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Polinização

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A Polinização, que é processo reprodutivo das plantas com flores, é um dos principais mecanismos que permitem a manutenção da biodiversidade. Ela ocorre pela transferência dos grãos de pólen da antera (parte masculina) para o estigma (parte feminina da flor). Desta forma, são formados os frutos e sementes.

Como as plantas são seres incapazes de se locomover para se reproduzir, é preciso que haja a participação de agentes para auxiliam no transporte do grão de pólen.

Existem dois tipos de agentes responsáveis por essa transferência: os abióticos e os bióticos.

Os agentes abióticos envolvem são o vento e a água. Já os agentes bióticos contam com a participação de seres vivos, como abelhas, morcegos, besouros, borboletas e outros. Inclusive, há algumas espécies de plantas em que há um sistema ambofílico de polinização: ela tanto pode ocorrer de forma biótica, quando abiótica.

De forma geral (tirando algumas exceções), a polinização pode ser caracterizada como um mutualismo: tanto as plantas, quanto os seres vivos, se beneficiam desta relação. As flores produzem uma série de recursos,como pólen, néctar, lipídeos, tecidos florais, resinas e fragrâncias. Quando um polinizador visita estas flores para usufruir dos recursos, ele acaba por promover a polinização. Desta forma, a planta é polinizada e o ser vivo consegue utilizar o recurso disponível pela flor, com ambos se beneficiando.

Existem algumas plantas, como o papo-de-peru, que enganam seus polinizadores. A flor do papo-de-peru tem forma e coloração amarronzada, além de exalar um cheiro fétido que atrai moscas. Estes insetos são os polinizadores do papo-de-peru. Quando as moscas vão atrás destes recursos, elas ficam presa dentro da flor, que nada oferece. Ela apenas “engana” as moscas. Desta forma não existe uma relação de mutualismo, pois somente a planta se beneficia com a polinização e a mosca de nada usufrui.

Na natureza, existem diversos sistemas bióticos de polinização, como os feitos por abelhas (melitofilia), besouros (cantarofilia), pássaros (ornitofilia), borboletas (psicofilia), mariposas (falenofilia), morcegos (quiropterofilia), entre outros. Inclusive o ser humano pode polinizar flores, por meio de um sistema artificial. Já os sistemas de polinização abióticos são conhecidos como anemofilia (polinização pelo vento) e hidrofilia (polinização pela água).

Importância da polinização

A polinização é de extrema importância para a manutenção da biodiversidade. Só para se ter ideia, mais de 80% das espécies de plantas com flores dependem de insetos para transportar o pólen. Vale lembrar que existem plantas que só conseguem ser polinizadas por um único tipo de polinizador. Ou seja: caso este polinizador seja extinto, a planta também será, pois não terá como se reproduzir.

Para a espécie humana, a polinização é de extrema importância. No Brasil, por exemplo, um estudo apontou que, de 141 culturas agrícolas, 85 delas dependem de polinizadores. Caso os polinizadores desaparecessem de uma hora para outra, apenas culturas que tem polinização abiótica conseguiriam se manter: arroz, soja, milho, entre outros. Isso significa que não teríamos mais uma série de alimentos, a não ser que fosse feita a polinização artificial pelo homem.

Um exemplo de cultura dependente de polinizador específico é o maracujá. Esta planta, para ser polinizada, depende de abelhas grandes, conhecidas como mamangavas. Somado a isso, o maracujá depende de polinização cruzada, ou seja: o pólen não pode ser da mesma flor, tem que ser de uma flor de outro maracujazeiro. Logo, as mamangavas são os polinizadores mais eficientes do maracujá.Na ausência destes insetos, é preciso fazer a polinização manual do maracujá, na qual é preciso que uma pessoa pegue o pólen de uma flor e leve até a outra.

Logo, ao se falar da proteção dos polinizadores, é preciso ficar muito atento. Eles são de extrema importância para manutenção da biodiversidade. Imagine se esses seres vivos desaparecessem? A imensa maioria das plantas não teria como se reproduzir e, desta forma, afetaria toda a ecologia.

Vale lembrar que os polinizadores, para o ser humano, prestam um serviço ecossistêmico, ou seja, executam uma tarefa gratuitamente: fazem a polinização, auxiliando assim na formação de frutos e sementes utilizados para a sobrevivência humana.

Juliano Schiavo
Biólogo e Mestre em Agricultura e Ambiente

Referências

GIANNINI, T. C. et al. The dependence of crops for pollinators and the economic value of pollination in Brazil. Journalofeconomicentomology, p. tov093, 2015.

RECH, A. R. (Org.) ; AGOSTINI, K. (Org.) ; OLIVEIRA, P.E.A.M. (Org.) ; MACHADO, I. C. S. (Org.) . Biologia da Polinização. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Projeto Cultural, 2014. v. 1. 623p.

SILVA, C.I; MARCHI, P.; ALEIXO, K. P.; SILVA, B. N.; FREITAS, B. M.; GARÓFALO, C. A.; IMPERATRIZ-FONSECA, V. L.; OLIVEIRA, P. E. A. M.; SANTOS, I. A. Manejo dos polinizadores e polinização das flores do maracujazeiro. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2014.

TOLEDO, K. Benefício mútuo. Revista Fapesp. Edição 218 – Abril de 2014. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/04/24/beneficio-mutuo/>. Acesso em 22 de maio de 2015.

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