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Flora Apícola

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A flora apícola é o que se pode chamar de pastagem das abelhas. É das flores que as abelhas recolhem o néctar e o pólen, que vão alimentar a colônia.

Conseqüentemente, boas fontes de pólen e néctar contribuem para aumentar a produção do apiário. Por isso, sempre que possível, o apicultor deve planificar a formação do pasto apícola antes mesmo da instalação do apiário.

Há plantas que produzem flores com elevada concentração de néctar, outras que produzem bastante pólen e outras ainda que fornecem igualmente pólen e néctar. Infelizmente, não existe o chamado pasto apícola ideal. Uma espécie vegetal de alto potencial apícola- o eucalipto, por exemplo, pode não se adaptar à sua propriedade. Aliás para o apicultor iniciante, o pasto apícola composto por monocultura deve ser evitado, por proporcionar alimento às abelhas durante uma única época do ano. A exploração do pasto apícola de monocultura sé se justifica na atividade comercial, quando o apicultor realiza a chamada apicultura migratória. Neste caso, o produtor leva suas colméias a pomares ou culturas de floração, transferindo – as para o outro pasto assim termina a florada.

A apicultura fixista, praticada principalmente por pequenos produtores, sitiantes, hobbistas e iniciantes, é mais indicada exploração do pasto apícola constituído por espécies nativas, principalmente árvores que, pela sua diversificação, podem garantir alimento às abelhas continuamente, ainda que, em pequenas quantidades. A partir daí, cabe ao apicultor promover o melhoramento dessa pastagem, introduzindo variedades de maior valor apícola, desde que adaptadas à região onde se situa a propriedade. culturas de médio porte e arbustivas, de alto potencial apícola, devem ser cultivadas próximas ao apiário. Algumas boas fontes de néctar e pólen que podem melhorar a alimentação das abelhas são melilotus, manjericão, manjerona, cosmos, guandu, colza, girassol, citros, frutíferas em geral, curcubitáceas (abóbora, abobrinha, melão, pepino etc.), leguminosas de uma forma geral, hortaliças, entre outras.

Até as chamadas plantas daninhas são excelentes fontes de alimento para as abelhas. Plantas como o assapeixe, carqueja, vassourinha, gervão, trapoeraba, sete – sangrias, vassoura, picão, entre tantas outras consideradas matos devem ser encaradas como fontes de néctar e pólen para as abelhas.

Não deixe também de cultivar, próximo ao apiário, plantas aromáticas e medicinais, pois seu odor atrai muito as abelhas e diversificara ainda mais as fontes de alimento das colônias.

Uma palavra final: o mais importante, na formação do pasto apícola, é que o apicultor procure identificar as espécies mais apropriadas e adaptadas a sua propriedade.

Um exemplo: a astrapéia (lombeija). Essa planta tem a vantagem de florescer em pleno inverno garantindo, assim, alimento à família num período de escassez.

No Rio de Janeiro, apresenta uma concentração de 28 a 44% de açúcar em seu néctar, enquanto em Florianópolis, SC, não concentra mais de 15% de açúcares.

Classificação das plantas apícolas (quanto à produtividade)

1. Flora apícola principal:

Constituída pelas plantas de maior fluxo nectarífero, normalmente formam pastos densos, com floradas prolongadas.
Exemplo: eucalipto, laranjeira, capixingui, angico e etc;

2. Flora apícola secundária ou flora de manutenção:

É formada por aquelas plantas que fornecem menor quantidade de néctar e pólen, servindo apenas para a manutenção da colméia.
Exemplo: ervas daninhas e algumas frutíferas (guanxuma, goiabeira, picão-preto, e etc);

3. Flora apícola terciária (florada eventual):

São aquelas plantas que só produzem fluxo de pólen e/ou néctar quando bem representadas.
Exemplo: astrapéia, caliandra, amor-agarradinho e etc;

4. Flora apícola quartenária (culturas):

O principal objetivo do uso das abelhas na visita destas flores é a realização da polinização. A presença de néctar e pólen na flora quaternária é bastante variável, e ainda existe o risco de contaminação das abelhas devido ao uso comum de agrotóxicos nestas culturas, portanto, cuidados se fazem necessários para esse tipo de exploração.
Exemplo: feijão, girassol, soja, citrus, melancia, melão e etc.

