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Renascimento

Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.

As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.

O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e, portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.

Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens “modernos” valorizaram o antropocentrismo: “O homem é a medida de todas as coisas”; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.

Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.

Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o “culto ao prazer”, ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.

O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de “homem universal”, matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.

Itália: O Berço do Renascimento

Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aquelas ligadas ao comércio.

Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se, possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.

Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos “sábios bizantinos”, homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.

A Produção Renascentista

É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de “alguns grandes homens”, mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.

O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento. O Mecenas era considerado como “protetor”, homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.

Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.

A Expansão do Renascimento

No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.

O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses “países atlânticos” desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.

Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.

A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.

Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante não existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.

Contexto Histórico

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Leonardo da Vinci nasceu em Vinci, próximo a Florença, na Itália, em 15 de abril de 1452. Filho ilegítimo do notário florentino Ser Piero e de uma camponesa, foi criado pelo pai. Ao revelar vocação para a pintura e o desenho, empregou-se como aprendiz do escultor e pintor Andrea del Verrocchio, por volta de 1467. Trabalhou com Verrocchio até 1477 e, nos quatro anos seguintes, sozinho.

Por volta de 1480 começou a pintar "São Jerônimo", que deixou inacabado. No ano seguinte mudou-se para Milão e trabalhou na "Adoração dos magos", encomenda dos monges de San Donato, em Scopeto.

Também inacabada, essa é a primeira tela que pode ser atribuída com segurança a Leonardo. Nela se percebe o gênio do artista que, embora se considerasse continuador direto de Giotto e de Masaccio, já não apresentava em sua pintura semelhança alguma com a tendência plástico-formal própria da escola florentina do Renascimento.

A serviço de Ludovico Sforza, desenvolveu vários projetos de engenharia militar, realizou estudos hidráulicos sobre os canais da cidade e, como diretor das festas promovidas pela corte, organizou competições, representações e torneios, para muitos dos quais desenhou cenários e figurinos.

Dedicou-se também ao estudo da anatomia, física, botânica, geologia e matemática. Nesse período, pintou algumas de suas obras-primas -- a primeira versão da "Virgem dos rochedos" (c. 1483) e a "Última ceia" (1495-1497) --, decorou a Sala delle Asse (c. 1498) e trabalhou numa estátua eqüestre de Francesco Sforza, jamais fundida em bronze.

Iniciou nessa fase a redação dos manuscritos do Trattato della pittura, cuja primeira edição impressa data de 1651.

Quando, em 1499, tropas francesas invadiram Milão, Leonardo voltou para Florença, já como artista consagrado. Em 1502 decidiu acompanhar Cesare Borgia na campanha de Romagna, como arquiteto e engenheiro militar.

No ano seguinte estava de volta a Florença, onde, durante o cerco de Pisa, desenvolveu um projeto para desviar o curso do rio Arno, de forma a cortar o acesso da cidade ao mar. No mesmo ano, começou a pintar "Mona Lisa", uma de suas obras mais conhecidas e na qual a arte da pintura atinge um de seus grandes momentos.

Iniciou também o quadro "Leda", conhecido apenas por intermédio de cópias, que parece ter sido o único nu de toda a sua obra, e, com Michelangelo, cujo prestígio já começava a superar o seu, decorou a sala do conselho do Palazzo Vecchio. Michelangelo pintou uma cena da batalha de Cascina, enquanto Leonardo pintava a "Batalha de Anghiari". Nenhum dos dois trabalhos foi concluído.

Entre 1506 e 1513 Leonardo novamente residiu em Milão, onde tornou-se conselheiro artístico do governador francês, Charles d'Amboise, e projetou para ele um novo palácio. Com o restabelecimento da dinastia Sforza, Leonardo foi para Roma, em 1513, onde permaneceu sob a proteção de Giuliano de Medici, irmão do papa Leão X.

Nessa época, aprofundou suas pesquisas ópticas e matemáticas. Depois da morte de Giuliano, em 1516, Leonardo foi para Amboise, a convite de Francisco I, que o nomeou primeiro-pintor, engenheiro e arquiteto do rei. Continuou então os estudos de hidráulica, ao mesmo tempo em que organizou cadernos de apontamentos e preparou festas para a corte.

Leonardo voltou sua curiosidade para todos os campos do saber e da arte, e em cada um deles afirmou seu gênio. Apesar de não ter realizado as grandes obras com que sonhava na pesquisa científica, a vasta informação contida em seus apontamentos e desenhos é suficiente para demonstrar a universalidade de seu saber. Ao estudo da estática e da dinâmica dedicou algumas de suas pesquisas mais valiosas. Baseou-se na leitura da obra de Aristóteles e de Arquimedes, às quais foi um dos primeiros a acrescentar contribuição original.

Da Vinci estudou ainda as condições de equilíbrio sobre um plano inclinado e enunciou o teorema do polígono de sustentação da balança. Realizou pesquisas originais sobre os centros de gravidade -- no que antecipou-se a Galileu -- e idealizou uma máquina destinada a testar a resistência dos fios metálicos à tração. Ainda no domínio da física, estudou os efeitos do atrito e enunciou definições para força, percussão e impulso.

A partir do vôo dos pássaros, Leonardo determinou os princípios da construção de um aparelho mais pesado do que o ar, capaz de voar com a ajuda da força do vento. Entre seus desenhos incluem-se esboços de um aparelho bastante parecido com o helicóptero moderno e o esquema de um pára-quedas.

De sua atividade como projetista militar destacam-se os vários desenhos de canhões, metralhadoras, carros de combate, pontes móveis e barcos, bem como estudos sobre a melhor maneira de abordagem de um barco grande por um pequeno, o esquema de um submarino e bombardas. Leonardo inventou também máquinas hidráulicas destinadas à limpeza e dragagem de canais, máquinas de fiar, trivelas, tornos e perfuratrizes. Também antecipou-se aos urbanistas com seus projetos de cidades.

Características

No Trattato della pittura, Leonardo da Vinci defendeu essa forma de arte como indispensável à realização da exploração científica da natureza e aconselhou os pintores a não se limitarem à expressão estática do ser humano. Utilizava ao pintar todos os seus conhecimentos científicos: suas figuras humanas derivavam diretamente dos estudos de anatomia, enquanto as paisagens revelavam o conhecimento de botânica e geologia.

Muitas de suas obras se perderam, foram destruídas ou ficaram inacabadas. Conhecem-se apenas cerca de 12 telas de Leonardo de autenticidade indiscutível. Ao longo de sua obra, é visível a importância cada vez maior que o artista concede aos contrastes entre luz e sombra, e, principalmente, ao movimento. Com o sfumato, que dilui as figuras humanas na atmosfera, Leonardo realizou síntese admirável entre modelo e paisagem.

A "Última ceia", um dos quadros mais famosos do mundo, foi muito danificada e sofreu diversas restaurações, motivo pelo qual pouco resta do original. É inigualável, no entanto, a solidão de Cristo, em contraste com a agitação dos apóstolos, dividos em grupos de três. Judas, o traidor, é a única figura em isolamento entre eles. Os vários estudos e desenhos de Leonardo revelam a preocupação do autor com os menores detalhes da cena.

Pouco antes de morrer, no castelo de Cloux, perto de Amboise, na França, em 2 de maio de 1519, nomeou seu discípulo predileto, Francisco Melzi, herdeiro de todos os valiosos estudos, desenhos e anotações que deixava. Melzi preservou cuidadosamente a herança, mas com sua morte, cerca de cinqüenta anos após a morte do mestre, os manuscritos se dispersaram. Conservaram-se cerca de 600 desenhos, que representam talvez a terça parte da vasta produção de Leonardo da Vinci.

Michelangelo Buonarroti (1475-1564)

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasceu em 6 de março de 1475 em Caprese, localidade próxima à cidade toscana de Arezzo, Itália.

Quando ainda era criança, sua família mudou-se para Florença, onde, em 1488, entrou como aluno para o ateliê do pintor Domenico Ghirlandaio, com quem aprendeu as técnicas de afresco e painel. No ano seguinte, graças ao mecenato de Lourenço o Magnífico, passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni no jardim onde a família senhorial de Florença conservava uma valiosa coleção de esculturas antigas.

Após a morte de Lourenço, em 1492, e pouco antes da expulsão da família Medici pelo pregador e reformador religioso Girolamo Savonarola, Michelangelo fugiu para Bolonha, onde, sob a influência de Jacopo della Quercia, esculpiu três estátuas para o túmulo de são Domingos.

De volta a Florença, esculpiu em madeira a "Crucificação" (autenticada somente em 1965), que doou a uma igreja em agradecimento por lhe terem permitido estudar os cadáveres ali conservados.

Em 1496 mudou-se para Roma, onde esculpiu "Baco", antes de voltar-se para a temática de inspiração religiosa que dominaria sua arte a partir de 1498. Sua grande obra do período é a "Pietà" de mármore que se encontra na basílica de São Pedro, em Roma, na qual a cena trágica contrasta com a serenidade do juveníssimo rosto da Virgem.

Retornou a Florença e, em 1501, recebeu o encargo de realizar as 15 figuras da capela Piccolomini da catedral de Siena e o colossal "Davi" de mármore, concluído em 1504. Essa estátua, hoje na Academia de Belas-Artes de Florença, veio a converter-se na encarnação do espírito e da força da cidade.

No mesmo ano, o artista começou a pintar o afresco "Batalha de Cascina" para a sala do conselho do Palazzo Vecchio florentino. Essa grande pintura, posteriormente destruída, suscitou certa rivalidade entre Michelangelo e Leonardo da Vinci, que estava pintando "A batalha de Anghiari" na parede oposta.

O papa Júlio II chamou o já célebre gênio toscano a Roma, em 1505, para encarregá-lo de um grande mausoléu com mais de quarenta figuras em tamanho natural. O projeto, que não chegou a ser concluído, acarretou muitos problemas para Michelangelo, desde assistência inadequada na execução do projeto a falta de pagamento. O escultor desentendeu-se então com o papa e fugiu de Roma.

Em Florença, Piero Solderini convenceu-o a desculpar-se. Júlio II lhe encomendou então uma estátua em bronze para a igreja de São Petrônio, concluída em 1508. Nesse mesmo ano, Michelangelo recebeu o primeiro pagamento do papa para iniciar a ampliação da capela Sistina, cujos afrescos pintou até 1512. Embora tenha trabalhado como pintor a contragosto, pois preferia a escultura, realizou na capela Sistina afrescos tidos como a expressão máxima da arte pictórica do Renascimento.

Em 1513 o artista finalmente conseguiu renegociar o contrato do mausoléu com os herdeiros de Júlio II. O projeto foi reduzido e Michelangelo idealizou para o sepulcro sua célebre estátua "Moisés", de mármore, e duas figuras torturadas de escravos.

Os Medici haviam retomado o poder em Florença em 1512, e os papas Leão X e Clemente VII, membros dessa família, encarregaram Michelangelo de vários projetos a serem realizados em Florença, onde o artista residiu ocasionalmente entre 1514 e 1534.

Em 1520, Michelangelo comprometeu-se a projetar uma capela mortuária na igreja de São Lourenço, que deveria abrigar os sepulcros da família Medici e, em 1524, Clemente VII encarregou-o do projeto da Biblioteca Laurenziana.

No mausoléu dos Medici, as estátuas de Juliano e Lourenço o Magnífico, dispostas em nichos sobre as tumbas, representaram um novo ponto de partida no campo da escultura funerária. Sob elas, Michelangelo acrescentou quatro figuras em mármore que representam o mundo terreno em gradações do dia: "Aurora", "Dia", "Crepúsculo" e "Noite". Também construiu o recinto solene da capela que, apesar da extrema simplicidade das linhas arquitetônicas, é para muitos a maior obra do artista.

No período republicano que se seguiu à queda dos Medici, Michelangelo colaborou ativamente na vida pública florentina e projetou a fortificação da cidade contra os ataques dos exércitos papal e imperial.

Derrotada Florença, e com os Medici de novo no poder, o artista concluiu a obra do sepulcro. Em 1534, nomeado pelo papa Paulo III escultor, pintor e arquiteto oficial do Vaticano, fixou residência definitiva em Roma.

Entre 1536 e 1541, realizou no altar da capela Sistina o grande afresco "Juízo final". A gigantesca composição aparece dominada pela vigorosa figura de Cristo que, como juiz universal, ordena a salvação dos bem-aventurados e o castigo dos pecadores. A obra reflete de forma dramática as inquietudes espirituais do já idoso Michelangelo.

Em seus últimos anos de vida, os encargos e projetos do artista foram principalmente obras de arquitetura. A partir de 1546, criou as janelas do segundo andar e a grande ante-sala do Palazzo Farnese, em Roma.

Em 1538, já tinha transferido a estátua antiga do imperador Marco Aurélio para o centro da praça do Capitólio, que ele reurbanizou. Entre 1561 e 1564 construiu, dentro das ruínas das termas de Diocleciano, a grande igreja Santa Maria degli Angeli.

A partir de 1547, dirigiu os trabalhos da basílica de São Pedro; a grande cúpula da basílica é de sua autoria. Entre as esculturas de seus últimos anos, destaca-se a "Pietà Rondanini".

Alternou o trabalho em outras áreas com a criação de uma obra poética de grande sensibilidade, escrita a partir de 1530. O conjunto de seus textos, com justiça caracterizados como uma "biografia espiritual", reúne mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poemas, inclusive fragmentos inacabados.

Celebrado como grande personalidade artística de seu tempo, Michelangelo morreu em Roma, em 18 de fevereiro de 1564, aos 88 anos de idade.

Rafael (Rafaello Sanzio) - 1483-1520

Raffaello Sanzio, conhecido em português como Rafael, nasceu em Urbino, então capital do ducado do mesmo nome, na Itália, em 6 de abril de 1483. Seu pai, Giovanni Santi, era pintor de poucos méritos mas homem culto e bem relacionado na corte do duque Federico de Montefeltro. Transmitiu ao filho, de precoce talento, o amor pela pintura e as primeiras lições do ofício. O duque, personificação do ideal renascentista do príncipe culto, encorajara todas as formas artísticas e transformara Urbino em centro cultural, a que foram atraídos homens como Donato Bramante, Piero della Francesca e Leone Battista Alberti.

Após a morte do pai, em 1494, Rafael foi para Perugia, onde aprendeu com Pietro Perugino a técnica do afresco ou pintura mural. Em sua primeira obra de realce, "O casamento da Virgem" (1504), a influência de Perugino evidencia-se na perspectiva e na relação proporcional entre as figuras, de um doce lirismo, e a arquitetura. A disposição das figuras é, no entanto, mais informal e animada que a do mestre.

Florença. No outono de 1504, Rafael foi a Florença, atraído pelos trabalhos que estavam sendo realizados, no Palazzo della Signoria, por Leonardo da Vinci e Michelangelo. Sob a influência sobretudo da obra de Da Vinci, absorveu a estética renascentista e executou diversas madonas, entre as quais a "Madona Esterházy" e "A bela jardineira". Fez uso das grandes inovações introduzidas na pintura por Da Vinci a partir de 1480: o claro-escuro, contraste de luz e sombra que empregou com moderação, e o esfumado, sombreado levemente esbatido, ao invés de traços, para delinear as formas. A influência de Michelangelo, patente na "Pietà" e na "Madona do baldaquino", consistiu sobretudo na exploração das possibilidades expressivas da anatomia humana.

Roma. Por sugestão de Bramante, seu amigo e arquiteto do Vaticano, Rafael foi chamado a Roma pelo papa Júlio II em 1508. Nos 12 anos em que permaneceu nessa cidade incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil. Dos afrescos do Vaticano, os mais importantes são a "Disputa" (ou "Discussão do Santíssimo Sacramento") e a "Escola de Atenas", ambos pintados na Stanza della Segnatura. O primeiro, que mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Já a "Escola de Atenas" é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico.

Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant'Eligio degli Orefici. Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal.

Em 1514, com a morte de Bramante, Rafael foi nomeado para suceder-lhe como arquiteto do Vaticano e assumiu as obras em curso na basílica de São Pedro, onde substituiu a planta em cruz grega, ou radial, por outra mais simples, em cruz latina, ou longitudinal. Sucedeu também a Bramante na decoração das loggias (galerias) do Vaticano, aí realizando composições de lírica simplicidade que pareciam contrabalançar a aterradora grandeza da capela Sistina pintada por Michelangelo.

Competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, Rafael foi designado, em 1515, para supervisionar a preservação de preciosas inscrições latinas em mármore. Dois anos depois, foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade. Sua última obra, a "Transfiguração", encomendada em 1517, desvia-se da serenidade típica de seu estilo para prefigurar coordenadas de um novo mundo turbulento -- o da expressão barroca.

Em conseqüência da profundidade filosófica de muitos de seus trabalhos, a reputação de humanista e pensador neoplatônico de Rafael implantou-se em Roma. Entre seus amigos havia respeitados homens de letras, como Castiglione e Pietro Aretino, além de muitos artistas. Em 1519 ele projetou os cenários para a comédia I suppositi, de Ludovico Ariosto. Coberto de honrarias, Rafael morreu em Roma em 6 de abril de 1520.

Características

Leonardo Da Vinci introduziu o conceito do chiaroscuro (o claro-escuro). Michelangelo, por sua vez, recriou a concepção helênica da luta do homem contra o Universo. Rafael foi além e contrastou com o temperamento forte e impulsivo de seus contemporâneos. Empreendeu, com doçura, a busca de uma beleza racional e serena. Sua pintura expressou o belo idealizado, muito mais próxima dos conceitos da Antiguidade Clássica, e as primeiras obras revelaram a intensa influência que teve com o trabalho de Perugino. Nessas telas, as tonalidades eram sempre claras – e os exemplos dessa fase são Sonho de Cavaleiro, Madona do Livro e Três Graças.

A influência de Perugino aparece, ainda, na obra Núpcias da Virgem. Atento, ele também assimilou influências de Leonardo Da Vinci e Michelangelo. Inspirado neste último, e em Frei Bartolomeu, adotou a composição piramidal em A Bela Jardineira. Em Dama com Unicórnio é sensível a influência da Monalisa, de Da Vinci, Cuja predileção pelo chiaroscuro animou-o também na produção de São Jorge e o Dragão.

A ideologia renascentista está também nas madonas de Rafael. Uma das mais famosas é a Madona Sistina, descalça e sem auréola, o que suscitou muita discussão a respeito. A Madona da Poltrona trouxe figuras mais carnais do que místicas, e a placidez demonstrou uma beatitude sobrenatural. Em sua maioria, os temas desenvolvidos por ele eram religiosos, como em a Libertação de São Pedro, um dos oito afrescos que decoram a Stanza di Eliodoro, no Vaticano. Nesse trabalho, a grande protagonista é a luz que emana do anjo e ilumina a cena. Esse jogo de luzes seria muito usado pelo artista holandês Rembrandt, no século seguinte. Para decorar o local, Rafael pintou um grande afresco dividido em vários instantes, como a Discussão do Santíssimo Sacramento, que representa a ciência divina, a Escola de Atenas, simbolizando o conhecimento humano, e o Parnaso, em que a poesia faz a ponte entre Deus e os homens. Na Escola de Atenas, o artista revelou seu talento de retratista ao adequar personalidades do seu tempo aos trajes dos antigos filósofos.

Como pintor da moda, ele vivia tão atarefado que muitas telas foram transferidas para os seus assistentes. Foi o que ocorreu com a maior parte da decoração da Farnesina, residência de verão do poderoso banqueiro Chigi. É provável que Rafael tenha pintado apenas o afresco Galatea. Uma de suas obras-primas irretocáveis é o Retrato de Cardeal, na qual, além de ter registrado perfeitamente a figura humana, o mestre renascentista captou as características emocionais do personagem. Nessa obra, ele conseguiu estabelecer, por meio de contraste cromético, um jogo de textura como se o espectador pudesse ter a sensação de sentir como se fossem reais as vestes do religioso.

Oswaldo S. Neto

Fonte: mail.senacsp.edu.br

Renascimento

O termo renascimento, ou renascença, faz referência a um movimento intelectual e artístico surgido na Itália, entre os séculos XIV e XVI, e daí difundido por toda a Europa. À concepção medieval do mundo se contrapõe uma nova visão, empírica e científica, do homem e da natureza.

A idéia de um 'renascimento' ocorrido nas artes e na cultura relaciona-se à revalorização do pensamento e da arte da Antigüidade clássica e à formação de uma cultura humanista. A obra do pintor, arquiteto e teórico Giorgio Vasari (1511-1574) constitui a principal fonte de informação acerca da arte renascentista italiana. A renovação das artes ocorrida na Itália, segundo o seu célebre Vida dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos (1550; 2ª edição 1568), tem como ponto de apoio a recusa do antinaturalismo da tradição bizantina e, paralelamente, a redescoberta da escultura clássica operada por Nicola Pisano no sarcófago de Pisa. A visão de Vasari sobre a história da arte italiana como progresso, com seu ápice no século XV, fornece as balizas para os juízos críticos posteriores.

A noção de renascimento tal como a entendemos hoje, é estabelecida pelo historiador suíço Jacob Burckhardt (1818-1897) em seu livro A cultura do Renascimento na Itália (1867), que define o período como de grande florescimento do espírito humano, espécie de "descoberta do mundo e do homem".

É possível afirmar, sem entrar na discussão dos limites cronológicos do renascimento, que os artistas do período se orientam por ideais de perfeição, harmonia, equilíbrio e graça - representados com o auxílio dos sentidos de simetria e proporção das figuras - de acordo com os parâmetros ditados pelo belo clássico. Algumas obras de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) exemplificam a realização do modelo clássico, seja nos estudos de anatomia para composições maiores (Estudo para uma das Sibilas no teto da capela Sistina), seja em esculturas, como o célebre Davi (1501/1504). As imagens de Rafael (1483-1520), por sua vez, dão plena expressão aos valores da arte renascentista, destacando-se pela beleza projetada segundo os padrões idealizados do universo clássico (A Ninfa Galatéia, ca.1514). O desenvolvimento das pesquisas científicas, por sua vez, fornecem subsídios para a produção de novos métodos e técnicas. A perspectiva, impulsionada por Filippo Brunelleschi (1377-1446) e descrita por Leon Battista Alberti (1404-1472) no tratado Della Pittura (1435), altera de modo radical os modos de representação e as concepções de espaço. A nova ciência da perspectiva é colocada em prática por uma série de artistas. Masaccio (1401-1428) é considerado exímio na aplicação das conquistas científicas à arte da representação. A primeira obra a ele atribuída, o tríptico de San Giovenale (Uffizi, Florença, 1422), é exemplar de como conseguir criar um sentido coerente de terceira dimensão sobre a superfície bidimensional.

A cidade de Florença no século XV é tida como berço do movimento, lugar onde se realizam algumas das obras mais inovadoras do renascimento.

Os nomes de Donatello (ca.1386-1466), Leonardo da Vinci (1452-1519), além dos já mencionados Rafael, Masaccio e Brunelleschi figuram entre os maiores representantes da arte renascentista. Donatello é um dos responsáveis pela criação do estilo renascentista escultórico em Florença. Destaca-se, segundo Vasari, pela "força emocional" de seus trabalhos, como pode ser observado nas figuras feitas para os nichos do Or San Michele e para a Catedral de Florença. O bronze Davi (ca.1430), de sua autoria, é considerado a primeira figura nua em tamanho natural feita desde a Antigüidade clássica. Michelangelo, herdeiro de Donatello, conhece a fama em função de duas esculturas: Baco (Bargello, Florença, ca.1496/1497) e Pietà (S. Pedro, Roma, 1498/1499). Esta última se notabiliza pela solução bela e harmoniosa que o artista encontra para a imagem trágica do cristo morto deitado no colo da madona. A maestria técnica de Michelangelo pode ser observada no afresco feito para o forro da Capela Sistina (1508/1512), considerado uma das obras-primas da arte pictórica.

Leonardo é autor de obra artística e científica, célebre por seus escritos, pelos retratos e pela invenção da técnica do sfumato, em que se vale da justaposição matizada de tons e cores diferentes, de modo que se aproximem, "sem limites ou bordas, à maneira da fumaça", nas palavras do próprio artista. Com isso Leonardo logra suavizar os contornos característicos da pintura do início do século XV, revelando as potencialidades da tinta a óleo. No período florentino, entre 1500 e 1506, realiza os célebres Mona Lisa, a pintura mural da Batalha de Anghiari (Pallazio Vecchio, Florença) destruída e preservada em cópias feitas por outros artistas - que influenciará os pintores de batalhas até o século XIX - e A Virgem e o Menino com Sant'Ana, tratando de tema que o fascinava na época. O sorriso enigmático, as sombras, o dedo indicador elevado e as fartas cabeleiras são traços salientes dos retratos de Leonardo, repetidos pelos seguidores. Rafael sofre influências de Leonardo e Michelangelo. Datam do período florentino, algumas de suas mais célebres representações da Virgem com o Menino (Madona Sistina, ca.1512-1514). Nestas imagens, assim como em pinturas da Sagrada Família, exercita sua maestria de composição e expressão, representando as figuras sagradas como seres humanos. Os retratos de Rafael são comparados aos de Leonardo, pelo estilo sutil das caracterizações e aos de Ticiano (ca.1488-1576), em função das cores empregadas. Os ideais renascentistas encontram seguidores por toda a Europa: Albrecht Dürer (1471-1528), Lucas van Leyden (ca.1494-1533), Quinten Metsys (1466-1530), Jan van Scorel (1495-1562), entre outros. A expressão máxima da crise dos valores e princípios do renascimento, segundo algumas leituras, pode ser encontrada no maneirismo.

Referências

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. xxiv, 709 p., il. color.
ARGAN, Giulio Carlo. Clássico anticlássico. O Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. Introdução, tradução e notas de Lorenzo Mammì. São Paulo: Cia. das Letras, 1999, 497 p.
CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. 2.ed. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 584 p.
CHASTEL, André. A arte italiana. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1991, 738 p., il. p&b.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Renascimento

Berço da Arquitetura Modernista

O Renascimento iniciou-se na Itália, particularmente em Florença, e foi precedido por uma fase de transição, que, pelos fins do século XIII, já paulatinamente ia substituíndo a arte gótica. Foi, sobretudo, um fenômeno urbano, produto das cidades que floresceram no centro e no norte da Itália, como Florença, Ferrara, Milão e Veneza, resultado de um período de grande expansão econômica e demográfica dos séculos XII e XIII. Os principais traços do renascimento foram a imitação das formas clássicas da antiguidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.

O fiorentino Filippo Brunelleschi (1377-1446) foi quem apresentou a nova concepção renascentista na arquitetura. Ele assimilara, durante longo tempo, as formas clássicas e góticas e adaptara-as à sua época, edificando as igrejas do Espírito Santo, de São Lourenço e a cúpula da Catedral de Santa del Fiore, em Florença. Contudo, não foi na época de Brunelleschi que a arquitetura renascentista atingiu seu ponto culminante, foi um pouco mais tarde, na primeira metade do século XVI. Também não foi em Florença, onde nascera, mas em Roma, que atingiu a sua plenitude.

Catedral de Santa Maria del Fiore
Catedral de Santa Maria del Fiore - Florença

Em Roma, durante toda a primeira metade do século XVI - a Alta Renascença -, um arquiteto talentoso como Giuliano de Sangallo (1445-1516) uniu seu gênio ao do pintor Rafael Sanzio (1483-1520) para, juntos, dirigirem os trabalhos da Basílica de São Pedro.

Basílica de São Pedro
Basílica de São Pedro - Vaticano, Roma

Ainda em Roma, o arquiteto Bramante, cujo verdadeiro nome é Donato D'Agnolo (1444-1514), criou um tipo todo original de abóbada para a Igreja de Santa Maria das Graças, e ainda deu lições ao escultor, pintor e arquiteto Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Vignola - como se chamava artisticamente Giocomo Barocchio (1507-1573) - edificou a Igreja de Jesus, que, pelo movimento de suas linhas e pela abundância de adornos, já prenunciava o barroco, estilo que vigorou no século seguinte.

Embora o centro fosse Roma, a arquitetura renascentista não se restringia à antiga cidade. Em Mântua, o arquiteto Leon Battista Alberti (1404-1472), autor de uma tratado - De Re Aedificatoria (A Arte de Edificar), onde define a beleza como harmonia e proporção -, procurava resolver o conflito entre a igreja de plano direcional e a igreja de plano central, acrescentando uma nave a uma estrutura central, na Igreja de Santo André.

Alberti reinvidica em seu De Re Aedificatoria que se mantenha um estilo padronizado nas fachadas dos edifícios e que sua altura seja regular, para se obter uma cidade mais bonita e harmoniosa, num claro ressurgimento do urbanismo clássico.

No norte da Itália, Andrea Palladio (1518-1580) realizava um trabalho tão importante e original que acabou influenciando a arquitetura inglesa dos séculos XVII e XVIII.

Todos eles dedicavam-se, sobretudo, à edificação de construções religiosas, das quais a mais ambiciosa é, sem dúvida, a Catedral de São Pedro, em Roma. Foi iniciada por Bramante em 1506, continuada por Michelangelo, acrescentada por Carlos Maderno (1556-1629) e adornada de colunas externas por Giovanni Lorenzo Bernini (1598-1680).

As duas formas arquitetônicas - gótica e renascentista - conviveram durante mais de duzentos anos, após o que seriam de certa eclipsadas pelo barroco. Se no princípio rivalizavam entre sí, logo mais passaram a completar-se. Os adornos, os elementos decorativos, a forma das colunas góticas desapareceram, em favor da decoração renascentista. contudo, muitas das grandes obras renascentistas não poderiam ter surgido sem o conhecimento da técnica do gótico.

Aoluna gótica
O arco ogival ou em ponta é típico do estilo gótico e permitia sustentar abóbadas elevadas.O arco renascentista, ao contrário do arco gótico, tinha a forma curvilínea, de pura inspiração romana clássica.

Coluna gótica
A coluna gótica, constituída de feixes de pilares, devia servir de sustentáculo à estrutura da abóbada. A coluna renascentista, simples, com capitéis coríntios, foi empregada na construção de pórticos e arcadas.

Abóbadas góticas
Nas abóbadas góticas, arcos ogivais encontram-se no alto e se apoiam em colunas: é a abóbada de nervuras. A bóbada renascentista tem a forma de um semi-círculo formando um teto liso ou ainda em quadros.

Janela gótica
A janela gótica, alta e estreita, tem vitrais coloridos e frontões bastante pontiagudos. A janela renascentista, quadrada e mais ampla que a gótica, tem o vidro transparente e incolor, dando maior claridade.

Em suma, pelo Renascimento adentro, o que preponderou nas construções religiosas e leigas da Itália foi o estilo renascentista, mas a técnica da construção gótica foi de grande valia para os feitos dos grandes arquitetos italianos.

Fonte: www.fag.edu.br

Renascimento

Grandes Nomes da Cultura Renascentista

Leonardo da Vinci

Artista e pensador italiano (Vinci, perto de Florença, 15-IV-1452 - Castelo de Cloux, perto de Amboise, França, 2-V-1519). Protótipo do ideal renascentista do ‘homem universal’ e um dos maiores gênios que a humanidade terá produzido, foi pintor, escultor, arquiteto, engenheiro e cientista.

Filho ilegítimo, aos 15 anos iniciou sua aprendizagem artística com Verrochio, completado-a em 1472, embora permanecesse junto ao mestre até 1476. Seu primeiro trabalho datado, de 5 de agosto de 1473, é um desenho de paisagem, hoje na Galeria degli Uffizi, em Florença. Por esta época, além de se dedicar à pintura e à escultura (são duas, por exemplo, a cabeça do anjo e a paisagem do Batismo de Cristo, de Verrochio, também nos Uffizi), já dera início igualmente à sua carreira de inventor. De 1477 a 1482, quando se transferiu a Milão, manteve em Florença seu próprio estúdio, do qual saíram obras como Ginevra de’ Benci (National Galery, Washington, D.C.). A serviço de Ludovico Sforza, o artista permaneceria em Milão até 1499, trabalhando principalmente como engenheiro militar e civil, mas também executando pinturas como A Virgem das rochas (Museu do Louvre) e o célebre afresco da Última Ceia, no refeitório de Santa Maria delle Grazie (1495 a 1497). Dos numerosos projetos deixados inconclusos deve ser mencionada a estátua eqüestre de Francesco Sforza, obra monumental de que chegou a ser feito um modelo em argila, embora jamais fosse fundida em bronze.

Também os projetos de arquitetura concebidos em Milão não chegaram a se concretizar em edificações, deles restando apenas riscos e apontamentos, inclusive planos para várias igrejas. Como diretor dos festivais promovidos pela corte, coube-lhe, além do mais, organizar torneios, competições e representações, para muitos dos quais terá também desenhado cenários e trajes, como era costume na época.

Foi ainda em Milão que Leonardo deu início a seus estudos científicos sistemáticos, calcando toda a sua teoria na experiência pragmática. A anatomia, botânica, a matemática, a física e a mecânica interessavam-no de modo especial, lado a lado com a pintura, sobre o que escreveria, por esses anos, um importante tratado. Desde 1496 entrara em contato com o pintor e matemático Lucas Pacioli, resultando de tal colaboração e das longas discussões científicas entre ambos o tratado De divina proportione, de Pacioli, com ilustrações, e não poucas idéias, de Leonardo.

Com a invasão da Lombardia por Luís XII da França, e a conseqüente conquista de Milão (1499) e deposição dos Sforza, Leonardo retorna a Florença, após passar por Mântua e Veneza; nesta última cidade chegou a elaborar um programa de defesa contra os turcos. Em 1500 iniciou A Virgem, o Menino e Sant’Ana, uma de suas pinturas mais famosas, terminada apenas em 1507 (Museu do Louvre).

Em 1502, passa ao serviço de César Bórgia, como arquiteto e engenheiro-chefe, acompanhando-o na campanha da Romagna. Os mapas e planos militares que então elabora acerca de cidades e regiões como Pesaro, Rimini, Faenza e Forli constituem o fundamento de toda a moderna cartografia. Em 1503, novamente em Florença, começa a elaborar sua obra mais conhecida, o retrato da Mona Lisa, conhecido também como Gioconda. Outra composição iniciada no mesmo ano, Leda, é apenas conhecida através de cópias. Em fins de julho, em função de engenheiro militar, Leonardo assistirá ao cerco de Pisa, concebendo um plano de desviamento do rio Arno, de modo a cortar o acesso fluvial à cidade inimiga. Logo a seguir recebe uma encomenda para a feitura de um mural na sala nobre do Palazzo della Signoria, A Batalha de Anghiari, tema possivelmente fornecido por Niccolò Machiavelli. Nesse afresco iria trabalhar até 1506 (quando deixou Florença), sem todavia concluí-lo. Embora o cartão da parte central da composição seja conhecido em mais de uma cópia (inclusive a belíssima de Rubens), o mural propriamente dito arruinou-se, devido às experiências com secantes postas em prática pelo artista. Contudo, suas preocupações maiores iam em tal momento para as ciências: Leonardo realiza dissecações, escreve um tratado sobre o vôo dos pássaros e começa a organizar seus apontamentos com vistas à elaboração de um grande tratado sobre forças mecânicas da natureza.

Entre junho de 1506 e setembro de 1517, Leonardo novamente reside em Milão, com permanências ocasionais em Florença e em outras cidades. Conselheiro artístico do governador francês, Charles d’Amboise, traça para ele o projeto de novo palácio. Também projeta um túmulo, em forma de estátua eqüestre, para o príncipe Trivulzio. Um e outro projeto não serão desenvolvidos. Ao mesmo tempo, continuam as pesquisas no campo da geologia, da anatomia, da geofísica e da hidrologia. A atividade em Roma, entre 1513 e 1517, é pouco conhecida. Sob a proteção de Giuliano de Médici, Leonardo entrega-se aos estudos da anatomia, matemática e mecânica. Sua última pintura, o São João Batista (Museu do Louvre), data igualmente dessa fase romana.

Em maio de 1517, aceitando a hospitalidade de Francisco I da França, dirige-se para o castelo de Cloux, próximo a Amboise. É então o premier peintre, architecte et méchanicien da corte, executando provavelmente décors para o batismo do delfim e para o casamento de Lourenço o Magnífico, com uma neta do rei (1518). Um de seus últimos projetos é um plano de irrigação para Tours, Blois e Saône. em seu testamento (23-IV-1519) externa a vontade de ser sepultado na igreja de Saint-Florentin, em Amboise. Suas cinzas foram dispersas por ocasião dos distúrbios huguenotes.

Michelangelo

[MICHELANGELO DI LODOVICO BUONARROTTI SIMONI]

Escultor, pintor, arquiteto e poeta italiano (Caprese, 6-III-1475 - Roma, 18-II-1564). Muito moço começou a estudar pintura com Domenico Ghirlandaio, em Florença. A partir de 1489 voltou-se para a escultura, que estudou com Bertoldo. Falecendo Lourenço o Magnífico, seu protetor, transladou-se para Veneza, onde trabalhou no sarcófago de são Domingos. Pouco depois regressou a Florença, ali realizando um de seus mais famosos trabalhos no campo da escultura - o David. Com essa obra adquiriu grande nomeada, e graças a ela foi chamado em seguida a decorar (juntamente com Leonardo da Vinci) a sala do Grande Conselho, em Florença. De tal incumbência não se desobrigou jamais, embora executasse diversos desenhos preparatórios para afrescos.

Em 1505, foi chamado a Roma para executar na abside de São Pedro , o túmulo de Júlio II, projeto que logo abandonou. Entre 1508 e 1512 pintou, no teto da capela Sistina, os gigantescos afrescos hoje tidos como sua obra-prima em pintura - e dos quais o mais notável é A Criação de Adão. Júlio II faleceu em 1513, e Michelangelo novamente trabalhou em seu túmulo. Concluídas as estátuas de Moisés, da Vida Ativa e da Vida contemplativa - a primeira é uma de suas criações mais altas - abandonou definitivamente esse trabalho.

Deixando Roma em 1527, para se instalar em Florença, logo depois foi chamado a decorar a parede da retaguarda da capela Sistina, vinte e quatro anos após a execução dos afrescos do teto. Pintou, então, O Juízo Final, cuja elaboração durou cinco anos, e que se alinha entre as obras-primas da arte universal. Em 1542, enceta a realização de dois afrescos na capela Paolina, no Vaticano, concluindo-os nove anos depois. Essa será a última obra de Michelangelo no campo da pintura, e no conjunto de suas criações ocupará lugar apenas discreto. A partir de 1550, Michelangelo - que aparentemente não tinha maiores predileções pela pintura, e sim pela arquitetura, e principalmente pela escultura - será somente escultor e arquiteto. Cultivará ainda a poesia, sendo autor de uma coletânea de Rimas.

Sobre a pintura de Michelangelo influíram a arte de Massacio e a de Luca Signorelli. Os afrescos executados pelo primeiro na capela Brancacci foram objeto de minuciosos estudos, de parte de autor do Juízo final. Mas à grandiosidade de Masaccio alia Michelangelo maior liberdade de gestos e atitudes, enquanto de seus personagens titânicos se irradia uma sensação de movimento virtualmente oposta à estática masacciana, graças à arrojada disposição espacial que lhes emprestou o artista, e que repercutiria intensamente sobre a arte dos séculos futuros.

Michelangelo foi, como seu grande rival, Leonardo da Vinci, um gênio criador e um talento universal, ocupando lugar de primeiríssimo plano entre os mais ilustres representantes da Renascença italiana. Espírito inquieto, temperamento irascível, num tempo que era costume identificar gênio e loucura. Michelangelo viveu intensamente o drama moral e religioso de sua época, tendo sido na mocidade adepto de Savonarola, e mais tarde do evangelismo anti-reformista do papa Paulo III.

Galileu

[GALILEO GALILEI]

Físico e astrônomo italiano (Pisa, 15-II-1564 - Arcetri, perto de Florença, 8-I-1642). Descendia de família nobre e seu pai, Vincenzio Galilei, era matemático competente e músico famoso. Iniciou sua educação no mosteiro de Vallombrosa, onde estudou Latim, grego e lógica. Desde cedo impressionou os mestres pela capacidade intelectual, habilidade manual e pela poderosa imaginação criadora, particularmente fértil para invenções mecânicas.

Em 1581 foi enviado para a universidade de Pisa para estudar medicina, curso que não concluiu. Depois de grande insistência e graças à intervenção de um amigo de seu pai, conseguiu permissão para estudar matemática e ciências. Voltou à universidade e doutorou-se em 1585. Durante algum tempo lecionou na Academia Florentina, em Florença, época em que publicou um artigo sobre a balança hidrostática, que havia inventado e que tornara seu nome conhecido em todos os círculos científicos. Em 1588 publicou um trabalho sobre a gravidade que lhe valeu o convite para lecionar na universidade de Pisa. Nos anos que se seguiram levou a efeito importantíssimas experiências referentes ao movimento físico, e, em particular, aos movimentos à superfície da Terra. Esses experimentos foram decisivos para permitir-lhe estabelecer os princípios da dinâmica, talvez sua maior contribuição ao pensamento humano. Uma dessas experiências tornou-se famosa e muito discutida: a que realizou atirando diversos objetos de pesos diferentes do alto da torre de Pisa. Para sua realização foram convidados os professores e estudantes da universidade, além de outras pessoas de cultura e autoridades. Os corpos caíram sempre juntos, ou seja, com a mesma aceleração, para espanto dos assistentes, presos aos preconceitos da física aristotélica. O resultado mais significativo dessa prova, que abalou os alicerces de toda uma falsa concepção dos fenômenos naturais, foi cabal demonstração de que as ciências da natureza são, por excelência, experimentais.

Em 1581, observando o movimento oscilatório de um lustre que pendia no interior da catedral de Pisa, ao mesmo tempo que contava suas próprias pulsações, Galileu verificou que o movimento do pêndulo era periódico e que as pequenas oscilações eram isócronas, isto é, ocorriam em tempos iguais, mesmo quando amortecidas. Isto permitiu-lhe oferecer uma boa solução para o importante problema da medida do tempo. Verificou também que o período de um pêndulo era independente da natureza e da massa da substância, um dos pontos de partida para os seus estudos dinâmicos.

O aproveitamento de lentes de vidro para aumentar o tamanho das imagens levou o cientista a aperfeiçoar esse invento que, em suas mãos, logo se transformou em um telescópio capaz de produzir 32 aumentos. Conseguiu, assim realizar numerosas observações astronômicas e fez grandes descobertas que foram reunidas no livro Sidereus nuntius (1610; O Mensageiro celeste). Descobriu as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter, as manchas solares, as fases de Vênus, os anéis de Saturno, além de numerosos fatos que serviram para mostrar o acerto de idéias de Copérnico, tão combatidas na época. Galileu foi, desde a mocidade, um entusiástico defensor do sistema heliocêntrico, o que lhe valeria muitos dissabores. Em 1611 exibiu seu telescópio em Roma a eminentes personagens, recebendo calorosa acolhida. Incentivado pela receptividade de suas descobertas publicou Istoria i dimostrazione intorno alle macchie (1613; História e demonstração em torno das manchas solares), onde defende ostensivamente as idéias de Copérnico.

As brilhantes pesquisas de Galileu, sua exuberante argumentação, o fervor que devotava às suas idéias despertaram a atenção das autoridades para as discrepâncias entre a concepção do universo defendido pelo sábio e algumas passagens das Escrituras. Outro perigo maior apresentavam seus escritos: ele escrevia para todos, de maneira rigorosa porém simples e na própria língua falada pelo povo, o que tornara bastante popular. Foi por isso processado e condenado pelos tribunais da Inquisição, tendo vivido até o fim de seus dias recolhido a um castelo de sua propriedade.

Deve-se a Galileu o mérito de haver fundado a ciência do movimento e estabelecido os fundamentos da dinâmica. Seus estudos sobre a queda dos corpos foram reunidos nos Discorsi e dimostrazioni intorno a due nuove scienze (1638; Discursos e demonstrações em torno de duas novas ciências). Nessa obra dá novo impulso à ciência do som, mostrando que a altura de um som deriva da freqüência de vibração da fonte e estuda as características das cordas vibrantes. Estudou também fenômenos de ressonância e ondas estacionárias, preparando o terreno para as descobertas de Mersenne.

Foi Galileu o primeiro a afirmar que nas proximidades da Terra os corpos eram submetidos a uma aceleração constante, vertical e dirigida para baixo, estabelecendo as leis da queda. No seu célebre livro Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (1632; Diálogo sobre os dois sistemas principais do mundo) inclui numerosa e sólida argumentação para refutar as razões dinâmicas alegadas contra a possibilidade de movimento da Terra.

Galileu foi o mais fecundo investigador de seu tempo. Além do grande mérito de defender as idéias de Copérnico, teve a seu favor a demonstração de que as leis do movimento dos planetas deveriam ser relacionadas não a um sistema ligado à Terra, mas, a um sistema de referência ligado ao Sol. Nos seus trabalhos emprega, embora de maneira intuitiva, os princípios da conservação das quantidades de movimento e da conservação da energia que constituem as bases da mecânica moderna. Suas obras completas foram publicadas em Florença, constando 20 volumes que incluem cartas e outros documentos. Até hoje seu nome de cientista e o rumor trágico de sua luta com Roma prendem a imaginação dos homens. Uma das mais famosas peças de Bertolt Brecht tem Galileu como principal personagem.

Erasmo de Rotterdam

Humanista holandês (Rotterdam, provavelmente em 28-X-1469 - Basiléia, 12-VII-1536). Foi ordenado sacerdote em 492, mas logo abandonou o hábito. Aprofundou seus estudos clássicos em Paris, e viajou pela Inglaterra, onde encontrou Thomas More, cuja amizade conservou. Residiu depois na Itália. Jamais se contentou com a boa formação obtida na mocidade e passou a vida inteira estudando e ensinando. Aperfeiçoou, sobretudo, o conhecimento do latim e dos escritores da Antigüidade, adquirindo ampla erudição de humanista e filólogo. Foi dispensado dos votos monásticos pelo papo Júlio II. Em 1521, fixou em Basiléia. Em 1516, publicou uma edição grega do Novo Testamento, acompanhada de uma versão latina. Escreveu o Elogio da Loucura (1509), obra que teve êxito extraordinário, por seu caráter satírico sobre a necessidade da reforma da Igreja. Quando se fixou em Basiléia, mundialmente famoso, manteve intensa correspondência com os grandes da época.

Sempre se manifestando interessado pelos problemas religiosos, inclinava-se por uma reforma dos costumes, mas não da fé. Criticou os abusos dos eclesiásticos. Apesar disso, a violência de Lutero colocou-o de sobreaviso, e negou-se a colaborar com os reformadores, criticando seus excessos e algumas de suas doutrinas, no livro De libero arbitrio. Sua virtude dominante era a moderação, o que levou a ser atacado igualmente por católicos e protestantes. Ficou eqüidistante das duas facções em luta mas sua posição foi interpretada como indecisão. O progresso da Reforma em Basiléia tornou-lhe a vida insuportável, obrigando-o a transferir-se provisoriamente para Friburgo. Humanista antes de tudo, exerceu e seu tempo influência profunda, inclusive literária, abrindo a Europa à erudição clássica, à propagação das línguas antigas. Por volta de 1520, todos os meios cultos europeus pareciam erasmianos, sobretudo a Espanha, antes de a Inquisição intervir contra suas teses.

William Shakespeare

Dramaturgo e poeta inglês (Stratford-on-Avon, IV-1564 [batizado a 26, mas com aniversário tradicionalmente celebrado a 23, dia de são Jorge, padroeiro da Inglaterra] - id., 23-IV-1616). Considerado, pela maioria dos historiadores da literatura, como o maior escritor de todos os tempos, sua biografia, apoiada em parcos documentos, não merece grande crédito. Sabe-se que foi ator e co-proprietário do Globe Theatre, de Londres, e que cedo retirou para sua cidade natal, onde morreu. Publicou dois poemas narrativos em estilo renascentista, Venus and Adonis (1593) e Lucrece (1594), e, em 1609, os Sonnets, obra das mais importantes da língua inglesa. De suas peças dramáticas, cerca da metade foi publicada em vida do autor, em edições in-quarto, nem sempre autorizadas e divergentes da edição definitiva, que aparece pela primeira vez in-folio somente em 1623, publicada por dois amigos aos quais se deve a preservação da maior parte da obra shakespeariana.

Desde o séc. XVIII, a crítica textual das obras muito se desenvolveu, publicando-se enfim as grandes edições Variorum, com todas as variantes e emendas conjecturais, além de muitas edições críticas (Globe, Temple, Arden, New Shakespeare). Por não terem sido preservados os originais manuscritos, haverá sempre margem de discussão sobre o estabelecimento do seu texto definitivo.

Da mesma forma ainda não se pode estabelecer com segurança absoluta a cronologia das peças, embora as datas disponíveis sejam suficientes para organizar uma lista cronológica aproximadamente exata, dividida em quatro fases:

1. peças da mocidade (até c. 1595)
2. peças da primeira maturidade (até c. 1601)
3. fase trágica (até c. 1610)
4. última fase, que se estende até cerca de 1613

Entre as primeiras peças estão as históricas: Henry VI (em três partes), de autenticidade duvidosa, mas já com algumas cenas importantes; Richard III, do texto ainda rude, conquanto dos mais representados, por causa da grandeza demoníaca do herói; e Titus Andronicus, de enredo mais bizantino que romana e cujos horrores cruentos o público moderno mal suporta. The Comedy of errors (A Comédia dos erros), versão de uma comédia de Plauto, e The Taming of the shrew (A Megera domada) não passam de farsas, embora se adaptem bem ao palco moderno, o que já não acontece com The Two Gentlemen of Verona (Os dois cavalheiros de Verona). Enfim, Love’s labour’s lost (Trabalho de amor perdido) é uma comédia encantadora, bem ao gosto da Renascença italiana.

No pórtico da segunda fase está Romeo and Juliet, tragédia de amor e uma das peças mais populares de Shakespeare, embora não uma das obras-primas definitivas, pois ainda tem muito de gosto juvenil. Assim também o Midsummer night’s dream (Sonho de uma noite de verão), cheio de poesia, com o engrassadíssimo intermezzo humorístico dos atores-amadores no final. Já The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza) é uma comédia de conteúdo mais sério, com o personagem trágico do judeu Shylock no centro da ação. As peças históricas desta fase revelam ascensão ininterrupta. No desigual King John só interessam a figura patética do infeliz príncipe Arthur e os discursos patrióticos de Faulconbridge. Mas Richard II é a grande tragédia da legitimidade dinástica. Em Henry IV (em duas partes) estão perfeitamente equilibradas as cenas políticas, com o rei tragicamente arrependido e temperamental Hotspur colocado no centro, além das cenas de humor, dominadas pelo alegre príncipe Henry e, sobretudo, por Falstaff, a maior criação humorística de Shakespeare. Sua continuação, Henry V, é muito apreciada na Inglaterra como peça patriótica.

O personagem de Falstaff volta na exuberante farsa The Merry wives of Windsor (As Alegres comadres de Windsor). A bucólica As you like it (Como quiserdes) com a personagem encantadora de Rosalind, e Twelfth night (Noite de Reis), elogio da boa e vida e escárnio do puritano Malvolio, já são, porém, comédias perfeitas, ao passo que Much ado about nothing (Muito barulho por nada), com enredo sério e cenas cômicas organicamente mal ligadas pelos diálogos de Benedick e Beatrice, carece de força dramática. Dessa fase é também Julius Cesar, uma das obras mais conhecidas de Shakespeare, apesar da construção falha, em parte neutralizada pelos grandes personagens de Bruto e Pórcia, bem como pelo discurso fúnebre de Marco Antônio, de efeito irresistível.

A grande fase trágica de Shakespeare, iniciada com alguns textos problemáticos de pouco agrado do público e da crítica, encerra sua peça mais representada e estudada, Hamlet, a tragédia do intelectual que não sabe agir. Também não pertence ainda à categoria das obras definitivas, mas talvez por não ser inteiramente realizada desperte maior interesse do que nenhuma outra. Deste período, é All’s well that ends well (Tudo é bom se acaba bem), comédia de sabor amargo. Troilus and Cressida transfigura satiricamente as lendas homéricas de heroísmo e amor, enquanto Measure for measure (Medida por medida) é uma tragédia severa, com problemas de sexo, de morte e do papel moralista na administração pública, transformada em comédia por um artificial happy ending. Essa obra, outrora tida como insatisfatória e imoral, passou depois a ser aceita pelo público e pela crítica.

Tortuosa e obscura é Timon of Athens, a tragédia do idealista desiludido que se torna misantropo. Os discursos do Timão, amaldiçoando o gênero humano, são dos maiores trechos retóricos de Shakespeare. Enfim, as três grandes tragédias, entre as quais não é possível estabelecer uma hierarquia qualitativa, são: Othello, a tragédia do ciúme, peça de construção perfeita, onde a psicologia do mouro ciumento e a da maldade diabólica de Iago, bem como a lógica dos acontecimentos - tradução de uma fatalidade inexorável - conduzem o espectador ao clima da tragédia grega; Macheth, a mais trágica de todas, uma espécie de Hamlet do crime, estudo de ambição feminina que acaba em histeria, enquanto a atmosfera nórdica, sinistra e noturna, exerce fascínio irresistível, acentuado pelas intervenções do sobrenatural; enfim, King Lear (O Rei Lear) é uma tragédia de dimensões cósmicas, onde os elementos desenfreados participam dos acontecimentos, determinando um desfecho apocalíptico. Entre as obras de Shakespeare, é a mais difícil representação e talvez a de mais alto vôo poético. A essa fase pertencem também as duas últimas peças tiradas da história romana: Antony and Cleopatra, tragédia do amor derradeiro no crepúsculo de um império, e Coriolanus, uma das maiores e mais controvertidas de suas peças.

Em Stratford-on-Avon, para onde se retirou, Shakespeare escreveu suas últimas peças. Uma delas, Henry VII, escrita em colaboração com Fletcher, não é das melhores. As outras são tidas por calmas, após a agitação da grande fase trágica. Em todas, porém, ainda há muita matéria para duvidar de um otimismo final do dramaturgo, como os elementos de um assustador conto de fadas e de uma maliciosa novela italiana, encontrados em Cymbeline, obra de alta poesia. No fundo de The Winter’s tale (História de inverno) reside uma tragédia de ciúmes, enquanto uma história de traição e usurpação se insinua em The Tempest (A Tempestade), nobre despedida de Shakespeare e talvez a mais poética de todas as suas obras.

A poesia de Shakespeare jamais se desliga da ação dramática. Seu teatro, porém, não é poético. O realismo insubordinável do dramaturgo, que nunca recua quando necessário ante a grosseria, basta para demonstrá-lo. Teatro e poesia nele se fundem. A linguagem de Shakespeare, rica e criadora, contém todos os elementos anglo-saxônicos e latinos da língua inglesa, que o poeta enriqueceu com uma maior número de citações, locuções e frases proverbiais do que qualquer outro autor. A mudança de seu estilo e mentalidade, ocorrida durante a transição da primeira para a segunda fase, explica-se pelo amadurecimento do poeta. Para explicar as mudanças seguintes, recorreu-se a interpretações biográficas, como, entre outras, a do pessimismo oriundo de infelizes experiências na vida, das aventuras eróticas, da conspiração fracassada de Essex, todas, porém, sem base documentada dos fatos.

É possível, de resto, analisar as obras de Shakespeare estilisticamente, mas não ideologicamente, pois seus versos e frases só exprimem idéias e sentimentos dos personagens, não se podendo atribuí-los ao dramaturgo, que nunca fala na primeira pessoa. Shakespeare é a soma dos seus milhares de personagens (myriad-minded), entre os quais há representantes dos mais diversos temperamentos e adeptos de todas as filosofias e crenças. Ele próprio, porém, se oculta atrás do palco, não tem filosofia alguma. Como nenhum outro dramaturgo, criou inúmeros tipos, e os fechou num universo a que nem Deus tem acesso. (nota do digitador: isto é impossível!).

Ao contrário do que se pensava antigamente, Shakespeare não foi esquecido após sua morte e na segunda metade do séc. XVII. Somente no séc. XVIII, entretanto, graças às edições de Rowe, Pope e Samuel Johnson, bem como à atuação do grande ator Garrick, foi sua grandeza integralmente reconhecida. Ao mesmo tempo, Shakespeare, até então desconhecido no continente, conquistou toda a Europa, contribuindo para o declínio da hegemonia do teatro clássico francês. A Alemanha, sobretudo, graças a Wieland, Herder, Goethe e Schlegel, tornou-se sua segunda pátria. A imitação do estilo shakesperiano pelos dramaturgos românticos alemães não deu, porém, resultados satisfatórios. Sua influência já não é hoje tão viva na literatura dramática, embora continue a ser o dramaturgo mais representado na Alemanha e Inglaterra e muito aceito na França e Itália. O teatro de algumas nações, como Dinamarca, a Hungria e a Tchescoslováquia, deve a Shakespeare sua renascença moderna. As hipóteses que atribuem a ‘verdadeira autoria’ de suas peças ao filósofo Bacon, bem como a este ou àquele aristocrata da época, são contraditórias e não possuem base histórica.

Fonte: www.escolavesper.com.br

Renascimento

Renascimento Cultural

Esta primeira fase da imprensa foi marcada principalmente por dois fatores decisivos para a sua evolução, a escolaridade (grande parte da população era analfabeta) e o poder aquisitivo (papel impresso era muito caro).

Neste período as Gazetas estavam divididas em duas partes as gazetas manuais (totalmente manuscritas e de maior credibilidade) e as impressas. Esta foi a forma como deu-se início ao intercambio mundial (1400 a 1600) e pode ser considerado a primeira fase da globalização, pois ligou-se o comercio entre as Cidades Italianas e o Oriente, divulgou-se as Grandes Descobertas e até mesmo as novas formas do Mundo. As centrais de correspondências estavam nos centro de atenção (Veneza, Áustria, etc.), e divulgava somente os interesses pelo comércio, pelas técnicas e curiosidade sobre as viagens.

Como as Gazetas impressas eram pagas por assinatura, e a um alto custo, havia alguns problemas, tais como o conflito de informações, o que tornou lenta a sua expansão. Este período também pode ser considerado o período heróico do jornalismo. 1527 - Fenômeno Religioso - Grande fato divulgado pela imprensa Reforma com as 13 teses de Martinho Lutero, criticas à Igreja, aos dogmas, às indulgências,a utilização de Cristo para a manipulação, o celibato e a infalibilidade do papa. Neste período a leitura passou a ser instituída como uma forma de salvação, pois a bíblia que era monopólio da igreja com um custo estimado de 90 bois, mais ou menos 30 mil reais ( feita em pergaminho), passa agora a ser de domínio público com o custo de ovelha mais ou menos 200 reais (impressa pelas novas técnicas). Com a intenção de formar novos leitores para os jornais, inicia-se por volta do séc 16 a alfabetização familiar centrada na religião.

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc. É nesta época que surgiram pintores que são famosos até os dias atuais, tais como Giotto di Bondone, Rafael Sanzio, Michelangelo e Leonardo da Vinci .

No campo da literatura as obras procuravam valorizar o ser humano por meio de suas realizações, também dominada pelo antropocentrismo, refletia a indiscutível universalidade da cultura renascentista, seu centro principal foi a Itália, sobretudo Florença, Nápoles e Ferrara, onde humanistas filósofos e poetas tiveram condições de desenvolver um trabalho extremamente fecundo.

Meu comentário é sobre o humanismo. É no humanismo que o homem começa a se valorizar, sem contudo abandonar por completo o temor a Deus e a submissão. A literatura, como está intimamente engajada no momento histórico-social, vai gerar produções literárias que refletem esse período conflitante no qual o homem do século XV viveu. Este momento histórico-social é tido como um período de transição. Marca a passagem do fim da Idade Média para a Idade Moderna.

No renascimento a religião e a ciência estabeleceram entre si um relacionamento mais livre, com isso levou a um método científico novo e a um novo fervor religioso. Essas foram as bases para as duas transformações nos séculos XV e XVI: o Renascimento e a Reforma.

A arte e a cultura voltam a ser baseadas na Grécia Antiga. O mais importante do Renascimento foi uma nova visão do homem. O homem agora passa a ocupar o centro de tudo. Com isso os humanistas do renascimento desenvolve uma crença totalmente nova no homem e em seu valor. O homem não servia apenas para servir a Deus, mas também para ser ele próprio. O principio vigente agora era o de que a investigação da natureza devia ser construído fundamentalmente na observação, na experiência e nos experimentos. Chamamos este método de método empírico.

O Renascimento desenrolou-se na europa entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média

A fonte mais viva do humanismo talvez seja a redescoberta da antiguidade. Embora a Idade Média não ignorasse tal período, vão de modo truncado e deformado. No século XIV Petrarca e Boccagio iniciaram lentamente o movimento para reconquistar a herança antiga, ao introduzirem na Europa manuscrito de obras ignoradas. Na segunda metade do século XV, formaram-se vários círculos de intelectuais em Roma ,apoiados por eclesiásticos, em Florença, apoiados pelos Médici,em Veneza, os quais introduziram vários manuscritos completando o processo de reconquista cultural..

O Renascimento é um momento de transição, fundamental para a ciência moderna - embora esta só tenha se constituído a partir do mecanicismo newtoniano - e para as ciências humanas em particular, pois a partir dele uma nova humanidade e uma nova alteridade começam a ser descobertas. O Renascimento não resolveu nenhum problema mas ele nos mostra que, se há uma tensão entre ciência e religião, entre racionalismo e misticismo, não se trata de oposições absolutas. A imagem do renascimento designa uma espécie de transferência de tradições, a tomada de consciência de uma ruptura e de uma nova continuidade.

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

A Reforma Protestante

A Reforma Religiosa do séc. XVI foi a grande revolução espiritual da época moderna. Representa a passagem do feudalismo para o capitalismo. Esta reforma rompeu a unidade do cristianismo do Ocidente e transformou brutalmente a estrutura eclesiástica e a doutrina da salvação. Na idade média, Reforma carregava o sentido de purificação interior e busca de regeneração da Igreja Católica. Os Protestantes viam a reforma como a restauração do verdadeiro cristianismo contra o mundanismo de Roma. Os protestantes esforçaram-se para diminuir a importância da renovação que a própria Igreja realizou. Deste modo encontramos reformas, e não reforma: a Pré-Reforma Católica, a Reforma Protestante, a Reforma Católica e a Contra-Reforma.

Fonte: www.ifsc.usp.br

Renascimento

Como já sabemos anteriomente que a intensificação do comércio e da produção artesanal resultou no desenvolvimento das cidades, no surgimento de uma nova classe social a burguesia e na posterior formação das monarquias nacionais. Estas transformações vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se manifestou na arte e na cultura de maneira de geral.

A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica, como vimos, controlava as manifestações culturais e dava uma interpretação religiosa para os fenômenos da natureza, da sociedade e da economia. A esta cultura deu-se o nome de teocêntrica (Deus no centro). A miséria, as tempestades, as pragas, as enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como castigos de Deus. Assim como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo bom, a fortuna eram bênçãos divinas. A própria posição que o indivíduo ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma explicação religiosa.

A arte medieval, feita normalmente no interior das Igrejas, espelhava esta mentalidade. Pinturas e esculturas não tinham preocupações estéticas e sim pedagógicas: mostrar a miséria do mundo e a grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais e acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de autoria coletiva, o artista medieval é anônimo.

A literatura medieval era composta de textos teológicos, biografias de santos e histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da Igreja e da nobreza sobre a sociedade.

Essa visão de mundo não combinava com a experiência burguesa. Essa nova classe devia a sua posição social e econômica ao seu próprio esforço e não à vontade divina, como o nobre. O sucesso nos negócios dependia da observação, do raciocínio e do cálculo. Características que se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade medieval. Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o resultado de seus esforços. E também claro que o comerciante burguês era essencialmente individualista. Quase sempre, o seu lucro implicava que outros tivessem prejuízo.

A visão de mundo da burguesia estará sintonizada com a renovação cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa renovação denominamos Renascimento.

Características do Renascimento Cultural

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura.

Nelas estão presentes as seguintes características:

a- antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos à sua volta.

b- otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.

c- racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.

d- humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

e- hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.

f- individualismo: a afirmação do artista como criador individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tomando­se famoso.

g- inspiração na antiguidade clássica: os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo re­nascer aquela cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).

Itália: o Berço do Renascimento

O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí irradiou-se para outras partes da Europa.

O pioneirismo italiano se explica por diversos fatores:

a- a vida urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre foram mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Como vimos, o Renascimento está ligado à vida urbana e à burguesia. Basta lembrar que Veneza e Gênova foram duas importantes cidades portuárias italianas, ambas com uma pode­rosa classe de ricos mercadores.

b- a Itália foi o centro do Império Romano e por isso tinha mais presente a memória da cultura clássica. Como vimos, o Renascimento inspirou-se na cultura greco-romana.

c- o contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas preservadas por esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte.

d- O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo representava um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual. Muitos pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa poderosa classe. À essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de mecenato. Entre os principais mecenas podermos destacar os papas Alexandre II, Júlio II e Leão X. Também ricos merca­dores e políticos foram importantes mecenas, como, por exemplo, a família Médici.

Já no século XIV (Trecento) surgiram as primeiras figuras do Renascimento, como, por exemplo, Giotto (na pintura), Dante Allighieri, Boccaccio e Francesco Petrarca (na literatura). No século XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande intensidade. Mas foi no século XVI (Cinquecento) que o Renascimento atingiu o auge.

A Decadência do Renascimento Italiano

A decadência do Renascimento italiano pode ser explicada por diversos fatores. As lutas políticas internas entre as diversas cidadés-Estado e a intervenção das potências políticas da época (França, Espanha e Sacro Império Germânico), consumiram as riquezas da Itália.

Ao mesmo tempo, o comércio das cidades italianas entrou em franca decadência depois que a Espanha e Portugal passaram a liderar, através da rota do Atlântico, o comércio com o Oriente.

O Renascimento em outras parte da Europa

O renascimento comercial e urbano ocorreu em várias partes da Europa. Desta forma, criaram-se as condições para a renovação cultural, assim como ocorreu na Itália.

Nos Países Baixos, uma classe de ricos comerciantes e banqueiros estava ligada ao consumo e à produção de obras de arte e literatura. Um dos grandes pinto­res flamengos foi Brueghel, que viveu em Antuérpia. Ele pintou, principalmente, cenas da vida cotidiana, retratando o estilo de vida da classe burguesa em ascensão (A Dança do Casamento, de 1565). Destacaram-se ainda os irmãos pintores Hubert e Jan van Eyck (A Virgem e o Chanceler Rolin).

A crítica à intolerância do pensamento religioso medieval foi feita por Erasmo de Roterdan (1466-1529) com sua obra Elogio da Loucura.

Na França, o Renascimento teve importantes expoentes:

a- na literatura e filosofia, Rabelais (1490-1 553), autor de Gargantua e Pantagruel, obra na qual critica a educação e as táticas militares medievais. Montaigne (1533-1592), autor de estudos filosóficos céticos intitulados Ensaios, nos quais o principal objeto de crítica é o clero.

b- nas ciências, Ambroise Pare (1517-1590) destacou-se com estudos de medicina. Inventou uma nova técnica para sutura das veias.

Na Espanha, a forte influência da Igreja Católica e o clima repressivo da Contra-Reforma, dificultaram as inovações. Desta forma, as realizações culturais marcadamente renascentistas foram reduzidas.

Nas artes plásticas destacou-se El Greco (1575-1614), o grande pintor espanhol do Renascimento (O Enterro do Conde de Orgaz e A Visão Apocalíptica).

Na literatura, a Espanha produziu um dos maiores clássicos da humanidade. Trata-se de D. Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, obra na qual o personagem principal (D.Quixote) é um cavaleiro romântico que imagina estar vi­vendo em plena Idade Média. A metáfora é referente à decadência da cavalaria e ao conflito entre a mentalidade moderna e a medieval.

Na ciência, a Espanha contribuiu com Miguel de Servet, que se destacou pelo seus estudos da circulação do sangue.

Na Inglaterra, um dos principais expoentes do Renascimento foi Tomas Morus (1475-1535), autor de Utopia, obra que descreve as condições de vida da população de uma ilha imaginária, onde não havia classes sociais, pobreza e propriedade privada.

É também inglês o maior dramaturgo de todos os tempos, William Sheakspeare (1564-1616). Foi sob o reinado de Isabel 1 que Sheakspeare produziu a maioria de suas obras, dentre as quais destacam-se Hamlet, Ricardo III, Macbeth, Otelo e Romeu e Julieta.

Destaca-se ainda no Renascimento inglês, o filósofo Francis Bacon (1561-1626), autor de Novun Organun. Esse autor pode ser considerado um dos precurso­es do Iluminismo (ver capítulo 9).

Em Portugal, o grande representante do renascimento literário foi Luís Vaz de Camões (1525-1580), autor de Os Lusíadas, poema épico que narra os grandes feitos da navegação portuguesa.

O teatro português renascentista foi imortalizado por Gil Vicente, autor das obras Trilogia das Barcas e a Farsa de Inês Pereira.

Na Alemanha, a pintura renascentista consagrou os nomes de Hans Holbein (1497-1553) e Albert Durer (1471-1528).

Podemos destacar ainda, como representantes do Renascimento científico, o monge polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que formulou, antes de Galileu, a teoria heliocêntrica (sol no centro do sistema planetário); e Kepler (1571-1630), inventor do telescópio e estudioso das leis da mecânica celeste. Demonstrou que a órbita que os planetas descrevem em torno do sol é elíptica.

A Reforma Religiosa

Podemos definir a Reforma Religiosa como o movimento que rompeu a unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem a novas igrejas cristãs. Com ela a Igreja Católica perdeu o monopólio religioso que mantivera durante a Idade Média.

A Reforma Religiosa foi contemporânea do Renascimento, e também pode ser explicada pelas transformações econômicas e sociais ocorridas na Europa na transição da Idade Média para os tempos modernos.

Todavia, enquanto o Renascimento foi um movimento de elite, a Reforma envolveu todas as camadas sociais européias.

Fatores que Explicam a Reforma

Os fatores que explicam a Reforma Religiosa são de ordem cultural, econômica e política.

a- Cultural

O racionalismo e a valorização do homem, próprios do Renascimento, deram origem a uma mentalidade que se opunha a religiosidade católica medieval. O espírito crítico do Renascimento colocou em xeque os tradicionais ensinamentos da Igreja.

A divulgação e a leitura dos textos bíblicos, dos escritos dos sábios da antiguidade e dos santos da Igreja criaram um clima de debate e questionamento das verdades estabelecidas. Tanto que os primeiros movimentos que questionaram a autoridade da Igreja surgiram no interior das Universidades. O homem renascentista exigia uma religião mais adequada aos novos tempos.

b- Econômico

O renascimento comercial criou uma nova realidade econômica na Europa. A Igreja teve dificuldade em adequar os seus ensinamentos a essa nova realidade. Os dogmas católicos tradicionais combinavam com a economia de subsistência da Idade Média. No entanto, o lucro e a cobrança de juros, estranhos a essa economia, passaram a ser essenciais depois do renas­cimento comercial.

De modo que a burguesia tendia a não aceitar aqueles dogmas religiosos.

c- Político

Como vimos em capítulo anterior, o poder nacional do rei, surgido com a centralização política, se contrapunha ao poder supranacional da Igreja. Os conflitos entre os interesses das monarquias nacionais e os de Roma se manifestavam nos direitos de cobrar impostos, na administração da justiça e na nomeação dos bispos. Os reis não podiam admitir que as rendas obtidas pela Igre­ja em seus domínios fossem enviadas para Roma. Por outro lado, precisavam im­por sua justiça em todo o território nacional, e isto significava a supressão dos tribunais eclesiásticos.

Além disso, os reis disputavam com os papas o direito de nomear os bispos, pois estes tinham um grande poder político.

Portanto, o rompimento dos Estados Nacionais com a Igreja Católica, foi uma decorrência natural desses conflitos de interesses.

Foram ainda fatores importantes para a Reforma a crise e a decadência da Igreja Católica. O luxo do clero, a compra de cargos eclesiásticos, o envolvimento da Igreja nas questões políticas, a má formação teológica dos padres, a venda de indulgências (perdão da Igreja aos pecados) e de falsas relíquias religiosas contribuíam para o desprestígio da instituição diante dos fiéis.

Antecedentes da Reforma - As Heresias

A Igreja Católica considerava como herética toda e qualquer manifestação religiosa (ou não) que não estivesse conforme a sua doutrina e submetida a sua autoridade.

Uma das heresias que floresceram durante a Baixa Idade Média foi a de John Wycliffe (1320-1384), professor de Oxford (Inglaterra). Ele achava que a Igreja deveria ser subordinada ao Estado. Não admitia a veneração de imagens, nem a confissão e o perdão que a Igreja dava aos pecados. A salvação dos homens era uma questão direta entre estes e Deus. Estes ensinamentos foram suficientes para trans­formar Wycliffe em um herético.

Também em Praga, na Boêmia, Jan Huss (1369-1415), reitor da universida­de local, atacou os abusos da Igreja e defendeu princípios semelhantes aos deWycliffe. Sua influência foi tão grande que o papa decidiu pela sua excomunhão. Huss foi queimado por heresia.

Wycliffe e Huss foram precursores do movimento reformista do século XVI.

Muitas revoltas populares tiveram inspiração religiosa. Os ensinamentos de Wycliffe inspiraram propostas radicais, como as do monge John Baíl. Elas acaba­ram desencadeando uma revolta camponesa liderada por Watt Tyler (1381).

Por meio de uma nova interpretação do cristianismo, tentava-se também criar formas alternativas de organização social. Este foi o caso dos cátaros (albigenses) e dos valdenses, movimentos heréticos aniquilados com extrema violência pela Igreja.

A Reforma Luterana

Martinho Lutero (1483-1546), era um monge agostiniano alemão de sagaz inteligência e estudioso da bíblia. Com base nos seus estudos começou a criticar os abusos da Igreja. Depois de uma viagem à Roma voltou abalado com o luxo, a decadência de costumes e a corrupção do alto clero.

O conflito de Lutero com a Igreja começou com suas críticas à venda de indulgências na Alemanha. Lutero criticou não só o fato de serem vendidas, mas o próprio valor espiritual dessas indulgências. Segundo ele, a Igreja não tinha o poder de conceder perdão aos pecados. Isto só caberia a Deus.

A polêmica acabou levando à excomunhão de Lutero. O monge rebelde rasgou a bula da excomunhão e afixou na porta da catedral de Wittemberg as famosas 95 teses. Neste documento já estão presentes as linhas mestras de sua doutrina.

Basicamente, a doutrina luterana divergia do catolicismo nos seguintes pontos:

a- Livre-exame.

O crente teria direito de ler a bíblia e tirar suas próprias conclusões. Desta forma, Lutero negava à Igreja o direito de ser a intérprete da palavra divina.

b- Salvação pela fé

Com base em São Paulo, Lutero afirmava que o homem está destinado a pecar. Para São Paulo o homem não é capaz de fazer o bem que quer mas faz o mal que não quer. Assim não se salvará pelas obras, mas sim pelo arrependimento e pela fé.

c- Condenação do celibato

Para Lutero não havia fundamento bíblico para o celibato do clero. Sendo assim, os ministros da Igreja deveriam se casar.

d- Condenação da veneração ou culto aos santos

A veneração e culto deve­riam ser prestados somente a Deus. As imagens que enchiam as Igrejas católicas eram vistas por Lutero como pura idolatria.

e- Negação do dogma da transubstanciação

O vinho e o pão não se trans­formariam no sangue e no corpo de Cristo. A comunhão seria apenas uma reafirmação da fé na ressurreição de Cristo e na sua promessa de resgatar os pecados.

f- Negação da infalibilidade papal

Para Lutero os papas estavam sujeitos ao erro como qualquer ser humano.

Um dos fatores principais da vitória da Reforma Luterana foi o apoio que o ex-monge recebeu dos nobres alemães. Como a Igreja era a maior proprietária de terras na Alemanha, os príncipes viram no conflito religioso uma oportunidade de se apossarem destas terras.

Os camponeses alemães, oprimidos pela miséria, viram na pregação reformista uma esperança para seus males. Eles também queriam as terras eclesiásticas. Todavia, Lutero não endossou as pretensões camponesas, pois estava identificado com os interesses da nobreza.

O reformador que apoiou e liderou as revoltas camponesas foi Tomas Mtinzer, o teólogo da revolução. Segundo Miinzer, o reino de Deus deveria ser implantado neste mundo. O conflito entre nobres e camponeses deu origem a uma guerra civil na Alemanha. Os camponeses foram massacrados pelos nobres, em 1523, com ple­no apoio de Lutero.

Na época, o Sacro Império Germânico era composto por vários estados semi-independentes. A rebeldia e a ambição dos príncipes alemães ameaçava mais ainda a pouca autoridade do imperador. Dessa forma, o imperador condenou a Reforma e apoiou a Igreja. A oposição entre o Imperador (apoiado pela Igreja) e os nobres alemães (apoiados por Lutero), resultou em uma prolongada guerra político-religiosa. Depois dessa guerra, a Alemanha ficou dividida em estados católicos e luteranos.

Uma das características do luteranismo, certamente em virtude da vinculação entre Lutero e os príncipes alemães, é a defesa da união Estado-Igreja. A Igreja Luterana já nasceu vinculada ao Estado.

A Reforma Calvinista

João Calvino (1509-1564), francês e seguidor das idéias luteranas, se estabeleceu em Genebra (Suíça), onde escreveu As Instituições Cristãs. Nessa cidade começou a pregar a sua doutrina, que tinha muitos pontos em comum com o luteranismo. A diferença mais importante se refere à doutrina da salvação. Para Lutero, como vimos, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela pré-destinação. Baseando-se em Santo Agostinho, Calvino diz que nós viemos ao mundo pré-destinados por Deus a sermos salvos ou condenados. Desta forma, a nossa salvação não depende da fé e nem das boas obras, mas sim da escolha divina.

Os sinais da escolha divina se manifestariam na vida dos indivíduos. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres para com a sociedade e a família seriam alguns desses sinais. Esse cidadão teria também a sua vida abençoa­da por Deus, resultando no progresso econômico.

O estudioso alemão Max Weber, na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, mostrou a relação existente entre o calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo. Segundo esse autor, o calvinismo favorece a acumulação capitalista, prescrevendo uma vida dedicada ao trabalho e à poupança.

Coincidência ou não, os países do norte da Europa, onde o capitalismo mais se desenvolveu, localizam-se exatamente nas áreas onde a reforma calvinista mais se implantou.

A Expansão do Calvinismo

A partir da Suíça, os pregadores calvinistas conseguiram difundir sua dou­trina em várias partes da Europa. Na Inglaterra os calvinistas ficaram conhecidos como puritanos. Foram perseguidos e imigraram em grande número para a América. Na Escócia, ficaram conhecidos como presbiterianos, e na França como huguenotes.

A burguesia encontrou no calvinismo a doutrina adequada à seus interesses e ao seu modo de vida. Incompatibilizada com o princípio católico do justo preço e da proibição da usura, a burguesia abraçou a nova doutrina.

A Reforma Anglicana

De todos os movimentos reformistas, a Reforma Anglicana foi a que mais claramente revelou motivos políticos. Ela teve origem no conflito entre o rei Henrique VIII (1509-1547) da Inglaterra e o papa Clemente VII, que não concordou em conceder ao rei o divórcio de sua primeira esposa, Catarina de Aragão.

Esse conflito, aparentemente simples, escondia divergências mais profundas. Vimos que a centralização política opunha os monarcas nacionais à Igreja. Além disso, Henrique VIII pretendia confiscar as terras da Igreja em solo inglês. A questão do divórcio serviu como pretexto para o rompimento definitivo. Por meio do Ato de Supremacia, Henrique VIII tornou-se o chefe da Igreja inglesa. Os membros do clero inglês tiveram que jurar fidelidade ao rei e romper com o papa. Os que se recusaram, foram destituídos e perseguidos. As terras confiscadas da Igreja foram vendidas à nobreza inglesa, que, desta forma, se tornou fiel partidária da Igreja Anglicana.

Como se pode perceber, esta reforma não se deu por motivos doutrinários e sim claramente políticos. Por isso, inicialmente, a religião anglicana pouco diferia da católica. Se diferenciava apenas pelo uso do inglês em lugar do latim e pela obediência ao rei e não ao papa. Mais tarde, sofreu algumas mudanças introduzidas pela rainha Isabel 1, filha de Henrique VIII.

A Contra-Reforma

Podemos definir a Contra-Reforma como o conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica para deter o avanço das igrejas reformadas.

A principal providência tomada foi a convocação do Concílio de Trento (1545-1563). Neste Concílio foram reafirmados os dogmas e os princípios católicos nega­dos pelos reformadores. Foram criados o Index Librorum Prohibitorum (relação de livros proibidos); o Catecismo, para dar educação religiosa, principalmente às crianças, e Seminários, para formar melhor o clero. O Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) foi remodelado e reativado para perseguir os que se desviassem dos princípios católicos. A Contra-Reforma reafirmava ainda que só à Igreja era permitida a interpretação da bíblia.

Nesta época, a ordem religiosa fundada por Inácio de Loiola, Companhia de Jesus, foi reconhecida pela Igreja. Esta ordem teria importante papel da difusão do catolicismo na América. Os jesuítas, submetidos a uma rigorosa disciplina, se dedicavam à educação e à catequese.

A Contra-Reforma conseguiu afastar a ameaça reformista do sul da Europa. Até hoje, Itália, Espanha e Portugal são países essencialmente católicos. Mas, mui­tos estudiosos atribuem o relativo atraso cultural e científico dos países católicos à atuação repressiva da Igreja.

Bibliografia

Antônio Pedro/Lizânias de S. Lima

Fonte: www.carlosc.hpg.ig.com.br

Renascimento

Renascimento Cultural

Esta primeira fase da imprensa foi marcada principalmente por dois fatores decisivos para a sua evolução, a escolaridade (grande parte da população era analfabeta) e o poder aquisitivo (papel impresso era muito caro).

Neste período as Gazetas estavam divididas em duas partes as gazetas manuais (totalmente manuscritas e de maior credibilidade) e as impressas. Esta foi a forma como deu-se início ao intercambio mundial (1400 a 1600) e pode ser considerado a primeira fase da globalização, pois ligou-se o comercio entre as Cidades Italianas e o Oriente, divulgou-se as Grandes Descobertas e até mesmo as novas formas do Mundo. As centrais de correspondências estavam nos centro de atenção (Veneza, Áustria, etc.), e divulgava somente os interesses pelo comércio, pelas técnicas e curiosidade sobre as viagens.

Como as Gazetas impressas eram pagas por assinatura, e a um alto custo, havia alguns problemas, tais como o conflito de informações, o que tornou lenta a sua expansão. Este período também pode ser considerado o período heróico do jornalismo. 1527 - Fenômeno Religioso - Grande fato divulgado pela imprensa Reforma com as 13 teses de Martinho Lutero, criticas à Igreja, aos dogmas, às indulgências,a utilização de Cristo para a manipulação, o celibato e a infalibilidade do papa. Neste período a leitura passou a ser instituída como uma forma de salvação, pois a bíblia que era monopólio da igreja com um custo estimado de 90 bois, mais ou menos 30 mil reais ( feita em pergaminho), passa agora a ser de domínio público com o custo de ovelha mais ou menos 200 reais (impressa pelas novas técnicas). Com a intenção de formar novos leitores para os jornais, inicia-se por volta do séc 16 a alfabetização familiar centrada na religião.

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc. É nesta época que surgiram pintores que são famosos até os dias atuais, tais como Giotto di Bondone, Rafael Sanzio, Michelangelo e Leonardo da Vinci .

No campo da literatura as obras procuravam valorizar o ser humano por meio de suas realizações, também dominada pelo antropocentrismo, refletia a indiscutível universalidade da cultura renascentista, seu centro principal foi a Itália, sobretudo Florença, Nápoles e Ferrara, onde humanistas filósofos e poetas tiveram condições de desenvolver um trabalho extremamente fecundo.

Meu comentário é sobre o humanismo. É no humanismo que o homem começa a se valorizar, sem contudo abandonar por completo o temor a Deus e a submissão. A literatura, como está intimamente engajada no momento histórico-social, vai gerar produções literárias que refletem esse período conflitante no qual o homem do século XV viveu. Este momento histórico-social é tido como um período de transição. Marca a passagem do fim da Idade Média para a Idade Moderna.

No renascimento a religião e a ciência estabeleceram entre si um relacionamento mais livre, com isso levou a um método científico novo e a um novo fervor religioso. Essas foram as bases para as duas transformações nos séculos XV e XVI: o Renascimento e a Reforma.

A arte e a cultura voltam a ser baseadas na Grécia Antiga. O mais importante do Renascimento foi uma nova visão do homem. O homem agora passa a ocupar o centro de tudo. Com isso os humanistas do renascimento desenvolve uma crença totalmente nova no homem e em seu valor. O homem não servia apenas para servir a Deus, mas também para ser ele próprio. O principio vigente agora era o de que a investigação da natureza devia ser construído fundamentalmente na observação, na experiência e nos experimentos. Chamamos este método de método empírico.

O Renascimento desenrolou-se na europa entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média

A fonte mais viva do humanismo talvez seja a redescoberta da antiguidade. Embora a Idade Média não ignorasse tal período, vão de modo truncado e deformado. No século XIV Petrarca e Boccagio iniciaram lentamente o movimento para reconquistar a herança antiga, ao introduzirem na Europa manuscrito de obras ignoradas. Na segunda metade do século XV, formaram-se vários círculos de intelectuais em Roma ,apoiados por eclesiásticos, em Florença, apoiados pelos Médici,em Veneza, os quais introduziram vários manuscritos completando o processo de reconquista cultural..

O Renascimento é um momento de transição, fundamental para a ciência moderna - embora esta só tenha se constituído a partir do mecanicismo newtoniano - e para as ciências humanas em particular, pois a partir dele uma nova humanidade e uma nova alteridade começam a ser descobertas. O Renascimento não resolveu nenhum problema mas ele nos mostra que, se há uma tensão entre ciência e religião, entre racionalismo e misticismo, não se trata de oposições absolutas. A imagem do renascimento designa uma espécie de transferência de tradições, a tomada de consciência de uma ruptura e de uma nova continuidade.

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

A Reforma Protestante

A Reforma Religiosa do séc. XVI foi a grande revolução espiritual da época moderna. Representa a passagem do feudalismo para o capitalismo. Esta reforma rompeu a unidade do cristianismo do Ocidente e transformou brutalmente a estrutura eclesiástica e a doutrina da salvação. Na idade média, Reforma carregava o sentido de purificação interior e busca de regeneração da Igreja Católica. Os Protestantes viam a reforma como a restauração do verdadeiro cristianismo contra o mundanismo de Roma. Os protestantes esforçaram-se para diminuir a importância da renovação que a própria Igreja realizou. Deste modo encontramos reformas, e não reforma: a Pré-Reforma Católica, a Reforma Protestante, a Reforma Católica e a Contra-Reforma.

Fonte: www.ifsc.usp.br

Renascimento

Como já sabemos anteriomente que a intensificação do comércio e da produção artesanal resultou no desenvolvimento das cidades, no surgimento de uma nova classe social a burguesia e na posterior formação das monarquias nacionais. Estas transformações vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se manifestou na arte e na cultura de maneira de geral.

A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica, como vimos, controlava as manifestações culturais e dava uma interpretação religiosa para os fenômenos da natureza, da sociedade e da economia. A esta cultura deu-se o nome de teocêntrica (Deus no centro). A miséria, as tempestades, as pragas, as enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como castigos de Deus. Assim como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo bom, a fortuna eram bênçãos divinas. A própria posição que o indivíduo ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma explicação religiosa.

A arte medieval, feita normalmente no interior das Igrejas, espelhava esta mentalidade. Pinturas e esculturas não tinham preocupações estéticas e sim pedagógicas: mostrar a miséria do mundo e a grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais e acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de autoria coletiva, o artista medieval é anônimo.

A literatura medieval era composta de textos teológicos, biografias de santos e histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da Igreja e da nobreza sobre a sociedade.

Essa visão de mundo não combinava com a experiência burguesa. Essa nova classe devia a sua posição social e econômica ao seu próprio esforço e não à vontade divina, como o nobre. O sucesso nos negócios dependia da observação, do raciocínio e do cálculo. Características que se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade medieval. Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o resultado de seus esforços. E também claro que o comerciante burguês era essencialmente individualista. Quase sempre, o seu lucro implicava que outros tivessem prejuízo.

A visão de mundo da burguesia estará sintonizada com a renovação cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa renovação denominamos Renascimento.

Características do Renascimento Cultural

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura.

Nelas estão presentes as seguintes características:

a- antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos à sua volta.

b- otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.

c- racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.

d- humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

e- hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.

f- individualismo: a afirmação do artista como criador individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tomando­se famoso.

g- inspiração na antiguidade clássica: os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo re­nascer aquela cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).

Itália: o Berço do Renascimento

O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí irradiou-se para outras partes da Europa.

O pioneirismo italiano se explica por diversos fatores:

a- a vida urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre foram mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Como vimos, o Renascimento está ligado à vida urbana e à burguesia. Basta lembrar que Veneza e Gênova foram duas importantes cidades portuárias italianas, ambas com uma pode­rosa classe de ricos mercadores.

b- a Itália foi o centro do Império Romano e por isso tinha mais presente a memória da cultura clássica. Como vimos, o Renascimento inspirou-se na cultura greco-romana.

c- o contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas preservadas por esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte.

d- O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo representava um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual. Muitos pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa poderosa classe. À essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de mecenato. Entre os principais mecenas podermos destacar os papas Alexandre II, Júlio II e Leão X. Também ricos merca­dores e políticos foram importantes mecenas, como, por exemplo, a família Médici.

Já no século XIV (Trecento) surgiram as primeiras figuras do Renascimento, como, por exemplo, Giotto (na pintura), Dante Allighieri, Boccaccio e Francesco Petrarca (na literatura). No século XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande intensidade. Mas foi no século XVI (Cinquecento) que o Renascimento atingiu o auge.

A Decadência do Renascimento Italiano

A decadência do Renascimento italiano pode ser explicada por diversos fatores. As lutas políticas internas entre as diversas cidadés-Estado e a intervenção das potências políticas da época (França, Espanha e Sacro Império Germânico), consumiram as riquezas da Itália.

Ao mesmo tempo, o comércio das cidades italianas entrou em franca decadência depois que a Espanha e Portugal passaram a liderar, através da rota do Atlântico, o comércio com o Oriente.

O Renascimento em outras parte da Europa

O renascimento comercial e urbano ocorreu em várias partes da Europa. Desta forma, criaram-se as condições para a renovação cultural, assim como ocorreu na Itália.

Nos Países Baixos, uma classe de ricos comerciantes e banqueiros estava ligada ao consumo e à produção de obras de arte e literatura. Um dos grandes pinto­res flamengos foi Brueghel, que viveu em Antuérpia. Ele pintou, principalmente, cenas da vida cotidiana, retratando o estilo de vida da classe burguesa em ascensão (A Dança do Casamento, de 1565). Destacaram-se ainda os irmãos pintores Hubert e Jan van Eyck (A Virgem e o Chanceler Rolin).

A crítica à intolerância do pensamento religioso medieval foi feita por Erasmo de Roterdan (1466-1529) com sua obra Elogio da Loucura.

Na França, o Renascimento teve importantes expoentes:

a- na literatura e filosofia, Rabelais (1490-1 553), autor de Gargantua e Pantagruel, obra na qual critica a educação e as táticas militares medievais. Montaigne (1533-1592), autor de estudos filosóficos céticos intitulados Ensaios, nos quais o principal objeto de crítica é o clero.

b- nas ciências, Ambroise Pare (1517-1590) destacou-se com estudos de medicina. Inventou uma nova técnica para sutura das veias.

Na Espanha, a forte influência da Igreja Católica e o clima repressivo da Contra-Reforma, dificultaram as inovações. Desta forma, as realizações culturais marcadamente renascentistas foram reduzidas.

Nas artes plásticas destacou-se El Greco (1575-1614), o grande pintor espanhol do Renascimento (O Enterro do Conde de Orgaz e A Visão Apocalíptica).

Na literatura, a Espanha produziu um dos maiores clássicos da humanidade. Trata-se de D. Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, obra na qual o personagem principal (D.Quixote) é um cavaleiro romântico que imagina estar vi­vendo em plena Idade Média. A metáfora é referente à decadência da cavalaria e ao conflito entre a mentalidade moderna e a medieval.

Na ciência, a Espanha contribuiu com Miguel de Servet, que se destacou pelo seus estudos da circulação do sangue.

Na Inglaterra, um dos principais expoentes do Renascimento foi Tomas Morus (1475-1535), autor de Utopia, obra que descreve as condições de vida da população de uma ilha imaginária, onde não havia classes sociais, pobreza e propriedade privada.

É também inglês o maior dramaturgo de todos os tempos, William Sheakspeare (1564-1616). Foi sob o reinado de Isabel 1 que Sheakspeare produziu a maioria de suas obras, dentre as quais destacam-se Hamlet, Ricardo III, Macbeth, Otelo e Romeu e Julieta.

Destaca-se ainda no Renascimento inglês, o filósofo Francis Bacon (1561-1626), autor de Novun Organun. Esse autor pode ser considerado um dos precurso­es do Iluminismo (ver capítulo 9).

Em Portugal, o grande representante do renascimento literário foi Luís Vaz de Camões (1525-1580), autor de Os Lusíadas, poema épico que narra os grandes feitos da navegação portuguesa.

O teatro português renascentista foi imortalizado por Gil Vicente, autor das obras Trilogia das Barcas e a Farsa de Inês Pereira.

Na Alemanha, a pintura renascentista consagrou os nomes de Hans Holbein (1497-1553) e Albert Durer (1471-1528).

Podemos destacar ainda, como representantes do Renascimento científico, o monge polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que formulou, antes de Galileu, a teoria heliocêntrica (sol no centro do sistema planetário); e Kepler (1571-1630), inventor do telescópio e estudioso das leis da mecânica celeste. Demonstrou que a órbita que os planetas descrevem em torno do sol é elíptica.

A Reforma Religiosa

Podemos definir a Reforma Religiosa como o movimento que rompeu a unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem a novas igrejas cristãs. Com ela a Igreja Católica perdeu o monopólio religioso que mantivera durante a Idade Média.

A Reforma Religiosa foi contemporânea do Renascimento, e também pode ser explicada pelas transformações econômicas e sociais ocorridas na Europa na transição da Idade Média para os tempos modernos.

Todavia, enquanto o Renascimento foi um movimento de elite, a Reforma envolveu todas as camadas sociais européias.

Fatores que Explicam a Reforma

Os fatores que explicam a Reforma Religiosa são de ordem cultural, econômica e política.

a- Cultural

O racionalismo e a valorização do homem, próprios do Renascimento, deram origem a uma mentalidade que se opunha a religiosidade católica medieval. O espírito crítico do Renascimento colocou em xeque os tradicionais ensinamentos da Igreja.

A divulgação e a leitura dos textos bíblicos, dos escritos dos sábios da antiguidade e dos santos da Igreja criaram um clima de debate e questionamento das verdades estabelecidas. Tanto que os primeiros movimentos que questionaram a autoridade da Igreja surgiram no interior das Universidades. O homem renascentista exigia uma religião mais adequada aos novos tempos.

b- Econômico

O renascimento comercial criou uma nova realidade econômica na Europa. A Igreja teve dificuldade em adequar os seus ensinamentos a essa nova realidade. Os dogmas católicos tradicionais combinavam com a economia de subsistência da Idade Média. No entanto, o lucro e a cobrança de juros, estranhos a essa economia, passaram a ser essenciais depois do renas­cimento comercial.

De modo que a burguesia tendia a não aceitar aqueles dogmas religiosos.

c- Político

Como vimos em capítulo anterior, o poder nacional do rei, surgido com a centralização política, se contrapunha ao poder supranacional da Igreja. Os conflitos entre os interesses das monarquias nacionais e os de Roma se manifestavam nos direitos de cobrar impostos, na administração da justiça e na nomeação dos bispos. Os reis não podiam admitir que as rendas obtidas pela Igre­ja em seus domínios fossem enviadas para Roma. Por outro lado, precisavam im­por sua justiça em todo o território nacional, e isto significava a supressão dos tribunais eclesiásticos.

Além disso, os reis disputavam com os papas o direito de nomear os bispos, pois estes tinham um grande poder político.

Portanto, o rompimento dos Estados Nacionais com a Igreja Católica, foi uma decorrência natural desses conflitos de interesses.

Foram ainda fatores importantes para a Reforma a crise e a decadência da Igreja Católica. O luxo do clero, a compra de cargos eclesiásticos, o envolvimento da Igreja nas questões políticas, a má formação teológica dos padres, a venda de indulgências (perdão da Igreja aos pecados) e de falsas relíquias religiosas contribuíam para o desprestígio da instituição diante dos fiéis.

Antecedentes da Reforma - As Heresias

A Igreja Católica considerava como herética toda e qualquer manifestação religiosa (ou não) que não estivesse conforme a sua doutrina e submetida a sua autoridade.

Uma das heresias que floresceram durante a Baixa Idade Média foi a de John Wycliffe (1320-1384), professor de Oxford (Inglaterra). Ele achava que a Igreja deveria ser subordinada ao Estado. Não admitia a veneração de imagens, nem a confissão e o perdão que a Igreja dava aos pecados. A salvação dos homens era uma questão direta entre estes e Deus. Estes ensinamentos foram suficientes para trans­formar Wycliffe em um herético.

Também em Praga, na Boêmia, Jan Huss (1369-1415), reitor da universida­de local, atacou os abusos da Igreja e defendeu princípios semelhantes aos deWycliffe. Sua influência foi tão grande que o papa decidiu pela sua excomunhão. Huss foi queimado por heresia.

Wycliffe e Huss foram precursores do movimento reformista do século XVI.

Muitas revoltas populares tiveram inspiração religiosa. Os ensinamentos de Wycliffe inspiraram propostas radicais, como as do monge John Baíl. Elas acaba­ram desencadeando uma revolta camponesa liderada por Watt Tyler (1381).

Por meio de uma nova interpretação do cristianismo, tentava-se também criar formas alternativas de organização social. Este foi o caso dos cátaros (albigenses) e dos valdenses, movimentos heréticos aniquilados com extrema violência pela Igreja.

A Reforma Luterana

Martinho Lutero (1483-1546), era um monge agostiniano alemão de sagaz inteligência e estudioso da bíblia. Com base nos seus estudos começou a criticar os abusos da Igreja. Depois de uma viagem à Roma voltou abalado com o luxo, a decadência de costumes e a corrupção do alto clero.

O conflito de Lutero com a Igreja começou com suas críticas à venda de indulgências na Alemanha. Lutero criticou não só o fato de serem vendidas, mas o próprio valor espiritual dessas indulgências. Segundo ele, a Igreja não tinha o poder de conceder perdão aos pecados. Isto só caberia a Deus.

A polêmica acabou levando à excomunhão de Lutero. O monge rebelde rasgou a bula da excomunhão e afixou na porta da catedral de Wittemberg as famosas 95 teses. Neste documento já estão presentes as linhas mestras de sua doutrina.

Basicamente, a doutrina luterana divergia do catolicismo nos seguintes pontos:

a- Livre-exame.

O crente teria direito de ler a bíblia e tirar suas próprias conclusões. Desta forma, Lutero negava à Igreja o direito de ser a intérprete da palavra divina.

b- Salvação pela fé

Com base em São Paulo, Lutero afirmava que o homem está destinado a pecar. Para São Paulo o homem não é capaz de fazer o bem que quer mas faz o mal que não quer. Assim não se salvará pelas obras, mas sim pelo arrependimento e pela fé.

c- Condenação do celibato

Para Lutero não havia fundamento bíblico para o celibato do clero. Sendo assim, os ministros da Igreja deveriam se casar.

d- Condenação da veneração ou culto aos santos

A veneração e culto deve­riam ser prestados somente a Deus. As imagens que enchiam as Igrejas católicas eram vistas por Lutero como pura idolatria.

e- Negação do dogma da transubstanciação

O vinho e o pão não se trans­formariam no sangue e no corpo de Cristo. A comunhão seria apenas uma reafirmação da fé na ressurreição de Cristo e na sua promessa de resgatar os pecados.

f- Negação da infalibilidade papal

Para Lutero os papas estavam sujeitos ao erro como qualquer ser humano.

Um dos fatores principais da vitória da Reforma Luterana foi o apoio que o ex-monge recebeu dos nobres alemães. Como a Igreja era a maior proprietária de terras na Alemanha, os príncipes viram no conflito religioso uma oportunidade de se apossarem destas terras.

Os camponeses alemães, oprimidos pela miséria, viram na pregação reformista uma esperança para seus males. Eles também queriam as terras eclesiásticas. Todavia, Lutero não endossou as pretensões camponesas, pois estava identificado com os interesses da nobreza.

O reformador que apoiou e liderou as revoltas camponesas foi Tomas Mtinzer, o teólogo da revolução. Segundo Miinzer, o reino de Deus deveria ser implantado neste mundo. O conflito entre nobres e camponeses deu origem a uma guerra civil na Alemanha. Os camponeses foram massacrados pelos nobres, em 1523, com ple­no apoio de Lutero.

Na época, o Sacro Império Germânico era composto por vários estados semi-independentes. A rebeldia e a ambição dos príncipes alemães ameaçava mais ainda a pouca autoridade do imperador. Dessa forma, o imperador condenou a Reforma e apoiou a Igreja. A oposição entre o Imperador (apoiado pela Igreja) e os nobres alemães (apoiados por Lutero), resultou em uma prolongada guerra político-religiosa. Depois dessa guerra, a Alemanha ficou dividida em estados católicos e luteranos.

Uma das características do luteranismo, certamente em virtude da vinculação entre Lutero e os príncipes alemães, é a defesa da união Estado-Igreja. A Igreja Luterana já nasceu vinculada ao Estado.

A Reforma Calvinista

João Calvino (1509-1564), francês e seguidor das idéias luteranas, se estabeleceu em Genebra (Suíça), onde escreveu As Instituições Cristãs. Nessa cidade começou a pregar a sua doutrina, que tinha muitos pontos em comum com o luteranismo. A diferença mais importante se refere à doutrina da salvação. Para Lutero, como vimos, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela pré-destinação. Baseando-se em Santo Agostinho, Calvino diz que nós viemos ao mundo pré-destinados por Deus a sermos salvos ou condenados. Desta forma, a nossa salvação não depende da fé e nem das boas obras, mas sim da escolha divina.

Os sinais da escolha divina se manifestariam na vida dos indivíduos. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres para com a sociedade e a família seriam alguns desses sinais. Esse cidadão teria também a sua vida abençoa­da por Deus, resultando no progresso econômico.

O estudioso alemão Max Weber, na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, mostrou a relação existente entre o calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo. Segundo esse autor, o calvinismo favorece a acumulação capitalista, prescrevendo uma vida dedicada ao trabalho e à poupança.

Coincidência ou não, os países do norte da Europa, onde o capitalismo mais se desenvolveu, localizam-se exatamente nas áreas onde a reforma calvinista mais se implantou.

A Expansão do Calvinismo

A partir da Suíça, os pregadores calvinistas conseguiram difundir sua dou­trina em várias partes da Europa. Na Inglaterra os calvinistas ficaram conhecidos como puritanos. Foram perseguidos e imigraram em grande número para a América. Na Escócia, ficaram conhecidos como presbiterianos, e na França como huguenotes.

A burguesia encontrou no calvinismo a doutrina adequada à seus interesses e ao seu modo de vida. Incompatibilizada com o princípio católico do justo preço e da proibição da usura, a burguesia abraçou a nova doutrina.

A Reforma Anglicana

De todos os movimentos reformistas, a Reforma Anglicana foi a que mais claramente revelou motivos políticos. Ela teve origem no conflito entre o rei Henrique VIII (1509-1547) da Inglaterra e o papa Clemente VII, que não concordou em conceder ao rei o divórcio de sua primeira esposa, Catarina de Aragão.

Esse conflito, aparentemente simples, escondia divergências mais profundas. Vimos que a centralização política opunha os monarcas nacionais à Igreja. Além disso, Henrique VIII pretendia confiscar as terras da Igreja em solo inglês. A questão do divórcio serviu como pretexto para o rompimento definitivo. Por meio do Ato de Supremacia, Henrique VIII tornou-se o chefe da Igreja inglesa. Os membros do clero inglês tiveram que jurar fidelidade ao rei e romper com o papa. Os que se recusaram, foram destituídos e perseguidos. As terras confiscadas da Igreja foram vendidas à nobreza inglesa, que, desta forma, se tornou fiel partidária da Igreja Anglicana.

Como se pode perceber, esta reforma não se deu por motivos doutrinários e sim claramente políticos. Por isso, inicialmente, a religião anglicana pouco diferia da católica. Se diferenciava apenas pelo uso do inglês em lugar do latim e pela obediência ao rei e não ao papa. Mais tarde, sofreu algumas mudanças introduzidas pela rainha Isabel 1, filha de Henrique VIII.

A Contra-Reforma

Podemos definir a Contra-Reforma como o conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica para deter o avanço das igrejas reformadas.

A principal providência tomada foi a convocação do Concílio de Trento (1545-1563). Neste Concílio foram reafirmados os dogmas e os princípios católicos nega­dos pelos reformadores. Foram criados o Index Librorum Prohibitorum (relação de livros proibidos); o Catecismo, para dar educação religiosa, principalmente às crianças, e Seminários, para formar melhor o clero. O Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) foi remodelado e reativado para perseguir os que se desviassem dos princípios católicos. A Contra-Reforma reafirmava ainda que só à Igreja era permitida a interpretação da bíblia.

Nesta época, a ordem religiosa fundada por Inácio de Loiola, Companhia de Jesus, foi reconhecida pela Igreja. Esta ordem teria importante papel da difusão do catolicismo na América. Os jesuítas, submetidos a uma rigorosa disciplina, se dedicavam à educação e à catequese.

A Contra-Reforma conseguiu afastar a ameaça reformista do sul da Europa. Até hoje, Itália, Espanha e Portugal são países essencialmente católicos. Mas, mui­tos estudiosos atribuem o relativo atraso cultural e científico dos países católicos à atuação repressiva da Igreja.

Bibliografia

Antônio Pedro/Lizânias de S. Lima

Fonte: www.carlosc.hpg.ig.com.br

Renascimento

Renascimento Cultural

Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.

As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.

Renascimeto

Os Valores

O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.

Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.

Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.

Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.

O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de "homem universal", matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.

Canhão, invenção de Leonardo da Vinci
Canhão, invenção de Leonardo da Vinci

ITÁLIA: O Berço do Renascimento

Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aqueles ligadas ao comércio.

Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se , possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.

Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.

Florença
Florença

A Produção Renascentista

É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de "alguns grandes homens", mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.

O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento.

O Mecenas era considerado como "protetor", homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.

Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.

Moisés, obra de Michelangelo para o Papa Julio II
Moisés, obra de Michelangelo para o Papa Julio II

A Expansão do Renascimento

No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.

O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.

Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.

A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.

Miguel de Cervantes, representante do Renascimento espanhol
Miguel de Cervantes, representante do Renascimento espanhol

Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante nõ existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.

Fonte: www.historianet.com

Renascimento

Renascimento Cultural

As transformações socioeconômicas iniciadas na baixa Idade Média e que culminaram com a Revolução Comercial da Idade Moderna afetaram todos os setores da sociedade, ocasionando inclusive mudanças culturais. Intimamente ligados à expansão comercial, à reforma religiosa e ao absolutismo político, as transformações culturais dos séculos XIV a XVI - movimento denominado Renascimento cultural - estiveram articuladas com o capitalismo comercial.

O Renascimento foi o primeiro grande movimento cultural burguês dos dos tempos modernos e caracterizou-se por ser essencialmente um movimento anticlerical e antiescolástico, uma vez que se opunha à cultura religiosa - imposta durante séculos pela civilização cristã no período da Idade Média - e teocêntrica do mundo medieval.

No conjunto da produção renascentista, começaram a sobressair valores modernos, burgueses, como o otimismo, o individualismo, o naturalismo, o hedoismo e o neoplatonismo. Mas o elemento central do Renascimento foi o humanismo, isto é, o homem como o centro do universo, antropocentrismo, a valorização da vida terrena e da natureza, o humano ocupando o lugar cultural até então dominado pelo divino e extraterreno.

Como o humanismo abandonava-se o uso de conhecimentos clássicos tão somente para provar dogmas e verdades religiosas, destacando-se a erudição medieval confinada nas bibliotecas ou na clausura dos mosteiros. Impulsionava-se a paixão pelos clássicos greco-romanos numa busca de sabedoria e belezas "esquecidas" pela Idade Média. O homem renascentista, o artista, o cientista, o literato, confunde-se com o próprio Deus pela genialidade e criatividade.

Fatores geradores do Renascimento

As primeiras manifestações renascentistas acompanharam o processo de urbanização e ascensão da burguesia e a necessidade de adequar as concepções artístico-literárias ao novo ideal burguês.

Após a abertura do mar Mediterrâneo, recuperado durante as Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza, Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista, motivos pelo qual apresentavam as condições necessárias para a germinação e proliferação do Renascimento.

A Itália contava ainda com a ajuda de ricos patrocinadores das artes e das ciências - mecenas - a presença da cultura clássica, graças aos seus muitos monumentos e ruínas; valores humanos, através da presença dos sábios bizantinos - em fuga da decadência do Império Romano do Oriente e das crescentes pressões dos turcos otomanos -; e com a influência dos árabes, povo que obtivera, ao longo dos séculos, enorme repositório de valores da Antigüidade Clássica e que mantinha contatos comercias com os portos italianos.

No final do século XVI, a transferência para o Atlântico do eixo econômico e comercial europeu, quebrou o monopólio comercial italiano e provocou a decadência do renascimento italiano.

No conjunto dos países europeus, o movimento renascentista não despertou o mesmo ímpeto, não demonstrou o apego íntimo aos clássicos, nem enfatizou o humanismo, como aconteceu na Itália. Ao contrário, espelhou características específicas em cada região desenvolvendo um humanismo bem aos moldes cristãos: preocupação com problemas de ordem prática, predominância da ética sobre a estética. A literatura e a filosofia tiveram destaque, em detrimento da pintura e da escultura.

O Renascimento científico

Marcado pelo estudo do homem e da natureza, pela busca das explicações racionais para os fenômenos da natureza. O método experimental passou a ser o principal meio de se alcançar o saber científico da realidade.

O Humanismo se desenvolve de forma notável na Itália, no século XV, pelo fato de os mecenas contribuírem para o desenvolvimento dos estudiosos da época; a fuga dos sábio bizantinos para Itália que por sua vez conheciam muito da cultura clássica e a invenção da imprensa por volta do século XII.

Os principais nomes dessa época são Erasmo de Roterdã (1460-1536) e Thomas Morus (1478-1535).

O Renascimento na Itália é favorecido pela, além de todos estes fatores, tradição clássica: O império Romano e pelo crescimento econômico das cidades italianas.

os grandes mestres do renascimento italiano são Leonardo Da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-1564), Rafael (1483-1520), Ticiano (1477-1576) e Tintoretto (1518-1594). Entre os escritores, encontramos como destaque Maquiavel (1469-1527).

Renascimento

No século XVII, o Renascimento estará dando origem a uma nova filosofia, o Iluminismo.

Fonte: danseur.br.tripod.com

Renascimento

Renascimento Cultural

Proença (1998, p.12) afirma que:

O Renascimento teve início na Itália na primeira metade do século XIV, referindo-se apenas na literatura; no século XV alargou seus limites, atingindo a artes plásticas. Nos séculos seguintes, a valorização da cultura clássica já era percebida em todas as manifestações culturais de muitos países na Europa.

O Renascimento não significou somente uma volta pura e simples à cultura greco-romana. Muito mais que isso, significou o aproveitamento dos conhecimentos e concepções clássicas para adequá-los a um novo mundo mercantil e urbano, característico do início da Época Moderna.

Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), nesta época o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo). As qualidades mais valorizadas do ser humano passam a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico.

O Renascimento pode ser considerado como um marco do início do início da Idade Moderna, uma vez que reflete o desenvolvimento de uma nova vida e de uma nova mentalidade, vinculadas à ascensão da cidade e da burguesia.

Esses financiadores de uma nova cultura, burguesia, príncipes e monarcas, eram chamados de mecenas, isto é, protetores das artes. Seu objetivo não era somente a autopromoção, ms também a propaganda e difusão de novos hábitos, valores e comportamentos. [...] as atividades e os campos de reflexão que mais preocupavam os pensadores renascentistas aparecem condensados nas artes plásticas: a filosofia, a religião, a história, a arte, a técnica e a ciência (SEVCENKO, 1984, p.24).

A reabertura do mar Mediterrâneo ao comércio europeu, intensificaram as trocas comerciais entre o Ocidente e o Oriente, especialmente nas cidades de Veneza, Gênova, Florença e Milão. A rota das especiarias passou a ser monopólio italiano.

O desenvolvimento comercial trouxe a reboque a consolidação e a expansão da atividade bancária, em função da necessidade de câmbio e crédito. Com a expansão comercial, houve um acelerado desenvolvimento das cidades. As atividades comerciais ou artesanais que surgiam nos núcleos urbanos (burgos) atraíam grande número de servos que abandonavam os feudos, fugindo da exploração senhorial. A predominância das cidades sobre os campos, a superação das trocas naturais pela economia de base monetária e a dinâmica do comércio promoveram mudanças e uma ruptura nas corporações de ofício medievais e, principalmente, projetaram e fortaleceram uma nova camada, a burguesia, ávida pelo poder político e prestígio social, correspondente à sua opulência material.

Interessado em manter seu ritmo de desenvolvimento econômico, o segmento burguês da sociedade européia decidiu investir na centralização do poder nas mãos dos reis. Desse modo, contribuiu para a formação de um exército nacional mercenário que garantisse a autoridade do monarca. Tendo o monopólio da força, o rei poderia estender seu controle sobre a justiça e a riqueza nacional.

No século XIV eclode grave crise, acarretando drásticas transformações. Dentre as causas apontadas pelos historiadores como sendo as principais responsáveis, encontramos: a peste negra, que dizimou entre um terço e metade da população européia; a Guerra dos Cem Anos (1346-1450) deflagrada entre os soberanos da França e da Inglaterra, que ampliou o funesto quadro. Tudo ocorria para a dissolução do sistema feudal de produção.

REFERÊNCIAS

CAMBI, Frank.História da Pedagogia.São Paulo: UNESP, 1999.
FRANCO JR, Hilário.As Cruzadas. 3.ed.São Paulo:Brasiliense, 1981. MISKIMIN, Harry.A economia do Renascimento Europeu: 1300-1600.Lisboa: Estampa, 1984.
PROENÇA, Graça.O Renascimento.São Paulo: Ática, 1998.
SEVCENKO, Nicolau.O Renascimento.São Paulo: Atual, 1984.

Fonte: www.servi.adm.br

Renascimento

Renascimento Cultural

Renascimento foi um movimento histórico ocorrido ­inicialmente na Itália e difundido pela Europa entre os séculos XV e XVI. Foi caracterizado pela crítica aos valores medievais e pela revalorização dos valores da Antigüidade Clássica ( greco-romana ).

Foi na cidade de Florença que os textos clássicos passaram a ser estudados e as idéias renascentistas difundiram-se para outras cidades italianas e , posteriormente, para outras regiões da Europa.

Itália no século XV

O berço do Renascimento foi a Itália em virtude de uma série de fatores:

-Intenso desenvolvimento comercial das cidades italianas que exerciam o monopólio sobre o comércio no mar Mediterrâneo;

-Desenvolvimento e ascensão de uma nova classe social -a burguesia comercial - que passava a difundir novos hábitos de consumo;

-O urbanismo e a disseminação do luxo e da opulência; -Influência da cultura grega, através do contato comercial das cidades italianas com o Oriente, especialmente Constantinopla;

-O Mecenato, prática exercida pelos burgueses, príncipes e papas, de financiar os artistas, procurando mostrar o poderio da cidade e ampliar o prestígio pessoal;

-A vinda de sábios bizantinos para a Itália após a conquista de Constantinopla pelos turcos Otomanos; -A presença, em solo italiano, da antigüidade clássica.

Aspectos da Renascença

Os homens que viviam sob a Renascença criticavam a cultura medieval, excessivamente teocêntrica, e defendiam uma nova ordem de valores.

Os principais aspectos do Renascimento foram:

a) o racionalismo e o abandono do mundo sobrenatural;
b) o antropocentrismo, onde o homem é o centro de tudo;
c) o universalismo, caracterizado pela descoberta do mundo;
d) o naturalismo, acentuando o papel da natureza;
e) o individualismo, valorizando o talento e o trabalho;
f) o humanismo.

O Humanismo

Humanista era um sábio que criticava os valores medievais e defendia uma nova ordem de idéias. Valorizava o progresso e buscava revolucionar o mundo através da educação.

Foi o grande responsável pela divulgação dos valores renascentista pela Europa.

Outro elemento responsável pela expansão das novas idéias foi a imprensa de tipos móveis, inventada pelo alemão Johan Gutemberg, tornando mais fácil a reprodução de livros.

No Renascimento desenvolveram-se as artes plásticas, a literatura e os fundamentos da ciência moderna.

Artes Plásticas

As obras renascentistas são caracterizadas pelo naturalismo e retratam o dinamismo comercial do período. Os estilos desenvolvidos levaram a uma divisão da Renascença em três períodos: o Trecento (século XIV) , o Quattrocento ( século XV ) e o Cinquecento ( século XVI).

TRECENTO - destaque para a pintura de Giotto ( 1276/1336 ) que muito influenciou os demais pintores;

QUATROCENTO - período de atuação dos Médicis, que financiaram os artistas. Lourenço de Médici foi o grande mecenas da época.

Destaques para Botticelli ( 1444/1510 ) e Leonardo da Vinci (1452/1519).

CINQUECENTO - O grande mecenas do período foi o papa Júlio II que pretendia reforçar a grandiosidade e o poder de Roma. Iniciou as obras da nova basílica de São Pedro. O autor do projeto foi Bramante e a decoração à cargo de Rafael Sânzio e Michelângelo.

Michelângelo ( 1475/1564 ) apesar de destacar-se como o pintor da capela Sistina foi o grande escultor da Renascença.

Literatura

Graças à imprensa, os livros ficaram mais acessíveis, facilitando a divulgação de novas idéias.

PRECURSORES

Três grandes autores do século XIV:

Dante Alighieri (1265/1321),autor de A Divina Comédia, uma crítica à concepção religiosa; Francesco Petrarca, com a obra África e Giovanni Boccaccio que escreveu Decameron.

PRINCIPAIS NOMES

ITÁLIA

Maquiavel, fundador da ciência política com sua obra O Príncipe, cuja tese central considera que os fins justificam os meios. Contribuiu para o fortalecimento do poder real e lançou os fundamentos do Estado Moderno.
Campanella, que relatou a miséria italiana no livro A Cidade do Sol.

FRANÇA

Rabelais, que escreveu Gargântua e Pantagruel;
Montaigne, que foi o autor de Ensaios.

HOLANDA

Erasmo de Roterdan, considerado o "príncipe dos humanistas" que satirizou e criticou a sociedade da época. Sua obra-prima é O Elogio da Loucura ( 1569 ).

INGLATERRA

Thomas Morus, que escreveu Utopia e
Shakespeare, autor de magníficos textos teatrais.

ESPANHA

Miguel de Cervantes, com o clássico Dom Quixote de la Mancha.

PORTUGAL

Camões, que exaltou as viagens portuguesas na sua obra Os Lusíadas.

Ciência Moderna

O racionalismo contribuiu para a valorização da matemática, da experimentação e da observação sistemática da natureza. Tais procedimentos inauguraram a ciência moderna. Principais nomes:

Nicolau Copérnico - demonstrou que o Sol era o centro do universo (heliocentrismo) em oposição ao geocentrismo ( a Terra como o centro).
Giordano Bruno -divulgou as idéias de Copérnico na Itália. Considerado herege foi queimado na fogueira em 1600.

Kepler - confirmou as teorias de Copérnico e elaborou uma série de enunciados referentes à mecânica celeste.

Galileu Galilei - inaugurador da ciência moderna e aprofundou as idéias de Copérnico, pressionado pela Igreja negou as suas idéias.

Crise do Renascimento

O Renascimento entra em decadência após a perda de prestígio econômico das cidades italianas, em decorrência das Grandes Navegações -que muda o eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico; e da Contra-Reforma Católica que limitou a liberdade de expressão.

A Reforma Religiosa

Ao longo da Idade Média, a Igreja Católica afastou-se de seus ensinamentos, sendo por isto criticada e considerada a responsável pelos sofrimentos do período: guerras, fomes e epidemias seriam como castigos de Deus pelo afastamento da Igreja de seus princípios.
Precursores

John Wyclif ( 1300/1384) e João Huss ( 1369/1415 ).

Causas da Reforma

Além das questões religiosas, como o nicolaísmo e a simonia, outros elementos constribuíram para o sucesso da Reforma:

A exploração dos camponeses pela Igreja -a Senhora feudal. A vontade de terras para o cultivo leva esta classe a apoiar a Reforma;

Interesses da nobreza alemã nas terras eclesiásticas;

A condenação da usura pela Igreja feria os interesses da burguesia comercial;

O processo de centralização política, onde era interesses dos reis o enfraquecimento da autoridade papal;

A centralização desenvolve o nacionalismo, aumentando a crítica sobre o poder de Roma em outras regiões.

Por que Alemanha

Na Alemanha a Igreja Católica era muito rica e dominava amplas extensões territoriais, limitando a expansão econômica da burguesia, inibindo o poder político da nobreza e causando insatisfação camponesa.

Lutero e a Reforma

Monge agostiniano que rompeu com a Igreja Católica em virtude da venda de indulgências, efetuada pela Igreja para a construção da basílica de São Pedro pelo papa Leão X.

Lutero protestou através da exposição de suas 95 teses, condenando, entre outras coisas a venda das indulgências.

Suas principais idéias reformistas eram:

Justificação pela fé: a única coisa que salva o homem é a fé, o homem está diante de Deus sem intermediários;

A idéia de livre-exame, significa que todo homem poderia interpretar livrmente a Bíblia, segundo a sua própria consciência;

Sendo assim, a Igreja e o Papado perdem sua função.

As idéias de Lutero agradaram a nobreza alemã que passou a se apropriar das terras eclesiásticas. A revolta atingiu as massas camponesas -que queriam terras - e foi duramente criticada por Lutero.

Reforma Calvinista

Defesa da teoria da predestinação, onde o destino do homem é condicionado por Deus. Dizia haver sinais de que o indivíduo era predestinado por Deus para a salvação: o sucesso material e a vontade de enriquecimento, pois a pobreza era tida como um desfavorecimento divino.

A valorização do trabalho, implícita na teoria; bem como a defesa do empréstimo de dinheiro a juros contribuem para o desenvolvimento da burguesia e representam um estímulo para o acúmulo de capitais.

Reforma Anglicana

Henrique VIII é o reformador da Inglaterra, através do Ato de Supremacia, aprovado em 1513, que colocou a Igreja sob a autoridade real - nascimento da Igreja Anglicana.

A justificativa para o rompimento foi a negativa do papa Clemente VII em dissolver o casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão.

Além disto, havia um enorme interesse do Estado nas propriedades eclesiásticas, para facilitar a expansão da produção de lã.

A Contra-Reforma

Diante do sucesso e da difusão das idéias protestantes, a Igreja Católica inicia a sua reforma, conhecida como Contra-Reforma. As principais medidas - tomadas no Concílio de Trento - foram:

Com a Contra-Reforma é fundada a ordem religiosa Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola em 1534, com o intuito de fortalecer a posição da Igreja Católica em países católicos e difundir o catolicismo na Ásia e Ámerica.

Professor Jailson Marinho

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Renascimento

Arte Renascentista

RENASCIMENTO CULTURAL ou RENASCENTISMO

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650, sobretudo no século XVI. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica.

O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

Ou seja, a partir do Renascimento, o ser humano passou a ser o grande foco das preocupações da vida e do imaginário dos artistas. O retrato, por exemplo, tornou-se um dos gêneros mais populares da pintura, utilizado, na ausência da fotografia, para o registro de pessoas e famílias nobres e burguesas.

Dentro desse universo de figurações, o auto-retrato se estabelece como um sub-gênero repleto de peculiaridades. Nele, o artista se retrata e se expressa, numa tentativa de leitura e transmissão de suas características físicas e sua interioridade emocional.

Ali também, na maneira como utiliza cores e pinceladas, no modo como desenha suas próprias formas e lhes atribui volumes e texturas, o artista constrói seus próprios comentários sobre a natureza e os atributos da arte.

Características gerais: Racionalidade; Dignidade do Ser Humano; Rigor Científico; Ideal Humanista; Reutilização das artes greco-romana.

Pintura renascentista

Principais características

Perspectiva

Arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.

Uso do claro-escuro

Pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.

Realismo

O artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.

Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.

Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.

TICIANO ou TIZIANO (1487?1490-1576)

Por ter vivido muitos anos, o pintor Tiziano Vecellio, nos permite distinguir em sua trajetória períodos bem concretos em seu trabalho de criação, nos quais, de uma maneira ou outra, seu estilo foi variando das formas clássicas do Renascimento para as dinâmicas e livres pinceladas do Barroco.

Aos 9 anos, Ticiano começou como discípulo dos mosaicistas de San Zuccato. De 1500 a 1518, trabalhou como aprendiz no ateliê da família Bellini, para depois colaborar com Giorgione nos afrescos da escola do santo de Pádua. Seu estilo se mantinha, contudo, na linha de seus dois mestres: cores cálidas e esfumadas, contornos pouco acentuados e formas arredondadas.

Entre os anos 1516 e 1518, com as obras "A Assunção da Virgem" e "A Madona de Pesaro", Ticiano começou a trabalhar sozinho. Suas encomendas eram de clientes tão importantes como a família D’Este, os Gonzaga e os Farnese.

No ano de 1533, já se incluía entre os artistas da corte de Carlos V. Data dessa época seu famoso retrato, hoje na Pinacoteca de Munique.

Sua última fase criativa começou em meados do século XVI, quando o pintor trabalhava quase exclusivamente para Filipe II. Foi quando a composição assumiu grandes dimensões e ganhou dinamismo e expressividade. As pinceladas se tornaram mais soltas e difusas, a um ponto tal que somente de uma certa distância é possível apreciar a magnitude de sua técnica.

Ticiano revalorizou a cor como meio de transmitir estados de ânimo. Conta-se que seu famoso vermelho era o resultado de setenta camadas diferentes de tinta a óleo...

"Vênus de Urbino" foi pintada por Ticiano em 1538. Esta pose foi tomada da primeira pintura de Giorgione (abaixo) e é uma recriação de um clássico nu grego. Esta pintura incorpora cores e tons ricos e, com ela, o pintor se tornou famoso. Inicialmente uma revisão de "Vênus Dormindo" de Giorgione (pintada em 1510) é caracterizada pela quietude e por seu colorido refinado. Galeria Uffizi, Florença - Itália.

Renascimento

Renascimento
Selo emitido pela Itália em 1995 - "Sagrado e Profano Amor".

GIORGIONE (1477-1510)

Conhecido também por G. Barbarelli ou Giorgio da Castelfranco, Giorgione foi o iniciador da escola veneziana. Influenciado por seu mestre Giovanni Bellini, abandonou a rigidez geométrica do Renascimento à qual antepôs a suave modelagem e a difusão dos contornos na luz.

Também se preocupou em revalorizar a simbologia da paisagem como expressão de estados de ânimo. Os dados biográficos de Giorgione são bastante confusos, e infelizmente são poucas as obras que trazem assinatura, o que torna extremamente difícil sua identificação.

Isso contribuiu para a formação, entre os críticos, de duas correntes históricas opostas: a Expansionista, que pretende declarar como pertencentes ao pintor todas as obras que estejam de acordo com o essencial de seu estilo, e a Restritiva, que limita o número de quadros aos assinados.

É improvável que essas teorias entrem em acordo quanto à totalidade da produção de Giorgione. No entanto, o pintor realmente deixou claro para a posteridade que o belíssimo quadro "A Tempestade" é obra de seu genial pincel.

Veja "A Tempestade", obra pintada em 1505, na página: As Dez Mais! Há também a famosa obra "Vênus Dormindo" pintada em 1510... Abaixo, "A Velha".


"A Velha" - Giorgione, Veneza

TINTORETTO

Parece que seu nome original foi Jacopo Robusti... Selo emitido pelo Paraguai em 1972 que mostra a obra "Auto-retrato". Museu do Estado, em Assunção.


Renascimento

Renascimento

Arquitetura renascentista

Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.

"Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício"
Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura

Principais características

Ordens Arquitetônicas

Simetria

Arcos de Volta-Perfeita

Simplicidade na construção

A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas

Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)

O principal arquiteto renascentista

Brunelleschi, é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da Catedral de Florença e a Capela Pazzi.

Escultura renascentista

Em meados do século XV, com a volta dos papas de Avinhão para Roma, esta adquire o seu prestígio. Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali, grandes escultores se revelam, o maior dos quais é Michelângelo, que domina toda a escultura italiana do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá.

Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.

Principais características

Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade

Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade

Profundidade e perspectiva

Estudo do corpo e do caráter humano

Fonte: www.sergiosakall.com.br

Renascimento

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica.

O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento.

Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

Características gerais

Racionalidade

Dignidade do Ser Humano

Rigor Científico

Ideal Humanista

Reutilização das artes greco-romana

ARQUITETURA

Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.

“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura)

Principais características

Ordens Arquitetônicas

Arcos de Volta-Perfeita

Simplicidade na construção

A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas

Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)

O principal arquiteto renascentista

Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi.

PINTURA

Principais características

Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.

Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.

Realismo: o artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.

Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.

Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes.

Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente, pelo individualismo.

Os principais pintores foram

Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus.

Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

Leonardo da Vinci

Ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.

Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.

Michelângelo

Entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem.

Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família

Rafael

Suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”.

Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.

ESCULTURA

Em meados do século XV, com a volta dos papas de Avinhão para Roma, esta adquire o seu prestígio. Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali, grandes escultores se revelam, o maior dos quais é Michelângelo, que domina toda a escultura italiana do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá.

Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.

Principais Características

Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade

Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade

Profundidade e perspectiva

Estudo do corpo e do caráter humano

O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias italianas. São eles:

Dürer * Hans Holbein

Bosch * Bruegel

Para seu conhecimento

A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é na própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder a eleição do próximo. Lareira que produz fumaça negra - que o Papa ainda não foi escolhido; fumaça branca - que o Papa acaba de ser escolhido, avisa o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano

Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia.

Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: “Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um modelo de asa-delta, etc.

Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para a frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.

Fonte: www.historiadaarte.com.br

Renascimento

Durante muitos séculos os romanos dominaram meio mundo e exerceram sua poderosa influência sobre todos os outros povos.

Os romanos, pelo uso do poder e da força, espalharam pelo mundo ocidental e parte do Oriente, a cultura, a arte e o valor do conhecimento filosófico e científico. Com a queda do Império Romano, veio também o caos, a desorganização social e econômica e a Europa viveu um período de retrocesso e obscurantismo.

Muito do conhecimento foi perdido e esse período foi realmente uma idade de trevas para o mundo ocidental. Não é que a arte e a cultura tenham deixado de existir, mas em um mundo caótico e desorganizado, mais valia tinha a espada e a força.

Período fascinante da história, a Idade Média foi uma descida da civilização ao fundo do poço antes de um ressurgimento cultural e político. Sou fascinada por esse período da história, por todas as tramas entre reis, condes, duques, papas, arcebispos, banqueiros e sabe-se lá mais o que, que movimentaram as invasões, a formação de organizações militares e religiosas, os novos impérios e nações, o movimento das cruzadas, as guerras com o Oriente, a guerra dos 100 anos...

Meu Deus, como a história é fascinante. Entretanto, sob o ponto de vista do desenvolvimento artístico e cultural, só o último período da Idade Média teve um saldo realmente positivo.

Telas de Rafaello Sanzio ( Raphael)
Telas de Rafaello Sanzio ( Raphael). O artista tem várias telas com esse tema de uma mulher segurando uma criança nua e mais um rosto participativo.

O renascimento, é exatamente o que aconteceu nesse último período, quando as condições sociais, econômicas e políticas se conjugaram para o reflorescimento da cultura e da arte, em todas as suas formas. A compreensão mais profunda desse fenômeno merece um estudo maior do que o espaço e o objetivo de CyberArtes mas, podemos dizer que o renascimento é o período que, por dois séculos, e iniciando no século XV, possibilitou o ressurgimento de todas as formas de pensamento, da filosofia e das artes em todos os seus múltiplos segmentos. Com nações estabilizadas, definidas e as condições favoráveis, surgiram músicos, pintores, escultores, escritores, poetas, arquitetos, filósofos, pensadores, artesãos e cientistas, em todos os lugares. Novos conhecimentos possibilitaram novas realizações em uma demonstração de que a ciência interfere poderosamente nas possibilidades da arte. Com a evolução da geometria, veio a possibilidade da perspectiva, do melhor uso das cores e sombras. Parece tolice? Pois não é.

Detalhes da Capela Sistina que consagrou definitivamente Michelangelo. (Michelangelo Buonarroti)

Renascimento  

Renascimento

A pintura renascentista desprendeu-se um pouco da religiosidade e procurou retratar mais a realidade do mundo. Grandes nomes floresceram nessa época e perpetuaram-se na nossa cultura.

O renascimento, não por acaso mas, pelo aspecto de haver sido o berço da poderosa civilização romana, surgiu na Itália e Florença pode ser considerada a capital do renascimento. Desse período inicial temos Donatello e Masaccio mas, os verdadeiros gigantes viriam bem depois. Leonardo da Vinci, Bramante, Michelangelo, Raphael, Ticiano, todos, nomes facilmente reconhecidos e lembrados, mesmo por quem não é estudioso do assunto. A imagem da Monalisa (La Gioconda) ainda hoje é como um ícone da arte, tanto que nós a utilizamos para chamar a atenção sobre CyberArtes no site CyberLand. Basta os olhos, para todas as pessoas a reconhecerem.

Leonardo da Vinci tem muitas telas retratando damas da corte. Todas de grande beleza.

Renascimento  

Renascimento

Renascimento  

Renascimento

Leonardo da Vinci foi, alem de um grande artista, um projetista, arquiteto, cientista, engenheiro, enfim, um criador e inventor. Mais do que isso, um grande sonhador e uma alavanca do pensamento humano. Acho que, mais do que ninguém, foi o grande representante do renascimento.

Os esboços e desenhos técnicos feitos por ele são preciosos e em grande número.

Vi uma exposição em um curso de italiano cujo nome não lembro, aqui em Recife, que apresentava reproduções dos desenhos técnicos de da Vinci. Pareceram-me fantásticos para a época em que foram idealizados. Máquinas de voar, para construir parafusos, para transmitir movimento e um monte de outras coisas. Parecem sofisticados manuais técnicos da indústria moderna. Claro que eu não compreendi bem todos os princípios mas viajei legal em algumas coisas. A exposição, tremendamente mal organizada, foi salva pelos desenhos de da Vinci. Eu nem sei se algumas daquelas coisas funcionam mas certamente foram inspiração para muitas invenções feitas depois dele. A ciência, como a arte, se constrói assim, aos pedaços.

Renascimento

Fonte: www.cyberartes.com.br

Renascimento

Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.

As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.

Os Valores

O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.

Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.

Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.

Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.

O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de "homem universal", matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.

ITÁLIA: O Berço do Renascimento

Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aqueles ligadas ao comércio.

Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se , possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.

Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.

A Produção Renascentista

É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de "alguns grandes homens", mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.

O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento.

O Mecenas era considerado como "protetor", homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.

Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.

A Expansão do Renascimento

No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.

O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.

Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.

A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.

Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante nõ existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.

Fonte: www.historianet.com.br

Renascimento

Período da história européia caracterizado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.

A fragmentada sociedade feudal da Idade Média transformou-se em uma sociedade dominada, progressivamente, por instituições políticas centralizadas, com uma economia urbana e mercantil, em que floresceu o mecenato da educação, das artes e da música.

O termo "Renascimento" foi empregado pela primeira vez em 1855, pelo historiador francês Jules Michelet, para referir-se ao "descobrimento do Mundo e do homem" no século XVI. O historiador suíço Jakob Burckhardt ampliou este conceito em sua obra.

A civilização do renascimento italiano (1860), definindo essa época como o renascimento da humanidade e da consciência moderna, após um longo período de decadência.

O Renascimento italiano foi, sobretudo, um fenômeno urbano, produto das cidades que floresceram no centro e no norte da Itália, como Florença, Ferrara, Milão e Veneza, resultado de um período de grande expansão econômica e demográfica dos séculos XII e XIII.

Uma das mais significativas rupturas renascentistas com as tradições medievais verifica-se no campo da história. A visão renascentista da história possuía três partes: a Antigüidade, a Idade Média e a Idade de Ouro ou Renascimento, que estava começando.

A idéia renascentista do humanismo pressupunha uma outra ruptura cultural com a tradição medieval. Redescobriram-se os Diálogos de Platão, os textos históricos de Heródoto e Tucídides e as obras dos dramaturgos e poetas gregos. O estudo da literatura antiga, da história e da filosofia moral tinha por objetivo criar seres humanos livres e civilizados, pessoas de requinte e julgamento, cidadãos, mais que apenas sacerdotes e monges.

Os estudos humanísticos e as grandes conquistas artísticas da época foram fomentadas e apoiadas economicamente por grandes famílias como os Medici, em Florença; os Este, em Ferrara; os Sforza, em Milão; os Gonzaga, em Mântua; os duques de Urbino; os Dogos, em Veneza; e o Papado, em Roma.

No campo das belas-artes, a ruptura definitiva com a tradição medieval teve lugar em Florença, por volta de 1420, quando a arte renascentista alcançou o conceito científico da perspectiva linear, que possibilitou a representação tridimensional do espaço, de forma convincente, numa superfície plana.

Os ideais renascentistas de harmonia e proporção conheceram o apogeu nas obras de Rafael, Leonardo da Vinci e Michelangelo, durante o século XVI.

Houve também progressos na medicina e anatomia, especialmente após a tradução, nos séculos XV e XVI, de inúmeros trabalhos de Hipócrates e Galeno. Entre os avanços realizados, destacam-se a inovadora astronomia de Nicolau Copérnico, Tycho Brahe e Johannes Kepler. A geografia se transformou graças aos conhecimentos empíricos adquiridos através das explorações e dos descobrimentos de novos continentes e pelas primeiras traduções das obras de Ptolomeu e Estrabão.

No campo da tecnologia, a invenção da imprensa, no século XV, revolucionou a difusão dos conhecimentos e o uso da pólvora transformou as táticas militares, entre os anos de 1450 e 1550.

No campo do direito, procurou-se substituir o abstrato método dialético dos juristas medievais por uma interpretação filológica e histórica das fontes do direito romano. Os renascentistas afirmaram que a missão central do governante era manter a segurança e a paz. Maquiavel sustentava que a virtú (a força criativa) do governante era a chave para a manutenção da sua posição e o bem-estar dos súditos.

O clero renascentista ajustou seu comportamento à ética e aos costumes de uma sociedade laica. As atividades dos papas, cardeais e bispos somente se diferenciavam das usuais entre os mercadores e políticos da época. Ao mesmo tempo, a cristandade manteve-se como um elemento vital e essencial da cultura renascentista. A aproximação humanista com a teologia e as Escrituras é observada tanto no poeta italiano Petrarca como no holandês Erasmo de Rotterdam, fato que gerou um poderoso impacto entre os católicos e protestantes.

Virgílio (70-19 a.C.), poeta romano, autor da epopéia Eneida, obra-prima da literatura clássica latina.

A ENEIDA

Na epopéia mitológica em 12 livros, que relata as peripécias do herói Enéas, Virgílio introduziu a musicalidade e a precisão técnica de sua métrica de um modo tão sutil que seu verso tem sido considerado, desde então, um modelo de perfeição literária.

Dante fez uma homenagem a Virgílio na Divina comédia, convertendo-o em guia do poeta. Mas foi a devoção de Petrarca ao estilo virgiliano que o converteu em uma referência constante no humanismo do Renascimento.

Renascimento, movimento artístico que se manifestou em toda a Europa, aproximadamente de 1400 a 1600. Os traços principais da arte renascentista são a imitação das formas clássicas da antigüidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.

O Renascimento corresponde, na história da arte, à era dos grandes descobrimentos, refletindo o desejo, da época, de examinar todos os aspectos da natureza e do mundo.

Durante o Renascimento, os artistas continuaram a merecer o status, herdado da Idade Média, de meros artesãos. Mas, pela primeira vez, começaram a se impor como personalidades independentes, comparáveis a poetas e escritores. Os pintores e escultores renascentistas investigaram novas soluções para problemas visuais formais e muitos deles realizaram experiências científicas. Neste contexto, surgiu a perspectiva linear na qual as linhas paralelas eram representadas em ponto de fuga.

O renascimento das artes coincidiu com o desenvolvimento do humanismo que estudava e traduzia textos filosóficos. O latim clássico foi revalorizado. A par desta renovação de idéias, ocorreu o período de descobrimentos de novas terras. As embarcações se lançaram em busca de novos caminhos marítimos, colhendo, como resultado, diferentes rotas para a Ásia e a imensidão das Américas. Pintores, escultores, arquitetos e navegadores sentiam o mesmo anseio de aventura, o desejo de ampliar conhecimentos e obter novas soluções.

Características do Renascimento Cultural

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura.

Nelas estão presentes as seguintes características:

a- antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos à sua volta.

b- otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.

c- racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.

d- humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

e- hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.

f- individualismo: a afirmação do artista como criador individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tomando­se famoso.

g- inspiração na antiguidade clássica: os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo re­nascer aquela cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).

Século das Luzes ou Iluminismo, termo usado para descrever as tendências do pensamento e da literatura na Europa e em toda a América durante o século XVIII, antecedendo a Revolução Francesa. Foi empregado pelos próprios escritores do período, convencidos de que emergiam de séculos de obscurantismo e ignorância para uma nova era, iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade. As novas descobertas da ciência, a teoria da gravitação universal de Isaac Newton e o espírito de relativismo cultural fomentado pela exploração do mundo ainda não conhecido foram também uma base importante.

Entre os precursores do século XVII, destacam-se os grandes racionalistas, como René Descartes e Baruch Spinoza, e os filósofos políticos Thomas Hobbes e John Locke. É igualmente marcante na época a permanente fé no poder da razão humana. Chegou-se a declarar que, mediante o uso judicioso da razão, seria possível um progresso sem limites. Porém, mais que um conjunto de idéias estabelecidas, o Iluminismo representava uma atitude, uma maneira de pensar. De acordo com Immanuel Kant, o lema deveria ser "atrever-se a conhecer". Surge o desejo de reexaminar e pôr em questão as idéias e os valores recebidos, com enfoques bem diferentes, daí as incoerências e contradições entre os escritos de seus pensadores. A doutrina da Igreja foi duramente atacada, embora a maioria dos pensadores não renunciassem totalmente a ela.

Iluminismo e o Despotismo Esclarecido

Os escritores franceses do século XVIII provocaram uma revolução intelectual na história do pensamento moderno. Suas idéias caracterizavam-se pela importância dada à razão: rejeitavam as tradições e procuravam uma explicação racional para tudo. Filósofos e economistas procuravam novos meios para dar felicidade aos homens. Atacavam a injustiça, a intolerância religiosa, os privilégios. Suas opiniões abriram caminho para a Revolução Francesa, pois denunciaram erros e vícios do Antigo Regime.

As novas idéias conquistaram numerosos adeptos, a quem pareciam trazer luz e conheci­mento. Por isto, os filósofos que as divulgaram foram chamados iluministas; sua maneira de pensar, Iluminismo; e o movimento, Ilustração.

A ideologia burguesa

O Iluminismo expressou a ascensão da burguesia e de sua ideologia. Foi a culminância de um processo que começou no Renascimento, quando se usou a razão para descobrir o mundo, e que ganhou aspecto essencialmente crítico no século XVIII, quando os homens passaram a usar a razão para entenderem a si mesmos no contexto da sociedade. Tal espírito generalizou-se nos clubes, cafés e salões literários.

A filosofia considerava a razão indispensável ao estudo de fenômenos naturais e sociais. Até a crença devia ser racionalizada: Os iluministas eram deístas, isto é, acreditavam que Deus está presente na natureza, portanto no próprio homem, que pode descobri-lo através da razão.

Para encontrar Deus, bastaria levar vida piedosa e virtuosa; a Igreja tornava-se dispensável. Os iluministas criticavam-na por sua intolerância, ambição política e inutilidade das ordens monásticas.

Os iluministas diziam que leis naturais regulam as relações entre os homens, tal como regulam os fenômenos da natureza. Consideravam os homens todos bons e iguais; e que as desigualdades seriam provocadas pelos próprios homens, isto é, pela sociedade. Para corrigi-las, achavam necessário mudar a sociedade, dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.

O princípio organizador da sociedade deveria ser a busca da felicidade; ao governo caberia garantir direitos naturais: a liberdade individual e a livre posse de bens; tolerância para a expressão de idéias; igualdade perante a lei; justiça com base na punição dos delitos; conforme defendia o jurista milanês Beccaria. A forma política ideal variava: seria a monarquia inglesa, segundo Montesquieu e Voltaire; ou uma república fundada sobre a moralidade e a virtude cívica, segundo Rousseau.

Principais Filósofos Iluministas

Podemos dividir os pensadores iluministas em dois grupos: os filósofos, que se preocupavam com problemas políticos; e os economistas, que procuravam uma maneira de aumentar a riqueza das nações. Os principais filósofos franceses foram Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Diderot.

Montesquieu publicou em 1721 as Cartas Persas, em que ridicularizava costumes e instituições. Em 1748, publicou O Espírito das Leis, estudo sobre formas de governo em que destacava a monarquia inglesa e recomendava, como única maneira de garantir a liberdade, a independência dos três poderes: Executivo; Legislativo, Judiciário.

