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Classe Insecta

MORFOLOGIA INTERNA E FISIOLOGIA

Aparelho Digestivo dos Insetos

Os alimentos dos insetos podem consistir de qualquer tipo de matéria orgânica, viva, morta ou em decomposição. Alguns insetos alimentam-se de madeira, lã, penas, papel e outros materiais diversos que os mamíferos não podem assimilar. Entretanto, como nos outros animais, a fonte final de matéria e energia é carboidrato, gordura e proteína. O sistema digestivo é portanto modificado para adaptar-se às diferentes dietas. Muitas espécies possuem simbiontes intestinais para auxiliar a digestão.

O aparelho digestivo dos insetos é formado basicamente por um longo tubo que percorre seu corpo no sentido longitudinal, desde a boca até o orifício retal, denominado canal digestivo ou alimentar. O espaço entre o canal alimentar e a paredes do corpo é chamado hemocele ou cavidade geral, e é grandemente ocupado por sangue (hemolinfa). O comprimento e a complexidade do tubo alimentar dependem do hábito alimentar do inseto. Por exemplo, em lagartas esse tubo é simplificado, enquanto em alguns insetos sugadores (Ordem Hemiptera: Homoptera), ocorrem especializações que maximizam o aproveitamento da seiva vegetal pelo inseto.

De maneira geral, o tubo alimentar é diferenciado em 3 regiões principais (Fig. 1), o intestino anterior ou estomodéu, o intestino médio, ou mesêntero, e o intestino posterior, ou proctodéu. Válvulas entre as três divisões principais do canal alimentar regulam a passagem do alimento, e impedem que o alimento volte de uma região para outra. Curiosamente, larvas de certos insetos (ex. abelhas) não têm conexão entre o mesêntero e o proctodéu, e só podem eliminar os excrementos quando chegam à fase adulta.

Quase todos os insetos tomam o alimento pela boca. O intestino anterior inicia-se na cavidade oral e termina na válvula cardíaca. É geralmente formado por faringe, esôfago, papo e proventrículo. A faringe de um inseto adulto em geral ocupa mais ou menos metade do comprimento da cabeça. Muitos insetos com peças bucais mastigadoras cortam e trituram os alimentos, forçando-os para dentro da faringe. A faringe dos insetos sugadores funciona como uma bomba que puxa o alimento líquido através do rostro para o esôfago. O alimento é movido ao longo do canal alimentar por ação peristáltica. No estomodéu já ocorre parte da digestão, através de glândulas salivares e enzimas como amilases e maltases. Alguns insetos lançam enzimas digestivas sobre o alimento para digeri-lo parcialmente antes que ele seja ingerido.

Saliva é geralmente adicionada ao alimento quando ele penetra no canal alimentar, ou antes, no caso de insetos sugadores que injetam saliva no substrato. As glândulas salivares surgem como evaginações do intestino anterior e podem estar localizadas na cabeça e no tórax. Além de auxiliar na digestão, principalmente de carboidratos, pela produção de enzimas, a saliva serve também para umedecer o substrato, limpar as peças bucais, ou, no caso de insetos hematófagos, produzir substâncias anticoagulantes, que impedem o entupimento do rostro do inseto.

Após a ingestão, o alimento passa através do esôfago - que se diferencia pouco da faringe - para a parte posterior do estomodéu (papo ou inglúvio). No papo, o alimento é armazenado e pode sofrer digestão parcial. O intestino anterior é revestido com cutícula e muito pouca absorção (exceto possivelmente de gorduras) ocorre nessa região. O proventrículo, no final do intestino anterior, pode ser provido de "dentes" em forma de agulhas que trituram partículas grandes em pedaços menores. Esses "dentes" quitinosos são de ocorrência geral nos insetos mastigadores. Após passagem pela válvula cardíaca, o alimento chega ao intestino médio.

O intestino médio consta basicamente de duas porções: uma parte maior (ventrículo), que representa o mesêntero propriamente dito, e estruturas em forma de bolsas, situadas anteriormente, chamadas cecos gástricos. O ventrículo tem a forma de um saco alongado, e é nele que se completa a digestão iniciada no estomodéu. O ventrículo é revestido com células epiteliais, algumas das quais produzem enzimas e outras absorvem o alimento digerido. Quase toda assimilação de substâncias aproveitadas pelo inseto dá-se no mesêntero, uma vez que as paredes dessa região não são revestidas de quitina.

Da parte terminal do ventrículo saem os túbulos de Malpighi, órgãos envolvidos na excreção (ver adiante). Os cecos gástricos são pequenas bolsas laterais que ocorrem em número de 2 a 8 e provavelmente mantêm bactérias e outros microorganismos produtores de enzimas que auxiliam a digestão. Os hábitos alimentares do inseto determinam os tipos de enzimas produzidas no intestino médio.

As enzimas presentes são semelhantes às do homem: maltase (para digerir açúcares) amilase (amido), invertase (sacarose), lipase (gorduras) e protease (proteínas).

As células epiteliais do intestino médio dos insetos são delicadas e podem ser protegidas por uma membrana peritrófica, cuja função aparente é proteger o epitélio secretor contra partículas sólidas abrasivas, impedindo que o alimento entre em contato direto com as células. Essa membrana é permeável, permitindo o intercâmbio de enzimas digestivas e de produtos prontos para a absorção.

O intestino posterior inicia-se a partir do mesêntero pela válvula pilórica e termina no orifício retal, por onde os excrementos são eliminados. O proctodéu tem a forma de um tubo simples, porém pode ser diferenciado em duas porções, uma anterior (íleo) e uma posterior (cólon). Em continuação ao cólon encontra-se o reto, uma porção dilatada em forma de ampola que contém a abertura terminal, o orifício retal. No proctodéu existem glândulas que re-absorvem água e nutrientes essenciais antes que os excrementos sejam eliminados. A conservação da água é vital para os insetos, especialmente para aqueles que se alimentam de material muito seco, como grãos armazenados.

Aparelho Circulatório dos Insetos

O sistema circulatório dos insetos, ao contrário da maioria dos animais superiores, não desempenha função essencial no transporte de oxigênio e na remoção de gás carbônico, mas serve principalmente como um meio para as trocas químicas entre os órgãos do corpo, funcionando no transporte de materiais nutritivos, produtos de excreção, hormônios, entre outros. O sistema circulatório é aberto e consta de vaso que percorre o inseto dorsal e longitudinalmente.