Fonte: www.dependedenos.org

Flora Apícola

O que se entende por flora apícola?

Significa um conjunto de plantas ocorrentes em uma determinada região e que desempenham o papel de sobrevivência para as abelhas.

Há extensas listagens de táxons vegetais considerados importantes para as abelhas, referentes, no presente caso, às diferentes regiões do Brasil. As plantas referidas estão classificadas ao nível de família, gênero e, freqüentemente, a espécie. Muitas vezes estão citadas somente pelos seus nomes vulgares.

Quando se fala em flora apícola, deve-se considerar os interesses e as preferências nutricionais, tanto das abelhas nativas (Meliponini), quanto das introduzidas em nosso país (Apis mellifera L.). As levas dos primeiros imigrantes no Brasil, no século dezenove, principalmente alemães, trouxeram consigo as abelhas vulgarmente chamadas de “européias”, bem como a tradição e cultura de manipular e tratá-las. Entretanto, o pasto para as abelhas aqui era diferente do da Europa. Ambos, o homem e as abelhas tiveram de adaptar-se às novas condições de vida. Fizeram-no muito bem, de modo que estamos vivendo atualmente uma crescente atividade apícola em todo país. Recentemente, a Meliponicultura tem presenciado um importante desenvolvimento, tanto ao nível de espaço, quanto à tecnologia inovadora para uma criação racional. Além do mel, cresceu o interesse pela produção e qualidade de derivados apícolas. Estes se referem à própolis, geopropolis, geléia real, ao pólen, à cera e apitoxina.

O pólen da flora apícola é encontrado em mel, própolis, geopropolis e geléia real, além de ser coletado puro pelas abelhas, estocado em alvéolos (Apis) e potes (Meliponini), separadamente do mel, constituindo o chamado “pão das abelhas”. Existe hoje uma literatura bastante informativa, embora regionalmente ainda limitada, sobre o pólen apícola (Barth 2004. Scientia Agrícola 61: 342-350).

O pólen no mel

Fazem parte do mel os grãos de pólen provenientes, na sua maior parte, das plantas fornecedoras de néctar, as chamadas plantas nectaríferas. Uma certa percentagem do pólen no mel pode ainda ser proveniente de plantas anemófilas, isto é, cujas flores não produzem néctar, somente pólen, disperso pelo vento, mas que pode ser de interesse para as abelhas como fonte de proteínas. Há ainda uma terceira categoria de plantas, as chamadas plantas poliníferas que, além de pouco néctar, fornecem bastante pólen.

É evidente que as plantas nectaríferas são de maior importância na produção de mel. Compreendem um grande número de espécies variando de região para região. Além de minuciosas observações da atividade das abelhas no campo, estas plantas são reconhecidas e identificadas através da “análise polínica” do mel.

Constitui-se no reconhecimento dos tipos polínicos encontrados nas amostras de mel e a partir deles chegar às espécies vegetais que os produziram, bem como à vegetação de interesse apícola ao redor de um apiário e dentro do raio de ação das abelhas. Entre os tipos polínicos mais freqüentes encontrados em nossas amostras de mel, estão como exemplos os de Eucalyptus, de frutas cítricas (Citrus sp.), Mimosaceae e Asteraceae (Compositae).

Entretanto, a avaliação dos dados obtidos, ainda necessita de aprimoramento. Não basta realizar uma simples repartição dos tipos de grãos de pólen encontrados nas amostras de mel em classes de freqüência. É necessário avaliar e ponderar estas categorias e relacioná-las às propriedades e características das plantas que os produziram. Em parte, até empírico, é o nosso conhecimento sobre plantas que produzem mais ou menos néctar, mais ou menos pólen, bem como plantas que são de maior ou menor interesse para as abelhas. Este interesse pode variar de região para região. Por exemplo, Dombeya wallichii

(astrapéia), é de bom interesse para as abelhas no Estado do Rio de Janeiro (região Sudeste), entretanto é de desinteresse no Estado de Santa Catarina (região Sul) devido ao elevado teor de água em seu néctar nesta região. Todas as plantas essencialmente nectaríferas produzem muito néctar e pouco pólen, portanto são sub-representadas nos espectros polínicos.