Voltaire foi o mais importante. Exilado na Inglaterra, publicou Cartas Inglesas, com ataques ao absolutismo e à intolerância e elogios à liberdade existente naquele país. Fixando-se em Ferney, França, exerceu grande influência por mais de vinte anos, até morrer. Discípulos se espalharam pela Europa e divulgaram suas idéias, especial­mente o anticlericalismo.

Rousseau teve origem modesta e vida aventureira. Nascido em Genebra, era contrário ao luxo e à vida mundana. Em Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens (1755), defendeu a tese da bondade natural dos homens, pervertidos pela civilização. Consagrou toda a sua obra à tese da reforma necessária da sociedade corrompida. Propunha uma vida familiar simples; no plano político, uma sociedade baseada na justiça, igualdade e soberania do povo, como mostra em seu texto mais famoso, O Contrato Social. Sua teoria da vontade geral, referida ao povo, foi fundamental na Revolução Francesa e inspirou Robespierre e outros líderes.

Diderot organizou a Enciclopédia, publicada entre 1751 e 1772, com ajuda do matemático d' Alembert e da maioria dos pensadores e escritores. Proibida pelo governo por divulgar as novas idéias, a obra passou a circular clandestinamente. Os economistas pregaram essencialmente a liberdade econômica e se opunham a toda e qual­quer regulamentação. A natureza deveria dirigir a economia; o Estado só interviria para garantir o livre curso da natureza. Eram os fisiocratas, ou partidários da fisiocracia (governo da natureza). Quesnay afirmava que a atividade verdadeira­mente produtiva era a agricultura.

Gournay propunha total liberdade para as atividades comerciais e industriais, consagrando a frase:

Laissez faire, laissez passar.(Deixe fazer, deixe passar.).

O escocês Adam Smith, seu discípulo, escreveu A Riqueza das Nações (1765), em que defendeu: nem a agricultura, como queriam os fisiocratas; nem o comércio, como defendiam os mercantilistas; o trabalho era a fonte da riqueza. O trabalho livre, sem intervenções, guiado espontaneamente pela natureza.

Os novos déspotas

Muitos príncipes puseram em prática as novas idéias. Sem abandonar o poder absoluto, procura­ram governar conforme a razão e os interesses do povo. Esta aliança de princípios filosóficos e poder monárquico deu origem ao regime de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido. Seus representantes mais destacados foram Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português; e Aranda, ministro da Espanha.

Frederico II (1740-1786), discípulo de Voltaire e indiferente à religião, deu liberdade de culto ao povo prussiano. Tornou obrigatório o ensino básico e atraiu os jesuítas, por suas qualidades de educadores, embora quase todos os países estives­sem expulsando-os, por suas ligações com o papa­do. A tortura foi abolida e organizado novo código de justiça. O rei exigia obediência mas dava total liberdade de expressão. Estimulou a economia, adotando medidas protecionistas, apesar de contrárias às idéias iluministas. Preservou a ordem: a Prússia permaneceu um Estado feudal, com servos sujeitos à classe dominante, dos proprietários.

O Estado que mais fez propaganda e menos praticou as novas idéias foi a Rússia. Catarina II (1762-1796) atraiu filósofos, manteve correspondência com eles, muito prometeu e pouco fez. A czarina deu liberdade religiosa ao povo e educou as altas classes sociais, que se afrancesaram. A situação dos servos se agravou. Os proprietários chegaram a ter direito de condená-los à morte.

José II (1780-1790) foi o déspota esclarecido típico. Aboliu a servidão na Áustria, deu igualdade a todos perante a lei e os impostos, uniformizou a administração do Império, deu liberdade de culto e direito de emprego aos não-católicos.

O Marquês de Pombal, ministro de Dom José I de Portugal, fez importantes reformas. A indústria cresceu, o comércio passou ao controle de companhias que detinham o monopólio nas colônias, a agricultura foi estimulada; nobreza e clero foram perseguidos para fortalecer o poder real.

Aranda também fez reformas na Espanha: liberou o comércio, estimulou a indústria de luxo e de tecidos, dinamizou a administração com a criação dos intendentes, que fortaleceram o poder do Rei Carlos III.

Fonte: www.ohistoriador.hpg.ig.com.br

Renascimento

A descoberta de novos continentes, a visão antropocêntrica do mundo, a invenção da bússola e da imprensa, a afirmação dos estados nacionais e a difusão de variadas formas artísticas inspiradas no mundo Greco-Latino definiram a configuração do Renascimento, um brilhante período da cultura européia que se seguiu à Idade Média. Como Renascimento designa-se o poderoso movimento artístico e literário que surgiu na Itália dos séculos XV e XVI, irradiando-se depois para a Europa, promovendo em toda parte um pronunciado florescimento da arquitetura, escultura, pintura e das artes decorativas, da literatura e da música e um novo enfoque da política.

Virgem dos rochedos
Virgem dos rochedos
Leonardo da Vinci

Embora hoje também se fale, metaforicamente, em renascenças na história da civilização Egípcia antiga ou da Chinesa, trata-se na verdade de um fenômeno específico da civilização européia moderna que, malgrado o intervalo da Idade Média, nunca esqueceu suas bases na civilização Greco-Romana da antiguidade, da civilização "Clássica". Considerado a princípio por eruditos e historiadores como um ressurgimento da cultura clássica depois de um amplo declínio medieval, mais tarde o termo adquiriu também uma série de conotações políticas, Econômicas e até Religiosas.

Embora, de modo geral, o movimento tenha sido considerado como de total oposição ao período medieval, alguns historiadores tendem a ver o Renascimento mais como um processo evolutivo do que uma ruptura profunda, pois diversas manifestações renascentistas foram identificadas já no início do século XII. Entre esses prenúncios destacaram-se a redução da influência da Igreja Católica e do Sacro Império Romano-Germânico, o surgimento das cidades-estados, o desenvolvimento das línguas nacionais e o início do desmoronamento das estruturas feudais. Tendo descoberto o mundo, o Renascimento também quis dominá-lo pela inteligência. Não dispondo ainda das ciências naturais e matemáticas, de Galileu e Descartes, pretendeu realizar sua ambição pela magia, pelos estudos cabalísticos e pela Astrologia, em que acreditavam mais que na religião cristã. No entanto, pelas façanhas desse individualismo, o Renascimento pagou um alto preço: a decadência moral. O espírito renascentista expressou-se desde cedo no Humanismo, movimento intelectual que teve início e alcançou seu apogeu na Itália.

Os humanistas buscaram respostas para as questões do momento e para isso recorreram tanto ao Cristianismo como à Filosofia Greco-Latina. Criaram assim um sistema intelectual caracterizado pela supremacia do homem sobre a natureza e pela rejeição das estruturas mentais impostas pela religião medieval. A intenção do humanismo era desenvolver no homem o espírito crítico e a plena confiança em suas possibilidades, condições que lhe haviam sido proibidas durante a época medieval. O anseio pelo conhecimento e o espírito científico do homem renascentista provocaram uma verdadeira revolução. Difundiram-se e aperfeiçoaram-se inventos orientais como a pólvora, que transformou a estratégia militar, e a bússola, que permitiu os grandes descobrimentos geográficos. Talvez o fato mais marcante tenha sido a invenção da Imprensa, atribuída ao alemão Johannes Gutenberg.

O desenvolvimento da cartografia, os avanços na arte da navegação, o conhecimento da bússola, o desaparecimento das rotas comerciais das caravanas para o Oriente, devido à presença dos turcos otomanos, e o espírito dinâmico e curioso do homem moderno foram fatores que se conjugaram para tornar possíveis os grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, nos quais espanhóis e portugueses tiveram papel preponderante. As explorações portuguesas, incentivadas pelo Infante D. Henrique o Navegador, foram protagonizadas por Bartolomeu Dias, que chegou até o Cabo das Tormentas (posteriormente cabo da Boa Esperança), no sul da África; Vasco da Gama, que alcançou a costa da Índia; e , que no ano de 1500 descobriu o Brasil.

Os espanhóis, por sua vez, exploraram mais o Atlântico, pois pretendiam chegar às Índias pelo oeste, convencidos da esfericidade da Terra. O pioneiro dessas explorações foi Cristóvão Colombo, que realizou quatro viagens às terras que acreditava serem a Índia e que constituíam um novo continente. O dia 12 de outubro de 1492, quando a primeira expedição de Colombo desembarcou nas novas terras, é considerado a data do descobrimento da América. A partir de então e durante todo o século XVI os espanhóis, seguidos dos franceses, britânicos e portugueses, lançaram-se ao descobrimento de novas terras: Hernán Cortés conquistou o império asteca, Vasco Núñez de Balboa chegou até o mar do Sul (posteriormente oceano Pacífico), Francisco Pizarro dominou o império inca, Álvar Núñez Cabeza de Vaca percorreu o sul do que seriam os Estados Unidos e Juan Sebastián Elcano conseguiu completar a primeira circunavegação da Terra, iniciada por Fernão de Magalhães.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Renascimento

Renascimento é o nome que se dá ao período que vai do século XV ao XVI. Fundamentado no conceito de que o homem é a medida de todas as coisas, significou um retorno às formas e proporções da antiguidade greco-romana. Este movimento artístico começou a se manifestar na Itália, mais precisamente em Florença, cidade que a essa altura já tinha se tornado um estado independente e um dos centros comerciais mais importantes do mundo.

Em poucos anos, o renascimento difundiu-se pelas demais cidades italianas (período conhecido como quattrocento), para se estender pouco a pouco, em fins do século XV, ao resto do continente europeu, no chamado cinquecento, ou renascimento clássico. As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então reinante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade.

Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos. Desse modo, o espírito da antiga filosofia clássica não leva muito tempo para inundar as cortes da nova aristocracia burguesa. O cavalheiro renascentista deve agora ser versado em todas as disciplinas artísticas e científicas, como recomenda um dos livros fundamentais da época, O Cortesão, de Baldassare Castiglione.

Imbuídas desse espírito, as famílias abastadas não hesitaram em atrair para seu mundo artistas de grande renome, aos quais deram seu apoio, tornando-se, afinal, seus mecenas. Músicos, poetas, filósofos, escultores, pintores, ourives e arquitetos saíram do anonimato imposto pelo período medieval e viram crescer seu nome e sua fama, juntamente com a de seus clientes. No norte da Europa, o pensamento humanista já tinha dado seus primeiros passos significativos.

Foi graças ao reformador Lutero e às universidades, por intermédio do estudo das ciências exatas e da filosofia, que se difundiram as idéias de seus pares italianos. Por volta do fim do século XV, chegava da Espanha a notícia do descobrimento de um novo continente, a América, fato que mudaria a fisionomia do mundo para sempre. O homem se distanciava assim, de modo definitivo, do período medieval para decididamente ingressar na modernidade.

A PINTURA RENASCENTISTA

Até o advento do renascimento, só era possível, na pintura, transpor para a tábua ou para a parede duas dimensões: comprimento e largura. Era impossível captar no plano a profundidade, a luz ou o volume. É por esse motivo que a perspectiva, tanto aqui quanto na arquitetura, passa a ser um elemento de fundamental importância. Graças e ela os pintores renascentistas conseguem criar o que até então era inconcebível: espaços reais sobre uma superfície plana.

As figuras, dispostas numa composição estritamente simétrica, a variação de cores frias e quentes e o manejo da luz permitem criar distâncias e volumes que parecem ser copiados da realidade. A reprodução da figura humana, a expressão de suas emoções e o movimento ocupam lugar igualmente preponderante. Os temas a representar continuam sendo de caráter estritamente religioso, mesmo que, agora, com a inclusão de um novo elemento...

... a burguesia, que queria ser protagonista da história do cristianismo. Não é de admirar, portanto, que as pessoas se façam retratar junto com a família numa cena do nascimento de Cristo, ou ajoelhadas ao pé da cruz, ao lado de Maria Madalena e da Virgem Maria. Até mesmo os representantes da Igreja se rendem a esse curioso costume. Muito diferentes no espírito, embora nem por isso menos valiosos, são os resultados obtidos paralelamente nos países do norte.

Os mestres de Flandres, deixando de lado as medições e a geometria e recorrendo à câmara escura, também conseguem criar espaços reais no plano, embora sem a precisão dos italianos. A ênfase é colocada na tinta (são eles os primeiros a utilizar o óleo) e na reprodução do natural de rostos, paisagens, fauna e flora, com um cuidado e uma exatidão assombrosos, o que acabou resultando naquilo a que se deu o nome de Janela para a Realidade.

A ESCULTURA RENASCENTISTA

Na escultura renascentista, desempenham um papel decisivo o estudo das proporções antigas e a inclusão da perspectiva geométrica. As figuras, até então relegadas ao plano de meros elementos decorativos da arquitetura, vão adquirindo pouco a pouco total independência. Já desvinculadas da parede, são colocadas em um nicho, para finalmente mostrarem-se livres, apoiadas numa base que permite sua observação de todos os ângulos possíveis.

O estudo das posturas corporais traz como resultado esculturas que se sustentam sobre as próprias pernas, num equilíbrio perfeito, graças à posição do compasso (ambas abertas) ou do contrapposto (uma perna na frente e a outra, ligeiramente para trás). As vestes reduzem-se à expressão mínima, e suas pregas são utilizadas apenas para acentuar o dinamismo, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas.

Outro gênero dentro da escultura que também acaba sendo beneficiado pela aplicação dos conhecimentos da perspectiva é o baixo-relevo (escultura sobre o plano). Empregando uma técnica denominada schiacciato, Donatello posiciona suas figuras a distâncias precisas, de tal maneira que elas parecem vir de um espaço interno para a superfície, proporcionando uma ilusão de distância, algo inédito até então.

Desse modo, ao mesmo tempo que se torna totalmente independente da arquitetura, a escultura adquire importância e tamanho. Reflexo disso são as primeiras estátuas eqüestres que dominam as praças italianas e os grandiosos monumentos funerários que coroam as igrejas. Pela primeira vez na história, sem necessidade de recorrer a desculpas que justificassem sua encomenda e execução, a arte adquire proporções sagradas.

A ARQUITETURA NO RENASCIMENTO

Os arquitetos do renascimento conseguiram, mediante a medição e o estudo de antigos templos e ruínas, assim como pela aplicação da perspectiva, chegar à conclusão de que uma obra arquitetônica completamente diferente da que se vira até então não era nada mais que pura geometria euclidiana. O módulo de construção utilizado era o quadrado, que aplicado ao plano e ao espaço deu às novas edificações proporções totalmente harmônicas.

As ordens gregas de colunas substituíram os intermináveis pilares medievais e se impuseram no levantamento das paredes e na sustentação das abóbadas e cúpulas. São três as ordens mais utilizadas: a dórica, a jônica e a coríntia, originadas do classicismo grego. A aplicação dessas ordens não é arbitrária. Elas representam as tão almejadas proporções humanas: a base é o pé, a coluna, o corpo, e o capitel, a cabeça.

As primeiras igrejas do renascimento mantêm a forma da cruz latina, o que resulta num espaço visivelmente mais longo do que largo. Entretanto, para os teóricos da época, a forma ideal é representada pelo plano centralizado, ou a cruz grega, mais freqüente nas igrejas do renascimento clássico. As obras da arquitetura profana, os palácios particulares ou comunais, também foram construídas com base no quadrado.

Vistos de fora, esses palácios se apresentam como cubos sólidos, de tendência horizontal e com não mais de três andares, articulados tanto externa quanto internamente por colunas e pilares. Um pátio central, quadrangular, tem a função de fazer chegar a luz às janelas internas. A parede externa costuma receber um tratamento rústico, sendo a almofadilha mais leve nos andares superiores

A ordem das colunas varia de um andar para outro e costuma ser a seguinte: no andar térreo, a ordem toscana, uma variante da arquitetura romana, no pavimento principal, a jônica, e no superior, a coríntia. A divisão entre um nível e outro é feita por diferentes molduras e uma cornija que se estende por todo o piso de cada andar, exatamente abaixo das janelas. Têm geralmente forma retangular e são coroadas por uma finalização em arco ou triângulo.

Fonte: www.cen.g12.br

Renascimento

O Renascimento Florentino

No séc. XV o homem torna-se o centro do universo, e o mundo mede-se por sua escala. A inteligência é a primeira de suas qualidades e em muitos casos substitui a fé.

Renascimento

O realismo faz-se intelectual na pintura graças ao descobrimento das Leis de Perspectiva .

É desta época a arquitetura que privilegia o tipo de igreja abobodada, com cúpula sobre o cruzeiro que será imitada durante séculos. Os escultores da Florença dos Quatrocentos honraram seu humanismo deixando as mais belas representações do corpo humano que se havia feito desde a Grécia antiga.

O Renascimento Romano

Em Roma são os papas que prolegem os grandes artístas. O renascimento se transforma, perde o ar delicadamente espiritual do tipo florentino, tornando-se por vezes luxuoso. Com o sentido da proporção, o equilíbrio, a perspectiva e a lógica pretendeu o renascimento um universo perfeito dirigido pela mente humana , e no qual o indivíduo se sentisse seguro e feliz.

Fonte: www.atibaia.com.br

Renascimento

O Renascimento, movimento artístico, científico e literário que floresceu na Europa entre o período corresponde à Baixa Idade Média e início da Idade Moderna (do século XIV ao XVI). Os humanistas valorizavam o antropocentrismo (o homem no centro do universo) a busca de conhecimentos e inspiração nas obras da antigüidade clássica.

Os humanistas consideravam a Idade Média um período de "Trevas Culturais", por terem sido esquecidos os modelos da cultura greco-latina. O pensamento medieval, dominado pela religião, cede lugar a uma cultura voltada para os valores do indivíduo. Os artistas, inspirando-se uma vez mais no legado clássico grego, buscam as dimensões ideais da figura humana e a representação fiel da realidade. Embora grandes admiradores da cultura clássica, os artistas e intelectuais do Renascimento, adquirindo maior confiança na sua própria capacidade, não se limitaram a imitar os modelos antigos passaram a buscar inspiração na natureza que os cercava.

Esse movimento, cujo berço foi a Itália, teve em Florença e Roma seus dois centros mais importantes.

E pode ser dividido em Duocento (1200 a 1299), Trecento (1300 a 1399), Quattrocento (1400 a 1499) e Cinquecento (1500 a 1599).

Duocento e Trecento

No século XIII, o gótico começa a dar lugar para uma arte que resgata a escala humana. São as primeiras manifestações do que, mais tarde, se chamaria Renascimento. A principal característica dessa mudança é o surgimento da ilusão de profundidade nas obras. Em Siena, Duccio da Buoninsegna e, em Florença, Cimabue e sobretudo seu aluno Giotto são os pioneiros desse novo mundo. Nos afrescos de Giotto, na igreja de Santa Croce, em Florença, por exemplo, pode-se ver figuras mais sólidas do que as góticas, situadas em ambientes arquitetonicamente precisos, dando impressão de existência concreta: é o nascimento do naturalismo. No século XIV, escultores como Donatello (o "Michelangelo" do Trecento) aprimoram a técnica.

Giotto da Bondone (1266?-1337?), pintor e arquiteto italiano. Nasce em Florença, estuda com o pintor Cimabue, com quem trabalha também em Roma, e se torna um dos principais artistas de sua época. Os afrescos de Santa Croce e a torre do Duomo são suas principais obras em sua cidade natal. Revoluciona a arte ao conseguir dar expressão e profundidade às figuras humanas.

Quattrocento

No século XV, Piero della Francesca (afrescos na catedral de Arezzo) desenvolve uma pintura impessoal e solene, misturando figuras geométricas e cores intensas. O arquiteto e escultor Filippo Brunelleschi, criador da cúpula do Duomo de Florença, concebe a perspectiva, artifício geométrico que cria a ilusão de tridimensionalidade numa superfície plana. Defende a técnica e seus princípios matemáticos em tratados. A ela aderem artistas como Paolo Uccello (Batalha de São Romano), Sandro Botticelli (Nascimento de Vênus), Leonardo da Vinci (Mona Lisa), Michelangelo (Davi, Moisés e Pietá; teto e parede da Capela Sistina, no Vaticano; cúpula da Basílica de São Pedro). Michelangelo chega a um grau de sofisticação representativa que prenuncia o barroco em suas figuras. Na Bélgica e Holanda, nesse período, surgem os representantes do renascimento flamengo como Jan van Eyck, Hans Memling e Rogier van der Weyden, que desenvolvem a pintura a óleo.

Rafael Sanzio (1483 - 1520), que se destacou por suas Madonas, série de quadros da Santíssima Virgem, diversos painéis nas paredes do Vaticano e várias cenas da História Sagrada, conhecidas com Bíblias de Rafael.

Donatello (1386?-1466), escultor italiano. Donatto di Bardi nasce em Florença, começa como ourives e aos 17 anos aprende a esculpir em mármore. Inicia-se, como assistente, nas portas do batistério de Florença e realiza uma obra imensa. Esculturas como Davi, Madalena e São Jorge estão entre as mais marcantes, por seu poder de produzir tensão emocional.

Leonardo da Vinci (1452-1519), artista, arquiteto, inventor e escritor italiano. Nasce em Florença, se torna aprendiz de Andrea Verrocchio e recebe a proteção de Lorenzo de Medici. Entre 1482 e 1499 vive em Milão, onde pinta o afresco da Última ceia. Em Florença, entre 1503 e 1506, pinta a Mona Lisa. Vive em Roma, entre 1513 e 1517, onde se envolve em intrigas do Vaticano, e decide ir se juntar à corte do rei francês Francisco I. Nos estudos científicos, prenuncia a invenção de peças modernas como o escafandro, o helicóptero e o pára-quedas. Seu Tratado sobre a pintura é um dos livros mais influentes da história da arte. O maior representante do Renascimento, Da Vinci inaugura o antropomorfismo em sua arte e pensamento: "O homem é a medida de todas as coisas".

Michelangelo Buonarroti (1475-1564) escultor, pintor, poeta e arquiteto italiano. Nasce em Caprese, estuda em Florença e ganha a proteção de Lorenzo Medici. Em Roma, aos 23 anos, inicia a Pietá. De volta a Florença, esculpe Davi e pinta A Sagrada Família. Em 1508 começa a pintar sozinho os afrescos do teto da Capela Sistina, trabalho que dura quatro anos. Em 1538 pinta a parede do Juízo Final, na mesma capela. Oito anos depois, projeta a cúpula da Basílica de São Pedro. Ao mesmo tempo, retoma a Pietá e esculpe também a Pietá Palestrina e a Pietá Rondanini.

Cinquecento

Em Veneza, no século XVI, com pintores como Tintoretto, com sua grandiosidade, Ticiano, com seu uso de cores, Veronèse, com seu senso espacial, e Giorgione, com sua expressividade, começa a última fase do Renascimento. Abandonam a primazia da forma sobre a cor e a perspectiva rigorosa. Na Espanha, influenciado por Tintoretto, El Greco (pseudônimo de Domenico Theotokopoulos) alonga as figuras, usa cores mais expressivas e contrastes dramáticos de luz e sombra (O enterro do conde de Orgaz). Na França, além do maneirismo (o naturalismo levado ao máximo de detalhes e efeitos) da Escola de Fontainebleau, destacam-se os retratos alegóricos de François Clouet (Diana). Na Holanda, Pieter Bruegel cria uma rica pintura narrativa, documentando costumes de época (Caçadores na neve), e Hieronymus Bosch pinta figuras oníricas, em cenários fantásticos, repletos de simbolismo (O jardim das delícias terrenas). Na Alemanha, surge uma pintura mais clássica, próxima do renascimento romano-florentino.

O grande mestre é Albrecht Dürer, que influencia Lucas Cranach, Albrecht Altdorfer, Matthias Grünewald e os dois Hans Holbein, pai e filho.

Jacopo Robusti Tintoretto (1518-1594), pintor italiano. Nasce em Veneza. Pouco se sabe de sua vida. Em 1564, pinta cenas do Velho Testamento no teto da irmandade de San Rocco, da qual é membro. Influenciado por Michelangelo e Ticiano, experimenta composições grandiosas e efeitos de luz que influenciam a arte posterior. Revoluciona a forma narrativa, modificando a hierarquia clássica das histórias religiosas.

PRÉ-RENASCIMENTO

Desde o século XIII, surgem manifestações precursoras do espírito humanista que marcará o Renascimento.

O processo de depuração da teologia se deve a Santo Tomás de Aquino, cuja filosofia incorpora conceitos de Aristóteles; Francesco Petrarca, no Cancioneiro, glorifica o amor na sua poesia lírica e fixa a forma do soneto; Dante Alighieri faz a síntese da alma medieval com o espírito novo; Giovanni Boccaccio, no Decamerão, faz impiedosa radiografia da sociedade de seu tempo. Outros nomes importantes nessa fase de transição: os poetas franceses Guilherme de Orleãs, de delicado lirismo, e François Villon, cujo Grande testamento é um amargo testemunho sobre a condição humana nessa época; e Geoffrey Chaucer, cujos Contos de Canterbury, em versos, sintetizam os costumes e a cultura ingleses do século XV.

Dante Alighieri (1265-1321) nasce em Florença e por questões políticas é obrigado a se exilar, morrendo em Ravena. Em Sobre a língua do povo, escrita em latim para os eruditos da época, Dante defende o uso do italiano nas obras poéticas. E é nessa língua que ele escreve a Divina Comédia, considerada a primeira obra da literatura italiana. Esse relato, de uma viagem imaginária pelo inferno, purgatório e paraíso, é uma alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo.

Giovanni Boccaccio (1313-1375) é filho de um mercador da região da Toscana, Itália. Seu pai o faz estudar em Nápoles e Florença. Boccaccio lê os clássicos latinos e escreve poesias. Decamerão, escrito em prosa, traz cem histórias curtas contadas por três moças e sete rapazes que se refugiam no campo para fugir da peste negra. Nas histórias se chocam os valores cristãos e o espírito libertino, sinais da transição para o renascimento.

LITERATURA RENASCENTISTA

Marcada pela consolidação do capitalismo mercantilista (século XV a meados do século XVI), é muito livre em relação às imposições morais, levando a uma atitude de epicurismo e busca de uma moral naturalista. Nasce uma atitude antropocentrista, semelhante à da Antiguidade clássica, em oposição ao teocentrismo medieval. A natureza é o modelo básico para o conhecimento humano.

A influência greco-romana está presente nos Lusíadas, de Luís de Camões; na poesia pastoral de Angelo Poliziano; nos escritos eróticos de Pietro Aretino; e na lírica do espanhol Jorge Manrique, dos franceses Joachim du Bellay e Pierre de Ronsard, ou dos portugueses Sá de Miranda e Cristóvão Falcão. Aumenta o interesse pela cultura, em seus termos mais abrangentes, no Elogio da loucura, do holandês Erasmo de Roterdã; em O príncipe, de Nicolau Maquiavel, pragmático manual da arte de governar; ou nos romances satíricos de François Rabelais, Gargantua e Pantagruel.

Luís de Camões (1525?-1580), freqüenta a nobreza e os círculos boêmios de Lisboa. Viaja muito, chegando até a Índia e a China, quase sempre a serviço do governo português. Sua obra mais importante, Os Lusíadas (1572), funde elementos épicos e líricos. Mescla fatos da história portuguesa às intrigas dos deuses do Olimpo, que buscam ajudar ou atrapalhar Portugal. Sintetiza duas importantes vertentes do renascimento português: as expedições ultramarinas e o humanismo.

François Rabelais (1493-1553) viaja pelo interior da França como padre e entra em contato com dialetos, lendas e costumes que influenciam sua obra. Em 1530, abandona o hábito e estuda medicina. A epopéia de Pantagruel e seu pai Gargantua, gigantes de apetites imensos, critica a estagnação medieval, atacando a igreja, a cavalaria e as convenções e é considerada obscena, na época, devido à expressão dos instintos.

ARQUITETURA RENASCENTISTA

Caracterizou-se pelos grandes monumentos e pelas construções de grande porte, destacando-se a Catedral de São Pedro, em Roma, obra magestral do arquiteto italiano Bramante (1444 – 1514), da qual também participaram o pintor Rafael e o arquiteto Michelangelo, autor da grandiosa Cúpula dessa Igreja.

A ESCULTURA RENASCENTISTA

Teve em Michelangelo sua maior expressão. Dentre suas óbras destacam-se: David, Moisés e Pietá. Neste campo também sobressaíram Donatello (1386 – 1466), autor da primeira estátua eqüestre de caráter monumental; Guiberti (1378 – 1455), que lavrou as portas de bronze do batistério de Florença; e Gian Lorenzo Bermini (1598 – 1680).

O RENASCIMENTO CIENTÍFICO

O Renascimento trouxe à ciência um notável desenvolvimento, sobretudo com a introdução dos métodos experimentais de pesquisa, em oposição aos estudos teóricos da Idade Média.

Nessa época, a teoria geocêntrica , sistematizada por Cláudio Ptolomeu , segundo a qual a Terra era considerada o centro do Universo, foi refutada por Nicolau Copérnico (1473 – 1543). Este astrônomo polonês provou ser o Sol, e não a Terra, o centro do sistema planetário, estabelecendo a teoria heliocêntrica.

Pouco mais tarde, outro astrônomo, o alemão Johann Kepler (1571 – 1630), aperfeiçoou a teoria de Copérnico, ao descobrir ,graças a minuciosos cálculos, que os planetas descreviam órbitas elípticas em torno do Sol, em não circulares, como afirmava o polonês.

O italiano Galileu Galilei (1564 – 1642), foi quem introduziu e difundiu a luneta na Itália. Galileu descobriu os satélites de Júpiter e os anéis de Saturno.

Na medicina também houve grandes progressos. O médico espanhol Miguel de Servet descobriu a pequena circulação entre o coração e os pulmões; o francês Ambroise Paré (1517 – 1590) combateu o uso do fogo e do azeite quente no tratamento das feridas ocasionadas por armas de fogo; e o alemão Paracelso estudou a aplicação de drogas medicinais.

RENASCIMENTO NA ALEMANHA

Na Alemanha, o apogeu renascentista esteve representado pelas obras de dois grandes pintores:

Alberto Dürer (1471 – 1528), autor dos quadros Adoração dos Magos, A trindade e outros.

Hans Holbein, o jovem (1497 – 1528), considerado o maior retratista alemão, autor de Henrique VIII, Erasmo etc.

RENASCIMENTO NA INGLATERRA

Na Inglaterra, os setores de maior destaque foram a Literatura e a Filosofia, com:

Thomas Morus (1478 – 1535), autor de Utopia (história de um país hipotético, onde a felicidade era total).

William Shakespeare (1564 – 1616), célebre dramaturgo inglês, considerado o maior gênio do teatro renascentista, autor das peças históricas Julio Cezar, Ricardo III e Henrique VIII e de peças de ficção das quais a mais conhecida é Romeu e Julieta.

RENASCIMENTO NA ESPANHA

Um dos maiores representantes do Renascimento na Espanha foi Lope de Vega, o fundador do teatro espanhol.

Na Literatura espanhola, o grande destaque cabe a Miguel de Cervantes (1547 – 1619), autor de D. Quixote de La Mancha, considerada até nossos dias a melhor novela escrita, onde o autor critica irônicamente os costumes medievais.

Dentre os pintores cabe destacar El Greco, que, apesar de grego de nascimento, se realizou como pintor na Espanha, mais propriamente na Cidade de Toledo .

RENASCIMENTO EM PORTUGAL

A maior figura do Renascimento em Portugal foi, sem dúvida, o poeta Luís Vaz de Camões (1524 – 1580), autor da epopéia Os Lusíadas, extensa narrativa em versos da história de seu país, desde sua formação até a descoberta do caminho para as Índias, por Vasco da Gama.

Na Arquitetura, surgiram grandes obras como o Mosteiro dos Jerônimos, construído no reinado de D. Manuel em comemoração à descoberta do caminho marítimo para as Índias, e a Torre de Belém, construída às margens do Rio Tejo.

Fonte: campus.fortunecity.com

Renascimento

Renascimento

Inspirando-se nas obras da Antigüidade Clássica, os artistas renascentistas deram aos seus trabalhos equilíbrio e elegância, procurando, juntamente com os temas religiosos, explorar a mitologia e as cenas do cotidiano.

O grande vulto da Escola de Roma foi Leonardo da Vinci, autor de quadros como "Mona Lisa" e "Santa Ceia", a ele atribui-se estudos que anteciparam importantes inventos e conhecimentos técnico-científicos - como o avião, o helicóptero e o submarino.

Outro notável artista foi Michelangelo que projetou a cúpula da Basílica de São Pedro (em Roma) e pintou inúmeros afrescos na Capela Sistina, como "O Juízo Final".

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual . Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Leonardo da Vinci

Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, na pequena cidade de Vinci, perto de Florença, centro intelectual e científico da Itália. O seu talento artístico cedo se revelou, mostrando excepcional habilidade na geometria, na música e na expressão artística. Reconhecendo estas suas capacidades, o seu pai, Ser Piero da Vinci, mostrou os desenhos do filho a Andrea del Verrocchio. O grande mestre da renascença ficou encantado com o talento de Leonardo e tornou-o seu aprendiz. Em 1472, com apenas vinte anos, Leonardo associa-se ao núcleo de pintores de Florença. Pintor, escultor, arquiteto e engenheiro, Leonardo da Vinci foi o talento mais versátil da Itália do Renascimento.

Os seus desenhos, combinando uma precisão científica com um grande poder imaginativo, refletem a enorme vastidão dos seus interesses, que iam desde a biologia, à fisiologia, à hidráulica, à aeronáutica e à matemática. Da Vinci, enquanto anatomista, preocupou-se com os sistemas internos do corpo humano, e enquanto artista interessou-se pelos detalhes externos da forma humana, estudando exaustivamente as suas proporções. Destacou-se em pintura, escultura, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais :Mona Lisa, Última Ceia.

Obras

Virgem e a Criança com Santa Anna
Virgem e a Criança com Santa Anna

São João Batista
São João Batista

O Batismo de Cristo
O Batismo de Cristo

Michelangelo

Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu na cidade de Capresse, Itália, no dia 6 de março de 1475. Porém, o artista passou parte de sua infância e adolescência na cidade de Florença. Como grande parte dos pintores e escultores da época, começou a carreira artístico sendo aprendiz de um grande mestre das artes. Seu mestre, que lhe ensinou as técnicas artísticas, foi Domenico Girlandaio.

Após observar o talento do jovem aprendiz, Girlandaio encaminhou-o para a cidade de Florença, para aprender com Lorenzo de Médici. Na Escola de Lorenzo de Medici, Michelangelo permaneceu por 2 anos (1490 a 1492). Em Florença, recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores e intelectuais da época, já que a cidade era um grande centro de produção cultural. No ano de 1503, o artista recebeu um novo convite vindo de Roma, de Júlio II. Foi convocado para fazer o túmulo papal, obra que nunca terminou, pois constantemente era interrompido por outros chamados e tarefas. Entre os anos de 1508 e 1512 pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano, sendo por isso comissionado por Leão X. Neste período também trabalhou na reconstrução do interior da Igreja de São Lourenço em Florença. Michelangelo Buonarroti (1475-1564)- destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina.

A Criação de Eva
A Criação de Eva

O Profeta Jeremias
O Profeta Jeremias

Fonte: www2.carmensalles.com.br

Renascimento

Renascimento (ou Renascença)

Período: entre 1.400 d.C. e 1.600 d.C. que intensificou a produção artística e científica na Europa

O historiador francês Michelet (1798-1874) definiu pela primeira vez o termo “Renascimento” ao reportar-se a esta época da história européia. Pouco tempo depois, Jacob Burckhardt (1818-1897) publicou A Civilização do Renascimento Italiano (1860), conferindo ao vocábulo "foros de cidade" nos meios científicos. Denomina o Renascimento como um movimento cultural que estabeleceu a transição do mundo medieval para o moderno, definindo os seus aspectos fundamentais.

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo Gênova, Veneza e Florença, passam a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes começam a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos

O espírito renascentista expressou-se desde cedo no Humanismo, movimento intelectual que teve início e alcançou seu apogeu na Itália. A intenção do humanismo era desenvolver no homem o espírito crítico e a plena confiança em suas possibilidades, condições que lhe haviam sido proibidas durante a época medieval

Foram aperfeiçoados inventos orientais como a pólvora e a bússola, que permitiu os grandes descobrimentos geográficos; foi inventada a Imprensa, desenvolveu-se a cartografia, houve avanço na arte da navegação, despertou-se o espírito dinâmico e curioso do homem moderno para os grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, nos quais espanhóis e portugueses tiveram papel preponderante. Descobriu-se a Améria e o Brasil.

Aspectos fundamentais

Regresso à natureza

Substituição da concepção teocêntrica pela antropocêntrica; O homem deixa de pensar o universo em função de Deus, tornando-se senhor do seu destino, enquanto a natureza por ele contemplada surge como um ente divinizado.

Valorização da cultura greco-romana

Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais.

As qualidades mais valorizadas no ser humano passam a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico

A razão e a natureza passam a ser valorizados com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Imitação Clássica

Retorno à cultura e civilização clássicas, o que favorece o estudo do grego e do latim, a recuperação do Direito Romano na jurisprudência, o triunfo do "dolce stile nuovo" na literatura, a preferência pelas formas arquitetônicas e decorativas greco-romanas na arte, etc.

Individualismo

Colocado no centro do mundo, o homem sente-se orgulhoso das suas capacidades intelectuais e tende a valorizar o espírito de iniciativa de cada indivíduo. Em História todos as divisões cronológicas são arbitrárias. O período renascentista não foge a essa regra. Nem todos os intelectuais e artistas que viveram no século XV participaram destas idéias: Sandro Boticelli (1444-1510) e Miguel Ângelo (1475-1564) comungaram dos valores renascentistas, mas Hieronymus Bosch (1460-1516), contemporâneo de ambos, mostra-nos nas suas telas visões terríveis que ainda são tributárias das superstições medievais.

Florença torna-se o centro das artes liberais, que estavam quase extintas:

Gramática

Poesia

Retórica

Pintura

Escultura

Arquitetura

Música

Aumento importante dos conhecimentos matemáticos e geométricos

Assim como a descoberta e transcrição de vários manuscritos clássicos permitiram um melhor conhecimento das gramáticas grega e latina, tornando possível a edição de textos expurgados dos erros cometidos pelos sucessivos copistas medievais.

Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras

Michelângelo Buonarroti (1475-1564)

Destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina

Rafael Sanzio (1483-1520)

Pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus)

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais :Mona Lisa, Última Ceia

Na área científica

Nos estudos de astronomia o polonês Nicolau Copérnico defendeu a revolucionária idéia do heliocentrismo, que defendia que o Sol estava no centro do sistema solar. Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.

O italiano Galileu Galilei desenvolveu instrumentos ópticos, e construiu telescópios para aprimorar o estudo celeste. Defendeu também a idéia de que a Terra girava em torno do Sol. Este motivo fez com que Galilei fosse perseguido, preso e condenado pela Igreja Católica, que considerava esta idéia como sendo uma heresia. Galileu teve que desmentir suas idéias para fugir da fogueira; Somente no final do século XX, o Papa João Paulo II oficializou o pedido de desculpas pelo erro da Igreja.

A valorização artística

As grandes viagens e conquistas fizeram com que o contato mercantil com a Ásia ampliasse o comércio e permitisse a diversificação de produtos de consumo para a Europa e com o Oriente, com isso muitos comerciantes europeus fizeram fortunas. Passaram a investir na produção artísticas dos escultores, músicos, pintores, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual . Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

A igreja passou a investir nos artistas e encomendar obras, principalmente afrescos, para evangelizar pela imagem, uma vez que a maioria da população não sabia ler.

Renascimento Florentino

No séc. XV o homem torna-se o centro do universo, e o mundo mede-se por sua escala. A inteligência é a primeira de suas qualidades e em muitos casos substitui a fé. O realismo faz-se intelectual na pintura graças ao descobrimento das Leis de Perspectiva . É desta época a arquitetura que privilegia o tipo de igreja abobodada, com cúpula sobre o cruzeiro que será imitada durante séculos. Os escultores da Florença dos Quatrocentos honraram seu humanismo deixando as mais belas representações do corpo humano que se havia feito desde a Grécia antiga.

Renascimento Romano

Em Roma são os papas que protegem os grandes artistas. O renascimento se transforma, perde o ar delicadamente espiritual do tipo florentino, tornando-se por vezes luxuoso. Com o sentido da proporção, o equilíbrio, a perspectiva e a lógica pretendeu o renascimento um universo perfeito dirigido pela mente humana no qual o indivíduo se sentisse seguro e feliz.

Principais características do Renascimento nas expressões artísticas

ARQUITETURA

Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque

Ordens Arquitetônicas: Arcos de Volta-Perfeita; Simplicidade na construção; A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas; Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)

O principal arquiteto renascentista foi Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi

ESCULTURA

Em meados do século XV, com a volta dos papas de Avinhão para Roma, esta adquire o seu prestígio

Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali, grandes escultores se revelam, o maior dos quais é Michelângelo, que domina toda a escultura italiana do século XVI.

Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá

Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura.

Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze

Principais Características

Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade

Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade

Profundidade e perspectiva

Estudo do corpo e do caráter humano

O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias italianas.

São eles:

Dürer

Hans Holbein

Bosch

Bruegel

PINTURA

Principais características

Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria

Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos

Realismo: o artistas do Renascimento não vêem mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus; E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente e não apenas admirada

Tela e tinta a óleo: Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo

Obras independentes: Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes

Estilo pessoal: os artistas expressam suas obras com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente, pelo individualismo

Simetria: as pinturas são diagramadas de forma que o tema é composto por partes simétricas, se cobrirmos a metade da tela, a outra metade ainda aparece como uma obra completa

Diagramação triangular: a composição das imagens é montada de forma triangular, de forma que, na base do triângulo são inseridos os elementos de sustentação para o conteúdo temático; no ângulo superior é colocado o elemento mais importante do tema, de forma que o expectador perceba o elemento de importância em destaque

Uso de linhas: com o uso das linhas percebidas no desenho, faz com que o expectador dirija seu olhar para pontos pré-determinados da tela, numa seqüência ordenada, previamente definida.

Beleza Helenística: como o homem é o centro do universo, passa a ser retratado com feições angelicais e proporções muito realistas com relação ao corpo humano

Principais pintores

Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus.

Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

Leonardo da Vinci: dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.

Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos, a Monalisa; A Última Ceia.

Michelangelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem

Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família

Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”.

Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.

Informações interessantes

A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é na própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder a eleição do próximo.

Lareira que produz fumaça negra - que o Papa ainda não foi escolhido

Fumaça branca - que o Papa acaba de ser escolhido, avisa o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano

Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia

Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: “Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um modelo de asa-delta, etc.

Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para a frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.

Renascimento

Inspirando-se nas obras da Antigüidade Clássica, os artistas renascentistas deram aos seus trabalhos equilíbrio e elegância, procurando, juntamente com os temas religiosos, explorar a mitologia e as cenas do cotidiano.

O grande vulto da Escola de Roma foi Leonardo da Vinci, autor de quadros como "Mona Lisa" e "Santa Ceia", a ele atribui-se estudos que anteciparam importantes inventos e conhecimentos técnico-científicos - como o avião, o helicóptero e o submarino.

Outro notável artista foi Michelangelo que projetou a cúpula da Basílica de São Pedro (em Roma) e pintou inúmeros afrescos na Capela Sistina, como "O Juízo Final".

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual . Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Fonte: www.willians.pro.br

Renascimento

Renascimento

Renascimento

O pensamento medieval, dominado pela religião, cede lugar a uma cultura voltada para os valores do indivíduo. Os artistas, inspirando-se uma vez mais no legado clássico grego, buscam as dimensões ideais da figura humana e a representação fiel da realidade. Esse período corresponde à Baixa Idade Média e início da Idade Moderna (do século XIII ao XVI) e pode ser dividido em Duocento (1200 a 1299), Trecento (1300 a 1399), Quattrocento (1400 a 1499) e Cinquecento (1500 a 1599).

Duocento e Trecento

No século XIII, o gótico começa a dar lugar para uma arte que resgata a escala humana. São as primeiras manifestações do que, mais tarde, se chamaria Renascimento.

A principal característica dessa mudança é o surgimento da ilusão de profundidade nas obras. Em Siena, Duccio da Buoninsegna e, em Florença, Cimabue e sobretudo seu aluno Giotto são os pioneiros desse novo mundo. Nos afrescos de Giotto, na igreja de Santa Croce, em Florença, por exemplo, pode-se ver figuras mais sólidas do que as góticas, situadas em ambientes arquitetonicamente precisos, dando impressão de existência concreta: é o nascimento do naturalismo. No século XIV, escultores como Donatello (o "Michelangelo" do Trecento) aprimoram a técnica.

Giotto da Bondone (1266?-1337?)

Pintor e arquiteto italiano. Nasce em Florença, estuda com o pintor Cimabue, com quem trabalha também em Roma, e se torna um dos principais artistas de sua época. Os afrescos de Santa Croce e a torre do Duomo são suas principais obras em sua cidade natal. Revoluciona a arte ao conseguir dar expressão e profundidade às figuras humanas.

Quattrocento

No século XV, Piero della Francesca (afrescos na catedral de Arezzo) desenvolve uma pintura impessoal e solene, misturando figuras geométricas e cores intensas. O arquiteto e escultor Filippo Brunelleschi, criador da cúpula do Duomo de Florença, concebe a perspectiva, artifício geométrico que cria a ilusão de tridimensionalidade numa superfície plana. Defende a técnica e seus princípios matemáticos em tratados. A ela aderem artistas como Paolo Uccello (Batalha de São Romano), Sandro Botticelli (Nascimento de Vênus), Leonardo da Vinci (Mona Lisa), Rafael Sanzio (Madona com menino) e Michelangelo (Davi, Moisés e Pietá; teto e parede da Capela Sistina, no Vaticano; cúpula da Basílica de São Pedro). Michelangelo chega a um grau de sofisticação representativa que prenuncia o barroco em suas figuras. Na Bélgica e Holanda, nesse período, surgem os representantes do renascimento flamengo como Jan van Eyck, Hans Memling e Rogier van der Weyden, que desenvolvem a pintura a óleo.

Donatello (1386?-1466)

Escultor italiano. Donatto di Bardi nasce em Florença, começa como ourives e aos 17 anos aprende a esculpir em mármore. Inicia-se, como assistente, nas portas do batistério de Florença e realiza uma obra imensa. Esculturas como Davi, Madalena e São Jorge estão entre as mais marcantes, por seu poder de produzir tensão emocional.

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Artista, arquiteto, inventor e escritor italiano. Nasce em Florença, se torna aprendiz de Andrea Verrocchio e recebe a proteção de Lorenzo de Medici. Entre 1482 e 1499 vive em Milão, onde pinta o afresco da Última ceia. Em Florença, entre 1503 e 1506, pinta a Mona Lisa. Vive em Roma, entre 1513 e 1517, onde se envolve em intrigas do Vaticano, e decide ir se juntar à corte do rei francês Francisco I. Nos estudos científicos, prenuncia a invenção de peças modernas como o escafandro, o helicóptero e o pára-quedas. Seu Tratado sobre a pintura é um dos livros mais influentes da história da arte. O maior representante do Renascimento, Da Vinci inaugura o antropomorfismo em sua arte e pensamento: "O homem é a medida de todas as coisas".

Michelangelo Buonarroti (1475-1564)

Escultor, pintor, poeta e arquiteto italiano. Nasce em Caprese, estuda em Florença e ganha a proteção de Lorenzo Medici. Em Roma, aos 23 anos, inicia a Pietá. De volta a Florença, esculpe Davi e pinta A Sagrada Família. Em 1508 começa a pintar sozinho os afrescos do teto da Capela Sistina, trabalho que dura quatro anos. Em 1538 pinta a parede do Juízo Final, na mesma capela. Oito anos depois, projeta a cúpula da Basílica de São Pedro. Ao mesmo tempo, retoma a Pietá e esculpe também a Pietá Palestrina e a Pietá Rondanini.

Cinquecento

Em Veneza, no século XVI, com pintores como Tintoretto, com sua grandiosidade, Ticiano, com seu uso de cores, Veronèse, com seu senso espacial, e Giorgione, com sua expressividade, começa a última fase do Renascimento. Abandonam a primazia da forma sobre a cor e a perspectiva rigorosa. Na Espanha, influenciado por Tintoretto, El Greco (pseudônimo de Domenico Theotokopoulos) alonga as figuras, usa cores mais expressivas e contrastes dramáticos de luz e sombra (O enterro do conde de Orgaz). Na França, além do maneirismo (o naturalismo levado ao máximo de detalhes e efeitos) da Escola de Fontainebleau, destacam-se os retratos alegóricos de François Clouet (Diana). Na Holanda, Pieter Bruegel cria uma rica pintura narrativa, documentando costumes de época (Caçadores na neve), e Hieronymus Bosch pinta figuras oníricas, em cenários fantásticos, repletos de simbolismo (O jardim das delícias terrenas). Na Alemanha, surge uma pintura mais clássica, próxima do renascimento romano-florentino.

