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Trovadorismo

 

trovadorismo floresce durante o medievo, na península Ibérica e França. É uma expressão musical e ao mesmo tempo literária.

Pode-se dizer que a figura do trovador (daí trovadorismo) sempre existira nas sociedades humanas: fora o bardo, o rapsodo, o aedo. Porém a religião, geografia, e a língua, serão pontos de distinção do trovador, que o colocarão como figura poética específica.

Durante o medievo, os deuses grego-latinos, embora não esquecidos (serão sempre a fonte de onde os poetas medievais irão se servir, sobretudo quando cantados por Virgílio, poeta de certa maneira adotado pela Igreja), não eram mais o objeto e o objetivo do poeta. O cristianismo tornara-se a religião dominante na Europa e a sua influência plasmara não só a fé, mas toda a estrutura social, inclusa as artes e as guerras.

O nascimento do trovadorismo galego-português está diretamente ligado à fundação da nação portuguesa.

Por volta do século XI, a península Ibérica fora palco de sangrentas batalhas que tinham como objetivo declarado expulsar os muçulmanos que desde o VIII ocupavam a região. Mas como ocorrerá no caso das Cruzadas, mais do que uma intenção religiosa, estas lutas terão fortes escopos políticos e territoriais. Assim, em breve a Lusitânia se afirmará como região politicamente independente do resto da península, e o primeiro rei de Portugal será Afonso I, que subirá ao trono em 1139.

Ainda por esta época, embora seja matéria difícil estabelecer o momento exato do surgimento de uma língua ou variação lingüística, na Lusitânia se consolidará como língua falada e escrita o galego-português.

O poeta que viverá este momento de reconquista, de religiosidade, de batalhas, do particular ambiente de corte da Idade Media, e da língua galego-portuguesa, será o trovador. E a sua arte refletirá o mundo que o rodeia. Contudo, o trovador não será um artista qualquer; a sua fama, ou o valor da sua arte, será atribuído primeiro de acordo com as suas origens familiares.

Para ser um trovador, o sujeito precisava antes de tudo ser um nobre, participar do ambiente de corte, ser culto; e se não gozasse de um bom nascimento, precisava ser o protegido de algum nobre de grande influência. Em outro caso seria denominado Jogral. Este, não sendo um nobre, ou não sendo um protegido, não freqüentava a corte, e cantava a sua poesia pelas ruas, muitas vezes indo de cidade em cidade.

trovadorismo representa a primeira escola literária galego-portuguesa.

As suas cantigas foram tardiamente organizadas em cancioneiros (Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa e o Cancioneiro da Vaticana) e então classificadas entre os generes lírico (cantigas de amor e de amigo) e satírico (cantigas de escárnio e maldizer). Os trovadores ainda escreveram as gestas, ou estórias de cavalaria. Nestas faz-se notar a forte influência das batalhas contra os mouros e a religiosidade cristã.

Fonte: www.revisaovirtual.com

Trovadorismo

Trovadorismo foi a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Nesse período surgiram as cantigas, produções artísticas feitas por trovadores para expressar sentimentos como amor, saudade, irá e sarcasmo.

O Trovadorismo manifestou-se na Idade Média e estendeu-se até o século XV. Foi a primeira manifestação literária da língua portuguesa, no período em que Portugal estava em processo de formação nacional. As manifestações se baseavam em poemas feitos por trovadores (artistas de origem nobre) para ser apresentados em feiras, festas e castelos.

Aspecto Econômico

A Europa nessa época sofria com constantes invasões dos povos germânicos, causando inúmeras guerras. Perante isso, desenvolveu-se o sistema econômico denominado feudalismo. Nesse sistema, somente o senhor feudal poderia governar, tinha pleno poderes sobre seus servos e vassalos. O senhor feudal, também chamado de suserano, cedia a posse de terras a um vassalo que se comprometia a cultivá-la e a repassar parte da produção ao dono do feudo. Em troca disso, os servos ganhavam proteção militar e judicial em casos de ataques e invasões. Esse processo de subordinação recebe o nome de vassalagem.

Arte e Cultura

A Idade Média foi muito influenciada pela Igreja, esta detinha o poder político e econômico, mantendo superioridade, até mesmo, da nobreza feudal. Prevalecia o teocentrismo, Deus era o centro de todas as coisas. Com isso, o homem mantinha-se totalmente religioso e temente, cujos posicionamentos estavam sempre à mercê da vontade divina, assim como os fenômenos naturais.

Arquitetura

Toda produção artística era voltada para a construção de igrejas, catedrais e abadias. Todas as produções literárias eram feitas em galego-português, denominadas de cantigas.

Trovadorismo
Projeção de castelo semelhante aos dos senhores feudais

Estas cantigas eram manuscritas e reunidas em livros, os Cancioneiros, que são apenas três:

“Cancioneiro da Biblioteca”, “Cancioneiro da Ajuda” e “Cancioneiro da Vaticana”.

Os trovadores de maior destaque são: Aires Nunes, Dom Duarte, Dom Dinis, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade e Meendinho.

No trovadorismo as cantigas são divididas em: Satíricas (Cantigas de Maldizer e Cantigas de Escárnio) e Líricas (Cantigas de Amor e Cantigas de Amigo).

Cantigas de amigo

Nas cantigas de amigo, o eu-lírico é sempre uma mulher. A palavra amigo significa namorado e o tema principal é o lamento da mulher pela falta do amado que partiu para as Cruzadas. O uso marcante de recursos como paralelismo, refrão, reiterações e estribilho, facilitam a memorização e execução das cantigas.

Cantigas de amor

O trovador se dirige à mulher amada exaltando suas qualidades e colocando-se numa posição inferior. O tema mais constante é o amor não correspondido. O trovador passa a ser o vassalo da suserana ( a amada) e coloca-se a serviço dela, esperando um benefício em troca, isso faz com que o amor seja um objeto distante e impossível

Cantigas de escárnio

Eram sátiras indiretas, com duplo sentido para encobrir a agressividade. Os nomes da pessoa satirizada não era citado na cantiga.

Cantigas de maldizer

Diferente das cantigas de escárnio, nas cantigas de mal dizer o trovador fazia sátiras diretas, partindo até para a agressão verbal. Trechos de baixo calão eram frequentes e o nome da pessoa satirizada aparece explicitamente.

Katia Moreira

Fonte: www.sempretops.com

Trovadorismo

Portugal

Era Medieval

Primeira Fase

O Trovadorismo (1189 ou 1198 a 1434)

Trovadorismo

Datas

1189 ou 1198: “Cantiga da Ribeirinha” ou “Cantiga da Guarvaia”, de Paio Soares Taveirós - início do Trovadorismo, primeiro movimento literário português.

1434: nomeação de Fernão Lopes, pelo rei D. Duarte de Avis, para o cargo de “Cronista-Mor do Reino” - início do Humanismo em Portugal.

Contexto histórico

Portugal é reconhecido como reino independente em 1143. Quinze anos antes, o Conde Afonso Henriques de Borgonha já havia sido sagrado rei, depois da batalha de S. Mamede, em que lutou pela liberdade do Condado Portucalense e da qual saiu vitorioso. Iniciava-se aí a primeira dinastia portuguesa: a Dinastia de Borgonha.

Essa dinastia tinha origens no sul da França, em Provença, o que explica a grande influência provençal durante a primeira fase da Era Medieval em Portugal. Assim, os costumes e a cultura dessa apresentaram fortes traços provençais, enquanto a estrutura socioeconômica era marcada pelo feudalismo.

Trovadorismo

Características gerais do Trovadorismo

Trovadorismo desenvolveu-se num período em que a cultura era monopolizada pelo clero católico, detentor máximo do poder político e econômico.

Assim, é natural que a visão de mundo da época fosse marcada pelo teocentrismo — escala de valores determinada a partir dos próprios valores impostos pela religiosidade. Por essa razão, o homem dessa fase medieval privilegiava os bens do espírito, da alma, da vida pós-morte, em detrimento do corpo e da vida carnal, terrena.

Nas artes, houve destaque para o desenvolvimento da música e arquitetura, pois elas serviam ao propósito religioso daquele tempo: a música religiosa podia criar uma atmosfera extraterrena, envolvendo o fiel, e a arquitetura era empregada na construção de catedrais.

Na literatura houve maior desenvolvimento da poesia do que da prosa, pois a poesia apoiava-se na música e isso facilitava sua transmissão oral.

Principais manifestações literárias

Trovadorismo

A principal manifestação literária do Trovadorismo foi a poesia, representada pelas cantigas, que eram composições feitas para serem cantadas ou acompanhadas por instrumento musical.

As cantigas medievais portuguesas eram expressas na chamada “medida velha”, as redondilhas, versos de 5 ou 7 sílabas, de tradição medieval. O idioma empregado era o galaico-português, comum à Galícia e a Portugal. O poeta chamava-se trovador e as cantigas podiam ser líricas ou satíricas. Elas encontram-se reunidas em volumes denominados cancioneiros, dos quais se destacam o Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Vaticana e o Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa.

A prosa medieval apresentou caráter predominantemente documental, o que diminuiu seu valor literário. Apenas um gênero se destacou: as Novelas de Cavalaria, que eram narrativas de feitos heróicos e guerreiros, originadas nas antigas canções de gesta. Em Portugal, apenas as novelas do Ciclo Bretão ou Arturiano, sobre o rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, deixaram marcas.

Trovadorismo

Projeções do Trovadorismo

Trovadorismo constituiu a formação da base lírica da literatura em língua portuguesa, com sugestões formais e temáticas; ainda hoje se observa a influência das redondilhas em manifestações poéticas e musicais de cunho popular e folclórico, tanto em Portugal como no Brasil. Além disso, a literatura trovadoresca exerceu forte influência na obra de vários autores da língua, como Almeida Garrett, Gonçalves Dias, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e outros.

Fonte: www.10emtudo.com.br

Trovadorismo

Torna-se de fundamental importância enfatizarmos, antes de tudo, que o Trovadorismo foi um estilo de época ocorrido durante a Idade Média. Sendo que esta foi marcada por dois períodos: Alta Idade Média (século V ao XI) e Baixa Idade Média (século XII ao XV).

Durante esta primeira fase medieval, também conhecida como época das trevas, todo o sistema econômico, político e social era voltado para a agricultura de subsistência, regime ora denominado de feudalismo. Nele, o poder concentrava-se nas mãos do senhor feudal (proprietário do feudo – uma grande extensão de terras) que, por sua vez, cedia uma proporção das terras a um vassalo, e em troca recebia proteção militar e judicial em caso de ataques e invasões. Com isto, implantava-se um instinto de total servilismo, esta relação mútua de dependência caracteriza-se como vassalagem.

Era firmado também um pacto de aliança entre os senhores feudais e a Igreja, uma vez que a ideologia dominante fundava-se na concepção de que Deus era o centro do Universo (teocentrismo) e a medida de todas as coisas. Cabia a ela representar no plano terreno as vontades de Deus, pregando dogmaticamente que a renúncia aos bens materiais e aos prazeres era a condição essencial para a salvação da alma, atendendo ao propósito de obter alcance da plenitude, estando no Paraíso.

Tal poder coercitivo fundamentava-se no Santo Ofício (ou Santa Inquisição), que julgava e, na maioria das vezes, condenava sumariamente à morte aquelas pessoas acusadas de heresia, ou seja, o ato de atentar contra os preceitos da fé cristã.

A partir do século XII iniciou-se um novo período fortemente caracterizado pela reativação do comércio, possibilitando o crescimento econômico e renovando a cultura. 
Tal período refere-se à expansão propriamente dita do trovadorismo em Portugal, época em que o país conquistou sua independência política, mais precisamente no século XII.

As produções literárias que a ele se concernem são chamadas de cantigas trovadorescas, cuja característica se finda em composições poéticas cantadas e acompanhadas por instrumentos musicais, dentre eles, viola, lira, harpa, flauta, alaúde e pandeiro.

Quem as compunham eram chamados de trovadores, contudo havia uma hierarquia dentre os mesmos, cuja diferença pautava-se pela função desempenhada pela interpretação, funcionando como uma espécie de status. Havia os trovadores, poetas das cortes feudais que compunham as canções sem nenhuma preocupação com retorno financeiro; os jograis, segréis ou menestréis eram homens com condição social inferior, que iam de castelo em castelo, no intuito de entreter a nobreza, exigindo, com isso, alguma forma de pagamento; soldadeira ou jogralesca, moça que dançava, tocava castanhola ou pandeiro e cantava.

Entre as cantigas que se destacaram no presente período figuram-se dois importantes grupos: a cantiga lírica e a cantiga satírica, cujo idioma predominante era o galego-português. A cantiga lírica, oriunda de Provença, região Sul da França, refletia a estrutura da sociedade feudal, na qual a vassalagem voltava-se para as relações amorosas, ora materializadas pelas cantigas de amor em que o falante declara seu amor por uma dama da corte, expresso pela coita de amor, uma espécie de sofrimento em razão da impossibilidade da realização amorosa, haja vista a divergência entre as classes sociais: ela é esposa ou filha de um nobre e ele, um servo. Em virtude dessa não realização, o sentimento corrobora-se em sofrimento por parte do enunciador, tornando-se prisioneiro de uma paixão inatingível.

Quanto aos aspectos formais, as cantigas de amor são constituídas de versos rimados, agrupados geralmente em duas ou três estrofes, dividindo-se em dois tipos: cantigas de amor de refrão e cantigas de amor de mestria (sem refrão).

Outra modalidade da qual se compõe a cantiga lírica é a de amigo, originária da Península Ibérica, retratava a vida nos arredores dos palácios, no campo e nas vilas em formação. Nela o trovador assume o ponto de vista da mulher, apresentando-se como enunciador feminino, havendo uma igualdade social preconizada pelos pares envolvidos.

Apesar de ser cantada por uma figura masculina, a voz que prevalece é a feminina, na qual a figura da mulher não é mais vista sob o plano idealizado, e sim, no concreto. A temática gira em torno da saudade ligada à vida cotidiana, relacionada a um amigo que partiu para a guerra, ao ciúme, à indignação, à vaidade, aos encontros fortuitos, biles e festas.

No que se refere aos aspectos formais, apresentam uma linguagem e estrutura mais simples quando comparada às cantigas de amor. Muitas apresentam diálogos, tendo Deus e os elementos da natureza como receptores da enunciação. Troca-se a refinada corte por ambientes campesinos, nos quais a mulher ocupa uma posição de camponesa.

Já as cantigas satíricas revelam o mundo boêmio e marginal vivido pelos jograis, fidalgos, bailarinas e artistas da corte, o qual era representado por um código de ética próprio, dispondo-se de hábitos e costumes de modo não convencional perante à sociedade vigente.

Entre elas destacam-se dois tipos: a de escárnio e a de maldizer, cuja temática pauta-se pela crítica mordaz a seres sociais, como homens sovinas, padres e bispos devassos, pobretões que viviam de aparência, mulheres feias, adúlteros, bêbados e maus jograis.

As cantigas de escárnio constituíam-se de uma crítica indireta, sutil, retratadas por uma linguagem mais velada, revestidas por um toque de conotação. Neste caso, não era revelado o nome da pessoa criticada.

As cantigas de maldizer eram aquelas em que a crítica se dava de forma direta, mencionando o nome da pessoa; eram compostas por uma linguagem mesquinha, repleta de palavrões que se tendiam para a obscenidade.

Fonte: www.portugues.com.br

Trovadorismo

O ano de 1189 ou 1198 é o marco inicial do Trovadorismo em Portugal, por ser, uma delas, a data presumível da publicação da canção

A Ribeirinha ou Cantiga de Guarvaia ( Cantiga de Amor ), de Paio Soares de Taveirós, que transcreveremos abaixo:

"No mundo non me sei parelha,

mentre me for como me vai,

ca já moiro por vós - e ai!

mia senhor branca e vermelha,

queredes que vos retraia

quando vos eu en saia!

Mau dia me levantei,

que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, dês aquel dia, ai!

me foi a mi mui mal,

e vós, filha de do Paai

Moniz, e ben vos semelha

d'haver eu por vós guarvaia,

pois eu, mia senhor, d'alfaia

nunca de vós houve nen hei

valia d'ua correa. "

O ano de 1418 é o ano que Fernão Lopes, funcionário da Coroa, foi nomeado Guarda- Mor da Torre do Tombo, função que seria hoje equivalente à chefia dos arquivos oficiais. Esse fato define, ao menos oficialmente, o fim do Trovadorismo, tendo em vista que Fernão Lopes viria a ser protagonista de um novo comportamento literário em Portugal, conforme veremos à frente.

CONTEXTO HISTÓRICO

trovadorismo português é, de certa forma, resultado da influência da cultura provençal. A Provença, região Sul da França atual, por razões históricas e geográficas, já desenvolvera condições para uma arte definida e forte.

Esta influência pode ser percebida na cantiga a seguir:

" Que eu en maneyra de proençal ( 1 )

fazer agora um cantar d'amor

e querrey muyt'i loar unha senhor,

a que prez nem fremosura non fal, (...) "

Vocabulário: 1. à maneira provençal

Entretanto, além da Cantiga de Amor, outros tipos de cantiga se desenvolveram já com conotações mais ibéricas, seja no vocabulário, seja no vocabulário, seja nos recursos estruturais e mesmo nas referências culturais. Salientamos, a bem da verdade, que algumas dessas modalidades tiveram origem na própria Cantiga de AMor, ou em alguma outra modalidade também provençal.

A influência provençal se deu na região ibérica em função da própria divulgação da literatura da Provença por quase toda a Europa. A vinda de cavaleiros provençais à região da península, a fim de ajudarem os reis locais nas lutas de expulsão dos árabes dos antigos territórios católicos, foi um veículo de introdução da cultura provençal na Península. Cite-se, inclusive m a presença de D.Henrique, futuro fundador do estado português, a partir do condado portucalense, e rei da primeira dinastia ( Borgonha) lusitana. Na prosa medieval portuguesa, outras influências são notadas, como a greco-latina, a francesa e a inglesa.

O período mais fértil do Trovadorismo português ocorreu, mais ou menos, do século XIII ao início do XVI e sua decadência foi vivida a partir de meados deste último século.

A literatura portuguesa dos primeiros séculos desse período não se diferencia da literatura praticada nas demais regiões da Península Ibérica, até por falta de maior identidade cultural nos espaço português, ocorrendo, inclusive, manifestações literárias em mais de uma língua, além da portuguesa.

Traços Característicos

A poesia do Trovadorismo tem íntima ligação com a música, pois era composta para ser entoada ou cantada e acompanhada de instrumental, como o alaúde, a viola, a flauta, ou mesmo de coro. Então, hoje, classificadas sob os nomes de Amor, Amigo, Escárnio e Maldizer, considerando as diferenças entre elas.

Cantiga de Amor

Este tipo de cantiga tematiza a confissão amorosa do homem em relação a uma mulher geralmente lamentando o seu sofrimento de amor ( coita) diante da indiferença da mesma. Sendo o homem quem fala, costumamos dizer que se trata de um "eu-lírico"masculino.

O amante posiciona-se inferiormente à mulher, divinizando-a, a ponto de se estabelecer uma relação de "senhor"para vassalo. Ela é o seu "senhor"( não existia a palavra "senhora"), dona do destino do apaixonado, o qual busca um a linguagem e atitudes cuidadosas para não ofendê-la, inclusive, omitindo, o nome da amada. Esse comportamento e essa relação caracterizam o amor cortês, em que a mulher é sempre vista como merecedora de todas as atenções, gentilezas e considerações da parte daquele que a deseja.

A posição de inferioridade, em que se coloca o apaixonado, torna quase sempre a sua cantiga um lamento, expressão do sofrimento amoroso. Esse sentimento era chamado de coitas. A insistência com que essa temática aparece nas Cantigas de Amor torna-as repetitivas. Apesar disso, a Cantiga de Amor, foi o tipo de produções mais importante dentre as cantigas. Em primeiro lugar por ter sido produzido por compositores ligados à nobreza, o que, quase sempre, garante maior riqueza vocabular e estruturação técnica de melhor qualidade. Em segundo lugar, por se dirigir a um público mais culto.

Veja o texto abaixo:

"Tam grave dia que vos conhoci,

por quanto mal me vem por vós, senhor!

ca(1) me ven coita, nunca vi mayor,

sen outro ben, por vós, senhor, des i (2)

por este mal que mh'a mim por vós ven,

come se fosse bem, ven-me por em

gran mal a quem nunca o mereci.

Ca, mha senhor, porque vos eu servi,

sempre digo que sode'la(3) milhor

do mund'e trobo polo (4) vosso amor,

que me fazedes gram ben e assy

veed'ora(5) mha senhor do bon sen, (6)

este bem tal se compre (7) en mi rrem (8),

senon, se valedes vós mays per y (9).

Mais eu, senhor, en mal dia naci.

del que non tem, nem é conhecedor

do vosso bem, a que non fez valor

Deus de lho dar, que lhy fezo bem y,

per, (10) senhor, assy me venha bem,

deste gram bem, que el (11) por ben non tem,

muy poyco del seria grand'a mi.

Poys, mha senhor, rrazon é, quand'alguen

serv'e non pede, já que rem lhi den;

eu sservi sempr'e nunca vos pedi. "

(D. Afonso Sanches )

Vocabulário: 1-porque; 2-desde então; 3-vós sois; 4-trovo pelo;

5-vede a hora; 6-bom senso; 7-se cumpra; 8-nada; 9-isso; 10-porém; 11-ele.

No texto, temo um típico exemplo do amor cortês, com o trovador confessando o seu amor pela mulher, assumindo-a como superior a ele, afirmando que nada quer, a não ser viver o seu próprio sentimento, sem interesse, mas reclama e sente que ela não corresponda aos seus amores.

Cantiga de Amigo

O emissor nas Cantigas de Amigo é a mulher, por isso dizemos que o "eu -lírico"é feminino. Na verdade, também nas Cantigas de Amigo o autor é um homem, mas que se faz passar pela mulher que namora ou pela qual tem interesse.

Nessas cantigas, a mulher, geralmente pertencente a alguma camada social mais popular e menos culta, lamenta a ausência do "amigo"que está longe ou não se apresentou no tempo esperado ou para o encontro combinado entre dois. O tom é de confidência à mãe ou as amigas ou a algum elemento da natureza ( ramo, flor, árvore, lago... ). Em muitas composições, a água ( ondas, mar, lago, fonte ) assume uma forte conotação erótica, metaforicamente, uma vez que o relacionamento entre os namorados era ou deveria vir a ser íntimo.

Quase sempre, as Cantigas de Amigo apresentam uma elaboração estética diferente, em conseqüência de sua origem popular. Seus compositores não são nobres importantes, suas letras, têm menor riqueza vocabular e costumeiramente utilizam paralelismos e/ou refrões, bem como outros recursos que auxiliam no "prolongamento"da canção, com a estruturação musical tornando-se mais acessível ao autor.

Analisadas sob o ponto de vista temático, as Cantigas de Amigo apresentam razoável variedade graças às diferenças situações descritas ou abordadas.

Quanto a um possível valor histórico, documental, também o saldo é significativamente positivo, pelo registro de vivências cotidianas, de usos e relações caracterizadoras, ao menos em parte, da sociedade da época. Outros aspecto, ainda, a contribuir para o aumento desse valor documental, é a existência de vários modelos de cantigas relacionados com situações ou acontecimentos, como a alva ( matutina ), bailia ( para a dança), romaria ( fato religioso ), marinha ( referência ao mar ), mal - maridada ( crise conjugal ), pastorela ( relativa ao campo, pastoreio ), serena ( noturna ), barcarola ( paisagem marítima ).

Veja o texto:

"Non chegou, madr', o meu amigo,

e oj'est (2) o prazo saido (3)!

ai, madre, moiro d'amor!

Non chegou, madr', o meu amado

e oj'est o prazo passado!

ai, madre, moiro d'amor!

E oj'est o prazo saido!

Por que mentiu o desmentido?

ai, madre, moiro d'amor!

E oj'est o prazo passado!

Por que mentiu o perjurado?

ai madre, moiro d'amor!

Porque mentiu o desmentido

pesa-mi (4), pois per si é falido (5).

ai, madre, moiro d'amor!

Por que mentiu o perjurado

pesa-mi, pois mentiu a seu grado,

ai, madre, moiro d'amor! "

Vocabulário: 1-mãe; 2-hoje está; 3-vencido; 4-pesa-me; 5-liquidado, morto.

Cantiga de Escárnio

Esta cantiga é uma composição satírica em que se critica alguém através da zombaria do sarcasmo, traço típico da sátira. O escárnio é identificado como sátira indireta por não ser muito contundente e por "encobrir" a agressividade através de alguma ambigüidade.

"Ai dona fea! foste-vos queixar

porque vos nunca louv'en (1) meu trobar (2)

mais ora (3) quero fazer un cantar

en que vos loarei (4) toda via

e vedes como vos quero loar

dona fea, velha e sandia (5)!

Ai dona fea! se Deus me perdon!

e pois havedes (6) tan gran coraçon

que vos eu loe en esta razon,

vos quero já loar toda via;

e vedes qual será a loaçan (7):

dona fea, velha e sandia!

Dona fea! nuna vos eu loei

en meu trobar, pero (8) muito trobei;

mais ora já un bon cantar farei

en que vos loarei toda via;

e direi-vos como vos loarei:

dona fea, velha e sandia! "

(Joan Garcia de Guilhade )

No escárnio acima, o autor promete falar em sua poesia de uma mulher que reclamou dele por nunca tê-la citado ou elogiado numa de suas cantigas. Mas, visivelmente irritado com isso, ele a chama de feia, velha e louca.

Cantiga de Maldizer

As Cantigas de Maldizer distinguem-se das de Escárnio por apresentar sátira direta. A crítica, sempre contundente e clara, muitas vezes usa o baixo calão ( palavrão ) e dá nome à pessoa criticada ( recurso também utilizado, embora com menos freqüência, nas Cantigas de Escárnio ). As críticas referem-se a comportamentos políticos, sexuais, a nobres traidores, a compositores incapazes, a rivais amorosos, a mulheres de hábitos feios ou imorais, a pessoas, profissionais ou proprietários pretensiosos.

Essas composições satíricas ( Escárnio e Maldizer ) circulavam por lugares públicos como feiras, colheitas, tabernas, periferias urbanas, caracterizando uma literatura marginal, mas, mesmo por isso, de importância histórica bastante razoável, a exemplo das Cantigas de Amigo, pelo registro social feito. Veja o texto:

"Ben me cuidei eu, Maria Garcia,

en outro dia, quando vos fodi,

que me non partiss'eu de vós assi

como me parti já, mão vazia,

vel (1) por serviço muito que vos fiz;

que me non deste, como x'omen diz (2),

sequer um soldo que ceass'(3) um dia.

Mais detsa seerei (4) eu escarmentado

de nunca foder já outra tal molher,

se m'ant'algo (5) na mão non poser,

ca (6) non ei (7) porque foda endoado (8);

sabedes como: ide-o fazer

con quen teverdes (9) vistid'e (10) calçado.

Ca me non vistides nem me clçades

nem ar (1) sel'eu eno ( 12 ) vosso casal (13 ),

nen avedes (14) sobre min non pagades;

ante mui ben e mais vos en direi:

nulho (15) medo, grad'a (16) Deus, e a el-Rei,

non ei de força que me vós façades.

