Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Mitologia Grega  Voltar

Mitologia Grega

 

Mitologia Grega
Principais Deuses Gregos

"Mito tem duas funções principais:" o poeta e estudioso Robert Graves escreveu em 1955. "A primeira é responder o tipo de perguntas difíceis que as crianças pedem, como 'Quem fez o mundo? Como isso vai acabar? Quem foi o primeiro homem? Aonde as almas vão após a morte? '... A segunda função do mito é para justificar um sistema social existente e conta para os ritos e costumes tradicionais. "Na Grécia antiga, as histórias sobre deuses e deusas e heróis e monstros eram uma parte importante da vida cotidiana . Eles explicaram tudo, desde rituais religiosos com o tempo, e deram sentido ao mundo que as pessoas viram ao redor deles.

Na mitologia grega, não existe um texto único como a Bíblia cristã ou os Vedas Hindu, que apresenta todos os personagens e as histórias dos mitos. Em vez disso, os primeiros mitos gregos faziam parte de uma tradição oral, que começou na Idade do Bronze, e suas tramas e temas desdobrou gradualmente na literatura escrita dos períodos arcaico e clássico. Épicos do século 8 aC do poeta Homero a Ilíada ea Odisséia, por exemplo, contam a história da Guerra de Tróia (mítico) como um conflito divino, bem como a um ser humano. Eles não têm, no entanto, se preocupou em apresentar os deuses e deusas que são seus personagens principais, já que os leitores e ouvintes já teria sido familiarizado com eles.

Cerca de 700 aC, a Teogonia de Hesíodo, poeta ofereceu a primeira cosmogonia escrito, ou história de origem, da mitologia grega. A Teogonia conta a história da viagem do universo a partir do nada (Caos, o vazio primordial) ao ser, e detalhes de uma árvore da família elaborada de elementos, deuses e deusas que evoluíram a partir de Chaos e descendentes de Gaia (Terra), Urano (Céu), Pontos (Mar) e Tártaro (submundo).

Escritores e artistas gregos posteriores utilizado e elaborado em cima dessas fontes em seu próprio trabalho. Por exemplo, figuras mitológicas e eventos aparecem nas peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides e os poemas líricos de Píndaro do século 5. Escritores como o do século 2 aC grego mitógrafo Apolodoro de Atenas eo BC historiador romano Gaius Julius primeiro século Higino compilou os antigos mitos e lendas para o público contemporâneo.

Mitologia Grega: o Olimpo

No centro da mitologia grega é o panteão de divindades que foram ditas para viver no Monte Olimpo, a montanha mais alta da Grécia. De seu poleiro, que governou todos os aspectos da vida humana. Deuses do Olimpo e deusas pareciam homens e mulheres (embora pudessem transformar-se em animais e outras coisas) e foram - como muitos mitos contou - vulnerável a fraquezas humanas e paixões.

Os doze principais atletas olímpicos são:

Zeus (Júpiter, na mitologia romana): o rei de todos os deuses (e pai de muitos) e deus do tempo, a lei eo destino
Hera (Juno): a rainha dos deuses e deusa das mulheres e do casamento
Afrodite (Vênus): deusa da beleza e do amor
Apollo (Apollo): o deus da profecia, da música e da poesia e do conhecimento
Ares (Marte): deus da guerra
Artemis (Diana): deusa da caça, animais e parto
Atena (Minerva): deusa da sabedoria e da defesa
Demeter (Ceres): deusa da agricultura e de grãos
Dionísio (Baco): deus do vinho, do prazer e festa
Hefesto (Vulcano): deus do fogo, metalurgia e escultura
Hermes (Mercúrio): o deus das viagens, hotelaria e comércio e mensageiro pessoal de Zeus
Poseidon (Netuno): deus do mar

Outros deuses e deusas, por vezes incluídos no rol de atletas olímpicos são:

Hades (Plutão): deus do submundo
Hestia (Vesta): deusa do lar e da família
Eros (Cupido): o deus do sexo e do servo de Afrodite

Mitologia Grega: Heróis e Monstros

Na Mitologia grega não basta contar as histórias de deuses e deusas, no entanto. Heróis humanos - como Heracles, o aventureiro que realizou 12 trabalhos impossíveis para o rei Euristeu (e posteriormente foi venerado como um deus para sua realização); Pandora, a primeira mulher, cuja curiosidade trouxe o mal para a humanidade; Pigmalião, o rei que caiu no amor com uma estátua de marfim; Arachne, o tecelão que foi transformada em uma aranha por sua arrogância; belo príncipe troiano Ganimedes, que se tornou o copeiro dos deuses; Midas, o rei com o toque de ouro, e Narciso, o jovem que caiu no amor com sua própria reflexão - são tão significativos.

Monstros e "híbridos" (formas humanas e animais), também um lugar de destaque nos contos: o cavalo alado Pégaso, o cavalo-homem Centaur, o leão-mulher Esfinge e as ave-mulher Harpias, o caolho gigante Ciclope, autômatos ( criaturas de metal deram vida por Hefesto), manticoras e unicórnios, Górgonas, pigmeus, minotauros, sátiros e dragões de todos os tipos. Muitas dessas criaturas tornaram-se quase tão conhecido como os deuses, deusas e heróis que compartilham suas histórias.

Mitologia Grega: Passado e Presente

Os personagens, histórias, temas e lições da mitologia grega têm forma de arte e literatura durante milhares de anos. Eles aparecem em pinturas renascentistas, como Nascimento de Vênus e de Raphael Triunfo de Galatéia e escritos como Inferno de Dante de Botticelli; poesia romântica e libretos, e dezenas de romances mais recentes, peças de teatro e filmes.

Relação entre a Mitologia Grega e a Romana

NOME EM GREGO NOME ROMANO PAPEL NA MITOLOGIA
Afrodite Vênus Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)
Apolo Febo Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco romana posterior: deus do Sol)
Ares Marte Deus da guerra
Ártemis Diana Deusa da caça (mitologia greco romana posterior: deusa da Lua)
Asclépio Esculápio Deus da medicina
Atena Minerva Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)
Crono Saturno Deus do céu; soberano dos Titãs (mitologia romana: deus da agricultura)
Démeter Ceres Deusa dos cereais
Dionísio Baco Deus do vinho e da vegetação
Eros Cupido Deus do amor
Géia Terra Mãe Terra
Hefesto Vulcano Deus do fogo; ferreiro dos deuses
Hera

Juno

Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses
Hermes Mercúrio Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores
Héstia Vesta Guardiã do lar
Hipnos Sonho Deus do sonho
Hades Plutão Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos
Posêidon Netuno Deus dos mares e dos terremotos
Réia Cibele Esposa de Crono/Saturno; Deusa mãe
Urano Urano Deus dos céus; pai dos Titãs
Zeus Júpiter Soberano dos deuses olímpicos

Fonte: www.history.com

Mitologia Grega

A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 a.C.

