De te amar— olvidei as lutas e o martírio;
Eras tu. Eu só quis, numa ventura calma,
Sentir e ver o amor através de uma alma;
De outras belezas vãs não valeu o esplendor,
A beleza eras tu: — tinhas a alma e o amor.
Pelicano do amor dilacerei meu peito,
E com meu próprio sangue os filhos meus aleito;
Meus filhos: o desejo, a quimera, a esperança;
Por eles reparti minh'alma. Na provança
Ele não fraqueou, antes surgiu mais forte;
É que eu pus neste amor, neste último transporte,
Tudo o que vivifica a minha juventude:
O culto da verdade e o culto da virtude,
A vênia do passado e a ambição do futuro,
O que há de grande e belo, o que há de nobre e puro.
Deste profundo amor, doce e amada Corina,
Acorda-te a lembrança um eco de aflição?
Minh'alma pena e chora à dor que a desatina:
Sente tua alma acaso a mesma comoção?
Em vão! Contrário a amor é nada o esforço humano,
É nada o vasto espaço, é nada o vasto oceano!
Vou, sequioso espírito,
Cobrando novo alento
N'asa veloz do vento
Correr de mar em mar;
Posso, fugindo ao cárcere,
Que à terra me tem preso,
Em novo ardor aceso,
Voar, voar, voar!
Então, se à hora lânguida
Da tarde que declina
Do arbusto da colina
Beijando a folha e a flor
A brisa melancólica
Levar-te entre perfumes
Uns tímidos queixumes
Ecos de mágoa e dor;
Então, se o arroio tímido
Que passa e que murmura
À sombra da espessura
Dos verdes salgueirais,
Mandar-te entre os murmúrios
Que solta nos seus giros,
Uns como que suspiros
De amor, uns ternos ais;
Então, se no silêncio
Da noite adormecida
Sentires—mal dormida
Em sonho ou em visão,
Um beijo em tuas pálpebras,
Um nome aos teus ouvidos
E ao som de uns ais partidos
Pulsar teu coração.
Da mágoa que consome
O meu amor venceu
Não tremas: — é teu nome,
Não fujas— que sou eu!
MUSA, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.
Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as virações perdidas,
Deixa cair ao chão as alvas rosas
E as alvas margaridas.
Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
Não quebra os raios pálidos e frios
O sol resplandecente.
Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortuário;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sudário.
Desce. Virá um dia em que mais bela.
Mais alegre, mais cheia de harmonias
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.
Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manhã,—e ao monte agreste,
Como a noiva fantástica dos ermos
Irás, musa celeste!
Então, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;
Quando, já finda a tormenta
Que a natureza enlutou,
Bafeja a brisa suave
Cedros que o vento abalo;
E o rio, a árvore e o campo,
A areia, a face do mar
Parecem, como um concerto
Palpitar, sorrir, orar;
Então, sim, alma de poeta,
Nos teus sonhos cantarás
A glória da natureza
A ventura, o amor e a paz!
Ah! mas então será mais alto ainda;
Lá onde a alma do vate
Possa escutar os anjos,
E onde não chegue o vão rumor dos homens;
Lá onde, abrindo as asas ambiciosas
Possa adejar no espaço luminoso,
Viver de luz mais viva e de ar mais puro
Fartar-se do infinito!
Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia.
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.
Nós estávamos sós; era de noite;
Ela curvara a fronte, e a mão formosa,
Na embriaguez da cisma,
Tênue deixava errar sobre o teclado;
Era um murmúrio; parecia a nota
De aura longínqua a resvalar nas balças
E temendo acordar a ave no bosque;
Em tomo respiravam as boninas
Das noites belas as volúpias mornas;
Do parque os castanheiros e os carvalhos
Branco embalavam orvalhados ramos;
Ouvíamos a noite; entrefechada,
A rasgada janela
Deixava entrar da primavera os bálsamos;
A várzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sós estávamos,
E tínhamos quinze anos!
Lúcia era loura e pálida;
Nunca o mais puro azul de um céu profundo
Em olhos mais suaves refletiu-se.
Eu me perdia na beleza dela,
E aquele amor com que eu a arriava - e tanto! -
Era assim de um irmão o afeto casto,
Tanto pudor nessa criatura havia!
Nem um som despertava em nossos lábios;
Ela deixou as suas mãos nas minhas;
Tíbia sombra dormia-lhe na fronte,
E a cada movimento - na minh'alma
Eu sentia, meu Deus, como fascinam
Os dois signos de paz e de ventura:
Mocidade da fronte
E primavera d'alma.