E, mia dona, quen pregunta non erra;

e vós, por Deus, mandade preguntar

polos naturaes deste logar

se foderan nunca en paz nen en guerra,

ergo (17) se foi por alg'ou por amor.

Id'adubar vossa prol, ai, senhor,

c'avedes, grad'a Deus, renda na terra. "

( Afondo Eanes do Coton )

Vocabulário: 1-em troca de; 2- como se diz; 3-suficiente; 4-sairei; 5- antes me algo; 6-pois; 7-hei, há; 8- de graça;

9- tiverdes; 10- vestido; 11-novamente; 12-na; 13- vossa casa; 14- tendes; 15-nenhum; 16-graças; 17- salvo.

O texto, pela presença do refrão e de paralelismos, pode facilmente ser identificado como Cantiga de Amigo. Quanto ao assunto, a moça reclama porque o "amigo"não a procurou no prazo combinado. A mãe é a sua ouvinte.

OBSERVAÇÃO: muitas vezes, a diferenciação entre Escárnio e Maldizer é difícil, por não haver caracteres rígidos.

Outros Aspectos

A- Cancioneiros

Uma quantidade razoável de cantigas chegaram até nosso dias graças às obras que reuniram parte dessas produções. Essas complicações ( ou códices ) são chamadas Cancioneiros.

Existem três dessas compilações do Trovadorismo português: Cancioneiros da Ajuda ( original; cantigas do século XIII ), Cancioneiro da Biblioteca Vaticana ( cópia de cantigas do século XIV, provavelmente ). Cancioneiro da Biblioteca Nacional ( Colocci - Brancutti ) ( cópia de cantigas do século XV, provavelmente ).

Conhecem-se, ainda, as Cantigas de Santa Maria, uma reunião de mais de 400 composições de conteúdo religioso.

B- Tipos de Autores

Os compositores e cantores são definidos por categoria diferentes. As principais são:

Trovador: compositor, cantor e instrumentador pertencente, na maioria das vezes, à nobreza. Pela qualidade cultural, compunha uma categoria superior.

Segrel: nobre ou fidalgo inferior ou em decadência. Era compositor e cantor, geralmente andarilho e profissional, ou seja, vivia desse trabalho.

Jogral: de origem popular e parca cultura. Raramente compunha, às vezes era bailarino e servia a senhores feudais para distrair a corte ou o exército.

Menestral: também de origem popular, limitava-se a apresentar composições alheiras nos castelos ou feudos em que trabalhava.

C- Nomenclatura

Há um pequeno vocabulário relativo à estruturação técnica de cantigas, do qual listamos parte:

Estribilho ou Refrão = verso repetido na íntegra

Paralelismo = verso repetido com alguma alteração de palavras(s).

Cantigas de Maestria = canção

Palavras = verso

Cobra, Cobla ou Talho = estrofe

Palavra Perdula = verso branco.

Leixa-pren ( deixa -prende ) = o último verso de uma estrofe é repetido como o primeiro verso da estrofe seguinte.

D- Alguns Autores

O registro e a lembrança de muitos autores trovadorescos perderam-se na distância do tempo, mas alguns permanecem até nossos dias:

D.Dinis (1261-1325 ): até aqui é o trovador mais importante. Além de incentivador da cultura e das artes, este monarca português configura delicadeza e simplicidade numa gama variada de sentimentos: dor, tristeza, saudade, expectativa, o que faz da coleção de 138 cantigas de sua autoria a obra mais rica e interessante do Trovadorismo peninsular.

João Garcia de Guilhade: Compôs abundantemente e conseguiu, segundo estudiosos, manter uma boa qualidade geral em sua obra.

Martim Codax: Dado como jogral do século XIII, é autor de bom nível. Suas cantogas estão entre as poucas que tiveram a música, além da letra, preservada até nossos dias.

Paio Soares de Taveirós: Autor da canção A Ribeirinha, que, como já dito antes, marca o início do Trovadorismo português.

E - Prosa Medieval

A prosa medieval portuguesa também tem origem em outras regiões européias e a manifestação mais importantes são as Novelas de Cavalaria, originárias das antigas Canções de Gesta, poemas épicos, guerreiros, dos quais o mais famoso é a célebre Chanson de Roland, de origem francesa.

Essas novelas são ricas em aventuras e heróis cavaleirescos valentes, sempre envolvidos numa vida também rica de perigos e malfeitores, que servem para enfatizar a coragem e decisão de heróis como Tristão, Glaaz, Lancelote, Isolda.

As novelas estão dividas em três grupos, chamados ciclos:

Ciclo Bretão ( Arturiano ): originário da Inglaterra, registra os feitos do rei Artur e os seus cavaleiros. ( Os Cavaleiros da Távola Redonda ). A narrativa mais conhecida é A Demanda do Santo Graal de temática religiosa.

Ciclo Carolíngio: narra os trabalhos heróicos do rei Carlos Magno e os Doze Pares de França, especialmente quando na luta contra os saxões.

Ciclo Greco-latino ( Clássico): narrativas relacionadas à cultura helênica ( Grécia e Roma ).

Uma novela independente desses ciclos e que tem um destaque especial é Amadis de Gaula, de autor ibérico, em que se registra o heroísmo do bretão Amadis que, por ser do país de Gales, recebe o complemento Gaula, daí o nome "Amado de Gaula".

Outras atividades da prosa medieval portuguesa: Livros de Linhagem ( listas gencalógicas de famílias fidalga ); Cronicões ( registro de documentos historiográficos ); Hagiografias ( biografias de santos ).

Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br

Trovadorismo

Designa-se por Trovadorismo o período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV). No âmbito da poesia, a tônica são mesmo as Cantigas em suas modalidades; enquanto a prosa apresenta as Novelas de Cavalaria.

Contexto Histórico

Momento final da Idade Média na Península Ibérica, onde a cultura apresenta a religiosidade como elemento marcante.

A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvação da alma. O maior temor humano era a idéia do inferno que torna o ser medieval submisso à Igreja e seus representantes.

São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc. A arte reflete, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso, essa época é chamada de Teocêntrica.

As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos. Há bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.

O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, entitulada Cantiga da Ribeirinha.

Características

A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes últimos deram origem ao nome deste estilo de época português.

Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.

As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer).

Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

Cantigas de amor

Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contatos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível. Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.

Eu-lírico - masculino

Cantigas de amigo

Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.

Eu-lírico - feminino

Cantigas satíricas

Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.

Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica

Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira

A prosa medieval retrata com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época. A temática das novelas medievais está ligada à vida dos cavaleiros medievais e também à religião.

A Demanda do Santo Graal é a novela mais importante para a literatura portuguesa. Ela retrata as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice sagrado (Santo Graal). Este cálice conteria o sangue recolhido por José de Arimatéia, quando Cristo estava crucificado. Esta busca (demanda) é repleta de simbolismo religioso, e o valoroso cavaleiro Galaaz consegue o cálice.

Textos

Cantiga de Amor

Senhora minha, desde que vos vi,
lutei para ocultar esta paixão
que me tomou inteiro o coração;
mas não o posso mais e decidi
que saibam todos o meu grande amor,
a tristeza que tenho, a imensa dor
que sofro desde o dia em que vos vi.

Quando souberem que por vós sofri
Tamanha pena, pesa-me, senhora,
que diga alguém, vendo-me triste agora,
que por vossa crueza padeci,
eu, que sempre vos quis mais que ninguém,
e nunca me quiseste fazer bem,
nem ao menos saber o que eu sofri.

E quando eu vir, senhora, que o pesar
que me causais me vai levar à morte,
direi, chorando minha triste sorte:
"Senhor, porque me vão assim matar?"
E, vendo-me tão triste e sem prazer,
todos, senhora, irão compreender
que só de vós me vem este pesar.

Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;
graça maior não ousarei rogar.

Afonso Fernandes

Cantiga de Amigo

Enquanto Deus me der vida,
viverei triste e coitada,
porque se foi meu amigo,
e disso fui a culpada,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.

E sei que andei muito mal
em zangar-me como fiz,
porque ele não o merecia
e se foi muito infeliz,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.

Certamente ele supõe
que comigo está perdido,
do contrário, voltaria,
porém, sente-se ofendido,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus, se agira voltasse,
muito alegre eu ficaria.

Juan Lopes

Cantiga de Escárnio

Conheceis uma donzela
por quem trovei e a que um dia
chamei de Dona Beringela?
nunca tamanha porfia
vi nem mais disparatada.
Agora que está casada
chamam-lhe Dona Maria.

Algo me traz enjoado,
assim o céu me defenda:
um que está a bom recato
(negra morte o surpreenda
e o Demônio cedo o tome!)
quis chamá-la pelo nome
e chamou-lhe Dona Ousenda.

Pois que se tem por formosa
quanto mais achar-se pode,
pela Virgem gloriosa!
um homem que cheira a bode
e cedo morra na forca
quando lhe cerrava a boca
chamou-lhe Dona Gondrode.

Dom Afonso Sanches

Cantiga de Maldizer

Ai dona fea! Foste-vos queixar
Que vos nunca louv'en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!

Ai dona fea! Se Deus mi pardon!
E pois havedes tan gran coraçon
Que vos eu loe en esta razon,
Vos quero já loar toda via;
E vedes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora já en bom cantar farei
En que vos loarei toda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!

Fonte: www.graudez.com.br

Trovadorismo

Panorama histórico

Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV.

A partir desse século, Portugal começava a afirmar-se como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Penínsua Ibérica. Desses laços surgiu, próximo à Galícia (região ao norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português. A produção literária dessa época foi feita nesta variação linguística.

A cultura trovadoresca refletia bem opanorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero.

O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado Feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessão de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados.

Essa relação de dependência entre suserano e vassalo era chamada de vassalagem.

Assim, o senhor feudal ou suserano era quem detianha o poder, fazendo a concessão de uma porção de terra a um vassalo, encarregado de cultivá-la.

Além da nobreza (classe que pertenciam os suseranos) e a classe dos vassalos ou servos, havia ainda uma outra classe social: o clero. Nessa época, o poder da Igreja era bastante forte, visto que o clero possuía grandes extensões de terras, além de dedicar-se também à política.

Os conventos eram verdadeiros centros difusores da cultura medieval, pois era neles que se escolhiam os textos filosóficos a serem divulgados, em função da moral cristã.

A religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval portuguesa. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Nessa época, eram frequentes as procissões, além das próprias Cruzadas - expedições realizadas durante a Idade Média, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos. Essa época foi caracterizada por uma visão teocêntrica (Deus como o centro do Universo). Até mesmo as artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos.

Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece etntanto tocar o céu.

Na literatura, desenvolveu-se em Portugal um movimento poético chamado Trovadorismo.

Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. (Trovadores - poetas que compunham a letra e a música de canções. Em geral uma pessoa culta - Menestréis - músicos-poetas sedentários; viviam na casa de um fidalgo, enquanto o jogral andava de terra em terra - , Jograis - cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia - e Segréis - trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral) Recebiam o nome de cantigas, porque eram acompanhados por instrumentos de corda e sopro. Mais tarde, essas cantigas foram reunidas em Cancioneiros: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.

A poesia medieval portuguesa

A produção poética medieval portuguesa pode ser agrupada em dois gêneros:

Gênero lírico

Em que o amor é a temática constante, são as cantigas de amor e as cantigas de amigo.

A canção da Ribeirinha

(Esta cantiga de Paio Soares de Taveirós é considerada o mais antigo texto escrito em galego-português: 1189 ou 1198, portanto fins do século XII. Segundo consta, esta cantiga teria sido inspirada por D. Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada e que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal. )

"No mundo nom me sei parelha, / mentre me for' como me vai, / ca ja moiro por vos - e ai / mia senhor branca e vermelha, / queredes que vos retraia / quando vos eu vi em saia! / Mao dia que me levantei, que vos enton nom vi fea! "

No mundo ninguém se assemelha a mim / enquanto a minha vida continuar como vai / porque morro por ti e ai / minha senhora de pele alva e faces rosadas, / quereis que eu vos descreva (retrate) / quanto eu vos vi sem manto (saia : roupa íntima) / Maldito dia! me levantei / que não vos vi feia (ou seja, viu a mais bela).

"E, mia senhor, des aquel di' , ai! / me foi a mim muin mal, / e vós, filha de don Paai / Moniz, e ben vos semelha / d'aver eu por vós guarvaia, / pois eu, mia senhor, d'alfaia / nunca de vós ouve nem ei / valia d'ua correa".

E, minha senhora, desde aquele dia, ai / tudo me foi muito mal / e vós, filha de don Pai / Moniz, e bem vos parece / de ter eu por vós guarvaia (guarvaia: roupas luxuosas) / pois eu, minha senhora, como mimo (ou prova de amor) de vós nunca recebi / algo, mesmo que sem valor.

Cantigas de amor

Nesta cantiga o eu-lirico é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais "palaciana", desenvolve-se em cortes e palacios.

Quanto à temática, o amor é a fonte eterna, devendo ser leal, embora inatingível e sem recompensa. O amante deve ser submetido à dama, numa vassalagem humilde e paciente, honrando-a com fidelidade, sempre (Cá entre nós, a época que os homens ainda eram inteligentes.. : )))

O nome da mulher amada vem oculto por força das regras de mesura (boa educação extrema) ou para não compromete-la (geralmente, nas cantigas de amor o eu-lirico é um amante de uma classe social inferior à da dama).

A beleza da dama enlouquece o trovador e a falta de correspondência gera a perda do apetite, a insônia e o tormento de amor. Além disso, a coita amorosa (dor de amor) pode fazer enlouquecer e mesmo matar o enamorado.

