Tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo.
Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção.
As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).
O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya (1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837).
O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).
A poesia lírica é a principal expressão. Também são freqüentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. O marco da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827).
O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. O poeta fundamental do romantismo inglês é Lord Byron (1788-1824). Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott (1771-1832). Na Alemanha, o expoente é Goethe (1749-1832), autor de Fausto.
O romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo (1802-1885), autor de Os Miseráveis. Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros.
Os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.
A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo.
De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828).
O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.
A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare (1564-1616) e situações próximas do cotidiano são as principais características.
O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron (1788-1824), de Marino Faliero.
O romantismo surge em 1830, influenciado pela independência, em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas ligados à natureza e às questões político-sociais. Defende a liberdade de criação e privilegia a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade, a natureza, os temas nacionais, as questões político-sociais e o passado.
Artes plásticas
Os artistas dedicam-se a pinturas históricas, que enaltecem o Império e o nacionalismo oficial. Exemplos são as telas A Batalha de Guararapes, de Victor Meirelles (1832-1903), e A Batalha do Avaí, de Pedro Américo. O romantismo também influencia as obras dos pintores Araújo Porto Alegre (1806-1879) e Rodolfo Amoêdo (1857-1941).
Literatura
O marco inicial do romantismo brasileiro é a publicação, em 1836, de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). A produção literária passa por quatro fases. A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade, o nacionalismo e a natureza. Seus expoentes são Araújo Porto Alegre e Gonçalves de Magalhães.
Na segunda (1840-1850) predominam a descrição da natureza, a idealização do índio e o romance de costumes. Os destaques são Gonçalves Dias, poeta de Canção dos Tamoios, José de Alencar, autor de O Guarani, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), de A Moreninha.
Na terceira (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e preponderam o individualismo, a subjetividade e a desilusão. Na poesia sobressaem Álvares de Azevedo, de Lira dos Vinte Anos, Casimiro de Abreu (1839-1860), de Primaveras, e Fagundes Varela (1841-1875), de Cantos e Fantasias. Na prosa consolidam-se as obras de José de Alencar, com Senhora, e Bernardo Guimarães (1825-1884), com A Escrava Isaura.
Destaca-se ainda Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), com Memórias de um Sargento de Milícias.
Na última fase (1860-1880), época de transição para o realismo e o parnasianismo, prevalece o caráter social e liberal ligado à abolição da escravatura. O grande nome na poesia é Castro Alves, autor de O Navio Negreiro. Outro poeta importante é Sousândrade (1833-1902), de Guesa. Na prosa destacam-se Franklin Távora (1842-1888), de O Cabeleira, e Machado de Assis, em suas primeiras obras, como Helena. Com o romantismo surgem as primeiras produções do regionalismo, que retrata de forma idealizada tipos e cenários de regiões do país.
Música
Os compositores buscam liberdade de expressão e valorizam a emoção. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista. A ópera se desenvolve no país. Seus principais representantes são Carlos Gomes, autor de O Guarani, e Elias Álvares Lobo (1834-1901). Eles são auxiliados por libretistas como Machado de Assis e José de Alencar. Em 1863 estréia Joana de Flandres, de Carlos Gomes, com texto em português. A última ópera apresentada nesse período é O Vagabundo, de Henrique Alves de Mesquita (1830-1906). Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Sobressaem Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Luciano Gallet (1893-1931).
Teatro
Desenvolve-se a partir da chegada da corte portuguesa, em 1808. A primeira peça é a tragédia Antônio José ou o Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, encenada por João Caetano (1808-1863).
Martins Pena, autor de O Noviço, é considerado o primeiro dramaturgo brasileiro importante. Individualismo, subjetividade, religiosidade e situações cotidianas são as principais características do período.
Fonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br

Jovem Lendo (1776), Jean-Honoré Fragonard, retrata o interesse feminino
pela literatura, que mostrava sua alma e suas emoções.
Surgido no final do século XVIII e início do século XIX, o Romantismo se desenvolve na Europa em um momento histórico marcado pela ascensão da burguesia e dos ideais da Revolução Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade. No Brasil, o seu surgimento foi influenciado pelas últimas produções árcades e pelo sentimento de nacionalismo advindo da situação de independência.
O Romantismo foi a primeira vertente literária ocidental a rejeitar o modelo clássico. Esta ruptura reflete uma busca por uma produção original, baseada em mitos próprios, e não em clichês e imitações. Também se rejeita o “normativismo” disciplinador da estética e as produções são norteadas fundamentalmente pela liberdade criativa.
Ainda como reflexo da ruptura anti-clássica, nota-se a substituição dos temas universalistas por temas locais. Muitas vezes o romantismo tende para a literatura tópica, com a análise da história, da paisagem e dos costumes regionais.
Uma das principais características deste movimento é a perspectiva individual do mundo (estética centrada no eu-emissor). Evidencia-se o mundo interior do artista e os reflexos e emoções desencadeadas pela realidade externa.
Essa abordagem emocional e individual traduz-se em diversas características:
Na linguagem:
Predomina a função emotiva (centrada no emissor) e às vezes apelativa ou conativa (centrada no receptor).
Dirigismo da obra
O autor projeta na obra o seu gosto e o do leitor, muitas vezes furtando-se da análise da realidade.
O choque Eu X Mundo
É evidenciado pela visão subjetiva e pessoal da realidade.
Esse conflito com o mundo exterior pode resultar em duas posturas distintas:
a) A atitude reformista, típica do Romantismo Social, também marcado pelo engajamento do poeta que deseja transformar a realidade, através da denúncia das opressões e do humanitarismo em prol dos oprimidos.
b) O escapismo do Romantismo Individualista, em que o eu-poético fecha-se em seu próprio mundo em razão da desilusão com o social, podendo assumir uma atitude sonhadora, idealizando a realidade, ou uma atitude fugaz e melancólica, que ressalta a solidão e a morte.
Destacam-se ainda outros traços importantes, como:
O nacionalismo, evidenciado por uma imagem mitificada da pátria e pela busca de uma cor local em oposição ao mundo europeu.
A idealização da mulher, que é endeusada e associada à figura angelical. Inatingível, ela é vista como dotada do poder de transformar a vida do homem reorganizando o caos em que vive.
O culto à natureza, que aparece dinâmica (diferente da abordagem árcade, em que é estaticamente descrita) e associada aos estados íntimos do artista. A natureza se apresenta como entidade de culto (Panteísmo), como lugar de refúgio do poeta, como fonte de inspiração, ou mesmo como antítese da civilização.
O retorno ao passado, também adotado como uma forma de escapismo. Aparece tanto com relação a um passado histórico (resgate medieval ou das origens da pátria), ou a um passado individual (resgate da infância, época feliz e livre de conflitos).
Iniciada pela publicação de “Suspiros Poéticos e Saudades” (obra de temática religiosa e nacionalista), de Gonçalves de Magalhães, esta é a geração nacional-indianista, marcada pela mitificação da natureza (Panteísmo), da pátria (nacionalismo) e do índio (indianismo), símbolo do espírito nacional em oposição à herança portuguesa. Ocorre no contexto inicial do Romantismo, e apesar de rejeitar a visão iluminista de homem racional, salientando o homem emotivo, psicológico e intuitivo, essa geração sofre influência de Jean-Jacques Rousseau (iluminista), na concepção do “mito do bom selvagem”.A independência do Brasil (1822), acaba por fortalecer o sentimento nativista. Os principais poetas foram Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.
2ª Geração (1850 – 1870)
Também denominada de Mal-do-século, Ultra-romantismo ou Byronismo (homenagem ao poeta Lord Byron, da Inglaterra), esta geração foi marcada pela desilusão, pelo egocentrismo, pelo narcisismo, pelo negativismo boêmio e pelo escapismo dos artistas. O contexto histórico (frustração das promessas burguesas revolucionárias), reflete nessa atitude, pois ocasiona a desilusão em torno das mudanças sociais. Destacam-se os poetas Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire.
3ª Geração (1870 – 1881)
O seu marco inicial foi a publicação de “Espumas Flutuantes”
de Castro Alves. É também conhecida como Geração
Condoreira (alusão à altivez do pássaro Condor) ou Hugoana
(Influência de Victor Hugo, escritor francês) e é impregnada
pela indignação e pela crítica social relacionada às
lutas abolicionistas. A sua linguagem é declamatória, passional,
marcada por hipérboles, metáforas e alegorias. Destacam-se Fagundes
Varela, Tobias Barreto e principalmente Castro Alves, um dos mais legítimos
representantes da atitude condoreira, fundador da poesia social e engajada
no Brasil, também conhecido como “O poeta dos escravos”,
devido ao tratamento crítico dado à causa dos negros escravos.
Inicia-se apenas em meados do século XIX, a partir do contato com outras nações advindo da independência (países como França, Inglaterra e Alemanha já tinham a tradição da ficção). O romance pioneiro surge dotado de algumas peculiaridades, como o episodismo (sobreposição dos episódios à análise dos fatos), o oralismo (o narrador é um contador de histórias), a linearidade (segue-se a ordem cronológica normal dos fatos da vida), a idealização (no ambiente, no enredo e nos personagens - homem, herói autêntico e generoso e mulher, feminina, ingênua e fiel).
O romance nasce em meio a uma busca pela identidade nacional brasileira e a identificação dos espaços nacionais caracteriza a formação das quatro linhas temáticas: o espaço da selva é retratado pelos Romances Indianista e Histórico; o campo aparece no Romance Regionalista; a vida na cidade é trazida pelo Romance Urbano.
Vejamos cada uma destas linhas:
1. Romance Indianista
Caracterizado pela idealização do Índio, que não é visto em sua realidade sócio-antropológica, mas sim de uma maneira lírica e poética, figurando como o protótipo de uma raça ideal. Materializa-se no índio o “mito do bom selvagem” de Rousseau (o homem é bom por natureza e o mundo é que o corrompe).
Há harmonização das diferenças entre as culturas européia e americana. O índio é mostrado em diversas condições, como é possível notar nas obras de José de Alencar: em “Ubirajara”, aparece o índio primordial, sem o contato urbano; em “O Guarani”, é mostrado o contato o branco e em “Iracema”, aborda-se a miscigenação.
2. Romance Histórico
Revela o resgate da nacionalidade a partir da criação de uma visão poética e heróica das origens nacionais. É comum ocorrer a mistura de mito e realidade. Destacam-se as obras ”As Minas de Prata” e “A guerra dos Mascates”, de José de Alencar.
3. Romance Regionalista
Também conhecido como Sertanista, é marcada pela idealização do homem do campo. O sertanejo é mostrado, não diante dos seus verdadeiros conflitos, mas de uma maneira mitificada, como um protótipo de bravura, honra e lealdade. Trata-se aqui de um regionalismo sem tensão crítica. Destacam-se obras de José de Alencar (“O Sertanejo”, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “O Gaúcho”), Visconde de Taunay (“Inocência”), Bernardo Guimarães (“O Garimpeiro”) e Franklin Távora, que com “O Cabeleira” diferencia-se dos demais apresentando certa tensão social que pode ser enquadrada como pré-realista.
4. Romance Social Urbano
Retrata o ambiente da aristocracia burguesa, seus hábitos e costumes refinados, seus padrões de comportamento, sendo raro interesse pela periferia. Os enredos são em geral triviais, tratando das tramas amorosas e mexericos da sociedade. Os perfis femininos são temas comuns, como em “Diva”, “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar e em “Helena”, “A Mão e a Luva” e “Iaiá Gracia”, de Machado de Assis.
É importante perceber que alguns desses romances, Tratando do ciclo social urbano, já revelavam características realistas em seus enredos, como algumas análises psicológicas e sintomas de degradação social.
Fonte: www.portaltosabendo.com.br