Nessa data já existiam três coleções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisséia, do poeta Homero.

A mitologia grega possui várias características específicas.

Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos.

A diferença em relação a outras religiões antigas, como o hinduísmo ou o judaísmo, consiste em não incluir revelações ou ensinamentos espirituais.

Práticas e crenças também variam amplamente, sem uma estrutura formal, como uma instituição religiosa de governo, nem um código escrito, como um livro sagrado.

Os gregos acreditavam que os deuses tinham escolhido o monte Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência.

No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade organizada no que diz respeito a autoridade e poder, movimentavam-se com total liberdade e formavam três grupos que controlavam o universo conhecido: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Os doze deuses principais, conhecidos como Olímpicos, eram: Zeus, Hera, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e Posêidon.

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza.

O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses.

Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis.

Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

A Mitologia Grega

A Mitologia Grega, desenvolvida plenamente por volta do ano 700 a.C. e que é a mais conhecida, é o resultado final da união das mitologias dórica e mecênica.

Essa mitologia é composta basicamente por um conjunto de histórias (mitos) e lendas sobre uma grande variedade de deuses.

A mitologia grega era uma religião politeísta e que não possuía um código escrito, ou seja, um livro sagrado.

Os deuses gregos tinham forma humana (antropomórfica) e ainda possuíam sentimentos humanos, como o amor, o ódio, etc. Alguns deuses viviam no alto do Monte Olimpo, numa região da Grécia conhecida por Tessália.

Os deuses gregos formavam três grupos que controlavam o universo: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Na mitologia grega existiam doze principais deuses, que eram conhecidos como Olímpicos, eram: Zeus (era pai espiritual dos deuses e das pessoas), Hera (esposa de Zeus e deusa que protegia casamentos), Atena (deusa da sabedoria e da guerra), Hefesto (deus do fogo e da artes manuais), Apolo (deus da luz, da poesia e da música), Ares (deus da guerra), Ártemis (deusa da caça), Héstia (deusa do coração e da chama sagrada), Afrodite (deusa do amor e da beleza), Poseidon (deus do mar), Hermes (mensageiro dos deuses e deus das ciências e das invenções) e Deméter (deusa da agricultura). Hades (deus dos mortos), que não era considerado um Olímpico, era um deus muito importante. Dionísio (deus do vinho e do prazer) era muito popular e em algumas regiões chegou a ser tão importante quanto Zeus.

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza. O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

As musas, as ninfas (mulheres belas e charmosas que assombravam bosques e florestas), e os heróis (seres mortais importantes na mitologia: Jasão, Teseu, Édipo, Menelau, Agamenon, Odisseu, Aquiles, Heitor, Páris e Héracles (Hércules), que é o mais importante de todos os heróis) também era cultuados, apesar de não serem deuses, através da mitologia grega.

Mitologia Grega
Mitologia Grega - Deuses do Olimpo

Mitologia Grega
Estátua de Netuno ao longo do calçadão em Virginia Beach

Cosmogênese

No princípio, havia apenas o Caos. O Caos era o vazio, uma massa sem forma e confusa. Não existia tempo, nem amor, nem tristeza.

O Caos produziu uma grande vibração e assim surgiu Nix, a Noite e seu irmão Érebo.

Nix era a existência da escuridão absoluta superior, envolvendo tudo com seu manto de tecido leve e escuro, onde haviam lindas estrelas prateadas bordadas.

Ela sozinha teve seis filhos: Perdição, Destino, Morte, Hypnos, Morfeu e Nêmesis.

Érebo era a escuridão absoluta inferior, onde habitavam os mortos.

Nix e Érebo se uniram. Desta união Nix pôs um ovo e dele nasceu o Amor, e de sua casca partida ao meio, surgiu Urano, o céu e Gaia, a terra.

Gaia e Urano se apaixonaram e tiveram muitos filhos. Esses filhos eram os Hecatônquiros, os Ciclopes, os Titãs e as Titãnidas. Esses filhos eram gigantescos, estranhos e tinham a força do terremoto, do furacão e do vulcão.

Os Hecatônquiros eram muito grandes e feios. Possuíam cinqüenta cabeças e cem braços. Seus nomes eram Briareu, Coto e Giges.

Urano não gostava desses filhos, e assim que nasciam, eram presos no inteiror da terra. Sobre a terra ficavam apenas os Ciclopes e os Titãs.

Os Ciclopes também eram muito grandes, e receberam esse nome, porque possuiam um único olho redondo como uma roda no centro da testa. Brontes, o trovão, Estéropes, o relâmpago e Arges, o raio.

Os Titãs eram Oceano, Hipérion, Japeto, Céos, Créos e Cronos. E as Titãnidas eram Téia, Réia, Têmis, Mnemôsine, Febe e Téis.

Cronos para libertar seus irmãos que estavam presos, com incentivo da mãe, castrou seu pai e do sangue dele nasceram os Gigantes e as Erínias, que perseguiam os que fizessem mal aos outros.

Os outros monstros acabaram sendo expulsos da Terra, mas as Erínias permaneceram.

Cronos tomou o poder como senhor do Universo juntamente com a rainha-irmã Réia.

Fonte: www.mitollogia.hpg.ig.com.br/geocities.yahoo.com.br

Mitologia Grega

A mitologia grega é conjunto de crenças e práticas ritualísticas dos antigos gregos, cuja civilização formou-se por volta do ano 2000 a.C.

É composta basicamente de um conjunto de histórias e lendas sobre uma grande variedade de deuses.

A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 a.C.

Nessa data já existiam três coleções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisséia, do poeta Homero.

A mitologia grega possui várias características específicas. Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos. A diferença em relação a outras religiões antigas, como o hinduísmo ou o judaísmo, consiste em não incluir revelações ou ensinamentos espirituais.

Práticas e crenças também variam amplamente, sem uma estrutura formal, como uma instituição religiosa de governo, nem um código escrito, como um livro sagrado.

Os gregos acreditavam que os deuses tinham escolhido o monte Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência.

No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade organizada no que diz respeito a autoridade e poder, movimentavam-se com total liberdade e formavam três grupos que controlavam o universo conhecido: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Os doze deuses principais, conhecidos como Olímpicos, eram: Zeus, Hera, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e Posêidon.

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza. O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

A mitologia grega

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais. Complexo de crenças e práticas que constituíram as relações dos gregos antigos com seus deuses, a religião grega influenciou todo o Mediterrâneo e áreas adjacentes durante mais de um milênio.

Os gregos antigos adotavam o Politeísmo Antropomórfico, ou seja, vários deuses, todos com formas e atributos humanos. Religião muito diversificada, acolhia entre seus fiéis desde os que alimentavam poucas esperanças em uma vida paradisíaca além túmulo, como os heróis de Homero, até os que, como Platão, acreditavam no julgamento após a morte, quando os justos seriam separados dos ímpios. Abarcava assim entre seus fiéis desde a ingênua piedade dos camponeses até as requintadas especulações dos Filósofos, e tanto comportava os excessos orgiásticos do culto de Dioniso como a rigorosa ascese dos que buscavam a purificação.

No período compreendido entre as primeiras incursões dos povos helênicos de origem Indo-européia na Grécia, no início do segundo milênio a. C., até o fechamento das escolas pagãs pelo imperador bizantino Justinianus, no ano 529 da era cristã, transcorreram cerca de 25 séculos de influências e transformações.

Os primeiros dados existentes sobre a religião grega são as Lendas Homéricas, do século VIII a. C., mas é possível rastrear a evolução de crenças antecedentes.

Quando os indo-europeus chegaram à Grécia, já traziam suas próprias crenças e deuses, entre eles Zeus, protetor dos clãs guerreiros e senhor dos estados atmosféricos. Também assimilaram cultos dos habitantes originais da península, os Pelasgos, como o oráculo de Dodona, os deuses dos rios e dos ventos e Deméter, a deusa de cabeça de cavalo que encarnava o ciclo da vegetação.

Depois de se fixarem em Micenas, os gregos entraram em contato com a civilização cretense e com outras civilizações mediterrâneas, das quais herdaram principalmente as divindades femininas como Hera, que passou a ser a esposa de Zeus; Atena, sua filha; e Ártemis, irmã gêmea de Apolo. O início da filosofia grega, no século VI a.C., trouxe uma reflexão sobre as crenças e mitos do povo grego.

Alguns pensadores, como Heráclito, os Sofistas e Aristófanes, encontraram na mitologia motivo de ironia e zombaria. Outros, como Platão e Aristóteles, prescindiram dos deuses do Olimpo para desenvolver uma idéia filosoficamente depurada sobre a divindade.

Enquanto isso, o culto público, a religião oficial, alcançava seu momento mais glorioso, em que teve como símbolo o Pártenon ateniense, mandado construir por Péricles.

A religiosidade popular evidenciava-se nos festejos tradicionais, em geral de origem camponesa, ainda que remoçada com novos nomes.

Os camponeses cultuavam Pã, deus dos rebanhos, cuja flauta mágica os pastores tentavam imitar; as ninfas, que protegiam suas casas; e as nereidas, divindades marinhas.

As conquistas de Alexandre o Grande facilitaram o intercâmbio entre as respectivas mitologias, de vencedores e vencidos, ainda que fossem influências de caráter mais cultural que autenticamente religioso. Assim é que foram incorporadas à religião helênica a deusa frígia Cibele e os deuses egípcios Ísis e Serápis.

Pode-se dizer que o sincretismo, ou fusão pacífica das diversas religiões, foi a característica dominante do período Helenístico.

Fonte: www.mitosedeuses.hpg.ig.com.br/www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Mitologia Grega

O Espanto é o princípio da mitologia grega. Deixar-se dominar pelo Espanto é o primeiro passo para participarmos do mundo grego, cujos deuses e heróis, em suas aventuras e desventuras, constituem o cerne deste curso.

Poucos são os momentos em que conseguimos vislumbrar o mundo cheio de deuses, raros os momentos em que andamos no mundo percebendo a extraordinária estranheza de tudo o que nos cerca: falta-nos o olhar limpo e penetrante da criança, que tem a coragem de contemplar e indagar pelo princípio de tudo ao seu redor.

Em nossa pressa e objetividade, espremidos pelos intervalos angustiantes do ponteiro do relógio, em nossas certezas e opiniões, nunca nos permitimos o ócio sagrado para nos perguntar o sentido desta vida, e perdemos a magia e a poesia que constroem o nosso mundo: é então que os deuses gregos podem vir ao nosso auxílio, se tivermos a sorte de nos encontrar com o Espanto originário que lhes é peculiar.

O homem sempre contou histórias sobre o mundo que o cerca. O mundo é repleto de personagens criados pela cultura, criados por histórias fundamentais que forjam nosso modo de ser e viver e, assim, compreender tais personagens é compreender um pouco sobre nós mesmos. Para os gregos, no entanto, tais personagens não são apenas traços básicos do ser humano, mas são manifestações da própria natureza, são modos de ser do mundo ao nosso redor, descritos e delimitados por grandes poetas que tiveram a sensibilidade de chegar ao âmago das coisas. “O mundo está cheio de deuses”, dizia Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo do ocidente, e a mitologia grega apenas corrobora o ditado do pensador. O mundo dos deuses gregos é uma descrição dos aspectos fundamentais da vida cultural que de alguma forma perdura até os dias de hoje e conhecer as suas histórias, suas lutas, suas perdas, conquistas e aventuras é também conhecer os valores e pilares do mundo em que vivemos.

O ritual é o lugar em que estes personagens divinos se manifestam.

O sentido rigoroso do mito se configura sempre por um ritual que encena aquele mito: é na experiência religiosa que o sentido mais profundo do Deus ganha consistência, pois passa a existir na vida daqueles que compactuam o mesmo ritual. Não podemos entender rigorosamente os deuses gregos se não os colocamos sob o enfoque dos rituais em que eles eram celebrados. As festas religiosas gregas são o lugar da experiência do sagrado e a sua característica fundamental é a de serem uma psicagogia, uma condução da alma.

Os espectadores de uma tragédia, exemplo de uma festa religiosa, ficavam de tal modo envolvidos pelo drama que suas almas eram conduzidas para o que ali se passava. A psicagogia é o que se espera da experiência religiosa de um ritual, pois tal condução plasma a alma no mundo em que ela vive, configura os elementos axiológicos fundamentais do nosso universo.

Assim, a verdade de um mito não está no seu correlato fatual, mas na profundidade da realidade cultural que ele descreve: o mito descreve uma realidade axiológica, importante para uma comunidade e sua existência concreta é apenas um detalhe que não lhe retira nem acrescenta grandeza.

Cabe, ainda como apresentação, uma lista das divindades gregas, de modo a nos guiar no emaranhado de sua genealogia. O panteão grego é normalmente dividido em deuses ctônicos e deuses olímpicos. Os deuses ctônicos (da terra) expressam realidades instintivas, primárias, impulsivas, obscuras; são os deuses mais antigos, como Gáia (Terra), Ouranos (Céu) e Pontos (Mar), mas os Titãs são seu melhor exemplo. Os deuses olímpicos são relacionados com a luz e a justiça, e Apolo e Zeus são os mais representativos. Pode-se dizer que os deuses ctônicos, também chamados de telúricos, foram seres cultuados primitivamente na região da Grécia, suplantados por novas divindades, ou reestruturados por novos cultos, perdendo assim, a guerra para estas novas forças de luz. Assim, provavelmente vemos expresso na mitologia dos gregos a história das mudanças em sua própria religião. Estes deuses primordiais, derrotados pela eterna juventude dos olímpicos, são como forças primitivas da natureza, ligados ao nascimento e à morte, pouco antropomórficos, deuses mais violentos e brutos. Eles fazem uma clara contraposição aos aspectos de reflexão e elevação espiritual típicos dos deuses olímpicos, ligados à eternidade extática e ao céu puro e brilhante.

Esta distinção apresenta uma imagem da guerra arquetípica entre Luz e Sombra, dois pólos que não podem ser pensados sem sua natural mútua implicação.

Assim como a oposição entre Apolo e Dionísio (um outro nome para a oposição ctônico-olímpico), os deuses gregos em suas lutas não podem ser compreendidos como forças antagônicas que não se completam: ao contrário, a sua luta somente expressa a necessidade de sua interconexão.

Vale lembrar que Dionísio, o deus da embriagues e do êxtase, filho de Zeus e Sêmele, está entre os olímpicos e representa muito bem o elemento telúrico entre eles.

Apesar de a religião grega não dispensar tal tensão de forças opostas, os olímpicos são os deuses principais da Grécia antiga, deles são as principais festas religiosas, eles são os protagonistas dos mitos basilares da cultura grega.

Entre os oito Deuses masculinos a serem estudados, três são filhos dos antigos Titãs, Crono e Réia: Zeus, o senhor do Olimpo, deus do trovão, executivo, hábil conquistador; Posídon, o rei dos oceanos, instável emocionalmente, deus do tridente, e das tempestades do mar; Hades, também chamado de Plutão, o rico, rei do mundo dos mortos, deus do elmo de invisibilidade, que rapta Perséfone como esposa. Os cinco deuses restantes são filhos de Zeus, mas nem todos gozam de simpatia por parte do senhor do Olimpo. Apolo, o deus do sol, da música e da adivinhação, é um dos mais importantes na Grécia, símbolo do equilíbrio, harmonia e da reflexão, porém violento e implacável quando ultrajado. Hermes, deus mensageiro e traiçoeiro, protetor dos comerciantes, condutor do caduceu e inventor da lira, junto com Apolo e Dionísio são os deuses mais amados e respeitados pelo pai Zeus. Ares, terrível deus da guerra, sedento por sangue e sem refinamento é chamado pelo próprio Zeus como o mais odioso entre os deuses. Hefesto, deus coxo, ganha este defeito físico por ter sido arremessado do Olimpo pelo próprio Zeus ao defender Hera, sua mãe em uma disputa com o deus do trovão. Hefsto é o deus ferreiro e senhor do fogo e os maiores artefatos, incluindo o famoso escudo de Aquiles, foram por ele forjados. Dioniso, deus do êxtase, do vinho, nascido duas vezes, deus da agricultura e da fertilização é um amante entusiasta, libertário e dinâmico. Deus da loucura, da orgia e da dança, é um dos mais importantes para a arte dramática grega.

No livro As deusas e a mulher, é descrita uma interessante distinção entre as sete deusas olímpicas: primeiro, existem as deusas invioláveis, virgens, que não se deixam dominar; depois, as violáveis, dominadas por seus maridos; por fim, teríamos Afrodite, deusa alquímica, que contém elementos das duas primeiras categorias.

Atena, a deusa mais importante do panteão grego, é a preferida do pai Zeus, deusa guerreira e estrategista, a deusa de olhos glaucos, a deusa das artes e da própria filosofia.

Ártemis, a virgem caçadora, é a deusa dos animais e da floresta, irmã gêmea de Apolo, a quem ama muito, e personifica a independência do espírito feminino: é a protetora das jovens virgens. Aparece muitas vezes carregando o arco e a aljava e é seguida por seus animais. Héstia é a deusa do foyer, do fogo religioso e, cosmologicamente, do fogo central que aquece a terra, o nosso grande lar. É também uma deusa virgem, invulnerável, que vive solitária, silenciosa e extática no Olimpo. É uma deusa fundamental para a vida do dia-a-dia dos gregos.

Hera é a mulher-esposa, guardiã das relações lícitas e está sempre amargurada com as traições de Zeus, o fecundador. Apesar de ciumenta e vingativa, pode ser uma companheira leal e fiel quando correspondida em seu amor. Ela é a grande inimiga de Hércules (que por ironia tem, em grego, o nome de “Glória de Hera”, Heracles), e também de inúmeros outros filhos extraconjugais do senhor do Olimpo. Deméter, que em verdade faz um par indissociável com Perséfone, é a deusa da fertilidade e por causa dela toda a terra frutifica. Recolhe-se por seis meses ao ano, quando sua filha é forçada a ficar com seu raptor, Hades.

Deméter é indiscutivelmente o arquétipo do materno, sempre em busca de sua filha, que após comer sementes de romã junto a Hades, não pode mais deixá-lo por definitivo: assim como a natureza floresce periodicamente, Demeter também tem o prazer de periodicamente estar junto de sua filha, mas têm também o desprazer de estar longe dela, simbolizando a perda da fertilidade do solo. Por fim, Afrodite, a deusa do amor e da beleza, amante insaciável por natureza é tanto vulnerável, por se deixar penetrar pelos seus amores, quanto indomável, por nunca se assujeitar a nenhum deus. Casada com Hesfesto, o deus coxo, é famosa por suas relações extraconjugais, especialmente com Ares.

Tais traços gerais servem apenas como indicações básicas para navegarmos no mar revolto e grandioso dos deuses gregos. Em verdade, conhecê-los melhor é conhecer os pilares de nossa cultura ocidental, e para isto uma investigação muito mais séria e comprometida, muito mais espantosa, é necessário.

Marcus Reis

Bibliografia

BOLEN, Jean Shinoda. As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1990.
__________. Gods in everyman. São Francisco: Harper & Row, 1989.
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro grego. Tragédia e Comédia. Petrópolis: Vozes, 1984.
__________. Mitologia Grega. Vols I – III, Petrópolis: Vozes, 1996.
CAMPBELL, J. As máscaras de Deus. São Paulo: Palas Athena, 1992.
__________. O herói de mil faces. São Paulo: Pensamento, 1995.
ÉSQUILO. Orestéia. São Paulo: Iluminuras, 2004.
EURÍPIDES. Medeia. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1977.
HOMERO. Iliada. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
__________. Odisséia. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
HESÍODO. Teogonia, a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 1991.
JAEGER. “Homero como educador” in Paidéia. A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
JUNG, C.G. Arquétipos e insconsciente colectivo. Barcelona: Paidós, 1981.
LESKY, Albin. A tragédia Grega. Perspectiva: São Paulo, 2003.
OTTO, Walter Friedrich. Os Deuses da Grécia. São Paulo: Odysseus, 2005.
VOGLER, Christopher. A Jornada do Escritor. Estruturas míticas para contadores de histórias e roteiristas. Ampersand Editora, Rio de Janeiro, 1997.