Meus olhos (titulo adp)

Estes meus olhos nunca perderan, / senhor, gran coyta / mentr' eu vivo fôr; / e direy-vos, fremosa mia senhor, / d'estes meus olhos a coyta que an: / choran e cegan, quand' alguen que veen.

Guisado teen de nunca perder / meus olhos coyta e meu coraçon, / e estas coytas, senhos, mias son; / mays los meus olhos, por alguen veer, / choran e cegan, quand' alguen non veen, e ora cegan por alguen que veen.

E nunca ja poderey aver ben, / poys que amor já non quer nem quer Deus; / mays os cativos d'estes olhos meus / morrerán e cegan, quand' alguen non veen, e ora cegan por alguen que veen.

(Gran coyta: grande paixão desgosto. / Fremosa mia senhor: minha bela senhora)

Cantigas de amigo

As cantigas de amigo apresentam eu-lirico feminino, embora o autor seja um homem.

Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado). Ou ainda, o amigo é o destinatário do texto, como se a mulher desejasse fazer-lhe confidências de seu amor. (Mas nunca diretamente a ele. O texto é dialogado com a natureza, como se o namorado estivesse por perto, a ouvir as juras de amor). Geralmente destinam-se ao canto e a dança.

A linguagem, comparando-se às cantigas de amor é mais simples e menos musical pois as cantigas de amigo não se ambientam em palácios e sim em lugares mais simples e cotidianos.

Conforme a maneira como o assunto é tratado, e conforme o cenário onde se dá o encontro amoroso, as cantigas de amigo recebem denominações especiais

Alvas (quando se passam ao amanhecer)

Levantou-s'a velida (a bela) / Levantou-s'à alva; / e vai lavar camisas / e no alto (no rio) / vai-las lavar à alva (de madrugada). - D. Dinis.

Bailias (quando seu cenário é uma festa onde se dança)

E no sagrado (local sagrado, possivelmente à frente de uma igreja), em Vigo / bailava corpo velido (uma linda moça) amor ei! - Martim Codax.

Romarias (sobre visitas a santuários, enquanto as "madres queymam candeas")

Pois nossas madres van a San Simon / de Val de Prados candeas queimar (pagar promessas) / nós, as menininhas, punhemos d'andar (vamos passear). - Pero de Viviães.

- Barcarolas ou Marinhas (falam do temor de que o "amigo" vá às expedições marítimas; do perigo de que ele não volte mais.

Vi eu, mia madr' , andar / as barcas e no mar, / e moiro de amor! - Nuno Fernandes Torneol

Pastorelas (quando seu cenário é o campo, próximo a rebanhos)

Oi (ouvi) oj'eu ua pastor andar, / du (onde) cavalgava per ua ribeira, / e o pastor estava i senlheira, (sozinha) / a ascondi-me pola escuitar... - Airas Nunes de Santiago.

Gênero satírico

Em que o objetivo é criticar alguém, ridicularizando esta pessoa de forma sutil ou grosseira; a este gênero pertencem as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer.

São composições que expressam melhor a psicologia do tempo, onde vêm á tona assuntos que despertam grandes comentários na época, nas relações sociais dos trovadores; são sátiras que atingem a vida social e política da época, sempre num tom de irreverência; são sátiras de grande riqueza, uma vez que se apresentam num considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; fogem às normas rígidas das cantigas de amor e oferecem novos recursos poéticos.

Os principais temas das cantigas satíricas são: a fuga dos cavaleiros da guerra, traições, as chacotas e deboches, escândalos das amas e tecedeiras, pederastia (homossexualismo) e pedofilia (relações sexuais com crianças), adultério e amores interesseiros e ilícitos.

Obs: Tanto nas cantigas de escárnio quanto nas de maldizer, pode ocorrer diálogo. Quando isso acontece, a cantiga é denominada tensão (ou tenção). Pode mostrar a conversa entre a mãe a moça, uma moça e uma amiga, a moça e a natureza, ou ainda, a discussão entre um trovador e um jogral, ambos tentando provar que são mais competentes em sua arte.

Cantigas de Escárnio

Apresentam críticas sutis e bem-humoradas sobre uma pessoa que, sem ter nome citado, é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade.

Ai, dona fea, fostes-vos queixar / que vos nunca louv' en [o] meu cantar; / mais ora quero fazer um cantar / en que vos loarei toda via; / e vedes como vos quero loar; / dona fea, velha e sandia!

Dona fea, se Deus me perdon, / pois avedes [a] tan gran coraçon / que vos eu loe, en esta razon / vos quero loar toda via; / e vedes qual será a loaçon / dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei / en meu trobar, pero muito trobei; / mais ora já un bon cantar farei, / en que vos loarei toda via; / e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia!

(Loarei: louvarei / Sandia: louca / Avedes tan gran coraçon: tendes tanto desejo / loaçon: louvor)

Cantigas de Maldizer

Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intensão de ofender a pessoa ridicularizada. Há o uso de palavras grosseiras (palavrões, inclusive) e cita-se o nome ou o cargo da pessoa sobre quem se faz a sátira:

Maria Peres se mãefestou (confessou) / noutro dia, ca por pecador (pois pecadora) / se sentiu, e log' a Nostro Senhor / pormeteu, pelo mal em que andou, / que tevess' um clérig' a seu poder, (um clérigo em seu poder) / polos pecados que lhi faz fazer / o demo, com que x'ela sempr'andou. (O demônio, com quem sempre andou)

Mãefestou-se, ca (porque) diz que s'achou / pecador mui't,(muito pecadora) porém, rogador / foi log' a Deus, ca teve por melhor / de guardar a El ca o que a guardou / E mentre (enquanto) viva diz que quer teer / um clérigo, com que se defender / possa do demo, que sempre guardou

E pois (depois) que bem seus pecados catou / de sa mor' ouv (teve) ela gram pavor / e d'esmolnar ouv' ela gram sabor (teve grande prazer em esmolar) / E logo entom um clérico filhou (agarrou ) / e deu-lhe a cama em que sol jazer (sozinha dormia) / E diz que o terrá mentre (terá enquanto) viver / e esta fará; todo por Deus filhou. (E isso fará, pois tudo aceitou por Deus).

E pois que s'este preito ( pacto) começou, / antr'eles ambos ouve grand'amor. / Antr'el (entre) á sempr'o demo maior / atá que se Balteira confessou. / Mais pois que viu o clérigo caer, / antre'eles ambos ouv'i (teve nisso) a perder / o demo, dês que (desde que) s'ela confessou.

As novelas de cavalaria

Nem só de poesia viveu o Trovadorismo. Também floresceu um tipo de prosa ficcional, as novelas de cavalaria, originárias das canções de gesta francesas (narrativas de assuntos guerreiros), onde havia sempre a presença de heróis cavaleiros que passavam por situações perigosíssimas para defender o bem e vencer o mal.

Sobressai nas novelas a presença do cavaleiro medieval, concebido segundo os padrões da Igreja Católica (por quem luta): ele é casto, fiel, dedicado, disposto a qualquer sacrifício para defender a honra cristã. Esta concepção de cavaleiro medieval opunha-se à do cavaleiro da corte, geralmente sedutor e envolvido em amores ilícitos. A origem do cavaleiro-heroi das novelas é feudal e nos remete às Cruzadas: ele está diretamente envolvido na luta em defesa da Europa Ocidental contra sarracenos, eslavos, magiares e dinamarqueses, inimigos da cristandade.

As novelas de cavalaria estão divididas em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam. Assim, as que apresentam heróis da mitologia greco-romana são do ciclo Clássico (novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande); as que apresentam o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda pertencem ao ciclo Arturiano ou Bretão (A Demanda do Santo Graal); as que apresentam o rei Carlos Magno e os doze pares de França são do ciclo Carolíngeo (a história de Carlos Magno).

Geralmente, as novelas de cavalaria não apresentam uma autoria. Elas circulavam pela Europa como verdadeira propaganda das Cruzadas, para estimular a fé cristã e angariar o apoio das populações ao movimento. As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época. As novelas Amandis de Gaula e A Demanda do Santo Graal foram as histórias mais populares que circulavam entre os portugueses.

Alcionei de Oliveira

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Trovadorismo

A produção artística vai estar impregnada, neste período, do espírito teocêntrico. As artes decorativas predominam, sempre deformando os elementos objetivos do mundo ou procurando simbolizar o universo espiritual e sobrenatural através do qual o homem interpreta sua realidade. O estilo gótico, com suas formas alongadas, ogivais e pontiagudas, parece expressar forte desejo humano de ascender a uma nova e eterna vida. A literatura, geralmente escrita em latim, não ultrapassa os limites religiosos em sua temática: a vida dos santos, a liturgia dos rituais cristãos. Mas em torno dos castelos feudais desenvolve-se também uma arte leiga que, mesmo, às vezes, chegando ao profano, redimensiona a visão de mundo medieval e aponta novos caminhos. É a arte dos trovadores e suas cantigas, das novelas de cavalaria.

Em Portugal floresceram cantigas de tipos diversos quanto à temática:

Cantigas de Amigo

Nasceram no território português e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região. Embora compostas por homens, procuram expressar o sentimento feminino através de pequenos dramas e situações da vida amorosa das donzelas, geralmente, as saudades do namorado que foi combater contra os mouros, a vigilância materna, as confissões às amigas. Há nessas cantigas uma forte presença da natureza, sua linguagem é simples e sua estrutura apropriada ao canto e à transmissão oral apresenta refrão e versos encadeados e repetidos ou ligeiramente modificados (paralelismo).

Cantigas de Amor

Surgiram no sul da França, na região de Provença. Expressam o sentimento amoroso do trovador que se coloca a serviço da mulher amada. Aqui, o amor se torna tema central do texto poético, deixando de ser pretexto para a discussão de outros temas. Mas é um amor não realizado, não correspondido, que fica sempre num plano idealizado. E de outro modo não poderia ser, pois a mulher amada se encontra socialmente afastada do poeta: é a senhora, esposa do senhor feudal. São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada.

Cantigas de escárnio e de maldizer

Reúnem a produção satírica e maliciosa da época. Enquanto as de escárnio são críticas e suas ironias feitas de modo indireto, as de maldizer, utilizando linguagem mais vulgar, às vezes obscena, referem-se direta e nominalmente a suas personagens. Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente e que nos lembram os "desafios" de nossa literatura de cordel, as intimidades de alcova, a covardia ou a falta de jeito de alguns cavaleiros, as mulheres feias. É verdade que seu valor poético é pequeno, mas seu aspecto documental torna imprescindível seu estudo.

As novelas de cavalaria

Surgiram na França e na Inglaterra derivadas das canções de gesta e de poemas épicos medievais. Refletiam, de modo geral, os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil. Mas estavam também impregnadas de elementos da mitologia céltica. As histórias mais conhecidas são aquelas que pertencem ao "ciclo arturiano", A Demanda do Santo Graal é uma das mais importantes deste ciclo, a qual reúne os dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Além das novelas do ciclo arturiano merecem destaque também "José de Arimatéia" e "Amadis de Gaula".

Fonte: www.spiner.com.br

Trovadorismo

CONTEXTO HISTÓRICO

Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV.

As atividades literárias em Portugal durante a transição da Alta para Baixa Idade Média, nascem quase que simultaneamente com a consolidação da nação portuguesa como reino independente, num período marcado principalmente pelo Feudalismo (plano políticoeconômico) e pelo Teocentrismo (poder espiritual do clero).

O Feudalismo foi um sistema político-econômico medieval descentralizado na qual o poder estava diretamente relacionado à posse da terra. A economia era fundamentalmente agrária (subsistência), sem comércio e, portanto, sem intercâmbio cultural. Praticamente todas as mercadorias negociadas nessa época vinham da terra e por isso, a quantidade de terra possuída era a chave da fortuna e do poder, que estava nas mãos da nobreza, representada por senhores feudais ou suseranos. Estes faziam a concessão de pequenos lotes de terra (feudo) a um servo ou vassalo, para que este a cultivasse em troca de proteção. Além da obrigação de cultivar esses lotes, os vassalos tinham que pagar inúmeras taxas impostas pelos donos das terras. Os valores dessas taxas eram tão altos que o dinheiro que restava era apenas o suficiente para a sua subsistência e para o plantio de uma nova safra. Essa relação de dependência entre suserano e vassalo nessa sociedade fortemente hierarquizada era chamada de vassalagem.

Havia ainda uma outra classe social política e economicamente poderosa, detentora de grandes extensões de terras: o clero. A Igreja era a maior Instituição feudal da época, determinando o modo de pensar e viver de uma sociedade fortemente marcada pela idéia de Deus como centro do universo. A própria produção artística vai estar impregnada por esse espírito teocêntrico, numa época em que religião e profano se confundem. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Emoção e fé regiam as ações, determinando uma visão mais subjetiva do mundo, caracterizando certo irracionalismo. Surge a Escolástica, filosofia medieval que tentava justificar a fé pela lógica. A Igreja pregava a renúncia aos bens materiais e aos prazeres terrenos como condição para salvação eterna. Nessa época, eram freqüentes procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc.

A influência do clero evidenciou-se principalmente durante as Cruzadas, expedições e batalhas de cunho religioso, entre cristãos e muçulmanos, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos, além da expulsão dos árabes da Península Ibérica.

Tais aspectos sócio-culturais são importantes para entendermos certas características das manifestações literárias desse período. O feudalismo terá reflexos até mesmo na linguagem da poesia lírica. Ademais, as cortes dos reis e dos grandes senhores feudais são os centros de produção cultural e literária. O teocentrismo, por sua vez, vai se refletir tanto nas novelas de cavalaria como na poesia de temática religiosa, nas hagiografias e obras de devoção. Devido às cruzadas, a maioria dos textos líricos demonstrava a saudade da amada pelo amado que foi para lutar em favor da igreja, contra os mouros. Os outros textos líricos demonstravam o amor platônico, amor impossível de se consumar (o que nesse caso é com o casamento), pois o sujeito-lírico desses poemas é um amante de uma escala mais baixa na hierarquia feudal, sempre era um camponês morrendo de amores por uma nobre.

