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Parque Nacional Gran Paradiso

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Se há paraísos terrestres, este é, sem dúvida, um deles. Para além da beleza dos lugares, é impossível não reparar na harmonia entre bichos e homens – um Éden selvagem no norte de Itália.

A caminho do grande paraíso

Para lá chegar, o mais certo é passarmos por estâncias de esqui francesas, até ao industrializado mas pitoresco Vale de Aosta, com a sua sucessão de castelos de contos de fadas que fazem as delícias dos turistas americanos.

Para os dois lados deste vale abrem-se muitos outros, alguns dos quais dão acesso a uma das zonas mais bonitas dos Alpes: o Parque Nacional Gran Paradiso. Como diz o nome, fica aqui o coração selvagem dos Alpes, zona de grande harmonia e beleza naturais, habitat privilegiado de marmotas, raposas, camurças e cabras-montesas, para só mencionar os mais visíveis.

Pequeno Paraíso para os que não gostam de dar aos pés, e que aqui podem ver magníficos cumes nevados e uma fauna relativamente confiante, pastando pelos prados mais próximos da estrada; Grande Paraíso para quem gosta de caminhar, apreciar a paisagem de um ângulo mais vertical, conviver com camurças tímidas em bosques sombrios, partilhar umas migalhas com os pássaros que não largam os cimos mais inóspitos da cordilheira.

Parque Nacional Gran Paradiso
Vista do Parque Nacional Gran Paradiso, Itália

Os vales que se abrem para norte, fazendo fronteira com a Áustria e a Suíça, ficam fora da área protegida, mas partilham a mesma beleza agreste, e guardam miradouros escondidos sobre algumas das mais impressionantes montanhas da Europa.

Valtournenche, por exemplo, leva-nos por uma garganta íngreme até Breuil-Cervinia, no sopé dos 4.478 metros do monte Cervino (Matterhorn). A vilória, em si, é para esquecer: esta é a zona do esqui por excelência, e cada terrinha recôndita “renasceu” com prédios e comércios feiíssimos, em tal número que mais de metade fica fechada o ano inteiro, à espera do Inverno.

Mas basta olharmos para cima, deixarmo-nos tentar pelo trilho que nos aproxima ainda mais do cenário que envolve o vale, do qual faz parte o enorme dente negro do monte Cervino, onde as nuvens teimam em prender-se – uma referência no vocabulário alpino, maciça e impressionante.

Um exemplo diferente é o Val Ferret, acessível a partir de Courmayeur, no outro extremo de Aosta. A dois passos do Monte Branco que, com 4.807 metros, é o segundo maior pico da Europa, é um valezinho mimoso e bucólico.

A estrada rivaliza com o rio em curvas, por prados planos varridos pelo vento, rodeados de paredes de rocha escura de onde descem pequenos glaciares. Nada de dramático à vista, apesar da proximidade dos gigantes alpinos.

Do outro lado de Courmayeur, uma estrada estreita e íngreme leva-nos à Testa D’Arpy, de onde podemos – se o tempo o permitir – avistar os pontos mais altos da cordilheira, e ver o vale transformado num campo de golfe, com algumas casinhas de brincar agrupadas em povoações.

Mas o melhor bocado está mesmo guardado no Parque de Gran Paradiso. Chegando pelo sul, pelo Piemonte, o vale de Ceresole Reale oferece-nos algumas imagens inesquecíveis das montanhas, não apenas a nível da paisagem, mas também exemplares amostras do recuo do habitat humano.

Da aldeia de Noasca, onde fica a casa do Parque, são poucos quilómetros até ao trilho que nos leva pelo valle del’Orco através de aldeias abandonadas desde os anos sessenta, invadidas agora pela floresta e por grupos de camurças e cabras-montesas.

Encontramos fontes, bebedoiros, fornos colectivos, algumas casas e capelas que conservam ingénuos frescos religiosos a decorar as paredes, e até uma escola, na aldeia de Maison, com cadeiras de pau e um quadro negro na parede.