Fonte: saladeestudos.com

Mitologia Grega

Hoje, a maioria das pessoas que se debruça sobre a Mitologia grega, quer por força da profissão, por curiosidade, por dever intelectual ou mesmo por prazer em conhecê-la, o faz principalmente sobre a interpretação dos mitologemas (narrativas míticas); raros aqueles que retomam a leitura dos mitos tal como eram na sua origem, que retomam o contato direto com os Deuses e Heróis.

Mesmo entre aqueles cuja profissão obriga conhecer Mitologia Grega, a maioria permite-se conhecer somente fragmentos desconexos e apenas as interpretações mais correntes vinculadas ao conhecimento mais superficiais das teorias mais populares.

A maioria de nós fala em “Complexo de Édipo”, mas quantos de nós sabemos realmente quem foi Édipo? Falamos em Apolíneo ou Dionisíaco sem sabermos de fato quem são essas personagens míticas e quais as reais forças sociais e psíquicas estão simbolizadas nos Deuses Apolo e Dioniso.

Conhecer os Mitos Clássicos situa-se muito além da enumeração tediosa dos filhos de Zeus ou da publicidade cômica dos adultérios do pai dos deuses.

Conhecer a Mitologia Grega não é ser capaz de unir os nomes aos atributos divinos, não rivaliza com uma cultura de almanaque ou com alguma forma de verniz enciclopédico.

A mitologia e o conhecimento dos mitos vincula-se ao conhecimento de temas e formas simbólicas que dizem respeito a conflitos e motivações essenciais para o entendimento do Homem Ocidental. Os poetas da Grécia Antiga nos deixaram uma mostra riquíssima dos conflitos humanos, pois as narrativas mitológicas não se subordinavam a julgamentos de valores, ainda que intimamente vinculadas às noções de ordem e ética daquele período.

A liberdade poética com que foram tratados os deuses gregos nos permite conhecer algo de muito específico do homem grego da antiguidade e também conhecer elementos determinantes do homem contemporâneo. Esse manancial poético-mitológico possibilita descortinarmos nossas heranças sociais e psíquicas sob a lente simbólica das relações entre os deuses.

MUNDO MÍTICO

Pensar os Mitos, e principalmente os mitos gregos, significa pensar um prisma triangular, pensar nas três faces do prisma. Cada face tem especificidades, recebe um tipo de luz “de entrada” e ressurge na outra face completamente transformada e transformadora. As três faces do Mito são RELIGIÃO, ARTE e HISTÓRIA.

Três faces de um prisma, formando um todo único e indivisível:

Se olharmos o Mito pela face da Religião, será inevitável vermos também seus desdobramentos na História e na Arte.
Se olharmos o Mito pela face da Arte, será inevitável vermos também seus desdobramentos na Religião e na História.
Se olharmos o Mito pela face da História, será inevitável vermos também seus desdobramentos na Arte e na religião.

Mas de que Arte, de que Religião, de que História nós estamos falando? Dos gregos do século VIII antes de Cristo? E que interesse temos nós hoje no mundo deles?

O MUNDO DELES É O NOSSO

Conhecer os Mitos, sejam eles polinésios, tupinambás, maias, sumérios ou gregos não é o estudo de um fenômeno local e temporal, é o estudo e conhecimento da resposta simbólica do homem diante da natureza interna e externa à sua psique; os Mitos são narrativas que tratam da permanência e da impermanência dos homens, de sua origem e de sua passagem na terra.

Estudar os mitos, especialmente os gregos, é para nós um ato de auto-conhecimento. Aquilo que os gregos de 2000 a 1000 anos antes de Cristo formularam em narrativas como respostas simbólicas aos seus desconfortos sociais e existenciais não diz respeito apenas aos problemas dos povoados do entorno do Mediterrâneo no tempo do Neolítico, ainda que os Mitos sejam uma fonte fenomenal de conhecimento da vida do homem nos povoados neolíticos; não, os mitos gregos falam do mundo humano, dos desconfortos do homem contemporâneo.

A literatura e as artes gregas que nos apresentam os mitos, apresentam também o conceito de MIMESE , ou seja, a imitação e recriação da realidade na obra de arte através do realismo visual-formal. O desenvolvimento da arte ocidental nos 25 séculos posteriores ao apogeu da arte grega ( séc V aC ) é um desfilar de aproximações e recusas ao realismo-visual e ao conceito de mimese. Portanto, na leitura dos mitos, estamos falando da nossa arte, do nosso mundo.

A história da Grécia do século XI ao século I antes de Cristo, registra o nascimento dos principais elementos caracterizadores do homem contemporâneo: a pólis ( a cidade constituída em torno de um modo-de-produção ), a política ( o trato racional, laico, humano e terreno das questões da vida em sociedade ), a filosofia ( a possibilidade de pensar o homem e o mundo sem a presença da religião ), a curiosidade científica ( a produção de pesquisa e conhecimento sistematizado ).

A religião grega e a narrativa dos mitos já trazem todo o pano de fundo que vai permitir o desenvolvimento do cristianismo. Os mitos de Zeus, Apolo e Prometeu trazem estreitas relações simbólicas com a vinda e a passagem do Cristo na terra. Enquanto Zeus, Prometeu e Apolo são mito, verbo, para o mundo cristão ocidental, o Cristo é “ o verbo que se fez carne”. A significação mítica e mística de Zeus, Apolo e Prometeu assemelha-se a do Cristo, que é o centro da religião ocidental dos nossos dias.

Estudar os Mitos Gregos, as três faces do Mito, do prisma de que falamos anteriormente ( Religião, História e Arte ), significa estudarmos o nosso mundo, a nossa sociedade e o homem contemporâneo. Não é por acaso que os grandes pensadores, aqueles que desenvolveram as teorias que nos ajudam a compreender o Homem Moderno e Contemporâneo, direta ou indiretamente beberam na fonte da Mitologia Grega.

Mas será preciso estudar toda a história grega, toda a arte e a religião grega, mais a filosofia, a psicologia e a sociologia ocidentais para entender os Mitos ?

Não.

Essa é a resposta: Não. É importantíssimo que estudemos as interpretações, as análises e as críticas que se referem aos mitos, que estudemos separadamente cada uma das faces do prisma, mas nada disso substitui o contato direto com o Mito, com as narrativas míticas.

As narrativas míticas são um convite à interpretação e à mente interrogativa e curiosa, por isso surgiram tantas análises, interpretações, usos, citações e referências, e não o contrário. Oferecer as narrativas míticas a novos leitores significa convidá-los a participar do jogo, não para assisti-lo, mas para jogar.

NARRATIVAS DIVINAS

Os mitos são tão antigos quanto o Homem. Na medida em que entendemos o Homem como um ser culturalmente construído, só poderemos entendê-lo inserido numa cultura e a partir do nosso próprio contexto sócio-cultural. Os mitos criaram as culturas, estão na base de todas as culturas, assim, os mitos estão na base da humanidade

Foi através das narrativas míticas que as culturas se desenvolveram e se perpetuaram; sejam narrativas repetidas em torno de uma fogueira por xamãs de tribos primitivas ou cantadas por poetas ( aedos ) nas cortes dos nobres gregos ou nas praças das pólis como Tebas, Corinto e Atenas.

