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Mitologia Grega

"Mito tem duas funções principais:" o poeta e estudioso Robert Graves escreveu em 1955. "A primeira é responder o tipo de perguntas difíceis que as crianças pedem, como 'Quem fez o mundo? Como isso vai acabar? Quem foi o primeiro homem? Aonde as almas vão após a morte? '... A segunda função do mito é para justificar um sistema social existente e conta para os ritos e costumes tradicionais. "Na Grécia antiga, as histórias sobre deuses e deusas e heróis e monstros eram uma parte importante da vida cotidiana . Eles explicaram tudo, desde rituais religiosos com o tempo, e deram sentido ao mundo que as pessoas viram ao redor deles.

Na mitologia grega, não existe um texto único como a Bíblia cristã ou os Vedas Hindu, que apresenta todos os personagens e as histórias dos mitos. Em vez disso, os primeiros mitos gregos faziam parte de uma tradição oral, que começou na Idade do Bronze, e suas tramas e temas desdobrou gradualmente na literatura escrita dos períodos arcaico e clássico. Épicos do século 8 aC do poeta Homero a Ilíada ea Odisséia, por exemplo, contam a história da Guerra de Tróia (mítico) como um conflito divino, bem como a um ser humano. Eles não têm, no entanto, se preocupou em apresentar os deuses e deusas que são seus personagens principais, já que os leitores e ouvintes já teria sido familiarizado com eles.

Cerca de 700 aC, a Teogonia de Hesíodo, poeta ofereceu a primeira cosmogonia escrito, ou história de origem, da mitologia grega. A Teogonia conta a história da viagem do universo a partir do nada (Caos, o vazio primordial) ao ser, e detalhes de uma árvore da família elaborada de elementos, deuses e deusas que evoluíram a partir de Chaos e descendentes de Gaia (Terra), Urano (Céu), Pontos (Mar) e Tártaro (submundo).

Escritores e artistas gregos posteriores utilizado e elaborado em cima dessas fontes em seu próprio trabalho. Por exemplo, figuras mitológicas e eventos aparecem nas peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides e os poemas líricos de Píndaro do século 5. Escritores como o do século 2 aC grego mitógrafo Apolodoro de Atenas eo BC historiador romano Gaius Julius primeiro século Higino compilou os antigos mitos e lendas para o público contemporâneo.

Mitologia Grega: o Olimpo

No centro da mitologia grega é o panteão de divindades que foram ditas para viver no Monte Olimpo, a montanha mais alta da Grécia. De seu poleiro, que governou todos os aspectos da vida humana. Deuses do Olimpo e deusas pareciam homens e mulheres (embora pudessem transformar-se em animais e outras coisas) e foram - como muitos mitos contou - vulnerável a fraquezas humanas e paixões.

Os doze principais atletas olímpicos são:

Zeus (Júpiter, na mitologia romana): o rei de todos os deuses (e pai de muitos) e deus do tempo, a lei eo destino
Hera (Juno): a rainha dos deuses e deusa das mulheres e do casamento
Afrodite (Vênus): deusa da beleza e do amor
Apollo (Apollo): o deus da profecia, da música e da poesia e do conhecimento
Ares (Marte): deus da guerra
Artemis (Diana): deusa da caça, animais e parto
Atena (Minerva): deusa da sabedoria e da defesa
Demeter (Ceres): deusa da agricultura e de grãos
Dionísio (Baco): deus do vinho, do prazer e festa
Hefesto (Vulcano): deus do fogo, metalurgia e escultura
Hermes (Mercúrio): o deus das viagens, hotelaria e comércio e mensageiro pessoal de Zeus
Poseidon (Netuno): deus do mar

Outros deuses e deusas, por vezes incluídos no rol de atletas olímpicos são:

Hades (Plutão): deus do submundo
Hestia (Vesta): deusa do lar e da família
Eros (Cupido): o deus do sexo e do servo de Afrodite

Mitologia Grega: Heróis e Monstros

Na Mitologia grega não basta contar as histórias de deuses e deusas, no entanto. Heróis humanos - como Heracles, o aventureiro que realizou 12 trabalhos impossíveis para o rei Euristeu (e posteriormente foi venerado como um deus para sua realização); Pandora, a primeira mulher, cuja curiosidade trouxe o mal para a humanidade; Pigmalião, o rei que caiu no amor com uma estátua de marfim; Arachne, o tecelão que foi transformada em uma aranha por sua arrogância; belo príncipe troiano Ganimedes, que se tornou o copeiro dos deuses; Midas, o rei com o toque de ouro, e Narciso, o jovem que caiu no amor com sua própria reflexão - são tão significativos.

Monstros e "híbridos" (formas humanas e animais), também um lugar de destaque nos contos: o cavalo alado Pégaso, o cavalo-homem Centaur, o leão-mulher Esfinge e as ave-mulher Harpias, o caolho gigante Ciclope, autômatos ( criaturas de metal deram vida por Hefesto), manticoras e unicórnios, Górgonas, pigmeus, minotauros, sátiros e dragões de todos os tipos. Muitas dessas criaturas tornaram-se quase tão conhecido como os deuses, deusas e heróis que compartilham suas histórias.

Mitologia Grega: Passado e Presente

Os personagens, histórias, temas e lições da mitologia grega têm forma de arte e literatura durante milhares de anos. Eles aparecem em pinturas renascentistas, como Nascimento de Vênus e de Raphael Triunfo de Galatéia e escritos como Inferno de Dante de Botticelli; poesia romântica e libretos, e dezenas de romances mais recentes, peças de teatro e filmes.

Fonte: www.history.com

Mitologia Grega

A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 a.C.

Nessa data já existiam três coleções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisséia, do poeta Homero.

A mitologia grega possui várias características específicas. Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos. A diferença em relação a outras religiões antigas, como o hinduísmo ou o judaísmo, consiste em não incluir revelações ou ensinamentos espirituais.

Práticas e crenças também variam amplamente, sem uma estrutura formal, como uma instituição religiosa de governo, nem um código escrito, como um livro sagrado.

Os gregos acreditavam que os deuses tinham escolhido o monte Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência.

No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade organizada no que diz respeito a autoridade e poder, movimentavam-se com total liberdade e formavam três grupos que controlavam o universo conhecido: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Os doze deuses principais, conhecidos como Olímpicos, eram Zeus, Hera, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e Posêidon.

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza.

O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis.

Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

Fonte: www.mitollogia.hpg.ig.com.br

Mitologia Grega

A Mitologia Grega, desenvolvida plenamente por volta do ano 700 a.C. e que é a mais conhecida, é o resultado final da união das mitologias dórica e mecênica.

Essa mitologia é composta basicamente por um conjunto de histórias (mitos) e lendas sobre uma grande variedade de deuses.

A mitologia grega era uma religião politeísta e que não possuía um código escrito, ou seja, um livro sagrado.

Os deuses gregos tinham forma humana (antropomórfica) e ainda possuíam sentimentos humanos, como o amor, o ódio, etc. Alguns deuses viviam no alto do Monte Olimpo, numa região da Grécia conhecida por Tessália.

Os deuses gregos formavam três grupos que controlavam o universo: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Mitologia Grega
Mitologia Grega

Na mitologia grega existiam doze principais deuses, que eram conhecidos como Olímpicos, eram: Zeus (era pai espiritual dos deuses e das pessoas), Hera (esposa de Zeus e deusa que protegia casamentos), Atena (deusa da sabedoria e da guerra), Hefesto (deus do fogo e da artes manuais), Apolo (deus da luz, da poesia e da música), Ares (deus da guerra), Ártemis (deusa da caça), Héstia (deusa do coração e da chama sagrada), Afrodite (deusa do amor e da beleza), Poseidon (deus do mar), Hermes (mensageiro dos deuses e deus das ciências e das invenções) e Deméter (deusa da agricultura). Hades (deus dos mortos), que não era considerado um Olímpico, era um deus muito importante. Dionísio (deus do vinho e do prazer) era muito popular e em algumas regiões chegou a ser tão importante quanto Zeus.

Mitologia Grega

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza. O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

As musas, as ninfas (mulheres belas e charmosas que assombravam bosques e florestas), e os heróis (seres mortais importantes na mitologia: Jasão, Teseu, Édipo, Menelau, Agamenon, Odisseu, Aquiles, Heitor, Páris e Héracles (Hércules), que é o mais importante de todos os heróis) também era cultuados, apesar de não serem deuses, através da mitologia grega.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Mitologia Grega

Mitologia Grega
Zeus - Mitologia Grega

A mitologia grega é conjunto de crenças e práticas ritualísticas dos antigos gregos, cuja civilização formou-se por volta do ano 2000 a.C.

É composta basicamente de um conjunto de histórias e lendas sobre uma grande variedade de deuses.

A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 a.C.

Nessa data já existiam três coleções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisséia, do poeta Homero.

A mitologia grega possui várias características específicas. Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos. A diferença em relação a outras religiões antigas, como o hinduísmo ou o judaísmo, consiste em não incluir revelações ou ensinamentos espirituais.

Práticas e crenças também variam amplamente, sem uma estrutura formal, como uma instituição religiosa de governo, nem um código escrito, como um livro sagrado.

Os gregos acreditavam que os deuses tinham escolhido o monte Olimpo, em uma região da Grécia chamada Tessália, como sua residência.

No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade organizada no que diz respeito a autoridade e poder, movimentavam-se com total liberdade e formavam três grupos que controlavam o universo conhecido: o céu ou firmamento, o mar e a terra.

Os doze deuses principais, conhecidos como Olímpicos, eram: Zeus, Hera, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e Posêidon.

A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza. O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

Fonte: www.mitosedeuses.hpg.ig.com.br

Mitologia Grega

O Espanto é o princípio da mitologia grega. Deixar-se dominar pelo Espanto é o primeiro passo para participarmos do mundo grego, cujos deuses e heróis, em suas aventuras e desventuras, constituem o cerne deste curso.

Poucos são os momentos em que conseguimos vislumbrar o mundo cheio de deuses, raros os momentos em que andamos no mundo percebendo a extraordinária estranheza de tudo o que nos cerca: falta-nos o olhar limpo e penetrante da criança, que tem a coragem de contemplar e indagar pelo princípio de tudo ao seu redor.

Em nossa pressa e objetividade, espremidos pelos intervalos angustiantes do ponteiro do relógio, em nossas certezas e opiniões, nunca nos permitimos o ócio sagrado para nos perguntar o sentido desta vida, e perdemos a magia e a poesia que constroem o nosso mundo: é então que os deuses gregos podem vir ao nosso auxílio, se tivermos a sorte de nos encontrar com o Espanto originário que lhes é peculiar.

O homem sempre contou histórias sobre o mundo que o cerca. O mundo é repleto de personagens criados pela cultura, criados por histórias fundamentais que forjam nosso modo de ser e viver e, assim, compreender tais personagens é compreender um pouco sobre nós mesmos. Para os gregos, no entanto, tais personagens não são apenas traços básicos do ser humano, mas são manifestações da própria natureza, são modos de ser do mundo ao nosso redor, descritos e delimitados por grandes poetas que tiveram a sensibilidade de chegar ao âmago das coisas. “O mundo está cheio de deuses”, dizia Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo do ocidente, e a mitologia grega apenas corrobora o ditado do pensador. O mundo dos deuses gregos é uma descrição dos aspectos fundamentais da vida cultural que de alguma forma perdura até os dias de hoje e conhecer as suas histórias, suas lutas, suas perdas, conquistas e aventuras é também conhecer os valores e pilares do mundo em que vivemos.

O ritual é o lugar em que estes personagens divinos se manifestam.

O sentido rigoroso do mito se configura sempre por um ritual que encena aquele mito: é na experiência religiosa que o sentido mais profundo do Deus ganha consistência, pois passa a existir na vida daqueles que compactuam o mesmo ritual. Não podemos entender rigorosamente os deuses gregos se não os colocamos sob o enfoque dos rituais em que eles eram celebrados. As festas religiosas gregas são o lugar da experiência do sagrado e a sua característica fundamental é a de serem uma psicagogia, uma condução da alma.

Os espectadores de uma tragédia, exemplo de uma festa religiosa, ficavam de tal modo envolvidos pelo drama que suas almas eram conduzidas para o que ali se passava. A psicagogia é o que se espera da experiência religiosa de um ritual, pois tal condução plasma a alma no mundo em que ela vive, configura os elementos axiológicos fundamentais do nosso universo.

Assim, a verdade de um mito não está no seu correlato fatual, mas na profundidade da realidade cultural que ele descreve: o mito descreve uma realidade axiológica, importante para uma comunidade e sua existência concreta é apenas um detalhe que não lhe retira nem acrescenta grandeza.

Cabe, ainda como apresentação, uma lista das divindades gregas, de modo a nos guiar no emaranhado de sua genealogia. O panteão grego é normalmente dividido em deuses ctônicos e deuses olímpicos. Os deuses ctônicos (da terra) expressam realidades instintivas, primárias, impulsivas, obscuras; são os deuses mais antigos, como Gáia (Terra), Ouranos (Céu) e Pontos (Mar), mas os Titãs são seu melhor exemplo. Os deuses olímpicos são relacionados com a luz e a justiça, e Apolo e Zeus são os mais representativos. Pode-se dizer que os deuses ctônicos, também chamados de telúricos, foram seres cultuados primitivamente na região da Grécia, suplantados por novas divindades, ou reestruturados por novos cultos, perdendo assim, a guerra para estas novas forças de luz. Assim, provavelmente vemos expresso na mitologia dos gregos a história das mudanças em sua própria religião. Estes deuses primordiais, derrotados pela eterna juventude dos olímpicos, são como forças primitivas da natureza, ligados ao nascimento e à morte, pouco antropomórficos, deuses mais violentos e brutos. Eles fazem uma clara contraposição aos aspectos de reflexão e elevação espiritual típicos dos deuses olímpicos, ligados à eternidade extática e ao céu puro e brilhante.

Esta distinção apresenta uma imagem da guerra arquetípica entre Luz e Sombra, dois pólos que não podem ser pensados sem sua natural mútua implicação.

Assim como a oposição entre Apolo e Dionísio (um outro nome para a oposição ctônico-olímpico), os deuses gregos em suas lutas não podem ser compreendidos como forças antagônicas que não se completam: ao contrário, a sua luta somente expressa a necessidade de sua interconexão.

Vale lembrar que Dionísio, o deus da embriagues e do êxtase, filho de Zeus e Sêmele, está entre os olímpicos e representa muito bem o elemento telúrico entre eles.

Apesar de a religião grega não dispensar tal tensão de forças opostas, os olímpicos são os deuses principais da Grécia antiga, deles são as principais festas religiosas, eles são os protagonistas dos mitos basilares da cultura grega.

Entre os oito Deuses masculinos a serem estudados, três são filhos dos antigos Titãs, Crono e Réia: Zeus, o senhor do Olimpo, deus do trovão, executivo, hábil conquistador; Posídon, o rei dos oceanos, instável emocionalmente, deus do tridente, e das tempestades do mar; Hades, também chamado de Plutão, o rico, rei do mundo dos mortos, deus do elmo de invisibilidade, que rapta Perséfone como esposa. Os cinco deuses restantes são filhos de Zeus, mas nem todos gozam de simpatia por parte do senhor do Olimpo. Apolo, o deus do sol, da música e da adivinhação, é um dos mais importantes na Grécia, símbolo do equilíbrio, harmonia e da reflexão, porém violento e implacável quando ultrajado. Hermes, deus mensageiro e traiçoeiro, protetor dos comerciantes, condutor do caduceu e inventor da lira, junto com Apolo e Dionísio são os deuses mais amados e respeitados pelo pai Zeus. Ares, terrível deus da guerra, sedento por sangue e sem refinamento é chamado pelo próprio Zeus como o mais odioso entre os deuses. Hefesto, deus coxo, ganha este defeito físico por ter sido arremessado do Olimpo pelo próprio Zeus ao defender Hera, sua mãe em uma disputa com o deus do trovão. Hefsto é o deus ferreiro e senhor do fogo e os maiores artefatos, incluindo o famoso escudo de Aquiles, foram por ele forjados. Dioniso, deus do êxtase, do vinho, nascido duas vezes, deus da agricultura e da fertilização é um amante entusiasta, libertário e dinâmico. Deus da loucura, da orgia e da dança, é um dos mais importantes para a arte dramática grega.

No livro As deusas e a mulher, é descrita uma interessante distinção entre as sete deusas olímpicas: primeiro, existem as deusas invioláveis, virgens, que não se deixam dominar; depois, as violáveis, dominadas por seus maridos; por fim, teríamos Afrodite, deusa alquímica, que contém elementos das duas primeiras categorias.

