Carrapato (Página 3)
Carrapato

CARRAPATO BOOPHILUS MICROPLUS

Reino Metazoa
Filo Arthropoda
Sub-Filo Chelicerata
Classe Arachnida
Sub-classe Acari
Super Ordem Parasitiformes
Ordem Ixodida
Sub-ordem Metastigmata
Família Ixodidae
Grupo Metastriata
Sub-família Rhipicephalinae
Gênero Boophilus
Espécie Boophilus microplus

Carrapato
Carrapato

A sub-classe Acari, da classe Arachnida, à qual pertencem os carrapatos e outros ácaros é um grupo muito heterogêneo, apresentando grande diversidade de hábitos e habitats (GUIMARÃES et al, 2001). Os carrapatos, particularmente, pertencem a ordem Ixodida, Esta ordem pode ser dividida em três famílias: Argasidae, Nuttalliellidae e Ixodidae.

Os exemplares de Boophilus agrupam-se em cinco espécies, sendo a mais difundida e única encontrada no Brasil Boophilus microplus (CANESTRINI). Seu nome, do grego, significa: Boo = boi, philus = “amigo”, microplus = menor, ou seja o “menor amigo do boi”.

Distribuição

Distribuição Mundial dos Carrapatos
Distribuição Mundial dos Carrapatos

O B. microplus é um carrapato com ampla distribuição mundial, estando presente na faixa contida entre os paralelos 32° N e 32° S. O carrapato bovino tem destacada importância nos países da América Latina, África e Oceania. No Brasil, esse carrapato foi introduzido com o gado trazido pelos primeiros colonizadores e atualmente encontra-se distribuído em quase todos os estados.

Segundo CANESTRINI (apud GUIMARÃES et al, 2001), o Boophilus microplus é descrito da seguinte maneira:

Morfologia

Corpo relativamente pequeno, indivíduos adultos, não ingurgitados alcançam freqüentemente 2 a 3 mm de comprimento, sem ornamentações. Capítulo (ou gnatossoma, ou cabeça falsa, situado antero-dorsalmente) hexagonal dividido em base do capítulo, hipostômio (prolongamento da parede ventral do capítulo que contém os dentes curvos), quelíceras (dilaceração dos tecidos e fixação ao hospedeiro) e palpos (apêndices pares, situados lateralmente ao hipostômio, bem visíveis) . Aparelho bucal curto, hipostômio mais longo que os palpos. Placas espiraculares circulares. Sulco anal e festões ausentes. Machos com quatro placas adanais longas e distintas, com corpo terminando em uma ponta aguda. Nas fêmeas o corpo termina normalmente arredondado.

Biologia

Carrapato de um só hospedeiro. Seu desenvolvimento se completa em duas fases: fase parasitária que ocorre sobre os bovinos, e fase de vida livre, em que o carrapato, completa o ciclo no solo, após abandonar seu hospedeiro. Espécie muito abundante, parasita predominantemente bovinos e só excepcionalmente ataca o homem.

Fase Parasitária

Esta fase começa com a subida da larva infestante no hospedeiro. Após a fixação são denominadas “larvas parasitárias”. Estas procuram uma área no animal para a fixação, normalmente em locais abrigados das defesas mecânicas do hospedeiro, tais como, base da cauda, barbela, peito e parte posterior das coxas. Não obstante, o animal se defende com o ato de se lamber, movimentos da cauda, que são verdadeiras vassouras para as larvas. Junto ao local de fixação aparecem zonas de hiperemia e inflamação. A larva após a troca de cutícula (metalarva), dá origem a ninfa, por volta de 8 a 10 dias (ATHANASSOF, 1953). Esta alimenta-se de sangue, sofre uma muda (metaninfa) , ao redor do 15.º dia (ATHANASSOF, 1953) e transforma-se em adulto imaturo, neandro (macho) e neógina (fêmea).

A fêmea após o acasalamento, começa a alimentação até o ingurgitamento total, que propicia sua queda ao solo. Ocasionalmente os machos alimentam-se, porém não ingurgitam de sangue. Eles perambulam pelo corpo do hospedeiro por mais de dois meses, acasalando as fêmeas. A fase parasitária dura aproximadamente 21 dias, na qual o carrapato paasa por todos os estágios. Alimentam-se de linfa, estratos teciduais e plasma. As larvas são hexápodas e não apresentam placas espiraculares. As ninfas e os adultos são octopodas e apresentam placas espiraculares sendo muito semelhantes, distinguindo-se pela ninfa não apresentar aparelho reprodutor e pelo seu tamanho. (GUIMARÃES et al, 2001).

