

Literatura barroca é uma área da literatura ocidental, produzida sobretudo no séc XVII, teve a sua compreensão e interpretação crítica extraordinariamente aprofundada e esclarecida graças à introdução no uso crítico e historiográfico do conceito de barroco literário.

O termo veio das artes plásticas e visuais, com um sentido pejorativo, designando a arte do período subseqüente ao Renascimento, que era interpretada como uma forma degenerada dessa arte, pela perda da clareza, pureza, equilíbrio, em troca do exagero ornamental e das distorções.

Originalmente tal como era corrente nos séculos X.VI e XVII barroco significava arte bizarra, artificial. A etimologia do termo é controvertida. Designando pérola de superfície irregular, teria sido usada por espanhóis e portugueses (barrueco e barroco).

Por outro lado, a palavra fora usada pela escolástica medieval, como termo mnemônico do silogismo e assim aparece em Montaigne com intenção irônica, pois então queria dizer raciocínio estranho, vicioso, confundindo o falso e o verdadeiro. Até o século XIX, permaneceu este o significado: argumentação barroco; imagem barroca; figura barroca.

A revisão da questão se deve a Jacob Burckhardt, no Cicerone (1855). Mas a sua reformulação definitiva para a história da arte, e depois para a crítica literária, foi empreendida por Heinrich Wolffin (1864-1945) desde 1879 ao reabilitar a arte barroca, mostrando-a como uma forma peculiar, com valor estético e significado próprios. Estabeleceu Wolfflin a teoria da análise formal das artes, pela qual a passagem de um tipo de arte para outro se processaria segundo princípios internos.

Assim, à arte renascentista sucedeu a barroca, não como um declínio, porém como o desenvolvimento natural para um estilo posterior, que já não é táctil, porém visual, não é linear, porém pictórico, não é composto em plano mas em profundidade, nem em partes coordenadas mas subordinadas a um conjunto, não é fechado mas aberto, não tem claridade absoluta mas relativa.

Tal teoria da definição dos estilos artísticos, à luz dessas categorias, foi aplicada à análise da literatura, nas obras que exprimiram a oposição entre o Renascimento e o barroco, como o Orlando Furioso de Ariosto e a Jerusalém Libertada do Tasso.

De 19l4 em diante o termo foi absorvido pela crítica literária, e se ampliaram os estudos interpretativos da literatura seiscentista. As velhas denominações , “seiscentismo” , “gongorismo” “eufuísmo”, “marinismo”, “conceptismo”, “culteranismo”, “cultismo”, “preciosismo”, de sentido pejorativo, passaram a ser compreendidas como referindo-se a formas imperfeitas ou não desenvolvidas do barroco e são hoje melhor englobadas sob o rótulo de barroco.

Assim, o barroco é o estilo artístico e literário, e mesmo o estilo de vida, que encheu o período entre o final do século XVI e o século XVIII, em todos os povos do Ocidente, com variantes locais de tempo e fisionomia artística, embora com unidade de características estéticas e estilísticas.

Mas, ao lado do elemento formal peculiar, o barroco é ligado a uma ideologia, que lhe empresta unidade espiritual, e essa ideologia foi fornecida pela Contra-Reforma.O barroco foi o estilo, a arte de atributos morfológicos adequados á expressão do conceito da vida dinamizado pela Contra-Reforma em reação ao Renascimento, e de modo a traduzir--se em todas as manifestações artísticas, a16m ao vestuário, da jardinagem, das festas.

A ideologia tridentina comunicou à época e à arte uma fisionomia trágica , dilacerada entre os pólos celeste e terrestre, entre a carne e o espírito, procurando incutir no homem o horror do mundo, o medo da morte, o pavor do inferno, conquistando-o para o céu pela captação de imaginação e seus sentidos, para o que usa o ornamental e o espetacular. O homem barroco é contraditório, em estado de conflito, saudoso do paraíso e ao mesmo tempo seduzido pelo mundo e pela carne.

A literatura barroca, destarte, apresenta caracteres típicos:o fusionismo (união dos detalhes num todo orgânico), o claro-escuro, o eco, a união do racional e do irracional (expressa nas figuras estilísticas paradoxo), a ambigüidade, o caráter grandioso e ornamental (expresso no exagero de figuras estilísticas), figuras de estilo que traduzem o estado de conflito e tensão espiritual (antíteses, paradoxos, contorções, hipérboles, etc) ; o uso dos concetti, wit, agudeza, do tipo de estilo conhecido como genus humile, de forma; epigramática, sentenciosa, breve.

Luciane Valente

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Barroco

A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis.

As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.

É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O homem se coloca em constante dualismo: Paganismo X Cristianismo e Espírito X Matéria.

Características Gerais

Emocional sobre o racional

Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas

Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura

Violentos contrastes de luz e sombra

Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida.

PINTURA

Características da pintura barroca

Composição em diagonal

Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos)

Realista, abrangendo todas as camadas sociais

Dentre os pintores barrocos italianos

Caravaggio

O que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do observador.

Obra destacada

Vocação de São Mateus.

Andrea Pozzo

Realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade.

Obra destacada

A Glória de Santo Inácio.

A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os pintores mais representativos, de outros países da Europa, temos:

Velázquez

Além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história.

Obra destacada

O Conde Duque de Olivares.

Rubens (espanhol)

Além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.

Obra destacada

O Jardim do Amor.

Rembrandt (holandês)

O que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa.

Obra destacada

Aula de Anatomia.

ESCULTURA

Predominam as linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado. Os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento.

Bernini

Arquiteto, urbanista, decorador e escultor, algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Obra destacada

A Praça de São Pedro, Vaticano e o Êxtase de Santa Teresa.

Para seu conhecimento

Barroco: termo de origem espanhola ‘Barrueco’, aplicado para designar pérolas de forma irregular.

Fonte: www.galeriafernandobarbosa.kit.net

Barroco

O tempo barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.

Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro, com sentimento nativista manifesto, na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole. Ou, como afirma Alfredo Bosi: "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano".

Além disso, os dois principais autores Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil. Por essas razões, neste capítulo não separaremos as manifestações barrocas de Portugal e do Brasil.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano.

O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira, que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII.

O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, já a partir de 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, o movimento academicista ganhava corpo, assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroso e a ascensão do movimento árcade.

Momento histórico

Se o início do século XVI, notadamente seus primeiros 25 anos, pode ser considerado o período áureo de Portugal, não é menos verdade que os 25 últimos anos desse mesmo século podem ser considerados o período mais negro de sua história.

O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. Ao mesmo tempo que Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. As colônias, principalmente o Brasil, não deram a Portugal riquezas imediatas; com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578, levando adiante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império, D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Filipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica tal situação permaneceria até 1640, quando ocorre a Restauração (Portugal recupera sua autonomia).

A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.

A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton, a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval.

Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.

É nesse clima que se desenvolve a estética barroca, notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol, já que a Espanha é o principal foco irradiador do novo estilo.

O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.

Características

O estilo barroco nasceu da crise de valores renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em conseqüência da falência do comércio com o Oriente.

O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria.

Todo o rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.

Podemos notar dois estilos no barroco literário:

Cultismo

É caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante (hipérboles), descritiva; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras (ludismo verbal), com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo. No cultismo valoriza-se o "como dizer".

Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada (arte de bem falar, ou escrever, com o propósito de convencer; oratória). Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Valoriza-se, neste estilo, "o que dizer".

Na literatura, as características principais são:

Culto do contraste

O poeta barroco se sente dividido, confuso. A obra é marcada pelo dualismo: carne X espírito, vida X morte, luz X sombra, racional X místico. Por isso, o emprego de antíteses.

Pessimismo

Devido a tensão (dualidade), o poeta barroco não tinha nenhuma perspectiva diante da vida. Literatura moralista: a literatura tornou-se um importante instrumento para educar e para "pregar" por parte dos religiosos (padres).

Fonte: www.olharliterario.hpg.ig.com.br

Barroco

O estudo do Barroco na Literatura Brasileira é fundamental para que se tenha uma compreensão da formação da consciência nacional das letras brasileiras. Também, em termos universais, o entendimento desse estilo de época equivale em conhecer um pouco de uma estética que dominou o universo do pensamento e arte ocidentais durante o século XVII e parte do século XVIII.

O Barroco exprime as inquietações do homem no período pós-renascentista, assinalado pela contra-reforma, o absolutismo monárquico e a crise do capitalismo comercial. Itália e Espanha, países em que esse estilo teve origem e florescimento, produziram artistas que exerceram e ainda exercem acentuada influência sobre autores brasileiros.

Não se compreende, por exemplo, a poesia de Gregório de Matos sem a sombra de Gôngora.

Nos primeiros textos da formação da Literatura Brasileira, em que já se insinuam aspectos estéticos na intenção pedagógica ou catequética, como nos poemas e autos de José de Anchieta, é possível a identificação de algumas marcas discursivas e ideológicas desse estilo. Também em alguns trechos de padre Manuel da Nóbrega ou nos versos de Prosopopéia, de Bento Teixeira Pinto, já se manifestam elementos do rebuscamento que identificam o Barroco. E, mesmo em outras épocas, certos traços barroquizantes são perceptíveis, com na opulenta linguagem de Euclides da Cunha, de Guimarães Rosa ou de Pedro Nava.

Termo que abrange literatura, música, pintura, arquitetura e escultura, o Barroco lega, à história da arte em geral, um amplo glossário que é recorrente no estudo dos estilos de época: termos como cultismo, conceptismo, gongorismo, preciosismo, marinismo, maneirismo, fusionismo são indissociáveis desse estilo. Para o estudo mais aprofundado de figuras como metáfora, hipérbole, hipérbato e paradoxo, o Barroco servirá como fonte de exemplos.

Na Literatura Brasileira, através dos poemas de Gregório de Matos e dos sermões de Padre Antonio Vieira, pode-se claramente perceber as características discursivas e ideológicas do estilo Barroco, e um conhecimento do contexto histórico marcado pela decadência do comércio de especiarias orientais, o declínio da economia portuguesa, os embates com os holandeses e a ação dos jesuítas no trabalho de conversão do indígena.

Condições prévias para ensinar Para reconhecer e caracterizar a contribuição dos principais autores barrocos para a literatura nacional, o estudante deverá entrar em contato, principalmente, com textos de Gregório de Matos, e Padre Antonio Vieira. Esses autores, em suas obras, apropriaram-se do discurso cultural, teológico e político do contexto histórico, assinalado pela Contra- Reforma, pela Companhia de Jesus e pela Santa Inquisição.

A poesia de Gregório Matos presta-se a um interessante trabalho de reconstrução histórica, sem que se percam seus aspectos especificamente literários, como a agudeza e o engenho, categorias importantes nos textos seiscentistas.

Os escritos de Padre Vieira, ricos em argumentação e utilização da língua com argúcia e eficácia, constituem modelos de uma prosa cujo poder e ressonância terá reconhecimento ao longo do processo de formação da identidade nacional.

De posse das características básicas do estilo barroco, sem perder de vista o contexto histórico, o estudante poderá estabelecer relações intertextuais entre os textos dessa época a outras manifestações culturais de épocas diferentes.

Um fecundo estudo de análise comparativa pode ser realizado, envolvendo autores e obras de variadas artes, de Aleijadinho a Niemeyer, de Vieira a Euclides da Cunha, de Gregório de Matos a Glauber Rocha.

Na abordagem de textos de diferentes épocas e de variados gêneros, como sermões, auto, crônica, conto, poema, romance, ensaio e letras de canções, o estudante terá a oportunidade de se deparar com aspectos recorrentes do Barroco, como o carpe diem, o ludismo, o feísmo, a técnica recolhitiva ou o processo de disseminação ou recolha, além de outros procedimentos.

O estudo dos textos de Gregório de Matos e de Padre Vieira permite que se tenha uma boa compreensão da função da poesia e do sermão na vida social brasileira. Sátira e oratória são componentes intrínsecos da produção cultural brasileira. A atualidade do Barroco é o que orienta, por exemplo, toda a obra de um notável escritor contemporâneo como o mineiro Affonso Ávila, que, através de ensaios e poemas, põe em permanente discussão a arte de ontem com a de hoje.

1. Reconhecer a importância do Barroco brasileiro para a formação da consciência e da literatura nacional.

2. Identificar, em textos literários do Barroco, marcas discursivas e ideológicas desse estilo de época e seus efeitos de sentido.

.3. Relacionar características discursivas e ideológicas de obras barrocas ao contexto histórico de sua produção, circulação e recepção.