Atena, a deusa mais importante do panteão grego, é a preferida do pai Zeus, deusa guerreira e estrategista, a deusa de olhos glaucos, a deusa das artes e da própria filosofia.

Ártemis, a virgem caçadora, é a deusa dos animais e da floresta, irmã gêmea de Apolo, a quem ama muito, e personifica a independência do espírito feminino: é a protetora das jovens virgens. Aparece muitas vezes carregando o arco e a aljava e é seguida por seus animais. Héstia é a deusa do foyer, do fogo religioso e, cosmologicamente, do fogo central que aquece a terra, o nosso grande lar. É também uma deusa virgem, invulnerável, que vive solitária, silenciosa e extática no Olimpo. É uma deusa fundamental para a vida do dia-a-dia dos gregos.

Hera é a mulher-esposa, guardiã das relações lícitas e está sempre amargurada com as traições de Zeus, o fecundador. Apesar de ciumenta e vingativa, pode ser uma companheira leal e fiel quando correspondida em seu amor. Ela é a grande inimiga de Hércules (que por ironia tem, em grego, o nome de “Glória de Hera”, Heracles), e também de inúmeros outros filhos extraconjugais do senhor do Olimpo. Deméter, que em verdade faz um par indissociável com Perséfone, é a deusa da fertilidade e por causa dela toda a terra frutifica. Recolhe-se por seis meses ao ano, quando sua filha é forçada a ficar com seu raptor, Hades.

Deméter é indiscutivelmente o arquétipo do materno, sempre em busca de sua filha, que após comer sementes de romã junto a Hades, não pode mais deixá-lo por definitivo: assim como a natureza floresce periodicamente, Demeter também tem o prazer de periodicamente estar junto de sua filha, mas têm também o desprazer de estar longe dela, simbolizando a perda da fertilidade do solo. Por fim, Afrodite, a deusa do amor e da beleza, amante insaciável por natureza é tanto vulnerável, por se deixar penetrar pelos seus amores, quanto indomável, por nunca se assujeitar a nenhum deus. Casada com Hesfesto, o deus coxo, é famosa por suas relações extraconjugais, especialmente com Ares.

Tais traços gerais servem apenas como indicações básicas para navegarmos no mar revolto e grandioso dos deuses gregos. Em verdade, conhecê-los melhor é conhecer os pilares de nossa cultura ocidental, e para isto uma investigação muito mais séria e comprometida, muito mais espantosa, é necessário.

Marcus Reis

Bibliografia

BOLEN, Jean Shinoda. As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1990.
__________. Gods in everyman. São Francisco: Harper & Row, 1989.
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro grego. Tragédia e Comédia. Petrópolis: Vozes, 1984.
__________. Mitologia Grega. Vols I – III, Petrópolis: Vozes, 1996.
CAMPBELL, J. As máscaras de Deus. São Paulo: Palas Athena, 1992.
__________. O herói de mil faces. São Paulo: Pensamento, 1995.
ÉSQUILO. Orestéia. São Paulo: Iluminuras, 2004.
EURÍPIDES. Medeia. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1977.
HOMERO. Iliada. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
__________. Odisséia. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
HESÍODO. Teogonia, a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 1991.
JAEGER. “Homero como educador” in Paidéia. A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
JUNG, C.G. Arquétipos e insconsciente colectivo. Barcelona: Paidós, 1981.
LESKY, Albin. A tragédia Grega. Perspectiva: São Paulo, 2003.
OTTO, Walter Friedrich. Os Deuses da Grécia. São Paulo: Odysseus, 2005.
VOGLER, Christopher. A Jornada do Escritor. Estruturas míticas para contadores de histórias e roteiristas. Ampersand Editora, Rio de Janeiro, 1997.

Fonte: saladeestudos.com

Mitologia Grega

A Mitologia Helênica é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu.

Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais. Complexo de crenças e práticas que constituíram as relações dos gregos antigos com seus deuses, a religião grega influenciou todo o Mediterrâneo e áreas adjacentes durante mais de um milênio.

Os gregos antigos adotavam o Politeísmo Antropomórfico, ou seja, vários deuses, todos com formas e atributos humanos. Religião muito diversificada, acolhia entre seus fiéis desde os que alimentavam poucas esperanças em uma vida paradisíaca além túmulo, como os heróis de Homero, até os que, como Platão, acreditavam no julgamento após a morte, quando os justos seriam separados dos ímpios. Abarcava assim entre seus fiéis desde a ingênua piedade dos camponeses até as requintadas especulações dos Filósofos, e tanto comportava os excessos orgiásticos do culto de Dioniso como a rigorosa ascese dos que buscavam a purificação.

Mitologia Grega
Mitologia Grega

No período compreendido entre as primeiras incursões dos povos helênicos de origem Indo-européia na Grécia, no início do segundo milênio a. C., até o fechamento das escolas pagãs pelo imperador bizantino Justinianus, no ano 529 da era cristã, transcorreram cerca de 25 séculos de influências e transformações.

Os primeiros dados existentes sobre a religião grega são as Lendas Homéricas, do século VIII a. C., mas é possível rastrear a evolução de crenças antecedentes.

Quando os indo-europeus chegaram à Grécia, já traziam suas próprias crenças e deuses, entre eles Zeus, protetor dos clãs guerreiros e senhor dos estados atmosféricos. Também assimilaram cultos dos habitantes originais da península, os Pelasgos, como o oráculo de Dodona, os deuses dos rios e dos ventos e Deméter, a deusa de cabeça de cavalo que encarnava o ciclo da vegetação.

Depois de se fixarem em Micenas, os gregos entraram em contato com a civilização cretense e com outras civilizações mediterrâneas, das quais herdaram principalmente as divindades femininas como Hera, que passou a ser a esposa de Zeus; Atena, sua filha; e Ártemis, irmã gêmea de Apolo. O início da filosofia grega, no século VI a.C., trouxe uma reflexão sobre as crenças e mitos do povo grego.

Alguns pensadores, como Heráclito, os Sofistas e Aristófanes, encontraram na mitologia motivo de ironia e zombaria. Outros, como Platão e Aristóteles, prescindiram dos deuses do Olimpo para desenvolver uma idéia filosoficamente depurada sobre a divindade.

Enquanto isso, o culto público, a religião oficial, alcançava seu momento mais glorioso, em que teve como símbolo o Pártenon ateniense, mandado construir por Péricles.

A religiosidade popular evidenciava-se nos festejos tradicionais, em geral de origem camponesa, ainda que remoçada com novos nomes.

Os camponeses cultuavam Pã, deus dos rebanhos, cuja flauta mágica os pastores tentavam imitar; as ninfas, que protegiam suas casas; e as nereidas, divindades marinhas.

As conquistas de Alexandre o Grande facilitaram o intercâmbio entre as respectivas mitologias, de vencedores e vencidos, ainda que fossem influências de caráter mais cultural que autenticamente religioso. Assim é que foram incorporadas à religião helênica a deusa frígia Cibele e os deuses egípcios Ísis e Serápis.

Pode-se dizer que o sincretismo, ou fusão pacífica das diversas religiões, foi a característica dominante do período Helenístico.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Mitologia Grega

Hoje, a maioria das pessoas que se debruça sobre a Mitologia grega, quer por força da profissão, por curiosidade, por dever intelectual ou mesmo por prazer em conhecê-la, o faz principalmente sobre a interpretação dos mitologemas (narrativas míticas); raros aqueles que retomam a leitura dos mitos tal como eram na sua origem, que retomam o contato direto com os Deuses e Heróis.

Mesmo entre aqueles cuja profissão obriga conhecer Mitologia Grega, a maioria permite-se conhecer somente fragmentos desconexos e apenas as interpretações mais correntes vinculadas ao conhecimento mais superficiais das teorias mais populares.

A maioria de nós fala em “Complexo de Édipo”, mas quantos de nós sabemos realmente quem foi Édipo? Falamos em Apolíneo ou Dionisíaco sem sabermos de fato quem são essas personagens míticas e quais as reais forças sociais e psíquicas estão simbolizadas nos Deuses Apolo e Dioniso.

Conhecer os Mitos Clássicos situa-se muito além da enumeração tediosa dos filhos de Zeus ou da publicidade cômica dos adultérios do pai dos deuses.

Conhecer a Mitologia Grega não é ser capaz de unir os nomes aos atributos divinos, não rivaliza com uma cultura de almanaque ou com alguma forma de verniz enciclopédico.

A mitologia e o conhecimento dos mitos vincula-se ao conhecimento de temas e formas simbólicas que dizem respeito a conflitos e motivações essenciais para o entendimento do Homem Ocidental. Os poetas da Grécia Antiga nos deixaram uma mostra riquíssima dos conflitos humanos, pois as narrativas mitológicas não se subordinavam a julgamentos de valores, ainda que intimamente vinculadas às noções de ordem e ética daquele período.

A liberdade poética com que foram tratados os deuses gregos nos permite conhecer algo de muito específico do homem grego da antiguidade e também conhecer elementos determinantes do homem contemporâneo. Esse manancial poético-mitológico possibilita descortinarmos nossas heranças sociais e psíquicas sob a lente simbólica das relações entre os deuses.

MUNDO MÍTICO

Pensar os Mitos, e principalmente os mitos gregos, significa pensar um prisma triangular, pensar nas três faces do prisma. Cada face tem especificidades, recebe um tipo de luz “de entrada” e ressurge na outra face completamente transformada e transformadora. As três faces do Mito são RELIGIÃO, ARTE e HISTÓRIA.

Três faces de um prisma, formando um todo único e indivisível:

Se olharmos o Mito pela face da Religião, será inevitável vermos também seus desdobramentos na História e na Arte.

Se olharmos o Mito pela face da Arte, será inevitável vermos também seus desdobramentos na Religião e na História.

Se olharmos o Mito pela face da História, será inevitável vermos também seus desdobramentos na Arte e na religião.

Mas de que Arte, de que Religião, de que História nós estamos falando? Dos gregos do século VIII antes de Cristo? E que interesse temos nós hoje no mundo deles?

O MUNDO DELES É O NOSSO

Conhecer os Mitos, sejam eles polinésios, tupinambás, maias, sumérios ou gregos não é o estudo de um fenômeno local e temporal, é o estudo e conhecimento da resposta simbólica do homem diante da natureza interna e externa à sua psique; os Mitos são narrativas que tratam da permanência e da impermanência dos homens, de sua origem e de sua passagem na terra.

Estudar os mitos, especialmente os gregos, é para nós um ato de auto-conhecimento. Aquilo que os gregos de 2000 a 1000 anos antes de Cristo formularam em narrativas como respostas simbólicas aos seus desconfortos sociais e existenciais não diz respeito apenas aos problemas dos povoados do entorno do Mediterrâneo no tempo do Neolítico, ainda que os Mitos sejam uma fonte fenomenal de conhecimento da vida do homem nos povoados neolíticos; não, os mitos gregos falam do mundo humano, dos desconfortos do homem contemporâneo.

A literatura e as artes gregas que nos apresentam os mitos, apresentam também o conceito de MIMESE , ou seja, a imitação e recriação da realidade na obra de arte através do realismo visual-formal. O desenvolvimento da arte ocidental nos 25 séculos posteriores ao apogeu da arte grega ( séc V aC ) é um desfilar de aproximações e recusas ao realismo-visual e ao conceito de mimese. Portanto, na leitura dos mitos, estamos falando da nossa arte, do nosso mundo.

A história da Grécia do século XI ao século I antes de Cristo, registra o nascimento dos principais elementos caracterizadores do homem contemporâneo: a pólis ( a cidade constituída em torno de um modo-de-produção ), a política ( o trato racional, laico, humano e terreno das questões da vida em sociedade ), a filosofia ( a possibilidade de pensar o homem e o mundo sem a presença da religião ), a curiosidade científica ( a produção de pesquisa e conhecimento sistematizado ).

A religião grega e a narrativa dos mitos já trazem todo o pano de fundo que vai permitir o desenvolvimento do cristianismo. Os mitos de Zeus, Apolo e Prometeu trazem estreitas relações simbólicas com a vinda e a passagem do Cristo na terra. Enquanto Zeus, Prometeu e Apolo são mito, verbo, para o mundo cristão ocidental, o Cristo é “ o verbo que se fez carne”. A significação mítica e mística de Zeus, Apolo e Prometeu assemelha-se a do Cristo, que é o centro da religião ocidental dos nossos dias.

Estudar os Mitos Gregos, as três faces do Mito, do prisma de que falamos anteriormente ( Religião, História e Arte ), significa estudarmos o nosso mundo, a nossa sociedade e o homem contemporâneo. Não é por acaso que os grandes pensadores, aqueles que desenvolveram as teorias que nos ajudam a compreender o Homem Moderno e Contemporâneo, direta ou indiretamente beberam na fonte da Mitologia Grega.

Mas será preciso estudar toda a história grega, toda a arte e a religião grega, mais a filosofia, a psicologia e a sociologia ocidentais para entender os Mitos ?

Não.

Essa é a resposta: Não. É importantíssimo que estudemos as interpretações, as análises e as críticas que se referem aos mitos, que estudemos separadamente cada uma das faces do prisma, mas nada disso substitui o contato direto com o Mito, com as narrativas míticas.

As narrativas míticas são um convite à interpretação e à mente interrogativa e curiosa, por isso surgiram tantas análises, interpretações, usos, citações e referências, e não o contrário. Oferecer as narrativas míticas a novos leitores significa convidá-los a participar do jogo, não para assisti-lo, mas para jogar.

NARRATIVAS DIVINAS

Os mitos são tão antigos quanto o Homem. Na medida em que entendemos o Homem como um ser culturalmente construído, só poderemos entendê-lo inserido numa cultura e a partir do nosso próprio contexto sócio-cultural. Os mitos criaram as culturas, estão na base de todas as culturas, assim, os mitos estão na base da humanidade

Foi através das narrativas míticas que as culturas se desenvolveram e se perpetuaram; sejam narrativas repetidas em torno de uma fogueira por xamãs de tribos primitivas ou cantadas por poetas ( aedos ) nas cortes dos nobres gregos ou nas praças das pólis como Tebas, Corinto e Atenas.

Essas narrativas ligam o homem ao divino, o divino à terra, o homem à terra, o homem ao homem, os deuses ao tempo, o presente ao futuro, o futuro ao passado e o homem ao passado e ao futuro. E o que é isso senão o papel da cultura ?

Acredita-se que a gestação dos mitos gregos tenha acontecido em torno de três mil anos antes de Cristo e que tenha resistido e migrado oralmente até o século VIII a.C. , quando temos o aparecimento da escrita ( do alfabeto ) na cultura grega e conseqüentemente da possibilidade de conhecermos o primeiro grande poeta, Homero.

Homero é o primeiro poeta grego de que termos notícia. Em seus dois imensos poemas, ILÍADA e ODISSÉIA, sistematizou a mitologia e tornou-se uma das fontes mais importantes de conhecimento dos Deuses.

É importante lembrar que Homero era um aedo, um poeta que vivia nas cortes ou nas praças apresentando-se com sua lira, vivendo do que ganhava nessas apresentações. Frisamos isso para entender que Homero em momento algum teve a intenção de sistematizar a religião ou ordenar o panteão grego.

Homero serviu-se apenas da liberdade que a poesia desfrutava no tratamento dos deuses, pois os dogmas religiosos gregos diziam mais respeito aos cultos do que às narrativas sobre os deuses. Ou seja, os poetas gregos podiam tratar livremente dos episódios que envolviam os deuses. O sucesso ou fracasso de suas obras dependia da aceitação popular que tivessem e não necessariamente de qualquer coerência ou linearidade religiosa. Ao contrário da religião católica, por exemplo, na qual os fiéis não podem sequer interpretar os textos bíblicos.

Homero, nos poemas já citados, narra duas grandes aventuras em que os atores e agentes são humanos, vivendo dramas humanos sob a interferência dos deuses.

A ILÌADA trata do cerco que os gregos fizeram à cidade de Tróia ( Ílion ), pois o príncipe troiano Paris raptou a esposa do rei Grego Menelau - esse é o plano terreno dos acontecimentos. No plano divino, temos as posições e interferências dos deuses em relação aos acontecimentos na terra. Há deuses que protegem os gregos e deuses que lutam pelos troianos e que também combatem entre si durante os 10 anos de duração do cerco. Homero apresenta e caracteriza os deuses gregos de acordo com a tradição oral que recebera do passado cultural da Grécia e das necessidades narrativas de seu poema.

No poema ODISSÈIA, Homero trata das aventuras de Ulisses ( Odisseus ), rei grego, e sua tentativa de retornar à ilha de Ítaca, seu reino, após o término da vitoriosa campanha de guerra contra os troianos. Novamente, há a interferência dos deuses nas peripécias dessa aventura marítima e a duração da ventura é também de 10 anos. Ulisses segue sua jornada, protegido por alguns deuses e odiado por outros enquanto em Ítaca sua esposa, Penélope, está sendo forçada a escolher um novo marido e um novo rei. Novamente, Homero apresenta os deuses e os caracteriza segundo suas posições e vontades em relação aos acontecimentos terrenos.