A lua levantada em céu sem nuvens
Com uma onda de luz veio inundá-la;
Ela viu sua imagem nos meus olhos,
Um riso de anjo desfolhou nos lábios
E murmurou um canto.
Filha da dor, ó lânguida harmonia!
Língua que o gênio para amor criara -
E que, herdara do céu, nos deu a Itália!
Língua do coração - onde alva idéia,
- Virgem medrosa da mais leve sombra,
Passa envolta num véu e oculta aos olhos!
Que ouvirá, que dirá nos teus suspiros
Nascidos do ar, que ele respira - o infante?
Vê-se um olhar, uma lágrima na face,
O resto é um mistério ignoto às turbas,
Como o do mar, da noite e das florestas!
Estávamos a sós e pensativos.
Eu contemplava-a. Da canção saudosa
Como que em nós estremecia um eco.
Ela curvou a lânguida cabeça...
Pobre criança! - no teu seio acaso
Desdêmona gemia? Tu choravas,
E em tua boca consentias triste
Que eu depusesse estremecido beijo;
Guardou-a a tua dor ciosa e muda:
Assim, beijei-te descorada e fria,
Assim, depois tu resvalaste à campa;
Foi, com a vida, tua morte um riso,
E a Deus voltaste no calor do berço.
Doces mistérios do singelo tecto
Onde a inocência habita;
Cantos, sonhos d'amor, gozos de infante,
E tu, fascinação doce e invencível,
Que à porta já de Margarida, - o Fausto
Fez hesitar ainda,
Candura santa dos primeiros anos,
Onde parais agora?
Paz à tua alma, pálida menina!
Ermo de vida, o piano em que tocavas
Já não acordará: sob os teus dedos!
E caiu a chuva sobre a terra quarenta
dias e quarenta noites.
Do sol ao raio esplêndido, Pôs termo à imensa cólera
Fecundo, abençoado, Do imenso Jeová!
A terra exausta e úmida
Surge, revive já; Que mar não foi! que túmidas
Que a morte inteira e rápida As águas não rolavam!
Dos filhos do pecado
Tudo tornou-se um mar; Dentro a esperança, os cânticos,
E nesta cena lúgubre A calma, a paz e o bem,
Os gritos que soavam
Era um clamor uníssono Cheio de amor, solícito,
Que a terra ia acabar. O olhar da divindade,
Vela os escapos náufragos
Em vão, ó pai atônito, Da imensa aluvião.
Ao seio o filho estreitas; Assim, por sobre o túmulo
Filhos, esposos, míseros, Da extinta humanidade
Em vão tentais fugir! Salva-se um berço; o vínculo
Que as águas do dilúvio Da nova criação.
Crescidas e refeitas,
Vão da planície aos píncaros Íris, da paz o núncio,
Subir, subir, subir! O núncio do concerto,
Só, como a idéia única Riso do Eterno em júbilo,
De um mundo que se acaba, Nuvens do céu rasgou;
Erma, boiava intrépida, E a pomba, a pomba mística,
A arca de Noé; Voltando ao lenho aberto,
Pura das velhas nódoas Do arbusto da planície
De tudo o que desaba, Um ramo despencou.
Leva no seio incólumes
A virgindade e a fé. Ao sol e às brisas tépidas
Respira a terra um hausto,
Lá vai! Que um vento alígero, Viçam de novo as árvores,
Entre os contrários ventos, Brota de novo a flor;
Ao lenho calmo e impávido E ao som de nossos cânticos,
Abre caminho além ... Ao fumo do holocausto
Lá vai! Em torno angústias, Desaparece a cólera
Clamores e lamentos; Do rosto do Senhor.
Muéveme, en fin, tu amor en tal manera,
Que, aunque no hubiera cielo, yo te amara
As orações dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.
No turvo mar da vida
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra,
A melhor segurança
Da nos íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir à estância eterna
O fúlgido caminho.
Ah! feliz o que pode,
No extremo adeus às coisas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;
Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já, - Os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;
Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.
ELA TINHA no rosto uma expressão tão calma
como o sono inocente e primeiro de uma alma
Donde não se afastou ainda o olhar de Deus;
Uma serena graça, uma graça dos céus,
Era-lhe o casto, o brando, o delicado andar,
E nas asas da brisa iam-lhe a ondear
Sobre o gracioso colo as delicadas tranças.
