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Parnasianismo

 

parnasianismo é uma estética literária de caráter exclusivamente poético, que reagiu contra os abusos sentimentais dos românticos. A poesia parnasiana voltada para onde há o ideal da perfeição estética e a sublimação da "arte pela arte".

Teve como sua primeira obra Fanfarras(1882), de Teófilo Dias. Parnasse (em português, parnaso e daí parnasianismo):origina-se de Parnassus, região montanhosa da Grécia. Segundo a lenda, ali moravam os poetas.

Alguns críticos chegaram a considerar o parnasianismo uma espécie de realismo na poesia. Tal aproximação é suspeita as duas correntes apresentam visões de mundo distintas. O autor realista percebe a crise da ‘síntese burguesa’, já não acredita em nenhum dos valores da classe dominante e a fustiga social e moralmente.

Em compensação o autor parnasiano mantém uma soberba indiferença frente aos dramas do cotidiano, isolando-se na "torre de marfim", onde elabora teorias formalistas de acordo com a inconseqüência e o hedonismo das frações burguesas vitoriosas.

Contexto Histórico

Grandes acontecimentos históricos marcaram a geração dos parnasianos brasileiros.

A abolição da escravatura (1888) coincide com a estréia literária de Olavo Bilac. No ano seguinte houve a queda do regime imperial com a Proclamação da República.

A transição do séculoXIX para o século XX representou para o Brasil: um período de consolidação das novas instituições republicanas; fim do regime militar e desenvolvimento dos governos civis; restauração das finanças; impulso ao progresso material.

Depois das agitações do início da República, o Brasil atravessou um período de paz política e de prosperidade econômica. Um ano após a proclamação da República, instalou-se a primeira Constituição e, em fins de 1891, Marechal Deodoro dissolve o Congresso e renuncia ao poder, sendo substituído pelo "Marechal de Ferro", Floriano Peixoto.

Características

Arte pela arte: Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela não teria nenhum valor utilitário, nenhum tipo de compromisso. Seria auto-suficiente. Justificada apenas por sua beleza formal.

Qualquer tipo de investigação do social, referência ao prosaico, interesse pelas coisas comuns a todos os homens seria ‘matéria impura’ a comprometer o texto. Restabelecem, portanto, um esteticismo de fundo conservador que já vigorava na decadência romana. A arte passava apenas a ser um jogo frívolo de espíritos elegantes.

Culto da forma: O resultado imediato dessa visão seria o endeusamento dos processos formais do poema. A verdade de uma obra residiria em sua beleza.

E a beleza seria dada pela elaboração formal. Essa mitologia da perfeição formal e, simultaneamente, a impotência dos poetas em alcançá-la de maneira definitiva são o tema do soneto de Olavo Bilac intitulado "Perfeição".

Os parnasianos consideravam como forma a maneira do poema se apresentar, seus aspectos exteriores. A forma seria assim a técnica de construção do poema.

Isso constituía uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula resumida em alguns itens básicos:

Metrificação rigorosa

Rimas ricas

Preferência pelo soneto

Objetividade e impassibilidade

Descritivismo

Em vários poemas, os parnasianos apresentam suas teorias de escrita e sua obsessão pela "Deusa Forma". "Profissão de Fé", de Olavo Bilac, ilustra essa concepção formalista:

"Invejo ourives quando escrevo
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.(...)

Por isso, corre por servir-me
Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel(...)

Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim
No verso de ouro engasta a rima
Como um rubim
(...)

Temática greco-romana: Apesar de todo o esforço, os parnasianos não conseguiram articular poemas sem conteúdos e foram obrigados a encontrar um assunto desvinculado do mundo concreto para motivo de suas criações.

Escolheram a antigüidade clássica, sua historia e sua mitologia.Assistimos então a centenas de textos que falam de deuses, heróis, personagens históricos, cortesãs, fatos lendários e até mesmo objetos: "

A sesta de Nero", de Olavo Bilac foi considerado, na época, um grande poema:

"Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,
O palácio imperial de pórfiro luzente
É marmor da Lacônia. O teto caprichoso
Mostra em prata incrustado, o nácar de Oriente.

Nero no trono ebúrneo estende-se indolente
Gemas em profusão no estágulo custoso
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.

Formosa ancila canta. A aurilavrada lira
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Arde a mirra da Arábia em recendente pira.

Formas quebram, dançando, escravas em coréia.
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nos alvos seios nus da lúbrica Pompéia."

Poetas do Parnasianismo

Olavo Bilac(1865-1918)

Nasceu no Rio de janeiro, numa família de classe média. Estudou Medicina e depois Direito, sem se formar em nenhum dos cursos. Jornalista, funcionário Público, inspetor escolar, exerceu constantemente atividade nacionalista, realizando pregações cívicas em todo o país. Paralelamente, teve certas veleidades boêmias e foi coroado como "Príncipe dos poetas brasileiros".

Obras: Poesia (l888); Tarde (1918).

A exemplo de quase todos os parnasianos, Olavo Bilac escreveu poesias com grande habilidade técnica sobre temas greco-romanos. Se jamais abandonou sua meticulosa precisão, acabou destruindo aquela impassibilidade, exigida pela estética parnasiana.

Fez numerosas descrições da natureza, ainda dentro do mito da objetividade absoluta, porém os seus melhores textos estão permeados por conotações subjetivas, indicando uma herança romântica.

Bilac tratou do amor a parti de dois ângulos distintos: um platônico e outro sensual. A quase totalidade de seus textos amorosos tendem celebração dos prazeres corpóreos.

"Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha, palpitante e viva (...)

Como uma vaga preguiçosa e lenta
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco
Sobe... Cinge-lhe a perna longamente;
Sobe ... e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril! - prossegue

Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca (...)

E aos mornos beijos, às carícias ternas
Da luz, cerrando levemente os cílios
Satânica ... abre um curto sorriso de volúpia."

Em alguns poemas, contudo, o erotismo perde essa vulgaridade, adquirindo força e beleza com em "In extremis". Na hora de uma morte imaginária, o poeta lamenta a perda das coisas concretas e sensuais da existência.

Em um conjunto de sonetos intitulado Via-láctea, Bilac nos apresenta uma concepção mais espiritualizada das relações amorosas. O mais recitado desses sonetos acabou ficando conhecido com o nome do livro.

Identificado com o sistema, o autor de Tarde tornou-se um intelectual a serviço dos grupos dirigentes, oferecendo-lhes composições laudatórias. Olavo Bilac sonegou o Brasil real e inventou um Brasil de heróis, transformando feroz bandeirante, como Fernão Dias, em apóstolo da nacionalidade.

O caçador de esmeraldas foi uma frustrada tentativa épica:

"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação,
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata,
À frente dos peões filhos da rude mata,
Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão.

Além disso, cantou os símbolos pátrios, a mata, as estrelas, a "última flor do Lácio", as crianças, os soldados, a bandeira, os dias nacionais, etc.

Alberto de Oliveira (1857-1937)

Nasceu em Saquarema, Rio de Janeiro. Diploma-se em farmácia; inicia o curso de Medicina. Ao lado de Machado de Assis, faz parte ativa na Fundação da Academia de Letras. Foi doutor honoris causa pela Universidade de Buenos Aires. Elegem-no "príncipe dos poetas brasileiros" num concurso promovido pela revista Fon-Fon, para substituir o lugar deixado por Olavo Bilac. Faleceu em Niterói, RJ, em 1937.

Obras principais: Canções Românticas(1878); Meridionais(1884); Sonetos e Poemas(1885); Versos e rimas(1895). Foi de todos os parnasianos o que mais permaneceu atado aos mais rigorosos padrões do movimento. Manipulava os procedimentos técnicos de sua escola com precisão, mas essa técnica ressalta ainda mais a pobreza temática, a frieza e a insipidez de uma poesia hoje ilegível.

Tinha como características principais da sua poesia a objetividade, a impassibilidade e correção técnica, a excessiva preocupação formal, sintaxe rebuscada e a fuga ao sentimental e ao piegas. Na poesia de Alberto de Oliveira, portanto, encontramos poemas que reproduzem mecanicamente a natureza e objetos descritivos. Uma poesia sobre coisas inanimadas.

Uma poesia tão morta como os objetos descritos, como vemos no poema Vaso Grego:

Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de os deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas há de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se de antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.

Raimundo Correia (1859-1911)

Poeta e diplomata brasileiro, foi considerado um dos inovadores da poesia brasileira.

Quando secretário da delegação diplomática brasileira em Portugal, publica aí uma coletânea de seus livros na obra Poesia(1898).

De volta ao Brasil, assume a direção do Ginásio Fluminense de Petrópolis. Com a saúde bastante abalada, retorna à Europa, vindo a falecer em Paris.

Obras Principais: Primeiros Sonhos(1879) Sinfonias(1883) Versos e Versões(1887) Aleluias(1891)A exemplo dos demais componentes da tríade, Raimundo Correia foi um consumado artesão do verso, dominando com perfeição as técnicas de montagem e construção do poema.

Tinha como características pessoais o pessimismo, o predomínio da simulação, percepção aguda da transitoriedade da ilusão humana, profundo se das virtualidades vocabulares. O gelo descritivista da escola seria quebrado por uma emoção genuína que humanizava a paisagem.

Fonte: www.escolavesper.com.br

Parnasianismo

Parnasianismo foi um movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo. É interessante destacar, que ao contrário de outros movimentos que ocorreram em Portugal e no Brasil, o Parnasianismo apresentou características significativas somente no Brasil e na própria França, onde teve origem.

A palavra parnasianismo vem de Parnaso, nome de um monte grego, que segundo a mitologia era a morada de Apolo, deus das artes.

Contemporâneo do Realismo-Naturalismo, o Parnasianismo não pode ser entendido apenas como a manifestação em poesia das características realistas e naturalistas presentes na prosa.

Embora existam alguns aspectos comuns, há uma grande diferença: o Parnasianismo não se preocupava com a temática do cotidiano, com a descrição dos costumes da época e com o cientificismo, características marcantes do Realismo.

Entre as principais características parnasianas estão:

Esteticismo
Impassibilidade
Poesia descritiva
Retomada dos modelos clássicos
Perfeição formal

Esteticismo

A poesia parnasiana estava preocupada com o belo, com a parte estética, daí a palavra esteticismo. Era uma poesia descompromissada com os problemas sociais. Sua única preocupação era a arte pela arte, ou seja, a arte deveria existir em função dela mesma.

Impassibilidade

A impassibilidade é a negação do sentimentalismo exagerado presente no Romantismo. Os parnasianos negavam qualquer expressão de subjetividade em favor da objetividade temática.

Poesia descritiva

A poesia parnasiana é marcadamente descritiva, freqüentemente aparecem descrições pormenorizadas de objetos e cenas da natureza.