O vaso dorsal constitui-se de um tubo relativamente simples, fechado em sua extremidade posterior e aberto em sua ponta anterior (Fig. 3). A parte posterior deste tubo, situada no abdome, compreende o coração. A parte anterior, a aorta, inicia-se no tórax e termina na cabeça, numa abertura perto do cérebro.

O coração é dividido por válvulas em uma série de câmaras, cada uma das quais possui pelo menos um par de aberturas chamadas óstios, por onde o sangue retorna ao coração. O número de óstios varia nas diferentes espé-cies. As válvulas ostiolares impedem a volta do fluxo do vaso dorsal para a cavidade do corpo.

Pulsações do coração (sístole e diástole) bombeiam o sangue para a frente e para fora da aorta até a região anterior. O aumento da pressão nessa área leva o sangue a mover-se para trás através da cavidade do corpo. Essa cavidade serve como uma câmara para a circulação do sangue e os órgãos e tecidos dos insetos são assim banhados pelo sangue circulante. As extremidades do corpo, como asas, antenas e pernas, são irrigadas através de órgãos pulsáteis acessórios, em forma de tubos, válvulas ou bombas. Movimentos respiratórios podem também influir na circulação do sangue.

O meio circulante (sangue) chama-se hemolinfa, e é em geral um líquido claro de cor verde-azulada ou amarela, que constitui de 5 a 40% do peso do corpo do inseto (em média 25%). Além de atuar nas trocas químicas necessárias para o funcionamento dos órgãos e tecidos, ela funciona como fluido hidráulico para manter a pressão do animal, tem papel na ecdise e na reserva de água. A hemolinfa é composta principalmente de aminoácidos e proteínas e sua composição varia não somente entre as diversas ordens de insetos, mas também de acordo com o sexo, idade, alimento ingerido, etc.

As células da hemolinfa são chamadas hemócitos e podem ter formas variadas.

Possuem quatro funções básicas: fagocitose (ingestão de partículas pequenas e substâncias como metabolitos), encapsulação de partículas estranhas e invasoras, coagulação da hemolinfa e por último o armazenamento e distribuição de nutrientes. O número de hemócitos na hemolinfa também depende da espécie, fase de desenvolvimento, etc., sendo que em geral há de 30.000 a 50.000 células/mm3 de sangue. Como a hemolinfa contém baixos teores de pigmentos respiratórios, possui uma capacidade de transporte de oxigênio insignificante.

Aparelho Respiratório dos Insetos

Assim como os vertebrados, os insetos precisam obter oxigênio do ambiente e eliminar dióxido de carbono como subproduto da respiração. A troca de gases nos insetos, ou seja, a retirada de oxigênio, sua distribuição para os tecidos e a remoção do dióxido de carbono, é efetuada por um complexo sistema de tubos traqueais. Os tubos principais desse sistema, as traquéias, são de origem ectodérmica e abrem-se externamente nos espiráculos (ou estigmas). Internamente, as traquéias se ramificam e se estendem por todo o corpo, terminando em ramos muito finos chamados traquéolas, que permeiam os tecidos.

As traquéias são revestidas por uma cutícula delgada (tenídia), que permite certa flexibilidade e resistência à compressão. Apresentam-se prateadas quando cheias de ar e observadas sob uma lupa. O volume ocupado pelas traquéias no corpo do inseto varia de 5 a 50%, dependendo do seu hábito (insetos mais ativos têm sistema traqueal mais desenvolvido). Já as traquéolas são células simples com paredes finas que penetram diretamente nas células.

Os espiráculos estão localizados lateralmente e variam em número de 1 a 10 pares. Tipicamente, há um par no meso e um no metatórax, e um par em cada um dos primeiros 7 ou 8 segmentos abdominais. As paredes do espiráculo encontram-se revestidas de pêlos e processos cuticulares que previnem a entrada de pó e auxiliam a reduzir a perda de água.

A respiração nos insetos pode ser considerada uma ventilação. Normalmente, o inseto mantém alguns espiráculos abertos e outros fechados, com periodicidade de 5 a 10 segundos. Esse ritmo depende da espécie e de fatores ambientais (é mais rápido em temperaturas mais elevadas). O oxigênio penetra pelos espiráculos, é dirigido através das traquéias para as traquéolas, por ventilação ou difusão devido ao gradiente de concentração. O dióxido de carbono é eliminado pelos mesmos espiráculos, ou pelo próprio tegumento. O controle das trocas gasosas é efetuado aparentemente pelo sistema nervoso. Quando o inseto está inativo, os espiráculos se mantêm fechados, para evitar a perda de água.

Como parte do sistema respiratório, encontramos ainda os sacos aéreos, que são dilatações da traquéia em forma de bolsas diminutas em número variável, encontradas no abdome de insetos voadores. Sua função é armazenar oxigênio e auxiliar no equilíbrio durante o vôo do inseto, especialmente nas ordens Hymenoptera e Diptera.

Muitos insetos aquáticos e larvas de parasitóides apresentam variações na sua troca de gases, e os espiráculos podem estar ausentes. Certas larvas de Diptera respiram pelo tegumento e por brânquias banhadas pela hemolinfa. Muitos besouros aquáticos possuem pêlos hidrófobos que possibilitam a entrada de ar - mas não a de água - em seus espiráculos.

Aparelho Reprodutor dos Insetos

A reprodução nos insetos é quase sempre sexuada, e por oviparidade, sendo os sexos separados. Os óvulos liberados pela fêmea desenvolvem-se após a fusão com os espermatozóides colocados livres pelo macho.

Variações do padrão reprodutivo usual podem ocorrer: por exemplo, castas de operárias em inseto sociais são incapazes de repro-duzir; e em certas espécies a reprodução ocorre sem a presença do macho (partenogênese).

Os sistemas reprodutores dos insetos consistem de glândulas sexuais pares (os ovários das fêmeas e os testículos dos machos) de origem endodérmica, situados no abdome. Destas gônadas, partem gonodutos pareados e um ducto mediano de origem ectodérmica por onde os produtos sexuais são descarregados.

Na fêmea , os ovidutos geralmente se unem posteriormente formando um órgão genital que se abre para o exterior numa vulva. Associada com um aparelho reprodutor, há geralmente uma estrutura em forma de saco chamada espermateca, na qual os espermatozóides são armazenados, e algumas glândulas acessórias de funções variadas (desde a produção de substâncias protetoras ao ovo até veneno, no caso de vespas). A genitália feminina consta ainda de um ovipositor, especializado em muitas ordens para perfurar substratos como tecidos vegetais e animais durante a postura dos ovos.