Levava pela mão duas gentis crianças.
Ia caminho. A um lado ouve magoado pranto.
Parou. E na ansiedade ainda o mesmo encanto
Descia-lhe às feições. Procurou. Na calçada
À chuva, ao ar ao sol, despida, abandonada
A infância lacrimosa a infância desvalida,
Pedia leito e pão, amparo, amor, guarida.
E tu, ó caridade, ó virgem do Senhor,
No amoroso seio as crianças tomaste,
E entre beijos - só teus - o pranto lhes secaste
Dando-lhes pão, guarida, amparo, leito e amor.
- "Respeita a fouce a espiga que desponta;
Sem receio ao lagar o tenro pâmpano
Bebe no estio as lágrimas da aurora;
Jovem e bela também sou; turvada
A hora presente de infortúnio e tédio
Seja embora; morrer não quero ainda!
De olhos secos, o estóico abrace a morte;
Eu choro e espero; ao vendaval que ruge
Curvo e levanto a tímida cabeça.
Se há dias maus. também os há felizes!
Que mel não deixa um travo de desgosto?
Que mar não incha a um temporal desfeito?
Tu, fecunda ilusão, vives comigo.
Pesa em vão sobre mim cárcere escuro,
Eu tenho, eu tenho as asas da esperança:
Escapa da prisão do algoz humano,
Nas campinas do céu, mais venturosa,
Mais viva canta e rompe a filomela.
Devo acaso morrer? Tranqüila durmo,
Tranqüila velo; e a fera do remorso
Não me perturba na vigília ou sono;
Terno afago me ri nos olhos todos
Quando apareço, e as frontes abatidas
Quase reanima um desusado júbilo.
Desta bela jornada é longe o termo.
Mal começo; e dos olmos do caminho
Passei apenas os primeiros olmos.
No festim em começo da existência
Um só instante os lábios meus tocaram
A taça em minhas mãos ainda cheia.
Na primavera estou, quero a colheita
Ver ainda, e bem como o rei dos astros,
De sazão em sazão findar meu ano.
Viçosa sobre a haste, honra das flores,
Hei visto apenas da manhã serena
Romper a luz, — quero acabar meu dia.
Morte, tu podes esperar; afasta-te!
Vai consolar os que a vergonha, o medo,
O desespero pálido devora.
Pales inda me guarda um verde abrigo,
Ósculos O amor, as musas harmonias;
Afaste-te, morrer não quero ainda!"
Assim. triste e cativa, a minha lira
Despertou escutando a voz magoada
De uma jovem e-ativa; e sacudindo
o peso de meus dias langorosos,
Acomodei à branda lei. do verso
Os acentos da linda e ingênua boca.
Sócios meus de meu cárcere, estes cantos
Farão a quem os ler buscar solícito
Quem a cativa foi; ria-lhe a graça
Na ingênua fronte, nas palavras meigas;
De um termo à vinda há de tremer, como ela,
Quem aos teus dias for casar seus dias.
CAÍA A TARDE. Do infeliz à porta,
Onde mofino arbusto aparecia
De tronco seco e de folhagem morta,
Ele que entrava e Ela que saía
Um instante pararam; um instante
Ela escutou o que Ele lhe dizia:
"Que fizeste? Teu gesto insinuante
Que lhe ensinou? Que fé lhe entrou no peito
Ao mago som da tua voz amante?
"Quando lhe ia o temporal desfeito
De que raio de sol o mantiveste?
E de que flores lhe forraste o leito.
Ela, volvendo o olhar brando e celeste,
Disse: "- Varre-lhe a alma desolada,
Que nem um ramo, uma só flor lhe reste!
"Torna-lhe, em vez da paz abençoada,
Uma vida de dor e de miséria,
Uma morte contínua e angustiada.
"Essa é a tua missão torva e funérea.
Eu procurei no lar do infortunado
Dos meus olhos ver-lhe a luz etérea.
"Busquei fazer-lhe um leito semeado
De rosas festivais, onde tivesse
Um sono sem tortura nem cuidado,
"E por que o céu que mais se lhe enegrece,
Tivesse algum reflexo de ventura
Onde o cansado olhar espairecesse,
Uma réstia de luz suave e pura
Fiz-lhe descer à erma fantasia,
De mel ungi-lhe o cálix da amargura.
"Foi tudo vão, - Foi tudo vã porfia, i
A aventura não veio. A tua hora
Chega na hora que termina o dia.
