
A definição do romantismo, principalmente nas artes plásticas, é bastante polêmica. Sobretudo, é difícil estabelecer seu ponto de duração. Alguns acreditam que ele se estende desde meados do Século 18 até hoje, enquanto outros o vem como uma escola que floresceu entre os Séculos 18 e 19.
Além disso, a separação entre Romantismo e Neoclassicismo é outro ponto de difícil consenso entre os historiadores de arte.
Alguns críticos acreditam que essas tendências não têm, no fundo, tantas diferenças entre si, apresentando-se, antes, como as duas faces de uma mesma moeda.
Já outros estudiosos pensam que o romantismo é uma escola à parte, que se desenvolveu depois do neoclassicismo.
Acredita-se que, na música e na literatura, tenha sido mais fácil sua expressão como uma escola distinta das demais.
O romantismo, nas artes plásticas, talvez esteja mais ligado a um estado de espírito e crenças filosóficas do que a um estilo ou imagem visual específica.
Além disso, os próprios líderes do movimento romântico, nas artes plásticas, apresentam grande diferenciação entre si.
De uma forma geral, o romantismo caracteriza-se pela valoração da experiência individual e da imaginação como principal fonte de recursos para a expressão artística.
Além disso, esse movimento marcou uma revolta contra o conservadorismo nas artes, pautando-se, todavia, pela moderação.
Tanto como o Classicismo, aspectos como a virtude ou a grandeza são valorizados, bem como um modo de vida pertencente ao passado.

Um dos maiores méritos creditados aos artistas desse período foi terem conseguido imprimir mais liberdade à arte, dando espaço para suas próprias expressões pessoais, o que talvez, até então, somente um poeta poderia fazer.
O Gótico Revival, que foi a revalorização estética dos construções da Idade Média, em especial o estilo gótico, pelo menos em suas primeiras manifestações, pode ser considerado um aspecto do romantismo.
A partir do momento em que se desenvolve, entretanto, chega a ser considerado por alguns historiadores como uma escola própria, separada já do romantismo.
Um de seus maiores expoentes foi o inglês Horace Walpole (1717-1797), arquiteto amador e escritor, que tendo construído sua casa de campo Strawberry Hill, em Twickenham, como um castelo medieval, acabou por ajudar a estabelecer o estilo entre as construções do gênero do país.
Augustus Welby Pugin (1812-1852), também inglês, arquiteto, um dos nomes mais importantes do estilo na Inglaterra foi responsável pelos detalhes góticos nas Casas do Parlamento inglês.
Por fim, destaca-se o francês Eugène Viollet-le-Duc, que reconstruiu obras góticas e romanescas francesas, além de ter escrito um dicionário sobre a arquitetura francesa dos Séculos 11 a 14, popularizando bastante a estética medieval.
Na pintura romântica, destacam-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os países mais ligadas ao Romantismo.
O Romantismo na Inglaterra deveu muito a estrangeiros, principalmente os americanos Benjamin West (1738-1820) e John Singleton Copley (1738-1815).
WEST (Benjamin), pintor norte-americano (Springfield, 1738 - Londres, 1820). Trabalhando na Inglaterra, realizou retratos solenes e quadros históricos.
West foi o segundo presidente da Royal Academy, em Londres, pintor da corte de George 3º, conhecido entre outras coisas, por ter introduzido na tradicional academia britânica uma obra histórica com pessoas vestidas na maneira contemporânea ("A Morte de General Wolfe").
Copley é conhecido por seus retratos e obras como "Watson e o Tubarão", que narra um acidente ocorrido com um seu amigo Brook Watson.
Fonte: www.pitoresco.com.br
O termo romantismo pode apresentar uma série de significações: romant ou romaunt; língua românica ou neo-latina; narrativas escritas nesta língua; narrativas em geral; oposição ao termo Classicismo (romântico x clássico); movimento cultural e estético da primeira metade do século XIX; atualmente, sentimentalismo.
O Romantismo, apesar de estar relacionado aos sentimentos, refere-se à arte. As significações mais adequadas, das citadas acima, seriam "oposição ao termo Classicismo (romântico x clássico)" e "movimento cultural e estético da primeira metade do século XIX".
Provavelmente tem seu início na Escócia, Inglaterra e Alemanha, países europeus mais desenvolvidos, mas é na França, a partir do fim do século XVIII, mais precisamente a partir da Revolução Francesa de 1789, que o novo movimento ganha proporções revolucionárias.
Um caso interessante foi o do poeta escocês James Macpherson que, para obter prestígio, dizia psicografar poemas de Ossian poeta clássico, do século V a.C., que cultivava a oralidade da linguagem, o apego à natureza e os sentimentos, de onde surgiu o termo Ossianismo.