Entre as poliníferas, isto é, plantas que produzem muito pólen e relativamente pouco néctar, super-representadas nos espectros polínicos, ocorrem diversas espécies do gênero Mimosa , de Melastomataceae (quaresmeiras). Espécies do gênero Eucalyptus, amplamente cultivadas no Brasil a partir do início do século XX, têm produção variável de pólen, de modo que ora se enquadram como nectaríferas, ora como poliníferas.

Há ainda as plantas anemófilas, que não produzem néctar e cujo pólen só acidentalmente entra na composição do espectro polínico de méis. Entre estas, ocorrem com maior freqüência várias espécies de Cecropia (embaúbas), de Poaceae (gramíneas), entre as quais o milho, e de Cyperaceae (tiriricas).

Em resumo, levando-se em consideração na análise polínica de amostras de mel a participação de pólen anemófilo e polinífero, bem como a relação quantitativa de sub- e super-representação do pólen das plantas nectaríferas, obtem-se um diagnóstico mais próximo da verdadeira procedência do mel.

O pólen puro

Servindo de reforço alimentar à dieta do homem, o pólen de bolotas de abelhas é comercializado há longo tempo. Procura-se, no entanto, obter um padrão constante deste produto. O pólen de plantas apícolas é a principal fonte de proteínas na dieta das abelhas. Em visitas ao campo à sua procura, as abelhas recolhem-no sob a forma de bolotas presas às corbículas de seu último par de patas. Na colmeia é armazenado em favos separados dos de néctar. O homem, no desejo de obter também o pólen, coloca na entrada da colmeia um dispositivo caça-pólen, por cuja fresta passa a abelha operária vindo do campo; entretanto, ela perde as bolotas de pólen de suas corbículas, as quais são recolhidas numa bandeja anexa. Posteriormente estas bolotas de pólen são secadas, evitando ser atacadas por mofo e acondicionadas em recipientes e ambiente propícios à sua conservação. Acontece que as abelhas saem à procura de uma única espécie floral mas, não encontrando quantidade suficiente, visitam outras flores e misturam o pólen muitas vezes numa mesma bolota. Portanto, o pólen monofloral apresenta propriedades organolépticas e bioquímicas características e constantes, o heterofloral tem propriedades variáveis.

Além de grãos de pólen, estas bolotas contêm corantes à base de lipídios, provenientes das anteras das flores onde o pólen foi produzido. Variando com os táxons botânicos e em dependência destas substâncias, diversas colorações de pólen são encontradas, desde o bege quase branco até o marron bem escuro, passando por amarelo, alaranjado, vermelho e verde. Os resultados de pesquisas demonstraram que as cargas de pólen de uma mesma coloração podem corresponder a diferentes tipos polínicos e que um mesmo tipo polínico pode ocorrer com diferentes colorações.

Em conclusão, as análises qualitativas e quantitativas dos tipos polínicos encontrados em amostras de pólen apícola são, portanto, instrumentos utilizáveis para a caracterização geográfica de sua procedência, bem como da origem florística.

O pólen em própolis e geoprópolis

Um dos componentes de própolis, compreendendo cerca de 5% de seu peso, é o pólen. Seu aparecimento neste composto tem diversas origens. Pode ser trazido pelo vento, aderindo à resina das exsudações vegetais. Pode também entrar na confecção da própolis como contaminante, proveniente de seu armazenamento dentro da colmeia. O terceiro modo de entrada de pólen na fabricação de própolis tem origem no pólen aderido ao corpo das abelhas durante os seus trabalhos de campo e nas colmeias.