Essas narrativas ligam o homem ao divino, o divino à terra, o homem à terra, o homem ao homem, os deuses ao tempo, o presente ao futuro, o futuro ao passado e o homem ao passado e ao futuro. E o que é isso senão o papel da cultura ?

Acredita-se que a gestação dos mitos gregos tenha acontecido em torno de três mil anos antes de Cristo e que tenha resistido e migrado oralmente até o século VIII a.C. , quando temos o aparecimento da escrita ( do alfabeto ) na cultura grega e conseqüentemente da possibilidade de conhecermos o primeiro grande poeta, Homero.

Homero é o primeiro poeta grego de que termos notícia. Em seus dois imensos poemas, ILÍADA e ODISSÉIA, sistematizou a mitologia e tornou-se uma das fontes mais importantes de conhecimento dos Deuses.

É importante lembrar que Homero era um aedo, um poeta que vivia nas cortes ou nas praças apresentando-se com sua lira, vivendo do que ganhava nessas apresentações. Frisamos isso para entender que Homero em momento algum teve a intenção de sistematizar a religião ou ordenar o panteão grego.

Homero serviu-se apenas da liberdade que a poesia desfrutava no tratamento dos deuses, pois os dogmas religiosos gregos diziam mais respeito aos cultos do que às narrativas sobre os deuses. Ou seja, os poetas gregos podiam tratar livremente dos episódios que envolviam os deuses. O sucesso ou fracasso de suas obras dependia da aceitação popular que tivessem e não necessariamente de qualquer coerência ou linearidade religiosa. Ao contrário da religião católica, por exemplo, na qual os fiéis não podem sequer interpretar os textos bíblicos.

Homero, nos poemas já citados, narra duas grandes aventuras em que os atores e agentes são humanos, vivendo dramas humanos sob a interferência dos deuses.

A ILÌADA trata do cerco que os gregos fizeram à cidade de Tróia ( Ílion ), pois o príncipe troiano Paris raptou a esposa do rei Grego Menelau - esse é o plano terreno dos acontecimentos. No plano divino, temos as posições e interferências dos deuses em relação aos acontecimentos na terra. Há deuses que protegem os gregos e deuses que lutam pelos troianos e que também combatem entre si durante os 10 anos de duração do cerco. Homero apresenta e caracteriza os deuses gregos de acordo com a tradição oral que recebera do passado cultural da Grécia e das necessidades narrativas de seu poema.

No poema ODISSÈIA, Homero trata das aventuras de Ulisses ( Odisseus ), rei grego, e sua tentativa de retornar à ilha de Ítaca, seu reino, após o término da vitoriosa campanha de guerra contra os troianos. Novamente, há a interferência dos deuses nas peripécias dessa aventura marítima e a duração da ventura é também de 10 anos. Ulisses segue sua jornada, protegido por alguns deuses e odiado por outros enquanto em Ítaca sua esposa, Penélope, está sendo forçada a escolher um novo marido e um novo rei. Novamente, Homero apresenta os deuses e os caracteriza segundo suas posições e vontades em relação aos acontecimentos terrenos.

Outra importantíssima fonte de conhecimento das narrativas míticas é o poeta Hesíodo.No século VII aC, Hesíodo propõe-se a sistematizar os mitos e a ordenar o panteão grego.

A TEOGONIA, como o nome indica, trata do surgimento dos deuses e fixa sua narrativa poética entre o CAOS e a instalação de Zeus no Olimpo. Nesse poema, Hesíodo nos apresenta as divindades primordiais, o nascimento dos deuses e os episódios que levam Zeus ao poder supremo entre os imortais.

Hesíodo ainda nos legou outro poema importantíssimo chamado O TRABALHO E OS DIAS que trata da vida social grega além de obras a respeito da genealogia de Deuses e Heróis.

DO CAOS À CORTE

Um elemento que caracteriza as narrativas míticas é o seu poder de resistirem igualmente pulsantes e poderosas mesmo diante de variações, contradições e passagens realmente conflitantes. Homero e Hesíodo são fontes seguras das narrativas mitológicas, mas não são as únicas. Relembrando apenas o que foi registrado em palavras, podemos citar os hinos religiosos, as lendas populares que resistiram e encontraram uma forma escrita, Platão e outros filósofos gregos que registraram, criticaram e/ou contribuíram para a mitologia, os autores teatrais ( das tragédias e das comédias ) e os poemas líricos ( poetas órficos ) que restaram. Existem ainda as preciosas contribuições romanas para a mitologia e há ainda ilustrações de vasos, esculturas e pinturas que também nos trazem informações sobre os deuses.

Não há, portanto, o que poderíamos chamar de “história verdadeira”, há variantes mais ou menos famosas; todas as variantes são verdadeiras em si, reveladoras de uma verdade simbólica e simbolicamente válidas como respostas psíquicas do homem diante de sua natureza; e todas elas, cada uma das variantes, são altamente estimulantes para as mentes curiosas que as queiram interpretar.

Assim, podemos apenas esboçar os elementos que se repetem, mais ou menos constantes em todas as variantes.

Do Caos surgem as divindades primordiais: NIX– ÈREBO- OCEANO/TETIS-GEIA

Nix – é a noite
Érebo –
mistério, escuridão da alma
Oceano e Tetis –
casal primal de todas as águas, segundo Homero ( Hesíodo não os coloca como vindos do Caos, indica-os como titãs )
Geia -
terra, mãe de tudo que existe. Mãe de Urano, dos Titãs e avó dos deuses.

Geia gerou Urano.

Urano - Céu

Geia e Urano geraram os ciclopes, os hacatonquiros e os titãs.

Ciclopes – três seres gigantescos com apenas um olho, redondo na testa.
Hecatonquiros –
três seres monstruosos de cem braços e cinqüenta cabeças.
Titãs –
Seres especiais, de forma humana e poder divino, serão os primeiros senhores da terra.

São dez para Homero, doze para Hesíodo:

MASCULINOS = Titãs = Cronus, Jápeto, Hipérion, Crio, Ceos (Hesíodo coloca Oceano com um titã )
FEMININO
= Titânida = Reia, Mnemósina , Teia, Temis, Febe (Hesíodo coloca Tetis com mais uma Titânida )

Urano, Céu, deitado sobre Geia, não deixa os filhos nascerem. Geia engravida e os filhos ficam dentro dela. Geia conclama seus filhos para enfrentar o pai, Cronus, Saturno, aceita o desafio. Castra Urano, Céu e toma-lhe o reino.

Saturno casa-se com a irmã Reia e será o pai dos deuses.

Tiveram seis filhos:

DEUSAS = Héstia, Demeter, Hera
DEUSES =
Hades, Posidon e Zeus.