No macho os vasos deferentes dos testículos se unem posteriormente para formar o ducto ejaculatório, o qual se estende para o exterior. Cada ducto contém uma porção alargada, a vesícula seminal, que armazena os espermatozóides. Esse ducto geralmente termina em um órgão copulador, o orgão genital ou edeago, que pode conter vários processos. A genitália externa do macho é extremamente variável e tem grande valor taxonômico. Os machos também possuem glândulas acessórias, que podem servir para produção de substâncias necessárias à formação do espermatóforo (o "pacote" de espermatozóides em algumas ordens), ou à nutrição e motilidade do espermatozóide.

Os espermatozóides em geral são depositados diretamente na espermateca da fêmea pelo macho, através da inserção de seu falo. Esse comportamento representa um importante passo evolutivo em relação às espécies de artrópodos mais primitivas que deixam seus espermas em espermatóforos no solo, expostos a uma série de intempéries, antes que a fêmea o apanhe. A fecundação ocorre quando o óvulo, passando pela sistema reprodutor feminino, encontra um ou mais espermatozóides que deixam a espermateca. Mediante a fusão dos núcleos, é formado o ovo ou zigoto, que vai dar origem ao novo indivíduo. O acasalamento com vários machos é uma prática comum entre as fêmeas da maioria das ordens de Insecta.

Sistema Nervoso dos Insetos

O sistema nervoso dos insetos consiste de um cérebro localizado na cabeça, acima do esôfago, um gânglio subesofágico ligado ao cérebro e um cordão nervoso ventral que se estende em direção posterior (Fig. 4). O cérebro consiste de uma massa nervosa ganglionar dividida em 3 partes, o protocérebro, que contém os nervos óticos, sendo portanto associado à recepção de estímulos visuais; o deuterocérebro, que é o centro nervoso das informações recebidas pelas antenas, e o tritocérebro, que contém os nervos destinados às peças bucais e à digestão em geral. O cordão nervoso ventral é tipicamente duplo e contém gânglios em cada segmento.

A célula nervosa, o neurônio, funciona na transmissão de impulsos de uma parte do corpo para outra. Essa célula consiste de um corpo celular mais ou menos arredondado (núcleo) ligado por um filamento longo (dentrito) que transmite o estímulo a um terminal (axônio) provido de várias ramificações. O axônio pode estar conectado a outro neurônio, uma glândula ou um músculo, por exemplo. Os nervos são formados por um aglomerado de neurônios envolvidos por uma bainha conjuntiva especial. O impulso origina-se em um órgão sensitivo e percorre todo o corpo até chegar no sistema nervoso central; nesse centro, ele passa por células especializadas até atingir as células motoras nas quais ele se desloca até um músculo ou glândula.

Nos insetos, entretanto, a maior parte das células nervosas e seus processos formam uma série de gânglios unidos longitudinalmente por conectivos. Tipicamente, cada segmento do corpo possui um par de gânglios. Alguns destes gânglios podem estar fundidos (ou até mesmo todos, como no caso dos percevejos que formam uma única massa ganglionar situada no tórax).

Os órgãos sensitivos dos insetos estão localizados principalmente na parede do corpo e a maioria deles é de tamanho microscópico. Os insetos têm órgãos sensitivos que reagem a estímulos principalmente mecânicos, químicos, visuais e auditivos. Os estímulos mecânicos são recebidos por espinhos, sensilas e pêlos tácteis de tipos variados. Os estímulos químicos são detectados pelas antenas (olfato) ou pelas peças bucais (gosto). Estímulos visuais são geralmente registrados pelos olhos compostos e ocelos, enquanto os estímulos auditivos são detectados por pêlos sensíveis e órgãos timpânicos.

Sistema excretor dos Insetos

Os túbulos de Malpighi são os principais órgãos excretores dos insetos. Estes túbulos variam de um ou dois até mais de uma centena. São muito finos e possuem sua extremidade distal fechada e a basal aberta, em contato com a parte anterior do proctodéu. Os túbulos de Malpighi têm função excretora, atuando como reguladores da composição da hemolinfa, retirando dela os produtos do metabolismo intermediário. Os principais produtos de excreção nitrogenada dos insetos é o ácido úrico. Os túbulos de Malpighi também são importantes no balanço hídrico.

Sistema muscular dos Insetos

O sistema muscular dos insetos é bastante complexo e foi desenvolvido de acordo com exigências peculiares do exoesqueleto e da segmentação do corpo.

Por esta razão, o número de músculos num indivíduo pode ser muito grande, variando de algumas centenas até alguns milhares (mais de 4.000) quando comparado ao do homem (500, em média). Os músculos são estriados transversalmente, muito fortes, e capazes de contrações rápidas. Por exemplo, certas espécies de insetos podem levantar mais de 20 vezes seu próprio peso, uma qualidade devida à presença do esqueleto externo e dos músculos poderosos.

Os músculos dos insetos estão divididos em 3 grupos, os músculos fásicos, capazes de contrações rápidas, que movimentam apêndices como asas e pernas, os músculos do exoesqueleto, que produzem expansão e contração dos segmentos do corpo, e os músculos viscerais, que servem aos órgãos internos.

Sistema glandular dos Insetos

Além da produção de metabolitos básicos para o funcionamento das células, tecidos e órgãos, há uma série de substâncias químicas que mesmo produzidas em pequenas quantidades, são essenciais para o perfeito desempenho das funções gerais do inseto. Essas substâncias são chamadas secreções, e as células, ou grupo de células, que as produzem são chamadas glândulas. Há dois tipos gerais de glândulas secretoras, glândulas endócrinas e glândulas exócrinas.

As glândulas exócrinas são dotadas de um ducto próprio através do qual descarregam suas secreções na parte externa do corpo. Seus principais produtos são venenos, feromônios, cera, espuma, substâncias adesivas e repelentes. Os feromônios mais comuns são os de alarme, de agregação, de trilha e os feromônios sexuais.

As glândulas endócrinas são desprovidas de ductos especializados e cujos produtos, os hormônios endócrinos, se difundem na hemolinfa que os distribui a todas as partes do corpo. Os hormônios têm funções diversas, sendo as mais importantes àquelas relacionadas ao desenvolvimento, incluindo as complexas mudanças morfo-fisiológicas e comportamentais relacionadas à muda e metamorfose.

Insetos

Dentre todos os grupos animais, os insetos (Classe Insecta) rivalizam com os seres humanos como os organismos mais bem adaptados à vida terrestre.

Estimativas de diversidade de insetos variam de 1 milhão a mais de 10 milhões de espécies. Pode-se dizer que mais de 90% das espécies animais terrestres são insetos.