O grande mestre é Albrecht Dürer, que influencia Lucas Cranach, Albrecht Altdorfer, Matthias Grünewald e os dois Hans Holbein, pai e filho.

Jacopo Robusti Tintoretto (1515-1594)

Pintor italiano. Nasce em Veneza. Pouco se sabe de sua vida. Em 1564, pinta cenas do Velho Testamento no teto da irmandade de San Rocco, da qual é membro. Influenciado por Michelangelo e Ticiano, experimenta composições grandiosas e efeitos de luz que influenciam a arte posterior. Revoluciona a forma narrativa, modificando a hierarquia clássica das histórias religiosas.

Referências

ANDRADE, Mário de. Aspectos das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Martins, 1965.
SOUZA, Alcídio Mafra de. Artes plásticas na escola. 5.ed. Rio de Janeiro: Bloch, 1974.
SANTOS, João Carlos Lopes dos. O manual do mercado de arte: uma visão profissional das artes plásticas e seus fundamentos práticos. São Paulo: Julio Louzada, 1999
PIJOAN, Jose. História da arte. (Rio de Janeiro): Salvat, c1978.
CAVALCANTI, Carlos. História das artes: curso elementar. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
BARRAL I ALTET, Xavier. História da arte. Campinas, SP: Papirus, 1990

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Renascimento

O Renascimento foi o movimento cultural que se desenvolveu na Europa ao longo dos séculos XV e XVI, com reflexos nas artes, nas ciências e noutros ramos da actividade humana. As cidades italianas foram pioneiras neste movimento intelectual, que em alguns países se estendeu até ao século XVII.

O Renascimento teve um outro grande centro na região da Flandres.

No centro da transformação intelectual renascentista encontra-se a passagem de uma mentalidade teocêntrica (isto é, que colocava Deus no centro da reflexão humana) a uma mentalidade antropocêntrica (que tinha o homem como centro). Esta proposta correspondia a um reconhecimento e a uma crença optimista nas capacidades e no valor do ser humano, contrapondo-se à visão medieval do mundo.

Os factores que influenciaram o desenvolvimento do Renascimento nessa época

As decobertas marítimas dos Portugueses e dos Espanhóis e o contacto mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com essas fortunas os governantes europeus e o clero passaram a dar protecção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objectivo fazer com que os mecenas se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde actuavam.

As zonas de manifestação do Renascimento

Foi na Península Itálica e na Flandres que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Génova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Devemos também salientar que a Itália possuía uma vigorosa tradição cultural e artística, herança da cultura greco-romana. Por este motivo Itália e Flandres passaram a ser as zonas em que o Renascimento mais se manifestou.

A Literatura no Renascimento

A Literatura no Renascimento considerou as obras clássicas como modelos a seguir, quer nos temas quer nos géneros literários. Fizeram, no entanto, uma imitação criativa e inovadora. O facto de se corresponderem em Latim e grego e de inicialmente escreverem as suas obras nessas línguas facilitou a divulgação das obras literárias dos humanistas pela Europa Culta. A partir do séc.XVI, passaram a expressar-se nas línguas nacionais. Para a difusão destas obras literárias também contribuiu a descoberta da imprensa (Gutemberg, meados do século XV).

Na Literatura distinguiram-se Erasmo de Roterdão, Nicolau Maquiavel, Cervantes, Shakespeare e Luís de Camões.

O desenvolvimento da Ciência no Renascimento

Não só o homem se encontrava no centro das preocupações renascentistas: também a natureza era objecto de conhecimento. O homem ideal seria aquele que procurasse a compreensão e o domínio do homem e da natureza através das artes, mas também das ciências, numa crença nas capacidades da razão humana para decifrar os enigmas do mundo. O saber renascentista assentava assim numa mentalidade racionalista, ou seja, só se considerava válido o conhecimento que, comprovado pela observação e pela experiência humana, pudesse ser explicado de forma racional e inteligível. Nesta época promoveu-se o desenvolvimento de vários domínios do saber como a Astronomia (Nicolau Copérnico - teoria Heliocêntrica), a Medicina (Anatomia do corpo humano), a Matemática (Pedro Nunes - O Tratado da Esfera), a Geografia (Duarte Pacheco Pereira - Esmeraldo de Situ Orbis),a Botânica (Garcia da Orta – Colóquio dos simples e Drogas das Cousas Medicinais da Índia) e outras.

Arte no Renascimento

ARQUITETURA

Na arquitectura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque. A arte renascentista inspirou-se nas obras greco-romanas-classismo.

Principais características

Abóbadas de Berço

Arcos de Volta-Perfeita

Frontões nas portas e nas janelas

Pilastras e colunas encimadas por capiteis clássicos (dóricos, jónicos ou coríntios)

Cúpulas

Ideal da simetria absoluta

Ponto de Fuga

O principais arquitectos renascentistas

Brunelleschi

É um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquitecto. Realizou importantes trabalhos de arquitectura, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela de Pazzi.

Giuliano de Sangallo

Foi um dos mais famosos arquitectos renascentistas. Realizou trabalhos importantes como a Igreja de Santa Maria delle Carceri e a Basílica de S. Pedro.

PINTURA

A pintura teve como objectivo fundamental a imitação da Natureza tal como os olhos a observam – naturalismo -, embora ,por vezes, os artistas procurassem embelezar eliminando um ou outro aspecto menos agradável, de forma a que as suas obras provocassem o extâse/fascínio dos seus admiradores.

Principais características

Perspectiva

Técnica do Sfumato

Retrato

A temática Clássica

O volume

A inserção na Natureza

Serenidade

Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo

Principais pintores do Renascimento

Botticelli

Van Eyck

Leonardo da Vinci

Miguel Ângelo

Rafael

Piero della Francesca

ESCULTURA

No campo artístico, o aprofundamento do conhecimento da anatomia, permitiram uma melhor representação do corpo humano, com o cálculo rigoroso das proporções. A perspectiva geométrica e o sistema das proporções, modificaram, completamente, o trabalho dos artistas. A escultura deixou de estar ao serviço do sagrado, adquirindo autonomia.

Principais Características

Deixa de ser apenas um ornamento de edifícios

Recupera a representação do nú

Estátuas equestres

Interesse pela figura humana

Conjunto marcado pela monumentalidade e pela proporção

Conjunto marcado pela sua concepção e geometria

Principais escultores do Renascimento

Miguel Ângelo

Donatello

Fonte: gouveiajm.googlepages.com

Renascimento

Renascimento Cultural

Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença.

As características principais deste período são as seguintes:

Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais

As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico

Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus ( teocentrismo ), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo).

A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, passaram a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes começaram a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos.

Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:

Michelângelo Buonarroti (1475-1564)

Destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina.

Rafael Sanzio (1483-1520)

Pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais :Mona Lisa, Última Ceia.

Na área científica podemos mencionar a importância dos estudos de astronomia do polonês Nicolau Copérnico. Este defendeu a revolucionária idéia do heliocentrismo (teoria que defendia que o Sol estava no centro do sistema solar).Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.

Nesta mesma área, o italiano Galileu Galilei desenvolveu instrumentos ópticos, além de construir telescópios para aprimorar o estudo celeste. Este cientista também defendeu a idéia de que a Terra girava em torno do Sol. Este motivo fez com que Galilei fosse perseguido, preso e condenado pela Inquisição da Igreja Católica, que considerava esta idéia como sendo uma heresia. Galileu teve que desmentir suas idéias para fugir da fogueira.

Contexto Histórico

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Leonardo da Vinci

É considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade, embora não tivesse nenhuma formação na maioria dessas áreas, como na engenharia e na arquitetura. Expressa melhor do que qualquer outro o espírito do renascimento.`

É impossível de se imaginar, é como um homem que viveu em cerca de quinhentos anos atrás, fosse desenvolver teorias e técnicas em tantas áreas, desde a pintura, até mesmo a ciências modernas. Provavelmente o seu perfeccionismo em cada pintura, é um dos motivos por este possuir autoria de tão poucas obras; outro possível motivo é que algumas de seus quadros se perderam com o tempo (sendo roubados ou até mesmo destruídos), devido a sua maneira polêmica de retratar, desde cenas religiosas, até mesmo retratos, sendo um deles a Mona Lisa.

A ciência do Renascimento

O racionalismo e o experimentalismo fez com que os Renascentistas pensassem sobre vários dogmas da Idade Média, dentre eles está o geocentrismo que foi questionado por vários cientistas do renascimento: Nicolau Copérnico afirmou que a Terra gira em torno do sol; temos também Galileu Galilei que afirmou a mesma coisa, porém foi abrigado a renegar essa teoria pela inquisição; outro astrônomo Johannes Kepler comprovou que a tragetória dos planetas em torno do sol era elíptica. Para os leigos Leonardo da Vinci foi somente um pintor, mas isso não é verdade, ele foi matemático, escultor, arquiteto, físico, escritor, engenheiro, poeta, botânico, músico e também teve um importante papel no Renascimento científico pois dentre seus projetos estava uma máquina equipada com hélice, que poderia manter um homem no ar. Esse projeto não realizou até o levantamento de um homem mas foi um símbolo da genialidade de Leonardo da Vinci.

Mona lisa

O sorriso misterioso de Mona Lisa, popularizado em pôsteres, cartões, camisetas a partir do quadro de 77 por 53 cm, pintado pelo renascentista Leonardo da Vinci no século XVI, tornou-se um ícone da cultura ocidental e completa 500 anos, ainda cercado de especulações sobre a dama. As especulações sobre a composição da obra são as mais variadas. Para alguns, Leonardo pintou a mulher ideal, ou a sua própria mãe; outros dizem que ela era sua amante ou de um de seus mecenas; os traços andróginos do rosto estimulam teorias de que por trás da identidade da Mona Lisa está um auto-retrato do pintor.

Valorização intelectual

Uma das principais características do movimento conhecido como Renascimento é o fato de que as qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico. Neste período os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos intelectuais e artistas da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato tinha como objetivo fazer com que os mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as regiões onde atuavam.

O Renascimento : Pintura

Nomeou-se renascimento manifestações em virtude da "reissureição consciente" do passado. Neste período várias manifestações culturais, sociais, políticas, econômicas, etc, ocorreram, sempre baseando-se em ideais e características do "movimento". Entre essas características, as que mais se destacavam eram: a racionalidade, a dignidade do ser humano, o rigor científico, o ideal huanista e a reutilização das artes greco-romana. A pintura da época também se preocupou em caracterizar o renascimento. Entre os pintores, podemos citar Botticelli, Leonardo da Vinci, Michelângelo e Rafael. As pinturas geralmente apresentavam tons claro-escuro para representar o volume dos corpos; realismo, o homem com expressão grandiosa do próprio Deus; perspectiva, distâncias e proporções segundo os princípios da matemática e geometria. Neta época também iniciou-se o uso de tela e da tinta óleo, as manifestações se tornaram independentes e os pintores se caracterizaram com estilo pessoal e individualista.

Itália: centro do renascimento cultural

O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da Itália e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão.

Renascimento Científico

O Renascimento Científico começa a criar raízes no século XVI, quando ocorre o desenvolvimento de muitos ramos da ciência. O aprimoramento da observação e da experimentação foram a contribuição do renascimento, fazendo as práticas cientistas avançarem. Os destaques do renascimento científico foram para Leonardo da Vinci e Nicolau Copérnico. Da Vinci, com suas habilidades no campo da ciência, inventou e aprimorou muitos instrumentos, inclusive bélicos. Copérnico deu sua contribuição no aumento no conhecimento da matemática, mecânica e astronomia. As ciências naturais também progrediram. Na medicina, Miguel de Servet, e William Harvey, descobriram o funcionamento da circulação sanguínea. Ambroise Paré , defendeu a ligação das artérias, em vez da tradicional cauterização para estancar hemorragias, e André Vesálio , o "pai da anatomia" que publicou o primeiro livro sobre a anatomia humana. O renascimento tirou da igreja o poder e o direito de dar explicações sobre a criação e a vida. A experimentação era então o meio vigente para achar respostas e entender a realidade. Mesmo tendo a contra- reforma, esta não pode mais conter o avanço da ciência.

Ideais do Renascimento

O Renascimento tem como alguns de seus ideais defendidos o Antropocentrismo, o Hedonismo, o Individualismo ,o Otimismo e o Racionalismo. O Antropocentrismo é uma concepção que diz que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento do homem; o Hedonismo é uma teoria que afirma que o prazer individual e imediato é o supremo bem da vida; o Individualismo é um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade e ao Estado; o Otimismo caracteriza-se por ser uma forma de pensamento (o pensamento positivo); e o Racionalismo é considerado a corrente filosófica que iniciou com a definição de raciocínio (operação mental, discursiva e lógica). O Renascimento, com seus ideais e valores, foi muito importante pois foi a principal influência dos pensadores iluministas do século XVII.

O renascimento foi um movimento cultural ocorrido primeiramente na Itália no século quatorze e espalhado por toda Europa nos séculos quinze e dezesseis. Atingiu as áreas de filosofia, artes, ciências e astronomia gerando transformações culturais, sociais, econômicas, políticas e religiosas. Os idéias do renascimento são: antropocentrismo, hedonismo, racionalismo, otimismo e o individualismo. O antropocentrismo visa o homem como centro do universo. O hedonismo prega o prazer individual e imediato como maior bem da vida humana. O individualismo depende da noção do individuo durante a historia humana e não se deve confundir com egoísmo. O otimismo é um sinônimo de pensamento positivo e significa para o renascimento o poder de fazer tudo sem restrição alguma. Já a definição do racionalismo é a operação mental, discursiva e lógica.

O homem de Vitrúvio

O Renascimento está associado ao humanismo,que normalmente refere-se genericamente a uma série de valores e ideais relacionados à celebração do ser humano. Neste contexto temos vários humanistas famosos, entre eles Leonardo Da Vinci que entre tantas obras famosas encontra-se o desenho "O homem Vitruviano" que foi feito por volta de 1490 em um de seus diários. Este desenho é interessante, este descreve uma figura masculina desnuda separadamente e simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado.

Às vezes, o desenho e o texto são chamados de Cânone das Proporções.Examinando o desenho, pode ser notado que a combinação das posições dos braços e pernas formam quatro posturas diferentes, porém, o umbigo ("centro de gravidade") premanece imóvel.O desenho recebe este nome pois Virtrúvio, um arquiteto romano em um de seus livros publicados, tenta descrever as proporções do corpo humano dentro de uma circunferência e um quadrado, porém suas tentativas foram imperfeitas.

O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano no século XV por Leonardo e os outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano.O desenho também é considerado freqüentemente como um símbolo da simetria básica do corpo humano e, para extensão, para o universo como um todo. Também temos a característica interessante que a área total do círculo é identica a área total do quadrado e este desenho pode ser considerado um algoritmo matemático para calcular o valor do número irracional phi (=1,618).

Divisões do Cristianismo

Em 1054 houve a primeira grande divisão do Cristianismo, conhecida como "O Grande Cisma do Oriente" com a divisão entre as igrejas Católica e Ortodoxa. Em 1517, Martinho Lutero deu início a Reforma Protestante que foi um movimento com uma série de tentativas de reformar a Igreja Católica Romana, e levou o estabelecimento do Protestantismo, que conseqüentemente deu origem a várias outras denominações cristãs posteriores a reforma religiosa. Para quem é cristão e acredita na bíblia olhem só o que Jesus disse nos evangelhos: (Lucas, 21:8) Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados.

Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais essa gente. (Marcos, 13:21-23) E se então alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo; ou: Ei-lo acolá, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e prodígios para seduzir, se possível, até os escolhidos. Ficai de sobreaviso. Eis que vos preveni de tudo. De acordo com os evangelhos, que foram escritos muito antes de todas as divisões do cristianismo, essas divisões não teriam mesmo que acontecer? Podemos refletir sobre isso.

Renascimento

Renascimento é o período da história européia caracterizado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. O Renascimento começou na Itália, no século XIV onde o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento. e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.

A passagem do feudalismo para o capitalismo é marcada por transformações sociais, econômicas, culturais, religiosas e políticas. Diz-se, então, que um novo modelo renasce, na esfera cultural, completamente desligado da estrutura medieval e com o nome de Renascimento. A partir do século XIV, esse movimento ganhou força na Itália e passou a ser difundido, de modo que a cultura clássica (greco-romana) fosse resgatada. Esse resgate trazia à tona valores como o antropocentrismo e o individualismo, e ainda contribuía para o declínio da era medieval. Nesse contexto, surge um gênio da história da humanidade: Leonardo da Vinci. Suas contribuições não estão restritas às obras escritas, mas também principalmente às artes, dentre elas, a pintura. A criatividade e interesse de Leonardo da Vinci influenciaram sobremaneira invenções, atualmente conhecidas por nós, como: pára-quedas, bicicleta, salva-vidas entre outras. As engenhosidades criadas por Leonardo fazem dele um homem cercado por uma aura de mistério.

A imprensa é um fenômeno recente com mais ou menos 300 anos de existência, e no principio a serviço da sociedade burguesa e suas atividades lucrativas. Até o século XV, vários tipos de matérias foram utilizados para a transmissão de informações, tais como o papiro, linho, algodão e o pergaminho, orem somente após o séc XV que a melhoria do papel fez a diferença na transmissão das informações. A partir de 1438, o Alemão Gutemberg, utiliza-se de um invento chinês a tipografia, e transforma os tipos de madeira para chumbo, o que torna as composições mais convincentes.

Fonte: www.geocities.com

Renascimento

Período da história européia caracterizado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, especialmente pela sua arte. O Renascimento começou na Itália, no século XIV, e difundiu-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.

A fragmentada sociedade feudal da Idade Média transformou-se em uma sociedade dominada, progressivamente, por instituições políticas centralizadas, com uma economia urbana e mercantil, em que floresceu o mecenato da educação, das artes e da música.

O termo "Renascimento" foi empregado pela primeira vez em 1855, pelo historiador francês Jules Michelet, para referir-se ao "descobrimento do Mundo e do homem" no século XVI. O historiador suíço Jakob Burckhardt ampliou este conceito em sua obra A civilização do renascimento italiano (1860), definindo essa época como o renascimento da humanidade e da consciência moderna, após um longo período de decadência.

O Renascimento italiano foi, sobretudo, um fenômeno urbano, produto das cidades que floresceram no centro e no norte da Itália, como Florença, Ferrara, Milão e Veneza, resultado de um período de grande expansão econômica e demográfica dos séculos XII e XIII.

Uma das mais significativas rupturas renascentistas com as tradições medievais verifica-se no campo da história. A visão renascentista da história possuía três partes: a Antigüidade, a Idade Média e a Idade de Ouro ou Renascimento, que estava começando.

A idéia renascentista do humanismo pressupunha uma outra ruptura cultural com a tradição medieval. Redescobriram-se os Diálogos de Platão, os textos históricos de Heródoto e Tucídides e as obras dos dramaturgos e poetas gregos. O estudo da literatura antiga, da história e da filosofia moral tinha por objetivo criar seres humanos livres e civilizados, pessoas de requinte e julgamento, cidadãos, mais que apenas sacerdotes e monges.

Os estudos humanísticos e as grandes conquistas artísticas da época foram fomentadas e apoiadas economicamente por grandes famílias como os Medici, em Florença; os Este, em Ferrara; os Sforza, em Milão; os Gonzaga, em Mântua; os duques de Urbino; os Dogos, em Veneza; e o Papado, em Roma.

No campo das belas-artes, a ruptura definitiva com a tradição medieval teve lugar em Florença, por volta de 1420, quando a arte renascentista alcançou o conceito científico da perspectiva linear, que possibilitou a representação tridimensional do espaço, de forma convincente, numa superfície plana.

Os ideais renascentistas de harmonia e proporção conheceram o apogeu nas obras de Rafael, Leonardo da Vinci e Michelangelo, durante o século XVI. Houve também progressos na medicina e anatomia, especialmente após a tradução, nos séculos XV e XVI, de inúmeros trabalhos de Hipócrates e Galeno. Entre os avanços realizados, destacam-se a inovadora astronomia de Nicolau Copérnico, Tycho Brahe e Johannes Kepler. A geografia se transformou graças aos conhecimentos empíricos adquiridos através das explorações e dos descobrimentos de novos continentes e pelas primeiras traduções das obras de Ptolomeu e Estrabão.

No campo da tecnologia, a invenção da imprensa, no século XV, revolucionou a difusão dos conhecimentos e o uso da pólvora transformou as táticas militares, entre os anos de 1450 e 1550.

No campo do direito, procurou-se substituir o abstrato método dialético dos juristas medievais por uma interpretação filológica e histórica das fontes do direito romano. Os renascentistas afirmaram que a missão central do governante era manter a segurança e a paz. Maquiavel sustentava que a virtú (a força criativa) do governante era a chave para a manutenção da sua posição e o bem-estar dos súditos.

O clero renascentista ajustou seu comportamento à ética e aos costumes de uma sociedade laica. As atividades dos papas, cardeais e bispos somente se diferenciavam das usuais entre os mercadores e políticos da época. Ao mesmo tempo, a cristandade manteve-se como um elemento vital e essencial da cultura renascentista. A aproximação humanista com a teologia e as Escrituras é observada tanto no poeta italiano Petrarca como no holandês Erasmo de Rotterdam, fato que gerou um poderoso impacto entre os católicos e protestantes.

Virgílio (70-19 a.C.), poeta romano, autor da epopéia Eneida, obra-prima da literatura clássica latina.

A ENEIDA

Na epopéia mitológica em 12 livros, que relata as peripécias do herói Enéas, Virgílio introduziu a musicalidade e a precisão técnica de sua métrica de um modo tão sutil que seu verso tem sido considerado, desde então, um modelo de perfeição literária.

Dante fez uma homenagem a Virgílio na Divina comédia, convertendo-o em guia do poeta. Mas foi a devoção de Petrarca ao estilo virgiliano que o converteu em uma referência constante no humanismo do Renascimento.

Renascimento, movimento artístico que se manifestou em toda a Europa, aproximadamente de 1400 a 1600. Os traços principais da arte renascentista são a imitação das formas clássicas da antigüidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.

O Renascimento corresponde, na história da arte, à era dos grandes descobrimentos, refletindo o desejo, da época, de examinar todos os aspectos da natureza e do mundo.

Durante o Renascimento, os artistas continuaram a merecer o status, herdado da Idade Média, de meros artesãos. Mas, pela primeira vez, começaram a se impor como personalidades independentes, comparáveis a poetas e escritores. Os pintores e escultores renascentistas investigaram novas soluções para problemas visuais formais e muitos deles realizaram experiências científicas. Neste contexto, surgiu a perspectiva linear na qual as linhas paralelas eram representadas em ponto de fuga.

O renascimento das artes coincidiu com o desenvolvimento do humanismo que estudava e traduzia textos filosóficos. O latim clássico foi revalorizado. A par desta renovação de idéias, ocorreu o período de descobrimentos de novas terras. As embarcações se lançaram em busca de novos caminhos marítimos, colhendo, como resultado, diferentes rotas para a Ásia e a imensidão das Américas. Pintores, escultores, arquitetos e navegadores sentiam o mesmo anseio de aventura, o desejo de ampliar conhecimentos e obter novas soluções.

Características do Renascimento Cultural

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura.

Nelas estão presentes as seguintes características:

a- antropocentrismo (o homem no centro)

Valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos à sua volta.

b- otimismo

Os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.

c- racionalismo

Tentativa de descobrir pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.

d- humanismo

O humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

e- hedonismo

Valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.

f- individualismo

A afirmação do artista como criador individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tomando­se famoso.

g- inspiração na antiguidade clássica

Os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo re­nascer aquela cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).

Século das Luzes ou Iluminismo, termo usado para descrever as tendências do pensamento e da literatura na Europa e em toda a América durante o século XVIII, antecedendo a Revolução Francesa. Foi empregado pelos próprios escritores do período, convencidos de que emergiam de séculos de obscurantismo e ignorância para uma nova era, iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade. As novas descobertas da ciência, a teoria da gravitação universal de Isaac Newton e o espírito de relativismo cultural fomentado pela exploração do mundo ainda não conhecido foram também uma base importante.

Entre os precursores do século XVII, destacam-se os grandes racionalistas, como René Descartes e Baruch Spinoza, e os filósofos políticos Thomas Hobbes e John Locke. É igualmente marcante na época a permanente fé no poder da razão humana. Chegou-se a declarar que, mediante o uso judicioso da razão, seria possível um progresso sem limites. Porém, mais que um conjunto de idéias estabelecidas, o Iluminismo representava uma atitude, uma maneira de pensar. De acordo com Immanuel Kant, o lema deveria ser "atrever-se a conhecer". Surge o desejo de reexaminar e pôr em questão as idéias e os valores recebidos, com enfoques bem diferentes, daí as incoerências e contradições entre os escritos de seus pensadores. A doutrina da Igreja foi duramente atacada, embora a maioria dos pensadores não renunciassem totalmente a ela.

Iluminismo e o Despotismo Esclarecido

Os escritores franceses do século XVIII provocaram uma revolução intelectual na história do pensamento moderno. Suas idéias caracterizavam-se pela importância dada à razão: rejeitavam as tradições e procuravam uma explicação racional para tudo. Filósofos e economistas procuravam novos meios para dar felicidade aos homens. Atacavam a injustiça, a intolerância religiosa, os privilégios. Suas opiniões abriram caminho para a Revolução Francesa, pois denunciaram erros e vícios do Antigo Regime.

As novas idéias conquistaram numerosos adeptos, a quem pareciam trazer luz e conheci­mento. Por isto, os filósofos que as divulgaram foram chamados iluministas; sua maneira de pensar, Iluminismo; e o movimento, Ilustração.

A ideologia burguesa

O Iluminismo expressou a ascensão da burguesia e de sua ideologia. Foi a culminância de um processo que começou no Renascimento, quando se usou a razão para descobrir o mundo, e que ganhou aspecto essencialmente crítico no século XVIII, quando os homens passaram a usar a razão para entenderem a si mesmos no contexto da sociedade. Tal espírito generalizou-se nos clubes, cafés e salões literários.

A filosofia considerava a razão indispensável ao estudo de fenômenos naturais e sociais. Até a crença devia ser racionalizada: Os iluministas eram deístas, isto é, acreditavam que Deus está presente na natureza, portanto no próprio homem, que pode descobri-lo através da razão.

Para encontrar Deus, bastaria levar vida piedosa e virtuosa; a Igreja tornava-se dispensável. Os iluministas criticavam-na por sua intolerância, ambição política e inutilidade das ordens monásticas.

Os iluministas diziam que leis naturais regulam as relações entre os homens, tal como regulam os fenômenos da natureza. Consideravam os homens todos bons e iguais; e que as desigualdades seriam provocadas pelos próprios homens, isto é, pela sociedade. Para corrigi-las, achavam necessário mudar a sociedade, dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.

O princípio organizador da sociedade deveria ser a busca da felicidade; ao governo caberia garantir direitos naturais: a liberdade individual e a livre posse de bens; tolerância para a expressão de idéias; igualdade perante a lei; justiça com base na punição dos delitos; conforme defendia o jurista milanês Beccaria. A forma política ideal variava: seria a monarquia inglesa, segundo Montesquieu e Voltaire; ou uma república fundada sobre a moralidade e a virtude cívica, segundo Rousseau.

Principais Filósofos Iluministas

Podemos dividir os pensadores iluministas em dois grupos: os filósofos, que se preocupavam com problemas políticos; e os economistas, que procuravam uma maneira de aumentar a riqueza das nações. Os principais filósofos franceses foram Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Diderot.

Montesquieu publicou em 1721 as Cartas Persas, em que ridicularizava costumes e instituições. Em 1748, publicou O Espírito das Leis, estudo sobre formas de governo em que destacava a monarquia inglesa e recomendava, como única maneira de garantir a liberdade, a independência dos três poderes: Executivo; Legislativo, Judiciário.

Voltaire foi o mais importante. Exilado na Inglaterra, publicou Cartas Inglesas, com ataques ao absolutismo e à intolerância e elogios à liberdade existente naquele país. Fixando-se em Ferney, França, exerceu grande influência por mais de vinte anos, até morrer. Discípulos se espalharam pela Europa e divulgaram suas idéias, especial­mente o anticlericalismo.

Rousseau teve origem modesta e vida aventureira. Nascido em Genebra, era contrário ao luxo e à vida mundana. Em Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens (1755), defendeu a tese da bondade natural dos homens, pervertidos pela civilização. Consagrou toda a sua obra à tese da reforma necessária da sociedade corrompida. Propunha uma vida familiar simples; no plano político, uma sociedade baseada na justiça, igualdade e soberania do povo, como mostra em seu texto mais famoso, O Contrato Social. Sua teoria da vontade geral, referida ao povo, foi fundamental na Revolução Francesa e inspirou Robespierre e outros líderes.

Diderot organizou a Enciclopédia, publicada entre 1751 e 1772, com ajuda do matemático d' Alembert e da maioria dos pensadores e escritores. Proibida pelo governo por divulgar as novas idéias, a obra passou a circular clandestinamente. Os economistas pregaram essencialmente a liberdade econômica e se opunham a toda e qual­quer regulamentação. A natureza deveria dirigir a economia; o Estado só interviria para garantir o livre curso da natureza. Eram os fisiocratas, ou partidários da fisiocracia (governo da natureza). Quesnay afirmava que a atividade verdadeira­mente produtiva era a agricultura.

Gournay propunha total liberdade para as atividades comerciais e industriais, consagrando a frase:

Laissez faire, laissez passar.(Deixe fazer, deixe passar.).

O escocês Adam Smith, seu discípulo, escreveu A Riqueza das Nações (1765), em que defendeu: nem a agricultura, como queriam os fisiocratas; nem o comércio, como defendiam os mercantilistas; o trabalho era a fonte da riqueza. O trabalho livre, sem intervenções, guiado espontaneamente pela natureza.

Os novos déspotas

Muitos príncipes puseram em prática as novas idéias. Sem abandonar o poder absoluto, procura­ram governar conforme a razão e os interesses do povo. Esta aliança de princípios filosóficos e poder monárquico deu origem ao regime de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido. Seus representantes mais destacados foram Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português; e Aranda, ministro da Espanha.

Frederico II (1740-1786), discípulo de Voltaire e indiferente à religião, deu liberdade de culto ao povo prussiano. Tornou obrigatório o ensino básico e atraiu os jesuítas, por suas qualidades de educadores, embora quase todos os países estives­sem expulsando-os, por suas ligações com o papa­do. A tortura foi abolida e organizado novo código de justiça. O rei exigia obediência mas dava total liberdade de expressão. Estimulou a economia, adotando medidas protecionistas, apesar de contrárias às idéias iluministas. Preservou a ordem: a Prússia permaneceu um Estado feudal, com servos sujeitos à classe dominante, dos proprietários.

O Estado que mais fez propaganda e menos praticou as novas idéias foi a Rússia. Catarina II (1762-1796) atraiu filósofos, manteve correspondência com eles, muito prometeu e pouco fez. A czarina deu liberdade religiosa ao povo e educou as altas classes sociais, que se afrancesaram. A situação dos servos se agravou. Os proprietários chegaram a ter direito de condená-los à morte.

José II (1780-1790) foi o déspota esclarecido típico. Aboliu a servidão na Áustria, deu igualdade a todos perante a lei e os impostos, uniformizou a administração do Império, deu liberdade de culto e direito de emprego aos não-católicos.

O Marquês de Pombal, ministro de Dom José I de Portugal, fez importantes reformas. A indústria cresceu, o comércio passou ao controle de companhias que detinham o monopólio nas colônias, a agricultura foi estimulada; nobreza e clero foram perseguidos para fortalecer o poder real.

Aranda também fez reformas na Espanha: liberou o comércio, estimulou a indústria de luxo e de tecidos, dinamizou a administração com a criação dos intendentes, que fortaleceram o poder do Rei Carlos III.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Renascimento

Características Gerais

A Renascença é uma poderosa afirmação, particularmente no campo da prática, de humanismo e de imanentismo, o que é manifestado pelo seu individualismo, pelo seu estetismo, pelo seu ardente interesse pelo mundo a conquistar, dominar, gozar com meios humanos; pelo seu naturalismo que diviniza o homem material - como já aconteceu no paganismo antigo, para o qual o Humanismo, de fato, apela, e de que parece um retorno. Entretanto, falta ao Humanismo moderno a espontaneidade e a serenidade do paganismo antigo: o Humanismo moderno não descansará em um tranqüilo gozo da vida, mas procurará alimento no ativismo agitado e sem meta, característico da idade moderna.

O Humanismo pode, com razão, definir-se pela palavra: o homem potenciado, celebrado, exaltado até à divindade, livre de si mesmo, dominador da natureza, senhor do mundo. É, logo, um paganismo ainda mais radical que o antigo, porquanto espiritual e interior. Dar uma documentação formal desse caráter pagão, imanentista, do Humanismo e da Renascença não é coisa fácil, pois trata-se de um período inicial, em que se entretecem motivos multíplices, e, sobretudo, o velho persiste ao lado do novo, dando origem àquela duplicidade especulativa e prática, tão característica dos homens da época.

Mas o início do Humanismo e da Renascença é rico de todos os germes que se desenvolverão no sucessivo período moderno, imanentista, em que se poderá claramente conhecer a árvore pelos frutos. É uma multiplicidade de motivos indiscutivelmente dominada pelo espírito panteísta do neoplatonismo, que atravessou toda a Idade Média; entretanto, na Idade Média, tal espírito era corrigido, religiosamente, pela teologia católica e, racionalmente, pela escolástica tomista. É uma dualidade composta de velho e de novo, em que não será difícil separar o elemento interior do elemento exterior: se se considerar, em geral, o ideal da vida daquela época, que chamava virtude a força, e enaltecia não o Pobrezinho de Assis e sim o Príncipe Valentino; se se tiver presente Nicolau Machiavelli, que - sem possuir uma metafísica consciente - está persuadido de que o Estado, mera obra do homem, é o vértice da humanidade, estando acima da religião e da moral transcendente, e prefere o paganismo ao cristianismo; se se pensar em Giordano Bruno, o maior filósofo da época, o qual parece reconhecer a obscuridade e a incoerência do seu pensamento, mas tem consciência de que a sua doutrina - racionalista, monista e humanista - é um crepúsculo preludiando o dia e não a noite.

Essa é a alma, o significado, não o valor, do Humanismo e da Renascença: uma alma pagã. Não há, ao lado do humanismo pagão, um humanismo cristão, que seria uma contradição em termos. Esses elementos são essencialmente formais e estéticos porque a grande valorização cristã da civilização clássica - do pensamento grego e do jus romano - era já um fato consumado. E os elementos novos do humanismo - a ciência, a técnica, a história, a política - não se podem dizer imanentistas antes que cristãos, pois, em si mesmos, são infrafilosóficos, e, portanto, indiferentes a qualquer concepção da realidade.

O renascimento cristão, a unidade real e potencial dos grandes valores da civilização no valor sumo da religião, não é obra dos séculos XV e XVI, mas do século que se abre com Inocêncio III e se encerra com Dante, e viu Francisco de Assis e Antonio de Lisboa, Domingos de Gusmão e Tomás de Aquino.

O Renovamento das Antigas Escolas Filosóficas

Uma das manifestações características da Renascença é o renovamento das antigas escolas filosóficas, clássicas, gregas. Na Idade Média o pensamento clássico foi bem conhecido e valorizado. No entanto, tal conhecimento e valorização diziam respeito aos maiores filósofos gregos, em especial a Aristóteles.

Na Renascença, ao contrário, volta-se à sancta antiquitas, em oposição ao espírito cristão. E valorizam-se as antigas escolas filosóficas, realçando-lhes o conteúdo de humanidade, presente em todas elas, não obstante a variedade de suas orientações. Naturalmente não são, nem podiam ser, as escolas filosóficas clássicas em sua espontaneidade original, pois, entre a classicidade e a Renascença, medeiam quinze séculos, profundamente influenciados pela mensagem cristã. E, após o aparecimento da Cruz, já não é mais possível o retorno à serenidade clássica de Aristóteles ou ao ascetismo imanentista dos estóicos.

Na Renascença são representadas, mais ou menos, todas as escolas filosóficas antigas: o platonismo, o aristotelismo, o estoicismo, o epicurismo, o ceticismo e o ecletismo. Especialmente as duas primeiras e, entre estas, precipuamente a primeira. O aristotelismo da Renascença exclui, naturalmente, a interpretação de Aristóteles dada por Tomás de Aquino, e sustenta ou a interpretação naturalista de Alexandre de Afrodísia, ou a panteísta de Averroés. O platonismo é, mais propriamente, neoplatonismo: já porque assim se tinha fixado na antigüidade e neste sentido influenciara toda a Idade Média (pseudo Dionísio Areopagita, Scoto Erígena, Mestre Eckart); já porque a sua fundamental concepção panteísta e o seu potenciamento do espírito humano podiam melhor corresponder ao imanentismo e humanismo da Renascença.

O Platonismo

O ídolo da Renascença é Platão: artista e dialético, teórico do amor e da beleza, iniciador da ciência matemática da natureza. Em 1404 Leonardo Bruni aretino (1369-1440) publicava a primeira tradução parcial de Platão, iniciando, destarte, a renascença platônica. Em 1429 o camaldulense frei Ambrósio Traversari, de volta de Constantinopla, levava para a Itália o conjunto completo dos escritos platônicos.

Entretanto foi o Concílio de Florença (1439) que deu um impulso decisivo aos estudos platônicos na Itália ¾ bem como aos estudos aristotélicos e dos filósofos clássicos, em geral. Esse Concílio foi convocado para a união da igreja grega com a igreja latina, e chamou para a Itália vários doutores orientais, conhecedores profundos de Platão. Outros vieram pouco depois, devido à queda de Constantinopla (1453) em mãos dos turcos. Famoso é Jorge Gemistos Pleton (1355-1450), autor da obra Sobre a Diferença da Filosofia Platônica e Aristotélica, que, realmente, é uma polêmica antiaristotélica.

Esse escrito provocou uma resposta violenta ao aristotélico Jorge de Trebizonda (Comparatio Platonis et Aristotelis). Este filósofo - apelando também para Tomás de Aquino - sustenta a superioridade de Aristóteles sobre Platão pelo seu espírito científico, pela sua doutrina em torno de Deus e da alma, e pela conseqüente possibilidade de concordar a sua filosofia com o cristianismo.

Da parte platônica, replicou contra Jorge de Trebizonda o seu concidadão Basílio Bessarione (1403-1472) com o escrito In calumniatorem Platonis. Bessarione, eminente prelado da igreja oriental, veio para a Itália com o séqüito do imperador João VII Paleólogo, para tratar da unificação da igreja grega com a igreja latina. Foi feito cardeal pelo Papa Eugênio IV e permaneceu na Itália, cooperando eficazmente para o incremento do ressuscitado helenismo.

Depois desse platonismo de importação oriental, na Segunda metade do século XV surge e firma-se um platonismo italiano. O centro foi precisamente Florença, onde foi celebrado o famoso Concílio. Seu principal representante foi Marsílio Ficino, animador da célebre academia platônica florentina. Esta academia nasceu graças a um cenáculo de literatos, artistas e pensadores, amigos da casa De Médicis. Fizeram parte deste cenáculo Poliziano, Pulci, João Pico della Mirandola e o próprio Lourenço, o Magnífico.

Marcílio Ficino nasceu em 1433 em Figline Valdarno. Protegido por Cosme De Médices, que o presenteou com uma Quinta, onde teve sua sede a academia platônica, pode consagrar toda a sua vida aos prediletos estudos filosóficos. Em 1473 foi ordenado padre e a sua vida foi muito austera no meio de Florença do século XV. Faleceu em 1499.

Sua atividade principal foi traduzir. Traduziu elegantemente, para o latim, Platão (1477) e Plotino (1485), além de outros neoplatônicos. Expôs o seu pensamento em uma grande obra (Theologia platonica de immortalitate animorum - 1491), em que procura concordar o platonismo, de que era entusiasta, com o cristianismo, em que acreditava seriamente. Entretanto não foi um metafísico, mas um eclético e suas finalidades eram morais. Sua idéia animadora é a exaltação do homem como microcosmo, síntese do universo: conceito antigo, neoplatônico, mas que teve no humanismo do Renascimento um valor e um significado particulares. Outra idéia sua inspiradora é o conceito de uma continuidade do desenvolvimento religioso, que vai desde os antigos sábios e filósofos - Zoroastro, Orfeu, Pitágoras, Platão - até o cristianismo: expressão do universalismo religioso da Renascença.

Depois de Marsílio Ficino, o mais famoso platônico pode ser considerado João Pico della Mirandolla (1463-1494), autor de De dignitate hominis, que professa verdadeiramente um ecletismo baseado no platonismo e no cabalismo. Dotado da mais vasta e heterogênea cultura, após várias peregrinações, estabeleceu-se em Florença junto de Lourenço, o Magnífico. Aí entrou em contato com Marsílio Ficino, que influiu no seu temperamento exuberante e passional, equilibrando-o filosófica e religiosamente. "Blasonava de poder disputar de omni rescibili - escreve Franca - e foi tido por seus contemporâneos como um prodígio de memória. Aos 18 anos sabia 22 línguas"!

O Aristotelismo

Não é sempre fácil distinguir o aristotelismo do platonismo da Renascença, porquanto, freqüentemente, aparecem confusos no sincretismo neoplatônico, que é a tendência especulativa dominante na época. Também o aristotelismo, como o platonismo, teve impulso, graças aos sábios gregos vindos para a Itália, tradutores de Aristóteles e dos seus comentadores, entre os quais lembramos, no século XV, Teodoro de Gaza e o já mencionado Jorge de Trebizonda.

Como já foi dito, o aristotelismo da Renascença se distingue em duas correntes principais: a naturalista inspirando-se em Alexandre Afrodísio, e a panteísta-neoplatônica, inspirando-se em Averroés, ambas contrárias à interpretação tomista-cristã. Prevalece a escola alexandrina, cujo imanentismo naturalista é mais conforme ao espírito do Renascimento. A escola averroísta, entretanto, considerando o intelecto humano como sendo a atividade de uma essência transcendente e divina, contrasta o humanismo imanentista da mesma Renascença.

O mais famoso entre esses novos aristotélicos é Pedro Pomponazzi , alexandrista, nascido em Mântua em 1462, professor de filosofia nas universidades de Pádua, Ferrara e Bolonha, onde faleceu em 1525. É célebre o seu opúsculo Sobre a Imortalidade da Alma, publicado em Bolonha em 1516. Neste opúsculo conclui em favor da mortalidade da alma, sustentando que esta realiza o seu fim último na vida terrena. Para conciliar, pois, esse seu racionalismo com a religião cristã, recorre a certas distinções que relembram a velha teoria averroísta das duas verdades: a religião é, no fundo, justificada como sendo a filosofia do vulgo, para finalidade prática e pedagógica.

Respondiam a Pomponazzi, Nifo (averroísta) e Contarini (tomista) com dois ensaios tendo o mesmo título (Sobre a Imortalidade da Alma); e Pomponazzi replica como uma Apologia (contra Contarini) e com um Defensorium (contra Nifo). Nem a morte pôs termo àquela polêmica.

O aristotelismo teve, na Renascença, uma fortuna especial no campo da estética, da poética, em torno de que se disputou longa e fervidamente, em especial por parte dos literatos. Parte-se da Poética de Aristóteles, cuja primeira tradução remonta ao ano de 1498, por obra de Jorge Valla. Aristóteles sustentara ser a arte - bem como a história - uma imitação da realidade. Entretanto, a arte é superior à história, porquanto tem como objeto o universal, o necessário, a essência das coisas; ao passo que a história tem como objeto o particular, o contingente, o acidental. Em torno deste tema se travam as disputas mais variadas.

O Estoicismo

O espírito autônomo da Renascença devia provar viva simpatia para o sábio estóico, impassível, dominador das coisas e dos eventos. O estoicismo não foi apenas objeto de admiração cultural, literária, mas tornou-se ideal de vida moral em lugar do cristianismo, escola de energia e de conforto.

O estoicismo da Renascença, porém, é preso pela ação, diversamente do estoicismo clássico, negador da ação, considerada causa de perturbação. O estoicismo renascentista enaltece o homem, a vida, o mundo, contra a concepção transcendente e ascética cristã. Seja como for, a moral estóica, mais ou menos ajustada ao cristianismo, desfrutou de grande favor junto dos filósofos das mais diferentes tendências nos séculos XVI e XVII. O estóico mais notável da Renascença foi o belga Justo Lípsio (1547-1606), professor em Lovaina, autor de De Constantia, e de Manuductio ad stoicam philosophiam.

O Epicurismo

O epicurismo, melhor do que o estoicismo, condizia com o espírito humanista, imanentista e mundano da Renascença, em especial na vida gozadora e requintada, voluptuosa e artística da cortes esplêndidas da época, e também na literatura e no pensamento. João Boccaccio, autor do Decamerone, em o século XIV, e Lourenço, o Magnífico, no século XV, são duas expressões práticas desse espírito epicurista.

O expoente mais notável dessa tendência epicurista é Lourenço Valla (1407-1459), autor do famoso livro De voluptate ac de vero bono, onde o autor compara a moral estóica e a epicurista, simpatizando, naturalmente, com esta última. Quanto à vida futura, Valla oscila entre a sua negação e uma representação no sentido hedonista, e tente, uma certa conciliação entre epicurismo e cristianismo; mas fica decididamente hostil ao ascetismo, quer cristão, quer estóico.

O Ceticismo

Também o ceticismo da Renascença foi inspirado pelo ceticismo clássico. E também este novo ceticismo renascentista surgiu mais por fins práticos do que por motivos teoréticos. Os motivos mais específicos que deram origem ao ceticismo da Renascença foram: a sede do individual, da concretidade; a paixão pela observação detalhada própria do pensamento moderno em geral, em oposição ao pensamento antigo e medieval, voltados para o universo e o abstrato; a variedade e o contraste das diversas escolas e tradições (filosóficas e religiosas); a mentalidade literária da época, apaixonada pela estética, e incapaz de levantar grandes construções sistemáticas; a religiosidade persistente, que julgava salvar a fé deprimindo a razão, tendo esta atacado, freqüente e violentamente, a religião; o contraste entre a exigência religiosa e o paganismo da vida que surgia de novo. O ceticismo da Renascença tem seus maiores expoentes fora da Itália, e o maior é Montaigne.

Miguel de Montaigne (1533-1592), francês, é o autor dos famosos Essais: "Que sais-je"? O seu interesse é voltado para o estudo do eu, não como substância espiritual, e sim como caráter, centro unitário das mais variadas experiências humanas. Tudo o mais lhe parece incerto: os sentidos enganam-nos, a razão perde-se num labirinto infindo, a moral varia conforme os tempos e os lugares. Daí a necessidade da fé, mas de uma fé em que Deus serve ao homem. Este - como já pensavam os céticos antigos - atinge a paz abandonando-se à diretriz da natureza. O que especialmente emerge em Montaigne é o individualismo da Renascença.

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Renascimento

Renovação em todos os setores de atividade

A renascença corresponde ao período de "renascimento" das letras e das arte como um todo, movimento este iniciado na Itália no Século 14, tendo alcançado seu auge no Século 16, influenciando todas os demais países da Europa.

Os termos Renascença ou Renascimento passaram a ser utilizados a partir do Século 15 para designar o retorno da cultura aos padrões clássicos. Tal movimento se iniciou com os estudos dos cânones artísticos da antiguidade clássica.

O estudo da cultura clássica já constituía elemento de erudição entre os mais cultos homens da Idade Média e até entre a classe sacerdotal. Por exemplo, as figuras mitológicas pagãs eram utilizadas como elemento estético para finalidades morais e filosóficas.

Gradualmente, tal conhecimento dos padrões clássicos passou a exercer influência sobre os mais variados campos de atividade humana no período posterior à Idade Média.

Portanto, não se pode dizer que a exclusividade do retorno aos padrões da Antiguidade é de propriedade do período renascentista.

O homem passou a ser o parâmetro do mundo

A história passou por grandes revoluções no período renascentista.

A visão do homem sobre si mesmo modificou-se radicalmente pois, no período anterior, todos os campos do saber humano tendiam a voltar-se para as explicações teocêntricas.

Em outras palavras, a visão do homem, basicamente, tinha Deus como ponto de partida para todas as discussões acerca do universo, suas origens e seus mecanismos.

Na Renascença, o homem voltou seu olhar sobre si mesmo, isto é, houve o ressurgimento dos estudos nos campos das ciências humanas, em que o próprio homem toma-se como objeto de observação, ao mesmo tempo em que é o observador.

As grandes descobertas e invenções

No campo da ciência, o período foi um dos mais férteis na história da humanidade. Galileu Galilei, mesmo perseguido pela Igreja, afirmava não ser a Terra o centro de todo o universo.

Pela constatação do movimento da Terra em torno do Sol, as teorias de Galileu seguiam em rota de colisão com os próprios conceitos religiosos vigentes: tal fato, por si mesmo, já era considerado um desafio às autoridades religiosas.

A invenção da bússola, assim como o aprimoramento das técnicas de navegação, facilitou a expansão marítima européia, resultando na nova rota marítima para as Índias, realizada por Vasco da Gama.

Os avanços da tecnologia de navegação da época foram notáveis, não tardando assim o descobrimento da "nova terra", a América, realizado por Cristóvão Colombo.

Por outro lado, a pólvora, outrora utilizada meramente para a fabricação de fogos de artifício, passou a ser utilizada para fins militares. Desta forma, os colonizadores europeus passaram a obter vantagem bélica esmagadora sobre os povos dos territórios conquistados.

Leonardo da Vinci, o gênio da Renascença

Leonardo da Vinci foi aquele que melhor personificou os padrões do homem renascentista, tendo sido pintor, escultor, arquiteto, cientista e músico.

Da Vinci deixou contribuições nas artes, entre elas, uma das mais populares pinturas na história das artes, La Gioconda, a Mona Lisa.

Paralelamente, realizou inúmeros experimentos científicos, entre eles os seus projetos de engenharia, que assombraram sua época.

No desenho, era um mestre da perspectiva: este constitui um efeito pictórico que "insere" o observador no espaço representado no desenho, ao contrário das obras produzidas anteriormente, em que a idéia da onisciência de Deus fornecia parâmetros como ponto de vista.

A representação do ponto de vista da onisciência resultava em figuras planas, sem profundidade espacial.

Declínio do feudalismo

A sociedade feudal, a partir da Renascença, teve seus mercados alterados através do nascimento de uma burguesia urbana, que revolucionava os padrões então vigentes na produção.

Os centros urbanos se multiplicaram a partir do desenvolvimento das atividades comerciais, substituindo paulatinamente os antigos feudos.

Em suma, os fatos ocorridos no período renascentista eram formados a partir das bases da posterior instalação do mundo contemporâneo na história.

Fonte: www.pitoresco.com.br

Renascimento

Renascimento Cultural

Manifesta-se através de uma explosão de criações artísticas, literárias e científicas que revalorizam a Antiguidade clássica greco-romana e o humanismo. Chocam-se com os dogmas religiosos e as proibições da Igreja Católica, enfrentam a Inquisição e criticam o mundo medieval. Vários dos literatos e cientistas desse período são perseguidos e mortos. Seus precursores são Dante Alighieri, Petrarca e Bocaccio.

Mecenas

A difusão das idéias da Antiguidade clássica na Itália e outros centros europeus se dá, inicialmente, por emigrados gregos, judeus e bizantinos . Mas é a concentração da riqueza nos comerciantes e banqueiros dos centros urbanos que permite transformar a arte e a cultura em produtos comerciais e fazer com que potentados econômicos como os Medici de Florença se tornem grandes mecenas ou incentivadores do movimento cultural e artístico da época.

HUMANISMO

Tem por base o neoplatonismo, que exalta os valores humanos e tenta dar nova dimensão ao homem. O humanismo se expande a partir de 1460, com a fundação de academias, bibliotecas e teatros em Roma, Florença, Nápoles, Paris e Londres. A escultura e a pintura redescobrem o corpo humano . A arquitetura retoma as linhas clássicas e os palácios substituem os castelos. A música instrumental e vocal polifônica se sobrepõe ao cantochão (monótico). Expandem-se a prosa e a poesia literárias, a dramaturgia, a filosofia e a literatura política.

Filosofia

O holandês Erasmo de Roterdã rechaça a intolerância escolástica, critica a guerra, a avareza, os vícios da igreja e nega a predestinação. Vives, da Espanha, afirma que os sentidos abrem caminho ao conhecimento, propõe o método indutivo e inicia a psicologia. Giordano Bruno, da Itália, defende a idéia de um infinito sem ponto central e de uma única matéria universal, da qual Deus seria o intelecto.

Literatura poética

O italiano Ariosto cria o poema épico cavaleiresco, legendário e realista. Tasso exprime o sentimento religioso da contra-reforma. Rabelais (França) faz poemas satíricos e epicuristas. Camões (Portugal) cria a épica dos descobrimentos marítimos.

Dramaturgia

Marlowe, inglês, recupera a tradição germânica do Dr. Fausto. Ben Jonson, também inglês, retoma as lendas sobre os alquimistas. Gil Vicente (Portugal) faz novelas picarescas. Shakespeare (Inglaterra), com dramas históricos, comédias de intrigas e tragédias, torna-se o maior dramaturgo de todos os tempos.

Artes plásticas

Michelangelo (Itália) esculpe Moisés e Pietá , pinta o teto, as paredes principais e o altar-mor da Capela Sistina. Leonardo da Vinci (Itália) projeta palácios, inventa mecanismos, faz esculturas e pinta a Santa Ceia, Mona Lisa ou Gioconda. Fra Angélico, Boticelli, Rafael, Tiziano, Tintoretto e El Greco são destaques numa legião de pintores italianos e espanhóis que deixam obras inigualáveis.

Literatura política

Maquiavel (Itália) é o iniciador do moderno pensamento político. Morus (Inglaterra) critica a sociedade feudal e descreve um Estado ideal (Utopia), localizado numa república de organização comunitária. Campanela (Itália) afirma o princípio da autoconsciência e descreve uma sociedade ideal inspirada em Morus.

Nicolau Maquiavel (1469-1527)

Historiador, político e filósofo italiano. A partir de 1498 é chanceler e depois secretário das relações exteriores da República de Florença. Desempenha missões no exterior e, em 1502, passa cinco meses como embaixador junto a Cesare Borgia, cuja política enérgica e inescrupulosa lhe inspira admiração. O fim da República e a volta dos Medici ao poder, em 1512, leva-o ao exílio. Nesse período escreve sua obra mais famosa, O príncipe, marco do pensamento político moderno. O livro é uma espécie de manual de política destinado a ensinar aos príncipes como manter o poder, mesmo às custas de mentira e meios amorais. Torna famoso o princípio “Os fins justificam os meios”.

Grandes invenções

O polonês Copérnico fundamenta a noção de que o Sol é o centro do universo (heliocentrismo). Paracelso, da Suíça, reforma a química e a medicina. Leonardo da Vinci inventa a prensa hidráulica e as máquinas voadoras. O alemão Kepler inventa o telescópio e demonstra as teorias de Copérnico. O italiano Galileu Galilei desenvolve métodos científicos de análise da realidade e de comprovação experimental. A imprensa de letras metálicas móveis é inventada pelo alemão Johann Gutemberg em 1445. A pólvora começa a ser utilizada como arma de guerra. Em 1500 é inventado o relógio de bolso.

Fonte: br.geocities.com

Renascimento

"O homem é uma invenção recente" a desconcertante declaração de Foucault indica o surgimento, por volta do século XVI, de "disposições do saber" centradas na noção de homem.

No Renascimento, é em nome do humanismo que o homem, mesmo temeroso, começa a separar-se da grande ordem do mundo, para ser o seu espectador privilegiado. Mais do que isso, ele é o organizador dessa ordem: na pintura, o artista reordena o mundo com o método da perspectiva; as ciências e a técnica, que recebem impulso sem precedentes, são outras tantas formas de o homem produzir um mundo a partir de si e de suas necessidades. No plano religioso, isto se traduz na Reforma, que não reconhece intermediários - padres ou o papa - na comunicação com Deus: o homem, e só ele, é responsável por seus atos perante a sua consciência e Deus. Consciência: esta "descoberta da subjetividade", como nomeia Merleau-Ponty, torna-se desde o século XVII a garantia do conhecimento. O "Eu penso" de Descartes é o ponto de partida de toda a certeza, até mesmo da existência do mundo. Mas tal certeza é a da representação, um modo de tornar o mundo novamente presente como objeto, tanto do conhecimento como da ação humana: a ciência moderna cujo modelo é a física, desenvolve- se sob o signo da representação. E por isso que Heiddeger dirá que essa nova concepção do mundo surge quando o próprio mundo torna-se uma concepção. Mas com isso o homem se isolou: ele está só.

A grande transformação

Nascer de novo, renascer: no decorrer do século XIV, esse sentimento ganha corpo, primeiro na Itália, e, logo, em toda a Europa. Algo mudou, e as pessoas da época percebem-no como "renascimento". Com uma avidez quase juvenil, revisitam valores da Antiguidade clássica, vasculham velhos escritos e redescobrem o ideal artístico do mundo greco-romano.

A morte da Idade Média

Mas não se trata de uma mera volta ao passado remoto. Acreditando herdar tradições antigas, o que esses homens fazem é produzir um mundo novo, e isto num sentido também literal: favorecidos pelo desenvolvimento sem precedentes da ciência e da técnica, aventuram-se para além das terras conhecidas e, culminando o chamado "ciclo das navegações" e descobrimentos", chegam ao "Novo Mundo" - que passaria a integrar, na qualidade de colônias, o sistema econômico e político da Europa.

O Renascimento, porém, não é também a retomada da marcha triunfal da razão e do espírito científico, após a longa noite medieval, como muitas vezes foi caracterizado de modo simplista. O que se chama "ciência" no Renascimento, embora prepare bases para a arrancada científica do século XVII, guarda ainda as marcas do pensamento medieval, ao qual se somam elementos do misticismo oriental e judaico. A astronomia e a astrologia, a química e a alquimia, a investigação da natureza e a magia permanecem e caminham juntas. Apesar disso, se o Renascimento apresenta a sua originalidade, é porque produz uma nova imagem do mundo a partir dessa permanência de elementos do passado. E isso é possível: esses elementos estão como que soltos, disponíveis para uma nova organização. O que os ordenava já não existe mais; "renascer" também significa que algo morreu: o mundo medieval.

A dissolução da cristandade

"A cristandade não tem um chefe a quem todos aceitam submeter-se. ( ...) O papa e imperador vêem os seus direitos ignorados. Não há respeito nem obediência. Olhamos para o papa e para o imperador como se fossem figuras decorativas, dotadas de títulos vazios de conteúdo" - assim lamentava em 1454 o futuro papa Pio II sobre os rumos da Europa cristã.

Um ano antes, Constantinopla, esse último vestígio oriental do Império Romano, havia caído aos turcos, sem que fosse possível organizar qualquer socorro do Ocidente. A própria Europa acabava de sair da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), desencadeada por pretensões da Inglaterra à sucessão da coroa francesa, e que envolveu os dois papados rivais saídos do Cisma do Ocidente. Durante a guerra, a peste dizimou um terço da população européia. Após essa guerra, a demarcação das fronteiras da Inglaterra e da França torna-se mais nítida. Em ambos os países, a monarquia nacional se fortalece, legitimando-se pela fórmula "o rei é imperador em seu reino". Também no século XV, forma-se o reino da Espanha, que acompanha o processo de centralização monárquica, empreendida um século antes por seu vizinho Portugal. O ideal da cristandade e do império, que pretendia unificar o mundo inteiro, dissolve-se frente à realidade dos Estados nacionais que estavam se formando.

A burguesia entra em cena

O fortalecimento das monarquias nacionais corresponde ao enfraquecimento da nobreza e da Igreja, cujo poder, até então, rivalizava com o do rei. Também representa a ascensão de uma nova classe social, a burguesia, dedicada à finança, ao comércio e à manufatura, e que passa a apoiar política e economicamente a coroa, em troca da proteção aos seus negócios, cada vez mais dinâmicos e prósperos. A classe dos burgueses, como o próprio nome indica, compõe-se inicialmente de habitantes dos burgos, isto é, fortificações de que surgiram as cidades medievais. A partir do século X, muitas delas formaram as comunas, um modo de organização social, em que os cidadãos, livres das imposições do império, do papado ou da nobreza, estabelecem o seu próprio destino. Sua principal atividade é o comércio e a manufatura, organizados em sistema de corporações. Voltadas para gerar riquezas e não somente a subsistência como na vida rural, as comunas prosperam e nelas se formam ricas e influentes famílias - a burguesia propriamente dita -, que passam a viver dos serviços prestados pelos trabalhadores.

A Itália, que pela sua posição geográfica controlava o comércio no Mediterrâneo, é a mais abastada das regiões. Ali nascem o sistema de letras de câmbio e de seguros, os bancos e outros mecanismos que tornam mais ágil a atividade mercantil. É também nessa península que as comunas desenvolvem-se em cidades-Estado, o que impediria por séculos, ao contrário de outros países, a unificação nacional italiana. Tais cidades, embora formalmente democráticas, passam a ser controladas na prática por poderosas famílias burguesas: os Visconti e, depois, os Sforza, em Milão, e os Medici, em Florença, são os principais exemplos.

As cidades italianas são assim as que mais reúnem condições para a emergência do Renascimento. Sua riqueza permite contratar sábios, filósofos, cientistas e artistas, ou, então, patrocinar a sua formação. A proximidade com Constantinopla faz com que a Itália seja um abrigo natural de seus emigrados que fogem da invasão turca. Com estes chega a rica tradição intelectual e cultural do Império do Oriente, que também havia recolhido muitos dos escritos gregos - como os de Platão - desconhecidos do Ocidente. Itália é também a pátria do Império, o que favorece um contato mais direto com os valores do mundo romano que se quer renascer. E mais do que isso: com sua longa história de vida autônoma e livre, distante das restrições religiosas, morais e políticas da Idade Média, as cidades italianas formavam há tempos um ambiente propício ao surgimento de uma nova classe, com seu novo modo de vida, uma nova mentalidade, uma nova maneira de conceber o mundo e o próprio homem.

O homem descobre-se a si mesmo

"O homem é o modelo do mundo": a frase é de Leonardo da Vinci, que é quase o sinônimo de Renascimento e de suas realizações. Um exemplo do alcance dessa promoção do homem encontra-se na mudança na noção de tempo. Durante a Idade Média, a Igreja condenava o juro (a "usura"), argumentando que este era o preço cobrado pelo empréstimo de dinheiro por um certo tempo. Cobrar juros significava então vender o tempo, que só a Deus deveria pertencer. Mas, para os mercadores, o tempo é o risco que eles têm de correr por sua conta e de que retiram o seu ganho. Por isso, apesar das proibições da Igreja, principalmente nas cidades italianas, os mercadores passam a contabilizar minuciosamente o tempo, para calcular os ganhos e as perdas. O tempo já é dinheiro e pertence ao homem: não por acaso, o relógio é uma invenção do Renascimento.

A força do indivíduo

Esse exemplo indica a íntima relação entre a nova concepção do homem, dono do tempo, e a classe dos mercadores que vão constituir a burguesia. De fato, os primeiros humanistas – aqueles que elaboram essa nova idéia de homem - são burgueses e pessoas a eles associados: segundo o cálculo feito pelo historiador Jean Delumeau, dos 45 humanistas florentinos do século XV, 39 pertenciam à grande burguesia ou à nobreza da cidade e de regiões a ela submetidas. "Sente-se até", escreve Delumeau, "a tentação de afirmar que, pelo menos em Florença, a força do humanismo foi a própria força das classes dirigentes".

Tal força que domina o tempo, é, também a força da iniciativa, da habilidade, da inteligência, da audácia, sempre de caráter pessoal, em suma, o que os renascentistas chamam de virtù. Literalmente é virtude, mas, nesse caso, indica a capacidade individual de saber escolher as ocasiões propícias para, ousadamente, transformar o curso dos acontecimentos.

O homem de virtù não é, por isso, o homem abstrato, participante de uma única humanidade, como definia o pensamento helenístico. Nem tampouco é aquele que só se define em relação a alguma coletividade – linhagem familiar, raça, povo, pólis etc. -, mas a partir de si próprio e de suas realizações pessoais: "Aquele que se glorifica com as realizações dos antepassados", afirma o político florentino Palmieri, "tira a si próprio mérito e honra. Se quiser merecer a honra, dê o seu próprio exemplo e não o alheio". No Renascimento, o homem é basicamente o indivíduo.

Em busca da fama

Essa valorização do indivíduo manifesta-se na busca da fama, uma noção antiga e diametralmente oposta ao ideal medieval do homem anônimo que, despojando-se das vaidades pessoais, coloca-se a serviço de Deus. Na escultura ou na arquitetura do Renascimento, muitas das obras servem para exaltar a fama conquistada pelas personalidades. Na literatura, prolifera o gênero biográfico e autobiográfico, enquanto, na pintura, florescem o retrato e o auto-retrato, com a identificação das pessoas representadas. O hábito de os artistas assinarem a sua obra também surge no Renascimento.

O artista, universal

O artista, de certo modo, encarna o próprio ideal de homem que o Renascimento descobre. Desprezado desde a Antiguidade como executores do trabalho braçal - atividade própria dos escravos e das camadas inferiorizadas, o artista, no Renascimento, torna-se o modelo da capacidade inventiva do homem de iniciativa. Audacioso, não se conformando com as circunstâncias em que, se vê submetido, ele é aquele que forja o próprio mundo. Nessa medida, a sua figura equivale à do homem de virtù, ativo, criativo e empreendedor, e contrapõe-se à dos "especulativos" escolásticos, que, aos olhos do Renascimento, pensam mas nada fazem.

Mais do que isso, o mundo que o artista cria ultrapassa a condição mortal e efêmera do seu criador: como obra, a sua produção tende à eternidade. Não é à toa que os artistas renascentistas tenham preferido materiais – como o óleo, na pintura, e o mármore, na escultura - menos corrosíveis à ação do tempo e, portanto, mais propícios à fama.

Mas o artista não se limita ao seu ofício que o caracteriza: se fosse um mero "fazedor de arte", seria apenas artesão, isto é, trabalhador braçal, que continua desprezado. Ele é, antes, de ser executor de uma obra, o seu idealizador. Isto significa que deve dominar, além das técnicas próprias ao seu ofício, todo o conjunto de conhecimentos; deve por isso procurar ser um homem universal, que tudo sabe e que tudo faz. Da Vinci é mais uma vez o exemplo desse ideal, a respeito de quem se dizia não sem um certo exagero: "nunca tinha havido no mundo um homem tão sábio, não apenas em escultura, pintura e arquitetura, mas, principalmente, como grande filósofo".

De volta às "humanidades"

Associado a toda essa nova imagem do homem, o humanismo apresenta um outro significado, de caráter mais técnico: o estudo das "humanidades". Studia humanitatis, na tradição que remonta a Cícero, indicam os estudos de valores considerados como essencialmente humanos - a "humanidade", no sentido adotado pelo pensamento helenístico. Nessa medida, referem-se à história, à poesia, à retórica, à gramática e à filosofia moral, que, no ensino escolástico, eram relegadas ao segundo plano.

O próprio termo "renascimento" aplica-se inicialmente a essa revalorização daquilo que o classicismo grego e romano havia exaltado. O grande promotor desse humanismo no sentido técnico é Francesco Petrarca (1304-1374), responsável pela criação da noção de "tempos obscuros" para caracterizar a Idade Média, que, a seu ver, era sinônimo de mundo bárbaro. Trata-se então de retornar ao brilho da civilização antiga, a começar pela purificação da língua -o latim -, tão corrompida por influência de idiomas bárbaros. O mesmo propósito é buscado em relação ao grego e ao hebraico, que, somados ao latim, formam o ideal de homo trilinguis, o homem trilíngue ou poliglota.

A invenção da Antiguidade

O humanismo, no sentido técnico, é então basicamente a gramática e a filologia de línguas antigas, para depois imitar a literatura e as artes da Antiguidade. Isto, porém, não significa que o humanista tenha sido fiel a esse programa. O próprio latim de Petrarca não é o de Cícero ou de Virgílio; muitos eruditos atribuem à Antiguidade vários escritos que se revelariam ser de épocas mais recentes; e até houve, no século XVI, quem acrescentasse à famosa estátua da Loba, símbolo de Roma, os gêmeos Rômulo e Remo, formando um conjunto que desde então se tomou impossível de se desmembrar. O que o humanista faz é, na realidade, idealizar uma Antiguidade, inventá-la, criando, num certo sentido, o modelo que depois trataria de imitar, principalmente quanto à forma e ao estilo.

Por isso, os humanistas são menos atenciosos para o que dizem os textos antigos do que para o modo como dizem. A polêmica suscitada em torno de uma nova tradução de Ética a Nicômaco, de Aristóteles, é esclarecedora. Publicada pelo chanceler de Florença, Leonardo Bruni (1370-1444), essa tradução logo foi criticada pelo cardeal Alonso Garcia, professor da Universidade de Salamanca: para ele, o antigo tradutor "não se limitou a traduzir os livros de Aristóteles do grego para o latim, mas interpretou-o com tanto rigor quanto possível e não lhe teriam faltado a maior elegância ou os mais belos ornamentos se tivesse querido utiliza-los. (...) Mas o antigo intérprete, que se preocupou sobretudo com a verdade filosófica, não quis ornamentos excessivos a fim de evitar os erros em que este [novo tradutor] caiu".

Uma questão de estilo

Por trás dessa aparente divergência técnica sobre uma tradução, há um fosso que separa o mundo medieval do renascentista, e que se manifesta em concepções conflitantes a respeito da educação, a começar pelo local de ensino: se a escolástica tinha como sede a universidade, o núcleo das humanidades são os colégios.

Destinados inicialmente a fornecer uma instrução preparatória - exatamente as humanidades - a jovens carentes, os colégios, que proliferam no final da Idade Média, passam a atrair cada vez mais estudantes de famílias ricas. A estes não interessa um conhecimento especializado, como o que as universidades fornecem. O que se requer é a aquisição de um estilo: saber conversar, ser cortês, polido e elegante, ter bons modos e, claro, apresentar uma boa formação cultural - requisitos indispensáveis para que o jovem seja admitido na corte de ricas e poderosas famílias. Um dos manuais mais adotados nesse ensino é de Baldassare Castiglione e chama-se O Cortesão.

Tal ensino, aparentemente fútil e frívolo, corresponde aos anseios da burguesia que, uma vez consolidado o seu domínio econômico, quer ser admitida nos círculos aristocráticos, mesmo que seja mediante a compra de títulos de nobreza. Por isso, opõe-se às universidades, cujo "pedantismo" e "intelectualismo" destinados a formar teólogos e outros especialistas, de nada servem a esse desejo de promoção social. "Nem todos são chamados a ser legistas, fisicos ou filósofos ( ...). ( ...) Mas todos, tais como somos, fomos criados para viver em sociedade e para os deveres que esta vida implica" - escreve no século XV o educador humanista Vittorino da Feltre.

Astrologia, o álibi do homem só

Promover o homem como modelo do mundo é, por tudo isso, a promoção desse novo homem, burguês, que busca moldar o mundo à sua imagem e semelhança, como um empreendimento seu. Mas isso é também uma experiência dolorosa. O homem renascentista, que descobre a sua individualidade frente à ordem do mundo, não se conforta mais com a certeza medieval de uma vida que tenha o princípio e o fim em Deus. O humanista continua a acreditar em Deus, mas Ele parece cada vez mais indiferente ao mundo: o homem está só.

Orgulhoso de si, mas abandonado à sua própria sorte, esse homem procura então reatar com a ordem do mundo. Para isso, retoma as noções antigas de macrocosmos e de microcosmos, que serviam para relacionar o homem ao mundo. Na Idade Média, o homem era concebido como um pequeno mundo (microcosmos) que, como criatura de Deus, espelhava em si toda a Criação feita como macrocosmos, sendo a astrologia, embora condenada pela Igreja, um instrumento para desvendar esse jogo de espelhos.

No Renascimento, com o afrouxamento das restrições da Igreja, a astrologia conhece larga difusão, ainda mais porque o humanismo absorve elementos pagãos que identificam os astros às divindades. Acredita-se que cada parte do mundo e do homem seja governada por um astro-deus, e nada se faz sem antes consultar a posição dos corpos celestes.

Mas, por outro lado, se um homem é bem-sucedido, é porque agiu num momento de conjunção propícia dos astros. Isto significa que o homem pode se aproveitar das influências astrais: numa ocasião favorável ele pode convocar para si as forças da natureza, valendo-se da magia. Nessa medida, a astrologia e a magia tornam-se uma espécie de álibi da liberdade humana. Elas representam esse momento em que o homem, tornando-se senhor do mundo e de seu destino, ainda se sente inseguro de sua própria liberdade. O pensamento renascentista irá nutrir-se dessa condição ambígua do homem.

A Filosofia em pinceladas

Há um quadro famosíssimo de Botticelli (1445-1510), que até se visualiza mentalmente. No canto esquerdo da tela, o casal de zefiri amorosi, numa cusparada de seu hálito, faz cair uma chuva de rosas, com as quais o céu fecunda o mar. Desse enlace amoroso, nasce Vênus, a deusa do Amor, erguendo-se, no centro da tela, sobre uma imensa concha que flutua nas espumas do mar. Os zéfiros são também o vento oeste, e o seu sopro traz a concha à margem da praia. Ali, no canto direito, Flora, a deusa da Primavera, aguarda Vênus, abrindo o manto primaveril para acolhê-la. Pois a deusa do Amor vem ao mundo despida: não tem nada a ocultar; ela é a Verdade do Amor e da Beleza.

O mundo, um jogo de espelhos

Como sugere esse quadro, conhecido como O Nascimento de Vênus, a pintura e as artes, mais do que obras escritas, resumem melhor a filosofia renascentista. A pintura, no Renascimento, é figura e espelho do mundo, que também é concebido ele mesmo como um jogo de espelhos entre as partes e o todo. Desse modo, o artista, que reproduz a natureza sobre a tela, dando forma à matéria, assemelha-se ao deus demiurgo de Platão. Para Leonardo da Vinci (1452-1519), a pintura apresenta um caráter divino que "faz com que o espírito do pintor se transforme numa imagem do espírito de Deus".

Para tal concepção também contribui a tradição hermética, inseparável do platonismo renascentista, e que considera o olho como "janela da alma", por meio da qual o homem torna-se capaz de tocar o mundo. A pintura é esse olhar mágico que capta, fixa e eterniza na tela o mundo recriado e reordenado pelo artista.

A generosidade das Três Graças

Mas essa reordenação não se faz arbitrariamente. Espelho do mundo, a pintura deve representar a sua ordem divina, que se manifesta, por exemplo, em quadros que retratam as Três Graças, tema caro à arte renascentista.

Frequentemente, as Três Graças aparecem nuas: nada as encobre e oculta, elas não dissimulam, não enganan. Revelam o verdadeiro caráter da liberalitas (liberalidade, isto é, generosidade) que, segundo Sêneca, apresenta três momentos: o dar-se, o receber-se e o voltar-se a dar. Mais do que isso, e num sentido neoplatônico, elas simbolizam o movimento da emanação do Uno: a processão, pela qual o Uno transborda a si mesmo; a conversão, que fixa a processão em hipóstases; e o regresso ao Uno, pelo Amor que ele suscita.

A perspectiva: um olhar

E essa a bela ordem que o artista deseja recriar. Para isso, ele se vale da matemática, a fim de buscar a "justa medida", de inspiração pitagórica e platônica. Isso se observa no minucioso esquadrinhamento da tela em proporções precisas e rigorosas: é a técnica da perspectiva, pela qual se obtém um efeito de profundidade espacial do objeto retratado. Os cálculos para se chegar a isso são bastante complexos, mas consistem basicamente em projetar a realidade tridimensional numa tela plana, bidimensional, de tal modo que os objetos sejam representados em tamanho cada vez menor, proporcionalmente à distância que os afasta do olhar do artista.

Por isso, também a perspectiva é um olhar. Ela reproduz na tela o campo visual do olho humano, que esquematicamente forma uma pirâmide entre as extremidades do que é visto e o foco da visão. Tal foco é o ponto de vista, único co e fixo, a partir do qual o artista olha o mundo. Esse ponto corresponde na tela ao ponto de fuga, também único e fixo, geralmente situado no centro da tela, para onde confluem todas as linhas que formam a perspectiva. Entre o quadro e o olhar do artista (e o do observador da obra), entre o ponto de vista e o ponto de fuga, há então também um jogo de espelhos, que provoca a sensação de que a pintura representa "corretamente" o mundo, em sua realidade verdadeira e objetiva.

A invenção de um espaço diferente

Tal sensação, porém, baseia-se em alguns pressupostos. Em termos estritamente fisiológicos, e ópticos, o campo visual não converge para um único ponto da retina, pois o olho está em constante movimento. Por isso, há uma discrepância entre a realidade que o artista vê e o modo como ele acredita estar representando-a "corretamente". A perspectiva é então uma entre tantas outras maneiras de retratar o mundo: é, propriamente falando, uma invenção.

Do mesmo modo, a perspectiva também inventa uma nova imagem do espaço. Procurar projetar o mundo tridimensional num plano implica, antes de mais nada, conceber que o espaço seja constituído de três dimensões - comprimento, largura e altura -, e apenas isso. Além disso, é preciso que essas dimensões sejam tidas como extensões homogêneas, não diferenciadas, em que cada uma das partes - por exemplo, cada metro - seja idêntica à outra. Só assim é possível estabelecer as proporções entre as distâncias, pois tudo se reduz a

uma medida comum. Por fim, essas dimensões devem ser infinitas: o ponto de fuga é o lugar em que as linhas se encontram no infinito.

Essa concepção do espaço, que hoje parece uma obviedade, não é tão evidente assim. Desde Aristóteles, o espaço era visto como composto de regiões qualitativamente distintas, como indica a separação entre o supralunar e o sublunar. Do mesmo modo, não se podiam confundir as regiões em cima e embaixo, frente e atrás, direita e esquerda. Na arte, isso se manifestava na estranheza que hoje causa a pintura medieval: tudo é desproporcional e "errado". Mas, como os artistas medievais poderiam estabelecer relações proporcionais entre dimensões que, com qualidades distintas entre si, não possuem um denominador comum que as relacione?

A realidade, um ponto de vista.

A perspectiva representa, portanto, a mudança radical nesse modo de ver o mundo. Não só o espaço se reduz a três dimensões, mas estas não têm qualidades distintas: dependendo do ponto de vista, a altura torna-se largura e vice-versa; não passam de relações numéricas. Além disso, o infinito, esse grande problema dos antigos, torna-se representável visualmente.

Retratar "corretamente" o mundo é então concebê-lo segundo o modelo matemático,

transformando-o em relações quantitativas e não mais como qualidades distintas. E nisso, mais do que em outros domínios culturais da época, a arte já anuncia a ciência moderna. Mas isso também significa que o mundo passa a ser visto e construído a partir de um ponto de vista, único, fixo e privilegiado: o homem. Do mesmo modo, o homem-artista separa-se do mundo que ele representa. Mesmo quando se realiza um auto-retrato, o que se representa é aquilo que é imaginado, construído, como sendo a verdade do retratado. Mas o verdadeiro autor está em seu ponto de vista: fora da tela.

Os avanços da técnica e da ciência

"Já fiz planos de pontes muito leves (...). Sou capaz de desviar a água dos fossos de um castelo cercado ( ...). Conheço meios de destruir seja que castelo for ( ...). Sei construir (...) galerias e passagens sinuosas que se podem escavar sem ruído nenhum (...)." Com essas arrogantes palavras, Leonardo da Vinci, em 1482, solicitou emprego a Ludovico, o Mouro (1452-1508), da poderosa família dos Sforza, de Milão. Da Vinci não é exceção: os artistas renascentistas, que se pretendem "universais", são também engenheiros e técnicos e, em busca da fama, ostentam sua capacidade inventiva.

A imagem que geralmente se tem do Renascimento acolheu essa autovalorização dos artistas-engenheiros e dele fez uma época de grande avanço técnico associado a celebridades. Mas a maioria dos esboços de engenhos - carros de guerra, máquinas voadoras, tear mecânico etc. - deixados por da Vinci não foram postos em prática, nem poderiam sê-lo, pois eram tecnicamente inviáveis. O mesmo ocorre com outros artistas-engenheiros: Giorgio Vasari (1511-1574 ) inventava mecanismos para entreter festas. Isso revela a curiosidade da época por autômatos - a "máquina artificial" -, cuja fabricação, o homem, fascinado, descobre ser capaz.

Inovadores anônimos

Mas o verdadeiro surto técnico do Renascimento é outro. Ele consiste, por exemplo, na melhoria de veículos de tração animal, com a introdução de jogo dianteiro móvel, de sistema de suspensão ou de roda livre com eixo fixo. Mais notável foi o avanço da navegação: é a construção de caravelas - junto com a invenção da bússola, o uso do astrolábio ou de mapas mais precisos - que possibilita viagens cada vez mais distantes até chegar ao "Novo Mundo".

Na metalurgia, as inovações técnicas atingem desde o processo de extração dos minérios até o seu beneficiamento por meio da fundição em alto-forno. Os objetos de ferro tornam-se comuns e, com isso, novos hábitos introduzem-se na vida cotidiana -portas trancadas a chave, o uso de garfos à mesa etc. A metalurgia e a siderurgia também fornecem a matéria-prima para a fabricação de relógios mecânicos - uma invenção do século XIV -, tão indispensáveis nessa época em que o cálculo do tempo e os negócios mais e mais coincidem. O ferro também possibilita a invenção de máquinas que contribuem para a mecanização da indústria têxtil. Ligada ao ferro há, por fim, a indústria de armamentos: a fabricação de armas de fogo não só modifica a concepção de guerra - que deixa de ser a "arte" do nobre cavaleiro -, como também assegura a supremacia dos europeus sobre os povos do "Novo Mundo".

Todas essas melhorias técnicas são obras de pessoas anônimas, ou quase, que modificam e aperfeiçoam realizações anteriores. O caso da imprensa, símbolo da inovação técnica do Re-nascimento, não é diferente. Atribuído ao alemão Gutenberg (c. 1394-1468), o sistema de impressão por caracteres móveis é, na realidade, fruto de uma série de tentativas de adaptação de técnicas já empregadas pelos chineses desde o século VII. O papel e a tinta para impressão também são invenções chinesas.

"A experiência não engana"

Não que se deva desmerecer o gênio inventivo de famosos artistas-engenheiros, mas, mais do que algumas realizações espetaculares, a sua contribuição é a de ter superado, em suas atividades, o caráter meramente prático dos artesãos. Eles inventam e calculam. Com isso, mesmo tendo concebido engenhos irrealizáveis, apresentam já um método próximo do da ciência moderna: "A experiência", diz da Vinci, "não engana nunca; só. erram vossos julgamentos, que prometem a si mesmos resultados estranhos à nossa experimentação pessoal".

Experiência é, em primeiro lugar, observação. O renascentista, que tanto acredita em seu olhar, e também um observador meticuloso da natureza. Em Cordeiro Místico, célebre pintura dos irmãos flamengos Hubert e Jan van Eyck, identificam-se mais de cinquenta espécies vegetais. Da Vinci também deixou uma série de desenhos de plantas e flores com que ambientaria seus quadros. Além disso, são famosas as suas minuciosas descrições anatômicas do corpo humano e de seus órgãos. No terreno da anatomia, destaca-se também o médico Andréas Vesálio ( 1514-1564) , que introduziu novas técnicas de dissecação de cadáveres.

O mundo, um escrito a ser decifrado

Mas o gosto pela observação - é também a busca de segredos ocultos nas, coisas que as aproximem umas das outras. E por acreditar que tudo se relaciona com o todo e suas par-

tes, o macrocosmo com o microcosmo, que os renascentistas procuram o que há de semelhante entre as coisas, por exemplo, entre os ramos das árvores e os chifres dos animais, a tempestade e a apoplexia, os astros e o homem.

Por isso, o médico e alquimista Paracelso (1493-1541) esforça-se em classificar as plantas que se assemelhem a cada parte do corpo humano, tentando com isso descobrir remédios para seus respectivos males. Abrindo caminho para a quimioterapia e a química, ele também realiza experiências terapêuticas com substâncias minerais, pois considerava-se que a cada astro corresponde um mineral e um órgão.

O que se denomina "ciência", no Renascimento, desenvolve-se com base nessa concepção do universo, de que tudo se assemelha a tudo. Mas a semelhança não é apenas física e visual. As várias relações de semelhança resumem-se na noção, tomada ao pensamento helenístico, de "simpatia" e o seu oposto, a "antipatia". Assim como o Sol e a Luz iluminam o mundo, os dois olhos do rosto recebem a luz. O Sol é também simpático ao coração, pois ambos são essenciais à vida; aquele se identifica com o ouro pelo brilho e por sua preciosidade.

Desse modo, o que a "ciência" renascentista investiga não é a causa que relaciona as coisas entre si, mas o significado comum que nelas se oculta. O mundo é essa relação de significados secretos, uma espécie de escrito a ser decifrado, cujo código são as próprias coisas tomadas como signos. Os signos do horóscopo são exatamente isso: contêm uma mensagem que veladamente anunciam a época da colheita e do corte de cabelos, a ocasião propícia para negócios e a guerra, e assim por diante.

Sinais de ruptura

Por tudo isso, o Renascimento, ao contrário do que se costuma imaginar, não representa a grande arrancada inicial da ciência moderna, que, na realidade, teve de romper com essa concepção do mundo de semelhanças. Mas, aqui e acolá, de um modo difuso, o Renascimento já prepara o terreno para essa ruptura.

Nas investigações da natureza - e apesar de ainda se conservar a teoria aristotélica de quatro elementos (ar, fogo, terra e ar) -, a observação e a experiência, preconizadas por da Vinci, fazem com que se retifiquem muitas das formulações tradicionais. O matemático Tártaglia (c. 1499-1557), ao estudar a balística, mostra que a trajetória de um projétil não é retilínea, como supunha Aristóteles, mas curvilínea, e que não há diferença entre o movimento "natural" e o "violento". Na mesma linha, Giambattista Benedetti (1530-1590) refuta a idéia aristotélica de que os corpos "leves" e os "pesados", têm movimentos distintos.

Por trás dessas investigações há um considerável desenvolvimento da matemática, a começar pela simplificação de sua linguagem: as letras do alfabeto passam a ser empregadas na álgebra, e as frações decimais recebem uma notação mais operacional (por exemplo, "34,51", em vez de "3451/100"). Além disso, Gerolamo Cardano (1501-1576) colabora com Tartaglia na resolução de equações de terceiro e quarto graus e introduz no cálculo os números negativos, mesmo considerando-os "não verdadeiros".

A revolução de Copérnico

Decisiva também é a concepção, de inspiração pitagórico-platônica e antiaristotélica, de que a matemática se aplica ao estudo dos fenômenos físicos. Nicolau de Cusa já havia prenunciado: "o Senhor tudo criou com conta, peso e medida". Conceber matematicamente o mundo - isso desemboca na revolução de Copérnico.

Astrônomo, Copérnico no entanto não se vale de observações dos astros: ele calcula. Desse modo, chega à conclusão -já antevista por Nicolau de Cusa, mas apenas conjecturalmente - de que o Sol encontra-se no centro das esferas celestes, e que a Terra, por isso, gira em torno daquela estrela. Toda uma tradição é revirada de cabeça para baixo. O geocentrismo de Ptolomeu é substituído pelo heliocentrismo.

Mas...se a Terra não é mais o centro do universo, por que se pensar ainda num centro? Se a hierarquia do mundo se rompe, para que buscar ainda uma hierarquia? Por que não haveria outros mundos, com outros sóis e outras vidas? Por que então considerar o universo como algo fechado e limitado - ou mesmo "ilimitado", como timidamente concebeu Nicolau de Cusa? Por que não afirmar com todas as letras que o mundo é infinito, positivamente infinito?

As indagações são de Giordano Bruno. Ele, como Copérnico, ainda permanece nos limites do pensamento renascentista, mas um e outro, por suas descobertas e indagações, abrem-lhes as brechas. Essa verdadeira revolução não se refere apenas à astronomia: abalam-se os valores - religiosos, políticos e morais - que, de certo modo, tinham como seu símbolo o geocentrismo. Giordano Bruno pagaria caro por tamanha ousadia: em 1600 foi queimado vivo na fogueira da Santa lnquisição.

Tempos de luz e de sombra

Se há luz, há também sombra. O Renascimento, que tão jovialmente acolhe a luz e a alegria da vida, também pressente a presença perturbadora da treva. Da Vinci é mestre na técnica de sfumato, na qual a claridade vai se obscurecendo gradativamente. Michelangelo (1475-1564), que segundo Rafael "estava só como um carrasco", é autor de Juízo Final, na Capela Sistina, a mais célebre realização sobre esse tema, muito comum na época. A busca da eternidade pela fama convive com o peso do pecado, da morte, e com a sensação de insignificância da vida. Macbeth, personagem de William Shakespeare (1564-1616), murmura no famoso monólogo: "A vida é uma sombra errante, um pobre ator que gesticula em cena por uma hora ou duas e depois não é mais ouvido. Uma história contada por um idiota, cheia de bulha e fúria, que não significa nada".

Uma constante, a guerra

Na Itália, a guerra é constante: no final do século XV, Carlos VIII, rei da França, invade Milão, Parma, Florença, Roma e avança para Nápoles, sendo apenas detido por tropas de uma coligação de cidades italianas. Seu sucessor, Luís XII, segue-lhe os passos, mas perde Nápoles para Fernando de Aragão, rei da Espanha.

Em outras regiões da Europa, a situação não é diferente. Na Inglaterra, os conflitos entre as dinastias de York e de Lancaster desencadeiam a Guerra das Duas Rosas (1455-1485). Também no século XV, e estendendo-se até meados do XVII, eclodem na Alemanha, nos Países Baixos, na França e em outros locais as "guerras religiosas", associando diversos movimentos da Reforma protestante aos mais variados interesses políticos e econômicos. A Igreja Católica, desmoralizada, faz recrudescer a Inquisição, condenando os "hereges" e suas obras.

A maldade do príncipe

Nicolau Maquiavel é um observador atento desses tempos de luz e sombra. Participa ativamente da conturbada vida política de Florença e, como embaixador, examina os acontecimentos de outros países. Vê como os governos se mantêm e como são derrubados, e disso faz tema de reflexão. Não lhe interessa arquitetar governos justos mas imaginários; antes, prefere ver as coisas como são. Por isso, de certo modo, sua conclusão é cruel: o objetivo supremo do governo é perpetuar-se no poder, não importando os meios para atingir tal fim.

Nesse realismo político, considerações sobre justiça ou moral não têm vez. "Assim", escreve Maquiavel, é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a ser mau. Mas, por trás desse "maquiavelismo", - termo que passou a designar ações inescrupulosas -, Maquiavel não deixa de apontar para certos valores morais, ainda que os considere apenas meios eficazes para a manutenção do poder: "A respeito dos súditos, porém, ( ...) deve sempre recear que conspirem secretamente, perigo de que o príncipe se afasta se não se tornou odiado ou desprezado e se tiver feito com que o povo esteja satisfeito com ele...".

O jardim das delícias

Enquanto Maquiavel analisa friamente a realidade, outros refugiam-se no sonho. Nas artes proliferam temas como "fonte de Juvena", que assegura a juventude eterna, ou "jardim das delícias", em que todos os prazeres são possíveis. Os pobres imaginam o "país da Cocanha", onde há um morro de queijo parmesão gratinado e um rio de vinho branco...

Outros projetam sociedades ideais: as utopias. O iniciador desse gênero literário é Thomas Morus (1478-1535), cuja obra denomina-se exatamente Utopia (isto é, "lugar nenhum"). Nela, Morus descreve a organização social de uma ilha imaginária, onde não há propriedade privada nem injustiças ou perseguições de qualquer ordem, especialmente a religiosa.

O dominicano Tommaso Campanella (1568-1639) é autor de A Cidade do Sol, de inspiração platônica, a começar por seu título. Nessa cidade feliz, governada pelo sacerdote

Meta físico, também não há a propriedade privada, sendo tudo de uso comum. O egoísmo é inexistente e, por isso, também o roubo e outros crimes. O trabalho é mínimo - quatro horas diárias -, mas a sociedade vive com fartura.

Precursores do comunismo?

Essas utopias não são apenas sonhos: se descrevem uma sociedade ideal, esta é exatamente o oposto daquela existente na época, que os autores conhecem bem. Morus foi chanceler da Inglaterra para depois ser condenado à morte por discordar da política do rei Henrique VIII contra o papa. Campanella, acusado de heresia, participou de uma conspiração ao lado da população pobre da Calábria e, condenado à prisão perpétua, só foi libertado mediante petições ao papa. Um e outro, ao proporem o fim da propriedade privada, também se mostram sensíveis às transformações sociais trazidas com a generalização dessa forma de riqueza. São precursores do comunismo ou nostálgicos de uma época em que a comunidade era mais valorizada do que o indivíduo e o egoísmo?

A sabedoria da loucura

Dom Quixote de la Mancha é um louco. Transforma uma camponesa da aldeia vizinha na donzela Dulcinéia, a quem deve proteger. Faz-se acompanhar de Sancho Pança, também camponês, nomeando-o seu fiel escudeiro. Empunha suas lanças contra moinhos de vento, que imagina ser gigantes. Investe contra as ovelhas, que a seus olhos são tropas inimigas.

Mas a sua loucura é a de um homem que se agarra tenazmente aos valores de um mundo que não existe mais. Dignidade, decência e nobreza de caráter são ideais de uma época remota em que, diz o caballero andante, se "ignoravam as palavras teu e meu". Desse modo, ao narrar as ensandecidas aventuras de sua famosa personagem, Miguel de Cervantes (1547-1616) vai descrevendo a nova realidade do seu tempo. Esta, ao se contrastar com os desvarios de Dom Quixote, se torna mais nítida, como que em alto-relevo. A insanidade lança luz. A loucura de Dom Quixote é sabedoria.

Todos são loucos, até o papa

Loucura: "Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os latinos chamam Stultitia e os gregos, Moria", escreve Erasmo de Rotterdam, em Elogio da Loucura. No caso, Loucura é uma deusa que se apresenta como condutora de ações humanas. O que são a amizade e o amor, o casamento, a guerra ou as artes senão insanidades? "É a Loucura que forma as cidades; graças a ela é que subsistem os governos, a religião, os conselhos, os tribunais; e é mesmo lícito asseverar que a vida humana não passa, afinal, de uma espécie de divertimento da Loucura"

Todos são loucos: médicos, alquimistas, advogados, negociantes, artistas, sábios, gramáticos, filósofos, matemáticos, astrólogos, teólogos, monges, príncipes, cardeais, bispos, o papa e até os loucos propriamente ditos. Como se brincasse a sério, Erasmo vai retratando os tipos humanos da sua época, denunciando-lhes a mediocridade e a hipocrisia.

A crítica maior recai sobre a Igreja, a sua hierarquia e suas instituições. Que loucura é essa que faz os teólogos discutirem eternamente as sutilezas sobre o mistério divino ou que, em nome de Cristo, leva a Igreja a acumular riquezas e a declarar guerra aos infiéis? Para que tantos rituais, tantas cerimônias quase teatrais, se o mandamento de Cristo é tão-somente a "a prática da caridade?

Com essas considerações, Erasmo propõe o "retorno da Igreja à simplicidade dos tempos iniciais, num sentido muito próximo às pregações de Lutero que, por essa época, iniciava a Reforma protestante. Não se liga, contudo, a esse movimento: prefere permanecer na Igreja Católica, servindo-lhe de consciência crítica. É como o bobo da corte, que diz a verdade aos reis, chegando até a "insultá-los, a injuriá-los, sem que esses senhores do mundo se ofendam por isso ou se aborreçam", pois "só aos loucos os deuses concederam o privilégio de censurar e moralizar sem ofender a ninguém.

FASES DO RENASCIMENTO

Trecento (1300-1375): Anos Trezentos

Francesco Petrarca (Pai dos Humanistas): Canzonieri;

G. Boccacio: Decameron;

Giotto: O Juízo Final.

Quattrocento (sec. XV): Anos Quatrocentos

Masaccio: A expulsão de Adão e Eva do Paraíso;

Botticelli: Nascimento de Venus;

Leonardo da Vinci: Virgem das Rochas, A última ceia, Monalisa

Cinquecento (séc. XVI): Anos Quinhentos

Ludovico Ariosto: Orlando Furioso;

Torquato Tasso: Jerusalém Libertada;

N. Maquiavel: O Príncipe;

Rafael Sanzio: A Escola de Atenas;

Michelangelo: afrescos da Capela Sistina, esculturas (Moisés e Pietá).

EUROPA

Rabelais: Gargantua e Pantagruel;

Montaigne: Ensaios;

Thomas Morus: A Utopia;

Francis Bacon: Novum organum;

W. Shakespeare: Ricardo III, Júlio César, Hamlet, Macbeth, Rei Lear;

Erasmo de Roterdã: Elogio da Loucura;

Miguel de Cervantes: Dom Quixote;

El Greco: Enterro do Conde de Orgaz;

Gil Vicente: Auto da Barca do Inferno;

Camões: Os Lusíadas.