4. Reconhecer e caracterizar a contribuição dos principais autores barrocos para a literatura nacional.

5. Estabelecer relações intertextuais entre textos literários barrocos e outras manifestações literárias e culturais de épocas diferentes.

6. Identificar efeitos de sentido da metalinguagem e da intertextualidade em textos literários barrocos.

7 . Posicionar-se, como pessoa e como cidadão, frente a valores, ideologias e propostas estéticas representadas em obras literárias barrocas.

8. Elaborar textos orais e escritos de análise e apreciação de textos literários barrocos.

Como ensinar (como trabalhar o tópico)

Ao trabalhar com textos de Gregório de Matos, que devem ser relacionados com o contexto histórico, o professor deve chamar a atenção para a função social da sátira. A situação econômica da Bahia aparece com nitidez em vários textos do poeta, que foi uma espécie de cronista-versejador de sua época. Assim também com os sermões de Padre Vieira, que estão diretamente ligados a um período em que ao catolicismo se sentia ameaçado pela reforma dos protestantes e pelo avanço do racionalismo da ciência laica, ou, para citar um episódio especificamente local, pela invasão holandesa.

A poesia atribuída a Gregório de Matos, em suas diferentes facetas (lírica, satírica, religiosa, encomiástica, costumbrista) oferece extensa atividade, não só para a identificação dos aspectos de seu tempo, mas também para serem comparados com outras manifestações culturais, em diferentes épocas. A leitura do romance contemporâneo de Ana Miranda (Boca do Inferno) permite, além da reconstituição histórica, uma revisão crítica do papel de Gregório e de Padre Vieira na sociedade brasileira no período seiscentista. A comparação de expedientes humorísticos usados por Gregório de Matos podem ser identificados na produção do humor na literatura de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, José Paulo Paes, Affonso Ávila, Sebastião Nunes e Glauco Mattoso.

Como avaliar

A leitura de passagens de sermões de Padre Vieira, como o da sexagésima, oferece um bom pretexto para que se discuta a metalinguagem na obra literária. O sermão sobre a invasão holandesa pode ser analisado a partir dos aspectos do preconceito em relação a outras culturas e religiões. A importância da metáfora na construção textual pode ser identificada no sermão do Mandato. Na poesia de Gregório de Matos, pode-se tomar, por exemplo, os textos em que a mulher e o amor são abordados ou de forma lírica ou de forma satírica. A temática do carpe diem, em Gregório, pode ser relacionada com esse tema em outros escritores de diferentes épocas, como em Tomás Antonio Gonzaga, no Arcadismo, ou em Vinícius de Moraes, no Modernismo. O estudo das metáforas barrocas em Gregório de Matos pode ser processado com o relacionamento com outros autores, como Castro Alves, Cruz e Sousa, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Letras de canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil também podem ser articuladas com a produção barroca, como também elementos do barroco são encontrados em romances de Autran Dourado, principalmente em Ópera dos mortos e Os sinos da agonia.

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____________. Sermões. Revisão: Frederico Pessoa de Barros. Erechim: Edelbra, 1998, vol V, Sermão XX
____________. Sermões escolhidos. Revisão: Frederico Pessoa de B

Gilberto Xavier da Silva e
Luiz Carlos Junqueira Maciel

Fonte: crv.educacao.mg.gov.br

Barroco

As manifestações artísticas consideradas barrocas foram produzidas principalmente no século XVII. O traço principal do estilo barroco é a tensão entre espírito e matéria, céu e terra, razão e emotividade, contenção e derramamento, cientificismo e religiosidade. Na Europa, essas características refletem o conflito de idéias colocado pelo progresso científico impulsionado no Renascimento e a Reforma Protestante, de um lado, e a reação contra-reformista da Igreja Católica, de outro.

Na literatura, a tensão manifesta-se pela intensificação do uso de recursos estilísticos. Antíteses, inversões, metáforas, preciosismo verbal e obscuridade de sentido foram cultivados por diversos autores do período, entre os quais destaca-se o poeta espanhol Luís de Góngora. No Brasil, os principais autores do Barroco foram Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira. O primeiro celebrizou-se pela poesia satírica e pelo retrato impiedoso e lírico de sua Bahia natal. O segundo, pela riqueza literária dos sermões com que defendia o ideário católico.

Profícuo na região de Minas Gerais no século XVIII, o Barroco brasileiro na arquitetura e na escultura não é contemporâneo do Barroco literário.

No período em que o movimento artístico atingia seu auge com as esculturas sacras de Aleijadinho, as manifestações literárias produzidas no Brasil já são de caráter neoclássico, árcade ou rococó. Em razão da pluralidade e pouca especificidade da produção literária seiscentista, estudiosos propõem que o termo Barroco seja insuficiente para caracterizar a diversidade das manifestações artísticas do período.

Uma vez que as artes apresentam grande diversidade durante o período de vigência do Barroco, seus traços comuns têm de ser investigados de par com as tendências intelectuais e culturais da época. Entre as que influenciaram as artes de modo especialmente significativo, destacam-se a consolidação das monarquias absolutas na Europa, a ampliação dos horizontes intelectuais decorrente das novas descobertas da ciência e a Contra-Reforma. É impossível, por exemplo, pensar a pujança arquitetônica de palácios como o de Versalhes, na França, dissociada da necessidade do poder real de afirmar e exibir sua monumentalidade. Do mesmo modo, a partir de formulações como a de Copérnico, que tirava a Terra do centro do universo, os pilares da fé religiosa são ameaçados. Em boa medida, deriva daí a tensão entre divino e profano, Deus e homem, terra e céu presente em grande parte das manifestações artísticas consideradas barrocas. Por fim, a Contra-Reforma é um vetor importante para o processo porque fez da arte um meio de propaganda do ideal católico, então ameaçado pela Reforma Protestante. E, para falar diretamente ao observador, para converter o infiel, era preciso apelar aos sentidos e enfatizar os meios expressivos.

O termo barroco provavelmente deriva da palavra italiana barroco, usada por filósofos da Idade Média para descrever um obstáculo ao raciocínio lógico. Em seguida, a palavra passou a designar qualquer tipo de idéia obscura ou processo tortuoso de pensamento.

Outra origem possível está na palavra portuguesa barroco, que se refere a um tipo de pérola de formato irregular. Na crítica de arte, barroco começou a ser usado na descrição de qualquer objeto irregular, bizarro, ou que fugisse das normas de proporção estabelecidas. Esse ponto de vista perdurou até o fim do século 19, época em que o termo ainda carregava a conotação de estranheza, grotesco, exagero e excesso de ornamentação.

Foi só a partir do estudo pioneiro do historiador de arte Heinrich Wölfflin, Renascimento e Barroco (1888), que o Barroco tornou-se uma designação estilística e teve suas características sistematizadas.

As primeiras manifestações do Barroco, ocorridas na Itália, datam das últimas décadas do século XVI. Em outras regiões, notadamente a Alemanha e o Brasil colonial, o movimento atingiria seu auge no século XVIII. Na história da arte ocidental, no entanto, o Barroco se confunde com o século XVII.

No Brasil, a emergência do Barroco coincide com os ciclos de ocupação e exploração intensa e regular das possibilidades econômicas do Brasil-Colônia, que a partir da segunda metade do século XVI fizeram surgir núcleos urbanos de grande importância econômica e cultural na Bahia e em Pernambuco. Consolidava-se então uma economia baseada na monocultura e na escravidão negra. Começavam a surgir as Academias, associações literárias inspiradas em modelos portugueses que representam o primeiro sinal articulado de preocupação cultural no país. As invasões estrangeiras que ocorreram nos séculos XVI e XVII, com destaque para a holandesa (1624-1654), contribuíram para a aceleração das transformações econômicas no Nordeste e também para a formação de uma espécie de "consciência colonial", que começava a se manifestar nos escritos seiscentistas.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

As obras que distinguem o período são estilisticamente complexas, até mesmo contraditórias. Em geral, é possível dizer que o desejo de evocar estados de espírito exaltados e de apelar dramaticamente aos sentidos do observador é comum à maior parte de suas manifestações. Algumas características associadas ao Barroco são grandeza, sensualidade, dramaticidade, movimento, vitalidade, tensão e exuberância emocional. Todas contrapõem-se ao racionalismo contido e metódico que era próprio ao Classicismo, período anterior que se confunde com o Renascimento e que enfatiza o rigor e a sobriedade por meio da imitação dos autores da antigüidade grega e romana.

Muitos historiadores costumam dividir a literatura do Barroco em duas tendências : o conceptismo e o cultismo.

O primeiro, mais freqüente na prosa, corresponde ao jogo de idéias, à organização da frase com uma lógica que visa à persuasão, como pode ser observado nos sermões do Padre Vieira.

O segundo, característico da poesia, define-se pelo jogo de palavras com vistas ao preciosismo formal e tem como autor emblemático o espanhol Luis de Góngora, influente sobre os poetas do período a ponto de o Barroco literário também ser conhecido como Gongorismo. Outras designações freqüentes para a época são Seiscentismo, Maneirismo e Marinismo, este último em razão da obra do poeta italiano Gianbattista Marini.

Um exemplo da abrangência da concepção do termo Barroco pode ser obtido a partir da formulação da historiadora e crítica literária Luciana Stegagno Picchio. De acordo com a autora, o período foi especialmente rico no Brasil porque a estética barroca se adapta com facilidade a um país que cria sua própria fisionomia e cultura em termos de oposição e de encontro de contrários, de mestiçagem. Nesse sentido, ela argumenta que também a primeira literatura dos descobrimentos é barroca. Assim como a literatura dos jesuítas, pela concepção trágica da vida, pela temática contra-reformista e pela forma plurilíngüe.

Fora da literatura, o Barroco no Brasil só atingiria seu ponto máximo na segunda metade do século XVIII. Nesse período, durante o ciclo do ouro nas Minas Gerais, a arquitetura, a escultura e a vida musical desenvolveram-se a ponto de constituir um Barroco "mineiro", cujos exemplos mais significativos estão na obra do escultor Aleijadinho, do pintor Manuel da Costa Athaide e do compositor Lobo de Mesquita. A poesia e a prosa contemporânea desses autores, no entanto, não é mais barroca. Em 1768, quando se publica o livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa, o estilo árcade passa a predominar na literatura.

Importa ainda lembrar que, nos últimos anos, alguns dos principais estudiosos da produção literária brasileira do século XVII têm se dedicado à hipótese de que o termo Barroco não dá conta das variadas manifestações artísticas do período, que por isso mesmo devem ser entendidas em sua singularidade.

Os autores mais destacados do Barroco literário do Brasil são o Padre Vieira (1608-1697) e Gregório de Matos (1623-1696). Pregador cristão a serviço da Coroa portuguesa, Vieira passou a maior parte da vida no país. Por se apropriar de termos e elementos da cultura brasileira em seus textos, foi de fundamental importância para a constituição de uma linguagem que começava a ganhar autonomia em relação a Portugal. Seus sermões são ricos em antíteses, paradoxos, ironias, jogos de palavras, hipérboles e alegorias. Com gosto pelo tom profético e messiânico, ele levou a arte da retórica e da persuasão ao paroxismo. Deixou uma obra vasta na qual se destacam o Sermão da Sexagésima e o Sermão do Bom-Ladrão. Outros nomes de relevo na prosa do período são Sebastião da Rocha Pita (1660-1738), autor da História da América Portuguesa, Nuno Marques Pereira (1652-1731), cujo Compêndio Narrativo do Peregrino da América é considerado pioneiro na narrativa de cunho literário do país, e o frei Vicente do Salvador (1564-1636/1639), autor do volume História do Brasil (1627).

Sem ter publicado nenhum poema em vida e ainda envolto em incertezas em relação à autoria da obra, Gregório de Matos é a epítome do Barroco na poesia brasileira. Os textos a ele atribuídos foram registrados a partir da tradição oral de seus contemporâneos. Religiosos, líricos e satíricos, os versos que compõem sua obra proferem uma crítica demolidora contra o clero, políticos e outros poderosos da época. Pródigo em metáforas, paradoxos, inversões sintáticas e sentenças que condensam erotismo, misticismo, palavras de baixo calão e busca do sublime, ele praticou um hedonismo lingüístico capaz de condensar a matriz barroca com o estímulo localista, como se pode verificar pela leitura dos poemas Triste Bahia e À Mesma D. Ângela. Não por acaso, o poeta é considerado o primeiro autor a dar estatuto literário à figura do índio.