Entre as razões para a fantástica multiplicidade de espécies de insetos estão:

Tamanho reduzido

Ciclo de vida de curta duração

Sofisticado sistema sensorial e neuro-motor

Interações evolutivas com plantas e outros organismos

Metamorfose

Presença de asas e pernas

Baixa taxa de extinção.

Essas características dão ao inseto a habilidade para explorar os mais diferentes habitats, com uma capacidade para responder a estímulos externos comparável a dos vertebrados. O tamanho reduzido permite que os insetos explorem diferentes nichos num mesmo habitat. Assim, por exemplo, uma árvore que proporcione algumas refeições a um grupo pequeno de mamíferos herbívoros pode garantir alimento para várias gerações de dezenas de espécies de insetos, que se alimentariam de virtualmente qualquer parte da planta, seja raiz, fruto, folhas, flor ou semente.

O ciclo curto favorece mudanças genéticas de natureza adaptativa em reação a mudanças ambientais, sejam elas alterações de temperatura, exposições a inseticidas, ou outros efeitos desfavoráveis. Essas adaptações resultam em baixa taxa de extinção.

O excelente sistema locomotor ajuda na notável distribuição geográfica dos insetos: com exceção da água salgada, os insetos colonizaram todo o planeta. A presença de asas certamente foi o fator mais importante na dispersão desses animais. Não é por acaso que as ordens de insetos mais numerosas contêm insetos alados e de metamorfose completa. Insetos que exploram diferentes habitats e diferentes alimentos durante seu ciclo teriam mais chance de sucesso, com menor exaustão dos recursos e (relativamente) menor exposição a inimigos naturais. Todas essas vantagens fazem com que insetos sejam encontrados em situações naturais em populações altamente numerosas.

Para entender a fantástica diversidade de insetos, é essencial estudar sua morfologia e fisiologia. O corpo de um inseto adulto é dividido em 3 regiões distintas, cabeça, tórax e abdome. Antes de estudar cada uma destas partes, deve-se entender as propriedades do exoesqueleto dos insetos, pois ele determina grande parte da sua anatomia, fisiologia e locomoção

CABEÇA

A cabeça é a região anterior do corpo em forma de cápsula que contém apêndices fixos (olhos e ocelos) e móveis (antenas e peças bucais) (Fig. 1). Em sua origem embrionária, a cabeça é formada por 6 segmentos. O formato da cabeça varia grandemente nas diversas espécies, mas é em geral bastante esclerotizada.

Além dos apêndices, a cabeça apresenta suturas e cristas cefálicas de grande valor taxonômico.

Antenas

Todos os insetos adultos e formas jovens de diversas espécies (ninfas) possuem um par de antenas (díceros). As antenas são apêndices móveis de função sensorial (olfato, tato, audição e gustação) e apresentam modificações diversas para o desempenho dessas funções.

A antena se origina do segundo segmento embrionário da cabeça, e é formada de 3 partes: escapo, pedicelo e flagelo (Fig. 2). O escapo é o primeiro segmento, em geral mais largo, e articula-se à cabeça.

O pedicelo é geralmente curto e o flagelo é mais longo, sendo formado por um número variável de segmentos (antenômeros).

A antena pode assumir formas diversas, como filiforme, setácea, moniliforme, clavada, fusiforme, pectinada, plumosa, denteada, geniculada, etc. (Fig. 2). Em muitas espécies, machos e fêmas possuem dimorfismo de antenas, pelo tipo, tamanho, ou inserção das antenas na cabeça. Algumas antenas apresentam ainda funções de equilíbrio e auxiliam o macho a segurar a fêmea durante a cópula. Numerosas estruturas sensoriais, como pêlos, ocorrem na antena e funcionam como quimiorreceptores, mecanorreceptores, termorreceptores e higrorreceptores.

Olhos

Com exceção de algumas poucas espécies subterrâneas e endoparasíticas, a maioria dos insetos consegue enxergar relativamente bem, e muitas espécies têm sistemas visuais altamente desenvolvidos.

A visão dos insetos é servida por 2 tipos de fotorreceptores: olhos compostos e ocelos. A maioria das ninfas e dos insetos adultos tem um par de olhos compostos, relativamente grandes e convexos, localizados dorso-lateralmente na cabeça. A superfície de cada olho composto é dividida em áreas circulares ou hexagonais chamadas facetas, que correspondem à lente de um omatídeo. Cada olho pode ser composto por poucos omatídeos (por exemplo de 5 a 10 nas operárias de formigas subterrâneas) ou por um número enorme (mais de 30.000 em libélulas). O formato dos omatídeos varia ainda com o hábito do inseto (por exemplo, insetos noturnos têm omatídeos mais alongados). Grande número de espécies consegue detectar cor, especialmente insetos polinizadores, como abelhas e borboletas.

A cabeça da maioria das larvas e de muitos insetos adultos pode conter ainda de 1 a 3 olhos simples (ocelos). Há dois tipos de ocelos, os laterais, típicos de larvas e pupas, que têm uma estrutura parecida com um omatídeo, e os ocelos dorsais, que são os olhos simples dos adultos. Os ocelos dorsais geralmente aparecem no vértice da cabeça, entre os olhos compostos. Ocelos estão mais envolvidos na detecção de variações na luz do que propriamente na formação de imagens.

Suturas

Suturas (ou sulcos) são linhas que demarcam uma dobra para dentro da cutícula, dividindo a cabeça em um número de escleritos mais ou menos distintos. Há uma variação considerável na disposição das suturas nas diferentes ordens de insetos. As suturas mais comuns são a epicranial, epistomal, labroclipeal, subgenal, ocular, antenal, pós-antenal, occipital e sub-occipital. Aparentemente, as suturas não têm relação direta com a metamerização da cabeça.

Peças bucais

O aparelho bucal é composto de apêndices móveis originados dos terceiro, quarto, quinto e sexto segmentos embrionários da cabeça. O aparelho bucal exposto (ectognato) compõe-se originalmente de oito peças.

