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Realismo



CONTEXTO HISTÓRICO

O Realismo, no Brasil, nasceu em conseqüência da crise criada com a decadência econômica açucareira, o crescimento do prestígio dos estados do sul e o descontentamento da classe burguesa em ascensão na época, o que facilitou o acolhimento dos ideais abolicionistas e republicanos. O movimento Republicano fundou em 1870 o Partido Republicano, que lutou para trocar o trabalho escravo pela mão-de-obra imigrante.

Nesse período, as idéias de Comte, Spencer, Darwin e Haeckel conquistaram os intelectuais brasileiros que se entregaram ao espírito científico, sobrepujando a concepção espiritualista do Romantismo. Todos se voltam para explicar o universo através da Ciência, tendo como guias o positivismo, o darwinismo, o naturalismo e o cientificismo. O grande divulgador do movimento foi Tobias Barreto, ideólogo da Escola de Recife, admirador das idéias de Augusto Comte e Hipólito Taine.

O Realismo e o Naturalismo aqui se estabelecem com o aparecimento, em 1881, da obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo, influenciados pelo escritor português Eça de Queirós, com as obras O Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio (1878). O movimento se estende até o início do século XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir uma nova estética: o Pré-Modernismo.

CARACTERÍSTICAS

A literatura realista e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela sensibilidade o real.

Contudo, a escola Realista atinge seu ponto máximo com o Naturalismo, direcionado pelas idéias materialísticas. Zola, por volta de 1870, busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos princípios, negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante da natureza, colocar a observação e experiência acima de tudo. O afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à observação objetiva e à razão, sempre, aplicadas ao estudo da natureza, orientando toda busca de conhecimento.

Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".

Vindo da Europa com tendências ao universal, o Realismo acaba aqui modificado por nossas tradições e, sobretudo, pela intensificação das contradições da sociedade, reforçadas pelos movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com o avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos sob a ótica da Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin oferece novas perspectivas com base científica, concorrendo para o nascimento de um tipo de literatura mais engajada, impetuosa, renovadora e preocupada com a linguagem.

Os temas, opostos àqueles do Romantismo, não mais engrandecem os valores sociais, mas os combatem ferozmente. A ambientação dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis, localizados com precisão; os casamentos felizes são substituídos pelo adultério; os costumes são descritos minuciosamente com reprodução da linguagem coloquial e regional.

O romance sob a tendência naturalista manifesta preocupação social e focaliza personagens vivendo em extrema pobreza, exibindo cenas chocantes. Sua função é de crítica social, denúncia da exploração do homem pelo homem e sua brutalização, como a encontrada no romance de Aluísio Azevedo.

A hereditariedade é vista como rigoroso determinismo a que se submetem as personagens, subordinadas, também, ao meio que lhes molda a ação, ficando entregues à sensualidade, à sucessão dos fatos e às circunstâncias ambientais. Além de deter toda sua ação sob o senso do real, o escritor deve ser capaz de expressar tudo com clareza, demonstrando cientificamente como reagem os homens, quando vivem em sociedade.

Os narradores dos romances naturalistas têm como traço comum a onisciência que lhes permite observar as cenas diretamente ou através de alguns protagonistas. Privilegiam a minúcia descritiva, revelando as reações externas das personagens, abrindo espaço para os retratos literários e a descrição detalhada dos fatos banais numa linguagem precisa.

Outro tratamento típico é a caracterização psicológica das personagens que têm seus retratos compostos através da exposição de seus pensamentos, hábitos e contradições, revelando a imprevisibilidade das ações e construção das personagens, retratadas no romance psicológico dos escritores Raul Pompéia e Machado de Assis.

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

Realismo

A desilusão com o fracasso dos ideais do liberalismo, a miséria das cidades e a crise da produção no campo, as más condições de vida da maioria da população, contrapostas aos privilégios da burguesia, explicam a substituição do idealismo romântico, desde o fim da primeira metade do século XIX, por uma visão mais objetiva e desiludida da realidade.

Fase de transição

Elementos românticos e realistas misturam-se nos autores de transição. São representantes dessa corrente os franceses Honoré de Balzac, cujo ciclo de romances, A comédia humana, traça vasto painel da sociedade oitocentista, Stendhal (O vermelho e o negro) e Prosper Merrimée (Carmen); o inglês William Makepeace Thackeray (A feira das vaidades); ou os russos Nikolai Gogol (Almas mortas) e Ivan Turgueniev (Pais e filhos).

Honoré de Balzac (1799-1850)

Freqüenta os salões de Paris, viaja muito e procura sempre um meio de enriquecer. Paralelamente, produz numa velocidade extraordinária. Nos 20 últimos anos de vida escreve cerca de 90 romances, 30 contos e cinco peças de teatro. Em 1842, dá o nome de A comédia humana para o conjunto de seus romances, subdivididos em três grandes títulos: Estudos dos costumes do século XX, Estudos filosóficos e Estudos analíticos. Seus romances são realistas nos detalhes físicos, de posição social, vestuário, habitação e traçam um gigantesco painel da sociedade da época.

Temas sociais

A preferência por temas e personagens contemporâneos caracteriza Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Judas, o obscuro, de Thomas Hardy, Crime e castigo, de Fiodor Dostoievski, ou os contos de Guy de Maupassant, Giovanni Verga e Anton Tchekhov. Há atitude crítica em O Primo Basílio, de Eça de Queirós, Ressurreição, de Leon Tolstói, Sangue e areia, de Vicente Blasco-Ibáñez, ou A terra prometida, do dinamarquês Henrik Pontoppidan, preocupados com mensagens de alcance moral ou social. A mesma postura engajada observa-se em poetas como os portugueses Antero de Quental (Sonetos) e Abílio Manuel Guerra Junqueiro (A velhice do Padre Eterno).

Gustave Flaubert (1821-1880)

Nasce em Rouen, França. Abandona os estudos de direito em Paris e se retira para um sítio em Croisset, dedicando-se a escrever por cerca de 30 anos em isolamento. Madame Bovary – história do adultério de Emma Bovary, que termina em suicídio – provoca grande escândalo quando é lançado. Há em todo o livro uma forte crítica aos valores românticos e burgueses.

Fiodor Dostoievski (1821-1881)

Nasce em Moscou. Por sua ligação com círculos liberais é preso e condenado à morte, só tendo a pena transformada em deportação momentos antes da execução. Passa cinco anos preso na Sibéria e mais cinco como soldado de um batalhão. Anistiado em 1859, passa a morar em São Petersburgo. Crime e castigo é um drama moral de grande profundidade psicológica, onde o estudante Raskolnikov assassina uma usurária para roubar o dinheiro e salvar sua família. Os irmãos Karamazov traça um panorama de todo o povo russo.

José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) nasce em Póvoa de Varzim, Portugal. Filho ilegítimo, passa a infância afastado dos pais. Forma-se em direito pela Universidade de Coimbra, em 1866, e estréia como escritor na Gazeta de Portugal. Na década de 70 segue a carreira diplomática. Em 1889 funda a Revista de Portugal e colabora com artigos e contos na imprensa brasileira.

Seu Realismo sarcástico e espirituoso produz grandes obras como O crime do padre Amaro, O primo Basílio, A ilustre casa de Ramires.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

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