Na Alemanha, destaca-se a obra romântica Werther, de Göethe e, na Inglaterra, sobressaem-se os poetas Samuel Taylor, Coleridge, Shelley, Lord Byron e Wordsworth.
O Romantismo é um amplo movimento, que surgiu no século passado, e representa, na literatura e na arte em geral, os anseios da classe burguesa, que, na época, estava em ascensão. A literatura, portanto, abandona a aristocracia para caminhar ao lado do povo, da cultura leiga. Por esse motivo, acaba por ser também uma oposição ao Classicismo.
O Arcadismo também conhecido como Neoclassicismo, foi uma arte revolucionária, porque defendia os interesses da burguesia, classe social que promoveria a Revolução Francesa posteriormente. Todavia, identificava-se mais com a aristocracia, formada pela nobreza e pelo clero, já que, quanto ao aspecto estético, limitou-se a eliminar os exageros do Barroco e a retomar os modelos do Classicismo do século XVI.
Ao Romantismo, cabe a tarefa de criar uma linguagem nova, uma nova visão de mundo, identificada com os padrões simples de vida da classe média e da burguesia. Enquanto o Classicismo observava a realidade objetiva, exterior, e a reproduzia do mesmo modo, através de um processo mimético, sem deformar a realidade, o Romantismo deforma a realidade que, antes de ser exposta, passa pelo crivo da emoção.
A arte romântica inicia uma nova e importante etapa na literatura, voltada aos assuntos de seu tempo efervescência social e política, esperança e paixão, luta e revolução e ao cotidiano do homem burguês do século XIX; retrata uma nova atitude do homem perante si mesmo. O interesse dessa nova arte está voltado para a espontaneidade, os sentimentos e a simplicidade, opondo-se, desse modo, à arte clássica que cultivava a razão.
A arte, para o romântico, não pode se limitar à imitação, mas ser a expressão direta da emoção, da intuição, da inspiração e da espontaneidade vividas por ele na hora da criação, anulando, por assim dizer, o perfeccionismo tão exaltado pelos clássicos. Não há retoques após a concepção para não comprometer a autenticidade e a qualidade do trabalho.
Esses artistas vivem em busca de fortes emoções e aventuras na tentativa de colher experiências novas e criadoras. Alguns chegam até a se envolver com o alcoolismo e drogas ou com um sentimento de pessimismo, enquanto outros participam de lutas sociais.
O conceito grego de belo na arte, tão defendido pelos clássicos, que eliminavam as notas destoantes e apresentavam uma obra depurada, é abandonado pelos românticos, os quais passam a defender a união do grotesco e do sublime, ou seja, do feio e do bonito, assim como são as coisas na vida real. O Romantismo marca uma importante mudança de postura na arte a proximidade maior entre a vida e a obra, e entre a obra e a realidade.
Nenhum movimento literário-artístico foi tão rebelde e revolucionário como o romântico, em que a regra maior é a inspiração individual. Aliás, os gêneros literários rígidos faziam lembrar a hierarquia social, anterior à Revolução Francesa. O Romantismo surge com o liberalismo, filosofia que promove o eu individual, divulgada pela Revolução Francesa, cujos ideais eram: a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Enquanto a Revolução Francesa chega ao poder, quebrando a hierarquia social e destruindo a aristocracia, o Romantismo destrói as regras e as formas preestabelecidas, abandonado a elite e chegando ao povo.
Sumariamente, pode-se estabelecer alguns pontos fundamentais e contraditórios entre o Romantismo e o Classicismo, na verdade cultivado pela escola anterior à arte romântica, isto é, pelo Arcadismo (ou Neoclassicismo). São eles:
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CLASSICISMO |
ROMANTISMO |
|---|---|
|
razão |
emoção |
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mimesis; imitação da realidade |
teoria expressiva; expressão do próprio eu |
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objetividade |
subjetividade |
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universalismo (o mundo) |
individualismo (o eu) |
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Amor (extratemporal, extra-espacial, universal) |
"meu amor" |
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imitação de modelos (formas fixas) |
inspiração ou liberdade criativa |
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realidade objetiva (mundo exterior) |
realidade subjetiva (mundo interior) |
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equilíbrio |
contradição |
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ordem |
reformismo |
Além das características já observadas, há outras que merecem destaque ou ser vistas com maior aprofundamento:
subjetivismo: o romântico quer retratar em sua obra uma realidade interior e parcial. Trata os assuntos de uma forma pessoal, de acordo com o que sente, aproximando-se da fantasia.