O poema Prosopopéia, de Bento Teixeira, é tido como marco inicial do movimento no Brasil. Datado de 1601 e escrito com estilo e concepção inspirados em Camões, Prosopopéia é um poema épico de louvor a Jorge Albuquerque Coelho, segundo donatário da Capitania de Pernambuco. No campo da poesia, destaca-se ainda Manuel Botelho de Oliveira, autor de Música do Parnaso, o primeiro livro impresso escrito por autor nascido no país. O livro de Oliveira é uma reunião de poemas em português e espanhol que seguem rigorosa orientação cultista e conceptista.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Barroco

O termo barroco costuma designar o estilo artístico que floresceu na Europa entre o final do Século 16 e meados do Século 18.

O aparecimento dos ideais barrocos parece intimamente ligado à Contra-Reforma Católica.

Apesar de ter sido um estilo internacional, percebemos sua maior força entre países como a Itália, Espanha e Áustria, não tendo atingido muito os países protestantes como a Inglaterra.

Regional, individual e subjetivo

Além disso, o barroco apresenta características regionais nas diferentes localidades em que se desenvolveu.

A personalidade forte de alguns artistas do período também é um grande diferencial dentro desse estilo artístico que deixava campo aberto à subjetividade.

Suas principais características são a teatralidade das obras, o dinamismo, a urgência, o conflito e o forte apelo emocional.

Na busca da emoção, para provocar o observador, o artista abusa da verossimilhança das cenas retratadas, daí a importância também na observação da natureza.

O artista para atingir esses efeitos lança mão principalmente de cores, texturas, jogos de luz e sombra, diagonais e curvas, bem como o domínio do uso do espaço. Os temas místicos e os tirados da vida cotidiana são freqüentes no período.

Pintura, escultura e arquitetura entrelaçadas uma à outra

A questão da harmonia também é importante para o barroco. Entretanto, ela é vista numa obra de forma diferente do renascimento.

Para o renascentista, a harmonia do todo era garantida por cada detalhe da obra em perfeito equilíbrio, cada detalhe separadamente como um todo harmônico.

Já para o barroco, a harmonia do conjunto é mais importante, a fusão harmônica dos diferentes componentes de um trabalho. A harmonia individual pode ser sacrificada em nome da harmonia do todo.

Além disso, essa valorização da unidade geral, entrelaçou muito a arquitetura com a escultura e com a pintura. O ideal das construções passou a ser o do inter-relacionamento desses elementos, dialogando harmonicamente para o bem do conjunto.

No geral, o Barroco é um clássico rebelde

O Barroco surgiu na Itália, aproveitando-se de alguns elementos renascentistas e transformando-os.

O renascimento italiano influenciou sobremaneira a arte posterior.

Costuma-se dizer que vivíamos o estilo renascentista de construção, por exemplo, quase até o Século 20, com a entrada em cena do modernismo.

O barroco também se inspira, em certo sentido, na arquitetura clássica. Mas recebe esse nome pelos críticos do período (com o significado de grotesco) exatamente por não respeitar as combinações e a utilização dos gregos e romanos.

Apesar de utilizar-se de formas naturalistas, não se pode dizer que seja uma mera continuação do renascimento.

O artista era religioso, mas independente da religião

A Espanha foi um dos países que mais desenvolveu esse estilo que se espalhou pela Europa.

Além disso, importante no período é o fato do mecenato sair das mãos da Igreja para concentrar-se na aristocracia.

O homem barroco é um ser dividido, em conflito, repleto de energia e extremamente místico. Os artistas da época expressavam essa energia e suas convicções espirituais em suas obras.

Um bom exemplo disso é a figura de Bernini. Entretanto, Rubens é considerado um dos maiores expoentes do movimento. O italiano Caravaggio também é extremamente importante, com influência por várias partes da Europa.

Fonte: www.pitoresco.com.br

Barroco

O período conhecido como Barroco, ou Seiscentismo, é constituído pelas primeiras manifestações literárias genuinamente brasileiras ocorridas no Brasil Colônia, embora diretamente influenciadas pelo barroco europeu, isto é, vindo das Metrópoles. O termo denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.

Contexto Histórico

Após o Concílio de Trento, realizado entre os anos de 1545 e 1563 e que teve como consequência uma grande reformulação do Catolicismo, em resposta à Reforma protestante, a disciplina e a autoridade da Igreja de Roma foram restauradas, estabelecendo-se a divisão da cristandade entre protestantes e católicos.

Nos Estados protestantes, onde as condições sociais foram mais favoráveis à liberdade de pensamento, o racionalismo e a curiosidade científica do Renascimento continuaram a se desenvolver. Já nos Estados católicos, sobretudo na Península Ibérica, desenvolveu-se o movimento chamado Contrarreforma, que procurou reprimir todas as tentativas de manifestações culturais ou religiosas contrárias às determinações da Igreja Católica. Nesse período, a Companhia de Jesus passa a dominar quase que inteiramente o ensino, exercendo papel importantíssimo na difusão do pensamento aprovado pelo Concílio de Trento.

O clima geral era de austeridade e repressão. O Tribunal da Inquisição, que se estabelecera em Portugal para julgar casos de heresia, ameaçava cada vez mais a liberdade de pensamento. O complexo contexto sociocultural fez com que o homem tentasse conciliar a glória e os valores humanos despertados pelo Renascimento com as ideias de submissão e pequenez perante Deus e a Igreja. Ao antropocentrismo renascentista (valorização do homem) opôs-se o teocentrismo (Deus como centro de tudo), inspirado nas tradições medievais.

Essa situação contraditória resultou em um movimento artístico que expressava também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo; esse movimento recebeu o nome de Barroco. O homem se vê colocado entre o céu e a terra, consciente de sua grandeza mas atormentado pela ideia de pecado e, nesse dilema, busca a salvação de forma angustiada. Os sentimentos se exaltam, as paixões não são mais controladas pela razão, e o desejo de exprimir esses estados de alma vai se realizar por meio de antíteses, paradoxos e interrogações. Essa oscilação que leva o homem do céu ao inferno, que mostra sua dimensão carnal e espiritual, é uma das principais características da literatura barroca. Os escritores barrocos abusam do jogo de palavras (cultismo) e do jogo de ideias ou conceitos (conceptismo).

Temas frequentes na Literatura Barroca

fugacidade da vida e instabilidade das coisas;
morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
concepção do tempo como agente da morte e da dissolução das coisas;
castigo, como decorrência do pecado;
arrependimento;
narração de cenas trágicas;
erotismo;
misticismo;
apelo à religião.

Fonte: www.soliteratura.com.br

Barroco

Surgimento

Europa, meados do século XVI - Brasil, início do século XVII. (Lembrar que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio da sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas Gerais.)

Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

Características

1) Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da harmonia social aristocrática-burguesa através das guerras religiosas. Os jesuítas que surgem, neste período, combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua implacável ideologia teocêntrica.

2) Conflito entre corpo e alma. Dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor religioso, o homem barroco oscila entre:

a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado;
os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.

3) Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho, viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da passagem do tempo.

4) Linguagem ornamental, complexa, entendida como jogo verbal, cheia de antíteses, inversões, metáforas, alegorias, paradoxos, ausência de clareza. É um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do homem barroco.

Autores barrocos:

1) Gregório de Matos (Boca do Inferno)

Poesia religiosa

Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus, implorando perdão para os pecados cometidos.

Poesia amorosa

Tem uma dimensão elevada ("d"), muitas vezes associada à noção de brevidade da existência, e uma dimensão obscena, onde a explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da época.

Poesia satírica

Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial baiana: senhores de engenho, clero, juízes, advogados, militares, fidalgos, escravos, pobres livres, índios, mulatos, mamelucos, etc. Com seu olhar ressentido de senhor decadente, Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção, negociata, oportunismo, mentira, desonra, imoralidade, completa inversão de valores. A poesia satírica, portanto, para ele é vingança contra o mundo.

2) Padre Antônio Vieira

Os Sermões

Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica para convencer os fiéis de sua mensagem, mesmo quando trata de temas cotidianos.

Ataca os vícios (corrupção, violência, arrogância, etc.) e defende as virtudes cristãs (religiosidade, caridade, modéstia, etc.)

Combate os hereges, os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à Igreja.

Defende abertamente os índios. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora tenta justificar a escravidão, ora condena veementemente seus malefícios éticos e sociais.

Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. E julga (de forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil.

Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI.

Apresenta uma linguagem de tendência conceptista, de notável elaboração, grande riqueza de idéias e imagens espetaculares. Fernando Pessoa o chamaria de "Imperador da Língua Portuguesa".

Fonte: educaterra.terra.com.br

Barroco

Arte, Literatura e Música Barrocas

Num sentido amplo, o barroco pode ser visto como uma tendência constante do espírito humano e, conseqüentemente, da cultura, presente em todas as manifestações de nossa civilização, sobretudo na história da arte. Representa o apelo ao emocional, ou dramático, em oposição à tendência do intelecto a estabilizar e fixar autoritariamente princípios rígidos.

Assim pode-se falar em barroco helenístico, barroco do período medieval tardio, etc.: momentos de libertação de formas, em oposição a estruturas artísticas anteriormente disciplinadas, comedidas, “clássicas”.

Em sentido estrito, o Barroco é um fenômeno artístico e literário estreitamente vinculado à Contra Reforma, o que parece reforçado pelo fato de que seu maior desenvolvimento se observou nos países católicos (embora tivesse também acontecido em países protestantes).

Barroco
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O Êxtase de Santa Teresa

Seria, assim, uma reação espiritualista ao espírito renascentista imbuído de racionalismo. Ainda que, antes da Contra Reforma, já tivessem aparecidos traços de estilo barroco, não há duvida de que a religiosidade constitui um dos traços predominantes desse movimento, mas uma religiosidade ligada a uma visão do mundo aberta, combinando misticismo e sensualidade. A designação “barroca” para a arte só lhe foi atribuída muito mais tarde e tinha, a principio, sentido pejorativo.

O Neoclassicismo do séc. XVIII rejeitava o Barroco como algo sem regras, caprichoso, carente de lógica, um estilo extravagante.

Muitos chegaram mesmo a considerar o Barroco um estilo patológico, uma onda de monstruosidade e mau gosto. A revalorização ocorreu no séc. XIX, por via da rejeição dos cânones neoclássicos.

O Barroco renovou completamente a iconografia e as formas da arte sacra, mas foi também uma arte da Corte, refletindo o absolutismo dos príncipes no fausto da decoração.

Ao contrário do Renascimento, o Barroco caracteriza-se pela assimetria, pela noção do espaço infinito e do movimento contínuo, pelo desejo de tocar os sentidos e despertar emoções. Isso é obtido por meio de efeitos de luz e movimento, de formas em expansão que se manifestam: em arquitetura, pelo emprego da ordem colossal, das curvas e contracurvas, pelas súbitas interrupções, pelos esquemas formais repetidos; em escultura, pelo gosto da torção, das figuras aladas, planejamentos tumultuados e sobretudo pela dramaticidade; em pintura, por composições em diagonal, jogos de perspectiva e de encurtamento, pela obsessiva transmissão de sensações de movimento e instabilidade. Mas, principalmente, as diferentes artes tendem a se fundir na unidade de uma espécie de espetáculo, cujo dinamismo e colorido brilho se traduzem em exaltação.

O Barroco encontrou sua primeira expressão em Roma, entre os arquitetos encarregados de terminar a obra de Michelangelo: Maderno, depois Bernini, seguidos por Borromini; são criações de Bernini, o baldaquino da basílica de São Pedro, o Êxtase de Santa Teresa (considerado por muitos a expressão máxima da escultura barroca), a fonte dos Quatro Rios; Lanfranco, Pietro da Cortona e P. Pozzo cobriram os tetos de vôos celestes em trompe-l`oeil.

Esse estilo espalhou-se pela Itália: Piemonte (Guarini, Juvarra); Nápoles (L. Giordano); Gênova, Lecce, Sicília (séc. XVIII) e Veneza (Longhena e Tiepolo). Da Itália alcançou a Boêmia, Áustria, Alemanha, Paises Baixos do sul, a península Ibérica e suas colônias na América.

As capitais germânicas desse estilo foram: Praga (com os Dientzenhofer); Viena (Fischer von Erlach, L von Hildebrandt); Munique (com os Asam e os Cuvilliés).

A Bélgica construiu no séc. XVII igrejas que lembram a estrutura e o élan vertical do gótico. Escultores como H. F. Verbruggen aí instalaram seus grandiosos púlpitos, e Rubens, o pintor barroco por excelência, ali colocou seu universo de formas cheias de energia.