São elas:

Lábio superior (labro)

É uma peça que se movimenta para cima e para baixo, com função de retenção do alimento a fim de ser trabalhado pelas mandíbulas duas mandíbulas: localizam-se abaixo do labro e estão adaptadas para triturar, perfurar, moldar e cortar, além de defesa lábio inferior (lábio): possui função táctil e de retenção do alimento duas maxilas: auxiliam as mandíbulas e são formadas por partes menores, algumas de função táctil, gustativa, mastigadora ou perfuradora epifaringe: localiza-se na parte interna do labro, sendo recoberta de pêlos de função gustativa hipofaringe: inserida junto ao lábio inferior, em forma de "língua", tem função táctil e gustativa

Estas peças bucais podem ser radicalmente modificadas ou atrofiadas de acordo com o hábito alimentar do inseto. Assim, há insetos que se alimentam de nutrientes sólidos através da mastigação do substrato, enquanto outros perfuram plantas e animais em busca de nutrientes. Alguns artrópodos hexápodos, como os Collembola, possuem aparelho bucal interno (endognatos) e sua inclusão na Classe Insecta ainda é discutida por alguns autores. Insetos agnatos são aqueles sem aparelho bucal funcional, como os Ephemeroptera, que praticamente não se alimentam após atingirem o estágio adulto. O conhecimento das peças bucais dos insetos é importante para estudos de taxonomia e também para determinação dos danos causados, no caso de insetos nocivos.

Há dois tipos básicos de aparelho bucal, mastigador e sugador, com algumas variações, como as descritas a seguir:

Tipos de aparelho bucal

Triturador ou mastigador

É considerado o mais primitivo. Todas as peças bucais estão presentes, e os alimentos são triturados/mastigados na cavidade pré-oral, também chamada cibário.

Ocorre na maioria das ordens, como Orthoptera (gafanhotos, grilos), larvas de Lepidoptera (borboletas e mariposas), Coleoptera (besouros), Odonata (libélulas), Mantodea (louva-a-deus) e Dermaptera (tesourinha).

Sugador labial (picador sugador)

As peças bucais são modificadas em estilete. O lábio inferior transforma-se num tubo (rostro), que aloja os estiletes. A sucção do alimento é feita pelas mandíbulas, epifaringe e hipofaringe. As maxilas possuem extremidades serreadas e têm função perfuradora. Ocorre em Diptera (mosquitos), Hemiptera (percevejos), Siphonaptera (pulgas), Thysanoptera (tripes), Anoplura (piolhos). Nas moscas domésticas as peças bucais possuem o formato descrito, porém não chegam a perfurar o substrato, estando adaptadas para lamber.

Sugador maxilar

A modificação ocorre somente nas maxilas; as demais peças são atrofiadas. O conjunto assume o aspecto de um tubo longo e enrolado (quando em repouso) denominado espirotromba. É típico dos adultos de Lepidoptera.

Lambedor

O lábio superior e as mandíbulas são normais; as maxilas e o lábio inferior são alongados e unidos, formando uma espécie de língua com a qual o inseto retira o néctar das flores. Ocorre em Hymenoptera (abelhas).

É interessante notar que uma mesma espécie de inseto pode apresentar um tipo diferente de aparelho bucal quando passa da forma jovem para a adulta.

Conforme o tipo de aparelho bucal encontrado na forma jovem e adulta, o inseto pode ser classificado em:

Menorrinco

O inseto apresenta aparelho bucal sugador labial tanto na fase jovem como na fase adulta.

Ex: Thysanoptera e Hemiptera.

Menognato

O aparelho bucal é do tipo mastigador nas larvas e adultos.

Ex.: Coleoptera, Orthoptera, Blattodea (baratas), Isoptera (cupins).

Metagnato

O inseto é mastigador apenas na fase larval, mas no estágio adulto o aparelho é sugador labial (Diptera), lambedor (Hymenoptera) ou sugador maxilar (Lepidoptera).

A posição das peças bucais na cabeça do inseto adulto varia entre as diferentes ordens.

De acordo com a direção das peças bucais em relação a um eixo longitudinal ao corpo os insetos são classificados como:

Prognata

As peças bucais são dirigidas para a frente.

Ex.: Isoptera, Dermaptera.

Opistognata

As peças bucais são dirigidas para baixo e para trás.

Ex.: Hemiptera-Heteroptera, Siphonaptera.

Hipognata

Os inseto possui as peças bucais dirigidas para baixo.

Ex. Orthoptera, Odonata, Hymenoptera, Mantodea.

TÓRAX

O tórax é a segunda região do corpo do inseto, caracterizado por apêndices locomotores - asas e pernas.

É composto de três segmentos: protórax, que se une à cabeça, mesotórax, o segmento mediano, e metatórax, que se liga ao abdome. Cada uma dessas partes deriva de um segmento embrionário. Cada segmento possui um par de pernas; as asas, quando presentes, situam-se no meso e no metatórax. O protórax nunca tem asas.

Pernas

As pernas são apêndices locomotores articulados, adaptados para movimento terrestre ou aquático. Todo inseto adulto possui 6 pernas (hexápodos), sendo que um número variável de "falsas pernas" (pseudópodos) abdominais pode ocorrer nas formas jovens, como é o caso de lagartas. A perna típica de um inseto é composta de 5 partes coxa, trocanter, fêmur, tíbia e tarso. O número de segmentos tarsais (tarsômeros) em geral varia de 1 a 5, e este número tem grande importância sistemática.

As pernas podem ser adaptados para as mais diversas funções, como coleta de alimento, pólen (pernas coletoras das abelhas), escavação (pernas fossoriais das paquinhas), captura de presas (raptatórias nos louva-a-deus e preensoras nas baratas d'água), nadar (natatória em besouros e percevejos aquáticos), fixação em pêlos ou outros substratos (escansoriais nos piolhos), saltar grandes distâncias (saltatória em gafanhotos e pulgas) ou simplesmente para andar e/ou apoiar-se sobre o substrato (perna ambulatória, na maioria das espécies) (Fig. 4). O segundo par de pernas de praticamente todos os insetos terrestres é do tipo ambulatório. com sua função, a perna pode ser do tipo ambulatória, fossorial, saltatória, raptatória, coletora, nadadora, escansorial e preensora.

Asas

As asas são evaginações da cutícula localizadas dorso-lateralmente no corpo dos insetos. A maioria das ordens de insetos possui 4 asas, mas em adultos de Diptera, o par posterior é atrofiado, funcionando como órgãos de equilíbrio no vôo. Quanto ao número de asas os insetos podem ser ápteros (nenhuma), dípteros (2) ou tetrápteros (4). A formação destas asas é única no Reino Animal, pois são órgãos de origem própria, e não modificações de pernas. As asas contêm nervuras longitudinais e transversais que são expansões das traquéias enrijecidas que lhe dão sustentação. Essas nervuras também têm grande valor taxonômico.