Outra importantíssima fonte de conhecimento das narrativas míticas é o poeta Hesíodo.No século VII aC, Hesíodo propõe-se a sistematizar os mitos e a ordenar o panteão grego.

A TEOGONIA, como o nome indica, trata do surgimento dos deuses e fixa sua narrativa poética entre o CAOS e a instalação de Zeus no Olimpo. Nesse poema, Hesíodo nos apresenta as divindades primordiais, o nascimento dos deuses e os episódios que levam Zeus ao poder supremo entre os imortais.

Hesíodo ainda nos legou outro poema importantíssimo chamado O TRABALHO E OS DIAS que trata da vida social grega além de obras a respeito da genealogia de Deuses e Heróis.

DO CAOS À CORTE

Um elemento que caracteriza as narrativas míticas é o seu poder de resistirem igualmente pulsantes e poderosas mesmo diante de variações, contradições e passagens realmente conflitantes. Homero e Hesíodo são fontes seguras das narrativas mitológicas, mas não são as únicas. Relembrando apenas o que foi registrado em palavras, podemos citar os hinos religiosos, as lendas populares que resistiram e encontraram uma forma escrita, Platão e outros filósofos gregos que registraram, criticaram e/ou contribuíram para a mitologia, os autores teatrais ( das tragédias e das comédias ) e os poemas líricos ( poetas órficos ) que restaram. Existem ainda as preciosas contribuições romanas para a mitologia e há ainda ilustrações de vasos, esculturas e pinturas que também nos trazem informações sobre os deuses.

Não há, portanto, o que poderíamos chamar de “história verdadeira”, há variantes mais ou menos famosas; todas as variantes são verdadeiras em si, reveladoras de uma verdade simbólica e simbolicamente válidas como respostas psíquicas do homem diante de sua natureza; e todas elas, cada uma das variantes, são altamente estimulantes para as mentes curiosas que as queiram interpretar.

Assim, podemos apenas esboçar os elementos que se repetem, mais ou menos constantes em todas as variantes.

Do Caos surgem as divindades primordiais: NIX– ÈREBO- OCEANO/TETIS-GEIA

Nix – é a noite

Érebo – mistério, escuridão da alma

Oceano e Tetis – casal primal de todas as águas, segundo Homero ( Hesíodo não os coloca como vindos do Caos, indica-os como titãs )

Geia - terra, mãe de tudo que existe. Mãe de Urano, dos Titãs e avó dos deuses.

Geia gerou Urano.

Urano - Céu

Geia e Urano geraram os ciclopes, os hacatonquiros e os titãs.

Ciclopes – três seres gigantescos com apenas um olho, redondo na testa.

Hecatonquiros – três seres monstruosos de cem braços e cinqüenta cabeças.

Titãs – Seres especiais, de forma humana e poder divino, serão os primeiros senhores da terra.

São dez para Homero, doze para Hesíodo:

MASCULINOS = Titãs = Cronus, Jápeto, Hipérion, Crio, Ceos

(Hesíodo coloca Oceano com um titã )

FEMININO = Titânida = Reia, Mnemósina , Teia, Temis, Febe

(Hesíodo coloca Tetis com mais uma Titânida )

Urano, Céu, deitado sobre Geia, não deixa os filhos nascerem. Geia engravida e os filhos ficam dentro dela. Geia conclama seus filhos para enfrentar o pai, Cronus, Saturno, aceita o desafio. Castra Urano, Céu e toma-lhe o reino.

Saturno casa-se com a irmã Reia e será o pai dos deuses.

Tiveram seis filhos:

DEUSAS = Héstia, Demeter, Hera

DEUSES = Hades, Posidon e Zeus.

Saturno, com medo de perder o trono, engole os filhos assim que eles nascem. Réia é mãe, mas não pode criar os filhos. Quando nasce o último filho ( o primeiro para algumas variantes ), Zeus, Réia entrega ao marido uma pedra enrolada em cueiros que é rapidamente engolida. Zeus é criado livre e retorna para enfrentar o pai e libertar os irmãos. Zeus liberta os irmãos e juntos vão enfrentar o pai e os titãs.

Os deuses saem vencedores, Zeus casa-se com a irmã Hera e forma sua corte no Monte Olimpo, reina sobre a terra e os homens. O irmão de Zeus, Netuno, reina sobre os mares e Plutão reina sobre o mundo pós-morte, o mundo inferior. A corte de Zeus é formada por seus irmãos e seus muitos filhos.

É na TEOGONIA de Hesíodo que encontramos de forma mais precisa e ordenada esse primeiro conjunto de narrativas mitológicas.

DEUSES E HERÓIS

A mitologia grega não diz respeito apenas aos deuses, há também um conjunto de seres especiais, de origem híbrida ( humana e divina ) a que chamamos Heróis.

Os heróis são mortais e recebiam culto religioso em torno de seus “túmulos”.

O culto aos heróis, pode ser grosseiramente entendido como uma evolução do primitivo culto aos mortos, aos reis ancestrais das primeiras das tribos.

Mitologicamente, os heróis podem ser aparentados aos deuses por parte de pai ou mãe, podem ser reis-míticos ou ainda podem ser divindades menores que encontraram seu espaço entre os heróis. Normalmente os heróis aparecem como pertencentes a uma única narrativa que trata de sua origem, peripécia heróica e morte, diferentemente dos deuses que são imortais e aparecem em diversas aventuras e narrativas. As narrativas heróicas chegaram aos nossos dias das mais diversas fontes, desde as peças de teatro às fábulas e lendas populares, guardando sempre uma forte relação com a forma como nos foi transmitida ( fábula, peça teatral, conto popular, etc ).

Há um ciclo de narrativas heróicas que gira em torno da Busca do Velocino de Ouro. O herói Jasão reúne num barco chamado Argos uma tripulação de Heróis, os argonautas, para participar de suas aventuras em busca de uma pele de carneiro de ouro. Jasão, os heróis da tripulação do Argos e suas aventuras pertencem todos ao mesmo ciclo narrativo. Apolônio de Rodes, Píndaro e Eurípedes são os autores mais importantes que trataram desse ciclo;

HERÓIS HOMÉRICOS

Nas narrativas da Ilíada e da Odisséia, Homero, como já dissemos, organiza as obras em dois planos, o terreno e o divino, Tróia e o Olimpo na Ilíada e os locais onde aportaram Ulisses e sua tripulação e novamente o Olimpo na Odisséia. Muitos dos combatentes da Guerra de Tróia são heróis ( mortais aparentados ou protegidos especialmente pelos deuses ), Ulisses é um herói e em torno desses heróis, suas ações e personalidades, gira a narrativa dos poemas.

Herdeiro da tradição épica grega, Virgílio, poeta romano, escreve a Eneida que narra as aventuras do herói Enéas, jovem troiano, citado por Homero, que se salva da queda de Tróia e lança-se a uma série de aventuras. Virgílio trata das aventuras de Enéas e de suas conseqüências.

Outro ciclo importante de narrativas heróicas é o que gira em torno de Hércules. Essa é uma personagem tão importante e tão desenvolvida que se torna um deus após sua morte e passará sua eternidade no Olimpo casado com Hebe, filha de Zeus e Hera.

Ovídio, Eurípedes, Sófocles, Píndaro, Teócrito e Apolodoro são os autores que conservaram todos os episódios da trajetória heróico-divina de Hércules, desde o seu nascimento ( filho de Zeus e da mortal Alcmena ) até a sua morte, após os famosos doze trabalhos.

NÃO SE APRENDE A NADAR FORA D’ÁGUA

A melhor atividade a se desenvolver em relação aos mitos gregos é envolver-se com eles, mergulhar na leitura, procurar outras variantes das mesmas histórias, outras formas como foram contadas essas mesmas histórias. Atividade essencial é remontar o “quebra cabeça”, descobrir as genealogias, recompor as árvores, completar as histórias que faltam. Outra atividade essencial é relacionar a Mitologia com as artes, descobrir os pintores que retrataram os episódios, descobrir como os escultores criaram as imagens dos deuses, como os pintores os enxergavam. Ainda, uma atividade importante é tentar capturar a essência da personalidade de cada um dos deuses, analisando as histórias, e descobrir o quanto dessas personalidades estão ainda em nós, de que faceta nossa elas falam.

Mas sobretudo é imprescindível que os mitos sejam apresentados de forma viva, como um recado dos vivos aos vivos.

Fábio Brazil

Fonte: www.lendoeaprendendo.sp.gov.br

Mitologia Grega

Cosmogênese

No princípio, havia apenas o Caos. O Caos era o vazio, uma massa sem forma e confusa. Não existia tempo, nem amor, nem tristeza.

O Caos produziu uma grande vibração e assim surgiu Nix, a Noite e seu irmão Érebo.

Nix era a existência da escuridão absoluta superior, envolvendo tudo com seu manto de tecido leve e escuro, onde haviam lindas estrelas prateadas bordadas.

Ela sozinha teve seis filhos: Perdição, Destino, Morte, Hypnos, Morfeu e Nêmesis.

Érebo era a escuridão absoluta inferior, onde habitavam os mortos.

Nix e Érebo se uniram. Desta união Nix pôs um ovo e dele nasceu o Amor, e de sua casca partida ao meio, surgiu Urano, o céu e Gaia, a terra.

Gaia e Urano se apaixonaram e tiveram muitos filhos. Esses filhos eram os Hecatônquiros, os Ciclopes, os Titãs e as Titãnidas. Esses filhos eram gigantescos, estranhos e tinham a força do terremoto, do furacão e do vulcão.

Os Hecatônquiros eram muito grandes e feios. Possuíam cinqüenta cabeças e cem braços. Seus nomes eram Briareu, Coto e Giges.

Urano não gostava desses filhos, e assim que nasciam, eram presos no inteiror da terra. Sobre a terra ficavam apenas os Ciclopes e os Titãs.

Os Ciclopes também eram muito grandes, e receberam esse nome, porque possuiam um único olho redondo como uma roda no centro da testa. Brontes, o trovão, Estéropes, o relâmpago e Arges, o raio.

Os Titãs eram Oceano, Hipérion, Japeto, Céos, Créos e Cronos. E as Titãnidas eram Téia, Réia, Têmis, Mnemôsine, Febe e Téis.

Cronos para libertar seus irmãos que estavam presos, com incentivo da mãe, castrou seu pai e do sangue dele nasceram os Gigantes e as Erínias, que perseguiam os que fizessem mal aos outros.

Os outros monstros acabaram sendo expulsos da Terra, mas as Erínias permaneceram.

Cronos tomou o poder como senhor do Universo juntamente com a rainha-irmã Réia.

Fonte: br.geocities.com

Mitologia Grega

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo.

Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos. Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias de hoje e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos, políticos e culturais.

Entendendo a Mitologia Grega

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.

Os principais seres mitológicos da Grécia Antiga eram :

Heróis: seres mortais, filhos de deuses com seres humanos. Exemplos: Herácles ou Hércules e Aquiles.

Ninfas: seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade.

Sátiros: figura com corpo de homem, chifres e patas de bode.

Centauros: corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo.

Sereias: mulheres com metade do corpo de peixe, atraíam os marinheiros com seus cantos atraentes.

Górgonas: mulheres, espécies de monstros, com cabelos de serpentes. Exemplo: Medusa

Quimeras: mistura de leão e cabra, soltavam fogo pelas ventas.

O Minotauro 

Mitologia Grega
Minotauro

Na Mitologia grega, o Minotauro era uma criatura meio homem e meio touro. Ele morava no Labirinto , que foi elaborado e construído por Dédalo, a pedido do rei Minos, de Creta, para manter o Minotauro por lá, bem longe do povo.

Poseidon

Mitologia Grega
Poseidon

Na mitologia grega, Poseidon, assumiu o estatuto de deus supremo do mar, conhecido pelos romanos como Netuno e pelos etruscos por Nethuns.

Também era conhecido como o deus dos terremotos e dos cavalos. Os símbolos associados a Posídon com mais freqüência eram o tridente e o golfinho.

Héracles

Mitologia Grega
Héracles = Hércules

Mitologia Grega
Hércules e o Cérebro

Héracles, na mitologia grega era um semi-deus, filho de Zeus e Alcmena.

Reunindo grande força e sagacidade Héracles foi, na mitologia greco-romana o mais célebre de todos os heróis, um símbolo do homem em luta contra as forças da Natureza, exemplo de masculinidade, ancestral de diversos clãs reais (os Heráclidas) e paladino da ordem olímpica contra os monstros ctônicos.

Héracles é o nome grego para Hércules, o herói romano.

Fonte: www.saomiguelbh.com.br

Mitologia Grega

O que é Mitologia

Na Antigüidade o Ser Humano não conseguia explicar a Natureza e os fenômenos naturais (e parece-me que ainda hoje não compreende nem consegue explicá-los da mesma forma). Então, dava nomes ao que não podia explicar e passava a considerar os fenômenos como "deuses". O trovão inspirava um deus, a chuva outro. O céu era um deus pai e a terra, uma deusa mãe e os demais seres, seus filhos. Criava, a partir do Inconsciente, histórias e aventuras que explicavam de forma poética e profunda o mundo que o rodeava. Estas "histórias divinas" eram passadas de geração para geração e adquiriam um aspecto religioso, tornando-se mitos ao assumirem um caráter atemporal e eterno, por dizerem respeito aos conflitos e anseios de qualquer Ser Humano de qualquer tempo ou local. Estes núcleos arquitípicos mitológicos recebem o nome de "mitologemas". A um conjunto de mitologemas de mesma origem histórica, dá-se o nome de "mitologia". Aos mitos se uniam ritos que renovavam os chamados "mistérios". O rito torna ato (atualizam) um mito que se faz representar (atuar) em seu simbolismo encarnado nos "mistérios". Ao conjunto de ritos e símbolos que cercam um mitologema dá-se o nome de "ritual". Ao conjunto de rituais e mitos com origem histórica comum dá-se o nome de "religião". À religião sempre se unem preceitos ético-morais chamados "doutrinas religiosas", compostas por proibições a ("tabus") e ídolos ('totens"). Assim nasceram os deuses.

Todos os povos da terra, seja em localização no tempo e no espaço estiverem, todos sempre tiveram uma religião, composta de diversos ritos e mitos. Parece que a religião é uma necessidade imperiosa do Ser Humano e, em culturas em que a religião e suas manifestações estão proibidas ou desuso (como no comunismo, por exemplo) observa-se sempre a "eleição" inconsciente de "deuses" extra-oficiais que, num processo idólatra, procuram preencher as lacunas deixadas pela tradição religiosa.

Na atualidade, o afastamento de nossa sociedade das tradições religiosas está gerando um duplo fenômeno idólatra: a iconificação de figuras tais como cantores e atores famosos e o fanatismo religioso em seitas e pequenas igrejas. Definitivamente não se pode viver sem ídolo, sem uma religião e sem seus mitos e ritos.

Mitologia Grega
Phenix

Porque Mitologia Grega

Há dois principais motivos que fazem da Mitologia grega a mais estudada das mitologias: sua racionalidade e sua importância histórica como base da Civilização Ocidental. Diz-se que os gregos antigos possuíam um "gênio racional", uma mente lógica por excelência. Esta "mete lógica"adaptou os mitos pré-existentes às necessidades da razão. Assim, absurdos foram corrigidos e coerência foi imprimida à Mitologia. Por exemplo, as religiões persas acreditavam que o Universo era fruto da guerra do Bem contra o Mal, da guerra dos seres da Luz contra os seres das Trevas e que a vitória daquela sobre estas dependia diretamente da execução de determinados rituais. Isso na prática quer dizer que os persas acreditavam que se sacrifícios não fossem feitos, haveria o sério risco do Sol não voltar a nascer pela manhã e de que as Trevas Eternas se abatessem sobre o planeta. Os gregos jamais se permitiriam aceitar tamanha ilogicidade e se viram obrigados a criar uma visão de mundo cujas leis fossem estáveis e confiáveis. Era evidente para o "gênio racional" grego que o Sol nasce a partir de uma força intrínseca a ele e ao Universo e não na dependência das ações humanas. Apareceram então os conceitos de "Ordem do Mundo" (Kosmos) e de "Natureza" (Physis), que os afastou das "trevas" da incerteza e da ignorância. O "Chaos" cedeu lugar ao "Kosmos" e nele reina necessariamente uma natureza lógica, previsível e estável.

Apesar de ainda existirem inúmeras religiões, inclusive o Judaísmo e o Cristianismo, que se baseiam nas noções persas de um universo caótico na dependência dos atos humanos, foi dos conceitos de Kosmos e de Physis que surgiu a cultura ocidental, a Filosofia e a Ciência.

Mitologia Grega
Atlas

Mitologia Grega
Ícaro

A Laicização da Mitologia Grega

Com o passar do tempo, a racionalidade grega foi superando a noção de religião e tornando-se de sacra em laica. Pela primeira vez na História apareceu na Grécia Antiga, na região da Jônia (atual Turquia) um pensamento laico puramente lógico e desvinculado totalmente da idéia do sagrado. Estes primeiros filósofos jônicos (pré-socráticos) nada mais fizeram do que transpor ipsis literi a Mitologia Grega em Filosofia.

Mais tarde Aristóteles em Atenas explicaria a gênese do pensamento filosófico da mesma maneira como se explica a gênese do pensamento mitológico: "é através do espanto que os homens começam a filosofar".

Os filósofos sempre tentaram explicar a Natureza e seus fenômenos, caindo inevitavelmente em contradições e as de seus companheiros de profissão. A Filosofia expandiu e acabou englobando áreas para muito além da descrição da Natureza e seus fenômenos, incluindo em si o estudo do Ser Humano e todos os fenômenos relacionados a ele e ao seu pensamento. No entanto, as contradições entre os filósofos continuariam a afligir o espírito humano por séculos, quer em relação aos métodos, quer em relação às teorias, quer em relação aos fenômenos. A Filosofia incumbiu-se finalmente de "assassinar" os deuses de onde havia nascido, afirmando que os deuses não passavam de alegorias místicas para as forças da Natureza que requeriam uma explicação lógica e jamais religiosa. Se os deuses existissem, eles seriam, tal qual os mortais, constituídos por átomos e submetidos às implacáveis e imutáveis leis naturais.

Mitologia Grega
Ariadne

Mitologia Grega
Eco e Narciso

Mitologia Grega
Penélope

No Renascimento, Galileu Galilei foi o primeiro a levantar a necessidade de que se provassem as teorias filosóficas através da experimentação. A Filosofia então passaria lentamente a tornar-se obsoleta e cederia seu lugar à Ciência. René Descartes rompe com o passado e inaugura sua visão de mundo em que as tradições filosóficas já não mais queriam dizer nada. O Ser Humano passou a procurar desesperadamente provas concretas e experienciáveis (reprodutíveis) de que suas teorias são de fato. Nasceu o Método Científico e com ele um importante passo em direção à laicização do pensamento foi dado. Atualmente a Ciência é bastante confiável e goza de largo crédito junto ao público especializado e leigo, ao passo que as explicações filosóficas estão, digamos, um tanto "fora de moda".

Quando se diz hoje em dia que algo é "científico", a maior parte das pessoas entende de que se trata da mais pura e irrefutável verdade, quando, de fato, deveria entender de que se trata de um resultado obtido através do Método Científico, ou seja: da tentativa e erro e da experimentação.

Se já existem "narizes torcidos" para as idéias filosóficas quando confrontadas às idéias científicas, as idéias mitológicas como explicações para os fenômenos naturais estão totalmente fora de cogitação hoje em dia e beiram o absurdo. A laicização do pensamento é tal que há quem diga que os mito formam um conjunto que deveria receber o nome de "MINTOlogia".

O Resgate da Mitologia

Mitologia Grega
Perseu e Andrômeda

Existe uma espécie de preconceito generalizado contra os pensamentos não-científicos, especialmente contra os métodos filosóficos especulativos e o pensamento mítico.Porém, o estudo da Mitologia não pode ser visto com um interesse meramente histórico.

A Mitologia Grega é a base do pensamento ocidental e guarda em si a chave para o entendimento de nosso mundo, de nossa mente analítica e de nossa psicologia.

Ao se comparar a Mitologia Grega com as demais mitologias (africanas, indígenas, pré-colombianas, orientais, etc) descobre-se que há entre todas elas um denominador comum. Algumas vezes estaremos frente aos exatos mesmos deuses, apenas com nomes diferentes, sem que exista nenhuma relação histórica entre eles. Este material comum a todas as mitologias foi descoberto pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e foi por ele denominado de "Inconsciente Coletivo". O estudo deste material revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Como foi dito, os mitos são atemporais e eternos e estão presentes na vida de cada Ser Humano, não importa em que tempo ou em que local.

O estudo da Mitologia torna-se então essencial a todo aquele que pretende entender profundamente o Ser Humano e sua maneira de ver o mundo. Os deuses tornam-se forças primordiais da natureza psíquica humana e readquirem vida e poder. Nota-se a sua utilização no cotidiano em cada pequeno detalhe.

A existência real dos deuses mitológicos antigos em todas as suas roupagens étnicas reafirma em última instância a idéia de divindade em si: através dos deuses encontra-se a "idéia de Deus" e, através dela, Deus em toda sua misteriosa ambigüidade. A Mitologia transfere o conhecimento humano de um plano meramente materialista (científico) para um plano psíquico vivo (Inconsciente Coletivo) e deste, para um derradeiro plano espiritual. O desafio está em realizar a verdadeira "religião" (religação) do mundo externo ao mundo interno, do concreto ao abstrato, do material ao espiritual, do mortal ao imortal e eterno.

Fonte: www.beautyonline.com.br

Mitologia Grega

Deuses Gregos e Romanos

A mitologia grega é bastante rica em termos de contos e explicações da origem do mundo, a tudo atribuindo os poderes dos deuses gregos, que segundo a crença geral, moravam no Monte Olimpo.

Dizem as lendas gregas que, no princípio, havia somente o grande Caos, do qual surgiram os Velhos Deuses, ou Titãs, dirigidos pelo deus Cronos (Tempo). Zeus era um filho de Cronos e chefiou a rebelião da nova geração dos deuses - chamados Deuses Olímpicos - que dominaram a Grécia em toda a sua época clássica.

Os principais deuses olímpicos são:

Zeus

É o deus principal, governante do Monte Olimpo. Rei dos deuses e dos homens, era o sexto filho de Cronos. Como seus irmãos, deveria ser comido pelo pai, mas a mãe deu uma beberagem a Cronos e este vomitou novamente o filho; este e seus irmãos, também vomitados na mesma hora, uniram-se contra o pai, roubaram os raios e venceram a batalha. Os raios, fabricados pelo deus Hefaistos, eram o símbolo de Zeus.

Zeus para os gregos e Júpiter para os romanos.

Palas Atena ou Atenéia

Deusa virgem, padroeira das artes domésticas, da sabedoria e da guerra. Palas nasceu já adulta, na ocasião em que Zeus teve uma forte dor de cabeça e mandou que Hefaistos, o deus ferreiro, lhe desse uma machadada na fronte; daí saiu Palas Atena. Sob a proteção dessa deusa floresceu Atenas, em sua época áurea.

Dizia-se que ganhou a devoção dos atenienses quando presenteou a humanidade com a oliveira, árvore principal da Grécia.

Palas para os gregos e Minerva para os romanos.

Apolo

Deus do sol e patrono da verdade, da música, da medicina e pai da profecia. Filho de Zeus, fundou o oráculo de Delfos, que dava conselhos aos gregos através da Pitonisa, sacerdotiza de Apolo que entrava em transe devido aos vapores vindos das profundezas da terra.

Apolo para os gregos

Ártemis

A Diana dos romanos, era a deusa-virgem da lua, irmã gêmea de Apolo, poderosa caçadora e protetora das cidades, dos animais e das mulheres. Na Ilíada de Homero, desempenhou importante papel na Guerra de Tróia, ao lado dos troianos.

Ártemis para os gregos e Diana para os romanos.

Afrodite

Deusa do amor e da beleza, era esposa de Hefaistos e amante de Ares, a quem deu vários filhos (entre eles Fobos = Medo, e Demos = Terror). Afrodite era também mãe de Eros.

Afrodite para os gregos e Vênus para os romanos.

Hera

Esposa de Zeus, protetora do casamento, das mulheres casadas, das crianças e dos lares. Era também irmã de Zeus, uma das filhas vomitada por Cronos.

Hera para os gregos e Juno para os romanos.

Démeter

Era a deusa das colheitas, dispensadora dos cereais e dos frutos. Quando Hades, deus do inferno, levou sua filha Perséfone como sua esposa, negou seus poderes à terra, e esta parou de produzir alimentos; a solução de Zeus foi que Perséfone passaria um terço do ano no inferno, com seu marido, e o restante do tempo com sua mãe, no Olimpo. Dessa forma, Démeter abrandou sua ira e tornou a florescer nas colheitas.

Démeter para os gregos e Ceres para os romanos.

Hermes

Filho de Zeus e mensageiro dos mortais, era também protetor dos rebanhos e do gado, dos ladrões, era guardião dos viajantes e protetor dos oradores e escritores.

Hermes para os gregos e Mercúrio para os romanos.

Poseidon

É o deus do mar e dos terremotos, foi quem deu os cavalos para os homens. Apesar disso, era considerado um deus traiçoeiro, pois os gregos não confiavam nos caprichos do mar.

Poseidon para os gregos e Netuno para os romanos.

Dionísio

Era o deus do vinho e da fertilidade. Filho de Zeus e uma mortal, foi alvo do ciúme de Hera, que matou sua mãe e transtornou o seu juízo. Assim, Dionísio vagueava pela terra, rodeado de sátiros e mênades. Era o símbolo da vida dissoluta.

Dionísio para os gregos e Baco para os romanos.

Ares

O deus guerreiro por excelência. Seu símbolo era o abutre. Seus pais, Zeus e Hera, detestavam-no, mas era protegido por Hades, pois povoava o inferno com as numerosas guerras que provocava. Sua vida estava longe de ser exemplar - foi surpreendido em adultério com Afrodite, esposa de Hefaistos, que os prendeu em fina rede; foi ferido por três vezes por Héracles (Hércules). Era muito respeitado pelos gregos por sua força e temperamento agressivo.

Ares para os gregos e Marte para os romanos.

Hefaistos ou Hefesto

Deus ferreiro, do fogo e dos artífices. Filho de Zeus e Hera, foi lançado do Olimpo por sua mãe, desgostosa por ter um filho coxo. Refugiou-se nas profundezas da terra, aprendendo com perfeição o ofício de ferreiro. De suas forjas saíram muitas maravilhas, inclusive a primeira mulher mortal, Pandora, que recebeu vida dos deuses. Construiu no Olimpo um magnífico palácio de bronze para si próprio, e era estimado em Atenas. Para compensá-lo de sua feiúra, seu pai deu-lhe por esposa Afrodite, a deusa da beleza. Era artesão dos raios de Zeus.

Hefaistos para os gregos e Vulcano para os romanos.

Além desses deuses, que junto a muitos outros pululavam no Olimpo, havia heróis (filhos de deusas ou deuses com mortais), semideuses, faunos, sátiros e uma infinidade de entidades mitológicas que explicavam por lendas todos os fenômenos da natureza.

Entre os heróis mais populares, podemos citar:

Io - amada por Zeus, que a transformou em novilha para escondê-la da ciumenta Hera.

Deucalião e Pirra - únicos sobreviventes do dilúvio que Zeus mandou ao mundo pervertido.

Héracles - ou Hércules, autor dos famosos Doze Trabalhos; era filho de Zeus e da moratal Alcmena.

Édipo - que matou a esfinge e casou-se com sua própria mãe.

Perseu - que matou a Medusa, uma das Górgonas, e libertou a princesa Andrômeda da serpente marinha.

Cadmo - que matou um dragão e no local fundou a cidade de Tebas.

Europa - irmã de Cadmo, foi amada por Zeus que lhe apareceu sob a forma de um touro e, em suas costas, atravessou o mar.

Jasão - chefe dos Argonautas, equipe de heróis - Héracles, Orfeu, Castor e Pólux, e outros - que navegou no navio "Argos" em busca do Velocino de Ouro.

Teseu - que penetrou o labirinto de Creta e matou o Minotauro, acabando por unificar a Ática.

Atalanta - mulher aventurosa que se casou com o ardiloso Hipomenes.

Belerofonte - que matou o monstro Quimera e domou o cavalo alado, Pégaso.

Os heróis de Tróia -Aquiles, Heitor, Ájax, Agaménon, Ulisses - autor da idéia do cavalo de Tróia - e outros.

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Mitologia Grega

Pode-se definir Mitologia como o estudo e a interpretação do mito e do conjunto dos mitos de uma determinada cultura.

O mito é um fenômeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura.

A narração mítica conta, por exemplo, como começou o mundo, como foram criados os seres humanos e os animais e a origem de certos costumes e formas das atividades humanas.

Quase todas as culturas possuem ou possuíram mitos algum dia e viveram de acordo com eles.

Os mitos diferenciam-se dos contos de fadas por referirem-se a um tempo diferente do tempo comum (contos tradicionais). A seqüência do mito é extraordinária, desenvolvida num tempo anterior ao nascimento do mundo convencional.

Como os mitos se referem a um tempo e um lugar extraordinário, bem como a deuses e processos sobrenaturais, têm sido considerados aspectos da religião.

Porém, como sua natureza é integradora, o mito pode iluminar muitos aspectos da vida individual e cultural.

Desde os primórdios da cultura ocidental, o mito apresenta um problema de significado e interpretação que tem gerado discussões sobre o valor e a importância da mitologia.

O que é Mito?

Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é.

Pessoas de todos os tempos e de todos os tipos de cultura constataram que a vida está repleta de mistérios.

Por exemplo: qual é a origem do mundo, por que o sol se movimenta atravessando o firmamento, o que faz as coisas crescerem, por que as plantas morrem no inverno e renascem na primavera, de que modo ocorrem as marés, por que há terremotos, para onde vão as pessoas quando morrem, se é que vão para algum lugar?

Na tentativa de responder a perguntas como essas, o homem criou narrativas que transcendem a existência comum e cotidiana e que se enraizaram em diferentes culturas.

Dessa maneira, as respostas para as mais complicadas indagações da vida foram transmitidas de geração para geração, na forma de mitos. Em geral havia semelhanças entres as histórias contadas em sociedade marcadamente distintas, como nas Mitologias da Grécia Antiga e dos Nórdicos, nas quais aparecem temas universais como a vida após a morte e a origem do mundo.

Os mitos eram bem mais do que o simples contar história. Cada cultura possuía cerimônias e rituais próprios associados aos mitos. Essa associação implicava representar histórias exemplares ou oferecer sacrifícios aos deuses, na esperança de receber alguma benção em troca, como uma boa safra ou a vitória em uma batalha.

Explicações mitológicas do mundo diferem das explicações apresentadas pela filosofia, que se baseiam na experiência e na razão. Os filósofos gregos buscavam explicações naturais, não explicações sobrenaturais.

Esses filósofos diziam que os mitos não combinavam com um entendimento adequado da realidade. Criticavam as histórias de Homero porque nelas os deuses tem exatamente as mesmas imperfeições dos seres humanos.

O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. e nasceu do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do Mito não obedece à lógica nem da verdade baseada na experiência, nem da verdade científica.

É verdade compreendida, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma percepção compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito à mentira, ilusão,ídolo, lenda ou ficção.

O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o vive. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.

Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalidade, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia.

Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito "maior" que o ídolo (objeto de paixão, veneração).

O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais.

O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente inseparável da maneira humana de compreender a realidade. O mito é, na realidade, uma maneira de entender o passado.

Um historiador de religiões, certa vez afirmou: "Os mitos contam apenas aquilo que realmente aconteceu". Isto não quer dizer que os mitos explicam os fatos corretamente. Eles sugerem, entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou examinada.

Tipos de mitos

Mitos cosmogônicos

Dentre as grandes interrogações que o homem permanece incapaz de responder, apesar de todo o conhecimento experimental e analítico está à origem da humanidade e do mundo que habita.

É como resposta a essa interrogação que surgem os mitos cosmogônicos. As explicações oferecidas por esses mitos podem ser reduzidas a alguns poucos modelos, elaborados por diferentes povos.

É comum encontrar nas várias mitologias a figura de um criador que, por ato próprio e autônomo, estabeleceu ou fundou o mundo em sua forma atual.

Os mitos desse tipo costumam mencionar uma matéria já existente a toda a criação: o oceano, o caos ou a terra.

A criação a partir do nada, unicamente pela palavra de Deus, aparece claramente no livro bíblico do Gênesis.

Mitos escatológicos

Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, a morte individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desaparecimento do universo inteiro.

Para a mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à criação original, algo que necessita de uma justificativa, de uma solução em outro plano de realidade.

Algumas explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um primeiro período em que a morte não existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de um castigo ou para evitar a superpopulação.

Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem referência à condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam a perda dessa condição e a expulsão do paraíso como tragédia especificamente humana.