"Entra" - E o virgíneo rosto que descora
Nas mãos esconde. Nuvens que correram
Cobrem o céu que o sol já mal colora.
Ambos com um olhar se compreenderam.
Um penetrou no lar com passo ufano;
Outra tomou por um desvio: Eram:
Ela a Esperança. Ele o Desengano.
A. F. X DE VOVAIS
Qu' apercois-tu, mon âme? Au fond, n' est-ce-pas Dieu?
Tu vas à lui...
V. DE LAPRADE
SINTO QUE HÁ na minh'alma um vácuo imenso e fundo
E desta meia morte o frio olhar do mundo
Não vê o que há de triste e de real em mim;
Muita vez, ó poeta. a dor é casta assim;
Refolha-se, não diz no rosto o que ela é,
E nem que o revelasse, o vulgo não põe fé
Nas tristes comoções da verde mocidade.
E responde sorrindo à cruel realidade.
Não assim tu, ó alma, ó coração amigo;
Nu, como a consciência, abro-me aqui contigo;
Tu que corres, como eu. na vereda fatal
Em busca do mesmo alvo e do mesmo ideal.
Deixemos que ela ria, a turba ignara e vã;
Nossas almas a sós, como irmã junto a irmã,
Em santa comunhão, sem cárcere, sem véus,
Conversarão no espaço e mais perto de Deus.
Deus quando abre ao poeta as portas desta vida
Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
Traja de luto a folha em que lhe deixa escritas
A suprema saudade e as dores infinitas.
Alma errante e perdida em um fatal desterro.
Neste primeiro e fundo e triste limbo do erro,
Chora a pátria celeste, o foco, o cetro, a luz
Onde o anjo da morte, ou da vida, o conduz
No dia festival do grande livramento;
Antes disso, a tristeza, o sombrio tormento,
O torvo azar, e mais, a torva solidão,
Embaciam-lhe n'alma o espelho da ilusão.
O poeta chora e vê perderem-se esfolhadas
Da verde primavera as flores tão cuidadas;
Rasga, como Jesus, no caminho das dores,
Os lassos pés; o sangue umedece-lhe as flores
Mortas ali, - e a fé, a fé mãe, a fé santa,
Ao vento impuro e mau que as ilusões quebranta,
Na alma que ali se vai muitas vezes vacila ...
Oh! feliz o que pode, alma alegre e tranqüila,
A esperança vivaz e as ilusões floridas,
Atravessar cantando as longas avenidas
Que levam do presente ao secreto porvir!
Feliz esse! Esse pode amar, gozar, sentir,
Viver enfim! A vida é o amor, é a paz,
É a doce ilusão e a esperança vivaz;
Não esta do poeta, esta que Deus nos pôs
Nem como inútil fardo, antes como um algoz.
O poeta busca sempre o almejado ideal...
Triste e funesto afã! tentativa fatal!
Nesta sede de luz, nesta fome de amor,
O poeta corre a estrela, à brisa, ao mar, à flor;
Quer ver-lhe a luz na luz da estrela peregrina,
Quer-lhe o cheiro aspirar na rosa da campina,
Na brisa o doce alento, a voz na voz do mar,
Ó inútil esforço! ó ímprobo lutar!
Em vez da luz, do aroma, ou do alento ou da voz,
Acha-se o nada, o torvo, o impassível algoz!
Onde te escondes, pois, ideal da ventura?
Em que canto da terra, em que funda espessura
Foste esconder, ó fada, o teu esquivo lar?
Dos homens esquecido, em ermo recatado,
Que voz do coração, que lágrima, que brado
Do sono em que ora estás te virá despertar?
A esta sede de amar só Deus conhece a fonte?
Jorra ele ainda além deste fundo horizonte
Que a mente não calcula, e onde se perde o olhar?
Que asas nos deste, ó Deus, para transpor o espaço?
Ao ermo do desterro inda nos prende um laço:
Onde encontrar a mão que o venha desatar?
Creio que só em ti há essa luz secreta,
Essa estrela polar dos sonhos do poeta,
Esse alvo, esse termo esse mago ideal;
Fonte de todo o ser e fonte da verdade,
Nós vamos para ti, e em tua imensidade
É que havemos de ter o repouso final.
É triste quando a vida. erma, como esta, passa,
E quando nos impele o sopro da desgraça
Longe de ti, ó Deus, e distante do amor!
Mas guardemos, poeta, a melhor esperança:
Sucederá a glória à salutar provança:
O que a terra não deu, dar-nos-á o Senhor!
