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História da Alemanha

O arquiteto alemão Johann Balthasar Neumann desenhou a Residenz, palácio barroco em Wurzburgo (Alemanha), para o príncipe ou o bispo desta cidade. Finalizado em 1746, o palácio apresenta um grande hall ou vestíbulo com escadas na parte central. O teto côncavo da escadaria é decorado com pinturas do artista italiano do século XVIII, Giovanni Battista Tiepolo. O palácio é aberto ao público e a ala sul alberga o Museu Martin von Wagner

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Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados por grupos de caçadores e coletores. Constituíam as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu há 400.000 anos).

Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400 a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas — campos de urnas, Hallstatt e La Tène — que se difundiram pela Europa.

Entre os séculos II a.C. e V d.C. as tribos germânicas e celtas estiveram em contato com os romanos, que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem êxito estender seu domínio até o rio Elba. A fronteira se manteve nos rios Reno e Danúbio, onde erigiram os limes (linha de fortificações). Nos séculos IV e V os hunos originários da Ásia assolaram o território e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e outras tribos germânicas invadiram o Império Romano.

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A cidade velha de Munique possui numerosos edifícios construídos no início do século XVIII por seus governadores bávaros. O ajuntamento (em primeiro plano) domina a famosa praça de Marienplatz. A Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), (ao fundo) catedral em ladrilho do gótico tardio, encontra-se junto ao ajuntamento. O templo foi construído no século XV e sua torre mede 99 metros.

No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou os romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da Gália e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho foi continuado no século VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os saxões. O Império carolíngio não sobreviveu e depois da morte do filho de Carlos Magno foi dividido entre seus três netos (ver Tratado de Verdun de 843), cabendo a Alemanha a Luis, o Germânico.

Depois da morte do último monarca carolíngio, Oto I, o Grande, foi o primeiro rei saxão fortemente decidido a criar uma monarquia centralizada. Outorgou privilégios territoriais à Igreja, defendeu seu reino dos ataques exteriores e invadiu a Itália duas vezes. Foi coroado como imperador em 962, e é considerado o fundador de fato do Sacro Império Romano-Germânico. Os reis saxões se fizeram reconhecer como imperadores durante três gerações, até a morte de Enrique, o Santo. Durante os 100 anos seguintes (1024-1125), os reis da Germânia foram eleitos entre os francos que reinavam no ducado da Franconia. Os reis sálicos levaram o império ao seu ponto culminante.

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A cidade de Nuremberg, no estado da Bavária, está situada às margens do rio Pegnitz. Na Idade Média, Nuremberg foi um centro comercial e cultural. O castelo que aparece aqui foi construído no século XI.

Conrado II, o Sálico, fortaleceu o poder real, apoiando-se nos cavaleiros que ele enobreceu. Foi sucedido pelo seu filho Henrique III, o Negro, que obrigou o duque da Boêmia a reconhecer sua autoridade. Aos seis anos de idade, Henrique IV sucedeu seu pai e durante a regência sua mãe, Inês de Poitiers, se viu obrigada a ceder a maior parte do território real. Henrique IV tentou recuperar a perda do poder imperial o que provocou a rebelião dos saxões. O resultado foi uma guerra civil de quase 20 anos. Henrique marchou sobre Roma, instalou o antipapa Clemente III e foi coroado imperador em 1084. Finalmente, traído e feito prisioneiro por seu filho (Henrique V), viu-se obrigado a abdicar. Henrique V continuou inutilmente as lutas de seu pai por manter a supremacia sobre a Igreja, sustentando seu direito a nomear os bispos que eram simultaneamente senhores feudais. Perdeu o controle da Polônia, Hungria e Boêmia. A Questão das investiduras terminou com o Concordato de Worms (1122), que estipulou que as nomeações episcopais teriam lugar perante a presença imperial e o imperador investiria o candidato com os símbolos de seu cargo temporal, antes que um bispo o fizesse com os símbolos espirituais.

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Frankfurt am Main é uma ativa cidade portuária, situada às margens do rio Main. Esta imagem mostra a arquitetura medieval da parte antiga da cidade.

Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas: os Hohenstaufen da Suábia, denominados gibelinos (ver Guelfos e gibelinos) na Itália, e os Welfs da Baviera e da Saxônia, conhecidos como guelfos na Itália.

Com a morte de Henrique V os príncipes elegeram imperador Lotario II, duque da Saxônia, que tentou converter e dominar o leste. Depois de seu falecimento, os príncipes elegeram Conrado de Hohenstaufen, duque da Suábia e a guerra civil explodiu novamente (guelfos - gibelinos) enquanto Conrado dirigia a desafortunada Segunda Cruzada, que se desenvolveu de forma paralela ao conflito guelfo-gibelino na Itália.

Seu filho Frederico I Barba-Roxa assumiu o título de imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Unificou a Alemanha e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos.

Henrique VI quis ampliar seus domínios. Para assegurar a paz na Alemanha, reprimiu uma rebelião, invadiu as cidades do norte da Itália, conquistou a Sicília e tentou criar um império no Mediterrâneo que se desmembrou rapidamente. Seu filho, Frederico II, herdou a Sicília, mas a Itália setentrional reafirmou sua independência. Para conseguir o apoio para suas campanhas na Itália setentrional, permitiu aos príncipes alemães ser senhores absolutos em seus próprios territórios. Conquistou os principais lugares cristãos da Terra Santa, exceto Jerusalém, e depois das guerras com a Liga Lombarda tomou os Estados Pontifícios.

História da Alemanha

Parte antiga da cidade de Colônia ficou separada da moderna pelo Ringstraáe, construído entre 1881 e 1895. Os bairros modernos de Colônia surgiram como amparo ao desenvolvimento das indústrias comerciais e náuticas. Na imagem, os edifícios mais antigos contrastam com os letreiros em néon.

O filho mais novo de Frederico herdou a Sicília e o título imperial, mas a Itália e a Alemanha nunca mais se uniram. Os papas, aliados aos franceses, expulsaram os Hohenstaufen da Sicília. A Alemanha sofreu a desordem do Gran Interregnum (1254-1273), durante o qual os inumeráveis estados em que estava dividida protagonizaram uma volta ao feudalismo isolacionista.

No final do século XIII, o Império havia perdido a Polônia, a Hungria e o controle efetivo da Borgonha e da Itália. Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autônomos. Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As cidades do Reno e, mais tarde, as cidades alemães do norte formaram associações comerciais; a mais poderosa das quais foi a Liga Hanseática.

No final da Idade Média, as grandes estirpes de duques foram extintas e se criaram novos principados. Três casas reais — Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo — lutaram pelos direitos dinásticos da coroa imperial. Em 1273 se pôs fim ao Gran Interregnum com a eleição de Rodolfo I de Habsburgo, que se dedicou a ampliar as possessões de sua família.

Durante o reinado de Sigismundo de Luxemburgo foi convocado o Concílio de Constança (1414-1418). O movimento hussita convulsionou a Boêmia ao combinar os sentimentos tradicionais tchecos com o desejo de reformar em profundidade a Igreja.

Com seu enteado Alberto V, o Ilustre, a coroa imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu sucessor, Frederico III da Estíria, perdeu a Hungria e a Boêmia, e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra os príncipes alemães e os turcos alcançavam as fronteiras do Império.

Maximiliano I desenvolveu uma política matrimonial em benefício de sua família. Seu casamento com Maria de Borgonha lhe deu direito à herança do duque Carlos, o Temerário, que incluía o território entre a atual Suíça e o mar, com Flandres e Holanda. Mediante o matrimônio de seu filho, Felipe I, o Belo, com a herdeira da Espanha, Joana I, a Louca, Maximiliano assentou as bases para a futura união das coroas de Castela e Aragão com o Império. Como no resto da Europa, o século XV foi uma época de transição da economia feudal da Idade Média para a economia monetária da época moderna, processo que criou tensões entre todas as classes da sociedade, enquanto as cidades se tornavam cada vez mais importantes.

As inquietações espirituais de Martinho Lutero se combinaram com as ambições seculares dos príncipes alemães para produzir a Reforma protestante, que propunha a liberdade religiosa. As lutas religiosas intensificaram os conflitos políticos europeus durante cem anos.

Em 1519, Carlos (I da Espanha e V da Alemanha) sucedeu a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Dedicou sua vida a preservar um império medieval unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os protestantes estavam divididos: além dos luteranos haviam cristãos reformistas inspirados pelo teólogo suíço Ulrich Zwingli e radicais anabatistas.

Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo, mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas (ver João Calvino). Carlos abdicou em 1556. Seu vasto Império se dividiu: as possessões espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto o título imperial e as possessões alemãs foram para seu irmão Fernando I de Habsburgo.

Enquanto os imperadores Fernando I e seu filho Maximiliano II estiveram ocupados com a ameaça da invasão turca, o protestantismo se expandiu na Alemanha, mas seu progresso se deteve pela Contra-reforma. O Concílio de Trento (1545-1563), modificou a doutrina e o culto católicos e impediu a reconciliação com os protestantes.

A tensão entre ambas religiões conduziu à guerra dos Trinta Anos, que finalizou pela paz de Vestfália (1648). Reconhecia-se a soberania e a independência de cada estado do Sacro Império Romano-Germânico e a religião seria determinada por seu príncipe; foi aceita a situação existente em 1624 no aspecto religioso, ao estabelecer que as propriedades dos Habsburgo, o sul e o oeste da Alemanha eram católicos e os protestantes podiam manter as propriedades adquiridas.

Politicamente o Sacro Império Romano-Germânico (ou I Reich) continuou com tal denominação, mas havia perdido todas as pretensões à universalidade e a um governo centralizado. No final do século XVII e início do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade de príncipes menores; os Wettins da Saxônia, os Welfs de Brunswick-Luneburgo se converteram em eleitores de Hannover, os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os Hohenzollern de Brandemburgo eram as famílias hegemônicas no Império e dominavam os outros príncipes.

Apenas haviam se recuperado da guerra dos Trinta Anos quando os príncipes e o imperador se enfrentaram em uma série de novas lutas dinásticas. No oeste, os príncipes se envolveram em quatro guerras para freiar as intenções de Luís XIV de estender o território francês até o Reno.

Os príncipes alemães se encaminharam para o norte e o leste, onde entraram em conflito com a Suécia no mar Báltico, produzindo-se duas guerras, denominadas de Norte. Os alemães também tiveram que enfrentar os turcos otomanos, que se expandiram no sudeste da Europa. Eugênio de Savóia os venceu em Senta (1697) e os Habsburgo anexaram a maior parte da Hungria. A família dos Hohenzollern tinha territórios geograficamente desconectados no oeste. Fora do Império, a área mais importante era a Prússia, que se converteu em um reino independente em 1701.

História da Alemanha

A cidade de Aquisgrã, na Renânia alemã, é um centro industrial e turístico. Provavelmente seja também a cidade natal de Carlos Magno.

Frederico Guilherme I da Prússia era um militar dedicado a unir suas dispersas possessões em um único Estado moderno onde a presença do militar seria constante. Frederico II, o Grande, dedicou a maior parte de sua vida a estender o território da Prússia às custas da Áustria e da Polônia.

O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios dos Habsburgo, promulgou a Sanção pragmática em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria lhe sucederia. Quando morreu em 1740, os eleitores da Baviera e da Saxônia rechaçaram a Sanção Pragmática. Frederico II invadiu a Silésia, precipitando a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-1748). Maria Teresa assinou a paz com ele em 1742, cedendo-lhe a Silésia.

O surgimento da Prússia como uma grande potência levou a uma mudança de alianças e a novas hostilidades. A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia deu lugar a uma série de alianças que conduziriam à guerra dos Sete Anos (1756-1763).

Durante 18 anos os Estados alemães estiveram implicados de forma diferente em cinco guerras contra os exércitos da França revolucionária e napoleônica. No início a Áustria e a Prússia perderam muitos territórios, mas em 1812 Napoleão foi derrotado na campanha da Rússia. Frederico Guilherme III da Prússia, junto com a Áustria e a Rússia, derrotou Napoleão em Leipzig (1813). No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império Romano-Germânico, com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação Germânica, formada por 39 estados representados na Dieta de Frankfurt. Muitos alemães queriam estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição que garantisse a representação popular e outras medidas. Também tinham esperanças na unificação nacional.

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