idealização: motivado pela fantasia e pela imaginação, o artista romântico passa a idealizar tudo; as coisas não são vistas como realmente são, mas como deveriam ser segundo uma ótica pessoal. Assim, a pátria é sempre perfeita; a mulher é vista como virgem, frágil, bela, submissa e inatingível; o amor, quase sempre, é espiritual e inalcançável; o índio, ainda que moldado segundo modelos europeus, é o herói nacional.
sentimentalismo: exaltam-se os sentidos, e tudo o que é provocado pelo impulso é permitido. Certos sentimentos, como a saudade (saudosismo), a tristeza, a nostalgia e a desilusão, são constantes na obra romântica.
egocentrismo: cultua-se o "eu" interior, atitude narcisista, em que o individualismo prevalece; microcosmos (mundo interior) X macrocosmos (mundo exterior).
liberdade de criação: todo tipo de padrão clássico preestabelecido é abolido. O escritor romântico recusa formas poéticas, usa o verso livre e branco, libertando-se dos modelos greco-latinos, tão valorizados pelos clássicos, e aproximando-se da linguagem coloquial.
medievalismo: há um grande interesse dos românticos pelas origens de seu país, de seu povo. Na Europa, retornam à Idade Média e cultuam seus valores, por ser uma época obscura. Tanto é assim que o mundo medieval é considerado a "noite da humanidade"; o que não é muito claro, aguça a imaginação, a fantasia. No Brasil, o índio representa o papel de nosso passado medieval e vivo.
pessimismo: conhecido como o "mal-do-século". O artista se vê diante da impossibilidade de realizar o sonho do "eu" e, desse modo, cai em profunda tristeza, angústia, solidão, inquietação, desespero, frustração, levando-o, muitas vezes, ao suicídio, solução definitiva para o mal-do-século.
escapismo psicológico: espécie de fuga. Já que o romântico não aceita a realidade, volta ao passado, individual (fatos ligados ao seu próprio passado, a sua infância) ou histórico (época medieval).
condoreirismo: corrente de poesia político-social, com grande repercussão entre os poetas da terceira geração romântica. Os poetas condoreiros, influenciados pelo escritor Victor Hugo, defendem a justiça social e a liberdade.
byronismo: atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda geração romântica e relacionada ao poeta inglês Lord Byron. Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de ver o mundo; um estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo é egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica.
religiosidade: como uma reação ao Racionalismo materialista dos clássicos, a vida espiritual e a crença em Deus são enfocadas como pontos de apoio ou válvulas de escape diante das frustrações do mundo real.
culto ao fantástico: a presença do mistério, do sobrenatural, representando o sonho, a imaginação; frutos da pura fantasia, que não carecem de fundamentação lógica, do uso da razão.
nativismo: fascinação pela natureza. O artista se vê totalmente envolvido por paisagens exóticas, como se ele fosse uma continuação da natureza. Muitas vezes, o nacionalismo romântico é exaltado através da natureza, da força da paisagem.
nacionalismo ou patriotismo: exaltação da Pátria, de forma exagerada, em que somente as qualidades são enaltecidas.
luta entre o liberalismo e o absolutismo: poder do povo X poder da monarquia. Até na escolha do herói, o romântico dificilmente optava por um nobre. Geralmente, adotava heróis grandiosos, muitas vezes personagens históricos, que foram de algum modo infelizes: vida trágica, amantes recusados, patriotas exilados.
Iniciou-se em 1825, Almeida Garrett publicou o poema Camões, biografia do célebre poeta, em versos brancos, que retratava principalmente o sentimentalismo. O Romantismo durou cerca de 40 anos e termina por volta de 1865, com a Questão Coimbrã ou Questão do Bom Senso e do Bom Gosto, encabeçada por Antero de Quental. Assim como em outros países, o Romantismo português uniu-se ao liberalismo e à ideologia burguesa.
O movimento romântico nasceu dentro de uma atmosfera política bastante conturbada, que defendia a implantação do liberalismo no país. Esse movimento tinha por objetivo a implantação de uma política de cortes, eleita por todas as classes sociais. De um lado, D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) representava o liberalismo; de outro, D. Miguel, seu irmão absolutista. Derrotado, D. Pedro cede o trono português ao irmão e só consegue reavê-lo em 1834, quando o liberalismo finalmente vence.
É em meio a esse desenrolar de anos tão caóticos, de lutas entre liberais e conservadores, que os românticos foram implantando as reformas literárias.
Há três momentos distintos no desenvolvimento do Romantismo português:
1º Romantismo (ou primeira geração): atuante entre os anos de 1825 e 1840, ainda bastante ligado ao Classicismo, contribui para a consolidação do liberalismo em Portugal, Os ideais românticos dessa geração estão embasados na pureza e originalidade. Principais escritores: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antônio Feliciano de Castilho.
