Obras Literárias

março, 2017

  • 3 março

    Oh como se me alonga, de ano em ano

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Oh! como se me alonga, de ano em ano, a peregrinação cansada minha! Como se encurta, e como ao fim caminha este meu breve e vão discurso humano! Vai se gastando a idade e cresce o dano; perde se me um remédio, que inda …

  • 3 março

    O tempo acaba o ano, o mês e a hora (1668)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O tempo acaba o ano, o mês e a hora, a força, a arte, a manha, a fortaleza; o tempo acaba a fama e a riqueza, o tempo o mesmo tempo de si chora. tempo busca e acaba o onde mora qualquer ingratidão, qualquer …

  • 3 março

    O raio cristalino s’estendia (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O raio cristalino s’estendia pelo mundo, da Aurora marchetada, quando Nise, pastora delicada, donde a vida deixava, se partia. Dos olhos, com que o Sol escurecia, levando a vista em lágrimas banhada, de si, do Fado e Tempo magoada, pondo os olhos no Céu, …

  • 3 março

    O filho de Latona esclarecido (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O filho de Latona esclarecido, que com seu raio alegra a humana gente, o hórrido Piton, brava serpente, matou, sendo das gentes tão temido. Feriu com arco, e de arco foi ferido, com ponta aguda d’ouro reluzente; nas tessálicas praias, docemente, pela Ninfa Peneia …

  • 3 março

    O dia em que eu nasci, moura e pereça (1860)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O dia em que eu nasci, moura e pereça, não o queira jamais o tempo dar, não torne mais ao mundo, e, se tornar, eclipse nesse passo o sol padeça. luz lhe falte, o sol se [lhe] escureça, mostre o mundo sinais de se …

  • 3 março

    O culto divinal se celebrava (1598)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O culto divinal se celebrava no templo donde toda a criatura louva o Feitor divino, que a feitura com seu sagrado sangue restaurava. Ali Amor, que o tempo me aguardava onde a vontade tinha mais segura, nüa celeste e angélica figura a vista da …

  • 3 março

    O Céu, a terra, o vento sossegado (1616)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões O céu, a terra, o vento sossegado… As ondas, que se estendem pela areia… Os peixes, que no mar o sono enfreia… O nocturno silêncio repousado… O pescador Aónio, que, deitado onde co vento a água se meneia, chorando, o nome amado em vão …

  • 3 março

    Num tão alto lugar, de tanto preço (1668)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Num tão alto lugar, de tanto preço, este meu pensamento posto vejo, que desfalece nele inda o desejo, vendo quanto por mim o desmereço. Quando esta tal baixesa em mim conheço, acho que cuidar nele é grão despejo, e que morrer por ele me …

  • 3 março

    Num jardim adornado de verdura (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Num jardim adornado de verdura, a que esmaltam por cima várias flores, entrou um dia a deusa dos amores, com a deusa da caça e da espessura. Diana tomou logo üa rosa pura, Vénus um roxo lírio, dos milhores; mas excediam muito às outras …

  • 3 março

    Num bosque que dos Ninfas se habitava (1595)

    Sonetos de Luís Vaz de Camões Num bosque que das Ninfas se habitava Sílvia, Ninfa linda, andava um dia; subida nüa árvore sombria, as amarelas flores apanhava. Cupido, que ali sempre costumava a vir passar a sesta à sombra fria, num ramo o arco e setas que trazia, antes que …