As asas podem ser:

Membranosas: finas, flexíveis, com nervuras bem distintas; ocorre na maioria das ordens

Tégminas: de aspecto pergaminhoso ou coriáceo, em geral alongadas, como as asas anteriores de Blattodea (baratas), Orthoptera e Mantodea

Hemiélitros: a parte basal é coriácea e a parte apical membranosa, como as asas anteriores de Hemiptera: Heteroptera

Élitros: asas duras e resistentes que servem de proteção. Ex.: asas anteriores de Dermaptera e Coleoptera

Balancins (halteres): asas posteriores atrofiadas com função de equilíbrio, encontradas em Diptera

Franjadas : alongadas, coberta de pêlos, com nervação reduzida, ex. Thysanoptera

ABDOME

Essa região caracteriza-se pela segmentação típica, simplicidade de estrutura e por apêndices sensoriais e genitais. O abdome é originalmente formado por 11 segmentos (urômeros), mas o último segmento é bastante reduzido, e a segmentação nem sempre é visível, dando a impressão de um número menor de segmentos. Apesar da sua aparente simplicidade, o abdome é uma região altamente especializada, pois contém as principais vísceras do inseto, e é o principal responsável pelos movimentos respiratórios.

Na maioria das espécies, as estruturas genitais estão situadas no nono segmento (machos) e no oitavo e nono segmentos do abdome (fêmea). O abdome de insetos imaturos pode conter uma série de apêndices, como brânquias, em larvas aquáticas ou pseudópodos, em larvas de Lepidoptera. Os apêndices mais comuns nos adultos são os 2 cercos no último segmento, de função sensorial, mas que em algumas espécies podem auxiliar na cópula ou exercer função preensora. No macho de certas ordens (ex.: Blattodea) existe ainda um par de apêndices sensoriais curtos (estilos). O ovipositor é uma estrutura encontrada na fêmeas de diversas ordens (ex.: Hymenoptera, Orthoptera), utilizada para inserir os ovos em substratos diversos, como no interior de tecidos vegetais, solo, ou mesmo sobre outros animais. O ferrão das abelhas é uma modificação de seu ovipositor.

Quanto à sua união ao tórax do inseto, o abdome pode ser:

Séssil: quando se liga ao tórax em toda sua largura. Ex.: Coleoptera, Orthoptera, Blattodea

Livre: quando há uma constrição mais ou menos pronunciada entre o tórax e o abdome. Ex.: Lepidoptera, Diptera

Pedunculado: quando a ligação é feita através de um área bastante estreita (pecíolo). Ex.: formigas e vespas

Simão Vasconcelos

Fonte: www.ufpe.br

Classe Insecta

Os insetos pertencem ao:

Reino Animal

Sub-reino Metazoa

Divisão Bilateria

Grupo Eucelomata

Filo Arthropoda

Classe Insecta

De maneira mais resumida podemos citar os insetos como Reino Animal, Filo Arthropoda, Classe Insecta.

Entomologia

Entomologia - é a ciência que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas e os animais. A entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos entomon = inseto e logos = estudo e vem sendo empregada desde Aristóteles.

Histórico

O conhecimento que o homem tem sobre os insetos e bastante antigo, havendo uma série de pinturas e esculturas sobre insetos nos monumentos do Egito antigo.

Entre eles destacavam-se as abelhas e os escaravelhos. Além destes os gafanhotos são citados no Antigo Testamento como a décima praga que atingiu o Egito durante a escravidão dos Hebreus. Porém como ciência a Entomologia só ganhou impulso com Aristóteles (384-322 A.C), que escreveu o resumo mais fiel sobre os insetos daquela época.

Depois de Aristóteles, vieram os romanos, cuja principal preocupação eram as guerras e não a ciência. Após a queda do Império Romano a Inquisição da Idade Média tratou de obscurecer de vez os conhecimentos científicos, e assim foi até a Renascença, período da história da humanidade, caracterizado pela renovação científica, artística e literária, realizada nos séculos XV e XVI.

Nos períodos precedentes, ocuparam-se os entomologistas principalmente com a observação dos fatos e a criação de uma classificação. Sendo que a partir do início deste século as pesquisas visam o conhecimento dos grandes fundamentos biológicos, descobertos no século passado.

No Brasil, as pesquisas com entomologia iniciaram-se em meados do século passado com vários pesquisadores estrangeiros, sendo que neste século são inúmeras as pesquisas realizadas por centenas de cientistas que se dedicam a entomologia.

Especificamente no campo florestal, a entomologia ganhou força a partir da implantação dos primeiros reflorestamentos na década de 60, passando a fazer parte da área de pesquisa florestal denominada Proteção Florestal, que compreende o estudo e a prevenção dos incêndios, doenças e pragas florestais.

Os Insetos e os seres vivos

Os insetos vivem na terra a 300 milhões de anos.
O homem vive a 1 milhão de anos.
Reinos Vegetal + animal = 1.500.000 espécies.

Classe Insecta = 815.000 espécies, ou seja:

55% dos seres vivos
72% dos animais

Características dos insetos

Tamanho - Frações de mm até 30 cm
Corpo - Dividido em cabeça, tórax e abdômen
Respiração - Traqueal
Desenvolvimento - Direto nas ordens primitivas (Thysanura e Collembola), com metamorfose nas outras ordens
Metamorfose completa = ovo - larva - ninfa - pupa - adulto

Razões para o sucesso dos insetos

Segundo PANIZZI & PARRA (1991), não seria exagero sugerir que os insetos são os maiores competidores do homem pela hegemonia na terra, pois historicamente o homem sempre conseguiu dominar a maioria e, mesmo, extinguir alguns dos animais terrestres. Porém os insetos como grupo, permanecem como a única barreira biótica ao domínio total do homem, visto que a capacidade adaptativa dos insetos e amplamente conhecida.

Além disso, os insetos ao longo dos milênios passaram por várias transformações que permitem a sua adaptação aos mais variados ambientes, entre elas podemos destacar as seguintes:

Exoesqueleto, permite aos insetos uma grande área de inserção muscular, facilita o controle da evaporação e protege os órgãos internos.

Asas funcionais, fornecem aos insetos a capacidade de deslocamento, facilitam a procura de alimentos, facilita a fuga dos inimigos naturais e facilita a dispersão.

Tamanho pequeno, faz com que os insetos necessitem de pouco alimento, facilita a fuga, porém o fato de serem pequenos faz com a superfície total do corpo seja muito maior que o volume, aumentando a evaporação do corpo o que consiste numa desvantagem.

Metamorfose completa, o fato de passarem por vários estágios faz com que os insetos possam viver em diferentes hábitats, permite a larva e ao adulto viverem em condições totalmente diferentes.