2º Romantismo (ou segunda geração): também conhecido como Ultra-Romantismo, marcado pelo exagero, desequilíbrio, sentimentalismo, prevalece até 1860. Principais escritores: Camilo Castelo Branco e Soares Passos.
3º Romantismo ( ou terceira geração): de 1860 a 1870, é considerado momento de transição, por já anunciar o Realismo. Traz um Romantismo mais equilibrado, regenerado (corrigido, reconstituído). Principais escritores: João de Deus, na poesia, e Júlio Dinis, na prosa.
Além da poesia e do romance, nesses três momentos românticos, desenvolveram-se ainda o teatro, a historiografia e o jornalismo de forma nunca vista antes em Portugal.
O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois de nossa independência política. Por isso, as primeiras obras e os primeiros artistas românicos estão empenhados em definir um perfil da cultura brasileira em vários aspectos: a língua, a etnia, as tradições, o passado histórico, as diferenças regionais, a religião, etc. Pode-se dizer que o nacionalismo é o traço essencial que caracteriza a produção de nossos primeiros escritores românticos, como é o caso de Gonçalves Dias.
A história do Romantismo no Brasil confunde-se com a própria história política brasileira da primeira metade do século passado. Com a invasão de Portugal por Napoleão, a Coroa portuguesa muda-se para o Brasil em 1808 e eleva a colônia à categoria de Reino Unido, ao lado de Portugal e Algarves.
As conseqüências desse fato são inúmeras. A vida brasileira altera-se profundamente, o que de certa forma contribui para o processo de independência política da nação. Dentre essas conseqüências, "a proteção ao comércio, à indústria, à agricultura; as reformas do ensino, criações de escolas de nível superior e até o plano, que se realizou, de criação de uma universidade; as missões culturais estrangeiras, convidadas e aceitas pela hospitalidade oficial, no setor das artes e das ciências; as possibilidades para o comércio do livro; a criação de tipografias, princípios de atividade editorial e da imprensa periódica; a instalação de biblioteca pública, museus, arquivos; o cultivo da pela oratória religiosa e das representações cênicas".
A dinamização da vida cultural da colônia e a criação de um público leitor (mesmo que, inicialmente, de jornais) criam algumas das condições necessárias para o florescimento de uma literatura mais consistente e orgânica do que eram as manifestações literárias dos séculos XVII e XVIII.
A Independência política, de 1822, desperta na consciência de intelectuais e artistas nacionais a necessidade de criar uma cultura brasileira identificada com suas próprias raízes históricas, lingüísticas e culturais.
O Romantismo, além de seu significado primeiro o de ser uma reação à tradição clássica, assume e. nossa literatura a conotação de um movimento anticolonialista e antilusitano, ou seja, de rejeição à literatura produzida na época colonial, em virtude do apego dessa produção aos modelos culturais portugueses.
Portanto, um dos traços essenciais de nosso Romantismo é o nacionalismo, que orientará o movimento e lhe abrirá um rico leque de possibilidades a serem exploradas. Dentre elas se destacam: o indianismo, o regionalismo, a pesquisa histórica, folclórica e lingüística, além da crítica aos problemas nacionais todas elas posturas comprometidas com o projeto de construção de uma identidade nacional.
Tradicionalmente se tem apontado a publicação da obra Suspiros poéticos e saudades (l836), de Gonçalves de Magalhães, como o marco inicial do Romantismo no Brasil. A importância dessa obra reside muito mais nas novidades teóricas de seu prólogo, em que Magalhães anuncia a revolução literária romântica, do que propriamente na execução dessas teorias.
Tradicionalmente se têm apontado três gerações de escritores românticos. Essa divisão, contudo, engloba principalmente os autores de poesia. Os romancistas não se enquadram muito bem nessa divisão, uma vez que suas obras podem apresentar traços de mais de uma geração.
Assim, as três gerações de poetas românticos brasileiros são:
primeira geração: nacionalista, indianista e religiosa. Destacam-se os poetas Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. A geração nacionalista é impulsionada pelos valores nacionais, introduz e solidifica o Romantismo no Brasil.
segunda geração: marcada pelo "mal do século", apresenta egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração pela morte. Destacam-se os poetas Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. Essa geração é conhecida também por Ultra-Romantismo, devido à forte influência byroniana. Além das mencionadas acima, há ainda o determinismo, vítimas de destino, melancolia, desejo de evasão, recordação de um passado longínquo, que não tiveram, cansaço da vida antes de tê-la vivido.
terceira geração: formada pelo grupo condoreiro, desenvolve uma poesia de cunho político e social. A maior expressão desse grupo é Castro Alves. Essa última geração condoreira vive um clima de intensa agitação interna: Guerra do Paraguai, lutas abolicionistas, propaganda republicana. O poeta torna-se o porta-voz das aspirações sociais e seus versos são armas usadas nas lutas liberais.
