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Trovadorismo



Trovadorismo

Trovadorismo
(1189/1198)

INÍCIO: Canção da Ribeirinha - Paio Soares de Taveirós
TÉRMINO: Fernão Lopes é eleito cronista-mor da torre do Tombo

Painel de Época

Cantigas Líricas

Cantigas Líricas
Cantigas Líricas

Cantigas de Amor

Quer’eu em maneira de proença!
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar lmia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi ém:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quizo Deus fazer tal,
quando a faz, que a fez sabedord
e todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sém,
e desi nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis lh’outra
foss’igual
Ca mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem, e riir melhor
que outra molher; desi é leal
muit’, e por esto nom sei oj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom á, tra-lo seu bem, al.

(D. Dinis )

Tradução

Quero à moda provençal
fazer agora um cantar de amor,
e quererei muito aí louvar minha senhora
a quem honra nem formosura não faltam
nem bondade; e mais vos direi sobre ela:
Deus a fez tão cheia de qualidades
que ela mais que todas do mundo.
Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo
quando a fez, que a fez conhecedora de
todo bem e de muito grande valor,
e além de tudo isto é muito sociável
quando deve; também deu-lhe bom senso,
e desde então lhe fez pouco bem
impedindo que nenhuma outra fosse igual a ela
Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal,
mas pôs nela honra e beleza e mérito
e capacidade de falar bem, e de rir melhor
que outra mulher também é muito leal
e por isto não sei hoje quem
possa cabalmente falar no seu próprio bem
pois não há outro bem, para além do seu.

Explicação

Voz lírica masculina: "Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo”

Tratamento dando à mulher: mia senhor.

Idealização da mulher: "a quem honra nem formosura não faltam ”

Submissão excessiva amorosa

No texto, temos um típico exemplo do amor cortês, com o trovador confessando o seu amor pela mulher, assumindo-a como superior a ele.

Cantigas Satíricas

Cantigas Satíricas
Cantigas Satíricas

Cantigas de Escárnio

Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi pardom,
pois avedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero ja loar toda via;
e vedes qual sera a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora ja um bom cantrar farei,
em que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

(Joan Garcia de Guilhade )

Tradução

Ai, dona feia, foste-vos queixar
que nunca vos louvo em meu cantar;
mas agora quero fazer um cantar
em que vos louvares de qualquer modo;
e vede como quero vos louvar
dona feia, velha e maluca!
Dona feia, que Deus me perdoe,
pois tendes tão grande desejo
de que eu vos louve, por este motivo
quero vos louvar já de qualquer modo;
e vede qual será a louvação:
dona feia, velha e maluca!
Dona feia, eu nunca vos louvei
em meu trovar, embora tenha trovado muito;
mas agora já farei um bom cantar;
em que vos louvarei de qualquer modo;
e vos direi como vos louvarei:
dona feia, velha e maluca!

Explicação

Indiretas: "Ai dona fea! foste-vos queixar”

Uso da ironia e do equívoco: "mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei toda via;”

No escárnio anterior, o autor promete falar em sua poesia de uma mulher que reclamou dele por nunca tê-la citado ou elogiado numa de suas cantigas. Mas, visivelmente irritado com isso, ele a chama de feia, velha e louca.

Cantigas de Maldizer

Marinha, o teu folgar tenho eu por desacertado,
e ando maravilhado
de te não ver rebentar;
pois tapo com esta minha
boca, a tua boca, Marinha;
e com este nariz meu,
tapo eu, Marinha, o teu;
com as mãos tapo as orelhas,os olhos e as sobrancelhas,
tapo-te ao primeiro sono;
com a minha piça o teu cono;
e como o não faz nenhum,
com os colhões te tapo o cu.
E não rebentas, Marinha?

(Afonso Eanes de Coton)

Explicação

Diretas, sem equívocos: " Marinha, o teu folgar”

Intenção difamatória: "E não rebentas, Marinha?”

Palavrões e xingamentos: "com os colhões te tapo o cu”

Texto Desenvolvido por

Deborah K. Oliveira

Fonte: www.geocities.com

Trovadorismo

Tempo

Fim da Idade Média

Linguagem

Galego-português

Trovador- quem canta (cantor + poeta)

Cantigas- poesias cantadas pelos trovadores que iam de feudo em feudo interpretar suas músicas.

Religião

Catolicismo (Cristo como exemplo de vida. Vida dolorosa. Maria como mulher ideal-culto marial)

Feudalismo

A ideia de senhor feudal e servo passa para literatura, onde a mulher é senhor do trovador vassalo.

Teocentrismo

Cavalaria: A vida masculina é repleta de aventuras, enquanto a da mulher é marcada pela espera, submissão e pelo cotidiano.

Tipos de cantigas

Cantiga de amor

Eu-lírico masculino
Amor platônico/ idealizado
Segue as "Regras do amor cortês", a senhora não pode ter seu nome revelado.
Usa-se mia senhor para as senhoras
Coita (sofrimento amoroso)
Imaginário masculino: Idealista
A ansiedade masculina é marcada pelas afirmações (eu quero)

Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós

No mundo non me sei parelha,
Mentre me for como me vai,
Cá já moiro por vós, e - ai!
Mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraya
Quando vos eu vi em saya!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
Me foi a mi mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
Dhaver eu por vós guarvaia,
Pois eu, mia senhor, dalfaia
Nunca de vós houve nem hei
Valia dua correa.

Cantiga de amigo

Eu-lírico feminino
O amigo na verdade é o amante
Amor concretizado
Cantigas de camponesas
Tema principal: saudade e abandono
Paralelísmo (refrão)
O interlocutor (com quem o eu-lírico conversa) é um elemento da natureza ou a mãe ou a irmã.
Imaginário feminino: cotidiano
A ansiedade feminina é marcada pelas interrogações (será?)

Cantiga de amigo de Martim Codax (paralelística)

Ondas do mar de Vigo,
Se vistes meu amigo!
E ai Deus se verrá cedo!

Ondas do mar levado,
Se vistes meu amado!
E ai Deus se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
O porquê eu sospiro!
E ai Deus se verrá cedo!

Se vistes meu amado,
O por que hei gran cuidado
E ai Deus se verrá cedo!

Cantiga de escárnio

Linguagem elaborada
Uso de metáforas
Ironia
Critica a nobreza, o clero, personagem social (que representa uma classe)

Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!...

Cantiga de maldizer

Linguagem chula, agressiva, vulgar
Critica uma pessoa em especial e não uma classe.

Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!...

Fonte: www.fuvest.org

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