A REFORMA RELIGIOSA

"E me parece que na nossa lei, o papa, os cardeais, os padres são tão grandes e ricos, que tudo pertence à Igreja e aos padres. Eles arruínam os pobres". Quem assim fala é Menocchio, aliás, Domenico Scandella. Não é nenhum homem cultivado, mas um humilde moleiro da aldeia de Montereale, norte da Itália. Leu apenas um punhado de livros populares, e disso tirou surpreendentes conclusões. Denunciado à Inquisição, foi executado numa data incerta, entre 1599 e 1601. Quem haveria de se preocupar com o ano preciso da morte de um pobre aldeão e, pior, herege?

O caso de Menocchio, recuperado à memória pelo historiador italiano Carlo Ginzburg em seu livro O Queijo e os Vermes, é excepcional. Não é representativo da cultura popular da época, mas também revela que já era possível elaborar drásticas críticas à Igreja, mesmo sendo um homem sem estudo. A sensação de que a Igreja oprime e que é preciso reformá-la estava no ar. E mais: em outras partes da Europa, a Reforma estava em pleno curso.

Abaixo a hierarquia!

A idéia de reformar o cristianismo e os movimentos dissidentes que dela resultam não são novos: fazem parte da história da Igreja. Mas foi a partir do Cisma do Ocidente, nos séculos XIV e XV, colocando em questão a autoridade do próprio papa, que a desagregação da Igreja passou a acentuar-se cada vez mais.

Na Inglaterra, John Wyclif (c. 1320-1384), teólogo de Oxford, vê no Cisma do Ocidente a ocasião para a Igreja se livrar do papa. Considera absurda a pretensa supremacia do papado sobre o poder temporal e chega a questionar a sua ascendência mesmo no terreno espiritual. Também investe contra a hierarquia eclesiástica, considerando que a Igreja é antes de tudo a assembléia invisível dos cristãos e não os diferentes níveis de poder dos padres, dos bispos e do papa, visíveis até em suas vestes.

Influenciado por essas idéias, o padre João Huss (1369-1415), da Boêmia, na atual Tchecoslováquia, também critica a hierarquia da Igreja, considerando o papado como uma instituição meramente humana. Excomungado por pregar tais concepções, Huss foi ao Concílio de Constança afim de se defender. Mas condenado juntamente com a doutrina de Wyclif, Huss foi queimado vivo.

A Igreja de Henrique VIII

Todos esses movimentos, cujas idéias seriam retomadas pela Reforma protestante, representam o anseio dos cristãos por uma participação mais ativa na vida religiosa, a começar pelo acesso à leitura da Bíblia, até então só disponível em latim. Wyclif e Huss, além de incentivarem a tradução do livro sagrado, propõem várias outras medidas para valorizar os fiéis leigos, de modo que diminuísse a distância que os separava dos sacerdotes.

Essas doutrinas também são a maneira como se manifestam certos interesses políticos. Wyclif, no início, recebe o apoio da coroa inglesa, pois as suas críticas ao papado prestam-se à afirmação da autoridade do rei contra as pretensões da Igreja de controlar o poder temporal. De fato, tal separação entre a monarquia inglesa e o papado seria consumada no século XVI, por meio de um sutil subterfúgio: o divórcio do rei Henrique VIII para casar-se com Ana Bolena. Excomungado em 1534, o rei logo se fez proclamar chefe de uma nova Igreja, a anglicana, que, no entanto, pouco alteraria os dogmas e os rituais católicos.

O sentimento de emancipação nacional também anima os seguidores de Huss. Logo após a execução deste, eles se revoltam contra o papado e o domínio imperial, e conseguem a adoção da sua seita como religião oficial da Boêmia.

Contra a opressão

Mas a ala radical dos hussitas foi mais longe: prega não apenas a reforma religiosa e a emancipação nacional, mas também a transformação de toda a sociedade. Do mesmo modo, na Inglaterra, as pregações de Wyclif motivam, em 1381, Uma rebelião dos camponeses de Essex. Só então a coroa inglesa deixaria de sustentar as suas doutrinas, a fim de obter o apoio da Igreja à repressão ao movimento.

Esses exemplos revelam, assim, uma outra dimensão das doutrinas de Wyclif e Huss: retorno à mensagem simples do Evangelho, fim da hierarquia, maior participação dos leigos - todos esses ideais reformadores liberam os desejos de justiça, igualdade e liberdade. E, com isso, surge uma nova noção: a do direito à resistência contra a dominação e a opressão.

"Por que o papa não deixa vazio o purgatório num ato de santíssima caridade ( ...), se com o funesto dinheiro destinado à construção da Basílica de Roma ( ...) redime infinitas almas?". O violento ataque é de Lutero e consta das suas "95 Teses", que afixou na porta da igreja da cidade alemã de Wittenberg, em 1517. O alvo da crítica é basicamente a venda de indulgências - que livrariam os fiéis das penas do purgatório -para arrecadar os fundos da construção da Basílica de São Pedro.

Homem e Deus, sem intermediários

O ponto de partida da Reforma é, aparentemente, a denúncia desses abusos da Igreja. Mas Lutero também escreve: "Que crimes, que escândalos, que fornicações, estas bebedeiras, esta paixão pelo jogo, todos estes vícios do clero! (...) São escândalos muito graves (...). (...) Mas, ai!, há outro mal, outra peste, incomparavelmente mais malfazeja e mais cruel: o silêncio organizado quanto à Palavra da Verdade, ou a sua adulteração ( ...)". A divergência com a Igreja é, portanto, mais profunda, e se Lutero insiste na questão dos abusos é porque esse é o meio mais eficaz pára impressionar o público e conquistar a sua adesão.

Ganhar adeptos é, para Lutero, crucial. Não apenas para fortalecer a sua posição, mas principalmente porque levar a "Palavra da Verdade" a todos é a própria função do sacerdote. É também transformar todos os homens em sacerdotes, pois a vida religiosa depende unicamente da consciência individual de cada um. Segundo essa concepção de "sacerdócio universal", a hierarquia da Igreja deve ser abolida não tanto por cometer abusos. É porque não há intermediários entre o homem e Deus.

A aliança com os poderosos

O individualismo religioso de Lutero é uma reação ao forte enraizamento social da Igreja, que progressivamente foi adotando padrões mundanos de organização. Isso em certo sentido se explica pelas necessidades políticas do papado, que passa a ressaltar os rituais e as aparências em detrimento do conteúdo sobrenatural da religião. A crítica de Lutero contém uma nostalgia das comunidades cristãs primitivas, que, interpretada por seus seguidores, resultaria logo em conflitos de ordem política, dada a estreita relação entre o poder temporal e o religioso, característica comum da época.

Com Karlstadt (c. 14:80-154:1), companheiro de Lutero na Universidade de Wittenberg, a contestação religiosa transforma-se em desobediência política e em tumultos generalizados. Estes só seriam contidos pela intervenção direta de Lutero, que condena qualquer tentativa de modificar a ordem estabelecida.

As insurreições, no entanto, eclodem por todos os lados. Thomas Munzer (c. 14:89-1525) prega o rompimento com todos os valores deste mundo para nele instaurar, aqui e agora, o reino de Deus. Isso se manifesta na recusa ao batismo das crianças (anabatismo), liberando-as de quaisquer compromissos, religiosos ou civis, com a ordem existente. Para Munzer, a insurreição contra os ricos e poderosos, que ocultam o verdadeiro significado do Evangelho, é um direito legítimo e sagrado.

Essas idéias revolucionárias desembocam, em 1525, nas chamadas "guerras camponesas", principalmente nas regiões da Saxônia e da Turíngia. Nelas, os camponeses levantam-se não só contra a hierarquia da Igreja, mas também pelo fim da opressão e da servidão; e chegam a tomar o poder em várias cidades. Mas Lutero intervém novamente, exortando os nobres alemães à repressão: "Aqueles que têm condições devem abater, matar e apunhalar ( ...), lembrando-se de que não há nada mais venenoso, pernicioso e diabólico do que um sedicioso".

Munzer foi preso, torturado e executado. A Reforma luterana seguiu os caminhos que havia criticado, tornando.se uma igreja institucionalizada, aliada dos poderosos de Estados alemães que a adotaram. Mas avia escolhida por Miinzer também floresceria em esperanças, continuamente frustradas, e, no entanto, sempre renovadas. Pois ele prometera: "O Povo será livre e somente Deus reinará sobre ele".

A Alemanha, um palco propício

A Alemanha, na época de Lutero, "é um palco propício para a propagação de suas idéias. Embora formalmente pertencente ao Sacro Império Romano-Germânico, ela é antes um mosaico de Estados e cidades que buscam afirmar a sua soberania. Isso se traduz também nos anseios de rompimento com o papado, que cobra mais e mais tributos desses Estados. Nestes, os cavaleiros - representantes da pequena nobreza - opõem-se aos grandes proprietários, cuja grande maioria é formada de membros da Igreja. Por fim, na parte mais baixa da hierarquia social, os camponeses ainda se encontram submetidos' aos laços medievais de servidão, que lhes impõem pesadas obrigações .

Nesse ambiente, as propostas de Lutero pelo (sacerdócio universal" dão forma e expressão aos diversos anseios que se entrecruzam na sociedade alemã. Não que a sua pregação fosse um mero disfarce de interesses políticos, sociais e econômicos. A Reforma é fundamentalmente de natureza religiosa, e o que leva Lutero às suas obstinadas pregações são as questões da fé e da salvação.

Já de início, uma cisão

Martinho Lutero nasceu em 1483, em Eisleben, na Turíngia. Estudou na Universidade de Erfurt e, em 1505, ingressou na Ordem dos Agostinianos. Ordenado padre em 1507, tempos depois passou a lecionar na Universidade de Wittenberg. Ali conheceu Karlstadt, com quem formularia os primeiros elementos da teologia da Reforma.

Mas, quando a 31 de outubro de 1517 Lutero expôs publicamente as suas idéias nas "95 Teses", ele ainda não pensava em se separar da Igreja de Roma. Os acontecimentos, porém, tornariam inevitável o rompimento: enquanto suas idéias passam a ser amplamente discutidas, Lutero radicaliza as suas posições e, em 1520, queima em público a bula papal que o ameaçava de excomunhão - o que se consumaria no ano seguinte. Ainda em 1521, a

Dieta de Worms decreta o seu banimento do Império, mas Lutero, protegido pelo príncipe Frederico da Saxônia, refugia-se no castelo de Wartburg.

O retiro dura pouco: em 1522, Lutero volta a Wittenberg para combater e expulsar Karlstadte seus seguidores. Contra esses "agitadores" argumenta que a fé diz respeito à vida interior e que, em relação às autoridades constituídas, o homem deve obediência e submissão - concepção que iria desenvolver com maior veemência quando das "guerras camponesas". A Reforma mal se iniciava e já tinha a sua cisão.

A liberdade do cristão

Mas Lutero, ele mesmo, não havia ousado desafiar uma das mais tradicionais autoridades constituídas, chegando mesmo a conclamar os cavaleiros a confiscarem as propriedades da Igreja? Por trás dessa contradição encontra-se, na realidade, o principal elemento da sua teologia. Agostiniano, Lutero exacerba a doutrina de Agostinho, segundo a qual o homem só se salva mediante a graça divina, concedida apenas aos eleitos. No caso de Agostinho, ainda restava ao homem um pouco de liberdade (mesmo que seja a de pecar...), mas em Lutero a sua ausência é completa.

O "servo arbítrio", - expressão que dá título à obra de Lutero, de 1525, em que refuta violentamente a crítica a ele formulada por Erasmo em Sobre o Livre-Arbítrio - faz com que a salvação não dependa das ações do homem. Mais do que isso, buscar a salvação mediante a prática de boas ações é pecar, pois transfere presunçosamente para o âmbito humano o que cabe somente a Deus. Por isso a venda das indulgências é escandalosa: os papas negociam com esse poder que não lhes pertence. E se só Deus salva, para que os papas e toda a hierarquia da Igreja? O centro da questão não é "comercial" mas essencialmente teológico.

Com essa concepção pessimista do homem, tão oposta à do humanismo, Lutero formula a doutrina da "justificação pela fé": o homem não se justifica por seus atos -como a tentativa de transformar o mundo -, sempre exteriores, mas unicamente pela fé, esse sentimento íntimo. Resignado e com fé, ele deve esperar pela eventual graça divina: nisso consiste a liberdade do cristão.

O oposto da Igreja invisível

Lutero morre em 1546. Por esta época, a sua doutrina já havia conquistado grande parte da Alemanha. O ponto de partida dessa difusão foi a desobediência, em 1529, de seis príncipes e catorze cidades alemãs, que protestaram (daí o nome de protestantes) contra a decisão do Império de reiterar o banimento de Lutero. A aliança entre esses príncipes e Lutero estava selada.

Desde então, a história do luteranismo é a de conflitos com os católicos e com outras seitas reformadoras e até no interior dos seguidores de Lutero. É também a história de sua institucionalização, com o estabelecimento de uma rígida doutrina. O resultado é a constituição de uma Igreja oficial, do Estado, que, pela fórmula cujus regia, eius religia ("a quem governa o país cabe impor a religião"), impunha a todos os súditos o seu culto. O ideal da Igreja invisível, unida unicamente pela fé, convertia-se em seu oposto.

Em todos esses fragmentos de Lutero, um único tema: a justificação pela fé, que dispensa as boas ações e outras manifestações exteriores.

"O justo vive da fé"

"Senti-me tomado por um desejo estranho de conhecer Paulo na Carta aos Romanos; minha dificuldade consistia então (...) em uma única palavra que se acha no capítulo primeiro: "A justiça de Deus está revelada nele" [no Evangelho], Odiava a expressão justiça divina "que sempre aceitei (...) num sentido filosófico da chamada justiça formal e ativa, em virtude da qual Deus é justo e castiga os pecadores e injustos (...).

Até que por fim, por piedade divina, (...) percebi a concatenação das duas passagens: "A justiça de Deus se revela nele", "conforme está escrito: o justo vive da fé!. Comecei a me dar conta de que a justiça de Deus não é outra senão aquela pela qual o justo vive o dom de Deus, isto é, da fé, e que o significado da.frase era o seguinte: por meio do evangelho revela-se a justiça de Deus, ou seja, a justiça passiva, em virtude da qual Deus misericordioso nos justifica pela fé (...). Naquele momento senti-me um homem renascido e vi que se me tinham franqueado as comportas do paraíso. (. ..)

"(...) Li depois a obra Sobre o Espírito e a Letra, de Agostinho, onde, inesperadamente, constatei que também ele interpreta a justiça de Deus no mesmo sentido: a justiça com que Deus nos reveste ao justificar-nos,. e ainda que isso não esteja cabalmente expresso, (. ..) pareceu-lhe melhor ensinar-nos que a justiça de Deus é a justiça pela qual somos justificados". (Prólogo à edição latina de Obras Completas, 1545.)

A Palavra divina reina

"Isto esclarece por que a fé é tão potente e, do mesmo modo, como não existem boas obras que possam se igualar a ela. Nenhuma obra boa se atém à Palavra divina como a fé, nem há obra boa alguma capaz de morar na alma, mas unicamente a Palavra divina e a fé reinam na alma. (. ..) Vemos assim que ao cristão basta a sua fé, sem que precise de obra alguma para ser justo (. ..). Nisto consiste a liberdade cristã: na fé única que não nos converte em ociosos ou malfeitores, mas antes em homens que não necessitam de nenhuma obra para obter a justificação e a salvação." (A Liberdade Cristã, 1520.)

Uma assembléia espiritual

"Esta comunidade ou assembléia se aplica a todos os que vivem em uma fé, esperança e caridade verdadeiras, de maneira que a natureza da cristandade não é uma assembléia corporal, mas uma assembléia de corações em uma só fé. A cristandade é uma assembléia espiritual das almas em uma mesma fé, ninguém deve ser considerado cristão segundo o corpo, a fim de que fique claro que a cristandade essencial e verdadeira encontra-se no espírito e não em algo exterior" (Do Papado de Roma, 1520.).

A sociedade, um grande mosteiro

O homem está predestinado, antes mesmo da criação do mundo. Ninguém pode auxiliá-lo: Igreja, sacramentos, sacerdotes, teólogos, intérpretes da Palavra. Nem mesmo a Palavra, pois só aos eleitos é dado compreendê-la. Deus, cujos desígnios são insondáveis, é, por isso, inatingível. O homem está só.

Deus é inacessível

Essa concepção, que leva até as últimas consequências a doutrina luterana de "servo arbítrio", afasta-se por isso mesmo de Lutero. Formulada por Calvino, a teoria da predestinação implica a inutilidade das instituições religiosas e dos sacramentos, alguns dos quais Lutero havia preservado. A divergência maior situa-se em relação à eucaristia.. Calvino, assim como Zwínglio, que o precedeu, considera, ao contrário de Lutero, que a presença do corpo e do sangue de Cristo no sacramento do pão e do vinho é apenas simbólica Ao negar a realidade efetiva da eucaristia? Calvino expurga da religião o que, a seus olhos, ainda persiste de magia e superstição, que muitos acreditam serem meios de salvação. Também recusa a experiência mística, pela qual o homem entraria em comunhão com Deus. Para ele, Deus é a absoluta transcendência, inacessível à razão e ao sentimento humanos.

A "Roma dos protestantes"

Com base nessas concepções, Calvino, instalado em Genebra, na Suíça, transforma essa cidade na "Roma dos protestantes". Dali partem incansáveis pregadores para todos os cantos da Europa, inspirando o surgimento, por exemplo, do presbiterianismo, fundado por

John Knox (1505-1572), na Escócia, e de várias seitas puritanas, na Inglaterra.

Mas Genebra é também a "Roma dos protestantes", porque é ali que Calvino organiza, a vida civil e política de acordo com a sua doutrina. Se Lutero recomendava obediência ao poder constituído, com Calvino, é a própria Igreja reformada que se transforma em autoridade, não só religiosa como também política.

À primeira vista, parece estranho que unia teologia que isola o homem na sua solidão tenha se prestado para organizar uma cidade. Isso, porém, é a consequência lógica da doutrina de Calvino. Para ele, o que está em questão não é a salvação - pois todos estão desde sempre ou eleitos ou condenados -, mas a glorificação de Deus, que não deve se restringir a um grupo de "especialistas", confinados em mosteiros. Se Calvino é contra a vida monástica é porque esta não deve ser exclusividade de alguns, mas o cotidiano de todos, mesmo dos predestinados à condenação. O ideal de "sacerdócio universal", chega ao limite: a sociedade inteira deve ser um grande mosteiro.

A riqueza, sinal do eleito

Por isso, cada homem deve executar os seus afazeres - e não apenas os religiosos -de modo laborioso para a glória de Deus, de quem é um instrumento. Não se trata de buscar a salvação pelo trabalho, nem de realizar uma "contabilidade" , em que um pecado pode ser redimido por um certo número de boas ações. Tampouco se permite um "relaxamento" para compensar urna obra bem realizada. A glorificação de Deus deve ser uma atividade permanente, sistemática e metódica - termo que, por sinal, daria nome à Igreja metodista, fundada por John Wesley (1703-1791), na Inglaterra.

Mas há quem trabalhe sistematicamente e é bem"sucedido; outros não. Para Calvino, isso deve ser um sinal de que o bem-sucedido é um dos eleitos, pois é por intermédio destes que Deus se glorifica melhor. O trabalho não é a causa da salvação, mas se um homem se torna rico pelo trabalho, é porque a riqueza conquistada é um indício - mas não a certeza – da sua salvação. Na prática, porém, a doutrina de Calvino seria entendida como uma permissão aos homens de buscarem, em nome da glória de Deus, a realização de seus interesses.

A justificação do capitalismo

"Espírito do capitalismo": com essa célebre expressão, o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) caracteriza o significado social do calvinismo. Isto, porém, não significa que Calvino pretendesse organizar a sociedade capitalista, cujo surgimento sequer poderia imaginar. A sua intenção, como a de Lutero, é antes de mais nada a reforma da religião, como provam a sua vida e obra.

Cristo, o único chefe

João Calvino nasceu em.1509, em Noyon, na região de Picardia (França). Estudou no colégio Montaigu, de Paris, cuja disciplina rigorosa havia, décadas antes, atormentado Erasmo de Rotterdam. Posteriormente, fez estudos jurídicos em Orléans e em Bourges, sendo nesse período convertido às idéias reformadoras. Mas, perseguido por tornar pública a sua adesão à Reforma, refugiou-se, em 1534, na Basiléia, Suíça, onde iria publicar a sua primeira versão de A Instituição Religiosa da Religião Cristã, sua principal obra.

Por essa época, na Suíça a Reforma havia conquistado adeptos em vários cantões. O eu principal líder era Ulrich Zwínglio (1484-1531), pregador de Zurique, que afirmava ser Cristo o único chefe da Igreja. Também negava o sacramento da eucaristia -motivo pelo qual fracassaria a unificação, tentada em 1529, entre o seu movimento e o de Lutero. Zwínglio morreu numa batalha entre tropas protestantes e católicas, após o que a liderança da Reforma suíça passaria a Calvino.

Sem hinos nem discursos

Em 1536, Calvino chega a Genebra, aceitando o convite de Guillaume Farei (1489-1565), que, influenciado por Zwínglio, havia iniciado a Reforma naquela cidade suíça. Calvino, eleito pastor e doutor da Igreja de Genebra, participa ativamente da consolidação da Reforma. Mas a disciplina rígida e austera que impõe à comunidade gera uma série de descontentamentos e Calvino é expulso da cidade em 1538, juntamente com Farei.

Três anos depois, porém, Calvino retorna a Genebra, e passa a governá-la na prática. Morre em 1564. O seu funeral, conforme recomendações por ele deixadas, realizou-se sem hinos nem discursos: para ele, atitudes desse tipo poderiam reavivar nos fiéis a crença supersticiosa em rituais e cerimônias como meios de se obter a salvação.

Perseguição aos adversários

Quando da morte de Calvino, Genebra já é uma cidade organizada segundo o modelo formulado em suas Ordenanças Eclesiásticas, de 1541. Por esse documento, todos os cidadãos ficavam obrigados a prestar juramento de fidelidade à Igreja reformada. O governo político-religioso era exercido por um grupo de pastores nomeados entre si (isto é, não eleitos pelos fiéis) e pelo Consistório, um Órgão composto de pastores e de leigos.

Essas medidas; de certo modo, representam uma tendência oposta à de outras correntes reformadoras , que forneciam argumentos para a separação entre o poder espiritual e o temporal, ou, em termos práticos, entre o papado e os Estados nacionais. Mas,

para Calvino, o controle do poder civil é essencial para fazer valer os seus rigorosos preceitos de conduta moral e religiosa, como a proibição da dança, do teatro e de jogos de azar, mesmo porque essas regras devem ser aplicadas a todos, fiéis ou não, para a glorificação de Deus -a única preocupação de Calvino.

Por isso, o calvinismo, tanto quanto o catolicismo da época, foi bem intolerante, não poupando os adversários, que eram executados ou obrigados a fugir. Uma dessas vítimas foi o médico espanhol Michel Servet (1511-1553), autor de uma obra polêmica em que negava o dogma da Santíssima Trindade: reconhecido, quando da sua passagem por Genebra, foi preso e condenado à fogueira.

O trabalho como vocação

Estado eclesiástico, intolerância religiosa, moral rígida contrária ao prazer e à diversão, a doutrina da predestinação - todos esses elementos que constituem o calvinismo são, sob a ótica atual, estranhos ao capitalismo. De fato, para o surgimento e desenvolvimento deste não foram necessárias certas condições como a separação entre a Igreja e o Estado ou a liberdade de iniciativa? Por outro lado, porém, tanto calvinismo quanto algumas das outras correntes reformadoras (o pietismo, o metodismo e seitas batistas) inauguram uma concepção nova de vida e de homem, que rompe com a visão tradicional.

Como mostra Max Weber, todas essas correntes, apesar das suas diferenças teológicas e doutrinárias, têm em comum a exaltação do trabalho laborioso. Este é a realização da vocação – e "vocação" já não se refere somente ao sacerdócio, mas a todas as atividades profissionais. É o dom que Deus concedeu a cada homem; para que este possa desenvolvê-lo no seu trabalho diário, a fim de glorificá-Lo. Esse trabalho deve ser árduo e ao mesmo tempo metódico e racional, não desordenado. Não se deve desperdiçar o tempo, mesmo porque interromper o trabalho produz a vadiagem, o desvio da alma para a sensualidade e o prazer, e todos os outros vícios opostos à glória de Deus.

O capital e o trabalho

E certo que a riqueza gerada por esse árduo trabalho pode causar a ociosidade. Mas a riqueza em si não é má e quem a recusar ofende a Deus, pois ela é fruto da sua glorificação. O que se deve evitar é apenas o mal uso da riqueza, como o consumo perdulário que afasta o homem do trabalho.

A esse respeito, analisa Weber em A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo: "Combinando essa restrição do consumo com essa liberação dá procura da riqueza, é óbvio o resultado que daí decorre: a acumulação capitalista através da compulsão ascética à poupança. As restrições impostas ao uso da riqueza adquirida só poderiam levar a seu uso produtivo como investimento do capital". Por outro lado, prossegue, o "poder da ascese religiosa (... ) punha à sua disposição do empreendedor burguês) trabalhadores sóbrios, conscientes e incomparavelmente industriosos, que se aferraram ao trabalho como a uma finalidade de vida desejada por Deus. Dava-lhe, além disso, a tranquilizadora garantia de que a desigual distribuição da riqueza deste mundo era obra especial da Divina Providência, que, com essas diferenças, e com a graça particular, perseguia seus fins secretos, desconhecidos do homem".

De um lado, a riqueza acumulada, que só pode ser empregada como capital produtivo, de outro, o trabalhador dócil e resignado com a sua condição e unindo esses dois elementos, a exigência da organização metódica e racional do trabalho: o capitalismo já se insinuava nas entrelinhas do calvinismo e de outras doutrinas protestantes.

Os eleitos da graça divina

Para Calvino, o homem é um ser decaído pelo pecado original e só pode ser salvo pela graça divina, concedida apenas aos predestinados. Por isso, o homem nada pode fazer a não ser engrandecer o nome de Deus, não para obter a salvação, mas porque esse é o seu dever - é o que mostra esta seleção de suas duras palavras.

O pecado original

"Assim, pois, se a maldição de Deus se espalhou de cima a baixo, derramando-se por todas as partes do mundo por causa do pecado de A dão, não há por que estranhar que tenha também se propagado à sua posteridade. Por isso (.. .) ele não apenas sofreu esse castigo, que consiste em que à sabedoria, ao poder, à santidade, à verdade e à justiça de que estava revestido e dotado sucederam a cegueira, a debilidade, a imundícia, a vaidade e a injustiça, mas toda a sua posteridade se viu envolta e enlameada nessas mesmas misérias. Essa é a corrupção que por herança vem até a nós, e que os antigos chamaram pecado original, entendendo pela palavra 'pecado' a depravação da natureza, que antes era boa e pura (. ..). (Instituição da Religião Cristã. ).

A graça divina

"E assim que, quando o Senhor nos converte para o bem, é como se uma pedra fosse convertida em carne, evidentemente tudo o que há em nossa vontade desaparece inteiramente, e o que se introduz em seu lugar é tudo de Deus. Digo que a vontade é suprimida, não enquanto vontade, pois na conversão do homem permanece íntegro O que é próprio de sua primeira natureza. Digo também que a vontade se faz nova, não porque comece a existir de novo, mas porque de ma é convertida em boa. E digo que isso é feito inteiramente por Deus" (Instituição da Religião Cristã).

A predestinação

"Denominamos -predestinação o eterno decreto de Deus, pelo qual. determinou o que quer fazer de cada um dos homens. Pois Ele não os cria todos sob a mesma condição, mas ordena uns para a vida eterna e outros para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual cada homem é criado, dizemos que esta predestinado à vida ou à morte" (Instituição da Religião Cristã).

Inglaterra, Reforma e revolução

Na Inglaterra, a Reforma foi introduzida de cima para baixo, sem grandes alterações em relação ao catolicismo. No século XVII, porém, o aspecto "católico" do anglicanismo parece recrudescer: voltam os paramentos, o luxo e o ouro; "a mesa de comunhão", no centro da igreja, onde sacerdotes e fiéis comungavam juntos, torna a chamar-se "altar" -termo católico (e pagão), pensam os protestantes -, e é afastada dos fiéis. As alterações litúrgicas e a repressão nos tribunais eclesiásticos reforçam o poder do clero, eliminando o controle dos fiéis sobre os pastores.

Os "homens novos"

Esse é um indício de uma crise mais ampla coloca a Inglaterra numa encruzilhada histórica, em que uma série de conflitos opõe o rei e parte da nobreza às classes média e burguesa. Estas, os "homens novos" querem a livre concorrência, enquanto a casa real busca dinheiro criando monopólios e impostos ilegais. Os Stuart, a família real, também pretendem governar sem o Parlamento, exatamente onde os pequenos e os médios empresários se fazem ouvir. Além disso, há divergências quanto à política externa: na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), a última "guerra religiosa" de proporções européias, o rei Jaime I e o seu filho Carlos 1, que lhe sucedeu, procuram alianças com a Espanha ou com a França, ambas católicas, ao passo que a maior parte da opinião pública inglesa quer o seu reino do lado protestante.

A Bíblia contra o catolicismo

O desfecho de todos esses conflitos é a Revolução Inglesa, que transcorre de 1640 a 1660, atingindo o seu ápice com a execução do rei Carlos I e a proclamação da República em 1649. Hoje, podemos ver nesse processo a importância dos interesses econômicos e considerá-lo, seguindo Marx, como a revolução que "realizou a transformação burguesa da sociedade inglesa.

Mas não podemos esquecer que os participantes desses acontecimentos viveram-nos como uma luta basicamente religiosa. Para os homens da época, o que fizeram não foi uma revolução: simplesmente lutavam, Bíblia em punho, contra o paganismo e as superstições -o catolicismo - e pela liberdade da sua fé contra a traição e a opressão "papistas". A sua forma de viver a política, a economia e as relações humanas era religiosa.

Remodelando o mundo

Tradicionalmente, os historiadores consideram esse processo apenas como uma luta entre burgueses (puritanos) e cortesãos (monarquistas). Quem mudou tal imagem foi o historiador inglês Christopher Hill. Ele trouxe à luz a importância de grupos pouco conhecidos até mesmo na época, mas que com o colapso da censura (1641 ), em plena Revolução, puderam difundir seus ideais. Em linguagem religiosa, discutindo Deus e a salvação eterna, esses grupos tentaram remodelar o mundo.

Os levellers ("niveladores") achavam que, sendo todos criaturas de Deus, deviam também ser iguais entre si e que não tinha cabimento a opressão, embora não chegassem a propor o voto dos mendigos nem o fim da propriedade privada. Tiveram bastante influência, especialmente nas discussões de 1647, dentro do Exército, que levariam à proclamação da República, dois anos depois.

Os diggers, também conhecidos como "levellers autênticos" foram mais radicais, embora menos influentes: em 1649, começaram a lavrar terras comunais perto de Londres -daí, diggers, "cavadores" -, defendendo a reforma agrária e a posse coletiva da terra, e também a abolição das instituições religiosas opressivas .

Os quacres, o único desses grupos a sobreviver até os nossos dias, devem seu nome ao verbo to quake, isto é, "tremer". Tremiam diante de Deus e, por isso, não temiam homem algum: recusavam tirar chapéu ou chamar alguém de "senhor". Eram republicanos, como os outros radicais, mas com a restauração da monarquia, em 1660, refugiaram-se na vida religiosa, renunciando à ação política.

Finalmente, os ranters ("falastrões") tagarelavam a respeito de tudo. Não formavam grupo organizado, mas aproveitavam a liberdade de expressão para negar o pecado original e, alguns, até a fidelidade conjugal. Gostavam da bebida e de mulheres e, um deles, Lawrence Clarkson, afirmou: "para o puro todas as coisas, isso mesmo, todas as coisas são puras". Dependem apenas da intenção e da energia que nelas colocamos.

Radicais e hippies, um mesmo sonho

Toda essa intensa atividade mental, liberada pelo ambiente revolucionário, esteve ligada à vontade de pôr o mundo de cabeça para baixo, de mudar o existente. Seus protagonistas foram os radicais, a minoria propriamente revolucionária, que trouxe o sopro

da utopia numa sociedade em que acabaria prevalecendo o "bom senso", e a preocupação burguesa e puritana com a ordem.

Christopher Hill, ao descrever a ação desses grupos esquecidos, permite-se sonhar: quem sabe, tivessem eles triunfado, quantas neuroses e culpas, quanta poluição ambiental e destruição das culturas populares não teriam sido evitadas? Nessas religiões alternativas não estaria a proposta de um mundo mais feliz como a "alegre Inglaterra" medieval ou, acrescenta, a contestação moderna dos hippies e do maio de 1968?

A contra-reforma católica

"Estar pronto para obedecer com mente e coração, deixando de lado todo julgamento próprio, à verdadeira esposa de Jesus Cristo, nossa santa mãe, nossa mestra infalível e ortodoxa, a Igreja Católica, cuja autoridade é exercida pela hierarquia". Essa é a regra básica da Companhia de Jesus, fundada por Ignacio de Loyola (c. 1491-1556), e exprime a reação da Igreja Católica aos movimentos reformadores.

Pregando a mensagem, até no Brasil

Mas a Companhia de Jesus não se limita a declarar a obediência irrestrita à hierarquia eclesiástica. Também assimila a crítica dos reformadores quanto ao despreparo do clero para levar a mensagem de Cristo aos fiéis, e passa a ministrar uma sólida formação religiosa e teológica aos que ingressam na ordem.

Isso porque a principal missão desses soldados espirituais de Cristo é fazer a pregação: Francisco Xavier parte para o Oriente, chegando até o Japão; Manuel da Nóbrega e José de Anchieta vêm à colônia portuguesa do Brasil, enquanto outros jesuítas fundam várias missões nos domínios espanhóis da América do Sul para organizar e catequizar os índios. Na Europa, os jesuítas contribuem para reconduzir várias regiões ao catolicismo.

A volta aos leigos

Além dos jesuítas, outros setores da Igreja também participam desse movimento de revitalização do catolicismo. Desde os séculos XIV e XV proliferam as confrarias e as congregações, em que padres se misturam aos leigos para levar uma vida religiosa em comum. A mais famosa delas se chama, por sinal, "Irmãos da Vida em Comum", e abandona o uso do latim na leitura da Bíblia e nas pregações. As próprias ordens religiosas também procuram se reformar, reforçando a sua disciplina e voltando-se aos leigos pela prática da caridade e do ensino. Desse modo, antigas ordens subdividem-se dando origem a novas: um setor dos franciscanos adota o nome de "capuchinhos" e, na Espanha, Santa Tereza de Ávila (1515-1582) e São João da Cruz (1542-1591) empreendem a reforma da ordem a que pertenciam, fundando a Ordem dos Carmelitas Descalços.

Em Trento, linha dura

Toda essa busca de reformar internamente; o catolicismo, que ficaria conhecida como Contra-Reforma, culmina com a convocação, em 1545, do Concílio de Trento. Este, de certo modo, representa a resposta do papado às incômodas propostas de Lutero por um "concílio livre", em que todos - protestantes e católicos, leigos ou não - teriam o direito de voto. Nesse sentido, apesar de ter como objetivo declarado a unificação do cristianismo, o significado do Concílio de Trento é literalmente a "Contra-Reforma", isto é, o enrijecimento da Igreja Católica contra os protestantes.

De fato, o Concílio - que se estenderia até 1563, com várias interrupções - reafirma todos os sacramentos e dogmas ridicularizados pelo protestantismo. Conserva a crença na existência do purgatório, a proibição do casamento dos padres e a devoção dos santos e das relíquias, A autoridade infalível do papa é mantida, assim "como o valor da tradição dos Santos Padres na interpretação da Bíblia.

Esse endurecimento também se verifica na instituição, nessa época, da Congregação do Santo Ofício, que passa a centralizar as atividades da Inquisição, reprimindo não só os protestantes, mas também a livre manifestação do humanismo renascentista. Além disso, o Concílio de Trento cria a Sagrada Congregação do Índice, encarregada de elaborar o lndex Librorum Prohibitorum, "um catálogo (ou "índice") de obras condenadas pela Igreja como contrárias à sua doutrina. Aos rigores dos censores não escaparia nem mesmo a defesa da fé católica professada por Erasmo de Rotterdam.

Intolerância e liberdade

Não que o Concílio de Trento tenha apenas adotado medidas restritivas e repressoras. Se a interpretação da Palavra divina permanece um encargo exclusivo dos doutores da Igreja, e se a única versão autorizada da Bíblia continua a ser a Vulgata de São Jerônimo, o Concílio também percebe que, para se pôr frente à ofensiva protestante, os sacerdotes católicos precisam aprender a pregar. Para isso, tomam-se várias medidas. A residência fixa dos padres e bispos torna-se obrigatória para que tenham contato mais íntimo com a comunidade dos fiéis. Criam-se seminários em cada diocese, para melhor preparo dos sacerdotes. Publicam se vários catecismos que complementam a missão de levar a mensagem evangélica aos leigos.

Tal mensagem, por fim, opõe-se radicalmente à dos protestantes: contra a doutrina do servo arbítrio (Lutero) ou a da predestinação (Calvino), o que o Concilio de Trento promete é a salvação mediante a prática de boas obras, que dependem do livre-arbítrio do homem. Em meio à intolerância extremada, a Igreja Católica, paradoxalmente, passou, desse modo, a promover a liberdade do homem.

Fonte: www.cefetsp.br

Renascimento

Renascimento
O homem vitruviano de Leonardo da Vinci sintetiza o ideário renascentista: humanista e clássico

Renascimento ou Renascença são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII [1][2], quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências [3].

Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista.

O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem" [4]. Apesar do grande prestígio que o Renascimento ainda guarda entre os críticos e o público, historiadores modernos têm começado a questionar se os tão divulgados avanços merecem ser tomados desta forma.

O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da Itália e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas.

Ideias centrais

O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. Baseia-se em diversos conceitos associados: Neoplatonismo, Antropocentrismo, Hedonismo, Racionalismo, Otimismo e Individualismo.

O Humanismo, antes que um corpo filosófico, é um método de aprendizado que faz uso da razão individual e da evidência empírica para chegar às suas conclusões, paralelamente à consulta aos textos originais, ao contrário da escolástica medieval, que se limitava ao debate das diferenças entre os autores e comentaristas. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o investigador por excelência da natureza.

Na perspectiva do Renascimento, isso envolveu a revalorização da cultura clássica antiga e sua filosofia, com uma compreensão fortemente antropocentrista e racionalista do mundo, tendo o homem e seu raciocínio lógico e sua ciência como árbitros da vida manifesta [5]. Seu precursor foi Petrarca, e o conceito se consolidou no século XV principalmente através dos escritos de Marsilio Ficino, Erasmo de Roterdão, Pico della Mirandola e Thomas More.

Marsílio Ficino
Marsílio Ficino. Biblioteca Medicea Laurenziana

Pico della Mirandola
Pico della Mirandola

O brilhante florescimento cultural e científico renascentista deu origem a sentimentos de otimismo, abrindo positivamente o homem para o novo e incentivando seu espírito de pesquisa. O desenvolvimento de uma nova atitude perante a vida deixava para trás a espiritualidade excessiva do gótico e via o mundo material com suas belezas naturais e culturais como um local a ser desfrutado, com ênfase na experiência individual e nas possibilidades latentes do homem. Além disso, os experimentos democráticos italianos, o crescente prestígio do artista como um erudito e não como um simples artesão, e um novo conceito de educação que valorizava os talentos individuais de cada um e buscava desenvolver o homem num ser completo e integrado, com a plena expressão de suas faculdades espirituais, morais e físicas, nutriam sentimentos novos de liberdade social e individual [6].

Reunindo esse corpus eclético de idéias, os homens do Renascimento cunharam ou adaptaram à sua moda alguns outros conceitos, dos quais se destacam as teorias da perfectibilidade e do progresso, que na prática impulsionaram positivamente a ciência de modo a tornar o período em foco como o marco inicial da ciência moderna. Mas como que para contrapô-los surgiu uma percepção de que a história é cíclica e tem fases de declínio inevitável, e de que o homem natural é um ser sujeito a forças além de seu poder e não tem domínio completo sobre seus pensamentos, capacidades e paixões, nem sobre a duração de sua própria vida.

O resultado foi um grande e rico debate teórico entre os eruditos, recheado por fatos novos que apareciam a cada momento, que só teve uma resolução prática no século XVII, com a afirmação irresistível e definitiva da importância da ciência. Por um lado, alguns daqueles homens se viam como herdeiros de uma tradição que havia desaparecido por mil anos, crendo reviver de fato uma grande cultura antiga, e sentindo-se até um pouco como contemporâneos dos romanos.

Mas havia outros que viam sua própria época como distinta tanto da Idade Média como da Antiguidade, com um estilo de vida até então inédito sobre a face da Terra, sentimento que era baseado exatamente no óbvio progresso da ciência. A história confirma que nesse período foram inventados diversos instrumentos científicos, e foram descobertas diversas leis naturais e objetos físicos antes desconhecidos; a própria face do planeta se modificou nos mapas depois dos descobrimentos das grandes navegações, levando consigo a física, a matemática, a medicina, a astronomia, a filosofia, a engenharia, a filologia e vários outros ramos do saber a um nível de complexidade, eficiência e exatidão sem precedentes, cada qual contribuindo para um crescimento exponencial do conhecimento total, o que levou a se conceber a história da humanidade como uma expansão contínua e sempre para melhor [7]. Talvez seja esse espírito de confiança na vida e no homem o que mais liga o Renascimento à antiguidade clássica e o que melhor define sua essência e seu legado.

O seguinte trecho de Pantagruel (1532), de François Rabelais, costuma ser citado para ilustrar o espírito do Renascimento:

Todas as disciplinas são agora ressuscitadas, as línguas estabelecidas: Grego, sem o conhecimento do qual é uma vergonha alguém chamar-se erudito, Hebraico, Caldeu, Latim (...) O mundo inteiro está cheio de acadêmicos, pedagogos altamente cultivados, bibliotecas muito ricas, de tal modo que me parece que nem nos tempos de Platão, de Cícero ou Papiniano, o estudo era tão confortável como o que se vê a nossa volta. (...) Eu vejo que os ladrões de rua, os carrascos, os empregados do estábulo hoje em dia são mais eruditos do que os doutores e pregadores do meu tempo.

Hans Holbein: Retrato de Erasmo
Hans Holbein: Retrato de Erasmo, 1523. Frick Collection

O preparo que os humanistas preconizavam para a formação do homem ideal, são de corpo e espírito, ao mesmo tempo um filósofo, um cientista e um artista, se desenvolveu a partir da estrutura de ensino medieval do Trivium e do Quadrivium, que compunham a sistematização do conhecimento da época.

A novidade renascentista não foi tanto a ressurreição da sabedoria antiga, mas sua ampliação e aprofundamento com a criação de novas ciências e disciplinas, de uma nova visão de mundo e do homem e de um novo conceito de ensino e educação [8].

O resultado foi um grande e frutífero programa disciplinador e desenvolvedor do intelecto e das habilidades gerais do homem, que tinha origem na cultura greco-romana e que de fato em parte se perdera para o ocidente durante a Idade Média.

Mas é preciso lembrar que apesar da idéia que os renascentistas pudessem ter de si mesmos, o movimento jamais poderia ser uma imitação literal da cultura antiga, por acontecer todo sob o manto do Catolicismo, cujos valores e cosmogonia eram bem diversos.

Assim, a Renascença foi uma tentativa original e eclética de harmonização do Neoplatonismo pagão com a religião cristã, do eros com a charitas, junto com influências orientais, judaicas e árabes, e onde o estudo da magia, da astrologia e do oculto não estavam ausentes [9].

O pensamento medieval tendia a ver o homem como uma criatura vil, uma "massa de podridão, pó e cinza", como se lê em De laude flagellorum de Pedro Damião, no século XI. Mas quando se eleva a voz de Pico della Mirandola no século XV o homem já representava o centro do universo, um ser mutante, essencialmente imortal, autônomo, livre, criativo e poderoso, o que ecoava as vozes mais antigas de Hermes Trismegisto ("Grande milagre é o homem") e do árabe Abdala ("Não há nada mais maravilhoso do que o homem").

Esse otimismo se perderia novamente no século XVI, com a reaparição do ceticismo, do pessimismo, da ironia e do pragmatismo em Erasmo, Maquiavel, Rabelais e Montaigne, que veneravam a beleza dos ideais do classicismo mas tristemente constatavam a imposssibilidade de sua aplicação prática universal e testemunhavam o deplorável jogo político, a pobreza e opressão das populações e outros problemas sociais e morais do homem real de seu tempo [10].

Fases do Renascimento e seu contexto

Costuma-se dividir o Renascimento em três grandes fases, Trecento, Quattrocento e Cinquecento, correspondentes aos séculos XIV, XV e XVI, com um breve interlúdio entre as duas últimas chamado de Alta Renascença.

Trecento

Ambrogio Lorenzetti
Ambrogio Lorenzetti: Alegoria do Bom Governo, c. 1328. Palazzo Pubblico, Siena

Simone Martini
Simone Martini: Guidoriccio da Fogliano no assédio de Montemassi, 1328. Palazzo Pubblico, Siena

O Trecento representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da cidade de Florença, pólo político, econômico e cultural da região, embora outros centros também tenham participado do processo, como Pisa e Siena, tornando-os a vanguarda da Europa em termos de economia, cultura e organização social, conduzindo a transfomação do modelo medieval para o moderno.

A economia era dinamizada pela fundação de grandes casas bancárias, pela noção de livre concorrência e pela forte ênfase no comércio, e cada vez mais se estruturava em moldes capitalistas e bastante materialistas, onde a tradição foi sacrificada diante do racionalismo, da especulação financeira e do utilitarismo.

O sistema de produção desenvolvia novos métodos, com uma nova divisão de trabalho organizada pelas guildas e uma progressiva mecanização, mas levando a uma despersonalização da atividade artesanal. A Itália nesta época era um mosaico de pequenos países e cidades independentes. O regime republicano com base no racionalismo fora adotado por vários daqueles Estados, e a sociedade via crescer uma classe média emancipada intelectual e financeiramente que se tornaria um dos principais pilares do poder e um dos sustentáculos de um novo mercado de arte e cultura [11].

O início do século vive intensas lutas de classes, com prejuízo para os trabalhadores não vinculados às guildas, e como conseqüência instala-se grave crise econômica, que tem um ponto culminante na bancarrota das famílias Bardi e Peruzzi em torno de 1328-38, gerando uma fase de estagnação que não obstante levaria a pequena burguesia pela primeira vez ao poder. Esta situação é comentada depreciativamente pelos poetas célebres da época - Boccaccio e Villani - mas constitui a primeira experiência democrática em Florença, durando um intervalo de cerca de quarenta anos.

Tumultos políticos e militares, além de duas devastadoras epidemias de peste bubônica, provocam períodos de fome e desalento, com revoltas populares que tentam modificar o equilíbrio político e social, mas só conseguem assegurar a permanência dos burgueses à testa do governo. Os Médici, banqueiros plebeus, assumem a liderança da classe mas logo se revestem da dignidade da nobreza e um sistema oligárquico volta a dominar a cena política, muitas vezes se valendo da corrupção para atingir seus fins, mas também iniciando um costume de mecenato das artes que seria fundamental para a evolução do classicismo no século seguinte [12].

Na religião a mudança foi assinalada pela busca, amparada pela ciência, de explicações racionais para os fenômenos da natureza; por uma nova forma de ver as relações entre Deus e o homem, e pela idéia de que o mundo não deveria ser renegado, mas vivenciado plenamente, e que a salvação poderia ser conquistada também através do serviço público e do embelezamento das cidades e igrejas com obras de arte, além da prática de outras ações virtuosas. Deve-se frisar que mesmo com a crescente influência clássica, que era toda pagã na origem, o Cristianismo jamais foi posto em xeque e permaneceu como um pano de fundo ao longo de todo o período, criando-se a síntese original que conhecemos hoje. [13]

Quattrocento

Luca Pacioli
Luca Pacioli

Jorge de Trebizonda
Jorge de Trebizonda: página do seu Comentário sobre o Almagesto

O chamado Quattrocento (século XV) vê o Renascimento atingir sua era dourada. O Humanismo amadurece e se espalha pela Europa através de Ficino, Rodolphus Agricola, Erasmo, Mirandola e Thomas More. Leonardo Bruni inaugura a historiografia moderna e a ciência e a filosofia progridem com Luca Pacioli, János Vitéz, Nicolas Chuquet, Regiomontanus, Nicolau de Cusa e Georg von Peuerbach.

Ao mesmo tempo, um novo interesse pela história antiga levou humanistas como Niccolò de' Niccoli e Poggio Bracciolini a vasculharem as bibliotecas da Europa em busca de livros perdidos de autores como Platão, Cícero, Plínio, o Velho, e Vitrúvio.