São poucas as análises palinológicas feitas de sedimentos de amostras de própolis. Amostras de própolis dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram analisadas quanto à presença de elementos figurados. Os principais tipos polínicos encontrados, além de grande quantidade de tricomas (glândulas vegetais), corresponderam aos táxons de Cocos, Eucalyptus, Eupatorium, Mimosa caesalpiniaefolia, Mimosa scabrella e Schinus (Anacardiaceae). Chamou atenção o elevado teor de pólen anemófilo, principalmente de Cecropia.

A identificação de táxons vegetais através da morfologia de seus grãos de pólen, permite a inferência, através de associações polínicas, sobre o tipo de vegetação de onde foi recolhida a própolis. É possível definir, salvo em poucos casos, a origem geográfica de uma própolis baseando-se no respectivo espectro polínico.

Foi observado que alguns Meliponini, além de pólen, traziam em separado resina, barro e carregamento de látex do fruto de Vismia para a fabricação de geoprópolis. A presença de sílica e barro e a ausência de tricomas foi usada, além de pólen, para diferenciar geoprópolis de meliponíneos de própolis de Apis.

O pólen na geléia real

De modo semelhante à análise polínica de amostras de própolis e geoprópolis, os espectros polínicos de amostras de geléia real podem constituir-se em instrumento útil na indicação de sua origem regional, bem como de importantes táxons vegetais para as abelhas. O componente pólen compreende cerca de 5% de seu peso.

Conclusão

Tanto para mel, quanto para própolis, geopropolis e geléia real, a análise polínica é essencial no sentido de poder reconhecer, através da vegetação, a região na qual foram produzidos pelas abelhas.

Refrências bibliográficas

Barth OM 1989. O Pólen no Mel Brasileiro. Editora Luxor, Rio de Janeiro. 151 p.
Barth OM 1998. Pollen analysis of Brazilian Propolis. Grana 37: 97-101.
Barth OM, Luz CFP 1998. Melissopalynological data obtained from a mangrove area near to Rio de Janeiro, Brazil. Journal of Apicultural Research 37: 155-163.Barth OM, Luz CFP 2003. Palynological analysis of Brazilian geopropolis samples. Grana 42: 121-127.
Barth OM 2004. Melissopalynology in Brazil: a review of pollen analysis of honeys, propolis and pollen loads of bees. Scientia Agrícola 61: 342-350.
Barth OM 2005. Análise polínica de mel: avaliação de dados e seu significado. Mensagem Doce, SP, 81: 2-6.
Barth OM 2005. Botanical resources used by Apis mellifera determined by pollen analysis of royal jelly in Minas Gerais, Brazil. Journal of Apicultural Research 44: 78-81.

Fonte: www.apis.sebrae.com.br

Flora Apícola

A flora apícola é caracterizada pelas espécies vegetais que possam fornecer néctar e/ou pólen, produtos essenciais para a manutenção das colônias e para a produção de mel. O conjunto dessas espécies é denominado “pasto apícola ou pastagem apícola”.

Para que se obtenha sucesso na criação de abelhas, é fundamental uma avaliação detalhada da vegetação em torno do apiário, levando-se em conta não apenas a identificação das espécies melíferas, mas também a densidade populacional e os seus períodos de floração. Essas informações serão fundamentais na decisão do local para a instalação do apiário, assim como no planejamento e cuidados a serem tomados (revisão, alimentação suplementar e de estímulo, etc.) para os períodos de produção e para os períodos de entressafra (épocas de pouca ou nenhuma disponibilidade de recursos florais).

O pasto apícola pode ser natural, ou seja, formado a partir de espécies nativas ou proveniente de culturas agrícolas e reflorestamentos da indústria de madeira e papel. Nesses casos, a dependência de monoculturas não é aconselhável, pois, além de as abelhas só terem fontes de néctar e pólen em determinadas épocas do ano, há o risco de contaminação dos enxames e dos produtos pela aplicação de agroquímicos nessas áreas (prática comum na agricultura convencional). No caso dos grandes reflorestamentos de eucalipto, nem sempre podem ser considerados bons pastos apícolas, pois, apesar de existirem várias espécies com grande potencial apícola, na maioria dos casos, o corte das árvores ocorre antes da sua maturidade reprodutiva e conseqüente floração.

A diversidade do pasto apícola é uma situação que deve ser buscada. Nesse sentido, o apicultor pode e deve melhorar, sempre que possível, seu pasto apícola, introduzindo na área em torno do apiário espécies apícolas que sejam adaptadas à região, de preferência que apresentem períodos de floração diferenciados, disponibilizando recursos florais ao longo de todo o ano.

O tamanho de um pasto apícola, assim como a sua qualidade (variedade e densidade populacional das espécies, tipos de produtos fornecidos, néctar e/ou pólen e diferentes períodos de floração) irão determinar o que tecnicamente denomina-se “capacidade de suporte” da área. É a capacidade de suporte que irá determinar o número de colmeias a serem locadas em uma área, levando-se em conta o aspecto produtivo. Dessa forma, o potencial florístico dessa área será explorado pelas abelhas, de forma a maximizar a produção, sem que ocorra competição pelos recursos disponíveis.

Apesar das abelhas terem a capacidade de forragear com alta eficiência uma área de 2 a 3 Km ao redor do apiário (em torno de 700 ha de área total explorada), quanto mais próximo da colmeia estiver a fonte de alimento, mais rápido será o transporte, permitindo que as abelhas realizem um maior número de viagens contribuindo para o aumento da produção.

Fonte: www.embrapa.br

Flora Apícola

Sem flores não há néctar; sem néctar não há mel; sem mel não há abelhas.

Essas relações simples fazem-nos ressaltar o transcendental papel das flores na Apicultura.

Tanto é eminentemente importante esse papel na Apicultura que, de atividade extremamente fácil, cômoda e econômica (em lugares ricos em flores! ), transforma-se em exploração difícil, penosa e altamente antieconômica (em lugares pobres em flores).

Sim, porque o mel é o alimento das próprias abelhas; cio excesso de sua produção é que tiram os homens as vantagens econômicas. Ora. se o local é inadequado para a Apicultura, devido ì ausência de pasto para as abelhas, elas muito mal conseguirão o indispensável para sua própria alimentação e consequentemente nada reverterão para lucro do apicultor.

A flora é pois o mais importante fator de progresso de uma exploração apícola, donde o apicultor deverá ter conhecimentos relativos às. essências principais do lugar, épocas de florescimento etc. Já falamos rapidamente sobre esse assunto ao tratarmos da Apicultura migratória. No entanto aqui procuraremos, dada a sua importância, alongar-nos um pouco mais, sem descer no entanto a detalhes por demais profundos.

Ressente-se a Apicultura nacional de um trabalho de cunho extensivo .sobre as plantas nectaríferas e poliníferas, com dados sobre espécies, variedades, épocas de florescimento, concentração dos açúcares do néctar, coloração do pólen, métodos de propagação do vegetal etc. Há apenas trabalhos esparsos de levantamentos locais destinados a outros fins que não apícolas e algumas investidas mais arrojadas no próprio terreno da Apicultura (Érico Amaral – Estudos Apícolas em Leguminosas, e Nogueira Neto – Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão). Um aluno nosso, (Engenheiro Agronomo Procópio Belchior) do Curso de Especialização de Zootecnia (1959), realizou um trabalho muito bom sobre a flora do Estado da Guanabara, em que compilou uma enorme variedade de plantas de valor para a Apicultura, com as épocas de florescimento.

Procuraremos, após uma explicação sobre a secreção do néctar e os fatores que sobre ela influem, dar uma relação das plantas nectaríferas e poliníferas mais importantes para a Apicultura.

A secreçâo do néctar

A maior parte do néctar aproveitado na Apicultura brasileira provém de plantas nativas, não cultivadas ou de essências florestais. É natural que o apicultor possa melhorar o pasto para suas abelhas, através de propagação de plantas apícolas (nectaríferas ou poliníferas) nas suas terras bem como nas terras vizinhas.

Outrossim as autoridades governamentais podem incrementar essa propagação bem como defender a vegetação já existente. através dc-adequados dispositivos legais.

O néctar é a secreção açucarada, proveuieute da seiva vegetal transformada em órgãos especializados, os nectários florais; porém êstes podem também ser localizados fora das flôres (nectários eztraflorais) como na mamona e no algodoeiro.

O uéctar apresenta os seguintes açúcares, perfeitamente identificados segundo Goldschmidt e Burkert: sacarose, cpies-tose, melezitose e rafinose.

Existe também o falso néctar, produzido pelos insetos afídios; não nos interessa no entanto.

Há uma infinidade de plantas que produzem néctar em elevada quantidade e, no entanto, as abelhas não as visitam.

A explicação mais lógica é que a procura das plantas pelas abelhas se baseia em diversos fatores:

Concentração de açúcar do néctar (as abelhas preferem os néctares com elevada concentração de açúcar; assim, se há 2 plantas em floraçâo n;i mesma ocasião, em igualdade de outras condições as abelhas preferirão a que tem néctar mais concentrado, isto é, menos aguado );

Gosto das abelhas, isto é as abelhas preferem o néctar de certas plantas ao de outras. talvez por esse néctar apresentar melhor aroma e sabor para elas;

Possibilidade de acesso aos nectários (é natural que, se uma planta tem néctar de elevada concentração e que poderia ser agradável às abelhas, porém os nectários são fechados ou protegidos por tecidos quaisquer, as abelhas não podem sugar o néctar e, portanto, desinteressam-se pela planta). Fim exemplo disso é a papoula-de-são-francisco (sem valor comercial para a Apicultura), cujos nectários são muito fundos e fechados, donde a abelha desprovida de aparelho mandibular cortador não pode chegar até êles; no entanto um besouro rói a corola, junto à base e a abelha, através do orifício, consegue sugar algum néctar. (Érico Amaral, em seus “Estudos Apícolas em Leguminosas”, verificou várias vêzes fatos idênticos a esse) ;

Escassez de alimentos: se há falta completa cìe néctares de elevada atração para as abelhas, elas recorrerão às plantas de néctares inferiores, premidas que sejam pela fome. Isto explica a importância de plantas nectaríferas ou poliníferas que, de pouco significado comercial em época de fartura, transformam-se em valiosa ajuda para minorar a fome das abelhas em época de acentuada escassez. É o caso na nossa região do amor-agarradinho, da esponja e da marianeira.

Ressaltamos quatro fatores incidentes na preferência das abelhas por determinadas plantas. No entanto quase sempre o fator preponderante é a concentração de açúcar do néctar.

Isto é fácil de explicar por um raciocínio muito elementar que coloca em evidência o notável instinto das abelhas: o conteúdo de açúcar do mel, como já sabemos é quase totalmente formado de glicose e levulose. Ora, esses dois açúcares são obtidos pelo desdobramento da sacarose (principal açúcar cio néctar) pelas enzimas do próprio néctar ou produzidos pelas abelhas. Logicamente, quanto mais concentrado for o néctar (isto é, quanto mais sacarose contiver), mais glicose e levulose fornecerá, com a mesma quantidade de néctar. Portanto, os néctares mais concentrados permitem obter, com o mesmo trabalho (igual número de viagens para colher o néctar e mesma atividade para evaporar a água) maior quantidade de mel. Daí resulta a importância da seleção, tanto quando possível, das espécies de plantas mais ricas em néctar e. dentro de uma mesma espécie. das variedades que apresentam maior concentração.

Esse trabalho de levantamento da concentração do néctar das plantas é feito com auxílio do refratômetro de campo, aparelho provido de lentes e de uma escala graduada que dá as leituras diretas da concentração do néctar em açúcares. Já existem desses aparelhos fabricados no Brasil.

O néctar pode ser recolhido diretamente nas flores ou pegando uma abelha coque o esteja recolhendo e apertando a sua boca contra o vidro do refratômetro: ela expele uma gotinha de néctar que é então medido.

Fonte: www.ufv.br

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