Fase de vida livre

A fase de vida livre inicia-se com a queda de fêmeas ingurgitadas “teleóginas” e culmina quando as larvas eclodidas encontram o hospedeiro. A teleógina ao desprender-se do animal parasitado, cai no solo em geral na primeira metade da manhã, procurando locais abrigados de incidência direta de luz solar para sua ovoposição. O período compreendido entre a queda e o início da postura é chamado de pré-postura. Em condições ideais de temperatura (em torno de 27 ºC) a pré-postura leva cerca de três dias. Em temperaturas entre 27 e 28 ºC e com alata umidade (aproximadamente 80%), a postura e a eclosão ocorrem aproximadamente em 18 dias. A fêmea morre logo após a postura. Normalmente uma teleógina coloca cerca de 3000 a 4000 ovos estando a ovoposição concluída por volta de 12 a 14 dias.

O período médio de incubação é de aproximadamente 25 dias. Em condições climáticas favoráveis, uma semana depois da ovoposição inicia-se a eclosão das larvas que, dependendo da época da época do ano pode levar de 6 semanas até 6 meses. As larvas recém eclodidas migram para as folhas mais altas, onde podem localizar o hospedeiro pelo odor ou vibrações. Nesta fase, elas se tornam “larvas infestantes”. Após 3 a 5 dias da eclosão, elas se tornam amarelo-avermelhadas, medindo cerca de 0,7 por 0,5 mm.

As larvas nas pastagens apresentam geotropismo negativo e fototropismo positivo à intensidade moderada de luz. Sua longevidade depende da temperatura e da umidade relativa, sendo que o calor acelera o metabolismo. À medida que aumenta sua idade fisiológica, elas vão perdendo sua capacidade infestante. Na vegetação, as larvas ficam agrupadas, evitando desse modo a perda de umidade e protegendo-se da incidência direta dos raios solares, aguardando a passagem do hospedeiro. Podem permanecer nestes locais, por mais de 8 meses, até que um animal adequado seja encontrado. O período de atividade das larvas na vegetação, ocorre nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, quando a temperatura é mais amena.

Importância Zootécnica

Ao picar, o carrapato causa perda de sangue, devido à sua ação hematófaga, influenciando no ganho de peso, no estado nutricional e, em conseqüência, na produção, dependendo da intensidade da infestação parasitária. A lesão causada na pele dos animais pode favorecer o aparecimento de infecções secundárias como as miíases cutâneas. Nossas estimativas sobre os prejuízos causados pelo B. microplus não são nada animadoras; no RS, por exemplo, os produtores deixam de arrecadar cerca de 70 milhões de dólares anualmente somente considerando a produção de carne; os gastos com agroquímicos para o controle e profilaxia do carrapato e de miíases pode ultrapassar os 190 milhões de doláres por ano e por fim o prejuízo anual do parasitismo do B. microplus no Brasil pode alcançar 1,8 bilhões de dólares/ano.

A principal forma de controle ainda são os banhos carrapaticidas, porém o crescente surgimento de populações deste carrapato resistentes aos acaricidas disponíveis no mercado e o aparecimento de resíduos químicos em alimentos de origem animal demanda o desenvolvimento de abordagens alternativas de controle, como o uso de vacinas.

Vacinas

A partir da necessidade de novos métodos de controle do B. microplus o desenvolvimento de vacinas economicamente viáveis para o combate do carrapato torna-se um desafio um tanto quanto promissor. As vacinas são sem sombra de dúvidas o método mais eficiente de profilaxia para as mais diversas epidemias, sejam de doenças causadas por microorganismos ou de parasitos. Além de ser um método relativamente barato de controle, a vacinação carrega consigo a vantagem de não deixar nenhum tipo de resíduo nos alimentos de origem animal. Porém, antes de tudo é necessário que se caracterizem antígenos vacinais. Para isso torna-se fundamental um profundo estudo acerca da fisiologia do parasito, bem como das resposta que o hospedeiro desencadeia no sentido de proteger-se do parasitismo.

A escolha desses antígenos, para o combate de parasitos - que são organismos muito mais complexos que bactérias, por exemplo - não é aleatória; as moléculas escolhidas para este fim, devem desempenhar algum papel relevante no parasitismo ou mesmo terem importância fundamental na manutenção da vida do parasito. Exemplos de possíveis alvos que sejam responsáveis por funções chave no parasitismo são: anticoagulantes, antiinflamatórios e outras moléculas que modulem a resposta imune do hospedeiro, enzimas digestivas ou responsáveis pela embriogênese. Por outro lado existe ainda a possibilidade de usar-se moléculas consideradas antígenos ocultos, ou seja, moléculas que não entram em contato com o sistema imune do hospedeiro, pois estas seriam capazes de desencadear uma maior resposta imune por não terem sofrido as chamadas evoluções adaptativas do parasitismo.

Ciclo de Vida do Boophilus Microplus
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Ciclo de Vida do Boophilus Microplus

Fase de Vida Livre
Fase de Vida Parasitária

Tamanho dos Diferentes Estágios do Carrapato

Tamanho dos Diferentes Estágios do Carrapato
Tamanho dos Diferentes Estágios do Carrapato

1) ovo
2) larva
3) partenógina
4) teleógina

Fonte: www.cbiot.ufrgs.br

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