A reconquista da Península Ibérica aos mouros também disponibilizou para os eruditos europeus um grande acervo de textos de Aristóteles, Euclides, Ptolomeu e Plotino, preservados em traduções árabes e desconhecidos na Europa, e de obras muçulmanas de Avicena, Geber e Averróis, contribuindo de modo marcante para um novo florescimento na filosofia, matemática, medicina e outras especialidades científicas. Para acrescentar, o aperfeiçoamento da imprensa por Johannes Gutenberg em meados do século facilitou e barateou imenso a divulgação do conhecimento.

Página da Bíblia de Gutenberg
Página da Bíblia de Gutenberg, 1455

Um novo vigor nessa busca foi injetado após o fim do Império Bizantino e sua tomada pelos turcos, quando muitos intelectuais gregos, como Jorge de Trebizonda, Johannes Argyropoulos, Theodorus Gaza e Barlaam de Seminara, emigraram para a península Itálica e outras partes trazendo consigo e divulgando muitos textos clássicos e ensinando a ciência e língua gregas e a arte da exegese. Grande proporção do que hoje se conhece de literatura e legislação greco-romanas nos foi preservado por Bizâncio [14][15].

Esse afluxo de novas informações e conhecimentos e o concomitante progresso em todas as áreas da sociedade levaram os intelectuais a perceberem que se achavam em meio a uma fase de renovação da cultura comparável às fases brilhantes das civilizações antigas, em oposição à Idade Média anterior, que passou a ser considerada uma era de obscuridade e ignorância [16][17].

A progressiva aristocratização dos principais burgueses dá à arte um caráter palaciano e profano, e esta é uma tendência geral, que nasce a partir de um período de grande prosperidade econômica de Florença que, apesar de ameaçada por Milão e Nápoles, reconquista sua primazia regional. A opulência da oligarquia, que adquire grande cultura e se entrega à "bela vida", gera na classe média uma resistência retrógrada que busca no gótico idealista um ponto de apoio contra o que vê como indolência da classe dominante.

Estas duas tendências opostas dão o tom para a primeira metade deste século, até que a pequena burguesia enfim abandona o idealismo antigo e passa a entrar na corrente geral racionalista. É o século de Lorenzo de' Medici, o grande mecenas, e o interesse pela arte se difunde para círculos cada vez maiores.

Alta Renascença

A Alta Renascença cronologicamente engloba os anos finais do Quattrocento e as primeiras décadas do Cinquecento, sendo delimitada aproximadamente pelas obras de maturidade de Leonardo da Vinci (a partir de c. 1480) e o Saque de Roma em 1527.

É a fase de culminação do Renascimento, que se dissipa mal é atingida, mas seu reconhecimento é importante porque aqui se cristalizam ideais que caracterizam todo o movimento renascentista: o Humanismo, a noção de autonomia da arte, a emancipação do artista de sua condição de artesão e equiparação ao cientista e ao erudito, a busca pela fidelidade à natureza, e o conceito de gênio, tão perfeitamente encarnado em Da Vinci, Rafael e Michelangelo, e se a passagem da Idade Média para a Idade Moderna não estava ainda completa, pelo menos estava assegurada sem retorno possível.

Eventos como a descoberta da América e a Reforma Protestante, e técnicas como a imprensa de tipos móveis, transformam a cultura e a visão de mundo dos europeus, ao mesmo tempo em que a atenção de toda a Europa se volta para a Itália e seus progressos e as grandes potências da França, Espanha e Alemanha desejam sua partilha, fazendo dela um campo de batalhas e pilhagens, e com isso espalhando sua arte e influência por uma vasta região do continente [18][19][20]

Rafael: Madonna Cowper, 1504/1505
Rafael: Madonna Cowper, 1504/1505. National Gallery of Art, Washington


Leonardo: A Virgem das Rochas, versão de Londres, 1503-1506. National Gallery

Bramante: O Tempietto na igreja de San Pietro in Montorio, 1502
Bramante: O Tempietto na igreja de San Pietro in Montorio, 1502. Roma

É na Alta Renascença que a arte atinge a perfeição e o equilíbrio classicistas perseguidos durante todo o processo anterior, especialmente no que diz respeito à pintura e à escultura.

Porém esse classicismo, embora maduro e rico, conseguindo plasmar obras de grande pujança, comparáveis à arte antiga, tem forte carga formalista, espelhando o código de ética artificial, cosmopolita e abstrato que se impõe entre os círculos ilustrados e que prescreve a moderação, autocontrole, dignidade e polidez em tudo, e que tem na pintura de Rafael e na música de Palestrina seus mais perfeitos representantes artísticos, e no livro O Cortesão de Baldassare Castiglione sua súmula teórica.

O idealismo que foi intensamente cultivado na antigüidade clássica encontra uma atualização e, segundo Hauser,:

De acordo com os pressupostos desta arte, pareceria inconcebível, por exemplo, que os apóstolos fossem representados como camponeses vulgares e artesãos comuns, como o eram tão freqüentemente e com tanto sabor, no século XV. Para esta arte nova, os profetas, apóstolos, mártires e santos são personalidades ideais, livres, grandes, poderosas e dignificadas, graves e solenes, uma raça heróica, em plena florescência de beleza madura e enternecedora.

Na obra de Leonardo encontramos ainda tipos da vida comum, ao lado destas nobres figuras, mas gradualmente nada que não seja grande e sublime parece digno de representação artística" [21].

Giovanni Bellini: Sacra conversazione, 1505-1510
Giovanni Bellini: Sacra conversazione, 1505-1510. Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid

Apesar daquele código de ética, é uma sociedade agitada por mudanças políticas, sociais e religiosas importantes em que a liberdade anterior desaparece, e o autoritarismo e a dissimulação se ocultam por trás das normas de boa educação e da disciplina, como se patenteia em O Príncipe, de Maquiavel, um manual de governo que dizia que "não existem boas leis sem boas armas", não distinguindo poder de autoridade e legitimando o uso da força para controle do cidadão, livro que é uma referência fundamental do pensamento político renascentista e uma inspiração decisiva para a construção do Estado moderno.

Assim, a grande diferença de mentalidade entre o Quattrocento e o Cinquecento é que enquanto naquele a forma é um fim, neste é um começo; enquanto naquele a natureza fornecia os padrões que a arte imitava, neste a sociedade precisará da arte para provar que existem tais padrões [22]. Rafael resume os opostos em seu famoso afresco A Escola de Atenas, uma das mais importantes pinturas da Alta Renascença, realizada na primeira década do Cinquecento, que ressuscita o diálogo filosófico entre Platão e Aristóteles, ou seja, entre o idealismo e o pragmatismo.

O Cinquecento e o Maneirismo italiano

Pontormo: A deposição da cruz, 1525-1528
Pontormo: A deposição da cruz, 1525-1528. Santa Felicita, Florença

O Cinquecento (século XVI) é a derradeira fase da Renascença, quando o movimento se transforma, se expande para outras partes da Europa e Roma sobrepuja Florença como centro cultural a partir do pontificado de Júlio II.

Roma até então não havia produzido grandes artistas renascentistas, e o classicismo havia sido plantado através da presença temporária de artistas de outras partes. Mas a partir da fixação na cidade de mestres do porte de Rafael, Michelangelo e Bramante formou-se uma escola local, tornando-a o mais rico repositório da arte da Alta Renascença e da sua continuação cinquecentesca, onde o patrocínio papal deu uma feição característica a toda esta fase.

Lutero aos 46 anos (Lucas Cranach o Velho, 1529)
Lutero aos 46 anos (Lucas Cranach o Velho, 1529)

Na seqüência do saque de Roma de 1527 e da contestação da autoridade papal pelos Protestantes o equilíbrio político do continente se altera e sua estrutura sócio-cultural é abalada, com conseqüências negativas principalmente para a Itália, que além de tudo deixa de ser o centro comercial da Europa quando novas rotas de comércio são abertas pelas grandes navegações.

Todo o panorama muda de figura, declinando a influência católica, perdendo-se a unidade cultural e artística recém conquistada na Alta Renascença e surgindo sentimentos de pessimismo, insegurança e alheamento que caracterizam a atmosfera do Maneirismo. Aparecem escolas regionais nitidamente diferenciadas em Roma, Florença, Ferrara, Nápoles, Milão, Veneza, e o Renascimento se espalha por toda a Europa, dando frutos especialmente na França, Espanha e Alemanha, tingidos pelos históricos locais específicos.

A arte de longevos como Michelangelo e Ticiano registra em grande estilo a transição de uma era de certezas e clareza para outra de dúvidas e drama que vê aparecer a Contra-Reforma e se dirige para o Barroco do século XVII.

Apesar disso, as aquisições intelectuais e artísticas da Alta Renascença que ainda estavam frescas e resplandeciam diante dos olhos não poderiam ser esquecidas de pronto, mesmo que seu substrato filosófico já não pudesse permanecer válido diante dos novos fatos políticos, religiosos e sociais.

A nova arte que se faz, ainda que inspirada na fonte do classicismo, o traduz em formas inquietas, ansiosas, distorcidas, agitadas, ambivalentes, apegadas a preciosismos intelectualistas, características que bem refletem as tormentas do século [23].

O Maneirismo, que cobre os dois terços finais do século XVI e depois se confunde com o Barroco, é um estilo que tem gerado muito debate entre os historiadores da arte.

Ele se manifesta em uma área geográfica tão vasta e é tão polimorfo que seu relacionamento com sua origem basicamente italiana e sua descrição genérica se tornam um problema, e suas características são tão distintas do Quattrocento e da Alta Renascença que alguns o separam da corrente renascentista tradicional e o estabelecem como um estilo independente, pois parece-lhes que em muitos sentidos ele constitui uma decadência e uma negação dos princípios clássicos de proporção equilibrada, unidade formal, clareza, lógica e naturalismo, tão prezados pelas fases anteriores.

Por outro lado, depois de um longo tempo de descrédito geral do Maneirismo entre os pensadores, ele já é visto modernamente de forma positiva e conciliadora, como um aprofundamento e um enriquecimento dos pressupostos clássicos e legítima conclusão do ciclo do Renascimento; não tanto uma negação ou desvirtuamento daqueles princípios como se pensara antes, mas uma reflexão sobre sua aplicabilidade prática naquele momento histórico e uma adaptação - às vezes dolorosa mas em geral criativa e bem sucedida - às circunstâncias da época, sendo sua marca especial e sua verdadeira força expressiva, e tendo sua importância realçada por fazerem dele a primeira escola moderna de arte [24][25].

As artes no Renascimento

Pintura

Fra Angelico: Anunciação, c. 1440. Museu Nacional de São Marcos, Florença
Fra Angelico: Anunciação, c. 1440. Museu Nacional de São Marcos, Florença

Piero della Francesca: Flagelação de Cristo, 1460. Galleria Nazionale delle Marche, Urbino
Piero della Francesca: Flagelação de Cristo, 1460. Galleria Nazionale delle Marche, Urbino

Pietro Perugino: O batismo de Cristo, ca. 1481-83. Capela Sistina
Pietro Perugino: O batismo de Cristo, ca. 1481-83. Capela Sistina

Boticelli: O nascimento de Vênus, 1485. Uffizi
Boticelli: O nascimento de Vênus, 1485. Uffizi

Parmigianino: Madonna do pescoço longo, 1534-40. Uffizi]]
Parmigianino: Madonna do pescoço longo, 1534-40. Uffizi]]

Michelangelo: O Juízo Final, 1534-41. Capela Sistina
Michelangelo: O Juízo Final, 1534-41. Capela Sistina

Federico Barocci: A Madonna do povo, 1579. Uffizi
Federico Barocci: A Madonna do povo, 1579. Uffizi

Sucintamente, a contribuição maior da pintura do Renascimento foi sua nova maneira de representar a natureza, através de domínio tal sobre a técnica pictórica e a perspectiva matemática, que foi capaz de criar uma eficiente ilusão de espaço tridimensional em uma superfície plana. Tal conquista significou um afastamento radical em relação ao sistema medieval de representação, com suas proporções irreais, sua estaticidade e seu espaço sem profundidade. A linguagem visual formulada pelos pintores renascentistas foi tão bem sucedida que permanece válida até hoje [26].

O cânone de proporções greco-romano volta a determinar a construção da figura humana, também volta o cultivo do Belo tipicamente clássico, e a perspectiva baseada no ponto de vista central e único define a construção dos cenários, no que se pode ver um reflexo da popularização dos princípios filosóficos do racionalismo, antropocentrismo e do humanismo. A pintura renascentista é em essência linear; o desenho era considerado o alicerce de todas as artes visuais e seu domínio, um pré-requisito para todo artista. Na construção da pintura, a linha convencionalmente constituía o elemento demonstrativo e lógico, e a cor indicava os estados afetivos ou qualidades específicas. Outro diferencial em relação à arte da Idade Média é a introdução de maior dinamismo nas cenas e gestos, e a descoberta do sombreado, ou claro-escuro, como recurso plástico e mimético [27].

Giotto, atuando entre os séculos século XIII e XVI, foi o maior pintor da primeira Renascença italiana e o pioneiro dos naturalistas em pintura. Sua obra revolucionária, em contraste com a produção de mestres do gótico tardio como Cimabue e Duccio, causou forte impressão em seus contemporâneos e dominaria toda a pintura italiana do Trecento, por sua lógica, simplicidade, precisão e fidelidade à natureza [28]. Ambrogio Lorenzetti e Taddeo Gaddi continuam a linha de Giotto sem inovar, embora em outros características progressistas se mesclem com elementos do gótico ainda forte, como se vê na obra de Simone Martini e Orcagna. O estilo naturalista e expressivo de Giotto, contudo, representa a vanguarda na visualidade desta fase, e se difunde para Siena, que por um tempo passa à frente de Florença nos avanços artísticos, e dali se estende para o norte e oeste da Itália.

No Renascimento as representações da figura humana adquirem solidez, majestade e poder, refletindo o sentimento de autoconfiança de uma sociedade que se torna muito rica e complexa, com vários níveis sociais, de variada educação e referenciais, que dela participavam ativamente, formando um painel multifacetado de tendências e influências. Nesse sentido, depois de Giotto o próximo marco evolutivo é Masaccio, em cujas obras o homem tem um aspecto nitidamente enobrecido. Dele se disse que foi "o primeiro que soube pintar homens que realmente tocavam seus pés na terra" [29]. Com Leonardo da Vinci a técnica do óleo se refina e penetra no terreno do sugestivo, e a arte se casa com a ciência. Com Rafael se revela a doçura, a grandeza e a perfeita harmonia, e Michelangelo leva a figura humana a uma nova dimensão, a do sobre-humano.

Fra Angelico, Paolo Uccello, Benozzo Gozzoli e Lorenzo Monaco expressam os últimos ecos do gótico, enquanto que a solenidade do alto classicismo é aparente na obra austera de Masaccio, Piero della Francesca e Ghirlandaio, que servem a patronos puritanos. Para um outro público trabalham Botticelli, Pollaiuolo, Filippo Lippi, cuja obra tem caráter mais mundano a despeito da temática muitas vezes sagrada [30].

Junto com Florença, Veneza, que teve uma evolução atípica e tinha artistas como Jacopo Bellini, Giovanni Bellini, Vittore Carpaccio, Mauro Codussi e Antonello da Messina, representam a vanguarda artística européia no Quattrocento, enquanto que Siena oscilava entre o gótico e o classicismo, e as cortes do vale do Pó e mais ao norte e a oeste continuam a se inspirar em modelos franceses - cuja influência sobre a Toscana é apenas pontual, trazida por artistas como Gentile da Fabriano e Domenico Veneziano[31]. Contudo, o classicismo começa a extravasar as fronteiras florentinas, chegando a outras cidades através de artistas importantes: Perugia com Perugino; Urbino com Francesco Laurana; Roma com Pinturicchio, Masaccio, Melozzo da Forli, e Giuliano da Sangallo; Pádua e Mântua com Mantegna.

Na Alta Renascença o sistema classicista de representação visual chega a um apogeu com a obra de Rafael Sanzio, de larga influência, mas essa fase de grande equilíbrio formal não dura muito, logo é transformada profundamente no Maneirismo. Toda a noção de espaço é alterada, a perspectiva se fragmenta em múltiplos pontos de vista, e as proporções da figura humana são distorcias com finalidades expressivas ou meramente estéticas, formulando-se uma linguagem visual mais dinâmica, vibrátil, subjetiva, dramática e sofisticada. Pontormo, Veronese, Romano, Tintoretto, Bronzino, e Michelangelo em sua fase madura são exemplos típicos do Maneirismo plenamente manifesto. Giorgio Vasari, um pintor e arquiteto maneirista de mérito secundário, também deve ser lembrado por sua importância maior como biógrafo e historiador da arte, um dos primeiros a reconhecer todo o ciclo renascentista como uma fase de renovação cultural e o primeiro a usar o termo "Renascimento" na bibliografia, em sua enciclopédica Le Vite de' più Eccellenti Pittori, Scultori e Architettori, uma das fontes primárias para o estudo da vida e obra de muitos artistas do período.

Escultura

Na escultura os sinais de uma revalorização de uma estética classicista são mais antigos, datando do século XIII. Nicola Pisano em torno de 1260 produziu um púlpito para o Batistério de Pisa que é considerado a manifestação precursora da Renascença em escultura [32]. Na passagem do século XIII para o século XIV seu filho Giovanni Pisano levaria seu estilo mais longe e dominaria a cena em Florença no primeiro terço do século, e seria um dos introdutores de um gênero novo, o dos cruxifixi dolorosi, de grande dramaticidade e larga influência, até então incomum na Toscana [33]. Seu talento versátil daria origem a outras obras de suma elegância e austeridade, de linhas limpas e puras, como o retrato de Enrico Scrovegni.

Suas Madonnas, relevos e o púlpito da Catedral de Pisa são, por outro lado, muito mais movimentados e graciosos, com elementos góticos mesclados a um novo senso de proporção e espaço que infere seu estudo dos clássicos. Contemporâneos como Tino di Camaino seguem aproximadamente a mesma linha de trabalho, num cruzamento de correntes que seria típico de todo o Trecento.

Em meados do século Andrea Pisano se torna um dos escultores mais importantes da Itália, autor dos relevos da porta sul do Batistério de Florença e sendo nomeado arquiteto da Catedral de Orvieto. Foi mestre de Orcagna, cujo tabernáculo em Orsanmichele é uma das obras-primas do período, e de Giovanni di Balducci, autor de um requintado e complexo monumento funerário na Capela Portinari de Milão.

Apesar dos avanços dos mestres citados acima, sua obra ainda reflete o embate entre as tendências antigas e modernas, e elementos góticos ainda são nitidamente visíveis em todos eles. Para o fim do Trecento surge em Florença a figura de Lorenzo Ghiberti, autor de relevos no Batistério de São João, onde os modelos clássicos são recuperados por completo. Logo em seguida Donatello conduz os avanços em várias frentes. Nas suas obras principais figuram as estátuas de profetas do Antigo Testamento.

Deles talvez o Habacuc seja a mais impressionante, uma imagem cujo porte lembra fortemente um romano com sua toga, quase extraído diretamente da retratística da Roma republicana. Ousou ao modelar a primeira figura de nu de grandes dimensões em volume completo desde a antiguidade, o David de 1430. Também inovou na estatuária equestre, criando o monumento a Gattamelata, a mais importante obra em seu gênero desde o Marco Aurélio romano do Capitólio. Por fim, sua descarnada Madalena penitente, em madeira, de 1453, é uma imagem de dor, austeridade e transfiguração que não teve paralelos em sua época, reintroduzindo um pungente senso de drama e realidade na estatuária que só se viu no Helenismo [34].

Na geração seguinte Verrocchio se destaca pela teatralidade e dinamismo das composições. Seu Cristo e São Tomé tem grande realismo e poesia. Compôs um Jovem com um golfinho para a fonte de Netuno em Florença que é o protótipo da figura serpentinata, que seria o modelo formal mais prestigiado pelo Maneirismo e Barroco.

Sua obra maior, o monumento equestre a Bartolommeo Colleoni é uma expresão de poder e força mais impressionante que o Gattamelata. Desiderio da Settignano e Antonio Rosselino também merecem lembrança. Florença continuou o centro da evolução até o aparecimento de Michelangelo, que trabalhou em Roma para os papas - e também em Florença para os Medici - e foi o maior nome da escultura desde a Alta Renascença até meados do Cinquecento. Sua obra passou do classicismo puro do David, do Baco, e chegou ao Maneirismo, expresso em obras veementes como os Escravos, o Moisés, e os nus da Capela Medici em Florença.

Artistas como Baccio Bandinelli, Agostino di Duccio e Tullio Lombardo também deixaram obras de grande maestria, como o Adão [29] deste último. Encerram o ciclo renascentista Giambologna, Francesco da Sangallo, Jacopo Sansovino e Benvenuto Cellini, com um estilo de grande dinamismo e expressividade, tipificado no Rapto das Sabinas, de Giambologna. Artistas importantes em outros países da Europa já iniciam a trabalhar em linhas claramente italianas, como Adriaen de Vries no norte e Germain Pilon na França, espalhando o gosto italiano por uma grande área geográfica e dando origem a várias formulações sincréticas com escolas regionais[35].

Giovanni Pisano: Retrato de Enrico Scrovegni, Capela Scrovegni, Pádua
Giovanni Pisano: Retrato de Enrico Scrovegni, Capela Scrovegni, Pádua (Cópia do Museu Pushkin)

Agostino di Duccio: Madonna, século XV. Museo dell'Opera di Santa
Agostino di Duccio: Madonna, século XV. Museo dell'Opera di Santa Maria del Fiore

Verrocchio: São Tomé e Cristo, 1466-83, Orsanmichele, Florença
Verrocchio: São Tomé e Cristo, 1466-83, Orsanmichele, Florença


Giambologna: O rapto da sabina, 1581-82. Loggia dei Lanzi, Florença

Música

Em linhas gerais a música do Renascimento não oferece um panorama de quebras abruptas de continuidade, e todo o longo período pode ser considerado o terreno da lenta transformação do universo modal para o tonal, e da polifonia horizontal para a harmonia vertical. O Renascimento foi também um período de grande renovação no tratamento da voz e na orquestração, no instrumental e na consolidação dos gêneros e formas puramente instrumentais com as suítes de danças para bailes, havendo grande demanda por animação musical em todo festejo ou cerimônia, público ou privado [36].

Iluminura do Codex Squarcialupi mostrando Francesco Landini tocando um organetto
Iluminura do Codex Squarcialupi mostrando Francesco Landini tocando um organetto

Os precursores desta transformação não foram italianos, mas franceses como Guillaume de Machaut, autor da maior realização musical do Trecento em toda Europa, a Missa de Notre Dame, e Philippe de Vitry, muito elogiado por Petrarca. Da música italiana dessa fase inicial muito pouco chegou a nós, embora se saiba que a atividade era intensa e quase toda no terreno profano, sendo as principais fontes de partituras o Codex Rossi, o Codex Squarcialupi e o Codex Panciatichi. Entre seus representantes estão Matteo da Perugia, Donato da Cascia, Johannes Ciconia e sobretudo Francesco Landini, que integram a fase conhecida como Ars Nova.

Na técnica compositiva a polifonia melismática dos organa, derivada diretamente do canto gregoriano, é abandonada em favor de uma escrita mais enxuta, com vozes tratadas de maneira cada vez mais equilibrada. O movimento paralelo é usado com moderação, acidentes são raros mas as dissonâncias duras são comuns. Em meados do século a escrita a três vozes começa a apresentar tríades, dando uma impressão de tonalidade. Tenta-se pela primeira vez escrever música descritiva ou programática, o moteto nascido no século anterior continua popular mas os rígidos modos rítmicos cedem lugar à isorritmia e a formas mais livres e dinâmicas como a balada, a chanson e o madrigal. A notação evolui para adoção de notas de menor valor, e mais para o final do período passa a ser aceito o intervalo de terça como consonância, quando antes apenas a quinta, a oitava e o uníssono o eram [37][38][39].

Exemplos musicais:

Anônimo italiano: Ypocrite - Velut stelle - Et gaudebit (ajuda·info)
Anônimo, Codex Rossi: Cum altre ucele (ajuda·info)
Solage: Fumeux fume par fumee (ajuda·info)

A música do Quattrocento italiano ainda é dominada pela influência francesa, mas o centro de irradiação agora se desloca de Paris para Flandres, onde em meados do século se forma a célebre Escola franco-flamenga, que desenvolve um estilo internacional de polifonia de grande complexidade, e incorpora a contribuição de compositores italianos como Landini.

Dufay, Des Prez, Binchois, Busnois e Ockeghem são os nomes principais, junto com Dunstable, um inglês que seria o introdutor do falso-bordão com o uso consistente de intervalos de terças e sextas, e do uso do cantus firmus como elo unificador da Missa musicada. A tendência profana do Trecento musical dá lugar a um florescimento de música sacra, com a consolidação do ciclo da Missa como a forma sacra por excelência. A Itália não produz nenhum compositor de vulto mas atrai artistas do norte para suas cortes, como Hugo de Lantins, um dos precursores do uso extensivo da imitação entre as vozes [40].

Luca della Robbia
Luca della Robbia: Relevo para um coro, 1431-38. Museo dell'Opera del Duomo, Florença

Exemplos musicais:

Hugo de Lantins: Jo sum tuo servo (ajuda·info)
Guillaume Dufay: Se La Face Ay Pale (ajuda·info)
Johannes Ockeghem: Ma bouche rit (ajuda·info)

Lorenzo Costa: Um concerto, 1485-95. National Gallery of London
Lorenzo Costa: Um concerto, 1485-95. National Gallery of London

Somente no Cinquecento a música italiana começa a desenvolver características genuinamente próprias, e nesse processo um significativo papel foi desempenhado por Isabella d'Este, cuja pequena mas brilhante corte em Mântua atraiu poetas que escreviam em italiano poemas simples para serem musicados, e lá a récita de poesia, assim como em outros centros italianos, era geralmente acompanhada de música.

O gênero preferido era a frottola, que já mostrava uma estrutura harmônica tonal bem definida e contribuiria para renovar o madrigal, com sua típica fidelidade ao texto e aos afetos. Outros gêneros polifônicos como a missa e o moteto fazem a esta altura pleno uso da imitação entre as vozes e todas são tratadas de um modo semelhante. Compositores flamengos importantes trabalham na Itália, como Adriaen Willaert e Jacob Arcadelt, mas as figuras mais célebres do século são Giovanni da Palestrina, italiano, e Orlande de Lassus, flamengo, que estabelecem um padrão de para a música coral que seria seguido em todo o continente, com uma escrita melodiosa e rica, de grande equilíbrio formal e nobre expressividade, preservando a inteligibilidade do texto, aspecto que no período anterior muitas vezes era secundário e se perdia na intrincada complexidade do contraponto.

A impressão de sua música se equipara à grandeza idealista da Alta Renascença, florescendo em uma fase em que o Maneirismo já se manifestava com força em outras artes como a pintura e escultura.

No final do século aparecem três grandes figuras, Carlo Gesualdo, Giovanni Gabrieli e Claudio Monteverdi, que introduziriam avanços na harmonia e um senso de cor e timbre que enriqueceriam a música dando-lhe uma expressividade e dramatismo maneiristas e a preparariam para o Barroco. Monteverdi em especial é importante por ser o primeiro grande operista da história, e suas óperas L'Orfeo (1607) e L'Arianna (1608, perdida, só resta uma famosa ária, o Lamento) representam o nobre ocaso da música renascentista e os primeiros grandes marcos do barroco musical [41].

Exemplos musicais:

Giulio Caccini: Amor che attendi (ajuda·info)
Giovanni Croce: Cantate Domino (ajuda·info)
Jacob Arcadelt: Io dico che fra noi (ajuda·info)
Monteverdi: Lamento de L'Arianna (versão coral do autor, 1614) (ajuda·info)

Arquitetura

A permanência de muitos vestígios da Roma antiga em solo italiano jamais deixou de influir na plástica edificatória local, seja na utilização de elementos estruturais ou materiais usados pelos romanos, seja mantendo viva a memória das formas clássicas [42].

Mesmo assim, no Trecento o gótico continua a linha dominante e o classicismo só viria a emergir com força no século seguinte, em meio a um novo interesse pelas grandes realizações do passado. Esse interesse foi estimulado pela redescoberta de bibliografia clássica dada como perdida, como o De Architectura de Vitrúvio, encontrado na biblioteca do mosteiro de Monte Cassino em 1414 ou 1415.

Nele o autor exaltava o círculo como forma perfeita, e elaborava sobre proporções ideais da edificação e da figura humana, e sobre simetria e relações da arquitetura com o homem. Suas idéias seriam então desenvolvidas por outros arquitetos, como o primeiro grande expoente do classicismo arquitetônico, Filippo Brunelleschi, que tira sua inspiração também das ruínas que estudara em Roma. Foi o primeiro a usar modernamente as ordens arquitetônicas de maneira coerente, instaurando um novo sistema de proporções baseado na escala humana [43][44].

Também se deve a ele o uso precursor da perspectiva para representação ilusionística do espaço tridimensional em um plano bidimensional, uma técnica que seria aprofundada enormemente nos séculos vindouros e definiria todo o estilo da arte futura, inaugurando uma fertilíssima associação entre a arte e a ciência. Leon Battista Alberti é outro arquiteto de grande importância, considerado um perfeito exemplo do "homem universal" renascentista, versátil em várias especialidades. Foi o autor do tratado De re aedificatoria, que se tornaria canônico.

Outros arquitetos, artistas e filósofos acrescentaram à discussão, como Luca Pacioli em seu De Divina Proportione, Leonardo com seus desenhos de igrejas centradas e Francesco di Giorgio com o Trattato di architettura, ingegneria e arte militare.

Dentre as características mais notáveis da arquitetura renascentista está a retomada do modelo centralizado de templo, desenhado sobre uma cruz grega e coroado por uma cúpula, espelhando a popularização de conceitos da cosmologia neoplatônica e com a inspiração concomitante de edifícios-relíquias como o Panteão de Roma.

O primeiro desse gênero a ser edificado na Renascença foi talvez San Sebastiano, em Mântua, obra de Alberti de 1460, mas deixado inconcluso. Este modelo tinha como base uma escala mais humana, abandonando o intenso verticalismo das igrejas góticas e tendo na cúpula o coroamento de uma composição que primava pela inteligibilidade. Especialmente no que toca à estrutura e técnicas construtivas da cúpula, grandes conquistas foram feitas no Renascimento. Das mais importantes são a cúpula octogonal da Catedral de Florença, de Brunelleschi, que não usou andaimes apoiados no solo ou concreto na construção, e a da Basílica de São Pedro, em Roma, de Michelangelo, já do século XVI [45].

No lado profano aristocratas como os Medici, os Strozzi, os Pazzi, asseguram seu status ordenando a construção de palácios de grande imponência e originalidade, como o Palácio Pitti (Brunelleschi), o Palazzo Medici Riccardi (Michelozzo), o Palazzo Rucellai (Alberti) e o Palazzo Strozzi (Maiano), todos transformando o mesmo modelo dos palácios medievais italianos, de corpo mais ou menos cúbico, pavimentos de alto pé-direito, estruturado em torno de um pátio interno, de fachada rústica e coroado por grande cornija, o que lhes confere um aspecto de solidez e invencibilidade. Formas mais puramente clássicas são exemplificadas na Vila Medici, de Giuliano da Sangallo. Variações interessantes deste modelo são encontradas em Veneza, dadas as características alagadas do terreno [46].

Não se percebe uma descontinuidade marcante entre o século XV e o XVI na arquitetura. Depois da figura principal de Donato Bramante na Alta Renascença, trazendo o centro do interesse arquitetônico de Florença para Roma, e sendo o autor de um dos edifícios sacros mais modelares de sua geração, o Tempietto, encontramos o próprio Michelangelo, tido como o inventor da ordem colossal e por algum tempo arquiteto das obras da Basílica de São Pedro, e mais os nomes de Della Porta, Jacopo Sansovino, Domenico Fontana, Baldassare Peruzzi e Vignola, que gradualmente flexibilizam a estrutura do frontispício clássico e o emprego das ordens antigas, e introduzem organizações mais dinâmicas dos espaços internos e das fachadas. De todos os derradeiros renascentistas Palladio foi o mais influente, e seus princípios foram adotados em muitos países, com altos e baixos, até o século XX, tendo grandes seguidores em Inigo Jones, Richard Boyle, Edward Lovett Pearce, Giacomo Quarenghi e Giacomo Leoni, e até alcançaram a América fazendo disípulos em George Berkeley, James Hoban, Peter Harrison e mesmo no presidente dos EUA Thomas Jefferson, também arquiteto amador talentoso, dando origem ao chamado Estilo Federal [47].

Brunelleschi: Ospedale degli Innocenti, Florença
Brunelleschi: Ospedale degli Innocenti, Florença

Michelozzo Michelozzi: Palazzo Medici-Riccardi, Florença
Michelozzo Michelozzi: Palazzo Medici-Riccardi, Florença

Palladio: Villa Capra, 1566. Vicenza
Palladio: Villa Capra, 1566. Vicenza

Vignola: Palazzo Farnese, Caprarola
Vignola: Palazzo Farnese, Caprarola

A italianização da Europa

Com o crescente movimento de artistas, humanistas e professores entre as cidades ao norte dos Alpes e a península Itálica, e com a grande circulação de textos impressos e obras de arte através de reproduções em gravura, o classicismo iniciou em meados do século XV uma etapa de difusão por todo o continente.

Mas foram Francisco I da França e Carlos V, Sacro Imperador Romano, que logo reconheceram o potencial da Renascença italiana para promover suas imagens régias através de formas clássicas, os agentes decisivos para a divulgação intensiva da arte italiana além dos Alpes. Mas isso aconteceu apenas por volta do início do século XVI, quando o ciclo renascentista já tinha pelo menos duzentos anos de amadurecimento na Itália, já chegara a uma culminação e já estava se transformando em outra coisa.

Destarte, cabe advertir que não houve nada como um Quattrocento ou uma Alta Renascença no restante da Europa, pois nela não houve um lento e orgânico processo de classicização como o italiano, foi em muito um resultado de eventos políticos pontuais, mas de repercussão continental.

Como resultado, como se se abrissem de repente as comportas de uma represa, o vasto derrame de cultura italiana para o norte e o oeste depois das invasões na Itália gerou em cada região ou país uma original mescla de raízes locais tardo-góticas com o classicismo renascentista italiano em sua última encarnação, a que se deu o nome de Maneirismo.

França

A influência renascentista via Flandres e a Borgonha já existia desde o século XV, como se nota na produção de Jean Fouquet, mas a Guerra dos Cem Anos e as epidemias de peste atrasaram seu florescimento, que ocorre somente a partir da invasão francesa da Itália por Carlos VIII em 1494. O período se estende até cerca de 1610, mas seu final é tumultuado com as guerras de religião entre católicos e huguenotes, que devastaram e enfraqueceram o país.

Durante sua vigência a França inicia o desenvolvimento do absolutismo e se expande pelo mar explorando a América. O centro focal se estabelece em Fontainebleau, sede da corte, e ali se forma a Escola de Fontainebleau, integrada por franceses e italianos como Rosso, Primaticcio, Dell'Abbate e Toussaint Dubreuil, sendo uma referência para outros como François Clouet, Jean Clouet, Jean Goujon, Germain Pilon e Pierre Lescot. Leonardo também esteve presente ali.

Na música houve um enorme florescimento através da Escola da Borgonha, que dominou a cena musical européia durante o século XV e daria origem à Escola franco-flamenga, que produziria mestres como Josquin des Prez, Clément Janequin e Claude Le Jeune.

A chanson francesa do século XVI teria um papel na formação da canzona italiana, e sua Musique mesurée estabeleceria um padrão de escrita vocal declamatória na tentativa de recriação da música do teatro grego, e favoreceria a evolução para a plena tonalidade. Também apareceu um gênero de música sacra distinto de seus modelos italianos, conhecido como chanson spirituelle. Na arquitetura foram deixados monumentos ímpares como o Castelo de Chambord e o Château d'Amboise[48][49].

Na literatura se destacam Rabelais, um precursor do gênero fantástico, Montaigne, popularizador do gênero ensaio onde é até hoje um dos maiores nomes, e o grupo integrante da Plêiade, com Pierre de Ronsard, Joachim du Bellay e Jean-Antoine de Baïf, que buscavam um atualização vernácula da literatura greco-romana, a emulação de formas específicas e a criação de neologismos baseados no latim e no grego [50].

Exemplo musical:

Josquin Des Prez: Magnus est tu, Domine - Tu, pauperum refugium

Países Baixos e Alemanha

Os flamengos estavam em contato com a Itália desde o século XV, mas somente no século XVI o contexto se transforma e se caracteriza como renascentista, tendo uma vida relativamente curta. Nesta fase a região enriquece, a Reforma Protestante se torna uma força decisiva, oposta à dominação católica de Carlos V, levando a conflitos sérios que dividiriam a área.

As cidades comerciais de Bruxelas, Ghent e Bruges estreitam os contatos com o norte da Itália e encomendam obras ou atraem artistas italianos, como os arquitetos Tommaso Vincidor e Alessandro Pasqualini, que passaram a maior parte de suas vida ali.

O amor pela gravura trouxe para a região inúmeras reproduções de obras italianas, Dürer deixou uma marca indelével quando passou por lá, Erasmo mantinha aceso o Humanismo e Rafael mandava executar tapeçarias em Bruxelas. Vesálio faz avanços importantes na Anatomia, Mercator na Cartografia e a nova imprensa encontra em Antuérpia e Leuven condições para a fundação de editoras de larga influência.

Na música os Países Baixos, junto com o noroeste da França, se tornam o centro principal para toda a Europa através da Escola franco-flamenga. A pintura desenvolve uma escola original, que popularizou a pintura a óleo e dava enorme atenção ao detalhe e à linha, mantendo-se muito fiel à temática sacra e incorporando sua tradição gótica às inovações maneiristas italianas.

Teve em Jan van Eyck, Rogier van der Weyden e Hieronymus Bosch seus precursores no século XV, e logo a região daria sua contribuição própria à arte européia consolidando o paisagismo através de Joachim Patinir e a pintura de gênero com Pieter Brueghel o velho e Pieter Aertsen. Outros nomes notáveis são Mabuse, Maarten van Heemskerck, Quentin Matsys, Lucas van Leyden, Frans Floris, Adriaen Isenbrandt e Joos van Cleve [51][52].

A Alemanha impulsionou seu Renascimento fundindo seu rico passado gótico com os elementos italianos e flamengos. Um de seus primeiros mestres foi Konrad Witz, seguindo-se Albrecht Altdorfer e Dürer, que esteve em Veneza duas vezes e foi lá profundamente influenciado, lamentando ter de voltar para o norte. Junto com o erudito Johann Reuchlin, Dürer foi uma das maiores influências para disseminação do Renascimento no centro da Europa e também nos Países Baixos, onde suas célebres gravuras foram altamente elogiadas por Erasmo, que o chamou de "o Apeles das linhas negras".

A escola romana foi um elemento importante para a formação do estilo de Hans Burgkmair e Hans Holbein, ambos de Augsburgo, visitada por Ticiano [53][54]. Na música basta a menção a Orlande de Lassus, um integrante da Escola franco-flamenga radicado em Munique que se tornaria o compositor mais célebre da Europa em sua geração, a ponto de ser nobilitado pelo imperador Maximiliano II e tornado cavaleiro pelo papa Gregório XIII, algo extremamente raro para um músico.

Portugal e Espanha

Portugal, no século XVI tornado uma das maiores potências navais, auferiu lucros imensos com as navegações para o oriente, com sua colônia americana e o com tráfico de escravos, fazendo crescer a burguesia comercial e enriquecedo a nobreza, que podiam agora se entregar a grandes luxos e cultivar o espírito. O contato comercial com a França, Espanha, Países Baixos, Itália e Inglaterra é assíduo, e o intercâmbio cultural se intensificou.

O gótico local se mescla a estas influências estrangeiras e dá origem ao estilo manuelino, queproduziria monumentos altamente originais como o Mosteiro dos Jerônimos, a Igreja Matriz da Golegã, o Mosteiro de Santa Cruz e a Torre de Belém, e a jóia exótica da janela do Capítulo do Convento de Cristo, em Tomar. Se destacam personalidades como a do humanista Francisco de Holanda e dos artistas Grão Vasco, Diogo Boitaca, Nuno Gonçalves, Francisco de Arruda e, Luís Vaz de Camões, um dos mais célebres poetas de todos os tempos.

Na Espanha, as circunstâncias foram em vários pontos semelhantes. A reconquista do território espanhol aos árabes e o fantástico afluxo de riquezas das colônias americanas, com o intenso intercâmbio comercial e cultural associado, sustentaram uma fase de expansão e enriquecimento sem precedentes da arte local.

Artistas como Alonso Berruguete, Diego de Siloé, Tomás Luis de Vitoria, El Greco, Pedro Machuca, Juan Bautista de Toledo, Cristóbal de Morales, Garcilaso de la Vega, Juan de Herrera, Miguel de Cervantes e muitos mais deixaram obra notável em estilo clássico ou maneirista, mais dramático do que seus modelos italianos, já que o espírito da Contra-Reforma ali tinha ali um baluarte e em escritores sacros como Teresa de Ávila, Inácio de Loyola e João da Cruz grandes representantes. Particularmente na arquitetura a ornamentação luxuriante se torna típica do estilo que se conhece como plateresco, uma síntese única de influências góticas, mouriscas e renascentistas.

A Universidade de Salamanca, cujo ensino tinha moldes humanistas, mais a fixação de italianos como Pellegrino Tibaldi, Leone Leoni e Pompeo Leoni injetaram uma força adicional no processo [55][56]

O último Renascimento chega a cruzar o oceano e se enraizar na América e no oriente, onde ainda hoje sobrevivem muitos mosteiros e igrejas fundados pelos colonizadores espanhóis em centros do México e do Peru, e pelos portugueses no Brasil, em Macau e Goa, alguns deles hoje Patrimônio da Humanidade.

Inglaterra

Na Inglaterra, o Renascimento coincide com a chamada Era Elisabetana, de grande expansão marítima e de relativa estabilidade interna depois da devastação da longa Guerra das Rosas, quando se tornou possível pensar em cultura e arte. Como na maior parte dos outros países da Europa, a herança gótica ainda viva mesclou-se com referências da Renascença tardia, mas suas características distintivas são o predomínio da literatura e da música sobre as outras artes, e sua vigência até cerca de 1620.

Poetas como John Donne e Milton pesquisam novas formas de compreender a fé cristã, e dramaturgos como Shakespeare e Marlowe se movem com desenvoltura entre temas centrais da vida humana - a traição, a transcendência, a honra, o amor, a morte - em tragédias célebres como Romeu e Julieta, Macbeth, Otelo (Shakespeare), e Doutor Fausto (Marlowe), bem como sobre seus aspectos mais prosaicos e ligeiros em fábulas encantadoras como Sonho de uma noite de verão (Shakespeare).

Filósofos como Francis Bacon descortinam novos limites para o pensamento abstrato e refletem sobre uma sociedade ideal, e na música a escola madrigalesca italiana é assimilada por Thomas Morley, Thomas Weelkes, Orlando Gibbons e muitos outros, adquire um sabor inconfundivelmente local e cria uma tradição que permanece viva até hoje, ao lado de grandes polifonistas sacros como John Taverner, William Byrd e Thomas Tallis, este deixando o famoso moteto Spem in alium, para quarenta vozes divididas em oito coros, uma composição sem paralelos em sua época pela maestria no manejo de enormes massas vocais [57].

Críticas

Boa parte do debate moderno em torno do Renascimento tem procurado determinar se ele representou de fato uma melhoria em relação à Idade Média. Seus primeiros comentadores, como Michelet e Burckhardt não hesitaram em se posicionar favoravelmente e em considerá-lo uma fase decisiva em direção à modernidade, comparando-o à remoção de um véu dos olhos da humanidade, permitindo-lhe ver claramente [58]

Por outro lado, hoje muitos historiadores ressaltam que muitos dos fatores sociais negativos comumente associados à Idade Média - pobreza, perseguições religiosas e políticas - parecem ter piorado nesta era que viu nascerem Maquiavel, as guerras de religião, a corrupção do papado e a intensificação da caça às bruxas no século XVI. Muitas pessoas que viveram na Renascença não a tinham como a "Idade Dourada" que os intelectuais do século XIX imaginaram, mas estavam cientes dos graves problemas sociais e morais, como Savonarola, que desencadeou um dramático revivalismo religioso no fim do século XV que causou a destruição de inúmeras obras de arte e enfim o levou à morte na fogueira, e Filipe II da Espanha, que censurou obras de arte florentinas [59]. Mesmo assim, os intelectuais, artistas e patronos da época que estavam envolvidos na movimentação cultural realmente acreditavam que estavam testemunhando uma nova era que constituía uma ruptura nítida com a idade anterior [60].

Alguns historiadores marxistas preferem descrever o Renascimento em termos materialistas, sustentando que as mudanças em arte, literatura e filosofia eram apenas uma parte da tendência geral de distanciamento da sociedade feudalista em direção ao capitalismo, que resultou no aparecimento de uma classe burguesa que dispunha de tempo para se devotar às artes [61].

O recurso aos referenciais clássicos foi muitas vezes um pretexto para a legitimação dos propósitos da elite, e a inspiração na Roma republicana e principalmente na Roma imperial também deu margem à formação de um espírito de competitividade e mercenarismo que os arrivistas usaram para sua escalada social tantas vezes inescrupulosa [62]. Johan Huizinga reconheceu a existência da Renascença mas questionou se ela representou uma mudança positiva.

Em seu livro The Waning of the Middle Ages ele argumentou que o Renascimento foi um período de declínio em relação à Idade Média, destruindo muitas coisas que eram importantes [63]. Por exemplo, o latim havia conseguido evoluir e manter-se bastante vivo até lá, mas a obsessão pela pureza clássica interrompeu este processo natural e o fez reverter à sua forma clássica. Robert Lopez declarou que a fase foi de grande recessão econômica [64], enquanto que George Sarton e Lynn Thorndike especulam que talvez o progresso científico realizado tenha sido na verdade bem menos original do que se supõe [65].

Desta forma, muitos historiadores têm começado a pensar que o termo Renascimento tem sido por demais sobrecarregado com uma apreciação positiva, automaticamente desvalorizando a Idade Média, e preferem agora usar no lugar o termo "Primeira Modernidade", de caráter mais neutro e que o estabelece como uma passagem da Idade Média para Idade Moderna [66].

Legado

Mesmo com opiniões divergentes sobre aspectos particulares, hoje é um consenso que o Renascimento foi o arauto da era moderna. Foi um período em que muitas crenças arraigadas e tomadas como verdadeiras foram postas em discussão e testadas através de métodos científicos de investigação, inaugurando uma fase em que o predomínio da religião e seus dogmas deixou de ser absoluto e abriu caminho para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia como hoje as conhecemos.

Os filósofos renascentistas foram buscar na antigüidade precedentes para defender o regime republicano e a liberdade humana, atualizando idéias que tiveram um impacto na jurisprudência e teoria constitucional atuais, e o pensamento político da época pode ter sido uma inspiração importante para a formação de Estados modernos como a Inglaterra e o Estados Unidos [67].

No campo das artes visuais foram desenvolvidos recursos que possibilitaram um salto imenso em relação à Idade Média em termos de capacidade de representação do espaço, da natureza e do corpo humano, ressuscitando técnicas que haviam sido perdidas desde a antigüidade e criando outras inéditas a partir dali.

A linguagem arquitetônica dos palácios, igrejas e grandes monumentos que foi estabelecida a partir da herança clássica ainda hoje permenece válida e é empregada quando se deseja emprestar dignidade e importância à edificação moderna. Na literatura as línguas vernáculas se tornaram dignas de veicular cultura e conhecimento, e o estudo dos textos dos filósofos greco-romanos disseminou máximas ainda hoje presentes na voz popular e que incentivam valores elevados como o heroísmo, o espírito público e o altruísmo, que são peças fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e livre para todos.

A reverência pelo passado clássico e pelos seus melhores valores criou uma nova visão sobre a história e fundou a historiografia moderna, e proveu as bases para a formação de um sistema de ensino que na época se estendeu para além das elites e ainda hoje estrutura o currículo escolar de grande parte do ocidente e sustenta sua ordem social e seus sistemas de governo. Por fim, a fantástica produção artística renascentista que sobrevive em tantos países da Europa continua a atrair multidões de todas as partes do mundo e constitui parte significativa da própria definição de cultura ocidental [68].

Referências
  1. Há significativa variação nas datas conforme a região enfocada e o autor consultado. Os limites indicados aqui se referem a uma cronologia européia, e não apenas italiana
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  24. Cf. um resumo da polêmica em Hauser, Arnold. Op. cit. pp. 471 ss
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  68. Looking at the Renaissance: The Legacy of the Renaissance. The Open University [28]

Fonte: reocities.com

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