Aumento do número de espécies, a grande capacidade de adaptação dos insetos aos mais variados ambientes fez com que o número de espécies se elevassem tanto que hoje eles ocupam praticamente todos os ambientes.

Importância dos Insetos como Grupo de Animais e suas relações com o Homem

Segundo ZUNDIR & MIYAZAKI (1993), desde os primórdios da humanidade, os insetos estiveram de uma maneira ou de outra relacionados com o homem, ao ponto de se poder afirmar que a sobrevivência do homem depende do equilibro deste grupo de animais, pois e de conhecimento público que o maior inimigo dos insetos são os próprios insetos,. Sendo assim o desequilíbrio de uma parte do sistema formado pelos insetos, pode afetar vários setores da nossa sociedade como a produção agrícola e florestal, além de desencadear uma série de doenças como a malária.

Insetos e suas utilidades para o ser humano

Produtos úteis dos insetos

São os produtos originados de uma produção direta como cera, seda, laca, mel e muitos outros.

Seda

O fio da seda provém da saliva da larva de Bombyx mori, o bicho da seda, que vem trabalhando para o homem a mais de 35 séculos, sendo que por mais de 2.000 anos apenas os chineses conheciam o bicho-da-seda, impedindo a sua saída da China, com penas severas quem tentasse contrabandea-los, até que em 555 d.C. dois monges levaram alguns casulos para Constantinopla. No ano de 1740 a atividade já estava difundida em toda Europa, chegando ao Brasil em 1848.

Atualmente o comércio mundial de seda supera os 500 milhões de dólares anuais, o que corresponde a mais de 35 milhões de Kg. de seda, que são produzidos por mais de 200 milhões de larvas. Para a produção de um Kg. de seda são necessários seis mil casulos.

Produtos de abelhas

Os produtos mais importantes, de uma colônia de Apis mellifera são: mel; cera; propólis; e geleia real. como subprodutos temos ainda o pólen e o veneno das abelhas que é empregado para combater artrite e reumatismo.

As atividades dentro de uma colmeia são intensas. Uma colmeia pode ter mais de sessenta mil abelhas, sendo que para a produção de um Kg de mel são necessárias entre oitenta e cento sessenta mil viagens a uma infinidade de flores. Para a produção de cera são necessários cerca de 6 Kg de mel para a produção de um Kg de cera, que é utilizada para a fabricação de velas, sabonetes, cremes, polidores, papel carbono, produtos elétricos e outros.

Laca

Este produto é originário da secreção do inseto Lacifer lacca, que vive em árvores nativas florestais da Ïndia, Burna, Indochina, Formosa, Ceilão e Filipinas.

Utilizada na fabricação de vernizes e polimentos, além de acabamento de madeiras, isolante elétrico, graxa para sapatos, discos fonográficos, etc. Anualmente são coletadas de 20 a 40 milhões de Kg de laca. Para a obtenção de um Kg de laca são necessários trezentos mil insetos.

Luz sem calor

Só dois por cento da energia de uma chama de gás é luminosa; da luz solar somente 35% da energia é luminosa. Na luz sem calor dos vaga-lumes, o aproveitamento da energia luminosa é de 92 a 100%, praticamente sem perda de energia calorifica ou ultravioleta.

Polinização

Muitas plantas dependem dos insetos, este tipo de polinização (feita pelos insetos) é conhecido como entomofilia, sendo que os principais polinizadores são os Himenópteros do grupo Apoidea, conhecidos genericamente por abelhas. Além deles existem outros insetos como moscas, mariposas e alguns besouros.

Outros produtos

Insetos de importância médica, existem muitas crendices populares em relação ao poder de cura dos insetos, porém existem alguns insetos que realmente são de importância medica fornecendo várias substâncias que podem ser utilizadas como medicamentos.

Insetos como alimento, muitos animais tem nos insetos uma importante fonte de alimento, não se excluindo o homem que em muitos lugares mata sua fome consumindo insetos.

Existindo inclusive algumas receitas como a do doce de gafanhoto, que tem como ingredientes: 2 xícaras de açúcar; 2/3 de xícara de nata; 1 pitada de sal; 1 colher de sopa de manteiga; 1 colher de chá de baunilha; 60 gramas de chocolate amargo; meia xícara de gafanhoto torrado.

Parasitas e predadores, por sua grande capacidade de reprodução e adaptação os insetos formam grandes populações, e a maneira mais fácil de combate-los e deixar a natureza agir, através dos parasitas e predadores. Os predadores são em geral grandes e muito ativos e apresa, geralmente e menor e mais fraca que o predador, os parasitas vivem do hospedeiro que geralmente é maior e mais forte. .

Controle de plantas, o controle que os insetos exercem sobre as plantas é muito grande. Certas plantas certamente iriam competir e dominar determinados ambientes se não fosse a ação de uma série de insetos que controlam o crescimento destes vegetais muitas vezes sem que o homem perceba.

Insetos como degradadores, vários insetos auxiliam a degradação de plantas e animais, auxiliando na limpeza do solo.

Insetos e seu valor estético, as borboletas certamente são os insetos mais apreciados pelo homem. Despertando a imaginação de vários artistas, que criam pinturas, poemas, fábulas e músicas utilizando os insetos como enredo.

Importância científica dos insetos, os insetos contribuem para o aperfeiçoamento de várias ciências, principalmente para o conhecimento da Citologia e da Genética.

Insetos nocivos

Danos às plantas
Vetores de doenças para as plantas, animais e para o homem
Insetos parasitos do homem e dos animais
Insetos venenosos
Insetos que atacam produtos armazenados

Ordens da Classe Insecta de Interesse Floresta

As ordens de interesse florestal são:

Ordem Neuroptera (Formiga Leão)

Hábitos

Maioria terrestre
Ovíparos Postura na areia ou solo
Alimentam-se de outros insetos Importância

São benéficos, pelos hábitos predatórios

Ordem Homoptera (Cigarras)

Hábitos

Exclusivamente fitófagos, alimentando-se da seiva vegetal
Ovíparos
Postura sobre folhas, galhos ou internamente nos tecidos das plantas
Importância

Prejudicam o desenvolvimento da planta, sugando a seiva, além de ferirem os tecidos vegetais, promovendo a ação de patôgenos.

