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Preguiça e Diligência

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NUNO espreita a lição do companheiro
Num olhar de preguiça e de cansaço:
Se pudesse copiá-la por inteiro!…

Boceja a miúdo; estende a perna e o braço;
Inclina o corpo a meio; os pés agita,
Volvendo olhares mornos pelo espaço…

Entra na sala, como extensa fita
Dourada, a luz do sol, que acende e cora
De Nuno a face, e a trabalhar o incita.

E a mesma luz, mais fina e doce agora,
Nimba de ouro os cabelos, e acarinha
De Mário a face, onde o sorriso mora.

E, cariciosa e fúlgida, caminha
Abrindo-lhe na fronte estrias de ouro,
Dourando-lhe o perfil de linha em linha.

E vai – anúncio ou voz de bom agouro –
Na sua ardósia, em ondas se alastrando
Como esplendor de rútilo tesouro.

E Nuno eleva os olhos bocejando…
Sonha um país, onde não haja estudo,
Nem mestre, nem trabalho ordem ou mando;

Onde a gente, a folgar, livre de tudo,
– De banquetes e festa os dias cheios,
Se estenda, à noite, em leitos de veludo.

Onde a preguiça, em jogos e torneios
Confira o prêmio de maior valia
Aos que a estudos se mostrem mais alheios.

Então só ele o galardão teria,
Maravilhando, enchendo todo o mundo,
E acumulando glórias dia a dia…

Mas o tímpano soa, e, num segundo,
À voz do mestre, que à lição convida,
Faz-se em torno o silêncio mais profundo.

E a classe inteira pressurosa envida
Num jubiloso afã de esforços ledos,
Mostrar que a luta foi, por fim, vencida.

E, depois – o jardim, jogos, folguedos…
Quem estuda e trabalha, então descansa,
Liberto o coração de inúteis medos.

E a vista elevam, plena de confiança,
Sem temer do castigo atros escolhos,
Em pós do prêmio, as asas da esperança…

Somente o pobre Nuno abaixa os olhos.

 

 

 

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