Saturno, com medo de perder o trono, engole os filhos assim que eles nascem. Réia é mãe, mas não pode criar os filhos. Quando nasce o último filho ( o primeiro para algumas variantes ), Zeus, Réia entrega ao marido uma pedra enrolada em cueiros que é rapidamente engolida. Zeus é criado livre e retorna para enfrentar o pai e libertar os irmãos. Zeus liberta os irmãos e juntos vão enfrentar o pai e os titãs.

Os deuses saem vencedores, Zeus casa-se com a irmã Hera e forma sua corte no Monte Olimpo, reina sobre a terra e os homens. O irmão de Zeus, Netuno, reina sobre os mares e Plutão reina sobre o mundo pós-morte, o mundo inferior. A corte de Zeus é formada por seus irmãos e seus muitos filhos.

É na TEOGONIA de Hesíodo que encontramos de forma mais precisa e ordenada esse primeiro conjunto de narrativas mitológicas.

DEUSES E HERÓIS

A mitologia grega não diz respeito apenas aos deuses, há também um conjunto de seres especiais, de origem híbrida ( humana e divina ) a que chamamos Heróis.

Os heróis são mortais e recebiam culto religioso em torno de seus “túmulos”.

O culto aos heróis, pode ser grosseiramente entendido como uma evolução do primitivo culto aos mortos, aos reis ancestrais das primeiras das tribos.

Mitologicamente, os heróis podem ser aparentados aos deuses por parte de pai ou mãe, podem ser reis-míticos ou ainda podem ser divindades menores que encontraram seu espaço entre os heróis. Normalmente os heróis aparecem como pertencentes a uma única narrativa que trata de sua origem, peripécia heróica e morte, diferentemente dos deuses que são imortais e aparecem em diversas aventuras e narrativas. As narrativas heróicas chegaram aos nossos dias das mais diversas fontes, desde as peças de teatro às fábulas e lendas populares, guardando sempre uma forte relação com a forma como nos foi transmitida ( fábula, peça teatral, conto popular, etc ).

Há um ciclo de narrativas heróicas que gira em torno da Busca do Velocino de Ouro. O herói Jasão reúne num barco chamado Argos uma tripulação de Heróis, os argonautas, para participar de suas aventuras em busca de uma pele de carneiro de ouro. Jasão, os heróis da tripulação do Argos e suas aventuras pertencem todos ao mesmo ciclo narrativo. Apolônio de Rodes, Píndaro e Eurípedes são os autores mais importantes que trataram desse ciclo;

HERÓIS HOMÉRICOS

Nas narrativas da Ilíada e da Odisséia, Homero, como já dissemos, organiza as obras em dois planos, o terreno e o divino, Tróia e o Olimpo na Ilíada e os locais onde aportaram Ulisses e sua tripulação e novamente o Olimpo na Odisséia. Muitos dos combatentes da Guerra de Tróia são heróis ( mortais aparentados ou protegidos especialmente pelos deuses ), Ulisses é um herói e em torno desses heróis, suas ações e personalidades, gira a narrativa dos poemas.

Herdeiro da tradição épica grega, Virgílio, poeta romano, escreve a Eneida que narra as aventuras do herói Enéas, jovem troiano, citado por Homero, que se salva da queda de Tróia e lança-se a uma série de aventuras. Virgílio trata das aventuras de Enéas e de suas conseqüências.

Outro ciclo importante de narrativas heróicas é o que gira em torno de Hércules. Essa é uma personagem tão importante e tão desenvolvida que se torna um deus após sua morte e passará sua eternidade no Olimpo casado com Hebe, filha de Zeus e Hera.

Ovídio, Eurípedes, Sófocles, Píndaro, Teócrito e Apolodoro são os autores que conservaram todos os episódios da trajetória heróico-divina de Hércules, desde o seu nascimento ( filho de Zeus e da mortal Alcmena ) até a sua morte, após os famosos doze trabalhos.

NÃO SE APRENDE A NADAR FORA D’ÁGUA

A melhor atividade a se desenvolver em relação aos mitos gregos é envolver-se com eles, mergulhar na leitura, procurar outras variantes das mesmas histórias, outras formas como foram contadas essas mesmas histórias. Atividade essencial é remontar o “quebra cabeça”, descobrir as genealogias, recompor as árvores, completar as histórias que faltam. Outra atividade essencial é relacionar a Mitologia com as artes, descobrir os pintores que retrataram os episódios, descobrir como os escultores criaram as imagens dos deuses, como os pintores os enxergavam. Ainda, uma atividade importante é tentar capturar a essência da personalidade de cada um dos deuses, analisando as histórias, e descobrir o quanto dessas personalidades estão ainda em nós, de que faceta nossa elas falam.

Mas sobretudo é imprescindível que os mitos sejam apresentados de forma viva, como um recado dos vivos aos vivos.

Fábio Brazil

Fonte: www.lendoeaprendendo.sp.gov.br

Mitologia Grega

O que é Mitologia

Na Antigüidade o Ser Humano não conseguia explicar a Natureza e os fenômenos naturais (e parece-me que ainda hoje não compreende nem consegue explicá-los da mesma forma). Então, dava nomes ao que não podia explicar e passava a considerar os fenômenos como "deuses". O trovão inspirava um deus, a chuva outro. O céu era um deus pai e a terra, uma deusa mãe e os demais seres, seus filhos. Criava, a partir do Inconsciente, histórias e aventuras que explicavam de forma poética e profunda o mundo que o rodeava. Estas "histórias divinas" eram passadas de geração para geração e adquiriam um aspecto religioso, tornando-se mitos ao assumirem um caráter atemporal e eterno, por dizerem respeito aos conflitos e anseios de qualquer Ser Humano de qualquer tempo ou local. Estes núcleos arquitípicos mitológicos recebem o nome de "mitologemas". A um conjunto de mitologemas de mesma origem histórica, dá-se o nome de "mitologia". Aos mitos se uniam ritos que renovavam os chamados "mistérios". O rito torna ato (atualizam) um mito que se faz representar (atuar) em seu simbolismo encarnado nos "mistérios". Ao conjunto de ritos e símbolos que cercam um mitologema dá-se o nome de "ritual". Ao conjunto de rituais e mitos com origem histórica comum dá-se o nome de "religião". À religião sempre se unem preceitos ético-morais chamados "doutrinas religiosas", compostas por proibições a ("tabus") e ídolos ('totens"). Assim nasceram os deuses.

Todos os povos da terra, seja em localização no tempo e no espaço estiverem, todos sempre tiveram uma religião, composta de diversos ritos e mitos. Parece que a religião é uma necessidade imperiosa do Ser Humano e, em culturas em que a religião e suas manifestações estão proibidas ou desuso (como no comunismo, por exemplo) observa-se sempre a "eleição" inconsciente de "deuses" extra-oficiais que, num processo idólatra, procuram preencher as lacunas deixadas pela tradição religiosa.

