Obras Literárias

março, 2017

  • 3 março

    Por cima destas águas, forte e firme (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Por cima destas águas, forte e firme, irei por onde as sortes ordenaram, pois, por cima de quantas me choraram aqueles claros olhos, pude vir me. Já chegado era o fim de despedir me, já mil impedimentos se acabaram, quando rios de amor se …

  • 3 março

    Pois meus olhos não cansam de chorar (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Pois meus olhos não cansam de chorar tristezas, que não cansam de cansar me; pois não abranda o fogo em que abrasar me pôde quem eu jamais pude abrandar; não canse o cego Amor de me guiar a parte donde não saiba tornar me; …

  • 3 março

    Pensamentos, que agora novamente (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Pensamentos, que agora novamente cuidados vãos em mim ressuscitais, dizei me: ainda não vos contentais de terdes, quem vos tem, tão descontente? Que fantasia é esta, que presente cad’hora ante meus olhos me mostrais? Com sonhos e com sombras atentais quem nem por sonhos …

  • 3 março

    Pelos extremos raros que mostrou (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Pelos extremos raros que mostrou em saber, Palas, Vénus em fermosa, Diana em casta, Juno em animosa, África, Europa e Asia as adorou. Aquele saber grande que ajuntou esprito e corpo em liga generosa, esta mundana máquina lustrosa, de só quatro Elementos fabricou. Mas …

  • 3 março

    Passo por meus trabalhos tão isento(1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Passo por meus trabalhos tão isento de sentimento grande nem pequeno, que só pola vontade com que peno me fica Amor devendo mais tormento. Mas vai me Amor matando tanto a tento, temperando a triaga co veneno, que do penar a ordem desordeno, porque …

  • 3 março

    Os vestidos Elisa revolvia (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Os vestidos Elisa revolvia que lh’Eneias deixara por memória: doces despojos da passada glória, doces, quando seu Fado o consentia. Entr’eles a fermosa espada via que instrumento foi da triste história; e, como quem de si tinha a vitória, falando só com ela, assi …

  • 3 março

    Os reinos e os impérios poderosos (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Os reinos e os impérios poderosos que em grandeza no mundo mais cresceram, ou por valor de esforço floreceram ou por varões nas letras espantosos. Teve Grécia Temístocles famosos; os Cipiões a Roma engrandeceram; doze pares a França glória deram; Cides a Espanha, e …

  • 3 março

    Ondados fios d’ouro reluzente (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Ondados fios d’ouro reluzente, que, agora da mão bela recolhidos, agora sobre as rosas estendidos, fazeis que sua beleza se acrecente; Olhos, que vos moveis tão docemente, em mil divinos raios entendidos, se de cá me levais alma e sentidos, que fora, se de …

  • 3 março

    Olhos fermosos, em quem quis Natura (1668)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Olhos fermosos, em quem quis Natura mostrar do seu poder altos sinais, se quiserdes saber quanto possais, vede-me a mim, que sou vossa feitura. Pintada em mim se vê vossa figura, no que eu padeço retratada estais; que, se eu passo tormentos desiguais, muito …

  • 3 março

    Óh quão caro me custa o entender-te (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Oh! quão caro me custa o entender te, molesto Amor, que, só por alcançar te, de dor em dor me tens trazido a parte onde em ti ódio e ira se converte! Cuidei que para em tudo conhecer te, me não faltasse experiência e …