(MME. EMILE DE GIRARDIN)
FILHA PÁLIDA da noite. Para a poder contemplar;
Nume feroz de inclemência, Era uma sombra calada
Sem culto nem reverencia, Que oculta força levava,
Nem crentes e nem altar, E no caminho aguardava
A cujos pés descarnados... Para saudá-la e passar.
A teus negros pés, ó morte!
Só enjeitados da sorte Um dia veio ela às fontes
Ousam frios implorar; Ver os trabalhos... não pude,
Fraqueou minha virtude,
Toma a tua foice aguda, Caí-lhe tremendo aos pés.
A arma dos teus furores; Todo o amor que devora,
Venho c'roado de flores Ó Vênus, o íntimo peito,
Da vida entregar-te a flor; Falou naquele respeito,
É um feliz que te implora Falou naquela mudez.
Na madrugada da vida,
Uma cabeça perdida Só lhe conquistam amores
E perdida amor. O herói, o bravo, o triunfante;
Era rainha e formosa, E que coroa radiante
Sobre cem povos reinava, Tinha eu para oferecer?
E tinha uma turba escrava Disse uma palavra apenas
Dos mais poderosos reis. Que um mundo inteiro continha:
Eu era apenas um servo, - Sou um escravo, rainha,
Mas amava-a tanto, tanto,
Que nem tinha um desencanto Amo-te e quero morrer.
Nos seus desprezos cruéis. E a nova Ísis que o Egito
Adora curvo e humilhado
Sem falar-lhe nem ouvi-Ia; O pobre servo curvado
Vivia distante dela Olhou lânguida a sorrir;
Só me vingava em segui-la Vi Cleópatra, a rainha,
Tremer pálida em meu seio; Escolhe dos teus castigos
Morte, foi-se-me o receio, O que infundir mais terror,
Aqui estou, podes ferir, Mas por ela, só por ela
Seja o meu padecimento
Vem! que as glórias insensatas E tenha o intenso tormento
Das convulsões mais lascivas, Na intensidade do amor.
As fantasias mais vivas,
De mais febre e mais ardor, Deixa alimentar teus corvos
Toda a ardente ebriedade Em minhas carnes rasgadas,
Dos seus reais pensamento Venham rochas despenhadas
Tudo gozei uns momentos Sobre o meu corpo rolar,
Na minha noite de amor. Mas não me tires dos lábios
Aquele nome adorado,
Pronto estou para a jornada E ao meu olhar encantado
Da estância escura e escondida; Deixa essa imagem ficar.
O sangue, o futuro, a vida
Dou-te a morte, e vou morrer; Posso sofrer os teus golpes
Uma graça única - peço Sem murmurar da sentença;
Como última esperança: A minha ventura é imensa
Não me apagues a lembrança E foi em ti que eu a achei;
Do amor que me fez viver Mas não me apagues na fronte
Os sulcos quentes e vivos
Beleza completa e rara Daqueles beijos lascivos
Deram-lhe os numes amigos: Que já me fizeram rei.
Que deviendra dans 1'éternité 1'âme d'un
homme qui a fait Polichinelle toute sa vie?
MME. DE STÁEL.
MUSA, depõe a lira!
Cantos de amor, cantos de glória esquece!
Novo assunto aparece
Que o gênio move e a indignação inspira.
Esta esfera é mais vasta,
E vence a letra nova a letra antiga!
Musa, torna a vergasta,
E os arlequins fustiga.
Como aos olhos de Roma,
- Cadáver do que foi, pávido império
De Caio e de Tibério, -
O filho de Agripina ousado assoma;
E a lira sobraçando,
Ante o povo idiota e amedrontado,
Pedia, ameaçando,
O aplauso acostumado;
E o povo que beijava
Outrora ao deus Calígula o vestido,
De novo submetido
Ao régio saltimbanco o aplauso dava.
E tu, tu não te abrias,
Ó céu de Roma, à cena degradante!
E tu, tu não caias,
Ó raio chamejante!
Tal na história que passa
Neste de luzes século famoso,
O engenho portentoso
Sabe iludir a néscia populaça;
Não busca o mal tecido
Canto de outrora; a moderna insolência
Não encanta o ouvido,
Fascina a consciência!
Vede; o aspecto vistoso,
O olhar, seguro, altivo e penetrante,
E certo ar arrogante
Que impõe com aparências de assombroso;
Não vacila, não tomba,
Caminha sobre a corda firme e alerta;
Tem consigo a maromba
E a ovação é certa.
Tamanha gentileza,
Tal segurança, ostentação tão grande,
A multidão expande
Com ares de legítima grandeza.
O gosto pervertido
Acha o sublime abatimento,
E dá-lhe agradecido
O louro e o monumento.
Do saber, da virtude,
Logra fazer, em prêmio dos trabalhos,
Um manto de retalhos
Que à consciência universal ilude.
Não cora, não se peja
Do papel, nem da máscara indecente,
E ainda inspira inveja
Esta glória insolente!
Não são contrastes novos;
Já vêm de longe; e de remotos dias
Tornam em cinzas frias
O amor da pátria e as ilusões dos povos.
Torpe ambição sem peias
De mocidade em mocidade corre,
E o culto das idéias
Treme, convulsa e morre.
Que sonho apetecido
Leva o ânimo vil a tais empresas?
O sonho das baixezas:
Um fumo que se esvai e um vão ruído;
Uma sombra ilusória rude;
E a esta infausta glória
Que a turba adora ignorante e rude
Imola-se a virtude.
A tão estranha liça
Chega a hora por fim do encerramento,
E lá soa o momento
Em que reluz a espada da justiça.
Então, musa da História,
Abres o grande livro, e sem detença
À envilecida glória
Fulminas a sentença.
BEIJAM AS ONDAS a deserta praia;
Cai do luar a luz serena e pura;
Cavaleiro na areia reclinado
Sonha em hora de amor e de aventura.
As ondinas, em nívea gaze envoltas,
Deixam do vasto mar seio enorme;
Tímidas vão, acercam-se do moço,
Olham-se e entre si murmuram: "Dorme!"
Uma - mulher enfim - curiosa palpa
De seu penacho a pluma flutuante;
Outra procura decifrar o mote
Que traz escrito o escudo rutilante.
Esta risonha, olhos de vivo fogo,
Tira-lhe a espada límpida e lustrosa,
E apoiando-se nela, a contemplá-la
Perde-se toda em êxtase amorosa.
Fita-lhe aquela namorados olhos,
E após girar-lhe em torno embriagada,
Diz: "Que formoso estás, ó flor da guerra,
Quanto te eu dera por te ser amada!"
Uma, tomando a mão ao cavaleiro,
Um beijo imprime-lhe; outra duvidosa,
Audaz por fim, a boca adormecida
Casa num beijo à boca desejosa.
Faz-se de sonso o jovem; caladinho
Finge do sono o plácido desmaio,
E deixa-se beijar pelas ondinas
Da branca lua ao doce e brando raio.
Fiz PROMESSA, dizendo-te que um dia
Eu iria pedir-te, o meu perdão;
Era dever ir abraçar primeiro
A minha doce e última afeição.
E quando ia apagar tanta saudade
Encontrei já fechada a tua porta;
Soube que uma recente sepultura
Muda fechava a tua fronte morta.
Soube que, após um longo sofrimento,
Agravara-se a tua enfermidade;
Viva esperança que eu nutria ainda
Despedaçou cruel fatalidade.
Vi, apertado de fatais lembranças,
A escada que eu subira tão contente;
E as paredes, herdeiras do passado,
Que vêm falar dos mortos ao vivente.
Subi e abri com lágrimas a porta
Que ambos abrimos a chorar um dia;
E evoquei o fantasma da ventura
Que outrora um céu de rosas nos abria.
Sentei-me à mesa, onde contigo outrora
Em noites belas de verão ceava;
Desses amores plácidos e amenos
Tudo ao meu triste coração falava.
Fui ao teu camarim, e vi-o ainda
Brilhar com o esplendor das mesmas cores;
E pousei meu olhar nas porcelanas
Onde morriam inda algumas flores...
Vi aberto o piano em que tocavas;
Tua morte o deixou mudo e vazio,
Como o deixa o arbusto sem folhagem,
Passando pelo vale, o ardente estio.
Tornei a ver o teu sombrio quarto
Onde estava a saudade de outros dias ...
Um raio iluminava o leito ao fundo
Onde, rosa de amor, já não dormias.
As cortinas abri que te amparavam
Da luz mortiça da manhã, querida,
Para que um raio depusesse um toque
De prazer em tua fronte adormecida.
Era ali que, depois da meia-noite,
Tanto amor nós sonhávamos outrora;
E onde até o raiar da madrugada
Ouvíamos bater hora por hora!
Então olhavas tu a chama ativa
Correr ali no lar, como a serpente;
É que o sono fugia de teus olhos
Onde já te queimava a febre ardente.
Lembras-te agora, nesse mundo novo,
Dos gozos desta vida em que passaste?
Ouves passar, no túmulo em que domes,
A turba dos festins que acompanhaste?
A insônia, como um verme em flor que murcha,
De contínuo essas faces desbotava;
E pronta para amores e banquetes
Conviva e cortesã te preparava.
Hoje, Maria, entre virentes flores,
Dormes em doce e plácido abandono;
A tua alma acordou mais bela e pura,
E Deus pagou-te o retardado sono.
Pobre mulher! em tua última hora
Só um homem tiveste à cabeceira;
E apenas dois amigos dos de outrora
Foram levar-te à cama derradeira.
AS ROSAS
ROSAS que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas, que sois então? - Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.
Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não ... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.
A M. FERREIRA GUIMARÃES
DOUS HORIZONTES fecham nossa vida:
Um horizonte, - a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, - a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, - sempre escuro, -
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.
Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.
Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.
No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, - tais são
Limites no mar vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado.
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.
Que cismas, homem? - Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? - Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dous horizontes fecham nossa vida.
AO PADRE-MESTRE A. J. DA SILVEIRA SARMENTO
MORREU! - Assim baqueia a estátua erguida
No alto do pedestal;
Assim o cedro das florestas virgens
Cai pelo embate do corcel dos ventos
Na hora do temporal... ...
Morreu! - Fechou-se o pórtico sublime
De um paço secular;
Da mocidade a romaria augusta
Amanhã ante as pálidas ruínas
Há de vir meditar!
Tinha na fronte de profeta ungido
A inspiração do céu.
Pela escada do púlpito moderno
Subiu outrora festival mancebo
E Bossuet desceu!
Ah! que perdeste num só homem, claustro!
Era uma augusta voz,
Quando essa boca divinal se abria,
Mais viva a crença dissipava n'alma
Uma dúvida atroz!
Era tempo? - A argila se alquebrava
Num áspero crisol;
Corrido o véu pelos cansados olhos
Nem via o sol que lhe contava os dias,
Ele - fecundo sol!
A doença o prendia ao leito infausto
Da derradeira dor;
A terra reclamava o que era terra,
E o gelo dos invernos coroava
A fronte do orador.
Mas lá dentro o espírito fervente
Era como um fanal;
Não, não dormia nesse régio crânio
A alma gentil do Cícero dos púlpitos,
- Cuidadosa Vestal!
Era tempo! - O romeiro do deserto
Pára um dia também;
E ante a cidade que almejou por anos
Desdobra um riso nos doridos lábios,
Descansa e passa além!
Caíste! - Mas foi só a argila, o vaso,
Que o tempo derrubou;
Não todo à essa foi teu vulto olímpico;
Como deixa o cometa uma áurea cauda,
A lembrança ficou!
O que hoje resta era a terrena púrpura
Daquele gênio-rei;
A alma voou ao seio do infinito,
Voltou à pátria das divinas glórias
O apóstolo da lei.
Pátria, curva o joelho ante esses restos
Do orador imortal!
Por esses lábios não falava um homem,
Era uma geração, Um século inteiro,
Grande, monumental!
Morreu! - Assim baqueia a estátua erguida
No alto do pedestal;
Assim o cedro das florestas virgens
Cai pelo embate do corcel dos ventos
Na hora do temporal!
Com seus olhos vaganaus,
Bons de dar, bons de tolher.
SÁ DE MIRANDA
A MULHER é um cata-vento, Chega o mar e vai a ameia
Vai ao vento, Com a areia,
Vai ao vento que soprar; Com a areia confundir.
Como vai também ao vento
Turbulento, Ouço dizer de umas fadas
Turbulento e incerto o mar. Que abraçadas,
Que abraçadas como irmãs,
Sopra o sul; a ventoinha Caçam almas descuidadas...
Volta asinha, Ah! que fadas!
Volta asinha para o sul; Ah! que fadas tão vilãs!
Vem taful; a cabecinha
Volta asinha, Pois, como essas das baladas;
Volta asinha ao meu taful. Umas fadas,
Umas fadas dentre nós,
Quem lhe puser confiança, Caçam, como nas baladas;
De esperança, E são fadas,
De esperança mal está; E são fadas de alma e voz.
Nem desta sorte a esperança
Confiança, É que - como o cata-vento,
Confiança nos dará. Vão ao vento,
Vão ao vento que lhes der;
Valera o mesmo na areia Cedem três coisas ao vento:
Rija ameia, Cata-vento,
Rija ameia construir; Cata-vento, água e mulher.
ALPUJARRA 1863
(MICKIEWICZ)
JAZ EM RUÍNAS o torrão dos mouros;
Pesados ferros o infiel arrasta;
Inda resiste a intrépida Granada;
Mas em Granada a peste assola os povos.
Cum punhado de heróis sustenta a luta
Fero Almansor nas torres de Alpujarra;
Flutua perto a hispânica bandeira;
Há de o sol d'amanhã guiar o assalto.
Deu sinal, ao romper do dia, o bronze;
Arrasam-se trincheiras e muralhas;
No alto dos minaretes erguem-se as cruzes;
Do Castelhano a cidadela é presa.
Só, e vendo as coortes destroçadas,
O valente Almansor após a luta
Abre caminho entre as inimigas lanças,
Foge e ilude os cristãos que o perseguiam.
Sobre as quentes ruínas do castelo,
Entre corpos e restos da batalha,
Dá um banquete o Castelhano, e as presas
E os despojos pelos seus reparte.
Eis que o guarda da porta fala aos chefes:
"Um cavaleiro diz, de terra estranha
Quer falar-vos; - notícias importantes
Declara que vos traz e urgência pede".
Era Almansor o emir dos Muçulmanos,
Que, fugindo ao refúgio que buscara,
Vem entregar-se às mãos do Castelhano,
A quem só pede conservar a vida.
"Castelhanos", exclama, "o emir vencido
No limiar do vencedor se prostra;
Vem professar a vossa fé e culto
E crer no verbo dos profetas vossos.
"Espalhe a fama pela terra toda
Que um árabe, que um chefe de valentes,
Irmão dos vencedores quis tornar-se,
E vassalo ficar de estranho cetro"'
Cala no ânimo nobre ao Castelhano
Um ato nobre ... O chefe comovido,
Corre abraçá-lo, à sua vez os outros
Fazem o mesmo ao novo companheiro.
As saudações responde o emir valente
Com saudações. Em cordial abraço
Aperta ao seio o comovido chefe,
Toma-lhe as mãos e pende-lhe dos lábios.
Súbito cai, sem forças, nos joelhos;
Arranca do turbante, e com mão trêmula
O enrola aos pés do chefe admirado,
E junto dele arrasta-se por terra.
Os olhos volve em torno e assombra a todos:
Tinha azuladas, lívidas as faces,
Torcidos lábios por feroz sorriso,
Injetados de sangue ávidos olhos.
"Desfigurado e pálido me vedes,
Ó infiéis! Sabeis o que vos trago?
Enganei--vos: eu volto de Granada,
E a peste fulminante aqui vos trouxe
Ria-se ainda - morto já - e ainda
Abertos tinha as pálpebras e os lábios;
Um sorriso infernal de escárnio impresso
Deixara a morte nas feições do morto.
Da medonha cidade os castelhanos
Fogem. A peste os segue. Antes que a custo
Deixado houvessem de Alpujarra a serra
Sucumbiram os últimos soldados.
QUE VALEM glórias vãs? A glória, a melhor glória
É esta que nos orna a poesia da história;
É a glória do céu, e a glória do amor.
É Tasso eternizando a princesa Leonor;
É Lídia ornando a lira ao venusino Horácio;
É a doce Beatriz, flor e honra do Lácio,
Seguindo além da vida as viagens do Dante;
É do cantor do Gama o hino triste e amante
Levando à eternidade o amor de Catarina;
É o amor que une Ovídio à formosa Corina;
O de Cíntia a Propércio, o de Lésbia a Catulo;
O da divina Délia ao divino Tibulo.
Esta a glória que fica, eleva, honra e consola;
Outra não há melhor.
Se faltar esta esmola,
Corina, ao teu poeta, e se a doce ilusão,
Com que se alenta e vive o amante coração,
Deixar-lhe um dia o céu azul, tão tranqüilo,
Nenhuma glória mais há de nunca atraí-lo.
Irá longe do mundo e dos seus vãos prazeres,
Viver na solidão a vida de outros seres,
Vegetar corno o arbusto, e murchar, como a flor,
Como um corpo sem alma ou alma sem amor.
Fonte: www.cce.ufsc.br