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A Madrugada – Olavo Bilac

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Os pássaros, que dormiam
Nas árvores orvalhadas,
Já a alvorada anunciam
No silêncio das estradas.
As estrelas, apagando
A luz com que resplandecem,
Vão tímidas vacilando
Até que desaparecem.
Deste lado do horizonte,
Numa névoa luminosa,
O céu, por cima do monte,
Fica todo cor-de-rosa;
Daí a pouco, inflamado
Numa claridade intensa,
Se desdobra avermelhado,
Como uma fogueira imensa.
Os galos, batendo as asas,
Madrugadores, já cantam;
Já há barulho nas casas,
Já os homens se levantam,
O lavrador pega a enxada,
Mugem os bois à porfia;
– É a hora da madrugada
Saudai o nascer do dia!


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