Os socalcos talhados na montanha amaciam-se, transformando-se lentamente num declive contínuo – por todo o lado se nota o avanço da natureza sobre o que já lhe tinha pertencido antes.

Apesar de auto-suficientes, as aldeias não conseguiram resistir à industrialização e à explosão demográfica que se seguiram à 2ª Grande Guerra, e foram-se esvaziando de gente. Sinais dos tempos, cada vez há mais trekkers, alpinistas e miúdos da escola com o professor, que vêm visitar este “museu” ao ar livre.

Penetrando no Gran Paradiso por Aosta, podemos escolher um dos vários vales com estradas sem saída, que nos levam bem dentro do Parque. O vale di Cogne, por exemplo, é um dos mais bonitos e turísticos da zona.

Em Valnontey, a estrada bifurca e temos que escolher entre Lillaz, com a sua variada colecção de quedas de água, e o fim do vale, onde começa um dos trilhos mais frequentados, o do refúgio Sella.

Esta é a melhor zona para apreciar a fauna alpina, sobretudo marmotas e cabras-montesas, que partilham as rochas aquecidas pelo sol sem se incomodarem muito com os caminhantes, que vão subindo o desnível de mil metros, até ao refúgio e ao lago Loson.

Para percorrer, pelo menos com o olhar, o ponto mais alto do Parque – o monte Gran Paradiso, a 4.061 metros de altitude -, aconselha-se o Valsavarenche. Daqui, há pelo menos dois percursos pedestres que permitem olhar de frente esta parte da cordilheira e identificar os cumes.

Uma delas é o que leva à Casa Real de Caça d’Orvieille, uma das casas do rei Victor Emmanuel, responsável pela transformação desta área alpina em zona protegida. Num local adequado, um painel ajuda-nos a identificar os picos mais famosos: Herbetet, Gran Paradiso e Tresenta. No mesmo vale, os saudosos da neve podem enterrar-se até acima do joelho mesmo durante o mês de Junho, caso subam ao refúgio Victor Emmanuel.

O caminho é soberbo, com vistas admiráveis sobre o cume da Tresenta, e a companhia de alguns rebanhos de camurças curiosas, que nos vigiam na beira do trilho. Ou não fosse o paraíso um lugar de extrema beleza, onde todos os animais vivem em harmonia.

O que é o paraíso

Parque Nacional Gran Paradiso
Cascata em Lillaz

O Parco Nazionale Gran Paradiso é uma área natural protegida de alta-montanha, com altitudes que vão dos 800 metros dos vales, aos 4.061 do seu ponto mais alto, que lhe dá o nome.

Deve-se a sua criação à capra ibex, a cabra-montesa que o rei Victor Emmanuel II decidiu proteger, criando a Reserva Nacional de Caça, quando o seu número já estava reduzido a uma centena. Depois de um novo revés no fim da IIª Guerra Mundial, a quantidade de indivíduos alcança agora os 25.000 exemplares, e a sua silhueta é o símbolo do Parque.

A fauna local tem sido a maior atracção para os milhares de turistas que aqui vêm todos os anos. Para além dos mais dificilmente visíveis, como as raposas, os gatos selvagens e os linces, é fácil encontrar mamíferos de porte, como a camurça e a cabra-montesa.

Também a marmota aparece nas zonas rochosas, bem visível – e, sobretudo, muito audível – a partir da Primavera, depois da hibernação. Quem gosta de as ver são as águias reais que por aqui nidificam, e o quebra-ossos, que já foi considerado extinto, e ajuda agora a limpar os restos destes festins alimentares.

Digno de nota é o prolongamento do Parque além-fronteiras: do lado francês continuamos dentro de área protegida, mudando apenas o nome para Parque Nacional de la Vanoise.

O seu relevo está profundamente modelado por glaciares e rios, e a flora dos vales compõe-se, sobretudo, de várias espécies de pinheiros, com destaque para o abeto e o lariço-europeu, a única conífera cujas folhas amarelecem e caem, no Outono.

Nas zonas mais altas surgem pradarias alpinas e, finalmente, os cumes nus, rochosos e imponentes, que compõem um cenário de cortar o fôlego.

Parque Nacional Gran Paradiso
Gran Paradiso, Itália

Pé ante pé

Há percursos que vale a pena fazer de automóvel, parando para apreciar a paisagem, respirar, ouvir o silêncio da natureza – se não for Agosto, mês em que metade da Itália e parte da França se mudam para aqui.

De entre estes, recomendaríamos o Valtournenche, para não perder um dos mais indispensáveis picos alpinos, o monte Cervino. Mas também o Val di Rhêmes e o Valgrisenche, dentro do perímetro do Parque.

O primeiro, tem um cenário de excepcional beleza nos seus prados, encimados por dois pitões rochosos; no segundo, a estrada contorna um belo lago artificial rodeado de floresta.

Mas vir até aqui sem percorrer alguns trilhos, mergulhar bem fundo nos Alpes selvagens, é ficar a meio do caminho para o paraíso.

Embora alguns dos percursos sejam exigentes e alcancem os 2.600 metros de altitude, outros podem fazer-se até com crianças – até porque é sempre possível caminhar até ficar cansado, apreciar o panorama e descer rapidamente.

Um dos mais fáceis é o que percorre as cascatas de Lillaz, alternando com bosques e prados floridos. Mas há muitos mais, todos bem assinalados pelas placas amarelas do Parque, que dão indicações sobre o tempo necessário.

Para os grandes trekkers, há mesmo a Alte Vie I e II, que percorrem todo o Parque, descendo aos vales para facilitar as noites em albergues, antes de subir de novo até perto dos cumes.

Com as vantagens de não exigirem mais de um dia, além de passarem por zonas de extrema beleza, onde a fauna é facilmente visível, aqui estão os trilhos que recomendamos:

Valle dell’Orco – Vallone del Roc

Na província do Piemonte. Entre Noasca e Ceresole Reale, corta-se à direita para Balmarossa. Há uma pequena área de estacionamento, e o trilho, muito fácil e com cerca de 4,5 quilómetros, começa logo ali. Este caminho liga as aldeias abandonadas de Fragno, Varda, Maison, Potes e Fregai.

Para além das típicas construções de pedra, miméticas e equilibradas, são espectaculares os frescos naifs que restam, sobretudo em Maison e Potes. Não perder a capelinha e a escola de Maison, assim como a capela com vista para a queda-de-água, em Potes. Descer até Pianchetti, e regressar ao parque de estacionamento.

Valnontey – Refúgio Sella – Acesso pelo vale de Aosta

A placa indicativa aparece junto à ponte de Valnontey. O desnível é de cerca de mil metros, e começa entre bosques para continuar sobre cascalho, pedra e neve – pelo menos até ao pino do Verão.

O refúgio fica num espectacular planalto abrigado, e vale a pena continuar até ao lago Lozon, rodeado por montanhas alaranjadas, de paredes a pique, onde nem a neve se segura. O regresso faz-se pelo mesmo caminho.

Valsavarenche – Refúgio Victor Emmanuel

O percurso sai de Pont, e atravessa o rio Savara, trepando continuamente até sair do bosque. Depois, com o vale transformado numa tira estreita, entra-se na linha da neve até ao refúgio, uma aberração de chapa junto à impressionante parede norte do Ciarforon, perto de um glaciar. O mesmo caminho serve para regressar.

Parque Nacional Gran Paradiso
Cabras-montesas

Parque Nacional Gran Paradiso
Trekkers em Gran Paradiso, Itália

Fonte: www.almadeviajante.com

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