O Romantismo brasileiro contou com um grande número de escritores, com uma vasta produção, que, em resumo, pode ser assim apresentada:
na lírica: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Álvares de Azevedo, Cardoso de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire, Castro Alves e Sousândrade, dentre outros.
na épica: Gonçalves Dias e Castro Alves.
no romance: José de Alencar, Manoel Antônio de Almeida, Joaquim. Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay, Franklin Távora e outros.
no conto: Álvares de Azevedo.
no teatro: Martins Pena, José de Alencar, Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e outro.
Fonte: www.crazymania.com.br
O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou durante grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que aparentemente se perdera. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideiais utópicos. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo romantismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu surgimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Bocage.

Romantismo surge inicialmente naquela que futuramente seria a Alemanha (tendo o movimento, inclusive, fundamental importância na unificação germânica) com o movimento Sturm und Drang e na Inglaterra.
O Romantismo viria a se manifestar de formas bastante variadas nas diferentes artes e marcará sobretudo a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao Realismo.
Segundo Giulio Carlo Argan na sua obra Arte moderna, o Romantismo e o neoclassicismo são simplesmente duas faces de uma mesma moeda. Enquanto o neoclássico busca um ideal sublime, objetivando o mundo, o romântico faz o mesmo, embora tenda a subjetivar o mundo exterior. Os dois movimentos estão interligados, portanto, pela idealização da realidade (mesmo que com resultados diversos).

As primeiras manifestações românticas na pintura ocorreram quando Francisco Goya passa a pintar depois de começar a perder a visão. Um quadro de temática neoclássica como Saturno devorando seus filhos, por exemplo, apresenta uma série de emoções para o espectador que o fazem se sentir inseguro e angustiado. Goya cria um jogo de luz-e-sombra de forma a acentuar a situação dramática representada.
Apesar de Goya ter sido um acadêmico, o Romantismo somente chegaria à Academia mais tarde.
O francês Eugène Delacroix é considerado o pintor romântico por excelência. Sua tela A Liberdade guiando o povo reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que estrutura-se em um turbilhão de formas. O tema são os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade (retratados aqui por uma mulher carregando a bandeira da França). O artista coloca-se metaforicamente como um revolucionário ao se retratar em um personagem da turba, apesar de olhar com uma certa reserva para os acontecimentos (refletindo a influência burguesa no romantismo). Esta é provavelmente a obra romântica mais conhecida.
A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do Romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza em seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos pólos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. O pintor inglês William Turner refletiu este espírito em obras como Mar em tempestade onde o retrato de um fenômeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados.
O Romantismo surge na literatura quando o escritor troca o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não compreende os valores literários clássicos e aprecia mais a emoção que a sutileza.
Bocage concretiza a fase final e insanável do conflito entre o Arcadismo e o Romantismo entre dependência relativamente às instituições feudais absolutistas e relativamente ao público editorial: “a poesia desce do salão a praça”. Enquanto na Inglaterra essa mudança é mais uma transição vindo desde Shakespeare, na França há clara ruptura.
Tendo o liberalismo como referência ideológica, o Romantismo renega as formas rígidas da literatura, como versos de métrica exata. O romance se torna o gênero narrativo preferencial, em oposição a epopéia. É a superação da Poética, tão valorizada pelos clássicos.
Os aspectos fundamentais da temática romântica são o historicismo e o individualismo. O historicismo está representado nas obras de Walter Scott (Inglaterra), Vitor Hugo (França), Almeida Garrett (Portugal), José de Alencar (Brasil), entre tantos outros. São resgates históricos apaixonados e saudosos.
O individualismo traz consigo o culto do egocentrismo e da auto análise, melancolia e pessimismo (mal do século). O movimento mais importante dessa corrente - e fundador do romantismo na Europa - é chamado Sturm und Drang (literalmente, tempestade e ímpeto), que teve o poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe como seu mais famoso representante.
Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) de Goethe marca o auge do Romantismo mórbido, obra de intensa subjetividade a respeito de um amor impossível para seu protagonista (Werther), e causa uma tal comoção à sua época que uma onda de suicídios entre jovens é atribuída à leitura do volume.
Fonte: pt.wikipedia.org.br