Trovadorismo vai entrar em declínio durante a crise do feudalismo e as conseqüentes modificações na maneira de governar de Portugal, incluindo o contexto de conflitos com a Espanha que culminam com a decadência do mecenantismo real.

Muitos marcam o fim do Trovadorismo em 1385, com o fim da dinastia de Borgonha, quando D. João I é aclamado rei de Portugal e inicia-se a dinastia de Avis. Para outros, seu fim é marcado com a nomeação de Fernão Lopes para cronista-mor da torre do Tombo em 1418.

POESIA TROVADORESCA

Na literatura, o Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento compreende o período que vai, aproximadamente, do século XII ao século XIV.

Convencionou-se que o marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1189 (ou 1198?), intitulada Cantiga de Guarvaia, mais conhecida como Cantiga da Ribeirinha. Essa cantiga, originalmente em galegoportuguês, um romanço (língua de origem latina falada na costa da Península Ibérica) - visto que ainda não havia uma unidade lingüística entre Portugal e a Galiza - foi endereçada a Maria Pais Ribeiro (a ribeirinha), uma mulher muito cobiçada na corte portuguesa e que foi amante de D. Sanho I, o segundo rei de Portugal.

A poesia trovadoresca era cantada na língua galego-portuguesa e acompanhada por instrumentos musicais, caracterizando-se pela tradição oral e coletiva.

Numa época em que a população era quase toda analfabeta, a cultura era transmitida essencialmente por via oral, o que estabelecia um dualismo linguístico entre a cultura monástica (escrita e erudita, inicialmente só expressa em latim) e a cultura laica ou profana, transmitida oralmente, em língua galego-portuguesa, onde se inclui a poesia trovadoresca.

A poesia trovadoresca tem origem em duas tradições poéticas fundamentais: a tradição popular da região e a influência direta do "troubadours" provençais. Compreende um conjunto de cerca de 1600 cantigas de caráter profano, com temática pagã, erótica e satírica, a que poderemos acrescentar cerca de 400 poemas de conteúdo religioso. Há um predomínio da literatura oral, associada à música e à dança. A poesia não era escrita para ser lida por um leitor solitário. Os poemas eram cantados e acompanhados de instrumentos musicais, recebendo o nome de cantigas (ou ainda de canções ou cantos), e eram próprias para apresentações coletivas. Seu público não era, portanto, constituído de leitores, mas de ouvintes. Infelizmente, as partituras das músicas se perderam quase todas, sobrando nos dias de hoje apenas cinco, escritas por Martim Codax.

Trovador

Aquele que escreve as cantigas (geralmente nobres). Cabe lembrar que são sempre homens.

Menestréis

Músicos-poetas sedentários; viviam nas casas de fidalgos.

Segréis

Trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral.

Jograis

Do provençal: joglar = brincar. Cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia (espécie de bobos da corte, que apenas executavam ou interpretavam as composições alheias).

Soldadeira ou Jogralesca

Moça que dançava e tocava castanholas ou pandeiro.

Esses artistas eram a "alma" das trovas, porque eles as interpretavam e tinham que transmitir todo sentimento passado por seus personagens, suas decepções, saudades, ilusões, sofrimentos e a dor de um amor impossível.

Devido ao fato de serem poesias cantadas, são de tradição popular e são menos sofisticadas em relação à poesia escrita, apresentando simplicidade temática e formal.

Quanto à forma, as cantigas dividem-se em:

Cantigas de Maestria

Sete versos em cada estrofe, sem refrão, mais difíceis e sofisticadas.

Cantigas de Refrão

Quatro versos em cada estrofe, com repetição de um deles (refrão) no final, mais populares.

Cantigas Paralelísticas

Há versos encadeados que repetem a mesma estrutura, com pequenas variações, em pares de estrofes consecutivos, com rimas.

Quanto a temática, as cantigas podem ser divididas em dois grandes grupos: cantigas líricas (cantigas de amor e cantigas de amigo) e cantigas satíricas (cantigas de escárnio e cantigas de maldizer). Do ponto de vista literário, as cantigas líricas, nas quais o amor é temática constante, apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

Só tardiamente (a partir do final do século XIII) as cantigas foram compiladas em manuscritos chamados cancioneiros.

Três desses livros, contendo aproximadamente 1 680 cantigas, chegaram até nós:

Cancioneiro da Ajuda (310 Cantigas).

Cancioneiro da Vaticana (1205 Cantigas).

Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (1647 Cantigas), também conhecido por Cancioneiro

Colocci-Brancutti.

Gêneros

Lírico (cantigas de amigo e cantigas de amor): o amor é a temática constante.

Satírico (cantigas de escárnio e de mal dizer): crítica social.

GÊNERO LÍRICO

Cantigas de Amigo

As Cantigas de Amigo têm origem galego-lusitana e autóctone, isto é, originam-se da tradição popular e do folclore da própria Península Ibérica. Cronologicamente, são anteriores às cantigas de amor, mas inicialmente não eram escritas. Só com a chegada das cantigas provençais e o desenvolvimento da arte poética é que se registraram em textos.

Retratam o cotidiano, a vida rural e o ambiente urbano das aldeias medievais. A mulher que encontramos aqui é real, concreta. É uma camponesa, uma mulher do povo, que fala de seus problemas amorosos.

Apesar de ser compostas e cantadas por homens, o sujeito-lírico das Cantigas de Amigo é sempre feminino. O trovador enfoca o ponto de vista feminino, colocando-se no lugar da mulher que sofre pelo amado distante, por ciúmes, pelo amor não correspondido. A temática é o amor pelo "amigo" (namorado, amante, marido) e a "coita" (sofrimento amoroso, geralmente causado pela ausência do amado). O amor é infeliz, mas também natural e espontâneo. Ademais, trata-se de um amor concreto, realizável. O tom pode ser de frustração, mas o "amigo" é real.

Há uma forte presença do campo, da natureza e de pessoas do ambiente familiar.

As situações de diálogo são bastante freqüentes, principalmente em tom de confissão. É comum enfocar as confissões da mulher a sua mãe e suas amigas, e até mesmo em conversas com a natureza, em confissões aos pássaros, fontes, riachos, flores. Todavia, cabe ressaltar que a mulher nunca fala diretamente com seu interlocutor (o "amigo").

A linguagem é mais simples do que as das cantigas de amor, tendo em vista seu caráter popularesco, visto que não se ambientam em palácios, abordando pequenos quadros sentimentais.

Possuem estrutura de cantigas de refrão e paralelísticas. É comum a repetição do mesmo verso (= refrão) ao final de todas as estrofes, o que mantém o ritmo cadenciado e reforça uma mesma idéia, valorizando-a. Daí sua musicalidade, que vai de encontro à tradição oral ibérica.

Há vários tipos de cantigas, conforme a maneira como o assunto é tratado ou o cenário onde se dá o encontro amoroso:

  • Albas ou alvas (ao amanhecer)
  • Bailias ou bailadas (convite à dança)
  • Marinas, marinhas ou barcarolas (temas relacionados a mar, rios, barcos)
  • Pastorelas (temas campesinos)
  • Plang (canto de lamentação)
  • De romaria (peregrinações a santuários)
  • Serranilhas (nas montanhas)
  • Cantigas de amor

    As Cantigas de Amor têm origem provençal, com os poetas do sul da França, e foram levadas a Portugal através de eventos religiosos e contatos entre as cortes. Todavia, as cantigas de amor em Portugal são mais sinceras e mais autênticas na expressão dos sentimentos do que as que lhes deram origem.

    O sujeito-lírico das Cantigas de Amor é sempre masculino: o trovador faz a corte a uma dama (interlocutor), dentro das convenções do amor cortês traduzidas na "vassalagem amorosa" - reflexo da estrutura social da época - e na idealização da mulher.

    A temática continua sendo a "coita" agregada à distância absurda entre o homem e a mulher objeto de seu amor: é a coita amorosa do trovador perante uma mulher inatingível. O amor é impossível, irrealizável, idealizado, fantasiado. O sofrimento amoroso é, na maioria das vezes, causado por um amor proibido ou não-correspondido.

    A mulher amada está em posição de superioridade, até por sua condição social, sendo tratada como "mia senhor". Seu nome jamais é revelado, por mesura ou para não comprometê-la (devido às diferenças de posição social ou pelo fato de ser casada). O trovador coloca-se humildemente a seu serviço, como seu vassalo, rogando para que ela aceite sua dedicação e submissão, refletindo a relação social de servidão da época.

    A mulher inacessível é exaltada e sacralizada, refletindo um erotismo disfarçado, deturpado, sublimado pela opressão religiosa e pela sociedade machista, sem a possibilidade de uma sensualidade explícita.

    Há uma contemplação platônica e a aparência física da mulher amada é tratada como extensão das qualidades morais.

    A linguagem é refinada e bem mais trabalhada do que a das cantigas de amigo, tendo em vista seu ambiente cortesão, retratando a vida da nobreza nos palácios.

    Possuem estrutura de cantigas de refrão ou de maestria (mais complexas).

    GÊNERO SATÍRICO

    As cantigas satíricas (cantigas de escárnio e cantigas de maldizer) apresentam interesse sobretudo histórico, reunindo cantigas autóctones maliciosa da época. São verdadeiros documentos dos costumes e da vida social e política, principalmente da corte, trazendo até nós os mexericos e os vícios ocultos da fidalguia medieval portuguesa, sem a idealização da cantiga de amor.

    Seu objetivo é a crítica social, com intuito humorístico, ridicularizando pessoas de forma sutil ou grosseira, denunciando os falsos valores morais vigentes e atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.

    Seus principais temas são: a covardia dos cavaleiros, traições, as chacotas e deboches, escândalos das amas e tecedeiras, pederastia (homossexualismo) e pedofilia (relações sexuais com crianças), adultério e amores interesseiros e ilícitos, disputas políticas, mulheres feias.

    Tanto nas cantigas de escárnio quanto nas de maldizer, pode ocorrer diálogo. Quando isso acontece, a cantiga é denominada tensão (ou tenção). Pode mostrar a conversa entre a mãe a moça, uma moça e uma amiga, a moça e a natureza, ou ainda, a discussão entre um trovador e um jogral, ambos tentando provar que são mais competentes em sua arte.

    É verdade que seu valor poético é pequeno, mas seu aspecto documental torna imprescindível seu estudo. Ademais, são importantes uma vez que apresentam um considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; e fogem às normas rígidas das cantigas de amor oferecendo novos recursos poéticos.

    É verdade que seu valor poético é pequeno, mas seu aspecto documental torna imprescindível seu estudo. Ademais, são importantes uma vez que apresentam um considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; e fogem às normas rígidas das cantigas de amor oferecendo novos recursos poéticos.

    Cantigas de Escárnio

    Sátira social ou individual. Crítica indireta, sarcástica, zombeteira e de linguagem ambígua. Presença de menosprezo, desprezo e desdém. Não se nomeia a pessoa criticada, mas esta é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade.Uso da ironia, do equívoco e da sutileza, com intuito humorístico.

    Cantigas de Maldizer

    Sátira direta, maledicente, com linguagem objetiva e inequívoca. Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intenção de ofender e difamar, citando-se o nome da pessoa ridicularizada. Presença de agressividade e uso de termos vulgares, grosseiros e obscenos, inclusive palavrões. Há uma abordagem mais desabusada dos vícios sexuais atribuídos aos satirizados.

    A PROSA TROVADORESCA

    A prosa medieval tem caráter documental, retratando com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época.

    Há quatro gêneros em prosa do período medieval:

    Hagiografias

    Relatos bibliográficos dos santos da Igreja, escritos em latim.

    Cronicões

    Relatam, de forma romanceada, acontecimentos históricos/sociais do século XIV, através de anotações em seqüência cronológica.

    Livros de Linhagem ou Nobiliários

    Árvores genealógicas das famílias nobres, elaboradas com o intuito de resolver problemas de heranças e de evitar "casamentos em pecado".

    Novelas de Cavalaria

    As novelas de cavalaria são narrativas ficcionais de acontecimentos históricos, originárias da prosificação de poemas épicos e das canções de gesta (guerra) francesas e inglesas. Refletiam, de modo geral, os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil. Geralmente não apresentavam autoria e sua temática estava ligada às aventuras dos cavaleiros medievais, na luta entre o "bem" e o "mal" das Cruzadas, em defesa da Europa Ocidental contra sarracenos, eslavos, magiares e dinamarqueses, inimigos da cristandade. Os cavaleiros são castos, fiéis e dedicados, segundo os padrões da Igreja Católica, dispostos a qualquer sacrifício para defender a honra cristã, em contraposição ao cavaleiro da corte, geralmente sedutor e envolvido em amores ilícitos.

    As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época.

    As novelas de cavalaria dividem-se em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam:

    Ciclo clássico

    Heróis "emprestados" da antigüidade greco-romana e da literatura clássica (Ulisses, Enéias ...); novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande.

    Ciclo carolíngio

    Versando sobre as aventuras de Carlos Magno e os Doze Pares de França. Algumas dessas novelas foram trazidas para o Brasil no período da colonização, e seus heróis alimentam ainda hoje a literatura de cordel nordestina.

    Ciclo bretão ou arturiano

    O mais fecundo de todos, com as histórias sobre o Reino de Camelot, o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Três são as novelas remanescentes desse ciclo: José de Arimatéia, História de Merlim e A Demanda do Santo Graal.

    A Demanda do Santo Graal é a novela mais importante para a literatura portuguesa, reunindo dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Ela retrata as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice sagrado (Santo Graal), que conteria o sangue recolhido por José de Arimatéia, quando Cristo estava crucificado.