Retomada dos modelos clássicos

O Parnasianismo, assim como fez o Classicismo, também se voltou para a Antigüidade greco-romana, tida como modelo de perfeição e beleza.

Perfeição formal

A maior preocupação dos poetas parnasianos era a forma, o conteúdo ficava num segundo plano. O importante era a palavra, a aparência e a sonoridade.Tamanha era a preocupação formal que os parnasianos ficaram conhecidos como “poetas de dicionário”.

Ao contrário da liberdade romântica, em que apareciam os versos livres e brancos, ou seja não rimados, os parnasianos valorizaram a utilização das rimas, buscando principalmente as rimas ricas e raras.

RIMAS:

RICAS
POBRES
RARAS

As rimas pobres ocorrem quando as palavras rimadas pertencem à mesma classe gramatical:

“Entre as ruínas de um convento,
De uma coluna quebrada
Sobre os destroços, ao vento
Vive uma flor isolada”

Alberto de Oliveira

Nessa estrofe, a palavra convento, do primeiro verso, rima com a palavra vento, do terceiro verso, e ambas são substantivos. Já a palavra quebrada, do segundo verso, rima com a palavra isolada, do quarto verso, e ambas são adjetivos.

As rimas ricas ocorrem quando as palavras rimadas pertencem a classes gramaticais diferentes:

“Sonha … Porém de súbito a violento
Abalo acorda. Em torno as folhas bolem …
É o vento! E o ninho lhe arrebata o vento”.

Alberto de Oliveira

Nessa estrofe, a palavra violento, do primeiro verso, é um adjetivo e rima com a palavra vento, do terceiro verso, que é um substantivo.

As rimas raras ou perfeitas ocorrem quando as palavras rimadas apresentam terminações incomuns:

“Que ouço ao longe o oráculo de Elêusis.
Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E de teu ventre nasceriam deuses”.

Raul de Leôni

Nessa estrofe, o substantivo próprio Elêusis, do primeiro verso, rima com o substantivo comum deuses, do quarto verso. Mas atenção: o que importa na rima é o som e não a letra, por isso, não há nenhum problema em Elêusis com i e deuses com e.

Ao lado da utilização das rimas, os poetas parnasianos retomaram as formas fixas, principalmente o soneto e elegeram o verso alexandrino

(verso composto por 12 sílabas poéticas) como modelo de métrica.

Veja os três maiores representantes do Parnasianismo brasileiro:

TRINDADE PARNASIANA

Alberto de Oliveira
Raimundo Correia
Olavo Bilac

Alberto de Oliveira é considerado o representante mais fiel do Parnasianismo, pois mostrou em sua obra uma grande preocupação com a descrição objetiva e com a forma. Seus textos são marcados por uma sintaxe bem rebuscada.

Veja sua imagem:

Alberto de Oliveira também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Vários textos de Alberto de Oliveira apresentam uma poesia visual, essencialmente descritiva, tendo por tema desde cenas naturais até a pura descrição de objetos antigos.

Veja um exemplo dessa poesia descritiva a partir do conhecido poema Vaso Grego:

Vaso Grego

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e, ora repleta ora esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.
Depois … Mais o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, à bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce.
Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

Alberto de Oliveira

Perceba que nesse poema não há subjetividade, pelo contrário, há um predomínio da descrição objetiva. Há também uma grande quantidade de inversões sintáticas, pois segundo os parnasianos a ordem inversa dava mais requinte ao poema.

O segundo poeta da Trindade Parnasiana é Raimundo Correia. Raimundo Correia foi acusado de plagiador, devido ao grande contato que manteve com os parnasianos franceses. Mas para alguns estudiosos na realidade o que fazia não era um plágio, uma cópia, mas sim uma recriação dos textos em francês, imprimindo-lhes características pessoais.

Veja sua imagem:

Raimundo Correia destacou-se pela concisão e escolha vocabular. Fugindo um pouco das características parnasianas, construiu poemas em que a temática social e política se faziam presentes.

Veja um de seus poemas:

Plena Nudez

Eu amo os gregos tipos de escultura;
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.
Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas …
Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
Da transparente túnica através:
Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus … toda nua, da cabeça os pés!

Raimundo Correia

Repare que nesse texto além da descrição, Raimundo Correia também apresenta um caráter mais erótico, mais sensual, ao contrário dos românticos, a figura feminina deixa de ser idealizada, aproximando- se mais dos relacionamentos humanos. O Parnasianismo apresenta uma visão mais carnal do amor.

Fonte: www.enemvirtual.com.br

Parnasianismo

Movimento literário que representou na poesia o espírito positivista e científico da época. Surgido na França no século XIX, em oposição ao romantismo.

Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema.

Movimento literário surgido na França em meados do século XIX, em oposição ao romantismo, o parnasianismo representou na poesia o espírito positivista e científico da época, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa.

O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, François Coppée, o cubano de expressão francesa José Maria de Heredia e Catulle Mendès, editor da revista.

O Parnaso é um monte da Grécia central onde na antiguidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.

Antecedentes

A partir de 1830, alguns poetas românticos se agruparam em torno de certas idéias estéticas, entre as quais a da arte pela arte, originária daquele movimento.

Duas tendências se defrontavam: a intimista (subjetiva) e a pitoresca (objetiva). O romantismo triunfara em 1830, e de Victor Hugo provinham as grandes fontes poéticas, mas o lirismo intimista não mais atraía os jovens poetas e escritores, que buscavam outros objetos além do eu.

A doutrina da arte pela arte encontrou seu apóstolo em Gautier, que foi o pioneiro do parnasianismo.

Nos prefácios de dois livros, Poésies (1832) e Jeune France (1833; Jovem França), Gautier expôs o código de princípios segundo o qual a arte não existe para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma.

Ele aplicou essa teoria ao romance Mademoiselle de Maupin (1836), que provocou acirradas polêmicas nos círculos literários por desprezar a moral convencional e enfatizar a soberania da beleza. Mais tarde publicou Emaux et camées (1852; Esmaltes e camafeus), que serviu de ponto de partida para outros escritores de apurado senso estético, como Banville e Leconte.

Este último publicou, em 1852, os Poèmes antiques (Poemas antigos), livro em que reuniu todos os elementos formais e temáticos da nova escola. Ao lado de Poèmes barbares (1862; Poemas bárbaros), essa obra deu ao autor um imenso prestígio e a liderança do movimento, de 1865 a 1895. Em torno dele reuniram-se Mendès, Sully Prudhomme, Heredia, Verlaine e Coppée.

Outros precursores, como Banville e Baudelaire, pregaram o culto da arte da versificação e da perfeição clássica. À época, eram muito valorizados e vistos com curiosidade os estudos arqueológicos e filológicos, a mitologia, as religiões primitivas e as línguas mortas.

Os dois livros de Leconte iniciaram uma corrente pagã de poesia, inspirada nesses estudos orientais, místicos, primitivos, "bárbaros", no sentido de estranhos ao helenismo, que ele procurava ressuscitar com traduções de Homero.

Características

O movimento estendeu-se por aproximadamente quatro décadas, sem que se possa indicar limite preciso entre ele e o romantismo, de um lado, e o simbolismo, do outro. Uma de suas linhas de força, o culto da beleza, uniu parnasianos e simbolistas.

No entanto, pode-se distinguir alguns traços peculiares a cada movimento: a poesia parnasiana é objetiva, impessoal, contida, e nisso se opõe à poesia romântica. Limita-se às descrições da natureza, de maneira estática e impassível, freqüentemente com elemento exótico, evocações históricas e arqueológicas, teorias filosóficas pessimistas e positivistas.

Seus princípios básicos resumem-se nos seguintes: o poeta não deve expor o próprio eu, nem fiar-se da inspiração; as liberdades técnicas são proibidas; o ritmo é da maior importância; a forma deve ser trabalhada com rigor; a antiguidade grega ou oriental fornece modelos de beleza impassível; a ciência, guiada pela razão, abre à imaginação um vasto campo, superior ao dos sentimentos; a poesia deve ser descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas, em forma clássica e perfeita.

Dessa maneira, o parnasianismo retomou as regras neoclássicas introduzidas por François de Malherbe, poeta e teórico francês que no início do século XVII preconizou a forma estrita e contida e acentuou o predomínio da técnica sobre a inspiração. Dessa forma, oparnasianismo foi herdeiro do neoclassicismo, do qual se fez imitador. Seu amor ao pitoresco, ao colorido, ao típico, estabelece a diferença entre os dois estilos e o torna um movimento representativo do século XIX.

A evolução da poesia parnasiana descreveu, resumidamente, um percurso que se iniciou no romantismo, em 1830, com Gautier; conquistou com Banville a inspiração antiga; atingiu a plenitude com Leconte de Lisle; e chegou à perfeição com Heredia em Les Trophées (1893; Os troféus).

Heredia, que chamou a França de "pátria de meu coração e mente", foi um brilhante mestre do soneto e grande amigo de Leconte de Lisle. Ele reuniu as duas tendências principais do parnasianismo -- a inspiração épica e o amor à arte-- e procurou sintetizar quadros históricos em sonetos perfeitos, com rimas ricas e raras. Heredia foi a expressão derradeira do movimento, e sua importância é fundamental na história da poesia moderna.

parnasianismo foi substituído mas não destruído pelo simbolismo. A maioria dos poetas simbolistas na verdade começou fazendo versos parnasianos. Fato dos mais curiosos na história da poesia foi Le Parnasse contemporain ter servido de ponto de partida tanto do parnasianismo quanto do simbolismo, ao reunir poetas de ambas as escolas, como Gautier e Leconte, Baudelaire e Mallarmé.

Da França, o parnasianismo difundiu-se especialmente pelos países de línguas românicas. Em Portugal, seus expoentes foram Gonçalves Crespo, João Penha e Antônio Feijó. O movimento alcançou êxito principalmente na América espanhola, com o nicaragüense Rubén Darío, o argentino Leopoldo Lugones, o peruano Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o uruguaio Herrera y Reissig.

Brasil

O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista.

Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.

Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris.

O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).

parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas.

Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto.

Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.

A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.

O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil

Parnasianismo

Na década de 1870, quando o Parnasianismo começou a ser difundido como nova estética literária no Brasil, o país atravessava uma série de crises políticas e sociais que assinalariam o colapso do governo imperial e do regime escravocrata, culminando na abolição da escravatura, em 1888, e na proclamação da República, em 1889.

O desenvolvimento econômico, que até meados do século XIX se concentrara no Nordeste, a partir dos anos de 1870 passou a deslocar-se para o Centro-Sul, onde a cultura do café começava a expandir-se. O único grande centro urbano do Brasil, ainda essencialmente agrícola, era o Rio de Janeiro, onde se concentrava a vida política e cultural do país.

