Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Ilha de Rodes  Voltar

Ilha de Rodes

A ilha de Rodes, terra grega junto à costa turca, parece navegar num mar morno e azul por entre épocas e culturas: castelos de cruzados, ruínas dóricas e minaretes de antigas mesquitas brotam da paisagem a cada instante. Relato de uma viagem à ilha de Rodes, a maior do Dodecaneso, na Grécia.

O BARCO DE PEDRA

Ilha de Rodes
Ilha de Rodes, Grécia

Rodes é a maior ilha da península do Dodecaneso, cuja localização geográfica resultou numa história particularmente agitada: foi base e fortaleza dos cruzados entre 1300 e 1522, ocupada por otomanos e italianos, palco de guerra entre britânicos e alemães nos anos de 1943-44. Tornou-se definitivamente grega em 1948, mas continua a existir um sentimento de ameaça graças à proximidade da costa turca.

A mistura arquitetônica é única, com a cidade de medieval de Rodes, cenário de filmes de época, a destacar-se, e inúmeros marcos históricos abertos visita: as ruínas da cidade dórica de Kameirós, a fortaleza de Lindós, majestosos edifícios públicos, geralmente de construção italiana, mesquitas e palácios otomanos dispersos um pouco por todo o lado. A ilha possui ainda um coberto vegetal generoso, que ocupa mais de trinta por cento do solo, devido à abundância de água - coisa de que poucas ilhas gregas se podem gabar. Se lhe juntarmos o enquadramento mediterrânico de mar ameno e transparente e temperaturas agradáveis, temos o cenário ideal para umas férias de sonho que uma média de cem mil turistas, provenientes sobretudo do Norte da Europa e de Itália, aproveitam durante nove meses por ano.

RODES, A CIDADE

Cheguei de Creta depois de onze horas de viagem, e a vista sobre a cidade não podia ser mais impressionante: uma cortina de muralhas desdobrava-se ao longo da costa, interrompida apenas pelas ameias de um castelo, uma cúpula oriental pintada de amarelo e os cedros escuros que se levantavam de um jardim. Na sua frente deslizavam grandes barcos brancos carregados de turistas. Para entrar na cidade antiga é preciso passar por um dos grandes arcos com portas de acesso, todos restaurados na perfeição - só falta o fosso com crocodilos e a ponte levadiça, para a viagem no tempo ser ainda mais completa. À noite, algumas destas portas são fechadas, e as ruelas estreitas ficam ainda mais quietas. É uma delícia deambular por estas vielas, sobretudo nas zonas fechadas ao trânsito automóvel. Calcetadas com seixos da praia brancos e pretos, geralmente formando desenhos (barcos, flores, sóis...), decoradas com cachos de buganvílias, parreiras com uvas e jasmins, e muitas delas ainda com arcos que unem as casas dos dois lados da rua, uma estética prevenção contra os frequentes sismos da zona.

Ilha de Rodes
Ilha de Rodes, Grécia

De todo o lado saem cúpulas, minaretes e torreões de muralhas; duas grandes praças com esplanadas marcam a presença de antigas mesquitas no mais puro estilo otomano, assim como os complementares lava-pés, mimosos e bem desenhados, usados agora como banheira pelos pássaros.

A mais impressionante é, sem dúvida, a Mesquita de Suleimane: s riscas vermelhas e brancas, no alto de uma colina e não muito longe dos banhos turcos, alcança-se por ruas que são autênticas feiras, labirintos de lojas de joalharia de ouro, cerâmicas modernas a imitar cerâmicas antigas, peças de couro e T-shirts “eu estive em Rodes” - uma homenagem aos souks do Médio Oriente. A sinagoga, das mais barrocamente decoradas que conheço, relembra os milhares de judeus levados daqui pelas forças nazis, e que nunca mais voltaram. O imponente Palácio dos Senhores está recheado de estátuas, mosaicos, e uma excelente colecção que documenta a presença dos cruzados na ilha. Mais adiante, na Rua dos Cavaleiros, onde se situavam as suas estalagens, encontramos uma mansão otomana com um belo pátio sombrio e arborizado, decorado por bolas de canhão feitas em pedra, provavelmente destinadas a serem lançadas de catapulta.

E este deve ser o objeto decorativo mais comum por aqui: mais ao menos por todo o lado, nas ruas e pelos jardins, em cima de muros e em varandas, é normal as pessoas terem duas ou três bolas de canhão, como se fossem vasos de flores.

voltar 1234567avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal