Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE À sepultura de D. Fernando de Castro Debaixo desta pedra está metido, das sanguinosas armas descansado, o capitão ilustre, assinalado, Dom Fernando de Castro esclarecido. Por todo o Oriente tão temido, e da enveja da fama tão cantado, este, pois, só agora sepultado, …
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De vos me aparto, ó vida! Em tal mudança (1595)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE De vós me aparto, ó vida! Em tal mudança, sinto vivo da morte o sentimento. Não sei para que é ter contentamento, se mais há de perder quem mais alcança. Mas dou vos esta firme segurança que, posto que me mate meu tormento, …
Leia maisDe um tão felice engenho produzido (1668)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE De um tão felice engenho, produzido de outro, que o claro Sol não viu maior, é trazer cousas altas no sentido, todas dinas de espanto e de louvor. Museu foi antiquíssimo escritor, filósofo e poeta conhecido, discípulo do Músico amador que co som …
Leia maisDe tão divino acento e voz humana (1595)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE De tão divino acento e voz humana, de tão doces palavras peregrinas, bem sei que minhas obras não são dinas, que o rudo engenho meu me desengana. Mas de vossos escritos corre e mana licor que vence as águas cabalinas; e convosco do …
Leia maisDai-me üa lei, Senhora, de querer-vos (1595)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Dai me üa lei, Senhora, de querer vos, que a guarde, sô pena de enojar vos; que a fé que me obriga a tanto amar vos fará que fique em lei de obedecer vos. Tudo me defendei, senão só ver vos, e dentro …
Leia maisCorrem turvas as águas deste rio (1616)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Correm turvas as águas deste rio, que as do Céu e as do monte as enturbaram; os campos florecidos se secaram, intratável se fez o vale, e frio. Passou o Verão, passou o ardente Estio, üas cousas por outras se trocaram; os fementidos …
Leia maisConversação doméstica afeiçoa (1598)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Conversação doméstica afeiçoa, ora em forma de boa e sã vontade, ora de üa amorosa piedade, sem olhar qualidade de pessoa. Se despois, porventura, vos magoa com desamor e pouca lealdade, logo vos faz mentira da verdade o brando Amor, que tudo em …
Leia maisComo quando do mar tempestuoso (1598)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Como quando do mar tempestuoso o marinheiro, lasso e trabalhado, d’um naufrágio cruel já salvo a nado, só ouvir falar nele o faz medroso; e jura que em que veja bonançoso o violento mar, e sossegado não entre nele mais, mas vai, forçado …
Leia maisComo fizeste, Pórcia, tal ferida? (1595)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Como fizeste, Pórcia, tal ferida? Foi voluntária, ou foi por inocência? —Mas foi fazer Amor experiência se podia sofrer tirar me a vida. —E com teu próprio sangue te convida a não pores à vida resistência? —Ando me acostumando à paciência, porque o …
Leia maisChorai, Ninfas, os fados poderosos (1668)
Sonetos de Luís Vaz de Camões PUBLICIDADE Chorai, Ninfas, os fados poderosos daquela soberana fermosura! Onde foram parar na sepultura aqueles reais olhos graciosos? Ó bens do mundo, falsos e enganosos! Que mágoas para ouvir! Que tal figura jaza sem resplandor na terra dura, com tal rosto e cabelos tão …
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