Natureza do mito

Um dos livros mitológicos mais conhecidos é a "Ilíada", de Homero, que conta sobre a Guerra de Tróia. Nenhum leitor, hoje em dia, aceita a obra de Homero como um relato histórico. Porém, não existe quase nenhuma dúvida de que, em algum tempo, muitos séculos antes de Homero, realmente houve uma guerra entre cidades-estado gregas e habitantes do noroeste da Ásia Menor.

Outro dos grandes mitos dos povos antigos é o Dilúvio. A versão mais conhecida é o relato, encontrado no Gênesis o primeiro livro da Bíblia, de Noé e sua arca.

Nenhum cientista hoje admitiria que uma enchente pudesse ter coberto toda Terra, com a água atingindo as mais altas montanhas, mas a antiga Mesopotâmia sofreu muitas inundações.

É provável que uma excepcional enchente tenha se tornado um tema para a futura criação de um mito. Talvez, as ocorrências de muitas inundações foram agrupadas para, juntas, tornar-se uma única estória.

A função dos Mitos

Os mitos tentam responder muitas questões.

Como o mundo surgiu? Como são os deuses, e de onde vieram? Como surgiu a humanidade? Por quê existe o mal no mundo? O que acontece após a morte?

Os mitos também tentam explicar costumes e rituais de uma determinada sociedade. Eles explicam as origens da agricultura e a fundação de várias cidades.

Além de fornecer tais explicações, os mitos são usados para justificar o modo de vida de uma sociedade. Várias famílias em muitas civilizações antigas, justificavam os seus poderes através de lendas que descreviam suas origens como sendo divinas.

A narração mitológica envolve basicamente acontecimentos supostos, relativos a épocas primordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os "primeiros" homens (história ancestral).

O verdadeiro objeto do mito, contudo, não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresentação de um conjunto de ocorrências fabulosas com que se procura dar sentido ao mundo.

O mito aparece e funciona como intervenção simbólica entre o sagrado e o seu oposto (o profano), condição necessária à ordem do mundo e às relações entre os seres.

As semelhanças com a religião mostram que o mito se refere - ao menos em seus níveis mais profundos - a temas e interesses que ultrapassam a experiência imediata, o senso comum e a razão: Deus, a origem, o bem e o mal, o comportamento ético e a escatologia (destino último do mundo e da humanidade).

Mito e religião

Alguns especialistas, atribuem importância especial ao argumento religioso do mito. Com efeito, são muito freqüentes os mitos que tratam sobre a origem dos deuses e do mundo, dos homens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção.

Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos, o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos.

Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual.

O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem de descrições e narrações uma realidade que ultrapassa o senso comum e a racionalidade humana e que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos.

Religião e mito discordam, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto ao tipo de mensagem que transmitem.

Mito e sociedade

Como forma de comunicação humana, o mito está obviamente relacionado com questões de linguagem e também da vida social do homem, uma vez que a narração dos mitos é própria de uma comunidade e de uma tradição comum.

Não se conseguiu definir, no entanto, a natureza precisa dessas relações. O estudo da sociedade e da linguagem pode começar apenas com os elementos fornecidos pela fala e pelas relações sociais humanas, mas em cada caso esse estudo se confronta com uma coerência de tradições que não está diretamente aberta à pesquisa. Essa é a área em que atua a mitologia.

Algumas concepções mitológicas podem exemplificar a complexidade e a variedade das relações entre mito e sociedade.

Mito e psicologia

Freud deu nova orientação à interpretação dos mitos e às explicações sobre sua origem e função. Mais que uma recordação antiga de situações históricas e culturais, ou uma elaboração fantasiosa sobre fatos reais, os mitos seriam, segundo a nova perspectiva proposta, uma expressão simbólica dos sentimentos e atitudes inconscientes de um povo, de forma perfeitamente comparável ao que são os sonhos na vida do indivíduo.

Não foi por outra razão que Freud recorreu ao mito grego para dar nome ao complexo de Édipo.

Para ele, o mito do rei que mata o pai e casa com a própria mãe simboliza e manifesta a atração de caráter sexual que o filho, na primeira infância, sente pela mãe e o desejo de superar o pai.

Mito e arte

Pelo caráter simbólico que reveste, o mito pode ser considerado como uma forte manifestação artística e geradora de arte.

Em cada povo e civilização, os mitos são fonte de inspiração para as mais diversas obras de arte como esculturas, pinturas, inscrições, monumentos, construções de templos e até mesmo a disposição dos túmulos em cemitérios.

Hoje em vários museus do mundo existem quadros e esculturas representando os antigos personagens que fizeram parte da mitologia.

Mito e razão

Alguns autores reduzem os mitos a narrativas referentes há tempos antiquados e elaborados em épocas pré-críticas, isto é, antes do uso de métodos racionais de estudo e análise.

Entendem que o mito tornou-se, com o tempo, mera literatura, embora encontrem dificuldades para estabelecer com precisão quando teria cessado a criatividade mítica.

Outros estudiosos, ao contrário, consideram o pensamento mítico um constante estudo sobre o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos, complementares ao pensamento racional e não um estágio "menos evoluído" deste.

Apontam, para demonstrá-lo, sinais de que o pensamento mítico está em operação em muitas das manifestações culturais contemporâneas como a arte.

O pensamento racional e científico não seria, portanto, um decifrador de mitos e substituto do pensamento mítico, mas pode ser capaz de reconhecer sua atualidade.

Enquanto a astronomia, com suas descobertas, esvaziou os céus, antes povoados de deuses, a sociologia e a psicologia descobriram forças que se impõem ao pensamento e à vontade humana, e portanto, atuam e se manifestam de modo independente.

Mitos sobre o tempo e a eternidade

Os corpos celestes sempre atraíram a curiosidade e o interesse humano, em todas as culturas.

A regularidade e precisão inalteráveis do movimento dos astros foram com certeza uma imagem poderosa na formação de uma idéia de "tempo transcendente", concebido como eternidade, em contraste com o mundo de incessantes alterações e os acontecimentos inesperados vividos no tempo terreno.

O retorno periódico dos fenômenos siderais e de processos naturais terrestres projetou-se, em algumas culturas, na concepção repetitiva do tempo.

Mitos de transformação e de transição

Numerosos mitos narram mudanças cósmicas, produzida ao término de um tempo primordial anterior à existência humana e graças às quais teriam surgido condições favoráveis à formação de um mundo habitável.

Outras grandes transformações e inovações, como a descoberta do fogo e da agricultura, estão associadas aos mitos dos grandes fundadores culturais.

Nos mitos, são freqüentes as transformações temporárias ou definitivas dos personagens, seja em outras figuras humanas ou em animais, plantas, astros, rochas e outros elementos da natureza.

As mudanças e transformações que se dão nos momentos críticos da vida individual e social são objetos de particular interesse mitológicos e rituais: nascimento, ingresso na vida adulta, casamento, morte - acontecimentos marcantes para a pessoa e sua comunidade - são interpretados como atualizações de processos cósmicos ou de realidades míticas.

Deuses e heróis

Em muitas mitologias, descrevem-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos.

Pode também variar com o tempo, segundo circunstâncias históricas, como por exemplo o domínio de um povo sobre outro ou o predomínio de determinados interesses e atividades (de tipo agrícola, guerreiro etc.).

São freqüentes os relatos de deuses supremos, por vezes identificados como criadores originais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deuses.

O Mito hoje

Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?

Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os contadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante.

A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que viveram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história.

O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes.

Já as estórias de "Faroeste", apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas.

O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.

O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si.

Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.

Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas?

Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento.

As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu.

Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar.

Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria.

A mitologia grega

Antes de a primeira filosofia evoluir na Grécia antiga, o retrato predominante do mundo era mitológico. Esse retrato ganhou corpo ao longo de séculos.

A mitologia grega se desenvolveu plenamente por volta de 700 a.C., quando Homero e Hesíodo registraram compilações de mitos. As mais célebres são os poemas Ilíada e Odisséia, de Homero.

Há pelo menos duas explicações possíveis para o surgimento da mitologia grega: os deuses representam fenômenos naturais, como o sol e a lua, ou eram heróis de um passado remoto, que foram glorificados ao longo do tempo.

Os Deuses gregos se assemelharam fisicamente aos humanos e revelava sentimentos humanos, com freqüência se comportando de uma maneira tão egoísta quanto qualquer mortal.

As histórias desses deuses falam de uma época heróica, de homens e mulheres com poderes extraordinários e a exemplo do que ocorreu em outras culturas, há também mitos que narram a criação do mundo e da humanidade.

Os mitos são crenças e observações dos antigos rituais gregos, o primeiro povo ocidental, surgindo por volta de 2000 a.C.. Consiste principalmente de um grupo de relatos e lendas diversos sobre uma variedade de deuses.

A mitologia grega tem várias características particulares. Os deuses gregos eram retratados como semelhantes aos humanos em forma e sentimentos.

Ao contrário de antigas religiões, como o Hinduísmo ou o Judaísmo, a mitologia grega não envolvia revelações especiais ou ensinamentos espirituais.

Também variava largamente na sua prática e crença, com nenhuma estrutura formal, tal como um governo religioso, a exemplo da igreja de nossos dias, e nenhum código escrito, como um livro sagrado.

Séculos antes do nascimento de Cristo e do advento do cristianismo, os gregos adoravam um certo número de deuses e deusas que, segundo eles acreditavam, viviam no Monte Olimpo, no sul da Macedônia, na Grécia.

As antigas histórias desses deuses inspiraram poetas, pintores e escultores durante vários séculos. Algumas das pinturas e esculturas mais conhecidas e preciosas do mundo representam os deuses do Olimpo e suas aventuras.

Os gregos antigos acreditavam que a terra era de forma achatada e circular, seu ponto central o Monte Olimpo ou Delfos. A terra era dividida em duas partes iguais pelo Mar, como era chamado então o Mediterrâneo (medi = meio, terrâneo = terra). Ao redor da terra corria o Rio Oceano, cujo curso regular alimentava o Mar e os rios.

Naqueles tempos remotos, os gregos pouco sabiam sobre a existência de outros povos além deles mesmos, a não ser dos povos vizinhos as suas terras. Imaginavam que ao norte vivia uma raça de povo feliz, os Hiperbórios, que viviam numa eterna felicidade.

Seu território não podia ser alcançado nem por terra nem por mar. Eles nunca envelheciam nem adoeciam, não trabalhavam, nem guerreavam. Ao sul vivia um outro povo feliz que se chamava Aethiopios.

Eram amados pelos deuses que costumavam visitá-los e compartilhar seus banquetes. Ao oeste encontrava-se o lugar o mais feliz de todos, os Campos Elíseos, onde as pessoas que tinham o favor dos deuses eram levadas para viver para sempre sem nunca morrer.

A mitologia grega é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais.

A civilização grega era constituída de pequenas cidades-estados. Os gregos amavam a vida e a viviam com entusiasmo. Eles tinham pouco interesse na vida após a morte, a qual, mesmo para os grandes homens daquele tempo, era acreditada como sendo incômoda.

Na Odisséia, a morte de Aquiles retrata que ele preferia ser um escravo em vida à um rei morto. O melhor que um homem podia esperar seria procurar realizar grandes façanhas que seriam relembradas depois de sua morte.

Os gregos acreditavam no individualismo e apreciavam as diferentes personalidades e caráters. Eles eram fascinados pela contradição que muitas virtudes podem levar um homem exemplar à ruína ou à felicidade. Tinham uma forma de pensamento muito sutil.

Seus mitos e religião refletiam estas características. Seus deuses eram personalizados com poder e imperfeições individuais, deuses que cometiam erros e eram flagrados enganando seus cônjuges. Mas também eram deuses heróicos, hábeis, amáveis e desenvolviam artes e habilidades essenciais de diversas maneiras, como música, tecelagem, ferragem etc.

Os heróis mortais também tinham um papel importante na mitologia. Houve tempos em que os deuses precisavam de um herói mortal para vencer batalhas por eles. Mas muito raramente faziam com que um herói viesse a se tornar um deus.

Muitos dos mais famosos contos heróicos apresentam, vez ou outra, relatos de alguém sendo trazido de volta do mundo subterrâneo. Esta característica apresenta um forte contraste às religiões que consagram que a ida ao mundo além da vida é o caminho correto para objetivo principal da existência.

Deuses Gregos

Anteros

Símbolo do amor desgraçado, da resistência ao amor, da vingança ao amor não correspondido ou ao desamor.

Apolo

Na lenda de Homero ele era considerado, principalmente, como o deus da profecia. Apolo era músico e encantava os deuses com seu desempenho com a lira.

Era também um arqueiro-mestre e excelente corredor, sendo creditada a ele a primeira vitória nos Jogos Olímpicos. Era também o deus da agricultura, do gado, da luz e da verdade. Ensinou aos humanos a arte da cura. Talvez por causa de sua beleza, Apolo era representado com mais freqüência na arte antiga que qualquer outra divindade

Ares

Deus da guerra, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra. Embora Ares fosse guerreiro e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais.

Aristeu

Era adorado como o protetor dos caçadores, pastores e rebanhos, e como o inventor da apicultura e da arte de cultivar azeitonas. Era largamente venerado como um deus beneficente e freqüentemente era representado como um pastor juvenil carregando um cordeiro.

Asclépio

Deus greco-romano da medicina, com o poder de curar os enfermos. Era também patrono dos médicos e era representado como um homem barbudo, de olhar sereno, com o ombro direito descoberto e o braço esquerdo apoiado em um bastão, o caduceu, em volta do qual se enroscam duas serpentes, e que se transformou no símbolo da medicina.

Dionísio

Deus do vinho e da vegetação, que mostrou aos mortais como cultivar as videiras e fazer vinho.

Eros

Eros é descrito como o mais belo dos imortais, capaz de subjugar corações e triunfar sobre o bom senso. Deus do amor e do desejo.

Hades

Deus dos mortos. Em algum lugar na escuridão do mundo subterrâneo estava localizado o palácio de Hades. Era representado como um lugar fúnebre, escuro e repleto de portões, repleto de convidados do deus e colocado no meio de campos sombrios, uma paisagem assombrosa. Em lendas posteriores o mundo inferior é descrito como o lugar onde os bons são recompensados e os maus são punidos.

Hefesto

Deus do fogo, tornou-se o ferreiro divino e instalou suas forjas no centro dos vulcões. Patrono dos ferreiros e dos artesãos em geral, é responsável, segundo a lenda, pela difusão da arte de usar o fogo e da metalurgia

Hélio

Era a representação divina do Sol. Na Grécia clássica, Hélio foi cultuado em Corinto e sobretudo em Rodes, ilha que lhe pertencia e onde era considerado o deus principal, honrado anualmente com uma grande festa.

Hermes

Mensageiro dos deuses, tinha sandálias com asas, um chapéu alado e um caduceu dourado, ou vara mágica, entrelaçado por cobras e coroado com asas. Hermes era também o deus do comércio e o protetor dos comerciantes e dos rebanhos. Como a divindade dos atletas, ele protegia os ginásios e estádios e atribuía-se a ele a responsabilidade pela fortuna e a riqueza.

Himeneu

Deus do casamento. Personificação dos cantos nupciais.

Hipnos

Deus do sono.

Morfeu

Deus dos sonhos. Morfeu formava os sonhos que vinham para aqueles que adormeciam. Ele também representava seres humanos em sonhos.

Nereu

Deus do mar.

Orfeu

Poeta e músico. Recebeu a lira de Apolo e tornou-se um músico tão perfeito que não havia nenhum mortal capaz de ser melhor do que ele. Quando tocava e cantava, movia todos os seres animados e inanimados. Sua música encantava árvores e pedras, domesticava animais selvagens, e até mesmo os rios mudavam o seu curso na direção da música do jovem.

Pan

Pan ou Pã, cujo nome em grego significa "tudo", assumiu de certa forma o caráter de símbolo do mundo pagão e nele era adorada toda a natureza.

Na mitologia grega, Pã era o deus dos caçadores, dos pastores e dos rebanhos. Representado por uma figura humana com orelhas, chifres, cauda e pernas de bode, trazia sempre uma flauta, a "flauta de Pã", que ele mesmo fizera.

Poseidon

Deus do mar. Na arte, Poseidon é representado como uma figura majestosa e barbada segurando um tridente, e freqüentemente acompanhado por um golfinho.

Príapo

Deus da fertilidade, protetor dos jardins e dos rebanhos.

Urano

Personificação do céu, é o deus do firmamento. clássica não havia culto a Urano.

Zeus

Mitologia Grega

O deus supremo do mundo, o deus por excelência. Presidia aos fenômenos atmosféricos, recolhia e dispersava as nuvens, comandava as tempestades, criava os relâmpagos e o trovão e lançava a chuva com sua poderosa mão direita, à sua vontade, o raio destruidor; por outro lado mandava chuva benéfica para fecundar a terra e amadurecer os frutos. Chamado de o pai dos deuses, por que tinha autoridade sobre todos os deuses, dos quais era o chefe reconhecido por todos. Tinha o supremo governo do mundo e zelava pela ordem e da harmonia que reinava nas coisas.

Deusas Gregas

Afrodite

Deusa do amor e da beleza

Anfitrite

Deusa do mar.

Ártemis

Tida como virgem e defensora da pureza, era também protetora das parturientes e estava ligada a ritos de fecundidade; embora fosse em essência uma deusa caçadora, encarnava as forças da natureza e tutelava as ninfas, os animais selvagens e o mundo vegetal.

Atena

Era o símbolo da inteligência, da guerra justa, da casta mocidade e das artes domésticas e uma das divindades mais veneradas.

Deméter

Deusa da colheita

Destinos

As três deusas que determinavam a vida humana e suas ligações, também conhecidas como "Moiras". As Moiras repartiam para cada pessoa, no momento de seu nascimento, uma parcela do bem e do mau, embora uma pessoa pudesse acrescer o mau em sua vida por si própria.

Retratadas na arte e na poesia tanto como mulheres velhas e severas quanto virgens sombrias, as deusas eram freqüentemente vistas como fiadeiras:

Cloto, a fiadeira principal, tecia o fio da vida;

Láquesis, a distribuidora de quinhões, decidia a quantidade e designava o destino de cada pessoa; e

Átropos, a implacável, carregava o poder de cortar o fio da vida no tempo designado. As decisões das Moiras não podiam ser alteradas, nem mesmo pelos deuses.

Eumênides

Antigos espíritos da terra ou deusas associados à fertilidade, mas também tendo certas funções sociais e morais. Protetoras dos suplicantes.

Erínias

Também conhecidas como Fúrias, eram as três divindades que administravam a vingança divina, sendo elas:

Tisífona (a vingança contra os assassinos);

Megera (o ciúme) e

Alecto (a raiva contínua).

Eram justas, mas sem piedade e jamais analisavam as circunstâncias que levaram a pessoa a cometer o erro.

Géia

O nome Géia, Gaia ou Gê, é utilizado como prefixo para designar as diversas ciências relacionadas com o estudo do planeta.

A deusa foi também a propiciadora dos sonhos e a protetora da fecundidade. Gaia é a personificação da Terra.

Graças

Graças (ou Cárites), as três deusas da alegria, charme e beleza. Chamavam-se:

Aglaia (o Esplendor);

Eufrosina (a Alegria) e

Tália (a Floração).

As Graças presidiam sobre os banquetes, danças e todos os outros eventos sociais agradáveis, trazendo alegria e boa vontade tanto para os deuses quanto para os mortais.

Hebe

Deusa da juventude. Durante muito tempo Hebe foi a copeira dos deuses.

Hécate

Deusa da escuridão, representava seus terrores. Em noites sem luar, acreditava-se que ela vagava pela terra com uma matilha de uivantes lobos fantasmas.

Era a deusa da feitiçaria e era especialmente adorada por mágicos e feiticeiras, que sacrificavam cães e cordeiros negros a ela.

Como deusa da encruzilhada, acreditava-se que Hécate e seu bando de cães assombravam lugares fúnebres que pareciam sinistros aos viajantes.

Hera

Rainha dos deuses, protegia o casamento e era a protetora de mulheres casadas.

Íris

Como mensageira de Zeus e de sua esposa Hera, Íris deixava o Olimpo apenas para transmitir os ordenamentos divinos à raça humana, por quem ela era considerada como uma conselheira e guia.

Viajava com a velocidade do vento, podia ir de um canto do mundo ao outro, ao fundo do mar ou às profundezas do mundo subterrâneo.

Era representada como uma linda virgem com asas e mantos de cores brilhantes e um aro de luz em sua cabeça, deixando no céu o arco-íris como seu rastro.

Para os gregos, a ligação entre os homens e os deuses é simbolizada pelo arco-íris.

Musas

Nove deusas e filhas de Zeus e de Mnemósina, a deusa da memória. As Musas presidiam as artes e as ciências e acreditava-se que inspiravam todos os artistas, especialmente poetas, filósofos e músicos.

Calíope era a musa da poesia épica, Clio da história, Euterpe da poesia lírica, Melpômene da tragédia, Terpsícore das canções de coral e da dança, Erato da poesia romântica, Polímnia da poesia sagrada, Urânia da astronomia e Tália da comédia.

Nêmesis

Entre os antigos gregos, Nêmesis foi a deusa da equanimidade e, mais tarde, a personificação da desaprovação dos deuses à arrogância. Seu nome se inspira no grego némein, "repartir segundo o costume ou a conveniência".

A missão de Nêmesis era punir os faltosos e impor a execução de normas que restabelecessem o equilíbrio entre os homens.

Nikê

Deusa da vitória. É representada carregando uma grinalda ou palma da vitória.

Perséfone

Deusa da terra e da agricultura. Era uma personificação do renascimento da natureza na primavera.

Selene

Deusa da Lua. Era uma linda deusa, de braços brancos, com longas asas, que percorria o céu sobre um carro para levar aos homens a sua plácida luz.

Titãs

Quem eram os Titãs?

Freqüentemente, chamados de deuses mais velhos, eles foram por muitas eras os regentes supremos do universo, tendo um tamanho enorme e sendo incrivelmente fortes.

Atlas

Filho do Titã Japeto e da ninfa Climene, e irmão de Prometeu. Atlas lutou com os Titãs na guerra contra as divindades do Monte Olimpo. Como castigo, ele foi condenado a suportar eternamente a terra e os céus em suas costas e o grande pilar que os separa sobre os ombros. Justamente porque a figura de Atlas sustenta a terra, freqüentemente ela é utilizada nas páginas de coleções de mapas (atlas), cujo nome denota um conjunto de mapas.

Ceos

O Titã da Inteligência.

Crio

Representava o tremendo poder do mar.

Cronos

Cronos era um deus ao qual se atribuíam funções relacionadas com a agricultura. Segundo a tradição clássica, depois Cronos tornou-se o regente do universo e simbolizava o tempo.

Japeto

Considerado como antepassado da raça grega e também de todos os homens.

Métis

Presidia a sabedoria e o conhecimento.

Mnemósina

Deusa da memória.

Oceano

Governou o Oceano, um grande rio que, segundo a Mitologia Grega, cercava a Terra e que se acredita ser um círculo plano.

Prometeu

Conhecido como amigo e benfeitor da humanidade. Prometeu e seu irmão foi concebido para criar a humanidade e prover o homem e todos os animais da terra com aquilo que necessitassem para sobreviver.

Réia

Mãe dos deuses e que por muitas eras dominou o Universo junto com Cronos.

Têmis

Deusa da justiça divina e das leis. Na arte antiga ela é representada segurando para cima um par de balanças em que ela pesa as reivindicações das partes contrárias.

Heróis

Aquiles

Hércules

Jasão

Perseu

Teseu

Ulisses

Animais e Monstros Mitológicos

Centauro

Ciclopes

Harpias

Medusa

Minotauro

Pégaso

Quimera

Lendas Mitológicas

Agamenon

Ariadne

Medéia

Narciso

Sísifo

Histórias Mitológicas

Hesíodo

Homéro

Ilíada

Odisséia

Tróia

Relação entre a Mitologia Grega e a Romana

NOME EM GREGO NOME ROMANO PAPEL NA MITOLOGIA
Afrodite Vênus Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)
Apolo Febo Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco romana posterior: deus do Sol)
Ares Marte Deus da guerra
Ártemis Diana Deusa da caça (mitologia greco romana posterior: deusa da Lua)
Asclépio Esculápio Deus da medicina
Atena Minerva Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)
Crono Saturno Deus do céu; soberano dos Titãs (mitologia romana: deus da agricultura)
Démeter Ceres Deusa dos cereais
Dionísio Baco Deus do vinho e da vegetação
Eros Cupido Deus do amor
Géia Terra Mãe Terra
Hefesto Vulcano Deus do fogo; ferreiro dos deuses
Hera

Juno

Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses
Hermes Mercúrio Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores
Héstia Vesta Guardiã do lar
Hipnos Sonho Deus do sonho
Hades Plutão Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos
Posêidon Netuno Deus dos mares e dos terremotos
Réia Cibele Esposa de Crono/Saturno; Deusa mãe
Urano Urano Deus dos céus; pai dos Titãs
Zeus Júpiter Soberano dos deuses olímpicos

Conclusão

Depois de termos pesquisado sobre o assunto referente à mitologia, concluímos que ela é muito diferente do que pensamos, devido a quantidade de deuses, heróis, monstros e de como era o mundo na opinião dos gregos.

Descobrimos também que devemos diferenciar mito de mentira, ilusão, ídolo, lenda ou ficção, porque o mito é verdadeiro para quem o vive.

Ficamos surpresos ao saber que muitos deuses gregos têm na civilização romana nomes diferentes e usados até hoje para originar nomes de conceitos usados em Psicologia, dar nomes a planetas ou até relacionar problemas e situações atuais com o que aconteceu na antiguidade.

Descobrimos que até hoje construímos nossos mitos mudando apenas a maneira de representar o Bem, o Mal e a Justiça, com a crença em heróis de estórias em quadrinhos, filmes, desenhos animados de seres de outros planetas ou mesmo daqui que viajam através do espaço para levar a outras civilizações os ensinamentos e características de sua origem.

E por último concluímos que se no passado a mitologia era essencial para a vida humana, porque era através dela que se explicava a origem de certas coisas é importante que aprendamos a usar esses ensinamentos, sinais e mensagens deixadas pelas gerações passadas para que nos ajudem a ter uma compreensão melhor da nossa vida atual e o que queremos e desejamos para o nosso futuro.

Fonte: www.portalprudente.com.br

Mitologia Grega

Criação dos Animais e do Homem

Depois da criação do mundo e dos animais, tornou-se necessário, porém, um animal mais nobre, e foi feito o homem. Não se sabe se o Criador o fez de materiais divinos, ou se na Terra, há tão pouco separada do céu, ainda havia algumas sementes celestiais ocultas. Prometeu tomou umpouco dessa terra e, misturando-a com água, fez o homem à imagem e semelhança dos deuses. Deu-lhe o porte ereto, de maneira que, enquanto os outros animais têm o resto voltado para baixo, olhando a terra, o homem levanta a cabeça par ao céu e olha as estrelas.

Prometeu era um dos Titãs, uma raça gigantesca que habitou a Terra antes do homem. Ele e seu irmão Epimeteu foram incumbidos de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação. Epimeteu encarregou-se da obra de Prometeu, de examiná-la, depois de pronta. Assim, Epimeteu tratou de atribuir a cada animal seus dons variados, de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro etc. Quando, porém chegou a vez do homem, que tinha de ser superior a todos os outros animais, Epimeteu gastara seus recursos com tanta prodigalidade que nada mais restava. Perplexo, recorreu a seu irmão Prometeu, que, com a ajuda de Atena, subiu ao céu e acendeu sua tocha no carro do sol, trazendo o fogo para o homem. Com esse dom, o homem assegurou sua superioridade sobre todos os outros animais. O fogo lhe forneceu o meio de construir as armas com que subjugou os animais e as ferramentas com que cultivou a terra; aquecer sua morada, de maneira a tornar-se relativamente independente do clima, e, finalmente, criar a parte da cunhagem das moedas, que ampliou e facilitou o comércio.

Outra versão diz que em Mecone (nome antigo de Sicione, cidade da Acaia), quando lá "se resolvia a querela dos deuses e dos homens mortais". Essa disputa certamente se devia à desconfiança dos deuses em relação aos homens, protegidos pelo filho de um dos Titãs, que acabavam de ser vencidos por Zeus.

Pois bem, foi em Mecone, que Prometeu, desejando enganar Zeus em benefício dos mortais, dividiu um boi enorme em duas porções: a primeira continha as carnes e as entranhas, cobetas pelo couro do animal; a segunda, apenas os ossos, cobertos com a gordura branca do mesmo. Zeus escolheria uma delas e a outra seria ofertada aos homens. O deus escolheu a segunda e, vendo-se enganado, "a cólera encheu sua alma, enquanto o ódio lhe subia ao coração".

O terrível castigo de Zeus não se fez esperar: privou o homem do fogo, quer dizer, simbolicamente dos nûs, da inteligência, tornando a humanidade anóetos, isto é, Imbecilizou-a.

Novamente Prometeu, filho de Jápeto entrou em ação: roubou uma centalha do fogo celeste, privilégio de Zeus, ocultou-a na haste de uma férula e a trouxe à terra, "reanimando" os homens. O Olímpo resolveu punir exemplarmente os homens e seu benfeitor.

As diferentes eras da Humanidade

Mitologia Grega
Mitologia Grega

Estando assim povoado o mundo, seus primeiros tempos constituíram uma era de inocência e ventura, chamada Idade de Ouro. Reinavam a verdade e a justiça, embora não impostas pela lei, e não havia Primeiros Homens - Pintura sobre Tela - Desconhecidojuízes para ameaçar ou punir. As florestas ainda não tinham sido despojadas de suas árvores para fornecer madeira aos navios, nem os homens haviam construído fortificações em torno de suas cidades. Espadas, lanças ou elmos eram objetos desconhecidos. A terra produzia tudo necessário para o homem, sem que este se desse ao trabalho de lavrar ou colher. Vicejava uma primavera perpétua, as flores cresciam sem sements, as torrentes dos rios eram de leite e de vinho, omel dourado escorria dos carvalhos.

Seguiu-se a Idade de Prata, inferior à de Ouro, porém melhor do que a de Cobre, Zeus reduziu a primavera e dividiu o ano em estações. Pela primeira vez o homem teve de sofrer os rigores do calor e do frio, e tornaram-se necessárias as casas. As primeiras moradas foram as cavernas, os abrigos das árvores frondosas e cabanas feitas de hastes. Tornou-se necessário plantar para colher. O agricultor teve de semear e de arar a terra, com ajuda do boi.

Veio, em seguida, a Idade de Bronze, já mais agitada e sob a ameaça das armas, mas ainda não inteiramente má. A pior foi a idade de Ferro. O crimo irrompeu, como uma inundação; a modéstia, a verdade e a honra fugiram, deixando em seus lugares velas aos ventos e as árvores foram derrubadas nas montanhas para servir de quilhas dos navios e ultrajar a face do oceano. A terra, que até ntão fora cultivada em comum, começou a ser dividida entre os possuidores.

Os homens não se contentaram com o que produzia a superfície: escavou-se entãoa terra e tirou-se do seu seio os minérios e metais. Produziu-se o danoso ferro e o ainda mais danoso ouro. Surgiu a guerra, utilizando-se de um e de outro como armas; o hóspede nao se sentia em segurança em casa de seu amigo; os genros e sogros, os irmãos e irmãs, os maridos e mulheres não podiam confiar uns nos outros. Os filhos desejavam a morte dos pais, a fim de lhes herdarem a riqueza; o amor familiar caiu prostado. A terra ficou úmida de sangue, e os deuses a abandonaram, um a um, até que ficou somente Astréia, que, finalmente acabou também partindo.

A ira de Zeus contra a Humanidade

Mitologia Grega
Mitologia Grega

Vendo aquele estado de coisas, Zeus indignou-se e convocou os deuses para um conselho. Todos obedeceram à convocação e tomaram o caminho do palácio do céu. Esse caminho pode ser visto por qualquer um nas noites claras, atravessando o céu, e é chamado de Via Láctea. Ao longo dele ficam os palácios dos deuses ilustres; aplebe celestial vive à parte, de umlado ou de outro.

Idade do Ferro

Dirigindo-se à assembléia, Zeus expôs as terríveis condições que reinavam na Terra e encerrou suas palavras anunciando a intenção de destruir todos os seus habitantes e fazer surgir uma nova raça, diferente da primeira, que seria mais digna de viver e saberia melhor cultuar os deuses. Assim dizendo, apoderou-se de um raio e já estava prestes a atirá-lo contra o mundo, destruindo-o pelo fogo, quando atentou para o perigo que o incêndio poderia acarretar para o próprio céu.

Mudou, então, de idéia, e resolveu inundar a terra. O vento norte, que espalha as nuvens, foi encadeado; o vento sul foi solto e em breve cobriu todo o céu com escuridão profunda. As nuvens, empurradas em bloco, romperam-se com fragor; torrents de chuva caíram; as plantações inundaram-se; o trabalho de um ano do lavrador pereceu em uma hora. Não satisfeito com suas próprias águas, Zeus pediu ajuda de seu irmão Posídon. Este soltou os rios e lançou-os sobre a terra.

Ao mesmo tempo, sacudiu-a com um terremoto e lançou o refluxo do oceano sobre as praias. Rebanhos, animais, homens e casas foram engolidos e os templos, com seus recintos sacros, profanados. Todo edifício que permanecera de pé foi submergido e suas torres ficaram abaixo das águas. TUdo se transformou em mar, num mar sem praias. Aqui e ali, um indivíduo refugia-se num cume e alguns poucos, em barcos, apóiam o remo no mesmo solo que ainda há pouco o arado sulcara. Os peixes nadam sobre os galhos das árvores; a âncora se prende num jardim. Onde recentemente os cordeirinhos brincavam, as focas cabriolam desajeitadamente. O lobo nada entre as ovelhas, os fulvos leões e os trigres lutam nas águas. A força do favali de nada lhe serve, nem a ligeireza do cervo. As aves tombam, cansadas, na água, não tendo encontrado terra onde pousar. Os seres vivos que a água poupara caem como presas da fome.

O Renascimento dos Homens

De todas as montanhas, apenas o Párnaso ultrapassa as águas. Ali, Deucalião e sua esposa Pirra, da raça de Prometeu, encontram refúgio - ele é um homem justo; ela, uma devota fiel dos deuses. Vendo que não havia outro vivente além desse casal, e lembrando-se de sua vida inofensiva e de sua conduta piedosa, Zeus ordenou aos Deucalião e Pirra, atirando pedras que se transformam em seres humanos - Arte em porcelana - Desconhecidoventos do norte que se afastassem as nuvens e mostrasse o céu à terra e a terra ao céu. Também Posídon ordenou a Titão que soasse sua concha determinando a retirada das águas. As águas obedeceram; o mar voltou às suas costas, e os rios, aos seus leitos.

Deucalião assim se dirigiu, então a Pirra:

"Ó esposa, única mulher sobrevivente, unida a mim primeiramente pelos laços do parentesco e do casamento, e agora por um perigo comum, pudéssemos nós possuir o poder de nosso antepassado Prometeu e renovar a raça, como ele fez, pela primeira vez! Como não podemos, porém, dirijamo-nos àquele templo e indaguemos dos deuses o que nos resta fazer".

Entraram num templo coberto de lama e aproximaram-se do altar, onde nenhum fogo crepitava. Prostaram-se na terra e rogaram à deusa que os esclarecesse sobre a maneira de se comportar naquela situação miserável. "Saí do templo com a cabeça coberta e as vestes sesatadas e atirai para trás os ossos de vosa mãe" - respondeu o oráculo.

Estas palavras foram ouvidas com assombro.

Pirra foi a primeira a romper o silêncio: "Não podemos obedecer; não vamos nos atrever a profanar os restos de nossos pais." Seguiram pela fraca sombra do bosque, refletindo sobre o oráculo.

Afinal, Deucalião falou: "Se minha sagacidade não me ilude, poderemos obedecer à ordem sem cometermos qualquer impiedade. A terra é a mãe comum de nós todos; as pedras são seus ossos; poderemos lançá-las para trás de nós; e creio ser isto que o oráculo quis dizer. Pelo menos, não fará mal tentar". Os dois velaram o rosto, afrouxaram as vestes, apanharam as pedras e atiraram-nas para trás. As pedras (maravilha das maravilhas!) amoleceram e começaram a tomar forma. Pouco a pouco, foram assumindo uma grosseira semelhança com a forma humana, como um bloco mal-acabado nas mãos de um escultor. A umidade e o lodo que havi sobre elas transformaram-se em carne; a parte pétrea transformou-se nos ossos; as veias ou veios da pedra continuaram veias, conservando seu nome e apenas mudando sua utilidade. As pedras lançadas pelas mãos do homem tornaram-se homens, as lançadas pela mulher tornaram-se mulheres. Era uma raça forte e bem disposta para o trabalho como até hoje somos, mostrando bem a nossa origem.

Gigantomaquia

Geia, ficou profundamente irritada contra os Olímpicos por lhe terem lançado os filhos, os Titãs, no Tártaro, e excitou contra os vencedores os terríveis Gigantes, nascidos do sangue de Urano caido na terra ao ser castrado por Crono.

Os Gigantes foram gerados por Geia para vingar os Titãs, que Zeus havia lançado no Tártaro. Eram seres imensos, prodigiosamente fortes, de espessa cabeleira e barba hirsuta, o corpo horrendo, cujas pernas tinham a forma de serprente. Tão logo nasceram, começaram a jogar para o céu árvores inflamadas e rochedos imensos. Os deuses prepararam-se para o combate. A princípio lutavam somente Zeus e Palas Atena, armados com a égide, o raio e a lança. Já que os Gigantes só podiam ser mortos por um deus com o auxílio de um mortal, Héracles passou a tomar parte no combate. Apareceu também Dionísio, armado com um tirso e tochas, e secundado pelos Sátiros. Aos poucos o mito se enriqueceu e surgiram outros deuses que vieram em socorro de Zeus.

Os mitógrafos destacam nessa luta treze Gigantes, embora seu número tenha sido muito maior. Alcioneu foi morto por Héracles, auxiliado por Atena, que aconselhou o herói arrastá-lo para longe de Palene, sua cidade natal, porque, cada vez que o Gigante caía recobrava as forças, por tocar a terra, de onde havia saído.

Porfírio atacou a Héracles e Hera, mas Zeus inspirou-lhe um desejo ardente por esta e enquanto o monstro tentava arrancar-lhe as vestes, Zeus o fulminou com um raio e Héracles acabou com ele a flechads. Efialtes foi morto por uma flecha de Apolo no olho esquerdo e por uma outra de Héracles no direito. Êurito foi eliminado por Dionísio, com um golpe de tirso; Hécate acabou com Clício a golpes de tocha; Mimas foi liquidado por Hefesto, com ferro em brasa. Encélado fugiu, mas atena jogou em cima dele a ilha de Sicília; a mesma Atena escorchou a Palas e se serviu da pele do mesmo, como uma couraça, até o fim da luta.

Polibotes foi perseguido por Posídon através das ondas do mar até a ilha de Cós. O deus, enfurecido quabrou um pedaço da ilha de Nisiro e lançou-o sobre o Gigante, esmagando-o. Hermes usando o capacete de Hades, que o tornava invisícel, matou Hipólito, enquanto Artemis liquidava Grátion. As Moîras mataram Ágrio e Toas. Zeus, com seus raios, fulminou os restantes e Héracles acabou de liquidá-los a flechadas.

Mitologia Grega
Gigantomaquia - Gravura

A Gigantomaquia quer dizer, a luta dos Gigantes, foi atravada na Trácia, segunda uns, segundo outros na Arcádia, às margens do rio alfeu.

Seres ctônios, os Gigantes simbolizam o predomínio das forças nascidas da Terra, por seu gigantismo material e indigência espiritual. Imagem da Hýbris, do descomedimento, em proveito dos instintos físicos e brutais, renovam a luta dos Titãs. Não podiam ser vencidos, como se viu, a não ser pela conjugação de forças de um deus e de um mortal. O próprio Zeus necessita de Héracles, ainda não imortalizado, para liquidar Porfírio; Efialtes foi morto por Apolo e Héracles.

Todos os Olímpicos, adversários dos Titãs, Atena, Hera, Dionisio, Posídon... deixam sempre ao mortal a tarefa de acabar com o monstro.

A idéia parece clara: na luta contra a "bestialidade terrestre", Deus tem necessidade do homem tanto quanto esse precisa de Deus. A evolução da vida para uma espiritualização crescente e progressiva é o verdadeiro combate dos gigantes. Esta evidência implica, todavia, num esforço do alto, para triunfar das tendências involutivas e regressivas ao heroísmo humano. O Gigante representa tudo quanto o homem terá que vencer para liberar e fazer desabrochar sua personalidade.

Primeira Fase do Universo

Seres Primordiais

Onde: Caos (O Nada, massa caótica vazia e abstrata; Érebo ( trevas infernais); Eter (O Ar, camada entre o Céu e a Terra); Geia (Terra, mãe de todas as coisas); Hemera (Porsonificação do dia) Montes (Montanhas); Nix (Noite); Pontos (Mar); Tártaro (Inferno, camada mais baixa do Hades); Urano (Céu, o primeiro grande pai do universo).

Inicialmente Geia era a divindade suprema, adorada pelos povos agricultores anteriores aos bárbaros invasores que deram origem ao povo grego. Ela é a deusa-mãe de mil nomes, representação do princípio universal doador e nutridor da vida.

De Geia foram gerados espontaneamente Pontos (o mar) e Urano (o céu), que também a desposaram dando origem a uma série de deuses. De Pontos ela deu à luz a deuses marítimos e de Urano, aos titãs, gigantes, ciclopes e Hecatonquiros. Certamente o casamento de Gaia já representa um extrato mitológico posterior, onde a deusa-mãe necessita do macho para fazer algo que outrora fora espontâneo.

Caos

Filhos: Geia - Nix - Erebo - Tártaro - Eros (Em algumas Variantes)

Etimologia: Caos em grego (Kháos), do verbo (khaíein), abrir-se, entreabrir-se, significa abismo insodável.

Ovídio chamou-o rudis indigestaque moles, massa informe e confusa.

Consoante Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, o Caos é "a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do Mundo" no Gênesis 1,2 diz o texto sagrado: A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. Trata-se do Caos primordial, antes da criação do mundo, realizada por Javé, a partir do nada. Na cosmologia egípcia, o Caos é uma energia poderosa do mundo informe, que cinge a criação ordenada, como o oceano circula a terra.

Existia antes da criação e coexiste com o mundo formal, envolvendo-o como uma imensa e nexaurível resrva de nrgias, nas quais se dissolverão as formas nos fins dos tempos. Na tradição chinesa, o Caos é o espaço homogêneo, anterior à divisão em quatro horizontes, que equivale à criação do mundo. Esta divisão marca a passagem ao diferenciado e a possibilidade de orientação,constituindo-se na base de toda organização do cosmo. Estar desorientado é entrar no Caos, de onde não se atua energicamente no elemento primodial.

Do Caos grego, dotado de grande energia prolífica, saíram Géia, Tártaro e Eros.

Érebo

Pais: Caos

Etimologia: Em grego (Érebos), designa as trevas infernais. Trata-se de uma concepção indo-européia, cuja raiz é regwos, que aparece em sânscrito como rájas, espaço obscuro, no gótico riqiz, obscuridade, e no armênio erek, crepúsculo..

Bem mais tarde, quando Hades, o mundo infernal, foi "geograficamente" dividido em três compartimentos, Érebo ocupou o centro, à igual distância entre os Campos Elísios e o Tártaro. O Érebo era uma espécie de purgatório grego, onde os espíritos dos mortos cumpriam "pena" antes de irem para os Campos Elísios, e posteriormente reencarnarem.

Eter

Pais: Nix

Etimologia: Em grego (Aithér), do verbo (aíthein), brilhar iluminar, onde "o brilhante".

Éter é a camada superior do cosmo, posicionado entre Urano (céu) e o ar e, por isso mesmo, personifica o céu superior, onde a luz é mais pura que na camada mais próxima da terra, dominada pelo ar, que nada tem a vom com Éter.

Eros

Pais: Caos; Nix; ou Hermes e Afrodite. (Em algumas variantes)

Etimologia: Em grego (Éros), significa desejo incoercível dos sentidos.

Personificado, é o deus do amor. O mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, Eros dilacera os membros e transtorna o jízo dos deuses e dos homens. Dotado, como não poderia deixar de ser, de uma natureza vária e mutável, o mito do deus do amor evoluiu muito, desde a era arcaixa até a época alexandrina e romana, isto é, do século IX a.e.c., ao século VI d.e.c. Nas mais antigas teogonias, como se vê em Hesíodo, Eros nasceu do Caos, ao mesmo tempo em que Geia e Tartaro. Numa variante da cosmogonia órfica, o Caos e Nix (noite) estão na origem do mundo. Nix põe um ovo, de que nasce Eros, enquanto Urano e Geia se formam das duas metades da casca pertida. Eros, no entanto, apesar de suas múltiplas genealogias, permanecerá sempre, mesmo à época de seus disfarces e novas indumentárias da época alexandrina, a força fundamental do mundo. Garante não apenas a continuidade das espécies, mas a coesão interna do cosmo. Foi exatamente sobre este tema que se desenvolveram inúmeras especulações de poetas, filósofos e mitólogos.

Para Platão, no Banquete, pelos lábios da sacerdotisa Diotima, Eros é um Demônio, quer dizer, um intermediário entre os deuses e os homens (não do sentido pejorativo de Diabo, para os gregos, "daimónion" eram seres semideuses que vagavem entre deuses e homens, sendo como os anjos são para os cristãos hoje) como o deus do amor está a meia distância entre uns e outros, ele preenche o vazio, tornando-se assim, o elo que une o Todo a sim mesmo. Foi contra a tendência generalizada que lhe atribuiu nova genealogia. Consoante Diotima, Eros foi concebido da união de Póros (expediente) e de Penia (Pobreza), no jardim dos Deuses, após um grande banquete, em que se celebrava o nascimento de Afrodite.

Em face desse parentesco tão díspar, Eros tem caracteres bem definidos e significativos: sempre em busca de seu objeto, como Pobreza e "carência", sabe, todavia, arquitetar um plano, como Expediente, para atingir o objetivo, "a plenitude".

Assim, longe de ser um deus todo-poderoso, Eros é uma força, uma (enérgueia), uma "energia", perpetuamente insatisfeito e inquieto: uma carência sempre em busca de uma plenitude. Um Sujeito em busco do Objeto.

Com o tempo, surgiram várias outras genealogias: umas afirmam se o deus do Amor filho de Hermes e Ártemis ctônia ou de Pintura sobre tela - Giovanni Baglione 1573-1644Hermes e Afrodite urânia, a Afrodite dos amores etéreos; outras dão-lhe como pais Ares e Afrodite, enquanto filha de Zeus e Dione e, nesse caso, Eros se chamaria Ânteros, quer dizer, o Amor Contrário ou Recíproco. As duas genealogias, porém, que mais se impuseram, fazem de Eros ora filho de Afrodite Pandêmia, isto é, da Afrodite popular, a Afrodite dos desejos incontroláveis, e de Hermes, ora filho de Artemis, enquanto filha de Zeus e Perséfone, e de Hermes. Este último Eros, que era alado, foi o preferido dos poetas e escultores.

Mitologia Grega
Mitologia Grega

Aos poucos, todavia, sob a influência da poesia, Eros se fixou e tomou sua fisionomia tradicional. Passou a ser apresentado como um garotinho louro, normalmente com asas. Sobe a máscara de um menino inocente e travesso, que jamais cresceu (afinal a idade da razão, o lógos, é incomparável com o amor), esconde-se um deus perigoso, sempre pronto a traspassar com suas flechas certeiras, envenenadas de amor e paixão, o fígado e o coração de suas vítimas.

O fato de Eros ser uma criança simboliza, sem dúvida, a eterna juventude de um amor profundo, mas também uma certa irresponsabilidade. Em todas as culturas, a Aljava, o arco, as flechas, a tocha, os olhos vendados significam que o Amor se diverte com as pessoas de que se apossa e domina, mesmo sem vê-las (o amor, não é raro, é cego), ferindo-as e inflamando-lhes o coração. O globo que ele, por vezes, tem nas mãos, exprime sua universalidade e seu poder.

Gravura - DesconhecidoEros, de outro lado, traduz a complexio oppositorum, a união dos opostos. O Amor é a pulsão fundamental do ser, a libido, que impele toda existência a se realizar na ação. É ele que atualiza as virtualidades do ser, mas essa passagem ao ato só se concretiza mediante o contato com o outro, através de uma série de trocas materiais, espirituais, sensíveis, o que faltamente provoca choques e comoções. Eros procura superar esses antagonismos, assimilando forças diferentes e contrárias, integrando-as numa só e mesma unidade. Nessa acepção, ele é simbolizado pela cruz, síntese de correntes horizontais e verticais e pelos binômios animus-anima e Yang-Yin. Do ponto de vista cósmico, após a explosão do ser em múltiplos seres, o Amor é a força, a alavanca que canaliza o retorno à unidade; é a reintegração do universo, marcada pela passagem da unidade inconsciente do Caos primitivo à unidade consciente da ordem definitiva.

A libido então se ilumina de progresso moral e místico, o ego segue uma evolução análoga à do universo: o amor é a busca de um centro unificador, que permite a realização da síntese dinâmica de suas potencialidades.

Dois seres que se dão e reciprocamente se entregam, econtram-se um no outro, desde que tenha havido uma elevação ao nível de ser superior e o dom tenha sito total, sem as constumeiras limitações ao nível de cada um, normalmente apenas sexual. o Amor é uma fonte de progresso, na medida em que ele é efetivamente união e não apropriação. Pervertido, Eros, em vez de se tornar o centro unificador, converte-se em pricípio de divisão e morte. Essa perversão consiste sobretudo em destruir o valor do outro, na tentativa de servir-se do mesmo egoísticamente, ao invés de enriquecer-se a si próprio e ao outro com uma entrega total, um dom recíproco e genroso, que fará com que cada um seja mais, ao mesmo tempo em que ambos se toram eles mesmos. O Erro capital do amor se consuma quando uma das partes se considera o todo. O conflito entre a alma e o amor é simbolizado pelo mito de Eros e Psiqué.

Primeiro Reinado, Glória de Urano

No princípio era o Caos (Vazio primordial, vale profundo, espaço incomensurável), matéria eterna, informe, rudimentar, mas dotada de energia prolífica; depois veio Géia (Terra), Tártaro (habitação profunda) e Eros (o Amor), a força do desejo. O Caos deu origem ao Érebo (Escuridão profunda) e a Nix (noite). Nix Gerou Éter e Hemera (Dia). De Géia nasceram Úrano (Céu), Montes e Pontos (Mar).

Na primeira fase há nítido predomínio do mundo Ctônio, já que a cosmogonia Hesiódica se desenvolve ciclicamente de baixo para cima, das trevas para a luz.

O Primeiro reinado conhecido do universo foi o de Úrano (Céu). À fase da energia prolífica segue-se a primeira geração divina, em que Úrano (Céu) se une a Géia (Terra), de onde descendem numerosa Urano - Escultura grega - Desconhecidodescendência. Nasceram primeiro os Titãs e depois as Titânidas, sendo Crono o caçula.

Titãs: Oceano, Ceos, Crio, Hiperión, Jápeto e Crono.

Titânidas: Téia, Réia, Mnemósina, Febe e Tétis.

Após os Titãs e Titânidas, Urano e Geia geraram os Ciclopes e os Hecatonquiros (Monstros de cem braços e de cinquenta cabeças).

Urano é a personalização do Céu, enquanto elemento fecundador de Geia.

Urano Céu era concebido como um hemisfério, a abóbada celeste, que cobria a terra, concebida como Geia e Urano - Gravura - esférica, mas achatada: entre ambos se interpunham o Éter e o Ar e, nas profundezas de Geia, localizava-se o Tártaro, bem a baixo do próprio Hades. Do ponto de vista simbólico, o deus do céu traduz uma proliferção criadora desmedida e indiferenciada, cuja abundância acaba por destruir o que foi gerado. Urano caracteriza assim a fase inicial de qualquer ação, com alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos.

Por solicitação de Geia, Crono mutila seu pai Urano, contando-lhe os testículos. Do Sangue de Urano que caiu sobre Geia nasceram, "no decurso dos anos", as Erínias, os Gigantes e as Ninfas dos Freixos, chamadas Mélias ou Melíades; da parte que caiu no mar e formou uma espumarada nasceu Afrodite.

Segundo Reinado, Glória de Crono

Numa era muito antiga - tão antiga que antes dela só havia o caos - o mundo era governado por Urano (O Céu), filho da Terra. Um dia este, unindo-se à própria mãe, gerou uma raça de seres prodigiosos, chamados Titãs. Ocorre que o Céu - Deus todo poderoso e nem um pouco clemente - irritou-se, certa feita, com as afrontas que imaginava receber de seus filhos. Por isto, decidiu, à medida que eles iam nascendo, encerrá-los nas profundezas do ventre da própria esposa.

- Aí ficarão para sempre, no ventre da Terra, para que nunca mais ousem desafiar a minha autoridade! - Exclamou, colericamente, o deus soberano.

A Terra subjugada, teve de segurar em suas entranhas, durante muitas eras, aquelas turbulentas criaturas e suportar, ao mesmo tempo, o assédio insaciável e initerrupto do marido. Um dia, porém, farta de tanta tirania, decidiu a mãe do mundo que um de seus filhos deveria libertá-la deste tormento. Para tanto escolheu Crono, o mais jovem dos seus filhos, Titãs.

- Crono, meu filho, - disse Geia, levada em pranto - , somente você poderá libertar-me da tirania de seu pai e conquistar para si o mando supremo do Universo!

O Jovem ambicioso Titã sentiu um frêmito percorrer suas entranhas, - Diga mãe, o que devo fazer para livrá-la de tamanha dor! - disse Crono, disposto a tudo para chegar logo à segunda parte do plano. A Terra erguendo uma enorme foice de diamante, entregou-a ao filho. - Tome e use-a da melhor maneira que puder!, disseram seus olhos, onde errava um misto de vergonha e esperança.

Crono e a Foice - Escultura grega - Crono apanhou a foice e não hesitou um instante: dirigiu-se logo para o local onde seu velho pai descansava.

Ao chegar no azulado palácio erguido nos céus, encontrou-o ressonando sobre um grande leito acolchoado de nuvens.

Dorme o tirano, sussurou baixinho.

Crono, depois de examinar por algum tempo o rosto do impiedoso deus, empunhou a foice e pensou consigo mesmo: - Realmente, demasiado soturno.

E fez descer o terrível gume, logo abaixo da cintura do pobre Urano. Um grito terrível, como jamais se ouvira em todo o Universo, ecoou na abóbada celeste, despertando toda a criação.

Quem ousou levanar a mão ímpia contra o soberano do mundo? - gritou o céu, com as mãos postas sobre a ensaguentada virilha.

Isto é pelos tormentos que iflingiu à minha mãe, bem como a mm e a meus irmãos - respondeu Crono, ainda a brandir a foice manchada de sangue. Os Testículos de Urano, arrancandos pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair no oceano, com um baque tremendo. Em seguida, o deus ferido, caiu, exangue, sobre seu leito acolchoado, sem poder dizer mais nada. As nuvens que lhe serviam de leito tingiram-se de um vermelho tal que durante o dia inteiro houve como que um infinito e escarlate crepúsculo.

Crono, eufórico, foi logo contar a proeza à sua mãe: - Isto é que é filho - Disse Geia, abraçada ao jovem parricida. Imediatamente foram soltos todos os outros Titãs, irmãos de Crono.

Este, por sua vez recebeu a sua recompensa: Era agora o senhor inconteste de todo o universo.

Crono - Gravura - Quanto a noite caiu, entretanto, escutou-se uma voz espectral descer da grande côncava dos céus: - Ai de você, rebento infame, que manchou a mão no sangue do seu próprio pai! Do mesmo modo que usurpou o mando supremo, irá também um dia perdê-lo...

Crono assustou-se a princípio, mas em seguida ordenou a seus pares que recomeçassem os festejos.

- Ora, ameaçazinhas... Deus morto, deus posto! - exclamou, com um riso talhado no rosto.

Mas aquela profecia, irritante como um mosquito, ficara ecoando na sua ment, até que Crono, por fim, recenheceu-se também meio soturno: - Será que minha vitória, neste mundo, não pode ser nunca completa?.

Depois que se tornou senhor do mundo, Crono converteu-se num tirano pior que seu pai Urano. Não se contentou em lançar no Tártaro seus irmãos, os Ciclopes e os Hecatonquiros, porque os temia, mas, após a admoestação de Urano e Geia de que seria destronado por um dos seus filhos, passou a engolí-los, tão logo nasciam.

Terceiro Reinado, Glória de Zeus

Titanomaquia

A Guerra dos Titãs

Não há crônica, antiga ou moderna, que refira de maneira exata todos os feitos e lances heróicos desta que foi a verdadeira primeira guerra mundial. Ela é demasiado antiga e perde-se na noite dos tempos. Só podemos nos basear no que dela referiram alguns comentadores tardios, como Hesíodo.

Ainda sim ela houve: os sinais, por tudo, são demais evidentes. A própria geologia comprova que as extintas divindades de outrora - personificações, talvez, dos elementots em estado caótico - se engalfinharam um dia numa luta impiedosa, revolvendo no embate o Céu, a Terra e os mares.

Esta gigantesca querela teve início com a pretensão de um filho rebelde, chamado Zeus, sobre o poder supremo que estava em mãos de uma divindade cruel e despótica, chamada Crono. Mas quemforam as partes deste espantoso embate? De umlado, liderados por Crono, estavam ele e seus irmãos, os poderosos Titãs "filhos da Terra". Do outro, Zeus, o filho insubmisso, e seus irmãos, além de algumas defecções titânicas que se alistaram à causa rebelde, tais como o Oceano e o filho de Japeto, Prometeu.

Os Deuses da segunda geração, liderados por Zeus, foram organizar seu ataque no monte Olimpo (daí serem chamados de "deuses olímpicos"), enquanto os Titãs, abrigados no monto Ótris, tramavam a sua defesa. Numa dia incerto, que nenhum cálcula homano pode aproximar, deu-se o primeiro lance desta refrega colossal, que os anais bélicos da humanidade batizaram de Titanomaquia ou "Guerra dos Titãs". Uma imensa massa negra de nuvens destacou-se dos limites extremos do Olimpo e começou a marchar, num estrondo feroz de carros de guerra que rondam pelos céus. O empíreo escureceu de tal forma que o Caos parecia haver gerado de seu ventre uma segunda noite, ainda mais negra e tétrica do que a primeira.

De dentro desta montanha alada, da cor do ferro, partiam raios tão ofuscantes (novidade horripilante inventada pelos Ciclopes, aliados de Zeus, que este libertara do Tártaro), que por alguns instantes brevíssimos não havia em todo o Universo a menor parcela de escuridão. Mas logo o negror da noite tombava outra vez sobre a Terra, e a alma de tudo quanto vivia agachava-se, oprimida por indizível pavor.

Zeus - Arte em teto de templo em Copenhagen AlemanhaOcultos acima dessa nuvem prodigiosa, Zeus, e seus aliados caíram finalmente sobre seus inimigos. Os Titãs, contudo, bem protegidos em suas trincheiras, começaram a enterrar suas unhas duras e compridas como gigantescas pás de bronze até as profundezas do solo, para dali arrancarem pela raiz, com pavoroso estrondo, montanhas inteiras, que arremessavam em seguida contra os deuses olímpicos.

Uma voz espantosa ecoou, vinda do alto, sobrepondo-se à massa inteira de ruídos:

Irmãos da nobre causa, desçamos até onde rastejam estes vermes! - Disse Zeus e, junto com seus aliados, saltou das nuvens com as vestes guerreiras, dando grandes brados de fúria. Seus escudos refulgiam na queda como tremendos sóis prateados, enquanto suas lanças, brandidas com fúria, pareciam a raios retilíneos que cada qual portasse com destemor infinito.

Amantes da nobre verdade, recebamos estas aves de rapina que descem dos céus, tal como elas mercem! - bradou outra voz, desta vez de Crono, encorajando os seus Titãs.

Quando os deois exércitos se misturaram, um ruído mais feroz do que qualquer outro jamais escutado fez-se ouvir, então, por todo Universo. A terra inteira sacudia-se em tremores, levantando-se de dentro dela imensas labaredas de fogo e de pez. Posídon, com seu tridente aceso, fazia ferver os mares, e por toda parte não havia um único bosque que não tivesse sido varrido pelo assobio endemoniado de uma tórrida ventania.

Os combatentes, misturados num pavoroso atraque corporal - atirando às cegas, uns contra os outros, cutiladas, raios, rochas imensas, vapores sufocantes e dentadas -, assim estiveram por uma eternidade, até que Zeus, temendo que a vitória estivesse pendendo para o inimigo, anunciou um novo propósito:

Companherios, libertemos do Tártaro profundo os poderosos Hecatônquiros! - Hecatônquiros. Esses Terríveis seres haviam sido aprisionados por Crono nas profundezas da terra e, uma vez libertos, espalhariam o terror entre as hostes inimigas.

Zeus, auxiliado pelos seus, desceu até as tênebras profundas e, após romper com os grilhões que mantinham estas colossais criaturas presas ao abismo, subiu com elas à superfície. Uma fenda enorme rasgou-se sob o chão; imediatamente um vapor negro subiu da cratera num jato hediondo, até envolver o próprio sol. tudo estava envolto numa treva sufocante, quando todos sentiram um baque formidável sacudir o solo. Um tufão poderoso surgiu em seguida, varrendo foda a fuligem espessa e deixando à mostra, sobre a superfície, os três Hecatônquiros, postados lado a lado. A arte dos antigos não nos deixou nenhuma imagem do que seriam tais divindades, porém as descrições nos afirmam que se tratavam de seres "enormes como a amais alta das montanhas" e que possuíam "cem olhos e cinquenta cabeças".

Um urro colossal, partido das cento e cinquenta bocas, atroou todo o Universo. As criaturas, empunhando rochedos imensos, lançaram sobre os apavorados Titãs trezentas montanhas, sepultando-os vivos sob os escombros. Em seguida os Ciclopes os acorrentaram com suas pesadas corrents, encerrando-os para sempre nas profundezas do Tártaro, de onde jamais tornariam a sair, vigiados pelos invencíveis Hecatônquiros.

Esta, em resumo, foi a primeira batalha que o Universo conheceu, e da qual saiu vitorioso Zeus, o novo soberano do Universo, para reinar como pai dos deuses sobre todos os homens e as demais divindades.

Terminada a refrega, os três grandes deuses receberam por sorteio seus respectivos domínios: Zeus obteve o Céu; Posídon,o mar; Hades Plutão, o mundo subterrâneo ou Hades, ficando, porém, Zeus com a supremacia do Universo.

Tifão, a Última prova de Zeus

Geia, num esforço derradeiro, uniu-se a Tártaro, e gerou o mais horrendo e terrível dos monstros, Tifão ou Tifeu.

Tifão era um meio-termo entre um ser humano e uma fera terrível e medonha. Em altura e força excedia a todos os outros filhos e descendents de Geia. Era mais alto que as montanhas e sua cabeça tocava as estrelas.

Quando abria os braços, uma das mãos tocava o Oriente e a outra o Ocidente e em lugar de dedos possuía cem cabeças de dragões. hesíodo ainda é mais preciso:

De suas espáduas emergiam cem cabeças de serpents, de um pavoroso dragão, dardejando línguas enegrecidas; de seus olhos, sob as sombrancelhas, se desprendiam clarões de fogo...

Zeus lutando contra Tifão - Arte em vaso grego - desconhecido

Da cintura para baixo tinha o corpo cemadado de víboras. Era alado e seus olhos lançavam línguas de fogo.

Quando os deuses viram tão horrenda criatura encaminhar-se para o Olimpo, fugiram espavoridos para o Egito, escondendo-se no deserto, tendo cada um tomado uma forma animal: Apolo metamorfoseou-se em milhafre; Hera, em um boi. Zeus e sua filha Atena foram os únicos a resistir ao monstro. O vencedor de Crono lançou contra Tifão um raio, o perseguiu e feriu com uma foice de sílex. O gigantesco filho de Geia e Tártaro fugiu para o monte Cásico, nos confins do Egito com a Arábia Petréia, onde se travou um combate corpo a corpo. Facilmente Tifão desarmou Zeus e com a foice cortou-lhe os tendões dos braços e dos pés e, colocando-o inerme e indefeso sobre os ombros, levou-o para a Cilícia e o aprisionou na gruta Corícia. Escondeu os tendões do deus numa pele de urso e os pôs sob a guarda do dragão-fêmea Delfine. Mas o deus Pã, com seus gritos que causavam pânico, e Hermes, com sua astúcia costumeira, assustaram Delfine e apossaram-se dos tendões do pai dos deuses e dos homens. Este recuperou, de imediato, suas forças, e, escalando o Céu num carro tirado por cavalos alados, recomeçou a luta, lançando contra o inimigo uma chuva de raios.

O gigante refugiou-se no monte Nisa, onde as Moîras lhe ofereceram "frutos efêmeros", prometendo-lhe que aqueles lhe fariam recuperar as forças: na realidade, elas o estavam condenando a uma morte próxima.

Tifão atingiu o monte Hêmon, na Trácia, e agarrando montanhas, lançava-as contra o deus. Este, interpondo-lhes seus raios, as atirava contra o adversário, ferindo-o profundamente. As torrentes de sangue que corriam do corpo de Tifão deram nome ao monte Hêmon, uma vez que, em grego, sangue se diz (haima).

O filho de Geia fugiu para a Sicília, mas Zeus o esmagou, arremessando sobre el o monte Etna, que até hoje vomita suas chamas, traindo lá embaixo a presença do monstro: essas chamas provêm dos raios com que o novo soberano do Olimpo o abateu.

Odsson Ferreira

Referência Bibliográfica

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004
CHERVALIER, Jean & GHERBRANT, Alain. Op. cit., p. 206

Fonte: www.templodeapolo.net

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