Na atualidade, o afastamento de nossa sociedade das tradições religiosas está gerando um duplo fenômeno idólatra: a iconificação de figuras tais como cantores e atores famosos e o fanatismo religioso em seitas e pequenas igrejas. Definitivamente não se pode viver sem ídolo, sem uma religião e sem seus mitos e ritos.

Porque Mitologia Grega

Há dois principais motivos que fazem da Mitologia grega a mais estudada das mitologias: sua racionalidade e sua importância histórica como base da Civilização Ocidental. Diz-se que os gregos antigos possuíam um "gênio racional", uma mente lógica por excelência. Esta "mete lógica"adaptou os mitos pré-existentes às necessidades da razão. Assim, absurdos foram corrigidos e coerência foi imprimida à Mitologia. Por exemplo, as religiões persas acreditavam que o Universo era fruto da guerra do Bem contra o Mal, da guerra dos seres da Luz contra os seres das Trevas e que a vitória daquela sobre estas dependia diretamente da execução de determinados rituais. Isso na prática quer dizer que os persas acreditavam que se sacrifícios não fossem feitos, haveria o sério risco do Sol não voltar a nascer pela manhã e de que as Trevas Eternas se abatessem sobre o planeta. Os gregos jamais se permitiriam aceitar tamanha ilogicidade e se viram obrigados a criar uma visão de mundo cujas leis fossem estáveis e confiáveis. Era evidente para o "gênio racional" grego que o Sol nasce a partir de uma força intrínseca a ele e ao Universo e não na dependência das ações humanas. Apareceram então os conceitos de "Ordem do Mundo" (Kosmos) e de "Natureza" (Physis), que os afastou das "trevas" da incerteza e da ignorância. O "Chaos" cedeu lugar ao "Kosmos" e nele reina necessariamente uma natureza lógica, previsível e estável.

Apesar de ainda existirem inúmeras religiões, inclusive o Judaísmo e o Cristianismo, que se baseiam nas noções persas de um universo caótico na dependência dos atos humanos, foi dos conceitos de Kosmos e de Physis que surgiu a cultura ocidental, a Filosofia e a Ciência.

A Laicização da Mitologia Grega

Com o passar do tempo, a racionalidade grega foi superando a noção de religião e tornando-se de sacra em laica. Pela primeira vez na História apareceu na Grécia Antiga, na região da Jônia (atual Turquia) um pensamento laico puramente lógico e desvinculado totalmente da idéia do sagrado. Estes primeiros filósofos jônicos (pré-socráticos) nada mais fizeram do que transpor ipsis literi a Mitologia Grega em Filosofia.

Mais tarde Aristóteles em Atenas explicaria a gênese do pensamento filosófico da mesma maneira como se explica a gênese do pensamento mitológico: "é através do espanto que os homens começam a filosofar".

Os filósofos sempre tentaram explicar a Natureza e seus fenômenos, caindo inevitavelmente em contradições e as de seus companheiros de profissão. A Filosofia expandiu e acabou englobando áreas para muito além da descrição da Natureza e seus fenômenos, incluindo em si o estudo do Ser Humano e todos os fenômenos relacionados a ele e ao seu pensamento. No entanto, as contradições entre os filósofos continuariam a afligir o espírito humano por séculos, quer em relação aos métodos, quer em relação às teorias, quer em relação aos fenômenos. A Filosofia incumbiu-se finalmente de "assassinar" os deuses de onde havia nascido, afirmando que os deuses não passavam de alegorias místicas para as forças da Natureza que requeriam uma explicação lógica e jamais religiosa. Se os deuses existissem, eles seriam, tal qual os mortais, constituídos por átomos e submetidos às implacáveis e imutáveis leis naturais.

No Renascimento, Galileu Galilei foi o primeiro a levantar a necessidade de que se provassem as teorias filosóficas através da experimentação. A Filosofia então passaria lentamente a tornar-se obsoleta e cederia seu lugar à Ciência. René Descartes rompe com o passado e inaugura sua visão de mundo em que as tradições filosóficas já não mais queriam dizer nada. O Ser Humano passou a procurar desesperadamente provas concretas e experienciáveis (reprodutíveis) de que suas teorias são de fato. Nasceu o Método Científico e com ele um importante passo em direção à laicização do pensamento foi dado. Atualmente a Ciência é bastante confiável e goza de largo crédito junto ao público especializado e leigo, ao passo que as explicações filosóficas estão, digamos, um tanto "fora de moda".

Quando se diz hoje em dia que algo é "científico", a maior parte das pessoas entende de que se trata da mais pura e irrefutável verdade, quando, de fato, deveria entender de que se trata de um resultado obtido através do Método Científico, ou seja: da tentativa e erro e da experimentação.

Se já existem "narizes torcidos" para as idéias filosóficas quando confrontadas às idéias científicas, as idéias mitológicas como explicações para os fenômenos naturais estão totalmente fora de cogitação hoje em dia e beiram o absurdo. A laicização do pensamento é tal que há quem diga que os mito formam um conjunto que deveria receber o nome de "MINTOlogia".

O Resgate da Mitologia

Existe uma espécie de preconceito generalizado contra os pensamentos não-científicos, especialmente contra os métodos filosóficos especulativos e o pensamento mítico.Porém, o estudo da Mitologia não pode ser visto com um interesse meramente histórico.

A Mitologia Grega é a base do pensamento ocidental e guarda em si a chave para o entendimento de nosso mundo, de nossa mente analítica e de nossa psicologia.

Ao se comparar a Mitologia Grega com as demais mitologias (africanas, indígenas, pré-colombianas, orientais, etc) descobre-se que há entre todas elas um denominador comum. Algumas vezes estaremos frente aos exatos mesmos deuses, apenas com nomes diferentes, sem que exista nenhuma relação histórica entre eles. Este material comum a todas as mitologias foi descoberto pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e foi por ele denominado de "Inconsciente Coletivo". O estudo deste material revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Como foi dito, os mitos são atemporais e eternos e estão presentes na vida de cada Ser Humano, não importa em que tempo ou em que local.

O estudo da Mitologia torna-se então essencial a todo aquele que pretende entender profundamente o Ser Humano e sua maneira de ver o mundo. Os deuses tornam-se forças primordiais da natureza psíquica humana e readquirem vida e poder. Nota-se a sua utilização no cotidiano em cada pequeno detalhe.

A existência real dos deuses mitológicos antigos em todas as suas roupagens étnicas reafirma em última instância a idéia de divindade em si: através dos deuses encontra-se a "idéia de Deus" e, através dela, Deus em toda sua misteriosa ambigüidade. A Mitologia transfere o conhecimento humano de um plano meramente materialista (científico) para um plano psíquico vivo (Inconsciente Coletivo) e deste, para um derradeiro plano espiritual. O desafio está em realizar a verdadeira "religião" (religação) do mundo externo ao mundo interno, do concreto ao abstrato, do material ao espiritual, do mortal ao imortal e eterno.

Fonte: www.beautyonline.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal