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Bode Preto

No sertão existe um inseto que habita o subsolo, e fura o terreno para abrigar-se. A terra extraída do lugar em que escava, lembra a forma do fundo de uma garrafa. Diz o caipira ser a pegada do duende.
Entes há, acreditam, que patuam nas sextas-feiras santas, nalguma encruzilhada onde os caminhos se bifurcam, à meia-noite, com o gênio do mal, metamorfoseando-se em um grande Bode Preto, conquistando a felicidade em troca da alma e selando com algumas gotas de sangue, contratos macabros minutados pelo próprio demônio.

Para isso, porém, é preciso que o aspirante à felicidade seja dotado de grande fortaleza d'alma para que o Sujo não lhe pregue alguma peça, como sucedeu a um que combinara firmar contrato com o Espírito das Trevas e lhe entregava a alma com a condição deste de fazê-lo invencível no jogo do facão.

Combinaram que o Diabo o ensinaria e o familiarizaria com todos os truques do jogo. O aspirante, por maior que fosse o aperto, não poderia chamar pelo nome de santo algum.

Em meio da lição, porém, tal foi a conjuntura, ameaçado pelos coriscos do Diabo, que olvidando a combinação, a um bote que lhe deu o macabro professor, num salto à retaguarda, irrefletidamente, exclamou:
-São Bento!!!
-Serás molambento, urrou o Diabo, sovertendo-se pelo chão a dentro.

Desde então o triste viveu andrajoso: não havia roupa que o agüentasse, por mais forte e bem tecido que fosse o pano e, apoupado, viria a arrastar seus molambos com a alma entregue ao Diabo, sem a compensação que ambicionava.

Fonte: ifolclore.vilabol.uol.com.br

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