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Baldaquino de Bernini

O Altar-mor assenta diretamente sobre o túmulo de São Pedro. Tradicionalmente, apenas o Papa celebra missa nesse altar, abrigado por um baldaquino de bronze com 29 metros de altura, obra de Gian Lorenzo Bernini

Na Espanha, triunfou o barroco churrigueresco (criado pelo arquiteto José Churriguera), com as suas grinaldas, frutos, flores, medalhões e volutas que decoravam profusamente as fachadas.

A escultura espanhola do Barroco foi inteiramente consagrada à produção de imagens religiosas, em geral de madeira, pintadas em cores naturais muitas vezes articuladas, vestidas com trajes suntuosos e ornamentadas de jóias.

A exuberância do Barroco espanhol implantou-se no México, Peru, Equador, Bolívia e outros paises da América Latina com mais ou menos vigor.

Em Portugal, entre os mais belos exemplos do Barroco estão a igreja de São Pedro dos Clérigos (iniciada em 1723) o palácio de Queluz (1758-1790) e a basílica da Estrela (1779-!790); o convento de Mafra, construído na época de D. João V (1706-1750), embora com planta inspirada no Escorial, apresenta-se bastante barroco na sobrecarga arquitetural.

Na França, o Barroco penetrou por volta de 1630 (Vouet, Le Vau) e triunfou nas artes decorativas, um século mais tarde, com o rocaille (embrechado) e rococó, estilos derivados do Barroco.

No Brasil, o Barroco expressou o período mais efervescente da colônia; teve seu apogeu no século XVIII, perdurando, no século seguinte, até a chegada da Missão Francesa (1816).

Ricamente representado nas igrejas da Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e, sobretudo, de Minas, o Barroco brasileiro impôs seu próprio ritmo de difusão, alterando e misturando na arquitetura os estilos maneirista, barroco e rococó.

A produção mais importante é a da escola mineira, cujo florescimento é favorecido pelo ciclo do ouro. Mais original do que a produção litorânea, diretamente vinculada aos modelos europeus (em Salvador, a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, 1736, em pedra de lioz trazida de Portugal, e o mosteiro de São Bento, inspirado na igreja de Gesú, de Roma), o barroco mineiro inovou na estrutura e na forma. Sem romper com a temática religiosa, a escultura de Aleijadinho expressa uma forte alusão popular e emprega materiais brasileiros, como a pedra-sabão. Manoel da Costa Athayde pintou no teto da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, uma madona mulata cercada de anjinhos igualmente pardos.

Mestres de obra, artífices e artesãos negros, índios e mulatos enriquecem de mitologias naturalistas e símbolos pagãos os meios expressivos importados da Europa. Manifestando-se menos nas fachadas e muito mais nos interiores cobertos de ouro, o Barroco brasileiro corresponde às primeiras afirmações da nacionalidade e, pelo menos durante algum tempo, exprime tanto os interesses das camadas dominantes quanto a criatividade popular. As igrejas das Ordens Terceiras (São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Carmo) reúnem os brancos das classes dirigentes; as irmandades (de Nossa Senhora do Rosário, das Mercês, da Redenção dos Cativos) congregam os pretos escravos ou agrupam os mulatos que exercem ofícios mecânicos (irmandade de São José, do Cordão de São Francisco). Assim, se a monumentalidade dos templos reforça o poder da Igreja e o fausto da Coroa, as imagens que o povo venera evocam secretas relações com os orixás africanos cultuados pelos artífices entalhadores.

Além de Aleijadinho e de Manoel da Costa Athayde, outros artistas importantes do período são os pintores Caetano da Costa Coelho, no Rio de Janeiro, e José Joaquim da Rocha, na Bahia; o pintor e arquiteto Frei Jesuíno do Monte Carmelo, em São Paulo; Mestre Valentim, escultor, entalhador e arquiteto ativo, no Rio de Janeiro, etc.

Assunção da Virgem Maria (1723) Obra de Egid Quirin Asam Mosteiro de Rohr, Alemanha

Literatura Barroca

Durante muito tempo o Barroco definiu apenas as artes plásticas. O conceito aplicado à literatura surgiu apenas no final do séc. XIX com os trabalhos dos teóricos alemães Jakob Burkardt e, sobretudo, Heinrich Wöfflin.

O termo “barroco” abrange em literatura uma serie de denominações. Em Portugal e Espanha, seiscentismo, conceptismo (ou conceitismo), cultismo (ou culteranismo); na Itália, marinismo e seiscentismo; na França, preciosismo; na Inglaterra, enfuísmo; e, na Alemanha, silesianismo.

São características do Barroco literário: linguagem pomposa, imagens sutis e freqüentemente obscuras; musicalidade, descritivismo, exploração das possibilidades fonéticas da língua, objetivando salientar os contrastes conceituais; utilização do paradoxo, criando um estilo rebuscado, onde predominam os jogos de palavras, oposições e idéias abstratas; procura de imagens e sugestões fora da realidade; virtuosismo; amplo uso de alegorias, hipérboles, paralelismos, repetições, anáforas e antíteses; exacerbação dos sentimentos e gosto do requinte; estilo sentencioso e preocupação moralizante; ritmo sincopado e metáforas sinuosas, espiraladas, ligando imagens complexas, tais como as volutas que caracterizam o estilo barroco na arquitetura.

Principais representantes: Góngora, Quevedo, Cervantes, Lope de Vega, Calderón de la Barca, Tirso de Molina (Espanha); Tasso, Marino, Guarini, Della Porta (Itália); Montaigne, Pascal, Corneille, Racine, Boileau (França); Lily, Donne, Bacon (Inglaterra); Silesius, Gryphius, Opitz (Alemanha); Sóror Mariana de la Cruz, Hojeda, Balbuena, Caviedas (América espanhola).

Em Portugal, o Barroco desenvolveu-se entre 1580 e 1680, cobrindo portanto todo o período em que o país esteve sob a dominação espanhola (1580 e 1640). Fortemente marcado pelo cultismo e conceptismo, teve como principais representantes: Rodrigues Lobo, Manuel de Melo, Tomás de Noronha, Sóror Violante do Céu (poesia); Frei Luís de Souza, Padre Bernardes, Padre Bartolomeu do Quental e Frei Antônio das Chagas (ficção).

Barroco
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No Brasil, o Barroco literário manifestou-se na prosa laudatória, na poesia e na oratória sacra e teve como principais representantes: Gregório de Mattos Guerra (poeta), Manuel Botelho de Oliveira, Rocha Pita e padre Antônio Vieira (orador sacro).

Assim como a reabilitação do Barroco foi um acontecimento tardio, graças, sobretudo, ao trabalho de Heinrich Wosfflin (Renascimento e Barroco, 1888; Conceitos Fundamentais da História da Arte, 1915), a poesia de Gregório de Matos também esteve muito tempo relegada ao esquecimento. O soneto "A Conceição Imaculada de Maria Santíssima", mostra o estilo inconfundível deste poeta.

A Conceição Imaculada de Maria Santíssima

Soneto

Como na cova tenebrosa, e escura, A quem abriu o Original pecado, Se o próprio Deus a mão vos tinha dado; Podeis vós cair, ó virgem pura?

Nem Deus, que o bem das almas só procura, De todo vendo o mundo arruinado, Permitiria a desgraça haver entrado, Donde havia sair nossa ventura.

Nasce a rosa de espinhos coroada Mas se é pelos espinhos assistida, Não é pelos espinhos magoada.

Bela Rosa, ó virgem esclarecida! Se entre a culpa se vê, fostes criada, Pela culpa não fostes ofendida.

Música Barroca

O período barroco corresponde à criação de gêneros novos (oratório, cantata, concerto) e à utilização de uma escrita baseada no diálogo (estilo concertante com baixo contínuo) e ornamentação e marcada pelo gosto pela improvisação e pelo preciosismo. Os concertos de Vivaldi e numerosas obras de J.S. Bach são típicos desse período.

A primeira notícia de conjunto de músicos profissionais no Brasil é de 1717, formado para a chegada do conde de Assumar à vila de São João del Rei. Desde então, a música sempre foi uma atividade remunerada por todo o ciclo do ouro.

O seminário de Mariana foi o núcleo formador de músicos, seminaristas e leigos, instruídos por padres da região. Ecos dessa produção só ocorreram pelos idos de 1770, com José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, que alcançou grande sucesso com sua vasta obra marcada pelas influências de Mozart e Pergolesi. Os compositores procuravam estar informados sobre a música européia e graças ao trabalho dos copistas, a divulgação da música se deu por toda a região de Minas Gerais.

Pode-se afirmar que em Minas Gerais, no século XVIII, existiu um profissionalismo musical maior que no resto do continente americano. Essa produção artística, no entanto, sempre dependeu da vitalidade e das condições econômicas das agremiações religiosas e seus mantenedores. Portanto, quando se esgotou o ouro das minas e dos rios esgotou-se também o ciclo cultural artístico barroco.

Todavia, no Brasil, não se justifica o uso da expressão barroco mineiro para designar a música do fim do século XVIII, que pode ser chamada de pré-clássica, pois revela influência decisiva de compositores como Mozart, Haydn e Pergolesi.

Fonte: www.starnews2001.com.br

Barroco

Os ciclos de ocupação da terra sucederam-se em consonância com as possibilidades demográficas e os interesses econômicos. Do litoral para o interior foram se definindo manchas de povoamento que originaram ilhas culturais. Estas, segundo Viana Moog, foram sementes da literatura regionalista, que se faz presente ao longo de toda a história literária do país.
Os ciclos de ocupação da terra sucederam-se em consonância com as possibilidades demográficas e os interesses econômicos. Do litoral para o interior foram se definindo manchas de povoamento que originaram ilhas culturais. Estas, segundo Viana Moog, foram sementes da literatura regionalista, que se faz presente ao longo de toda a história literária do país.

Nesta primeira fase é sensível a presença da Europa: Ibéria, no barroco; Itália, no arcadismo; França, no iluminismo (ver Século das Luzes). Define-se, ainda, a mediação da metrópole na transposição de valores estéticos do arcadismo e iluminismo. As manifestações literárias dos três primeiros séculos brasileiros respondem, antes de mais nada, ao problema da expansão ultramarina. A Carta de Pero Vaz de Caminha, oficializando para Portugal a posse das terras brasileiras, e o Diário de Navegação de Pero Lopes e Martim Afonso de Souza (1530) podem ser incluídos na Literatura de Viagens, gênero definido ao longo do século XV, em Portugal.

O processo expansionista desdobra-se na colonização. Vencido o mar, começa a preocupação com a terra desconhecida, o que significava um desafio, pois, aparentemente, esta era indomesticável. Logo surgiram propostas para vencer a possível resistência e agressividade do índio. Esta preocupação manifesta-se na necessidade de registrar informações, organizar elencos e catálogos. Por estes motivos, são importantes os textos de informação, entre os quais se inserem Tratado da terra do Brasil (1570) e História da província de Santa Cruz (1576), de Pero de Magalhães Gandavo; Narrativa epistolar e o tratado da terra e gente do Brasil (1587), de Gabriel Soares; Diálogo das grandezas do Brasil (1618), de Ambrósio Fernandes Brandão; Diálogo sobre a conversão do gentio, do padre Manuel da Nóbrega; História do Brasil (1627), de frei Vicente de Salvador e os três primeiros séculos das Cartas jesuíticas.

Estes textos descrevem a terra, os costumes silvícolas e revelam a expectativa do colonizador em encontrar ouro e prata. Já os textos jesuíticos, mesmo os literários, de poesia ou teatro, têm como pano de fundo a preocupação missionária, alimentada pelo clima proporcionado pelas resoluções do Concílio de Trento. Esta realidade é facilmente identificada na obra do padre, poeta e dramaturgo José de Anchieta (1534-1597), autor de autos pastoris, entre eles, o Auto representativo da festa de São Lourenço (1583), e de poemas em metros breves, de tradição medieval espanhola e portuguesa, entre os quais se destacam Santíssimo Sacramento e A Santa Inês.

O teatro centra-se no antagonismo entre anjos e demônios, bem e mal, vício e virtude. Nos poemas épicos, Anchieta mostra a influência de Virgílio. O polilingüismo de muitas poesias e autos expressa uma atitude adaptativa ao meio. A palavra escrita ajustava-se à nova realidade, tentando inculcar valores portugueses e cristãos na população autóctone e mestiça que começava a se constituir. Estes primeiros escritos, feitos no Brasil e sobre o Brasil, de acordo com critérios estéticos vigentes no Ocidente, desvendam relações com estilos de vida e arte. São importantes por conterem uma literatura de imaginação, possível raiz do mito ufanista que se projeta através do tempo até a contemporaneidade.

Esteticamente, as criações literárias dos três primeiros séculos são barrocas, neoclássicas e arcádicas. A organização da prosa identifica-se com o barroco no processo de identificação ilusória e sensorial, expresso nos jogos de palavras, trocadilhos e enigmas. Conceitualismo e cultismo, na melhor tradição cultural ibérica, misturam o mitológico ao descritivo, a alegoria ao realismo, o patético ao satírico, o idílico ao dramático. A literatura brasileira nasceu com o barroco, pelas mãos jesuíticas. Neste trabalho merecem destaque o padre António Vieira, Bento Teixeira, Gregório de Matos, Manuel Botelho de Oliveira, secundados por frei Manuel de Santa Maria Itaparica, padre Simão de Vasconcelos, frei Manuel Calado, Francisco de Brito Freire. Quando não integrantes da Companhia de Jesus, muitos destes autores foram educados pelos jesuítas, nos colégios ao lado das igrejas, em aulas de letras e humanidades, focos de transmissão da cultura metropolitana. Nelas, escoava a tradição portuguesa da retórica, base da formação intelectual e literária, preocupada em ensinar a falar e escrever com persuasão e beleza. Projetava-se, também, a postura intelectual da imitação de modelos, realizada nos escritos destes primeiros autores, em variados graus que vão da inspiração à glosa e tradução.

Nesta primeira fase, a literatura brasileira segue o ritmo lusitano do tempo. A obra do jesuíta, catequista e orador sacro Antônio Vieira (1608-1697) tem marcas européias, portuguesas e brasileiras. Os 15 volumes de Sermões são de particular interesse para nossa literatura, principalmente o Sermão do primeiro domingo da Quaresma (1653), que versava sobre a extinção do escravidão dos índios, e o Sermão XIV do rosário (1633), sobre os escravos negros. Na História do futuro, Antônio Vieira escreve um tratado sobre o profetismo, onde defende a mística do "5º Império do Mundo", que seria português, com sede no Brasil. Beirando a heterodoxia, este texto obrigou seu autor a explicar-se ante o Tribunal do Santo Ofício (ver Inquisição). Maior orador sacro do Brasil, o padre Antônio Vieira era um barroco. Sua oratória é prolixa e cheia de alegorias, nas quais revela a argúcia de seu raciocínio.

Bento Teixeira (1561-1600), cristão-novo português, nascido no Porto e morador de Pernambuco, escreveu a Prosopopéia, exaltando o terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Obra barroca, calcada em Os Lusíadas, exalta o herói estóico cristão, realçando valores como o heroísmo, a estirpe, o poder, a glória, a honra, a riqueza, o saber e as virtudes. Inspira-se na terra e revela um caráter social e individual. Criação diretamente estruturada pela realidade, permite a realização, num plano imaginário, de uma coerência jamais atingida pelo autor, cripto-judeu, no plano real.

Gregório de Matos (1838-1696), natural da Bahia, cria uma poética composta de poemas líricos, religiosos e satíricos, nos quais retrata o Brasil com pessimismo realista, mesclado de obscenidades. Pela temática e técnica estilística, é a mais forte expressão individual do barroco na colônia. Manifestação da mestiçagem cultural, Gregório de Matos coloca em seus escritos antíteses, equívocos e jogos de palavras, transpostos dos modelos de Góngora e Quevedo. Sua obra é marcada pelos dualismos: religiosidade e sensualismo, misticismo e erotismo, valores terrenos e aspirações espirituais.

Manoel Botelho de Oliveira (1838-1711) publicou Musica do Parnaso (1705), dividido em quatro coros de rimas portuguesas, castelhanas, italianas e latinas, com seu descante cômico reduzido em duas comédias: Hay amigo para amigos e Amor, Engaños y Celos. Poeta-literato, segue os modelos de Marino Góngora e, em seu processo estilístico, destacam-se a analogia e a acentuação dos contrastes.

Frei Manoel de Santa Maria Itaparica, nascido na Bahia em 1704, escreveu uma epopéia sacra, Eustáquidos (1769), imitação dos épicos, e um poema, "Descrição da cidade da Ilha de Itaparica". Simão de Vasconcelos produziu uma obra de edificação religiosa em que se distingue a Vida do venerável padre José de Anchieta (1672).

Frei Manuel Calado inspira-se na defesa da terra contra invasores estrangeiros para criar Valeroso Lucideno (1648). De autoria de Francisco Brito Freire é A Nova Lusitânia (1675). Nesta primeira fase, não se deve estranhar o teor das manifestações literárias. Primeiro, pela fragilidade da vida intelectual na colônia, fato compreensível uma vez que a colonização foi um fenômeno burguês, com caráter empresarial, visando a produção e o lucro no comércio do açúcar. Não havia público para a produção literária, nem interesse nela, em um meio acrítico e desinteressado da vida cultural. No entanto, não houve deseuropeização: as estruturas do mundo que se erigia eram genuinamente portuguesas, embora passíveis de adoçamentos. As manifestações literárias foram, pois, desdobramentos da literatura portuguesa que, por sua vez, ainda não tinha desenvolvido perfeitamente os gêneros literários. Salvo raras exceções, a literatura barroca produzida na colônia acabou sendo de qualidade inferior. A própria obra de Anchieta, a mais alta expressão do barroco no seu tempo, não teve valor estético de primeira grandeza.

Fonte: portalliterario.sites.uol.com.br

Barroco

No final do século XVI surgiu na Itália uma nova expressão artística, que se contrapunha ao maneirismo e as características remanescentes do Renascimento.

O Barroco (palavra cujo significado tanto pode ser pérola irregular quanto mau gosto) pode ser considerado como uma forma de arte emocional e sensual, ao mesmo tempo em que se caracteriza pela monumentalidade das dimensões, opulência das formas e excesso de ornamentação.

Barroco
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Catedral de Santiago de Compostela

Essa grandiosidade é explicada pela situação histórica, marcada pela reação da Igreja Católica ao movimento protestante e ao mesmo tempo pelo desenvolvimento do regime absolutista. Dessa maneira temos uma arte diretamente comprometida com essa nova realidade, servindo como elemento de propaganda de seus valores.ser explicadas pelo fato de o barroco ter sido um tipo de expressão de cunho propagandista.

Nascido em Roma a partir das formas do cinquecento renascentista, logo se diversificou em vários estilos paralelos, à medida que cada país europeu o adotava e o adaptava às suas própria características.

Enquanto na Itália o barroco apresentou elementos mais "pesados", nos países Protestantes o estilo encontrou componentes mais amenos.

Durante esse período as artes plásticas tiveram um desenvolvimento integrado; a arquitetura, principalmente das Igrejas, incorporaram os ornamentos da estatuária e da pintura.

ESCULTURA BARROCA

Aura barroca teve um importante papel no complemento da arquitetura, tanto na decoração interior como exterior, reforçando a emotividade e a grandiosidade das igrejas. Destaca-se principalmente as obras de Bernini, arquiteto e escultor que dedicou sua obra exclusivamente a projeção da Igreja Católica, na Itália. A principal característica de suas obras é o realismo, tendo-se a impressão de que estão vivas e que poderiam se movimentar.

Barroco
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Santo André, de François Duquesnoy, basílica de São Pedro

As esculturas em mármore procuraram destacar as expressões faciais e as características individuais, cabelos, músculos, lábios, enfim as características específicas destoam nestas obras que procuram glorificar a religiosidade. Multiplicavam-se anjos e arcanjos, santos e virgens, deuses pagãos e heróis míticos, agitando-se nas águas das fontes e surgindo de seus nichos nas fachadas, quando não sustentavam uma viga ou faziam parte dos altares.

Barroco
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Monumento a Richelieu, de François Girardon, Igreja da Sobornne, Paris

ARQUITETURA BARROCA

Na arquitetura barroca, a expressão típica são as Igrejas, construídas em grande quantidade durante o movimento de Contra-Reforma. Rejeitando a simetria do renascimento, destacam o dinamismo e a imponência, reforçados pela emotividade conseguida através de meandros, elementos contorcidos e espirais, produzindo diferentes efeitos visuais, tanto nas fachadas quanto no desenho dos interiores.

Quanto à arquitetura sacra, compõe-se de variados elementos que pretendem dar o efeito de intensa emoção e grandeza. O teto elevado e elaborado com elementos de escultura dão uma dimensão do infinito; as janelas permitem a penetração da luz de modo a destacar as principais esculturas; as colunas transmitem uma impressão de poder e de movimento.

Barroco
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Igreja de Santa Inês, Roma

Quanto à arquitetura palaciana, o palácio barroco era construído em três pavimentos. Os palácios, em vez de se concentrarem num só bloco cúbico, como os renascentistas, parecem estender-se sem limites sobre a paisagem, em várias alas, numa repetição interminável de colunas e janelas. A edificação mais representativa dessa época é o de Versalhes, manifestação messiânica das ambições absolutistas de Luís XIV, o Rei Sol, que pretendia, com essa obra, reunir ao seu redor - para desse modo debilitá-los - todos os nobres poderosos das cortes de seu país.

PINTURA BARROCA

As obras pictóricas barrocas tornaram-se instrumentos da Igreja, como meio de propaganda e ação. Isto não significa uma pintura apenas de santos e anjos, mas de um conjunto de elementos que definem a grandeza de Deus e de suas criações. Os temas favoritos devem ser procurados na Bíblia ou na mitologia greco-romana.

Barroco
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"Baco adolescente", Caravaggio

É a época do hedonismo de Rubens, com seus quadros alegóricos de mulheres rechonchudas, lutando entre robustos guerreiros nus e expressivas feras.

Também é a época dos sublimes retratos de Velázquez, do realismo de Murillo, do naturalismo de Caravaggio, da apoteose de Tiepolo, da dramaticidade de Rembrandt. Em suma, o barroco produziu grandes mestres que, embora trabalhando de acordo com fórmulas diferentes e buscando efeitos diferentes, tinham um ponto em comum: libertar-se da simetria e das composições geométricas, em favor da expressividade e do movimento.

Fonte: www.historianet.com.br

Barroco

A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como termo técnico, estabeleceria, desde seu início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e até mesmo sob formas anárquicas, de grande imperfeição e mal gosto.(Suzy Mello, Barroco. São Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)

No início do século XVII, o Classicismo já estava perdendo a força. Depois de dominar por um século o palco da literatura ocidental, o Classicismo esgotou as renovações trazidos do Renascimento e pouco a pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu, então, o Barroco.

O barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo.

O Barroco é fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII era um ser contraditório, tanto que ele se expressou usando a arte.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano.

O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico prosopopéia, a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós, da autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira. O final do Barroco brasileiro só concretizou em 1768, com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa .

No entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante o século XVIII.

O Barroco no Brasil foi um estilo literário que durou do século XVII ao começo do século XVIII, marcado pelo uso de antíteses e paradoxos que expressavam a visão do mudo barroco numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo.

Momento Histórico

Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. Com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578 D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica.

A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito de Sebastianismo (crença segundo qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.

A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton.

Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.

O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.

Características

O culto da forma manifesta-se tanto na literatura quanto nas artes plásticas do Barroco. Neste detalhe de um grupo de esculturas de Aleijadinho que representa a Última Ceia, não há lugar para a expressão serena das imagens religiosas; os apóstolos revelam intensa agitação, traduzida nos gestos e olhares que trocam a respeito do que acabaram de ouvir de Cristo.

Algumas características da linguagem barroca merecem especial atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que sendo feito de algumas delas em escolas posteriores.

Arte da Contra-Reforma: a ideologia do Barroco é fornecida pela Contra-Reforma. A arte deve ter como objetivo a fém católica.

Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse estado de alma são a antítese e o paradoxo;

"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a Luz, porque não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Começa o Mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância."

(Gregório de Matos)

O tema da fugacidade do tempo, da incerteza da vida, é desenvolvido por meio de um jogo de imagens e idéias que se contrapõem, num sistema de oposições: nasce x não dura; luz x noite escura; tristes sombras x formosura; acaba x nascia.

O espírito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3º ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the question". ("Ser ou não ser, eis a questão...")

Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos; Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas já que a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.

"...Gozai, gozai da flor da formosura,

Antes que o frio da madura idade

Tronco deixe despido, o que é verdura..."

"Lembra-te Deus, que és pós para humilha-te,

E como o teu baixel sempre fraqueja,

Nos mares da vaidade, onde peleja,

Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."

Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo.

Cultismo: é caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido como Gongorismo.

O aspecto exterior imediatamente visível no Cultismo ou Gongorismo é o abuso no emprego de figuras de linguagem como as metáforas, antítese, hipérboles, hipérbatos, anáforas, paronomásias, etc...

"O todo sem a parte não é o todo;

A parte sem o todo não é parte;

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,

E todo assiste inteiro em qualquer parte,

E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica todo."

(Gregório de Matos)

Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceitos; assim a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde reinavam a exuberância e o exagero. Assim, é usual a presença de elementos da lógica formal, como: A – O SILOGISMO: Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. Assim, temos como exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior); ora, eu sou homem (premissa menor); logo, eu sou mortal (conclusão).

Observe a construção dos tercetos finais de um soneto sacro de Gregório de Matos que, referindo-se ao amor de Cristo diz:

"Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

Porém pode ter fim todo o pecar,

E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar

Que, por mais que pequei, neste conflito

Espero em vosso amor de me salvar."

Estes versos encobrem a formulação silogística, como segue:

Premissa maior: O amor infinito de Cristo salva o pecador. Premissa menor: Eu sou um pecador. Conclusão: Logo, eu espero salvar-me.

B – O SOFISMA

É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso, elaborado com a função de enganar.

Exemplo

Muitas nações são capazes de governarem-se por si mesmas; as nações capazes de governarem-se por si mesma não devem submeter-se às leis de um governo despótico. Logo, nenhuma nação deve submeter-se às leis de um governo despótico.

Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes, superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha ao nível de palavra, da imagem; busca mais argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o Conceptismo, predominante na prosa.

Barroco – As Origens da Cultura Brasileira

O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco.

É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subseqüentes, até os nossos dias.

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.

Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;

Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino); Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;

O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal.

Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.

Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

INÍCIO: 1601 – com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.

TÉRMINO: 1768 – com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.

Representantes

Padre Antônio Vieira

Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.

Podemos dividir sua obra em:

Profecias

Constam de três obras:

Em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.

Cartas

São cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.

Sermões

São quase 200 sermões.

De estilo barroco conceptista o pregador português joga com asa idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.

"... Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregdores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, da outra há de estar negro; se de um parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta, que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? ..."

(Fragmento do Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira)

Dentre sua obras mais conhecidas, destacam-se ainda: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e o Sermão de Santo Antônio.

Antigo interior da igreja de Nossa Senhora da Ajuda (Salvador, Bahia), onde vieira proferiu seu Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as Holandas.

Padre Manuel Bernades

Orador sacro português. Nasceu em 1644. Um dos maiores clássicos da língua.

Obras

Luz e Calor, Nova Floresta etc. Morreu em 1710.

Gregório de Matos

O escritor Gregório de Matos Guerra, nascido na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, Gregório de Matos firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra, onde se gradua em Direito. Formado, vive alguns anos em Lisboa exercendo a profissão; por sua sátiras, é obrigado a retornar à Bahia. Em sua terra natal, é convidado a trabalhar com o jesuítas no cargo de tesoureiro-mor da Companhia de Jesus. Ainda por sua sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola; já bastante doente volta ao Brasil, mas sob duas condições: estava proibido de pisar em terras baianas e de apresentar sua sátiras. Morreu em Recife, no ano de 1696.

Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido "Boca do Inferno" –, Gregório também praticou, e com esmero, a poesia religiosa e a lírica. Cultivou tanto o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogo de palavras ao lado de raciocínios sutis, sempre como o uso abusivo de linguagem.

Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras, entre 1923 e 1933, publicou seis volumes, assim distribuídos: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III. Poesia graciosa; IV e V. Poesia satírica; e VI. Últimas.

Poeta religioso

Gregório coloca-se dinate de Deus, como um pecador, pedindo perdão por seus erros e confiante na misericórdia divina.

"Eu sou, Senhor, Ovelha desgarrada;

cobrais: e não queiras, Pastor Divino,

perder na nossa ovelha a vossa glória."

Poeta satírico

Criticava os letrados, os políticos, a corrupção, o relaxamento dos costumes, a cidade da Bahia, ...

"Que os brasileiros são Bestas,

e estão sempre a trabalhar

toda a vida, por manter

Maganos de Portugal."

Poeta lírico

Seu lirismo amoroso se define pelo erotismo, revelando uma sensualidade ora grosseira, ora de rara fineza. Gregório de Matos foi o primeiro poeta que admirou e glorificou a mulata:

"Minha rica mulatinha

Desvelo e cuidado meu."

Bento Teixeira Pinto (1565 – 1600)

É autor de Prosopopéia, poema épico em decassílabos, dispostos em oitava rima, publicado em 1601. Apesar da deficiência, o texto é visto por alguns críticos como iniciador do Barroco no Brasil. Durante muito tempo pensou-se que fosse natural de Recife, cidade descrita no poema, que narra um naufrágio sofrido por Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco. Hoje se admite que teria nascido em Portugal, embora tivesse morado a maior parte da vida no Recife.

Botelho de Oliveira

O primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado, Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) nasceu em uma família afastada de Salvador e estudou Direito em Coimbra. Foi vereador, advogado e agiota.

Escreveu Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de autor nascido no Brasil. A sua fama perdurou como autor do poemeto (silva) A Ilha da Maré, apontando como precursor do nativismo pitoresco.

Barroco – As Origens da Cultura Brasileira

O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco.

É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subseqüentes, até os nossos dias.

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.

Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;

Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino); Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;

O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal. Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.

Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

INÍCIO: 1601

Com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.

TÉRMINO: 1768

Com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.

Fonte: members.tripod.com

Barroco

O que foi o Barroco?

O termo barroco denomina todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início de 1700. É também chamado de Seiscentismo e se estende à música, pintura, escultura e arquitetura.

Em Portugal, teve início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que resultou na forte influência espanhola.

Seu fim se dá com a fundação da Arcádia Lusitana.

Panorama Histórico

O Sebastianismo

Portugal passou os primeiros 25 anos do século XVI no período áureo.

Entretanto, seus 25 últimos anos podem ser considerados o período mais negro. Isso ocorreu graças ao esquecimento da agricultura e dos campos portugueses além de suas colônias não darem riquezas imediatas. Assim a economia declinou.

Alimentando o sonho de transformar Portugal num grande império, D Sebastião aventurou-se em Alcárcer-Quibir onde desapareceu. Inicia-se então, a crise sucessória.

O desaparecimento de D. Sebastião originou o mito do Sebastianismo, crença segundo a qual D. Sebastião voltaria para reclamar o trono que lhe pertencia.

Ilustre Sebastianista

Padre Antônio Vieira: Retomou a crença nas "trovas" de um sapateiro que foi o primeiro a expressar o mito.

O Estilo Barroco

Barroco
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O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras de linguagem.

Veja a seguir as principais características:

Os Dualismos:

O jogo dos contrastes:

Sensualismo

Principais figuras de linguagem presentes no texto barroco

Outros nomes para o estilo Barroco no mundo:

Espanha: Gongorismo
Itália: Marinismo
Inglaterra: Eufuísmo
França: Preciosismo
Alemanha: Silesianismo

Notamos também dois estilos no barroco literário:

Cultismo

Caracterizado pela linguagem extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora. Encontra na poesia sua melhor forma de expressão; Figuras de linguagem; Estilo opulento e suntuoso.

Conceptismo

Marcado pelo jogo de idéias, seguido de um raciocínio lógico. Visível influência: poeta espanhol Quevedo. Encontra na prosa sua melhor forma de expressão; Teor argumentativo; Estilo conciso e ordenado.

Exemplo de Poesia Cultista

Ao braço do Menino Jesus de Nossa Senhora das Maravilhas, a quem infiéis desperdiçaram

O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos diz as partes todas deste todo.

Uma critica Conceptista ao estilo Cultista

Se gostas da afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam culto, não me leias. Quando este estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. [...]

A Produção Literária

Padre Antônio Vieira

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Padre Antônio Vieira

A produção literária de Vieira se compõe de profecias, cartas e sermões. Nas três obra proféticas que deixou, defendia o Sebastianismo.

O melhor da produção de Vieira são os sermões em estilo Barroco Conceptista.

Veja um de seus sermões a seguir:

Sermão da Sexagésima

[...] Compara Cristo, o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte. Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele? - O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o céu. Suposto que o céu é pregador, deve de ter sermões e deve de ter palavras. Sim, tem, diz o mesmo David; tem palavras e tem sermões; e mais, muito bem ouvidos. E quais são estes sermões e estas palavras do céu? -- As palavras são as estrelas, os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas. Vede como diz o estilo de pregar do céu, com o estilo que Cristo ensinou na terra. Um e outro é semear; a terra semeada de trigo, o céu semeado de estrelas. O pregar há-de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Se de uma parte há-de estar branco, da outra há-de estar negro; se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão-de dizer subiu.

Francisco Rodrigues Lobo

A importância de Francisco Rodrigues deve a sua obra “Corte na Aldeia”. O título, ainda que paradoxal, ilustra a situação política de Portugal: com o domínio espanhol, os nobres da corte lusitana são forçados a se exilar na ‘’aldeia’’. Foi o 1º trabalho português a discorrer sobre elementos teóricos do barroco.

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A Arte de Furtar (Anônimo)

Obra anônima que se apresenta, irônica e bem-humorada, a critica social de época de D. João IV, desmascarando desde falsos mendigos até os mais altos escalões da corte.

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Veja um pequeno fragmento da obra, a seguir:

Quando Alexandre Magno conquistava o mundo, repreendeu um corsário, que houve às mãos, por andar infestando os mares da Índia com dez navios. E respondeu-lhe discreto: "[...] Eu furto o que me é necessário, Vossa Alteza o que lhe é supérfluo. Diga-me agora: qual de nós é maior pirata e qual merece melhor essa repreensão?". Quis dizer nisto que também há reis ladrões, e que há ladrões que furtam o que lhes é necessário; e que há ladrões que furtam também o supérfluo. Esses são ladrões por natureza e aqueles o são por desgraça

Barroco

Fênix Renascida

Cancioneiro da poesia seiscentista, apresenta poemas Cultistas, Conceptistas e poesias de influência camoniana

Barroco

Veja a seguir um exemplo de poema existente no cancioneiro:

Poema Cultista

A F., favorecendo com a boca e desprezando com os olhos

Quando o Sol nasce e a sombra principia
A doce abelha, a borboleta airosa
Procura luz ardente e fresca rosa,
Que faz a terra céu e a noite dia.

Mas quando à flor se entrega, à luz se fia,
Uma fica infeliz, outra ditosa,
Pois vive a abelha e morre a mariposa
Na favorável rosa e chama ímpia.

Fílis, abelha sou, sou borboleta,
Que com afecto igual, com igual sorte,
Busco em vós melhor luz, flor mais selecta.

Mas quando a flor é branda, a chama é forte,
Néctar acho na flor, na luz cometa;
A boca me dá vida, os olhos morte.

Poema Conceptista

A uma ausência

Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal que me consome me sustenta;
O bem que me entretém me dá cuidado.

Ando sem me mover; falo calado;
O que mais perto vejo se me ausenta;
E o que estou sem ver mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado.

Choro no mesmo ponto em que me rio;
No mor risco me anima a confiança;
Do que menos se espera estou mais certo.

Mas se de confiado desconfio,
É porque entre os receios da mudança,
Ando perdido em mim como em deserto.

Sóror Mariana Alcoforado:

A obra Lettres portugaises traduites en français reunia 5 cartas de amor escritas por uma religiosa portuguesa, endereçadas a um conde francês.

A religiosa com o nome de Sóror Mariana Alcoforado se apaixona por um general Frances que servia a Portugal.

Alguns estudiosos acreditam que a obra tinha sido escrito por um Frances e que a religiosa seria apenas uma simulação.

As cartas apresentam 2 pontos de interesse:

Terceira carta

Pobre de mim! Digna de lástima que sou por não poder partilhar contigo as minhas penas e ser eu só a desgraçada! Tira-me a vida este pensamento. Morro de desgosto ao imaginar que nunca gozaste verdadeiramente os nossos enlevos.

[...] Consideraste a minha paixão uma vitória tua sem que o teu coração nela entrasse em coisa nenhuma. És assim tão vil e tens tão pouca delicadeza que não soubeste tirar maiores proveitos dos meus arrebatamentos? [...] Ai, se as provara, veras que eram mais gostosas que as satisfações de me haveres seduzido, e reconhecerias que se é mais feliz e que é bem mais agradável amar com ardor do que ser amado.

Não sei já o que sou, nem o que faço, nem o que quero. Espedaçam-me impulsos desencontrados. Alguém poderá imaginar um estado tão lastimoso? Amo-te doidamente e quero-te também que nem me atrevo a desejar que em ti se renovem arrebatamentos iguais aos meus. Morria ou acabaria por morrer de mágoas se estiver certa de que não podias ter descanso, que a tua vida era só desassossego, causava desgosto.

Não sei por que te escrevo. Vejo bem que só te mereço compaixão e não quero a tua compaixão. Desprezo-me a mim mesma quando considero em tudo o que te sacrifiquei. Perdi a reputação, provoquei as tiras dos meus, os rigores das leis deste Reino para com as freiras e a tua ingratidão que me parece o pior de todos estes males.

D. Francisco Manuel de Melo:

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D. Francisco Manuel de Melo

Seus poemas são marcados, segundo suas próprias palavras, pelo brilho verbal, sutileza da idéia.

Para o palco escreveu a comédia Auto do Fidalgo aprendiz e também outras obras de caráter moralista: Cartas familiares, carta de guia de casados.

Frei Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho)

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Frei Luís de Sousa

Sua obra mais significativa foi a biografia intitulada: Frei Bartolomeu dos Mártires

Antônio José da Silva, o “Judeu”

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Antônio José da Silva, o “Judeu”

Escreveu comédias para um novo tipo de teatro: a ópera de bonecos, que eram representados por bonecos de cortiça. Suas peças mais importantes são: A vida do grande D. Quixote De La Mancha e do gordo Sancho Pança; As guerras do Alecrim e da Mangerona.

André Luis
Felipe Muller
Fernanda Schmidt
Gabriela Teixeira
Henrique Golfetto
Lívia Benatti
Louise Toledo
Mariana Fiori
Mayara Telle
Ricardo Piscitelli
Rafaela Piris
Sarah Helena
Rafael Spanhol

Colégio São Francisco
Professor: André Garcia

Barroco

A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis.

As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.

É uma época de conflitos espirituais e religiosos.

O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; paganismo e cristianismo; espírito e matéria.

Suas características gerais são:

Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.

Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas;

Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;

Violentos contrastes de luz e sombra;

Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida.

PINTURA

Características da pintura barroca:

Composição assimétrica, em diagonal - que se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista.

Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos) - era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade.

Realista, abrangendo todas as camadas sociais.

Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.

Dentre os pintores barrocos italianos:

Caravaggio

O que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do observador.

Obra destacada

Vocação de São Mateus.

Andrea Pozzo

Realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade.

Obra destacada

A Glória de Santo Inácio.

A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco.

Dentre os pintores mais representativos, de outros países da Europa, temos:

Velázquez

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O Bobo da Corte Sebastián de Morra

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Vênus ao Espelho

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As Meninas

Além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história.

Obra destacada

O Conde Duque de Olivares.

Rubens (espanhol)

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Retrato de Susanna Fourment

Além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.

Obra destacada

O Jardim do Amor.

Rembrandt (holandês)

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Lição de Anatomia do Dr. Tulp

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Mulher Banhando-se num Córrego

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Os Síndicos da Corporação de Tecelões de Amsterdam

O que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa.

Obra destacada

Aula de Anatomia.

ESCULTURA

Suas características são: o predomío das linhas curvas, dos drapeados das vestes e do uso do dourado; e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento.

Bernini

Arquiteto, urbanista, decorador e escultor, algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Obra destacada

A Praça de São Pedro, Vaticano e o Êxtase de Santa Teresa.

Para seu conhecimento

Barroco

Termo de origem espanhola ‘Barrueco’, aplicado para designar pérolas de forma irregular.

Barroco Brasileiro

O estilo barroco desenvolveu-se plenamente no Brasil durante o século XVIII, perdurando ainda no início do século XIX.

O barroco brasileiro é claramente associado à religião católica. Duas linhas diferentes caracterizam o estilo barroco brasileiro.

Nas regiões enriquecidas pelo comércio de açúcar e pela mineração, encontramos igrejas com trabalhos em relevos feitos em madeira - as talhas - recobertas por finas camadas de ouro, com janelas, cornijas e portas decoradas com detalhados trabalhos de escultura. Já nas regiões onde não existia nem açúcar nem ouro, as igrejas apresentam talhas modestas e os trabalhos foram realizados por artistas menos experientes e famosos do que os que viviam nas regiões mais ricas.

O ponto culminante da integração entre arquitetura, escultura, talha e pintura aparece em Minas Gerais, sem dúvida a partir dos trabalhos de:

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho - seu projeto para a igreja de São Francisco, em Ouro Preto, por exemplo, bem como a sua realização, expressam uma obra de arte plena e perfeita. Desde a portada, com um belíssimo trabalho de medalhões, anjos e fitas esculpidos em pedra-sabão, o visitante já tem certeza de que está diante de um artista completo. Além de extraordinário arquiteto e decorador de igrejas foi também incomparável escultor. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra-sabão de doze profetas, cada um desses personagens numa posição diferente e executa gestos que se coordenam. Com isso, ele conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito forte para o observador a sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando.

Características da escultura de Aleijadinho:

Manuel da Costa Ataíde

Suas pinturas em tetos das igrejas seguiam as características do estilo barroco, e aliavam-se perfeitamente às esculturas e arquitetura de Aleijadinho.

Obra Destacada

Pintura do Teto da Igreja de São Francisco de Assis.

Para seu conhecimento

O Mestre Ataíde pintou várias igrejas de Minas Gerais com um estilo próprio e bem brasileiro.

Usava cores vivas e alegres e gostava muito do azul. Ataíde utilizava tanto a tinta a óleo (que era importada da Europa) como a têmpera. Os pintores da época nem sempre podiam importar suas tintas. Faziam então suas próprias cores com pigmentos e solventes naturais aqui da terra. Entre outros, usavam terra queimada, leite e óleo de baleia, clara de ovo, além de extratos de plantas e flores. E é claro criavam suas próprias receitas que eram mantidas em segredo.

Talvez por isso é que se diz que não existe, no mundo inteiro, um colorido como o das cidades mineiras da época do barroco.

Barroco
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Basílica de Congonhas

Fonte: www.historiadaarte.com.br

Barroco

Introdução

O tempo barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.

Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro, com sentimento nativista manifesto, na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole. Ou, como afirma Alfredo Bosi: "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano". Além disso, os dois principais autores Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil. Por essas razões, neste capítulo não separaremos as manifestações barrocas de Portugal e do Brasil.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano.

O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira, que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII.

O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, já a partir de 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, o movimento academicista ganhava corpo, assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroso e a ascensão do movimento árcade.

Momento Histórico

Se o início do século XVI, notadamente seus primeiros 25 anos, pode ser considerado o período áureo de Portugal, não é menos verdade que os 25 últimos anos desse mesmo século podem ser considerados o período mais negro de sua história.

O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. Ao mesmo tempo que Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. As colônias, principalmente o Brasil, não deram a Portugal riquezas imediatas; com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578, levando adiante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império, D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Filipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica tal situação permaneceria até 1640, quando ocorre a Restauração (Portugal recupera sua autonomia).

A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.

A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científico-cultural.

Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton, a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval.

Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divid e. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.

É nesse clima que se desenvolve a estética barroca, notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol, já que a Espanha é o principal foco irradiador do novo estilo.

O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.

Características

O estilo barroco nasceu da crise de valores renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em conseqüência da falência do comércio com o Oriente. O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria.

Todo o rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.

Podemos notar dois estilos no barroco literário:

1. Cultismo

É caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante (hipérboles), descritiva; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras (ludismo verbal), com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo. No cultismo valoriza-se o "como dizer".

2. Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada (arte de bem falar, ou escrever, com o propósito de convencer; oratória). Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Valoriza-se, neste estilo, "o que dizer".

Na literatura, as características principais são:

Culto do contraste

O poeta barroco se sente dividido, confuso. A obra é marcada pelo dualismo: carne X espírito, vida X morte, luz X sombra, racional X místico. Por isso, o emprego de antíteses.

Pessimismo

Devido a tensão (dualidade), o poeta barroco não tinha nenhuma perspectiva diante da vida.

Literatura moralista

A literatura tornou-se um importante instrumento para educar e para "pregar" por parte dos religiosos (padres).

Fonte: www.crazymania.com.br

Barroco

O termo barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.

Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro, com sentimento nativista manifesto, na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole, Ou, como afirma Alfredo Bosi; "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do Barroquismo ibérico e italiano''. Além disso, os dois principais autores - Pe. Antônio Vieira e Gregório de Matos tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano.

O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, já em pleno governo do Marquês de Pombal, aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista, que caracterizará a segunda metade do século XVIII.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira, que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII.

O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, já a partir de 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, o movimento academicista ganhava corpo, assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroco e a ascensão do movimento árcade.

O estilo barroco nasceu da crise de valores renascentistas ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em conseqüência da falência do comércio com o Oriente. O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tentou evadir-se pelo, culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria.

Todo o rebuscamento que aflora na arte barroca é reflexo do dilema, do conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo e teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. A arte assume, assim, uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.

Podemos notar dois estilos no barroco literário o Cultismo e o Conceptismo.

O Cultismo

É caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora daí o estilo ser também conhecido por Gongorismo.

O Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Barroco

O Barroco foi um período estilístico e filosófico da História da sociedade ocidental, ocorrido desde meados do século XVI até ao século XVIII. Foi inspirado no fervor religioso e na passionalidade da Contra-reforma.

Didaticamente falando, o Período barroco, vai de 1580 a 1756.

O termo "barroco" advém da palavra portuguesa homónima que significa "pérola imperfeita", ou por extensão jóia falsa. A palavra foi rapidamente introduzida nas línguas francesa e italiana.

O período barroco

O ano de 1580 é significativo, marcado pela morte de Camões , e pelo fim da autonomia política de Portugal, com o desaparecimento do rei , na África, sendo que o sucessor foi Filipe II de Espanha, que anexou o reino português aos seus domínios, na chamada União Ibérica.

O capitólio político passou a ser Madrid, tendo Portugal perdido, além do seu foco político, a importância foco cultural. No século que se seguiu (século XVII), a influência predominante passou a ser a espanhola que se tornou marcante na cultura portuguesa e durante este mesmo período, brotam aos olhos da Espanha uma riquíssima geração de escritores, como Gôngora, Quevedo, Miguel de Cervantes, Félix Lope de Vega e Calderón de la Barca além de muitos outros.

Em 1640, Portugal inicia a empreitada na reconquista da posição no cenário europeu, libertando-se do domínio espanhol, após D. João IV, da dinastia de Bragança, subir ao trono. Até 1668, muitas lutas ocorreram, contra a Espanha, na defesa da independência e contra os holandeses, em busca de recuperar as colônias da África Ocidental e parte do Brasil.

Este foi um período de intensa agitação social, com esforços permanentes em busca do restabelecimento da vida econômica, política e cultural. Publicaram-se várias obras panfletárias clandestinas, que denotavam posição contrária a corrupção do Estado e a exploração do povo. A mais famosa e significativa é a Arte de Furtar, cuja autoria está atribuída desde 1941 ao Padre Manuel da Costa e é hoje praticamente incontestada (vide a indispensável edição crítica da obra por Roger Bismut, Imprensa Nacional, 1991).

Marquês de Pombal, ministro do rei Dom José, subiu ao poder em 1750, com propostas renovadoras, que inauguraram uma nova fase na história cultural portuguesa. Em 1756, a Arcádia Lusitana demarcou o início de novas concepções literárias.

No Brasil, o período foi marcado por novas diretrizes na política de colonização, e estabeleceram-se engenhos de cana-de-açúcar na Bahia. Salvador, como capital do Brasil, transformou-se em um núcleo populacional importante, e como consequência, um centro cultural que, mesmo timidamente, fez surgir grandes figuras, como Gregório de Matos.

O Barroco Brasileiro teve início em 1601, tendo como obra significativa, Prosopopéia, de Bento Teixeira, terminando com as obras de Cláudio Manuel da Costa, em 1768, uma introdução ao Neoclassicismo.

O barroco foi desenvolvido no século XVII. Nesse período, o terror provocado pela inquisição tentava limitar pensamentos, manifestações culturais e impor a austeridade.

Arte barroca

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Igreja de Santo André de Qurinale,
projetada por Gian Lorenzo Bernini.

Embora tenha o Barroco assumido diversas características ao longo da história, o surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cénico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.

O Barroco é o estilo da Reforma católica também denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a França, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.

O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os "autos sacramentais", peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.

Contrariamente à arte do Renascimento, que pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos, no Barroco há uma exaltação dos sentimentos, a religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.

Além da temática religiosa, os temas mitológicos e a pintura que exaltava o direito divino dos reis (teoria defendida pela Igreja e pelo Estado Nacional Absolutista que se consolidava) também eram freqüentes.

De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da Idade Média, num ressurgimento da visão teocêntrica do mundo. E não é por acaso que a arte barroca nasce em Roma, a capital do catolicismo

A escola literária barroca é marcada pela presença constante da dualidade. Antropocentrismo versus teocentrismo, céu versus inferno, religião versus ciência, entre outras constantes.

Contudo, não há como colocar o Barroco simplesmente como uma retomada do fervor cristão. A grande diferença do período medieval é que agora o ser humano, depois do Renascimento, tem consciência de si e vê que também tem valor - com exemplos em estudos de anatomia e avanços científicos o ser humano deixa de colocar tudo nas mãos de Deus.

O Barroco caracteriza-se, portanto, num período de dualidades; num eterno jogo de poderes entre divino e humano, no qual não há mais certezas. A dúvida é que rege a arte deste período. E nas emoções o artista vê uma ponte entre os dois mundos, assim, tenta desvendá-las nas representações.

A arte barroca nasceu na Itália, no século XVII, e acabou se espalhado pela Europa e colônias americanas. Era uma arte de formas opulentas e rebuscadas, que encontrou na Igreja Católica um espaço importante de manifestação, numa época em que se via ameaçada pelas igrejas protestantes.

O Barroco brasileiro caracterizou-se pela grande riqueza de detalhes nos ornamentos dos interiores da igreja e nas fachadas das edificações.

Embora seja um movimento artístico de origem européia, no Brasil adquiriu características diferentes principalmente no uso de cores mais fortes.

Arquitetura barroca

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Fachada da Igreja de San Borromeo,
em Noto, Sicilia.

A arquitectura (português europeu) ou arquitetura (português brasileiro) barroca é o estilo arquitectónico praticado durante o período barroco, que inicia-se a partir do século XVII e decorre até a primeira metade do século XVIII. A palavra portuguesa "barroco" define uma pérola de formato irregular.

Definição

O barroco é libertação espacial, é libertação mental das regras dos tratadistas, das convenções, da geometria elementar.

É libertação da simetria e da antítese entre espaço interior e exterior.

Por essa ser a vontade, de libertação, o barroco assume um significado do estado psicológico de liberdade e de uma atitude criativa liberta de preconceitos intelectuais e formais.

É a separação da realidade artística do maneirismo. A arquitetura barroca ocorreu em vários países cristãos da Europa como Itália, Áustria, Espanha e Portugal. Países protestantes como a Inglaterra não apresentam a arquitetura barroca.

O barroco e a religião

O Concílio de Trento, o 19º concílio ecuménico, convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica, realizou-se de 1545 a 1563, no contexto da reação da Igreja Católica à cisão vivida na Europa do século XVI, diante da Reforma Protestante. É conhecido como o Concílio da Contra-Reforma e foi o mais longo da história da Igreja.

O Concílio emitiu numerosos decretos disciplinares, em oposição aos protestantes e estandardizou a missa, abolindo largamente as variações locais. Regulou também as obrigações dos bispos e confirmou a presença de Cristo na eucaristia.

Definiu, de forma explícita, que a arte deve estar a serviço dos ritos da Igreja, através de imagens, tidas como elementos mediadores entre a humanidade e Deus. Os protestantes iconoclastas criticam precisamente esse amplo uso de imagens sagradas. Para os teóricos da Contra-Reforma, no entanto, tais imagens constituem um meio privilegiado de doutrina cristã e da história sagrada.

O barroco e a forma

Em termos artísticos, o barroco vai utilizar a escala como valor plástico de primeira grandeza. Os efeitos volumétricos são também elementos essenciais na arquitectura barroca.

Principais artistas e obras da arquiteturas barroca

Barroco
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Igreja de Sant'Agnese in Agone

Francesco Borromini, que entre muitas obras construiu em Roma o San Carlo alle Quattro Fontane. Surge aí a associação entre elementos retos e elementos curvos, utilizando formas ambivalentes.

A fachada é visualmente dinâmica, o que não deixa os espectadores parados. Exibe uma complexidade em termos de organização, côncava, convexa e retas; é este dinamismo que o barroco impõe. Cria-se um portal monumental, que joga com várias formas, desloca-se o sino para a zona da fonte, em vez da zona central, destacando assim também a importância da fonte, como elemento criativo e funcional integrado na arquitectura. Borromini foi ainda o autor de igreja de Sant'Agnese in Agone, na Piazza Navona, e de Sant'Andrea delle Fratte, ambas em Roma.

O francês François Mansart é um dos mais importantes arquitectos do barroco, com obras tão importantes como Château de Maisons (hoje Château de Maisons-Laffitte), a igreja do Val-de-Grâce'' e o Temple du Marais (estes dois últimos em Paris).

Louis Le Vau foi o autor do Château de Vaux-le-Vicomte, considerada como uma das influentes obras da época. A relação pátio-jardim é verdadeiramente revolucionária. Os jardins, projectados por André Le Nôtre, deixam de ser um mero complemento do edifício e ganham um prolongamento que vai para além da construção do château em si. Os jardins de Le Nôtre, sempre fortemente marcados pela axialidade, tocam, a partir do olhar do observador, no horizonte, realizando o que o autor C. Norberg Schulz chama de experiência de um espaço infinito.

Jules Hardouin-Mansart é outro importante arquiteto do barroco, cujas obras mais importantes são o Palácio de Versailles, em que a planta é elíptica e os jogos de luz criam contrastes visuais. A Catedral de Saint-Louis-des-Invalides e o Grand Trianon também são de sua autoria.

Claude Perrault é outro importante arquitecto francês, ainda que menos célebre. A fachada oriental que desenhou para o Palais du Louvre é um excelente exemplo da arquitectura barroca francesa. Em todo o espaço cria-se uma multiplicidade cenográfica. O muro não é entendido como um limite, mas como realidade espacial privilegiada para conter movimento.

Escultura do Barroco

A escultura barroca é marcada por um intenso dramatismo, pela exuberância das formas, pelas expressões teatrais e pela luz e movimento. As figuras que exibem dramatismo, faces expressivas e roupas esvoaçantes. Na Itália, destacou-se o trabalho de Bernini. Em Portugal, António Ferreira e Machado de Castro foram os escultores de maior relevo. No Brasil tornou-se célebre o Aleijadinho.

A escultura barroca contraria a idéia anterior do Renascimento: a sobriedade e racionalidade das formas. Este pensamento não se demostrou apenas na escultura mas também na pintura, moda, escrita e mesmo no modo de vida das pessoas. Um excelente exemplo da escultura típica do Barroco é o O Êxtase de Santa Teresa do consagrado escultor, Bernini.

Pintura barroca

Barroco
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Adoração, por Peter Paul Rubens

Essa intensidade dramática do Barroco está bem exemplificada na pintura de Rubens.

Este pintor flamengo, que viveu de 1577 a 1640, é considerado um dos maiores expoentes de todo o Barroco e um dos maiores gênios da pintura de toda a História da Arte.

Dentre as obras, podemos citar como pintura de tema mitológico o quadro “O Rapto das Filhas de Leucipo”. De tema religioso, “Sansão e Dalila”, da passagem bíblica do Velho Testamento. E, como exemplo de pintura que exalta a nobreza, temos a série de quadros sobre a vida de Maria de Médici, feitos por encomenda para a rainha-mãe e regente da França.

Nos estados protestantes, a pintura barroca assumiu características diferentes. Como nesses países havia condições favoráveis à liberdade de pensamento, a investigação científica iniciada no Renascimento pôde prosseguir, permitindo assim a confecção de quadros como “A aula de anatomia do Dr.Tulp”, de Rembrandt.

A força da burguesia nesses estados – e especificamente na Holanda – levou a pintura aos temas burgueses e de cenas da vida comum, como “A Ronda Noturna”, também de Rembrandt.

O método favorito empregado pelo barroco para ilustrar a profundidade espacial é o uso dos primeiros planos super dimensionados em figuras trazidas para muito perto do espectador e a redução no tamanho dos motivos no plano de fundo.

Outras características são a tendência de substituir o absoluto pelo relativo, a maior rigidez pela maior liberdade, predileção pela forma aberta que parecem apontar para além delas próprias, ser capazes de continuação, um lado da composição é sempre mais enfatizado do que o outro.

É uma tentativa de suscitar no observador o sentimento de inesgotabilidade e infinidade de representação, uma tendência que domina toda a arte barroca.

Outra característica marcante da pintura barroca em geral é o efeito de ilusão comum nos artistas. Manifesta-se claramente nas pinturas feitas em tectos e paredes de igrejas ou palácios. Os artistas pintam cenas e elementos arquitetônicos (colunas, escadas, balcões, degraus) que dão uma incrível ilusão de movimento e ampliação de espaço, chegando, em alguns casos, a dar a impressão de que a pintura é a realidade e a parede, de facto, não existe.

Outra característica da pintura barroca é a exploração do jogo de luz e sombra, como se pode observar, por exemplo, na obra do pintor italiano Caravaggio, que teve vários seguidores, dentro e fora da Itália.

Podemos citar como exemplos de artistas barrocos:

Literatura Barroca

Iniciou-se em 1580, com a unificação da Península Ibérica. No Brasil o Barroco teve início em 1601, com a publicação do poema épico Pro-sopopéia, de Bento Teixeira.

Suas principais características são o culto exagerado da forma, o que implica no uso das figuras de linguagem( principalmente metáfora, antítese e hipérbole.)e o conflito entre o terreno e o celestial. A literatura Barroca possui como marcos estilísticos o Exagero, a Dualidade e a Religiosidade.

O Movimento Barroco se deu em meio a diversos acontecimentos históricos importantes tais como: achamento das terras americanas, mudança do comércio mundial, solidificação da Inquisição e do poder do Clero e o Absolutismo Político. Seus principais autores são Padre Antonio Vieira e Gregório de Matos.

No estilo encontramos o pessimismo, exagero emocional, as contradições imperam(uso de antíteses, paradoxos e oxímoros). Já o dualismo estilístico é caracterizado pelos estilos cultista e conceptista.

Cultismo: jogo de palavras.
Conceptismo: jogo de idéias.

Os autores brasileiros mais importantes do período foram Gregório de Matos Guerra e Padre António Vieira.

Cronologicamente, o movimento se inicia no século XVI e vai até o século XVII.

É um movimento dionisíaco e de transição (divisão): teocentrismo (teoria que Deus era o centro de tudo) ? antropocentrismo (o homem é o centro de tudo).

Música barroca

Barroco
George Frideric Handel, 1733

O termo Barroco é também usado para designar o estilo de música composta durante o período que está em sobreposição com o da Arte barroca mas, em geral, encompassa um período um pouco mais longo.

Antonio Vivaldi, J.S. Bach e G.F. Handel são freqüentemente considerados figuras culminantes deste período.

Ainda é um assunto muito debatido academicamente sobre até que ponto a música barroca compartilha princípios de estética com a arte visual e literária do Barroco.

Um elemento compartilhado muito óbvio é a adoração pela ornamentação, e talvez significante em que o papel da ornamentação em música como em arquitetura diminuiu muito conforme o Barroco abriu caminho para o Período Clássico.

Deve-se notar que o uso do termo barroco em música é relativamente um desenvolvimento recente.

O primeiro uso da palavra barroco em música foi em 1919, por Curt Sachs, e não foi até 1940 quando foi usado em inglês pela primeira vez, em um artigo publicado por Manfred Bukofzer. Até recentemente, em 1960, ainda havia disputa considerável em círculos acadêmicos se música tão diversa como a de Jacopo Peri, François Couperin e J. S. Bach poderiam ser relevantemente unidas por um único termo estilístico.

Muitos estilos musicais nasceram durante aquela era, como o concerto e sinfonia. Estilos tais como a sonata, cantata e oratório também floriram.

A opera nasceu de uma experiência da Camerata florentina, os criadores da monodia, que tentavam recriar a arte teatral da Grécia antiga. De fato, foi exatamente este desenvolvimento que muitas vezes denotam o início da música barroca, por volta de 1600. Uma técnica importante usada na música barroca foi o uso do baixo ostinato, um figura repetitiva na linha do baixo. O Lamento de Dido de Henry Purcell é um exemplo famoso desta técnica.

Fonte: pt.wikipedia.org

 

 

 

 

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