Ordem Hemiptera (Percevejos)

Hábitos

Maioria terrestre
Alimentam-se de seiva vegetal (fitófagos), sangue (hematófagos) e insetos (predadores)
Ovíparos
Postura sobre galhos ou folhas

Importância

Danificam as plantas, sugando a seiva e os cloroplastos
Abrem caminho para os patôgenos transmissores de doenças ao homem
Benéficos ao homem por seus hábitos predatórios (algumas espécies)

Ordem Orthoptera (Grilos, Gafanhotos, Esperanças, etc.)

Hábitos

Fitófagos (alguns são predadores)
Vivem no solo ou em galerias
Vivem solitariamente ou agrupados
Produzem sons
Ovíparos
Postura no solo, sobre folhas ou galhos secos

Importância

Devoram as folhas e os tecidos jovens das plantas

Ordem Diptera (Moscas, Mosquitos, Pernilongos)

Hábitos

Podem ser ectoparasitas de aves ou parasitas de outros insetos, mas a maioria alimenta-se de matéria orgânica vegetal e animal em decomposição
As larvas ocorrem em quase todos os tipos de habitats
Em geral são ovíparos
Postura próxima ou sobre o alimento

Importância

Transmissão de doenças
Danificam uma grande infinidade frutos
Parasitam insetos prejudiciais a florestas

Ordem Isoptera (Cupins)

Hábitos

Alimentam-se de madeira, papel e outros produtos vegetais
Vivem subterraneamente ou acima do solo
Vivem em colônias divididas em castas (operários, soldados, reis e rainhas)
Reis e rainhas são os reprodutores

Importância

Provocam danos em madeira beneficiada (móveis, tábuas, compensados, construções, etc.), também danificam a raiz e o colo de árvores vivas

Isopteros de interesse florestal:

Família Kalotermitidae

Cryptotermes brevis - atacam móveis

Família Rhinotermitidae

Coptotermes spp. e Heterotermes spp.: atacam Pinus spp, Eucalyptus spp., Araucaria anfustifolia e outras plantas

Família Termitidae

Constróem ninhos arborícolas

Anoplotermes spp.: atacam Pinus spp., Eucaluptus spp. e outras plantas

Ordem Hymenoptera (Formigas, Abelhas, etc.)

Hábitos

Vivem solitários ou em colônias
Alimentam-se de fungos, néctar, pólen e outras substâncias vegetais
Ovíparos
Na maioria, a fecundação determina o sexo

Importância

Produção de mel
Desfolha de essências florestais e culturas agrícolas
São os mais ativos parasitas e exercem um papel de extrema importância no controle biológico

Hymenopteros de insteresse florestal:

Família Apidae

Apis Mellifera - produção de mel e polinização.

Família Formicidae

Atta spp. e Acromyrmex spp. - Formigas cortadeiras

Família Siricidae

Sirex noctilio - Vespa da madeira

Ordem Coleoptera

Hábitos

Sua alimentação e extremamente variada, praticamente comem tudo, exceto sangue, tem peças bucais mastigadoras
São encontrados em praticamente todos os habitats, a maioria são alados, podem viver sobre a vegetação, superfície do solo ou no seu interior, outros são aquáticos ou semiaquáticos
Importância

São importantes pragas de produtos armazenados, de plantas agrícolas e florestais, de madeira estocada, móveis e outros materiais.

Coleópteros de interesse florestal:

São vários os coleópteros de interesse florestal, abaixo são citadas apenas as principais famílias e espécies:

Família Anobiidae

Anobius spp. (broca de madeira e móveis)

Família Lyctidae

Lyctus spp. (broca de madeira)

Família Chrysomelidae

Costalimaita ferruginea (ataca as folhas de Eucalyptus spp, tanto no estágio de larva como de adulto)

Família Curculionidae

Naupactus spp. (Folhas de Eucalyptus spp. e acículas de Pinus spp.)
Gonipteros spp. (Folhas de Pinus spp.)

Família Cerambycidae

Oncideres spp. (broca de bracatinga, Ácacia negra, Eucalyptus spp., e outras plantas)

Família Scolytidae

Xyleborus spp., Hypothenemus spp. - (broca de Eucalyptus spp, Pinus spp., e outras plantas)

Família Cerambycidae

São conhecidos pelo nome vulgar de serrados ou serra-pau devido ao hábito que algumas fêmeas tem de serrar galhos por ocasião da postura. Todas as larvas desta família atacam troncos e galhos tanto de árvores em pé quanto de toras recém cortadas. O gênero Oncideres e considerado a principal praga da Acácia Negra e tem causado prejuízos em povoamentos de bracatinga.

Para seu controle pode ser feita acatação manual e queima dos ramos cortados, porém o mais viável e a abertura de valas com a colocação dos galhos em seu interior, sendo posteriormente cobertos com tela fina, permitindo assim a ação dos inimigos naturais dos besouros e um maior equilíbrio biológico.

Família Scolytidae

Esta família compreende besouros muito pequenos, que causam sérios danos às essências florestais. A maioria das espécies ataca árvores em pé, ou recém cortadas, algumas atacam madeira beneficiada outras são brocas de sementes.

Tanto adultos como larvas são daninhos as plantas, algumas espécies alimentam-se de fungos (como as formigas e a vespa da madeira), que são depositados no interior da árvore no momento da postura, a proliferação deste fungo torna a madeira azulada, sendo posteriormente perfurada pelas larvas.

O controle químico destes insetos e inviável economicamente, sendo o monitoramento das florestas com o uso de armadilhas etanólicas a medida mais recomendável. Em casos de infestação em toras ou em madeiras cortada deve-se observar um tempo de estocagem mínimo em campo ou no pátio de madeiras.

Ordem Lepidoptera

Hábitos

Noturno ou diurnos
Adultos alimentam-se de néctar ou não se alimentam
As larvas alimentam-se de folhas, frutos, sementes ou madeira de troncos
Ovíparos
Postura sobre plantas

Importância

Produção de seda (Bombix mori)

Grande maioria com hábitos fitófagos e muito vorazes

Famílias de interesse florestal:

Família Arctiidae
Família Geometridae
Família Noctuidae
Família Saturniidae

BIBLIOGRAFIA

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FROEHLICH, G.; CORRÊA, D. D.; SCHLENZ, E. Zoologia Geral. São Paulo - SP. 1984 - Editora Nacional. 816 p.
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MARQUES, E. N. Índices faunísticos e grau de infestação por Scolytidae em madeira de Pinus spp. Tese de doutourado do Curso de Pós-Graduação em Engenharia Florestal. Curitiba - PR, 1989.
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ZANUNCIO, J. C. Manual de pragas florestais. Volume I - IPEF/SIF, 1993.

Fonte: www.floresta.ufpr.br

 

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