A Alta Renascença cronologicamente engloba os anos finais do Quattrocento e as primeiras décadas do Cinquecento, sendo delimitada aproximadamente pelas obras de maturidade de Leonardo da Vinci (a partir de c. 1480) e o Saque de Roma em 1527.
É a fase de culminação do Renascimento, que se dissipa mal é atingida, mas seu reconhecimento é importante porque aqui se cristalizam ideais que caracterizam todo o movimento renascentista: o Humanismo, a noção de autonomia da arte, a emancipação do artista de sua condição de artesão e equiparação ao cientista e ao erudito, a busca pela fidelidade à natureza, e o conceito de gênio, tão perfeitamente encarnado em Da Vinci, Rafael e Michelangelo, e se a passagem da Idade Média para a Idade Moderna não estava ainda completa, pelo menos estava assegurada sem retorno possível.
Eventos como a descoberta da América e a Reforma Protestante, e técnicas como a imprensa de tipos móveis, transformam a cultura e a visão de mundo dos europeus, ao mesmo tempo em que a atenção de toda a Europa se volta para a Itália e seus progressos e as grandes potências da França, Espanha e Alemanha desejam sua partilha, fazendo dela um campo de batalhas e pilhagens, e com isso espalhando sua arte e influência por uma vasta região do continente [18][19][20]

Michelangelo: David, 1504. Galleria dell’Accademia

Rafael: Madonna Cowper, 1504/1505. National Gallery of Art, Washington

Leonardo: A Virgem das Rochas, versão de Londres, 1503-1506. National
Gallery

Bramante: O Tempietto na igreja de San Pietro in Montorio, 1502. Roma
É na Alta Renascença que a arte atinge a perfeição e o equilíbrio classicistas perseguidos durante todo o processo anterior, especialmente no que diz respeito à pintura e à escultura.
Porém esse classicismo, embora maduro e rico, conseguindo plasmar obras de grande pujança, comparáveis à arte antiga, tem forte carga formalista, espelhando o código de ética artificial, cosmopolita e abstrato que se impõe entre os círculos ilustrados e que prescreve a moderação, autocontrole, dignidade e polidez em tudo, e que tem na pintura de Rafael e na música de Palestrina seus mais perfeitos representantes artísticos, e no livro O Cortesão de Baldassare Castiglione sua súmula teórica.
O idealismo que foi intensamente cultivado na antigüidade clássica encontra uma atualização e, segundo Hauser,: