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O Pequeno Polegar

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ERA UMA VEZ um casal de lenhadores que tinha sete filhos. O caçula era muito fraquinho. Ao nascer era do tamanho de um dedo polegar; deram-lhe então o apelido de Pequeno Polegar.

Alguns anos depois, infelizmente, houve tanta miséria que os pobres pais resolveram se desfazer de seus filhos. Um dia em que. as crianças estavam deitadas o lenhador disse à sua mulher:

– Você está vendo que não podemos mais alimentar os nossos filhos. Estou resolvido a levá-los amanhã ao bosque para que lá eles se percam.

– Como! exclamou a mulher, você, teria coragem de abandonar seus próprios filhos?…

Porém pensando na dor que sentiria ao velos morrer de fome, consentiu no plano e foi deitar-se chorando.

O Pequeno Polegar ouvira o que eles tinham dito e não dormiu mais o resto da noite, imaginando o que poderia fazer. Levantou-se muito cedo e foi ate a beira de um riacho onde encheu os bolsos com seixinhos brancos.

Partiram, e o Pequeno Polegar nada disse do que sabia a seus irmãos. Foram para uma floresta espessa, onde, a 10 passos de distância. ninguém se enxergava.

O lenhador começou a cortar lenha e seus filhos se puseram a apanhar gravetos para fazer feixes. 0 pai e a mãe, vendo-os ocupados a trabalhar, afastaram-se deles pouco a pouco; fugiram depois de repente por um caminhozinho afastado.

Quando os meninos viram que estavam sozinhos, começaram a chorar. 0 Pequeno Polegar os deixava chorar, pois na vinda jogara em todo o caminho os pequenos seixos brancos que trazia nos seus bolsos. Disse-lhes então:

– Não tenham medo, meus irmãos, eu levarei vocês de volta para casa, é vocês me seguirem!

Na hora em que os lenhadores chegaram a casa, o Senhor da aldeia enviou-lhe 10 escudos que lhe devia há muito tempo e que eles não esperavam mais receber. Como eles não comiam há dias, a mulher do lenhador comprou três vezes mais carne do que seria preciso para o jantar dos dois.

Quando já tinham comido bastante, ela disse:

– Ai! Que desgraça! Onde estarão os nossos filhos! Será que os lobos os comeram?

Neste momento as crianças, na porta, começaram gritar: “Nós estamos aqui! Nós estamos aqui!!!

A boa mulher correu depressa para abrir a porta e disse-lhes beijando-os: “Estou tão contente porque vocês voltaram, meus filhos queridos!

Puseram-se à mesa e comeram com um apetite que enchia de satisfação o pai e a mãe. Esta alegria durou enquanto duraram os 10 escudos. Mas, quando o dinheiro acabou, recaí- ram na mesma tristeza e resolveram soltar os filhos outra vez na floresta.

O Pequeno Polegar decidiu fazer o mesmo que fizera na primeira vez e levantou-se muito cedo Para ir juntar seixinhos, mas viu que a porta da casa estava fechada com chave.

Sua Mãe, tendo dado a cada um pedaço de pão para o almoço, ele teve a idéia de fazer com o pão o que fizera com os seixos, jogando bolinhas de miolo por onde passassem.

O pai e a mãe deixaram-nos no lugar mais fechado e escuro da floresta. O Pequeno Polegar não ligou muito porque acreditava que encontraria com facilidade o caminho. Porem teve uma grande surpresa não achando mais uma só migalha. Os pássaros tinham vindo e comido tudo.

A noite caiu e levantou-se um vento terrível que metia medo pavoroso nas crianças. Eles pensavam ouvir de todos os lados os uivos dos lobos vindo para devorá-los.

O Pequeno Polegar trepou no topo de uma árvore de onde avistou uma luzinha. Caminhando’ algum tempo com seus irmãos do lado de onde vira a luz, tornou a vê-la quando saiu do bosque.

Chegaram enfim a casa onde brilhava a vela. Bateram na porta, e uma mulher veio abrir. Vendo-os tão bonitos, ela começou a chorar e lhes disse: “Ah! meus pobres meninos, vocês não sabem onde estão!!! Pois aqui e a casa de um ogro que come criancinhas!”

– Ah! meu Deus! respondeu-lhe o Pequeno Polegar, que tremia dos pés a cabeça, assim como seus irmãos, o que é que nós vamos fazer?…

– A mulher do Ogro, julgando que pudesse escondê-los de seu marido ate o dia seguinte, deixou-os entrar e levou-os para junto da lareira.

Assim que eles estavam começando a se esquentar, ouviram bater três ‘pancadas na porta. Era o Ogro que voltava.

Imediatamente sua mulher escondeu-os debaixo da cama e foi abrir a porta. O Ogro perguntou logo se o jantar estava pronto e se tinham ido buscar vinho, e depois foi para a mesa.

Estou sentindo cheiro de carne fresca, disse o Ogro bruscamente, olhando sua mulher com desconfiança; aqui há qualquer coisa que eu não estou gostando!

Dizendo estas palavras, ele levantou-se da mesa e foi direto para a cama.

– Ah, ah !!! disse, é assim que você quer me enganar, mulher maldita!

Arrastou de baixo da cama, um depois do outro, todos os meninos. Foi então buscar um facão, mas sua mulher disse:

– O que e que você vai fazer a esta hora? Amanhã você tem muito tempo!

Você tem razão, disse o Ogro, dê bastante comida para eles não emagrecerem e bote-os na cama.

A boa mulher ficou radiante e deu-lhe de comer. Enquanto isso o Ogro recomeçou a beber, e, ficando um pouco tonto, foi obrigado a ir deitar-se.

O Ogro tinha sete filhas que eram ainda crianças. Elas tinham ido dormir cedo e estavam todas numa cama grande, cada uma com uma coroa na cabeça.

Havia no mesmo quarto uma outra cama do mesmo tamanho. Foi nela que a mulher do Ogro deitou os sete meninos.

O Pequeno Polegar, com receio de que o Ogro se arrependesse de não tê-los degolado no mesmo dia, levantou-se durante a noite, pegou os chapéus de seus irmãos e o seu, e foi devagarinho colocá-los na cabeça das sete filhas do Ogro, não sem primeiro ter tirado as coroas que ele botou nas cabeças de seus ir-mãos e na sua.

A coisa aconteceu como ele tinha pensado, pois o Ogro, tendo acordado lá pela meia-noite, subiu no escuro ao quarto de suas filhas, e aproximou-se da cama onde estavam os meninos que dormiam, com exceção do Pequeno Polegar. O Ogro apalpou as coroas. “Arre”, disse ele, “quase que eu me enganava; acho que bebi demais ontem à noite!”.

Foi em seguida até a cama de suas filhas, onde, apalpando os chapéus, disse: “Ah, ah!!! aqui estão os marotos!” Dizendo isto. degolou as suas sete filhas.

Muito contente com sua proeza, voltou para a cama.

Assim que o Pequeno Polegar ouviu roncar o Ogro, acordou seus irmãos e ordenou-lhes que o seguissem. Desceram até o jardim, pularam o muro e correram ate o amanhecer, sempre tremendo e sem saber para onde iriam.

O Ogro, quando acordou, disse à sua mulher:

– Vá lá em cima preparar aqueles ma de ontem para serem comidos!

Ela subiu e teve uma surpresa horrível vendo as suas sete filhas degoladas. Caiu logo desmaiada.

O Ogro não ficou menos espantado que sua mulher quando’ viu aquele espetáculo pavoroso.

– Ah! o que foi que eu fiz! exclamou. Eles hão de me pagar, estes miseráveis, e vai ser já! Dê-me logo as minhas botas de sete léguas para que eu possa alcançá-los!

Pôs-se em marcha, e depois de ter corrido em todas as direções chegou enfim ao caminho onde estavam os pobres meninos.

Estes viram o Ogro que ia de montanha em montanha e que atravessava os rios como se fossem riachos.

O Pequeno Polegar, vendo um rochedo que formava uma espécie de gruta perto do lugar onde estavam, ali escondeu seus irmãos, entrando também, mas sem perder o Ogro de vista.

Este, que estava muito cansado do longo caminho que fizera inutilmente, quis descansar e por acaso foi sentar-se no rochedo onde os meninos estavam escondidos. Exausto, pegou no sono, e começou a roncar pavorosamente.

O Pequeno Polegar disse a seus irmãos que fugissem rapidamente e não se preocupassem com ele.

Eles seguiram seu conselho e chegaram por fim a casa de seus pais.

O Pequeno Polegar, tendo-se aproximado do Ogro, tirou-lhe as botas cuidadosamente e calçou-as. As botas eram muito grandes e muito largas, mas, como eram encantadas, ficaram tão certinhas em seus pés, que pareciam ter sido feitas para ele.

Com suas botas de sete léguas foi-se apresentar ao Rei, que desejava ter informações sobre uma batalha que se estava travando a duas léguas dali: logo ele voltou com a noticia da vitória.

Depois de ter trabalhado durante algum tempo como correio do Rei e de ter ganho muito dinheiro, voltou para a sua família.

Vocês bem podem imaginar com que alegria ele foi recebido; graças à sua fortuna, o Pequeno Polegar pôde assegurar a felicidade de seus pais e de seus seis irmãos.

FIM

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