Mas foram intelectuais de Recife ligados à Faculdade de Direito, entre eles Silvio Romero e Tobias Barreto, os primeiros a divulgar as novas idéias literárias, filosóficas e políticas que passariam a influenciar o pensamento dos escritores nacionais.

A elite brasileira recebia, principalmente através da França, as idéias republicanas, positivistas e evolucionistas que agitavam os meios intelectuais europeus, além das descobertas de novas ciências como a física, a lingüística e a biologia.

O grande veículo de difusão das novas teorias, inclusive literárias, eram os inúmeros periódicos surgidos com o desenvolvimento da imprensa nacional. Foi nas páginas do jornal Diário do Rio de Janeiro que, no final da década de 1870, travou-se a Batalha do Parnaso, polêmica entre os adeptos do Romantismo, de um lado, e os seguidores do Realismo e do Parnasianismo, de outro, que serviu para tornar mais conhecidas as novas tendências literárias.

Os jornais e revistas eram importantes veículos para a divulgação de obras e movimentos literários e consolidação de autores.

Muitos escritores da época, além de publicarem poemas e folhetins, atuaram como cronistas em periódicos, contribuindo inclusive para a profissionalização do escritor brasileiro. Entre eles destaca-se Machado de Assis, um dos principais autores brasileiros do Realismo e poeta parnasiano que, como cronista da Gazeta de Notícias (RJ), exerceu forte influência crítica.

O sucessor de Machado na Gazeta de Notícias, Olavo Bilac, como bom parnasiano, permaneceu distante, no âmbito da poesia, dos acontecimentos sociais e políticos de seu tempo - ainda que tenha escrito eventuais poemas satíricos, alguns deles dedicados a Floriano Peixoto; produziu também poemas infantis e é o autor do Hino à Bandeira.

Como cronista, desceu da "torre de marfim" e abordou alguns dos grandes temas de seu tempo, como a libertação dos escravos, em A Escravidão, e a reurbanização da capital nacional, em O Rio Convalesce.

Assim, os escritores brasileiros, que nesse período já constituíam um grupo numeroso, produtor de obras inseridas em uma tradição nacional, tinham garantida a circulação de seus textos por meio de periódicos ou de algumas editoras, como a francesa Garnier, instalada no Rio de Janeiro.

No entanto, o público leitor era bastante restrito, já que a maioria da população brasileira - 80%, segundo o censo de 1872 - era analfabeta. Os poetas parnasianos dirigiam suas obras, portanto, a uma reduzida e letrada camada da população, que prestigiava seus poemas repletos de preciosismos lingüísticos e de referências à Antigüidade Clássica.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Nas últimas décadas do século XIX, várias correntes literárias inovadoras, entre elas o Parnasianismo, apresentaram parâmetros de criação artística que se contrapunham aos então já desgastados valores românticos.

Enquanto na prosa o Realismo e o Naturalismo apresentavam novas maneiras de produzir ficção, calcadas na análise objetiva da realidade social e humana, no âmbito da poesia o movimento parnasiano voltava-se principalmente para o culto da forma, afastando-se dos problemas sociais do período.

O termo parnasianismo surgiu na França, para nomear os poetas reunidos nas antologias de poesia intituladas Le Parnasse Contemporain, publicadas a partir de 1866. Entre os poetas mais importantes do movimento francês estava Théophile Gautier, principal divulgador do princípio da "arte pela arte" - a arte voltada para si mesma, sem intenções políticas, morais, didáticas ou de qualquer outro tipo, princípio que sintetizava os objetivos do movimento.

A nova escola rapidamente penetrou no Brasil e, nos decênios de 1880 e 1890, conquistou número progressivo de adeptos. Poetas parnasianos portugueses, como Gongalves Crespo (brasileiro de nascimento), Antero de Quental e Teófilo Braga também exerceram influência, ainda que em menor escala, sobre os autores brasileiros.

A obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, costuma ser identificada como o marco inicial do Parnasianismo no Brasil, onde o movimento perdurou até os primeiros decênios do século XX, coexistindo com o Simbolismo e mesmo com o início do Modernismo.

O prolongamento da estética, por poetas conhecidos como Neoparnasianos, "é fenômeno particular da literatura brasileira", segundo Otto Maria Carpeaux. Para o crítico, "aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e, por isso, o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte no mundo".

Já para Alfredo Bosi, "o Parnasianismo é o estilo das camadas dirigentes, da burocracia culta e semiculta, das profissões liberais habituadas a conceber a poesia como ‘linguagem ornada’, segundo padrões já consagrados que garantam o bom gosto da imitação".

O fato de a Academia Brasileira de Letras (1897) apresentar adeptos do Parnasianismo entre a maioria de seus fundadores pode também ter colaborado, segundo vários críticos, para a "oficialização" e para a extensão cronológica da escola, cujo prestígio enfraqueceu apenas depois dos duros ataques desferidos pelos poetas modernistas.

Hoje, porém, as críticas de autores e pensadores ligados ao Modernismo estão sendo revistas, e o maior distanciamento permite avaliar, talvez com mais imparcialidade, as qualidades e os problemas do Parnasianismo.

Parnaso é um monte localizado na Grécia central, onde, segundo a mitologia, residiam o deus Apolo e as Musas, divindades inspiradoras das artes. Já no nome da escola se revela, por conseguinte, seu tributo à Antigüidade Clássica, que influenciou os temas e a concepção de arte dos adeptos do Parnasianismo.

Incidentes da história ou da mitologia greco-latina foram grande fonte de termas para os parnasianos, como se pode observar no poema "Afrodite", de Alberto de Oliveira. Formas poéticas antigas ou em desuso, como o soneto, principalmente, voltaram a ser cultivadas.

Aliás o soneto, que havia quase desaparecido com os românticos, tornou-se marca distintiva dos parnasianos, assim como a famosa "chave de ouro" - o acabamento feliz, de belo efeito, de um poema.

A busca da objetividade temática e o culto da forma são as mais importantes características do Parnasianismo.

Os poetas parnasianos opunham-se ao individualismo, ao sentimentalismo e ao subjetivismo românticos, e procuraram voltar sua poesia para temas que consideravam mais universais, como a natureza, a história, o amor, os objetos inanimados, além da própria poesia. Essa poética da impessoalidade era reforçada pelo gosto da descrição e do rigor formal.

O ideal da "arte pela arte" resultou em acentuada preocupação com a versificação e a metrificação, pois acreditava-se que a Beleza residia também na forma. O trabalho do poeta foi, inclusive, comparado ao do escultor, do ourives, do artesão, já que seu esforço concentrava-se em dar forma perfeita a um objeto artístico.

O poema de Raimundo Correia A um Artista, dedicado a Olavo Bilac, é modelar nesse sentido. Essa comparação levou à criação de poemas que tematizam esculturas, pinturas, jóias, objetos artísticos - como em Vaso Grego, de Alberto de Oliveira - transformando muitas vezes o princípio da "arte pela arte" em "arte sobre a arte".

Os versos brancos do Romantismo foram abandonados e retomou-se o uso dos versos de 10 sílabas e das rimas ricas e raras, num movimento de aproximação da tradição clássica. A procura da expressão perfeita e original de determinada idéia ou sentimento levou à valorização do conhecimento da língua, necessário para fugir das imagens gastas e vulgarizadas da estética romântica.

A utilização de vocabulário culto, como tentativa de renovação da linguagem poética, é, desse modo, outro traço característico do Parnasianismo. Olavo Bilac, em Língua Portuguesa, expressa o amor parnasiano ao idioma nacional.

O apego dos parnasianos ao rigor gramatical e ao rebuscamento da linguagem teria contribuído, segundo Antonio Candido, "para lhes dar voga e credibilidade, pois facilitava o entrosamento com as aspirações dominantes da cultura oficial".

Já a impassibilidade pretendida pela escola, necessária para o registro objetivo da realidade, se foi tematizada em poemas como Musa Impassível, de Francisca Júlia, não chegou a ser plenamente alcançada, e nem poderia ser.

Afinal, como afirma Benjamin Abdala Junior, "o poeta só pode construir o poema selecionando situações, palavras, imagens, a partir de sua própria perspectiva", o que torna a objetividade de certa forma um mito.

Além disso, a impassibilidade e outros princípios do Parnasianismo foram muitas vezes alterados pelos autores nacionais, pois no Brasil os fundamentos da nova estética repousaram "na tradição literária interna, suficiente para assimilar e reformular as sugestões externas", como observou José Aderaldo Castello.

A tradição brasileira permitiu, assim, que o mesmo Olavo Bilac que professa os ideiais parnasianos em Profissão de Fé e A um Poeta - em cujos versos o culto à forma, o tributo à Antiguidade Clássica, o amor à língua e a fidelidade ao princípio da "arte pela arte" são enfaticamente expostos - expressasse um lirismo apaixonado em tantos sonetos, como no antológico Ora (Direis) Ouvir Estrelas.

É preciso lembrar ainda que o sistema literário brasileiro, se no período já estava consolidado por uma tradição local, englobava várias correntes literárias de origem estrangeira que aqui se misturavam e se recriavam, como o Romantismo e o Simbolismo, movimentos que influenciaram em menor ou maior grau a obra dos poetas parnasianos.

AUTORES

Os autores mais significativos do Parnasianismo foram Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia, considerados a "tríade oficial" do movimento, além de Vicente de Carvalho e Francisca Júlia. A poesia de Alberto de Oliveira é considerada a mais fiel aos valores do Parnasianismo; nela, a impessoalidade, o descritivismo, a tematização de objetos são elementos bastante presentes - ainda que em poemas como Alma em Flor revele sentimentalidade que desmente sua fama de impassível.

Olavo Bilac, um dos mais populares poetas brasileiros, buscou e alcançou o rigor da forma, mas o lirismo e o sensualismo de seus versos muitas vezes o afastaram dos princípios mais rígidos do Parnasianismo. Raimundo Correia estreou como romântico, mas tornou-se parnasiano, intensamente influenciado por autores franceses e criador de uma poesia filosófica, reflexiva, distinta pelo pessimismo.

Vicente de Carvalho, poeta também bastante popular, de obra impregnada de matizes românticas, foi o parnasiano que melhor tematizou a natureza, principalmente o mar de sua terra natal, Santos SP. Finalmente, Francisca Júlia é autora de sonetos que figuram entre os mais bem realizados do Parnasianismo e, ainda que alguns de seus últimos poemas apresentem traços simbolistas, segue sendo considerada poeta das mais leais aos fundamentos parnasianos.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Parnasianismo

Parnasianismo brasileiro nasceu de ideias anti-românticas e acentuado gosto pela objetividade.

Seu marco inicial é a publicação de Fanfarras, de Teófilo Braga (1843-1924), em 1882.

Como o Parnasianismo europeu, o brasileiro tem como proposta a preocupação com a forma, o recurso à mitologia clássica e a incorporação do espírito da arte pela arte. Seus autores buscam compor poesias descritivas em que a apresentação dos fatos históricos e dos fenômenos naturais é imparcial.

Poetas parnasianos

Alberto de Oliveira (1857-1937): autor de Vaso Grego é considerado mestre da arte de compor retratos, quadros e cenas. Sua obra revela aferrado apego aos cânones formais e temáticos do parnasianismo, incontido desejo de expansão íntima do "eu" e leve tendência à ironia.

Raimundo Correia (1859-1911): sua poesia parnasiana caracteriza-se por extremo rigor métrico e plasticidade. Alia o conteúdo filosófico de seus poemas a forte poder de sugestão das palavras e um acentuado apuro verbal.

Olavo Bilac (1865-1918): o "príncipe dos poetas brasileiros" une conteúdo emotivo e linguagem clássica. Outra característica de sua obra é a dualidade no tratamento do amor, oscilando entre platonismo e sensualidade. Ele também tratou de temas históricos e patrióticos, o que lhe valeu o título de "patrono do exército brasileiro".

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

Parnasianismo

"Quero que a estrofe cristalina,
Dobrado ao jeito
Do ourives, saia da oficina,
Sem um defeito" (Olavo Bilac)

Parnasianismo
Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia

Valorizando o emprego da palavra rara, do vocabulário precioso, da frase rebuscada, a poesia parnasiana teve, na preocupação com a perfeição da forma, a sua característica básica, ainda que em prejuízo da qualidade de sua expressão poética.

O estilo se define, portanto, pelo culto da forma e foi, sobretudo uma renovação poética. Esta renovação teve sua origem na França.

Em l886, foi editada uma antologia, Le Parnasse Contemporáin, que reunia composições de diversas tendências, com uma linha comum: reagir contra o romantismo. Seus principais colaboradores, Leconte de Lisle, Theóphile Gautier, Théodore Banville, José Maria Herédia (de nacionalidade cubana), Baudelaire, Sully Prudhomme (ganhador do prêmio Nobel em 1901), Verlaine, Mallarmé, obedeciam a uma nova estética que pregava o principio da Arte pela Arte.

Defendiam em última análise, uma arte que não servisse a nada, nem a difusão qualquer ideologia, nem a ninguém; uma arte voltada para si mesmo em sumo. O objetivo da "arte pela arte" é o Belo, a criação da beleza pelo uso perfeito dos recursos artísticos. Neste sentido, levam ao exagero o culto da rima, do ritmo, do vocabulário, do verso longo. Para o Parnasiano, a poesia deveria ser trabalhada até que resultasse perfeita.

Victor Hugo já conotava a posição de burilador que o poeta devia buscar e com ela se identificar:"Le poête est cizeleur, te cizeieur est poéte."

Características do Parnasianismo

Objetividade e descritivismo

Reagindo contra o sentimentalismo e o subjetivismo românticos, a poesia parnasiana era comedida , objetiva: fugiadas manifestações sentimentais.

Buscando esta impassibilidade( frieza), empenhava-se em descrever minúcias, na fixação de cenas, personagens históricos e figuras mitológicas.

Rigor formal

Opondo-se à simplicidade formal romântica, que de certa forma popularizou a poesia os parnasianos eram rigorosos quanto à métrica em rimas e também quanto à riqueza e raridade do vocabulário. É por isso que são freqüentes, nos textos parnasianos, os hipérbatos( ordem indireta), as palavras eruditas e difíceis, as rimas forçadas.

Retorno ao Classicismo

Abordando temas mitológicos e da antigüidade greco-latina, os poetas parnasianos valorizavam as normas e técnicas de composição e, regra geral, exploravam o soneto (poema de forma fixa).

Arte pela arte

Na busca da objetividade e da impassibilidade, o Parnasianismo foi uma época em que alguns poetas defendiam a "arte pela arte". Esta expressão sugere que a poesia não tomava partido, que não se comprometia composições políticas.

Principais Autores

Olavo Bilac

Raimundo Correia

Alberto de Oliveira

Fonte: br.geocities.com

Parnasianismo

Escola literária que se desenvolve na poesia a partir de 1850. Nasce na França e precede em algumas décadas o Simbolismo. O nome do movimento vem de Parnaso, região mitológica grega onde moravam os poetas. O estilo caracteriza-se pelo respeito às regras de versificação, pela riqueza da rima e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos.

Valoriza a descrição objetiva, a escolha de palavras precisas e as frases invertidas. O emprego da linguagem figurada é reduzido e valorizam-se o exotismo e a mitologia. Os principais temas são os fatos históricos, os objetos e as paisagens.

O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo.

Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana.

Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.

Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil.

O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.

Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua.

Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).

Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

Fonte: www.spiner.com.br

Parnasianismo

1. Origem

Movimento literário de origem francesa, que representou na poesia o espírito positivista e científico da época, surgindo no século XIX em oposição ao romantismo.

Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo. O seu nome vem do Monte Fócida, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas, uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da Antiguidade clássica.

Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pela rima rica e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia.

Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos. Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo.

O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo como credo. Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana, Sully Prudhomme (1839-1907). Gautier fica famoso ao aplicar a frase “arte pela arte” ao movimento.

2. Características

Objetividade e impessoalidade

O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico.

Arte Pela Arte

A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e justifica por sua beleza. Faz referencias ao prosáico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.

Estética/Culto à forma

Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal. Aspectos importantes para essa estética perfeita são:

Rimas Ricas

São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas ABBA.

Valorização dos Sonetos

É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no ultimo verso.

Metrificação Rigorosa

O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.

Descritivismo

Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira.

Temática Greco-Romana

A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da Antiguidade Clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.

Cavalgamento ou encadeamento sintático

Ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à idéia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas.Exemplo:

"Cheguei, chegaste. Vinhas fatigada e triste e triste e fatigado eu vinha."

Fonte: albumdeliteratura.vilabol.uol.com.br

Parnasianismo

Trata-se de um movimento literário surgido em França na primeira metade do séc. XIX, constituindo uma reação contra o romantismo, contra o excesso de sentimentalismo, visando despersonalizar ou objetivar a poesia.

Já Vigny e Vitor Hugo, reagindo contra o excesso de sentimento romântico, se tinham lançado no tratamento de temáticas de âmbito geral, e não individual, rejeitando métodos pessoais e íntimos de expor o sentimento, como a confidência amorosa.

Pretendia, também, este movimento, reagir contra a anarquia formal, propondo o regresso às formas clássicas da poesia, consideradas perfeitas. O retorno à Antiguidade Clássica é uma característica comum aos parnasianos, valorizando as formas fixas, as rimas invulgares.

Esta reação teve como lema «a arte pela arte», ou seja, a arte como um fim em si mesma, colocando-a ao serviço da sociedade. A poesia era quase considerada uma religião. O nome deste movimento deriva do título dado a uma coletânea feita por Lemerre ( Parnase Contemporain ), na qual reuniu os poetas novos. Como seus fundadores, consideram-se Théophile Gautier (1811-72) e Leconte de Lisle (1818-94).

Em Portugal, esta corrente só se começou a sentir na segunda metade do séc. XIX e nunca chegou a assumir-se verdadeiramente. As ideias novas, tendo chegado ao nosso país tardiamente, confluiram com ideias que entretanto floresciam. Eça de Queirós e Antero de Quental chamavam a atenção, nesta altura, para o papel intervencionista do escritor, com a função de interagir na cultura e no pensamento da população, como uma missão social que lhe é atribuída, o que se pode relacionar com o ideal da «arte pela arte» já referenciado.

parnasianismo foi colidindo com o realismo, com o simbolismo, tendo como aspecto comum a todos eles a renúncia ao sentimentalismo e ao egocentrismo românticos resultando em alguns autores, como Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Guilherme Azevedo, Cláudio José Nunes, Alexandre da Conceição, Cândido Figueiredo, uma poesia multifacetada, entendida como sendo ora de influência parnasiana, ora aflorando a temática simbolista. Teófilo Braga reuniu muita desta poesia híbrida no Parnasso Português Moderno (1877).

Como parnasianos genuínos, temos a considerar João Penha (1838 - 1919) que fez coexistir a observação do real quotidiano com o rigor rimático e que, como diretor da revista «A Folha» reuniu, em Coimbra, alguns escritores, quer parnasianos, quer realistas, que formaram o primeiro grupo de parnasianos, tais como: Gonçalves Crespo, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Teófilo Braga, entre outros.

João Penha nunca pretendeu imitar os parnasianos franceses, deixando claros os seus objetivos ao afirmar:

Eu nunca os segui [os nefelibatas], como também nunca segui os parnasianos, ou outros quaisquer metrificadores de pensamentos. Tenho-me seguido a mim mesmo, não por orgulho, mas porque nunca me senti com tendências para andar na retaguarda de pessoa alguma […]. A estética dos parnasianos resume-se em que toda a produção poética deve ser uma obra de arte. Quanto ao mais, não vejo entre eles o mais insignificante ponto de contato.

A estética que sigo é realmente aquela, mas com as modificações que, se me não engano, são minhas próprias.

(Ap. Maria Virgínia Veloso, O Parnasianismo em Portugal, 2ª parte «O parnasianismo português», p.86).

Tais afirmações foram reforçadas por Pierre Hourcade, ao dizer que o grupo parnasiano português trabalhava de forma autónoma e original:

On a d’ailleurs cherché à l’époque, selon une habitude qui est presque devenue un rite, à apparenter João Penha et ses amis à un mouvement littéraire français: le Parnasse. Malheureusement, mis à part Gonçalves Crespo qui faisait les délices de Théophile Gautier et du Parnasse Contemporain, la lecture attentive de la Folha nous révèle un culte profond des lyriques romantiques, et une indiférence non moins profonde à l’égard de Leconte de Lisle et de ses amis. Le terme de “parnassienne” apliqué à la génération de la Folha ne peut donc définir que son souci incessant d’une forme travaillée.

(Ibid., O Parnasianismo em Portugal, 2ª parte «O parnasianismo português», p.87).

Para João Penha, o poeta vai-se construindo a si próprio, chamando a atenção para a necessidade de criar uma grande harmonia entre as palavras, como som, e as palavras, como pensamento. Toda a obra de João Penha se explica pela atitude que tomou em face do ultra-romantismo. A mulher, que até aí fora adorada como uma deusa, foi tratada por ele com vulgaridade e a sua poesia tem um carácter material e prosaico. Gonçalves Crespo acrescentou à sua poesia o gosto pelo descritivo.

Nos anos 80, o parnasianismo encontrou um novo impulso: o segundo grupo de poetas parnasianos em que, ao nível de Luís de Magalhães e de Manuel da Silva Gaio, com características verdadeiramente simbolistas, se destacou António Feijó (1859 - 1917) que representou a influência das teorias parnasianas numa outra geração. Há neste poeta vestígios da pintura artística de Crespo, mas os seus textos não conseguem ser puramente objetivos, devido à sua grande sensibilidade lírica.

Entre os poetas da segunda fase parnasiana, salienta-se, também, Cesário Verde (1855-86), considerado o mais significativo poeta parnasiano português e o poeta do quotidiano que procura refletir a realidade concreta, poetizando as profissões mais humildes, elevando a nível poético aspectos vulgares e seus respectivos protagonistas: os transeuntes, as vendedeiras, a engomadeira, etc.

A variedade de tipos urbanos, na poesia cesariana, encontra-se a par de estados de alma nos quais predominam o tédio da cidade e da vida diária, ao lado das evocações nostálgicas do passado e do campo como refúgio.

No Brasil, o parnasianismo teve maior repercussão do que em Portugal e teve um nascimento mais faseado:desacreditou-se o romantismo, pois, apesar do grande entusiasmo que a poesia romântica ganhara junto do público leitor, também foi vítima do descrédito lançado por aqueles que defendiam ideias novas, os realistas, sobretudo entre 1878-80.

Dentro deste grupo de opositores, salientam-se Sílvio Romero, Machado de Assis e Raimundo Correia; conseguiram, assim, destronar a sentimentalidade, o egotismo, porque estes aspectos se alheavam dos fatos e problemas da vida social, mais importantes, graves e abrangentes do que o sofrimento, angústia, dor, desgosto de cada um individualmente, que constituía o fulcro do romantismo.

O versilibrismo foi igualmente destronado por ser responsável por uma anarquia geral a nível da forma e da linguagem usada. Numa segunda fase, experimentou-se uma «poesia científica», centrada no cientificismo, uma «poesia socialista», focalizada em preocupações revolucionárias e uma «poesia realista», dominada por temas do quotidiano.

Artur de Oliveira (1851-82) que estivera em Paris, divulgou no Brasil as teorias parnasianas francesas. Um artigo escrito por Machado de Assis, «A Nova Geração», e publicado em 1879, foi decisivo no arranque do Parnasianismo.

Porém, nem as poesias científica, socialista, nem realista conseguiram cativar os poetas de maiores recursos, pelo que o caminho mais atraente a seguir era o Parnasianismo, onde se destacaram Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Raimundo Correia (1860-1911) e Vicente Carvalho (1866-1924).

Quanto às temáticas comuns a estes poetas, registam-se o realismo (o Homem é um ser integrado na realidade, na vida, na sociedade), o universalismo (busca dos valores/ aspectos gerais e intemporais da realidade, quer estética, quer moral e do Homem enquanto ser universal) e esteticismo (perfeição quanto à sintaxe, ao léxico, ao ritmo). Este tópico é basilar dentro da teoria parnasiana, para a qual a perfeição formal é necessária para a expressão da realidade.

A diferença entre os parnasianos e os realistas é que os primeiros valorizam apenas os aspectos que podem ser esteticamente reproduzidos ou dão um tratamento poético, pela primeira vez na poesia, de temas do quotidiano, enquanto os segundos tratam sem distinção todos os aspectos da realidade, preferindo, por vezes, as suas vertentes mais sombrias.

Parnasianismo valoriza, pois, a estética, a serenidade, o equilíbrio, aproximando-se assim do espírito clássico, servindo-lhe até de exemplo o nome grego de «Parnasso», monte dedicado a Apolo, inspirador de poetas, evocando assim o ideal apolíneo.

Lurdes Aguiar Trilho

Referências

Maria Virgínia Veloso, O Parnasianismo em Portugal, (1943); Hernâni Cidade, O Conceito de Poesia como Expressão da Cultura, Coimbra, (1957); Óscar Lopes, Realistas e Parnasianos (1860-1890), s.d.

Fonte: www2.fcsh.unl.pt

Parnasianismo

Parnasianismo foi contemporâneo do Realismo e do Naturalismo, entre o século XIX e o início do século XX. Brasil e França foram os dois únicos países em que se floresceu com toda força .

Na França, o movimento surgiu em 1866 , com a publicação da revista Le Parnaise Contemporain, que congregava poetas que defendiam uma poesia anti-romântica, descritiva, científica e formalista. Entre esses poetas, destacaram-se Théophile Gautier e Leconte de Lisle .

O nome Parnasianismo retoma a denominação de um monte da Grécia antiga ( Monte Parnaso ), onde lendariamente os poetas se isolavam do mundo para uma maior integração com os deuses através de sua poesia .

Os poetas consideravam a poesia a mais alta expressão literária da humanidade - razão pela qual o Parnasianismo ficou sendo um estilo principalmente poético, mas não tendo grandes manifestações no terreno da prosa .

No Brasil , a luta por uma poesia de reação ao Romantismo teve lugar no final da década de 1870. Identifica-se como marco inicial a publicação do livro Fanfarras ( 1882 ), de Teófilo Dias .

Em Portugal , não chegou a constituir um programa estético organizado .

CONTEXTO HISTÓRICO

Os aspectos históricos dos quais podemos destacar: a consolidação do poder burguês, o incremento das discussões em torno de conceitos como o Liberalismo, a Democracia e a justiça social ; o desenvolvimento das ciências naturais ; as lutas imperiais .

Na passagem do século XIX para XX , o Brasil conheceu um razoável desenvolvimento cultural.

A fundação da Academia Brasileira de Letras em 1897 aponta para um aspecto fundamental desse desenvolvimento: o prestígio social da atividade intelectual , em proporções até então jamais vistas em nosso país .

O escritor , quase sempre associado ao boêmio , vai encontrando possibilidades de profissionalização.

A imagem do escritor marginalizado vai cedendo espaço para a figura do artista plenamente integrado à sociedade de sua época: um cidadão .

O ponto positivo de tudo isso foi o amadurecimento da vida cultural brasileira . Por outro lado , para firmar como cidadão , o escritor teve a tendência de privilegiar uma prática literária ao oficialismo e ao academicismo . Representou um domínio de um estilo elitista , excessivamente preocupado em expressar-se de forma a evidenciar o virtuosismo e o talento poético .

CARACTERÍSTICAS

Como eram ao contrário aos Românticos , o emocionalismo foi substituído por racionalismo , se para os românticos a poesia era o resultado da inspiração pura e simples , os parnasianos considerava a poesia como um fruto do trabalho do poeta - um trabalho árduo , difícil , conhecimento técnico e a aplicação incansável .

O trabalho do artesão das palavras era comparado ao do artífice de uma jóia: perseverança, delicadeza e dedicação para lidar com um material delicado e frágil, isso resumia-se na imagem do "poeta joalheiro "

Para os parnasianismos , a poesia seria perfeita desde que sua forma atendesse a alguns requisitos :

O vocabulário era refinado, erudito, dicionaresco,o uso de palavras difíceis, tornava-se a poesia uma atividade da elite. A sintaxe poética deveria também obedecer às regras gramaticais, não apenas para demonstrar conhecimento técnico, mas também para adequar-se a normas consagradas de escrita .

Ponto de honra da poesia parnasiana era a utilização de rimas. Eles preferiam as rimas raras , isto é , aquelas mais difíceis de serem encontradas, por vezes surpreendentes. Evidentemente, a métrica também seria um aspecto importante dentro do formalismoparnasianismo.

Os versos de dez ( decassílabo ) e doze ( alexandrinos ) sílabas, consideradas clássicos, eram utilizados com freqüência, principalmente em uma forma poética igualmente clássica: o soneto.

Parnasianismo representou um retorno à Era Clássica, Valores como a Razão, o Belo Absoluto, o Antropocentrismo, o Universalismo são novamente perseguidos, como partes constituintes da arte literária de todos os tempos. Os temas igualmente se voltam para imagens arrancadas da cultura e da história greco-latinas.

Os títulos de alguns poemas são significativo, nesse sentido: "A sesta de Nero ", "O sonho de Marco Antônio", "O vaso grego".

O exotismo e o orientalismo são dois aspectos fundamentais . A tendência à tematização de objetos antigos , como vasos , estátuas e quadros , bem como o apelo visual que esse tipo de tema implicava , permitem uma aproximação do Parnasianismo com as Artes Plásticas ( pintura , escultura, arquitetura , etc. ) .

Parnasianismo produziu uma poesia voltada para a forma dos objetos e dos lugares . Abandonando uma visão mais interiorizada , acabou por realizar uma poesia marcadamente descritiva . Através da descrição , buscava fornecer do objeto focalizado uma imagem exata e precisa .

Parnasianismo combate a subjetividade típica do Romantismo, em nome de uma objetividade que fornecesse do mundo uma representação desprovida de qualquer contaminação lacrimejante ou sentimental .

A necessidade de uma visão objetiva fazia com que o poeta preferisse uma posição de impassibilidade diante do assunto tratado . A intenção era realizar uma poesia mais cerebral e menos sentimental .

O Parnasianismo e o Realismo foram contemporâneas , apresentam comuns ( anti-romântico, racionalismo, formalismo, impassibilidade ), distanciam-se em um ponto fundamental: O Realismo propõe a tematização da sociedade dos problemas mundanos . Se a vertente naturalista do Realismo , por exemplo , caracterizou-se pela pintura de quadros da vida cotidiana dos pobres e miseráveis , a poesia parnasiana jamais de dedicaria como manifestação artística capaz de manter-se fora do contágio de marcas sociais .

Assim sendo , não se pode confundir Parnasianismo com Realismo !

AUTORES

OLAVO BILAC

ALBERTO DE OLIVEIRA

RAIMUNDO CORREIA

VICENTE DE CARVALHO

Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br

Parnasianismo

O Parnasianismo foi contemporâneo do Realismo-Naturalismo, estando, portanto, marcado pelos ideais cientificistas e revolucionários do período. Diz respeito, especialmente, à poesia da época, opondo-se ao subjetivismo e ao descuido com a forma do Romantismo.

O nome Parnaso diz respeito à figura mitológica que nomeia uma montanha na Grécia, morada de musas e do deus Apolo, local de inspiração para os poetas. A escola adota uma linguagem mais trabalhada, empregando palavras sofisticadas e incomuns, dispostas na construção de frases, atendendo às necessidades da métrica e ritmo regulares, que dificultam a compreensão, mas que lhes são característicos. Para os parnasianos, a poesia deve pintar objetivamente as coisas sem demonstrar emoção.

A nova tendência toma corpo a partir de 1878, quando nas colunas do Diário do Rio de Janeiro se tenta criar a "Guerra do Parnaso", defendendo o emprego da ciência e da poesia social, sem visar modificar nada, recebendo a alcunha de Idéia Nova. O poeta Alberto de Oliveira deseja o Realismo na poesia, enquanto em São Paulo, Raimundo Correia e alguns colegas criam polêmicas sobre o novo movimento na Revista de Ciências e Letras.