    Com o advento do Humanismo, esses ciclos de novelas deram lugar a um novo ciclo - o dos Amadises - desvinculado dos ideais religiosos cristãos e com erotização das relações amorosas.

    A última novela de cavalaria data do século XVI, e, embora visasse à crítica do gênero e de seu conteúdo, que já se acreditavam esgotados, terminou por constituir-se na melhor e mais famosa de todas: D. Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

    Fonte: www.gargantadaserpente.com

    Trovadorismo

    PRELIMINARES

    Às primeiras décadas desta época transcorrem durante a guerra de reconquista do solo português ainda em parte sob domínio mourisco, cujo derradeiro ato se desenrola em 1249, quando Afonso III se apodera de Albufeira, Faro, Loulé, Aljezur e Porches, no extremo sul do País, batendo definitivamente os últimos baluartes sarracenos em Portugal. E apesar de Mo absorvente a prática guerreira durante esses anos de consolidação política e territorial, a atividade literária beneficiou-se de condições propícias e pôde desenvolver-se normalmente. Cessada a contingência bélica, observa-se o recrudescimento das manifestações sociais típicas dos períodos de paz e tranqüilidade ociosa, entre as quais a literatura.

    Em resultado desse clima pós-guerra, a poesia medieval portuguesa alcança, na segunda metade do século XIII, seu ponto mais alto. A origem remota dessa poesia constitui ainda assunto controvertido;- admitem-se quatro fundamentais teses para explicá-la: a tese arábica, que considera a cultura arábica como sua velha raiz; a tese folclórica, que a julga criada pelo povo; a tese médio-latinista, segundo a qual essa poesia ter-se-ia originado da literatura latina produzida durante a Idade Média; a te se litúrgica considera-a fruto da poesia litúrgico-cristã elaborada na mesma época. Nenhuma delas é suficiente, para resolver o problema, tal a sua unilateralidade. Temos de apelar para todas, ecleticamente, a fim de abarcar a multidão de aspectos contrastantes apresentada pela primeira floração da poesia medieval.

    Todavia, é da Provença que vem o influxo próximo. Aquela região meridional da França tornara-se no século XI um grande centro de atividade lírica, mercê das condições de luxo e fausto oferecidas aos artistas pelos senhores feudais. As Cruzadas, compelindo os fiéis a pró-curar Lisboa como porto mais próximo para embarcar com destino a Jerusalém, propiciaram a movimentação duma fauna humana mais ou menos parasitária, em meio à qual iam os jograis. Estes, penetrando pelo chamado “caminho francês” aberto nos Pirineus, introduziram em Portugal a nova moda poética.

    Fácil foi sua adaptação à realidade portuguesa, graças a ter encontrado um ambiente favoravelmente predisposto, formado por uma espécie de poesia popular de velha tradição. A íntima fusão de ambas as correntes (a provençal e a popular) explicaria o caráter próprio assumido pelo trovadorismo em terras portuguesas.

    A época inicia-se em 1198 (ou 1189), com a “cantiga de garvaia”, dedicada por Paio Soares de Taveirós a Maria Pais Ribeiro, e termina em 1418, quando Fern5o Lopes é nomeado Guarda-Mor da Torre do Tombo, ou seja, conservador do arquivo do Reino, por D. Duarte.

    Origem da Palavra Trovador

    Provença, o poeta era chamado de troubadour, cuja forma correspondente em Português é trovador, da qual deriva trovadorismo, trovadoresco, trovadorescamente. No norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère, cujo radical é igual ao anterior: trouver (=achar): os poetas deviam ser capazes de compor, achar sua canção, cantiga ou cantar, e o poema assiM se denominava por implicar o canto e o acompanhamento musical.

    Duas espécies principais apresentava a poesia trovadoresca: a lírico-amorosa e a satírica. A primeira divide-se em cantiga de amor e cantiga de amigo; a segunda, em cantiga de escárnio e cantiga de maldizer. O idioma empregado era o galego-português, em virtude da então unidade lingüística entre Portugal e a Galiza.

    CANTIGA DE AMOR

    Neste tipo de cantiga, o trovador empreende a confissão, dolorosa e quase elegíaca, de sua angustiante experiência passional frente a uma dama inacessível aos seus apelos, entre outras razões porque de superior estirpe social, enquanto ele era, quando muito, fidalgo decaído. Uma atmosfera plangente, suplicante, de litania, varre a cantiga de ponta a ponta. Os apelos do trovador colocam-se alto. num plano de espiritualidade, de idealidade ou contemplação platônica, mas entranham-se-lhe no mais fundo dos sentidos; o impulso erótico situado na raiz das súplicas transubstancia-se, purifica-se, sublima-se. Tudo se passa como se o trovador “fingisse”, disfarçando com o véu do espiritualismo, obediente às regras de conveniência social e da moda literária vinda da Provença, o verdadeiro e oculto sentido das solicitações dirigidas à dama. A custa de “fingidos” ou incorrespondidos, os estímulos amorosos transcendentalizam-se: repassa-os um torturante sofrimento interior que se segue à certeza da inútil súplica e da espera dum bem que nunca chega. É a coita (= sofrimento) de amor, que, afinal, ele confessa.

    As mais das vezes, quem usa da palavra é o próprio trovador, dirigindo-a com respeito e subserviência à dama de seus cuidados (mia senhor ou mia dona = minha senhora), e rendendo-lhe o culto que o “ser­viço amoroso” lhe impunha. E este orienta-se de acordo com um rígido código de comportamento ético: as regras do “amor cortês”, recebidas da Provença. Segundo elas, o trovador teria de mencionar comedida-mente o seu sentimento (mesura), a fim de não incorrer no desagrado (sanha) da bem-amada; teria de ocultar o nome dela ou recorrer a um pseudônimo (senhal), e prestar-lhe uma vassalagem que apresentava quatro fases: a primeira correspondia à condição de fenhedor, de quem se consome em suspiros; a segunda é a de precador, de quem ousa declarar-se e pedir; entendedor é o namorado; drut, o amante.

    O lirismo trovadoresco português apenas conheceu as duas últimas fases, mas o drut (drudo em Português) se encontrava exclusivamente na cantiga de escárnio e maldizer- Também a senhal era desconhecida de nosso trovadorismo- Subordinando o seu sentimento às leis da corte amorosa, o trovador mostrava conhecer e respeitar as dificuldades interpostas pelas convenções e pela dama no rumo que o levaria à consecução dum bem impossível- Mais ainda: dum bem (e “fazer bem” significa corresponder aos requestos do trovador) que ele nem sempre desejava alcançar, pois seria pôr fim ao seu tormento masoquista, ou inicio dum outro maior. Em qualquer hipótese, só lhe restava sofrer, indefinidamente, a coita amorosa.

    E ao tentar exprimir-se, a plangência da confissão do sentimento que o avassala, — apoiada numa melopéia própria de quem mais murmura suplicantemente do que fala —, vai num crescendo até a última estrofe (a estrofe era chamada na lírica trovadoresca de cobra; podia ainda receber o nome de cobla ou de talho). Visto uma idéia obsessiva estar empolgando o trovador, a confissão gira em torno dum mesmo núcleo, para cuja expressão o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura. Ao contrário, a corrente emocional, movimentando-se num círculo vicioso, acaba por se repetir monotonamente, apenas mudado o grau do lamento, que aumenta em avalanche até o fim. O estribilho ou refrão, com que o trovador pode rematar cada estrofe, diz bem dessa angustiante idéia fixa para a qual ele não encontra expressão diversa.

    Quando presente o estribilho, que é recurso típico da poesia popular, a cantiga chama-se de refrão- Quando ausente, a cantiga recebe o nome de cantiga de maestria, por tratar-se dum esquema estrófico mais complexo, intelectualizado, sem o suporte facilitador daquele expediente repetitivo.

    CANTIGA DE AMIGO

    Escrita igualmente pelo trovador que compõe cantigas de amor, e mesmo as de escárnio e maldizer, esse tipo de cantiga focaliza o outro lado da relação amorosa: o fulcro do poema é agora representado pelo sofrimento amoroso da mulher, via de regra pertencente às camadas populares (pastoras, camponesas, etc.). O trovador, amado incondicionalmente pela moça humilde e ingênua do campo ou da zona ribeirinha, projeta-se-lhe no íntimo e desvenda-lhe o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. O drama é o da mulher, mas quem ainda compõe a cantiga é o trovador: 1) pode ser ele precisamente o homem com quem a moça vive sua história; o sofrimento dela, o trovador é que o conhece, melhor do que ninguém; 2) por ser a jovem analfabeta, como acontecia mesmo às fidalgas.

    O trovador vive uma dualidade amorosa, de onde extrai as duas formas de lirismo amoroso próprias da época: em espírito, dirige-se à dama aristocrática; com os sentidos, à camponesa ou à pastora. Por isso, pode expressar autenticamente os dois tipos de experiência passional, e sempre na primeira pessoa (do singular ou plural), 1) como agente amoroso que padece a incorrespondência, 2) como se falasse pela mulher que por ele desgraçadamente se apaixona. É digno de nota que essa ambigüidade, ou essa capacidade de projetar-se na interlocutora do episódio e exprimir-lhe o sentimento; extremamente curiosa como psicologia literária ou das relações humanas, não existia antes do trovadorismo nem jamais se repetiu depois.

    No geral, quem ergue a voz é a própria mulher, dirigindo-se em confissão à mãe, às amigas, aos pássaros, aos arvoredos, às fontes, aos riachos, O conteúdo da confissão é sempre formado duma paixão in­transitiva ou incompreendida, mas a que ela se entrega de corpo e alma. Ao passo que a cantiga de amor é idealista, a de amigo é realista, traduzindo um sentimento espontâneo, natural e primitivo por parte da mulher, e um sentimento donjuanesco e egoísta por parte do homem.

    Uma tal paixão haveria de ter sua história: as cantigas surpreendem “momentos” do namoro, desde as primeiras horas da corte até as dores do abandono, ou da ausência, pelo fato de o bem-amado estar no fossado ou no bafordo, isto é, no serviço militar ou no exercício das armas. Por isso, a palavra amigo pode significar namorado e amante.

    A cantiga de amigo possui caráter mais narrativo e descritivo que a de amor, de feição analítica e discursiva. E classifica-se de acordo com o lugar geográfico e as circunstâncias em que decorrem os acontecimentos, em serranilha, pastorela, barcarola, bailada, romaria, alba ou alvorada (surpreende os amantes no despertar dum novo dia, depois de uma noite de amor).

    CANTIGA DE ESCÁRNIO E CANTIGA DE MALDIZER

    A cantiga de escárnio é aquela em que a sátira se constrói indiretamente, por meio da ironia e do sarcasmo, usando “palavras cobertas, que hajam dois entendimentos para lhe lo não entenderem”, como reza a Poética Fragmentária que precede o Cancioneiro da Biblioteca Nacional (antigo Colocci-Brancuti). Na de maldizer, a sátira é feita direta­mente, com agressividade, “mais descobertamente”, com “palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer chãmente”, como ensina a mesma Poética Fragmentária.

    Essas duas formas de cantiga satírica, não raro escritas pelos mesmos trovadores que compunham poesia lírico-amorosa, expressavam, como é fácil depreender, o modo de sentir e de viver próprio de ambientes dissolutos, e acabaram por ser canções de vida boemia e escorraçada, que encontrava nos meios frascários e tabernários seu lugar ideal. A linguagem em que eram vazadas admitia, por isso, expressões licenciosas ou de baixo-calão: poesia “maldita”, descambando para a pornografia ou o mau gosto, possui escasso valor estético, mas em contra­partida documenta os meios populares do tempo, na sua linguagem e nos seus costumes, com uma flagrância de reportagem viva.

    Visto constituir um tipo de poesia cultivado notadamente por jograis de má vida, era natural propiciasse e estimulasse o acompanha­mento de soldadeiras (= mulheres a soldo), cantadeiras e bailadeiras, cuja vida airada e dissoluta fazia coro com as chulices que iam nas letras das canções.

    Fonte: www.edms.kit.net

    Trovadorismo

    PORTUGAL - Era Medieval – Séculos XII a XV

    Momento histórico do Trovadorismo- Portugal

  • Cristianismo
  • Cruzadas rumo ao oriente
  • Luta contra os mouros
  • Teocentrismo
  • Feudalismo
  • Monopólio clerical
  • Cronologia do Trovadorismo

    Período

    Séculos XII a XIV.

    Início 1189 (ou 1198)

    Provável data da cantiga da Ribeirinha de Paio Soares de Taveirós.

    Término

    1418 com a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo.

    Cantiga da Ribeirinha

    No mundo ninguém se assemelha a mim

    Enquanto a minha vida continuar como vai

    Porque morro por vós, e ai

    Minha senhora de pele alva e faces rosadas

    Quereis que vós descreva

    Quando eu vos vi sem manto

    Maldito dia! Me levantei

    Que não vos vi feia.

    Paio Soares de Taveirós.

    A poesia no período trovadoresco

    Trovadorismo

    Lírica

    Cantigas de amigo 
    Cantigas de amor

    Satírica

    Cantigas de escárnio
    Cantigas de maldizer

    Características das cantigas

    Língua galego-português tradição oral e coletiva.

    Poesia cantada e acompanhada por instrumentos musicais, colecionada em cancioneiros.

    Autores trovadores

    Intérpretes jograis, segréis e menestréis

    Trovadorismo

    Características das cantigas de amor

  • Voz lírica masculina.
  • Tratamento dado a mulher mia senhor.
  • Expressão da vida da corte.
  • Convenções do amor cortês:

    a. idealização da mulher
    b. vassalagem amorosa.
    c. expressão da coita.

  • Origem provençal.
  • Características da cantiga de amigo

    Voz lírica feminina.

    Tratamento dado ao namorado amigo.

    Expressão da vida campesina e urbana.

    Realismo fatos comuns da vida cotidiana.

    Amor realizado ou possível – sofrimento amoroso.

    Simplicidade – pequenos quadros sentimentais.

    Paralelismo e refrão.

    Origem popular e autóctone (isto é, na própria Península Ibérica.)

    Tipos de cantigas de amigo

    Albas (alvas ou serenas) – o tema relaciona-se com o amanhecer.
    Barcarolas (ou marinhas) - referem-se a um rio, mar ou lago.
    Pastorelas – ou se referem a uma pastora ou um pastor. 
    Bailias (ou bailadas) Falam de danças ou bailes.
    Cantigas de romaria – Prendem-se a romarias ou peregrinações 
    Tensões ou (tenções) são marcadas pelo diálogo

    Quanto a forma podem ser:

    Cantigas de mestria – não tem refrão
    Cantigas de refrão - apresenta refrão e estribilho.
    Cantigas paralelísticas –apresentam paralelismo.

    Características das cantigas satíricas

  • Cantigas de escárnio
  • Indiretas
  • Uso da ironia e do equívoco
  • Cantigas de maldizer
  • Diretas, sem equívocos.
  • Intenção difamatória
  • Palavrões e xingamentos.
  • Os cancioneiros

    A partir do final do século XIII as cantigas foram copiadas e colecionadas em cancioneiros). Tres desses livros, contendo aproximadamente 1680 cantigas, chegaram até nós.

    Cancioneiro da ajuda.

    O cancioneiro da vaticana

    O cancioneiro da biblioteca Nacional de Lisboa.

    Os artistas

    Trovador

    Era o poeta, quase sempre um nobre, que compunha sem preocupaçoes financeiras.

    Jogral

    Chama-se o bobo da Corte, o mímico , o bailarino e as vezes também compunha.

    Segrel

    O trovador profissional, um andarilho.

    Menestrel

    O músico.

    Soldadeira ou jogralesa

    Moça que dançava, cantava e tocava castanholas ou pandeiro.

    Alguns trovadores e jograis

  • Paio Soares de Taveirós
  • Martim Codax
  • D. Afonso Mendes de Besteiros
  • Fernado Esguio
  • João Garcia Guilharde
  • João Zorro
  • Aires Nunes de Santiago
  • D. Dinis, o rei-trovador
  • A Prosa no Trovadorismo séculos XIII e XIV

  • Novelas de cavalaria
  • Ciclo clássico
  • Ciclo carolíngio
  • Ciclo bretão ou arturiano.
  • Hagiografias
  • Livros de linhagens ou nobiliários
  • Cronicões.
  • Fonte: www.cfnp.com.br

    Trovadorismo

    Trovadorismo

    Trovadorismo foi um período da literatura portuguesa compreendido entre 1189 e 1434. Nessa época Portugal estava em processo de consolidação do estado português. Enquanto o mundo estava em pleno Feudalismo, e o Teocentrismo dominava o planeta.

    Os textos do Trovadorismo eram acompanhados de música e geralmente cantados em coro, por isso são chamados de cantigas. As cantigas podem ser classificadas em dois grandes grupos: cantigas líricas e cantigas satíricas. As líricas se subdividem em cantigas de amor e de amigo; as satíricas em cantigas de escárnio e maldizer.

    Cantigas de Amor

    As cantigas de amor são sempre escritas em primeira pessoa e o eu- poético declara seu amor a uma dama, tendo como pano de fundo o ambiente de um palácio. A mulher é vista como um ser inatingível, uma figura idealizada, a quem é dedicado um amor sublimado, idealizado.

    Cantigas de Amigo

    As cantigas de amigo foram criadas a partir do sentimento popular. Apesar de serem escritas em primeira pessoa como as cantigas de amor, as de amigo apresentam um diferencial: o eu-poético é feminino, apesar de ser escrito por homens. A mulher sofre por se ver separada do amante ou namorado e vive angustiada por não saber se o homem amado voltará ou não, ou se a trocará por outra. O ambiente usado como pano de fundo é a zona rural, ou seja a mulher é sempre uma camponesa.

    Chico Buarque, Gonzaguinha, Ari Barroso e outros compositores da MPB escreveram cantigas de amigo.

    Fonte: aprovadonovestibular.com

    Trovadorismo

    Momento histórico do Trovadorismo

    Os historiadores costumam limitar o Trovadorismo entre os anos de 1189 (ou 1198?) e 1385. Mais importante que essas datas convencionais é saber que o Trovadorismo corresponde à primeira fase da história portuguesa ao período da formação de Portugal como reino independente. É o período literário que reúne basicamente os poemas feitos pelos trovadores para serem cantados em feiras, festas e nos castelos durante os últimos séculos da Idade Média. É contemporâneo às lutas pela independência e ao surgimento do Estado português e à dinastia de Borgonha, subdivide-se em três categorias: cantigas de amigo, cantigas de amor e cantigas de escárnio e maldizer. Chegaram até nós três coletâneas de poesias: o Cancioneiro da Vaticana, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Ajuda, todos eles contendo composições que vão do século XII ao século XIV. Os trovadores mais famosos foram o rei Afonso X de Castela e o rei D. Dinis de Portugal.

    Primeira fase da história de Portugal - séculos XII a XIV

    1095

    O rei Afonso VI, de Leão e Castela, concede o condado Portucalense a seu genro Henrique de Borgonha

    1109-1385

    Dinastia de Borgonha. Declínio do Feudalismo

    1139

    D. Afonso Henriques, filho e sucessor de Henrique de Borgonha, após vencer os mouros em batalha declara a independência de Castela (tratado de Zamora).

    1143

    Reconhecimento da independência de Castela (tratado de Zamora )

    1385

    Fim da Dinastia de Borgonha. Revolução de Avis; D. João I é aclamado rei de Portugal; início da dinastia de Avis.

    Trovadorismo

    É o conjunto das manifestações literárias contemporâneas à primeira dinastia - a dinastia de Borgonha (1109-1385) Alguns aspectos da história da Península Ibérica são importantes para entendermos certas características das manifestações literárias desse período:

    O feudalismo, já em declínio, terá reflexos até mesmo na linguagem da poesia amorosa, como veremos adiante. As cortes dos reis e dos grandes senhores feudais são os centros de produção cultural e literária.

    A reconquista do território, dominado pelos árabes desde o século VIII, faz prolongar, na nobreza ibérica, o espírito guerreiro e aventureiro das Cruzadas. Daí o gosto tardio em Portugal pelas novelas de cavalaria.

    Por último, o profundo espírito religioso medieval e teocêntrico refletirá tanto nas já citadas novelas de cavalaria como na poesia de temática religiosa (Cantigas de Santa Maria, de D. Afonso X) e nas hagiografias (vidas de santos) e obras de devoção.

    Cronologia do Trovadorismo

    Início

    1189 (ou 1198?) Provável data da Cantiga da Ribeirinha, de Pai Soares de Taveirós. Supõe-se que esta seja a mais antiga das composições conservadas nos cancioneiros. Outras cantigas disputam essa primazia. 
    Término: 1385 Fim da dinastia de Borgonha

    Cantiga da Ribeirinha

    No mundo non me sei parelha 
    mentre me for como me vai, 
    ca ja moiro por vós e ai! 
    mia senhor branca e vermelha, 
    queredes que vos retraia 
    quando vos eu vi em saia. 
    Mao dia me levantei 
    que vos entom nom vi fea!

    E, mia senhor, des aquelha 
    me foi a mi mui mal di’ai! 
    E vós, filha de Dom Paai 
    Moniz, e bem vos semelha 
    d’aver eu por vós guarvaia, 
    pois eu, mia senhor, d’alfaia 
    nunca de vós ouve nem ei 
    valia d’ua correa.

    Glossário

    non me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim. 
    mentre: enquanto.ca: pois. 
    branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o rosado do rosto. 
    retraia: pinte, retrate, descreva. 
    en saia: sem manto. 
    que: pois 
    dês: desde 
    semelha: parece 
    d’aver eu por vós: receber por seu intermédio. 
    guarvaia: manto luxuoso, provavelmente vermelho, usado pela nobreza. 
    alfaia: presente 
    valia d’un correa: objeto de pequeno valor.

    Considerada por alguns como a mais antiga galego-portuguesa, este texto desafia a interpretação dos estudiosos. Seu sentido continua bastante obscuro. Não se pode concluir nem mesmo se trata de uma cantiga de amor ou de escárnio.

    A poesia no período trovadoresco

    Ao ler um texto poético desse período, não podemos ter em mente a tradição moderna e o que hoje entendemos por poesia. A poesia não era escrita para ser lida por um leitor solitário. Era poesia cantada (daí o nome de cantiga, que passaremos a usar de agora em diante), geralmente era acompanhada por um coro e por instrumentos musicais. Seu público não era, portanto, constituído de leitores, mas de ouvintes. Assim, devemos sempre considerar as cantigas como poesia intimamente ligada à música, própria para apresentações coletivas. Chamamos de poesia trovadoresca à produção poética, em galego-português, do final do século XII ao século XIV. Seu apogeu ocorre no reinado de Afonso III, pelos meados do século XIII.

    Os cancioneiros

    Só tardiamente (a partir do final do século XIII) as cantigas foram copiadas em manuscritos chamados cancioneiros. Três desses livros, contendo aproximadamente 1 680 cantigas, chegaram até nós.São eles:

    Cancioneiro da Ajuda 
    Cancioneiro da Vaticana 
    Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa

    Os autores

    Os autores das cantigas são chamados trovadores. Eram pessoas cultas, quase sempre nobres, contando-se entre eles alguns reis, como D. Sancho I, D. Afonso X, de Castela e D. Dinis. Nos cancioneiros que conhecemos, estão reunidos as cantigas de 153 trovadores.

    Os intérpretes

    As cantigas compostas pelos trovadores eram musicadas e interpretadas pelo jogral, pelo segrel e pelo menestrel, artistas agregados às cortes ou perambulavam pelas cidades e feiras. Muitas vezes o jogral também compunha cantigas.

    Características das cantigas

    Língua galego-português 
    Tradição oral e coletiva 
    Poesia cantada e acompanhada por instrumentos musicais colecionada em cancioneiros 
    Autores trovadores 
    Intérpretes: jograis, segréis e menestréis. 
    Gêneros: lírico (cantigas de amigo, cantigas de amor) e satírico (cantigas de escárnio, cantigas de maldizer).

    Os gêneros

    Podemos classificar as cantigas podem ser classificadas em:

    Gênero lírico

    Cantigas de amigo, cantigas de amor

    Gênero satírico

    Cantigas de escárnio e de maldizer

    GÊNERO LÍRICO

    CARACTERÍSTICAS DAS CANTIGAS DE AMOR

  • Eu lírico masculino
  • Tratamento dando à mulher: mia senhor.
  • Expressão da vida da corte.
  • Convenções do amor cortês:

    a) Idealização da mulher
    b) Vassalagem amorosa
    c) Expressão da coita.

  • Origem provençal
  • CARACTERÍSTICAS DAS CANTIGAS DE AMIGO

    Eu lírico feminino 
    Tratamento dado ao namorado: amigo 
    Expressão da vida campesina e urbana 
    Amor realizado ou possível - sofrimento amoroso 
    Simplicidade - pequenos quadros sentimentais 
    Paralelismo e refrão 
    Origem popular e autóctone (isto é, na própria Península Ibérica)

    AS CANTIGAS DE AMOR

    Canção de amor
    D. Dinis

    Quer’eu em maneira de proença! 
    fazer agora um cantar d’amor 
    e querrei muit’i loar lmia senhor 
    a que prez nem fremosura nom fal, 
    nem bondade; e mais vos direi ém: 
    tanto a fez Deus comprida de bem 
    que mais que todas las do mundo val. 
    Ca mia senhor quizo Deus fazer tal, 
    quando a faz, que a fez sabedord 
    e todo bem e de mui gram valor, 
    e com tod’est[o] é mui comunal 
    ali u deve; er deu-lhi bom sém, 
    e desi nom lhi fez pouco de bem 
    quando nom quis lh’outra 
    foss’igual

    Ca mia senhor nunca Deus pôs mal, 
    mais pôs i prez e beldad’e loor 
    e falar mui bem, e riir melhor 
    que outra molher; desi é leal 
    muit’, e por esto nom sei oj’eu quem 
    possa compridamente no seu bem 
    falar, ca nom á, tra-lo seu bem, al.

    Tradução:

    Quero à moda provençal 
    fazer agora um cantar de amor, 
    e quererei muito aí louvar minha senhora 
    a quem honra nem formosura não faltam 
    nem bondade; e mais vos direi sobre ela: 
    Deus a fez tão cheia de qualidades 
    que ela mais que todas do mundo.

    Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo 
    quando a fez, que a fez conhecedorad 
    e todo bem e de muito grande valor, 
    e além de tudo isto é muito sociável 
    quando deve; também deu-lhe bom senso, 
    e desde então lhe fez pouco bem 
    impedindo que nenhuma outra fosse igual a ela

    Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal, 
    mas pôs nela honra e beleza e mérito 
    e capacidade de falar bem, e de rir melhor 
    que outra mulher também é muito leal 
    e por isto não sei hoje quem 
    possa cabalmente falar no seu próprio bem 
    pois não há outro bem, para além do seu.

    AS CANTIGAS DE AMIGO

    Canção de amigo

    Martim Codax

    Ondas do mar de Vigo, 
    se vistes meu amigo? 
    E ai Deus, se verra cedo!

    Ondas do mar levado, 
    se vistes meu amado? 
    E ai Deus, se verra cedo!

    Se vistes meu amigo, 
    o por que eu sospiro? 
    E ai Deus, se verra cedo!

    Se vistes meu amado, 
    por que ei gran coitado? 
    E ai Deus, se verra cedo!

    Tradução

    Ondas do mar de Vigo, 
    acaso vistes meu amigo? Queira Deus que ele venha cedo!

    Ondas do mar agitado, 
    acaso vistes meu amado? 
    Queira Deus que ele venha cedo!

    Acaso vistes meu amigo 
    aquele por quem suspiro? 
    Queira Deus que ele venha cedo!

    Acaso vistes meu amado, 
    por quem tenho grande cuidado (preocupado) ? 
    Queira Deus que ele venha cedo!

    Martim Codax: trovador-jogral da época de Afonso III (meados do século XIII). “Dele só nos restam sete cantigas d’amigo, que se caracterizam por um delicioso primitivismo poético e pelo fato de serem seis destas composições as únicas cantigas trovadorescas acompanhadas da respectiva notação musical” (S. Spina)

    CANTIGA DE AMIGO

    D. Dinis

    - Ai flores, ai flores do verde pino, 
    se sabedes novass do meu amigo! 
    Ai Deus, e u é?

    Ai flores, ai flores do verde ramo, 
    se sabedes novas do meu amado! 
    Ai Deus, e u é?

    Se sabedes novas do meu amigo, 
    aquel que lmentiu do que pôs comigo! 
    Ai Deus, e u é?

    Se sabedes novas do meu amado, 
    aquel que mentiu do que mi á jurado! 
    Ai Deus, e u é?

    - Vós me preguntades polo voss’amado, 
    e eu bem vos digo que é san’e vivo. 
    Ai Deus, e u é?

    Vós me preguntades polo voss’amado, 
    e eu bem vos digo que é viv’e sano. 
    Ai Deus, e u é?

    E eu bem vos digo que é san’e vivo 
    e seera vosc’ant’o prazo saído. 
    Ai Deus, e u é?

    E eu bem vos digo que é viv’e sano 
    e seera vosc’ant’o prazo passado. 
    Ai Deus, e u é?

    Glossário

    pino: pinheiro 
    novas: notícias 
    e u é?: e onde ele está? 
    do que pôs comigo: sobre aquilo que combinou comigo (isto é, o encontro sob os pinheiros) 
    preguntades: perguntais 
    polo: pelo 
    que é san’e vivo: que está são (com saúde e vivo) 
    e seera vosc’ant’o prazo saído (passado): e estará convosco antes de terminar o prazo combinado

    D. Dinis, grande incentivador da cultura, fundou a Universidade de Lisboa (1291), posteriormente transferida para Coimbra (1308). Foi chamado o rei-trovador, com 138 cantigas conhecidas.

    O GÊNERO SATÍRICO

    As cantigas satíricas apresentam interesse sobretudo histórico. São verdadeiros documentos da vida social, principalmente da corte. Fazem ecoar as reações públicas a certos fatos políticos: revelam detalhes da vida íntima da aristocracia, dos trovados e dos jograis, trazendo até nós os mexericos e os vícios ocultos da fidalguia medieval portuguesa.

    Enquanto as cantigas de escárnio utilizam a ironia e o equívoco para realizar mais indiretamente essas zombarias, as cantigas de maldizer são sátiras diretas. Daí sua maior virulência, o emprego mais freqüente de palavrões (em geral os mesmos que usam até hoje) e a abordagem mais desabusada dos vícios sexuais atribuídos aos satirizados.

    A diferença entre esses dois tipos de cantiga é, portanto, apenas relativa. Freqüentemente a classificação dos textos é ambígua.

    O próprio significado das palavras escárnio e maldizer pode deixar mais clara essa diferença entre os dois tipos de sátira:

    Escárnio

    Zombaria, menosprezo, desprezo, desdém

    Maldizer

    (verbo) pragueja contra; (substantivo), maledicência, difamação. 

    CARACTERÍSTICAS DAS CANTIGAS DE ESCÁRNIO

  • indiretas
  • uso da ironia e do equívoco
  • CARACTERÍSTICAS DAS CANTIGAS DE MALDIZER

  • diretas, sem equívocos
  • intenção difamatória
  • palavrões e xingamentos
  • CANTIGAS DE ESCÁRNIO

    De vós, senhor, quer’eu dizer verdade 
    e nom ja sobr’[o] amor que vos ei: 
    senhor, bem [moor] é vossa torpicidade 
    de quantas outras eno mundo sei; 
    assi de fea come de maldade 
    nom vos vence oje senom filha dum rei 
    [Eu] nom vos amo nem me perderei, 
    u vos nom vir, por vós de soidade[...]

    Pero Larouco

    Tradução

    Sobre vós, senhora, eu quero dizer verdade 
    e não já sobre o amor que tenho por vós: 
    senhora, bem maior é vossa estupidez 
    do que a de quantas outras conheço no mundo 
    tanto na feiúra quanto na maldade 
    não vos vence hoje senão a filha de um rei 
    Eu não vos amo nem me perderei 
    de saudade por vós, quando não vos vir.

    CANTIGA DE MALDIZER

    João Garcia de Ghilhade

    Ai, dona fea, fostes-vos queixar 
    que vos nunca louv[o] em meu cantar; 
    mais ora quero fazer um cantar 
    em que vos loarei toda via; 
    e vedes como vos quero loar: 
    dona fea, velha e sandia!

    Dona fea, se Deus mi pardom, 
    pois avedes [a]tam gram coraçom 
    que vos eu loe, em esta razom 
    vos quero ja loar toda via; 
    e vedes qual sera a loaçom: 
    dona fea, velha e sandia!

    Dona fea, nunca vos eu loei 
    em meu trobar, pero muito trobei; 
    mais ora ja um bom cantrar farei, 
    em que vos loarei toda via; 
    e direi-vos como vos loarei: 
    dona fea, velha e sandia!

    Tradução

    Ai, dona feia, foste-vos queixar 
    que nunca vos louvo em meu cantar; 
    mas agora quero fazer um cantar 
    em que vos louvares de qualquer modo; 
    e vede como quero vos louvar 
    dona feia, velha e maluca!

    Dona feia, que Deus me perdoe, 
    pois tendes tão grande desejo 
    de que eu vos louve, por este motivo 
    quero vos louvar já de qualquer modo; 
    e vede qual será a louvação: 
    dona feia, velha e maluca!

    Dona feia, eu nunca vos louvei 
    em meu trovar, embora tenha trovado muito; 
    mas agora já farei um bom cantar; 
    em que vos louvarei de qualquer modo; 
    e vos direi como vos louvarei: 
    dona feia, velha e maluca!

    Fonte: www.jackbran.pro.br

    Trovadorismo

    A época do trovadorismo abrange as origens da Língua Portuguesa, a língua galaico-portuguesa (o português arcaico) que compreende o período de 1189 a 1418. Portugal ocupava-se com as Cruzadas, a luta contra os mouros, e estava marcado pelo teocentrismo (universo centrado em Deus, a vida estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma) e pelo sistema feudal (sistema econômico e político, entre senhores e vassalos ou servos), já enfraquecido, em fase de decadência.

    Quando finalmente a guerra chega ao fim, começam manifestações sociais de período de paz, entre elas a literatura, e em torno dos castelos feudais também desenvolveu-se um tipo de literatura que redimensiona a visão do mundo medieval e aponta para novos caminhos, essa manifestação literária é o Trovadorismo.

    Os poetas e cronistas dessa época eram chamados de trovadores, pois no norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère (em Português: trovador), cujo radical é: trouver (achar), dizia-se que os poetas “achavam” sua canção e a cantavam acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos.

    Os trovadores tinham grande liberdade de expressão, entravam em questões políticas e exerceram destacado papel social. O primeiro texto escrito em português foi criado no século XII (1189 ou 1198) era a “Cantiga da Ribeirinha”, do poeta Paio Soares de Taveirós, dedicada a D. Maria Paes Ribeiro, a Ribeirinha. As poesias trovadorescas estão reunidas em cancioneiros ou Livros de canções, são três os cancioneiros: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (Colocci-Brancuti), além de um quarto livro de cantigas dedicadas à Virgem Maria pelo rei Afonso X, o Sábio. Surgiram também os textos em prosa de cronistas como Rui de Pina, Fernão Lopes e Eanes de Azuraram e as novelas de cavalaria, como A Demanda do Santo Graal.

    Tipos de Cantiga

    Os primórdios da literatura galaico-portuguesa foram marcados pelas composições líricas destinadas ao canto.

    Essas cantigas dividiam-se em dois tipos:

    Refrão, caracterizadas por um estribilho repetido no final de cada estrofe,

    Mestria, que era mais trabalhada, sem algo repetitivo.

    Essas eram divididas em temas, que eram: Cantigas de Amor, Amigo e de Escárnio e Maldizer.

    Mas com o surgimento dos textos em prosa e novelas de cavalaria, houve uma nova “classificação”, que deixou dividido em:

    Lírico Amorosa, subdividida em: cantiga de amor e cantiga de amigo.

    Satírica, de escárnio e maldizer.

    Temas

    Cantiga de Amor

    Quem fala no poema é um homem, que se dirige a uma mulher da nobreza, geralmente casada, o amor se torna tema central do texto poético. Esse amor se torna impraticável pela situação da mulher. Segundo o homem, sua amada seria a perfeição e incomparável a nenhuma outra. O homem sofre interiormente, coloca-se em posição de servo da mulher amada.

    Ele cultiva esse amor em segredo, sem revelar o nome da dama, já que o homem é proibido de falar diretamente sobre seus sentimentos por ela (de acordo com as regras do amor cortês), que nem sabe dos sentimentos amorosos do trovador. Nesse tipo de cantiga há presença de refrão que insiste na idéia central, o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura.

    São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada.

    Cantiga de Amigo

    O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher.

    Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.

    Cantigas de escárnio e de maldizer

    Esse tipo de cantiga procurava ridicularizar pessoas e costumes da época com produção satírica e maliciosa.

    As cantigas de escárnio são críticas, utilizando de sarcasmo e ironia, feitas de modo indireto, algumas usam palavras de duplo sentido, para que, não entenda-se o sentido real.

    As de maldizer, utilizam uma linguagem mais vulgar, referindo-se diretamente a suas personagens, com agressividade e com duras palavras, que querem dizer mal e não haverá outro modo de interpretar.

    Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente.

    As novelas de cavalaria - Surgiram derivadas de canções de gesta e de poemas épicos medievais. Refletiam os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil, mas estavam também impregnadas de elementos da mitologia céltica.

    A história mais conhecida é A Demanda do Santo Graal, a qual reúne dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Outras novelas que também merecem destaque são "José de Arimatéia" e "Amadis de Gaula".

    Autores (Trovadores)

    Os mais conhecidos trovadores foram: João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.

    Mas aqui falaremos apenas sobre alguns.

    Paio Soares Taveirós

    Paio Soares Taveiroos (ou Taveirós) era um trovador da primeira metade do século XIII. De origem nobre, é o autor da Cantiga de Amor A Ribeirinha, considerada a primeira obra em língua galaico-portuguesa.

    D. Dinis

    Dom Dinis, o Trovador, foi um rei importante para Portugal, sua lírica foi de 139 cantigas, a maioria de amor, apresentando alto domínio técnico e lirismo, tendo renovado a cultura numa época em que ela estava em decadência em terras ibéricas.

    D. Afonso X

    D. Afonso X, o Sábio, foi rei de Leão e Castela. É considerado o grande renovador da cultura peninsular na segunda metade do século XIII. Acolheu na sua corte e trovadores, tendo ele próprio escrito um grande número de composições em galaico-português que ficaram conhecidas como Cantigas de Santa Maria. Promoveu, além da poesia, a historiografia, a astronomia e o direito, tendo elaborado a General Historia, a Crônica de España, Libro de los Juegos, Las Siete Partidas, Fuero Real, Libros del Saber de Astronomia, entre outras.

    D. Duarte

    D. Duarte foi o décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da segunda dinastia. D. Duarte foi um rei dado às letras, tendo feito a tradução de autores latinos e italianos e organizando uma importante biblioteca particular. Ele próprio nas suas obras mostra conhecimento dos autores latinos.

    Obras: Livro dos Conselhos; Leal Conselheiro; Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela.

    Fernão Lopes

    Fernão Lopes é considerado o maior historiógrafo de língua portuguesa, aliando a investigação à preocupação pela busca da verdade. D. Duarte concedeu-lhe uma tença anual para ele se dedicar à investigação da história do reino, devendo redigir uma Crônica Geral do Reino de Portugal.

    Correu a província a buscar informações, informações estas que depois lhe serviram para escrever as várias crônicas (Crônica de D. Pedro I, Crônica de D. Fernando, Crônica de D. João I, Crônica de Cinco Reis de Portugal e Crônicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal). Foi “guardador das escrituras” da Torre do Tombo.

    Frei João Álvares

    Frei João Álvares a pedido do Infante D. Henrique, escreveu a Crônica do Infante Santo D. Fernando. Nomeado abade do mosteiro de Paço de Sousa, dedicou-se à tradução de algumas obras pias: Regra de São Bento, os Sermões aos Irmãos do Ermo atribuídos a Santo Agostinho e o livro I da Imitação de Cristo.

    Gomes Eanes de Zurara

    Gomes Eanes de Zurara, filho de João Eanes de Zurara. Teve a seu cargo a guarda da livraria real, obtendo em 1454 o cargo de “cronista-mor” da Torre do Tombo, sucedendo assim a Fernão Lopes. Das crônicas que escreveu destacam-se: Crônica da Tomada de Ceuta, Crônica do Conde D. Pedro de Meneses, Crônica do Conde D. Duarte de Meneses e Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné.

    Fonte: www.geocities.com

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