Surge a poesia diversificada: poesia científica, socialista e realista. A científica é a única a manter certo rigor e exclusividade. As demais se libertam do Romantismo aos poucos.

Segundo Alfredo Bosi, a obra de Teófilo Dias, Fanfarras (1882) pode ser considerada o primeiro livro parnasiano, contrapondo-se a Alberto de Oliveira que destaca Sonetos e Rimas (1880) de Luís Guimarães Junior, como a primeira manifestação. Contudo, são os poemas da "plêiade parnasiana":

Alberto de Oliveira, com Meridionais (1884) e Sonetos e Poemas (1886), Raimundo Correia, com Versos e Versões (1887) e Olavo Bilac, com a primeira edição de Poesias (1888), que apresentam as marcas próprias do movimento, filiado ao Parnasianismo francês, assim denominado, devido à coletânea Parnasse Contemporain, publicada em série (1866,1869 e 1876).

Os poetas brasileiros tomam como fonte de inspiração os portugueses do século XVIII, destacando, sobretudo, o trabalho de Bocage. Voltam-se, também, para Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga. Cultuam a estética do Arcadismo, a correção da linguagem, propiciadora de originalidade e imortalidade, buscando objetividade e impassibilidade diante do objeto, cultivando a forma para atingir a perfeição.

A sintaxe, sob a influência do século XVIII, prima pela devoção à clareza, à lógica e à sonoridade. Os parnasianos evitam as aliterações, homofonias, hiatos, ecos e expressões arrebatadoras, mas apreciam a rima consoante, aplicada sob o jugo de regras rígidas, privilegiando a rima paroxítona, abjurando a interna e exigindo a rima em todas as quadras.

Dão ênfase às alternâncias graves, aos versos de rimas paralelas ou intercaladas. Apreciam as metáforas derivadas das lendas e história da Antigüidade Clássica, símbolo do ideal de beleza.

O soneto ressurge juntamente com o verso alexandrino, bem como o trabalho com a chave de ouro e a rima rica. A vida é cantada em toda sua glória, sobressaindo-se a alegria, a sensualidade, o conhecimento do mal. A imaginação é sempre dominada pela realidade objetiva.

O universalismo se sobrepõe ao nacionalismo. Entretanto, o Parnasianismo inicial, ligado à inspiração derivada dos temas históricos de Roma e Grécia, vai se deslocando, aos poucos, para a paisagem brasileira, graças à ação do meio e das tradições poéticas, tendendo à busca da simplicidade clássica.

A recorrência ao arcadismo interno e ao português acaba dando ao movimento uma configuração própria. O social perde a força do início, cedendo lugar ao princípio da Arte pela Arte, postulado pelo poeta francês, Théophile Gautier, sem, entretanto, suprimir o subjetivismo. Por isso, os poetas não obedecem com precisão o cientificismo e nem primam pela objetividade, mas se orientam pelo determinismo, pessimismo e sensualidade, prevalecendo, com freqüência, a exigência de precisão, a riqueza de linguagem e a descrição.

Bartolomeu Amâncio da Silva

Fonte: www.passeiweb.com

Parnasianismo

Paralelamente à ficção dita realista e naturalista, a ruptura com o visão de mundo romântica provoca o surgimento de uma tendência poética a que se denomina Parnasianismo.

Parnasianismo brasileiro foi um afastamento do realismo social, em direção ao esteticismo e a temas universais já consagrados pela tradição literária européia (temas orientais, helênicos e da tradição romântica).

Foi típico desse movimento a criação de uma ilusão de impassibilidade do poeta diante os objetos que representava em seus poemas. A atitude do poeta foi fundamentalmente descritiva.

O poeta parnasiano difundiu um culto acadêmico da "arte pela arte": procura por uma correção gramatical, pelo preciosismo das palavras, pela obsessão de clareza e pelo rigor formal.

O poeta busca com afinco uma palavra "exata" para sua composição, aspirando à impessoalidade contra o subjetivismo.

As principais características do Parnasianismo são: a contenção lírica, o rigor formal, a impessoalidade, a presença da cultura clássica, o culto da forma e a valorização da arte pela arte.

Os principais autores são: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

Fonte: www.sitedeliteratura.com

Parnasianismo

"O Parnasianismo foi vítima da inteligência que construiu a prisão onde quis encarcerar o poeta."

Rubens B. Morais

Originariamente da França, é a poesia que segue os princípios da estética realista. Apesar disso, ideologicamente os romancistas realistas e naturalistas não tinham exatamente os mesmos propósitos da manifestação poética desta época.

O movimento recebe esse nome por causa de uma antologia, Parnasse Contemporain, publicada a partir de 1866, na França, essa incluía poema de T. Gautier, de Lecomte de Lisle e outros. Esses poemas revelavam gosto da descrição nítida, metrificação tradicional, preocupação formal e um ideal de impessoalidade.

Embora acompanhe cronologicamente a prosa realista, a poesia parnasiana apresenta dificuldades na definição de seu marco inicial. Há quem sugira a data de 1880, quando da publicação de Sonetos e Rimas de Luís Guimarães Júnior (1845/1898).

Outros, no entanto, preferem assinalar a de 1882, quando Teófilo Dias publicou Fanfarras. Mas o movimento só se definiu realmente a partir de Sinfonias (1883) de Raimundo Correia, seguida de Meridionais (1884), de Alberto de Oliveira e de Poesias (1888) de Olavo Bilac.

Quanto à data que marca o fim de seu domínio absoluto, parece não haver polêmicas: 1893, com a publicação de Missal e de Broquéis de Cruz e Souza é bastante aceita. Mas a morte do Parnasianismo não acontece, tanto que algumas obras surgem após 1922).

Características

A preocupação exagerada com o poema, tratando-o como produto concreto, final, acabado em que se deposita toda a importância; o afã na construção do objeto, deixando de lado o conteúdo, o sentimento poético, tudo isso parece um reflexo do processo de produção mecânica acelerada em que a época vivia, transformando até o próprio homem em mais um objeto de consumo.

O poeta é um ourives, um escultor, um carpinteiro, e a sua obra, o seu poema é também um produto material, como qualquer outro, onde o que importa não é o sentimento, mas sim a técnica, a capacidade artesanal do criador devidamente associada a seu esforço.

Fonte: www.graudez.com.br

Parnasianismo

ORIGENS

Parnasianismo foi um movimento essencialmente poético que reagiu contra os abusos sentimentais dos românticos. Alguns críticos chegam a considerá-lo uma espécie de Realismo na poesia. Tal aproximação é relativa, pois apesar de algumas identidades (objetivismo, perfeição formal) as duas correntes apresentam visões de mundo distintas.

O autor realista percebe a crise da auto-imagem elogiosa da burguesia européia, já não acredita em nenhum dos valores da classe dominante e a fustiga social e moralmente. Em compensação, o autor parnasiano mantém uma soberba indiferença frente aos dramas do cotidiano, isolando-se na sua "torre de marfim"*, onde elabora teorias formalistas de acordo com a inconseqüência e a superficialidade vitoriosas em vários setores artísticos, no final do século XIX.

Neste sentido, o Parnasianismo pode ser associado à Belle Époque - época dourada das elites européias, que se divertem com os lucros do espólio imperialista. O can-can, os cabarés e cafés parisienses, os janotas que bebem licor e as prostitutas de alta classe formam a imagem frenética de um mundo enriquecido e alegre.

Uma certeza inabalável preside esse mundo: a de que ele é eterno e superior. Assim, o Parnasianismo será a tradução poética de um período de euforia e de relativa tranqüilidade social, no qual a forma se sobreporá às idéias.

SURGIMENTO

Seu surgimento deu-se na década de 60, através da revista Parnase contemporain, dirigida por Théophile Gautier. O poeta mais expressivo do grupo colaborador, Charles Baudelaire, mais tarde romperia com a pesada estética parnasiana.

CARACTERÍSTICAS

1) OBJETIVISMO E IMPESSOALIDADE

O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. O Eu precisa se apagar frente do mundo objetivo, eclipsar-se.

O espetáculo humano, cenas da natureza ou simples objetos são registrados, sem que haja interferências da interioridade do artista. A exemplo do que ocorrera no Realismo e no Naturalismo, o escritor é aquele que observa e reproduz as coisas concretas. Tal postura iria se tornar muito complicada num gênero literário que, desde a sua fundação, centrara-se na revelação da alma.

2) ARTE PELA ARTE

Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela não tem nenhum sentido utilitário, nenhum tipo de compromisso. É auto-suficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal. Qualquer tipo de investigação do social, referência ao prosaico, interesse pelas coisas comuns a todos os homens seria "matéria impura" a comprometer o texto.

Restabelecem, portanto, um esteticismo de fundo conservador que já vigora na arte da decadência romana. A literatura passa a ser apenas um jogo frívolo de espíritos elegantes.

3) CULTO DA FORMA

O resultado da visão descompromissada é a celebração dos processos formais do poema. A verdade de uma obra de arte passa a residir apenas em sua beleza.

E a beleza é evidenciada pela elaboração formal.

Logo:

VERDADE = BELEZA = FORMA

POESIA

A mitologia da perfeição formal constitui o alvo e a angústia básica dos parnasianos. A beleza deve ser alcançada a qualquer custo e o artista sente-se, muitas vezes, impotente para a realização desta tarefa.

Olavo Bilac versa sobre o dilaceramento entre o ideal poético e a construção do poema em Perfeição, mostrando-a como uma cidadela inconquistável:

Nunca entrarei jamais no teu recinto; 
na sedução e no fulgor que exalas, 
ficas vedada, num radiante cinto
de riquezas, de gozos e de galas*

* Torre de marfim 
* Galas - pompas, enfeites luxuosos.

Em Inania verba (Fúteis palavras), Bilac vai mais longe, atribuindo o fracasso expressivo do escritor a impossibilidade das idéias serem corretamente traduzidas pelas palavras, o pensamento se deformando na forma fria:

Ah! quem há-de exprimir, alma impotente e escrava, 
O que a boca não diz, o que a mão não escreve 
-- Ardes, sangras, pregada à tua cruz e, em breve, 
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava: 
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve... 
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve, 
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo 
Ai! quem há-de dizer as ânsias infinitas 
Do sonho e o céu que foge à mão que se levanta

E a ira muda e o asco mudo e o desespero mudo 
E as palavras de fé que nunca foram ditas 
E as confissões de amor que morrem na garganta

O sentido da forma

Mas, afinal, o que é forma para os parnasianos? Eles consideram como forma a maneira do poema ser apresentado, seus aspectos exteriores. Forma seria assim a técnica de construção do poema. Isso representava uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula.

Uma fórmula resumida em alguns itens básicos:

a) Metrificação rigorosa

Os versos devem ter o mesmo número de sílabas poéticas, preferencialmente doze sílabas (versos alexandrinos), os preferidos na época, como neste fragmento de Bilac:

Pátria, latejo em ti, no teu lenho*, por onde 
Circulo! e sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho! 
E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde, 
E subo do teu cerne* ao céu de galho em galho!

Ou apresentar uma simetria constante, do tipo: primeiro verso de oito sílabas, segundo de quatro sílabas, terceiro de oito sílabas, quarto com quatro sílabas, etc. O exemplo ainda é de Bilac:

Porque o escrever -- tanta perícia, 
Tanta requer 
Que ofício tal... nem há notícia 
De outro qualquer. ;

b) Rimas ricas

Os poetas devem evitar as rimas pobres, isto é, aquelas estabelecidas por palavras da mesma classe gramatical, como substantivo com substantivo, adjetivo com adjetivo, etc. No período há uma ênfase no tipo de rima ABAB para as estrofes de quatro versos, isto é o primeiro verso rima com o terceiro, o segundo com o quarto. Não é incomum, contudo, o uso de rimas ABBA, isto é o primeiro verso rima com o quarto e o segundo com o terceiro.

c) Preferência pelo soneto

Os parnasianos reivindicam a tradição clássica do soneto, composição poética de quatorze versos - articulada obrigatoriamente em dois quartetos e dois tercetos - e que se encerra com uma "chave de ouro", espécie de síntese do poema, manifesta tão somente no último verso.

d) Descritivismo

Eliminando o Eu, a participação pessoal e social, só resta ao parnasiano uma poética baseada no mundo dos objetos, objetos mortos: vasos, colares, muros, etc.

São pequenos quadros, fortemente plásticos (visuais), fechados em si mesmos, com grande precisão vocabular e freqüente superficialidade.

O trecho abaixo pertence ao conhecido Vaso chinês, de Alberto de Oliveira:

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o 
Casualmente, uma vez, de um perfumado 
Contador sobre o mármore luzidio, 
Entre um leque e o começo de um bordado.

4) TEMÁTICA GRECO-ROMANA

Apesar de todo o esforço, os parnasianos não conseguem articular poemas sem conteúdo e são obrigados a encontrar um assunto desvinculado no mundo concreto para motivo de suas criações. Escolhem a Antigüidade Clássica, aspectos de sua história e de sua mitologia.

Esta matéria poderia render excepcionais reflexões filosóficas e existenciais, pois integramos o Ocidente, e o nosso jeito de ser, agir e pensar é profundamente marcado pela civilização grega, e mesmo pela romana. Mas os poetas do período optam por quadros estáticos. Nos deparamos então com centenas de textos que falam de deuses, heróis, personagens históricos, cortesãs, fatos lendários e até mesmo objetos.

A sesta de Nero, de Olavo Bilac, foi considerado na época um grande poema:

Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso, 
O palácio imperial de pórfiro luzente* 
É marmor da Lacônia*. O teto caprichoso 
Mostra em prata incrustrado, o nácar* de Oriente.

Nero no toro ebúrneo* estende-se indolente 
Gemas em profusão no estrágulo* custoso 
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente 
Da púrpura da Trácia* o brilho esplendoroso.

Formosa ancila* canta. A aurilavrada lira 
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando, 
Arde a mirra da Arábia em recendente pira.

Formas quebram, dançando, escravas em coréia*. 
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando 
Nos alvos seios nus da lúbrica* Pompéia.

Pórfiro luzente: mármore luminoso 
Lacônia: Grécia. 
Nácar: substância brilhante que se encontra no interior das conchas. 
Estrágulo: tapete, tapeçaria. 
Trácia: região da Europa oriental. 
Ancila: escrava 
Coréia: bailado 
Lúbrica: sensual

O PARNASIANISMO NO BRASIL

ORIGENS

No Brasil, a adoção do Parnasianismo tem um múltiplo significado:

Representa um desligamento da realidade local no que essa tinha de pobre, feia e suja. Na adoção de valores europeus, os poetas fecham suas obras para um mundo grosseiro, feito de horrores, pestes e exploração, trocando o país concreto pela antigüidade, pelo sonho com a cidade-luz, Paris, e pelo nacionalismo ufanista. Nem todos os parnasianos são conservadores do ponto de vista político, mas sua arte o é.

Assinala o triunfo de uma estética rígida que corresponde a uma sociedade imobilizada. Os princípios da escola tornam-se cânones e quem os desobedece , não ingressa no reino da poesia. Surgem vários tratados, ensinando os leitores os preceitos e os truques da nova poética que acaba caindo no gosto do público.

Um público pequeno: a elite leitora de fins do século XIX chega no máximo a cinco por cento da população.

Apresenta uma arte centrada em obviedades escritas com ênfase retórica. Além das fórmulas fixas de agrado popular, como o soneto, do refinamento verbal - que distinguia o letrado do semi-analfabeto - e das regras autoritárias de poesia, os parnasianos produzem mensagens convencionais, insípidas e, até mesmo, certas reflexões filosóficas muito próximas da banalidade.

Esta tendência ao convencional e ao lugar-comum consolida-se socialmente porque não ameaça, não questiona, não põe em xeque as concepções que as classes dirigentes tinham de si mesmas e do Brasil.

Domina intelectualmente o país por quarenta anos. De maneira inesperada, os poetas do período acabam ganhando adeptos não somente nas elites, mas também nos círculos intelectuais das nascentes classes médias urbanas.

Assim, o Parnasianismo espalha-se por todo o país, alcançando um número monumental de seguidores. Seu domínio foi de tal ordem que os organizadores da Semana de Arte Moderna tiveram como um dos objetivos básicos a destruição desses modelos parnasianos de poesia e de cultura.

Coloca a criação literária como resultante do esforço e não da inspiração. Os românticos haviam expresso uma crença tão apaixonada na espontaneidade, no "borbulhar do gênio", no instinto criativo, que todo o trabalho de pesquisa e cuidado formal do artista parecia supérfluo.

Já os parnasianos consideram a poesia como um processo artesanal de luta com as palavras, de busca do rigor, de suor e dedicação. Rompem com o amadorismo e a facilidade. Mostram que a arte, normalmente, não aceita os preguiçosos e aproximam-se da visão contemporânea sobre a construção do texto literário e o papel profissional do escritor.

O SURGIMENTO NO BRASIL

A primeira manifestação parnasiana no Brasil data de 1882, ano em que se publica o medíocre Fanfarras, de Teófilo Dias.

Mas o movimento estrutura-se e ganha prestígio popular com a constituição da famosa tríade parnasiana: Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.

OS POETAS DO PARNASIANISMO

1) OLAVO BILAC (1865-1918)

VIDA

Nasceu no Rio de Janeiro, numa família de classe média. Estudou Medicina e depois Direito, sem se formar em nenhum dos cursos. Jornalista, funcionário público, inspetor escolar, secretário do prefeito do Distrito Federal, exerceu constante atividade republicana e nacionalista, realizando pregações cívicas em todo o país, inclusive pelo serviço militar obrigatório.

Era um exímio conferencista e representou o país em vários encontros diplomáticos internacionais. Foi coroado como "príncipe dos poetas brasileiros", encarnando a liderança do grupo parnasiano. Por isso, ingressou na Academia de Letras, na condição de fundador. Paralelamente, teve certas veleidades boêmias e estas inclinações noturnas não deixaram de escandalizar e, ao mesmo tempo, fascinar a época.

OBRAS

Poesias (Reunião dos livros Panóplias, Via-láctea e Sarças de fogo -1888); Tarde (1918)

A melhor definição de Olavo Bilac é feita por Antonio Candido: "admirável poeta superficial". Poucos escritores no país merecem um conceito tão surpreendente.

Admirável ele é porque soube valorizar a profissão de homem de letras, transformando-a, conforme suas próprias palavras em "um culto e um sacerdócio".

Admirável é também a sua habilidade técnica que o leva a versificar com meticulosa precisão: parece que jamais erra métrica ou rima. "Todas as suas emoções eram já metrificadas com exatidão e rimadas com abundância", diz Mário de Andrade. Admirável, por fim, são os inúmeros sonetos que rompem com os mitos da impassibilidade e da objetividade absoluta - indicando uma herança romântica da qual o poeta não pode ou não quer se livrar.

Superficial nele são os quadros históricos e mitológicos, o erotismo de salão, as miniaturas descritivas e o nacionalismo ufanista. Os temas, em geral, não estão à altura do domínio técnico e dos recursos de linguagem.

Como acentua o próprio Antonio Candido, o poeta transforma tudo, o drama humano e a natureza, em "espetáculo", em coisa, em matéria-prima dos recursos esculturais do verso.Com algumas exceções, seus poemas nada aprofundam e ainda passam uma sensação de frieza.

Podemos indicar os seguintes assuntos como dominantes em sua poética:

A Antigüidade greco-romana 
A temática da perfeição 
O lirismo amoroso 
A reflexão existencial. 
O nacionalismo ufanista 
O LIRISMO AMOROSO

Bilac trata do amor a partir de dois ângulos distintos: um mais filosófico e sentencioso; o outro, mais descritivo e sensual. O primeiro caso ocorre nos trinta e cinco sonetos que compõem o livro Via láctea e que lhe granjearam imensa popularidade.

Escritos em decassílabos*, apresentam reflexões, lembranças, paixões concretas ou irrealizadas, cogitações sobre o caráter do afeto, etc., num conjunto de qualidade desigual, oscilando entre o gosto romântico e o gosto clássico.

O soneto XIII tornou-se antológico:

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto 
A via láctea , como um pálio aberto, 
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e entender estrelas."

*Decassílabos: versos de dez sílabas poéticas

A estes comentários sobre o significado dos sentimentos, o autor vai preferir, em Sarças de fogo, a celebração dos prazeres corpóreos. Uma profusão de beijos infinitos, abraços escaldantes, sangue fervente e atritos libidinosos ajudam a enriquecer aquele erotismo do fim do século XIX e cuja expressão em nossa pintura é Visconti (ver ilustração).

Olavo Bilac tem o olho fremente do voyeur (sujeito que se excita apenas com a contemplação dos corpos ou do ato sexual) e se compraz na descrição nem sempre sutil da anatomia feminina. Se levarmos em conta que a nudez das mulheres era um tabu na sociedade brasileira, podemos imaginar o frêmito que os seus poemas causavam então. Em Satânia, a luz do meio-dia cobre de carícias o seu esplêndido corpo.

Nua, de pé, solto o cabelo às costas, 
Sorri. Na alcova perfumada e quente, 
Pela janela, como um rio enorme, 
Profusamente a luz do meio-dia 
Entra e se espalha, palpitante e viva. (...) 
Como uma vaga preguiçosa e lenta, 
Vem lhe beijar a pequenina ponta 
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe...Cinge-lhe a perna longamente; 
Sobe... - e que volta sensual descreve 
Para abranger todo o quadril! - prossegue, 
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura, 
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios, 
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo 
Da axila, acende-lhe o coral da boca.(...)

E aos mornos beijos, às carícias ternas 
Da luz, cerrando levemente os cílios, 
Satânia os lábios úmidos encurva 
E da boca na púrpura sangrenta 
Abre um curto sorriso de volúpia...

A REFLEXÃO EXISTENCIAL

Em alguns poemas, contudo, o autor de Tarde consegue mesclar uma visão sensual da vida com meditações carregadas de melancolia e desassossego sobre a proximidade da velhice e da morte. Possivelmente são as suas melhores criações.

Não há como fugir da beleza da primeira estrofe de O vale, por exemplo:

Sou como um vale, numa tarde fria 
Quando as almas dos sinos, de uma em uma, 
No soluçoso adeus da ave-maria 
Expiram longamente pela bruma.

Nem da força de In extremis, onde na hora da morte (imaginária), o poeta lamenta a perda das coisas concretas e eróticas da existência:

Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia 
Assim! de um sol assim! 
Tu, desgrenhada e fria, 
Fria! postos nos meus os teus olhos molhados, 
E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera 
Toda azul, no esplendor do fim da primavera! 
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento! 
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento 
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! e este medo! 
Nós dois...e, entre nós dois, implacável e forte, 
A arredar-me de ti, cada vez mais, a morte...

Eu com o frio a crescer no coração, - tão cheio 
De ti, até no horror do derradeiro anseio! 
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente, 
A boca que beijava a tua boca ardente, 
A boca que foi tua!

E eu morrendo! e eu morrendo 
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo céu, e vendo 
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida, 
A delícia da vida! a delícia da vida!"

O NACIONALISMO UFANISTA

Olavo Bilac também quebra a impassibilidade parnasiana com o patriotismo retumbante de seus versos. Transforma-se numa espécie de poeta oficial da República Velha, fugindo do Brasil problemático e inventando um Brasil de heróis intrépidos, grandezas infinitas e símbolos a serem amados.

Bandeirantes ferozes, como Fernão Dias Pais Leme, são transformados em agentes da civilização ("Violador dos sertões, plantador de cidades / Dentro do coração da pátria viverás!") A natureza, a exemplo do Romantismo, vira expressão da nacionalidade. Crianças são convocadas a amar a pátria com "fé e orgulho". E a poesia parece diluir-se num manual de civismo.

Mesmo assim - descontados o tom declamatório e o excesso ufanista - sente-se aqui e ali a dimensão do verdadeiro criador.

O caçador de esmeraldas, rápida e frustrada tentativa épica, tem um belo início:

Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada 
Do outono, quando a terra, em sede requeimada, 
Bebera longamente as águas da estação, 
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata, 
À frente dos peões filhos da rude mata, 
Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão.

Um dos seus poemas patrióticos mais conhecidos é Língua portuguesa:

Última flor do Lácio*, inculta e bela, 
És, a um tempo, esplendor e sepultura: 
Ouro nativo, que na ganga* impura 
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura. 
Tuba* de alto clangor*, lira singela, 
Que tens o trom* e o silvo da procela* , 
E o arrolo* da saudade e da ternura! 

Amo o teu viço agreste e teu aroma 
De virgens selvas e de oceano largo! 
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!" 
E em que Camões chorou, no exílio amargo, 
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

* Lácio: região que circunda Roma e onde se origina o latim. 
* Ganga: resíduo inútil de minério. 
* Tuba: instrumento de sopro, similar à trombeta 
* Clangor: som forte 
* Trom: som de trovão 
* Procela: tempestade 
* Arrolo: arrulho, acalanto

2) ALBERTO DE OLIVEIRA (1857-1937)

VIDA

Nasceu no interior do Rio de Janeiro e formou-se em Farmácia. Exerceu várias funções públicas, entre as quais o magistério e tornou-se um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua lírica descritivista e convencional lhe garantiu um lugar no gosto médio da época, substituindo Olavo Bilac na condição de "príncipe dos poetas brasileiros", em 1924, quando o Parnasianismo já fora destruído pelas novas elites artísticas do país. Morreu em Niterói, aos oitenta anos.

OBRAS PRINCIPAIS

Meridionais (1884); Versos e rimas (1895); O livro de Ema (1900)

Entre todos os parnasianos é o que mais permanece atado aos rigorosos padrões do movimento. Manipula os procedimentos técnicos de sua escola com precisão, mas essa técnica ressalta ainda mais a pobreza temática, a frieza e a insipidez de uma poesia hoje ilegível. Alfredo Bosi acentua que o criador de Vaso grego sonha em desfazer-se de todos os compromissos com a realidade.

Na década de 1920, Mário de Andrade já havia escrito que o único problema de Alberto de Oliveira era o não ter nada para dizer, e que uma lágrima de qualquer poema de Goethe possuía mais lirismo que a obra completa desse parnasiano menor.

Confirmando a justiça desses julgamentos, pouco encontramos em Alberto de Oliveira além de poemas que reproduzem mecanicamente a natureza e objetos decorativos. Enfim, uma poesia de rimas exatas e métrica correta. Uma poesia sobre coisas inanimadas. Uma poesia tão morta como os objetos descritos.

Vaso grego é a tradução desta mediocridade:

Esta de áureos* relevos, trabalhada 
De divas* mãos, brilhante copa, um dia, 
Já de aos deuses servir como cansada, 
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos* que a suspendia 
Então, e, ora repleta ora esvazada, 
A taça amiga aos dedos seus tinia, 
Toda de roxas pétalas colmada*.

Depois... Mas o lavor da taça admira, 
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas 
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota* voz, qual se da antiga lira 
Fosse a encantada música das cordas 
Qual se essa voz de Anacreonte* fosse.

* Áureos: de ouro 
* Diva: deusa, mulher formosa 
* Teos: 
* Colmada: coberta 
* Ignota: desconhecida 
* Anacreonte: poeta grego

3) RAIMUNDO CORREIA (1859-1911)

VIDA

Nasceu no Maranhão e formou-se advogado, em São Paulo. Trabalha no interior do Rio de Janeiro como magistrado e, em Ouro Preto, como secretário de Finanças. Passa em seguida para a diplomacia, trabalhando em Lisboa. Volta mais tarde à antiga capital federal , onde mais uma vez exerce a magistratura. Morre, com cinqüenta e dois anos, em Paris, onde fazia um tratamento de saúde.

OBRAS PRINCIPAIS

Sinfonias (1883); Aleluias (1891)

A exemplo dos demais componentes da tríade parnasiana, Raimundo Correia foi um consumado artesão do verso, dominando com perfeição as técnicas de montagem e construção do poema. Alguns críticos valorizam nele o sentido plástico de suas descrições da natureza.

O gelo descritivista da escola seria quebrado por uma emoção genuína - fina melancolia - que humanizava a paisagem, como se pode visualizar no excerto abaixo:

Esbraseia o Ocidente na agonia 
O sol...Aves bandos destacadas 
Por céus de oiro e de púrpura raiados 
Fogem...Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além da serraria, 
Os vértices da chama aureolados. 
E em tudo, em torno, esbatem derramados 
Uns tons suaves de melancolia...

O PESSIMISMO FILOSOFANTE

Essa melancolia transforma-se, em outros poemas, numa visão dolorida da existência. O acento pessimista, a busca de uma dimensão quase filosófica para o fracasso dos sonhos e certas emanações sensíveis garantiriam a Raimundo Correia um lugar especial dentro doParnasianismo, não fosse a falta de originalidade de sua inspiração.

Mais de uma vez os estudiosos surpreenderam influências excessivas de autores estrangeiros em sua obra. Tanto em Mal secreto, quanto em As pombas, seus dois sonetos mais conhecidos, há um quase plágio de textos de Metastásio e Théofile Gautier, respectivamente.

A par dessa falta de singularidade, acrescente-se que ele ajuda a forjar o gosto da época por poemas de reflexão existencial. Poemas que, na rigidez da fórmula de quatorze versos, apresentam pequenas sínteses morais sobre a condição humana, numa filosofia bastante próxima da banalidade. Tais lugares-comuns do pensamento, como já vimos, agradavam ao público, mas estão longe de constituir fonte profunda de indagação e questionamento do sentido da vida.

Entre as "pérolas" de seu repertório está justamente o soneto As pombas, um dos mais recitados no país:

Vai-se a primeira pomba despertada... 
Vai-se outra mais...mais outra...enfim dezenas 
De pombas vão-se dos pombais, apenas 
Raia sangüínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada 
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, 
Ruflando as asas, sacudindo as penas, 
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam, 
Os sonhos, um por um, céleres voam, 
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam, 
Fogem...Mas aos pombais as pombas voltam, 
E eles aos corações não voltam mais...

Não menos enfático e declamatório, e com aquele acento filosofante beirando à trivialidade, é o soneto Mal secreto:

Se a cólera que espuma, a dor que mora 
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce, 
Tudo o que punge, tudo o que devora 
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora, 
Ver através da máscara da face, 
Quanta gente, talvez, que inveja agora 
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo 
Guarda um atroz, recôndito* inimigo, 
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe, 
Cuja ventura única consiste 
Em parecer aos outros venturosa!"

OUTROS PARNASIANOS

Além do catarinense Luís Delfino, que com Sonetos e rimas evolui do ultra-romantismo para um parnasianismo feito de referências ao mundo da Antigüidade, destaca-se também Francisca Júlia, que com Mármores torna-se o primeiro nome feminino conhecido em nossa literatura. Ela atinge, no dizer de um crítico, a absoluta impassibilidade exigida pelo movimento, sem que isso signifique, é óbvio, equivalente qualidade literária.

Fora a tríade, o nome mais significativo do período é o de Vicente de Carvalho, poeta santista que, em suas obras principais (Ardentias, Poemas e canções), tematiza preferencialmente o oceano dentro de uma técnica parnasiana.

Pelo menos um crítico viu nesta obsessão pelo mar um legado cultural do Romantismo. O certo, entretanto, é que, apesar da beleza de algumas descrições, livres dos rigor formal da escola, o poeta manteve quase sempre a objetividade, fugindo de um registro original ou subjetivo da natureza.

Algumas de suas "marinhas" são mais espontâneas:

Mar, belo mar selvagem 
Das nossas praias solitárias. Tigre 
A que as brisas da terra o sono embalam, 
A que o vento largo eriça o pêlo!

* Recôndito: escondido, âmago.

Fonte: www.ligse.com.br

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