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Cometa Halley

Cometa Halley
Cometa Halley passa pela Terra a cada 76 anos

Halley, o mais famoso dos cometas

Isaac Newton publicou seu grande livro Princípios Matemáticos da Filosofia Natural (os Principia) em 1686. Como era costume na época, a obra foi escrita em latim. Nela, ele explicou completamente como os planetas giram em órbitas elípticas, quase circulares, em torno do Sol, sob a influência da força da gravitação, cuja lei ele estabeleceu com detalhes.

Restava explicar o movimento dos cometas, objetos estranhos que apareciam imprevisivelmente, com longas caudas luminosas, e depois de algum tempo desapareciam novamente.

Newton, nos Principia, sugeriu que os cometas também tinham órbitas elípticas em torno do Sol, com uma diferença: a elipse era tão alongada que eles só seriam visíveis nas ocasiões em que se aproximavam do Sol e da Terra. Sendo isso verdade, os cometas teriam passagens periódicas e com datas previsíveis, em princípio.

Edmund Halley era grande amigo de Newton. Halley resolveu tentar comprovar a hipótese do amigo. Em 1695, juntou todas as informações disponíveis sobre as aparições anteriores de cometas. Ele próprio tinha visto um, muito brilhante, em 1682 e anotara sua trajetória.

Comparando seus dados, Halley notou que o cometa de 1682 tinha características e trajetória semelhantes a outros, vistos em 1607 e 1531. Concluiu que deviam ser o mesmo cometa, que se aproximava da Terra a cada 76 anos. Se isso fosse correto, o cometa deveria aparecer novamente em 1758 ou 1759. O cometa retornou realmente como o previsto (1758) e foi, posteriormente, nomeado em sua honra.

Depois disso, o cometa Halley voltou pontualmente em 1835, 1910 e, mais recentemente, cruzou a órbita terrestre em 27 de novembro de 1985.

Curiosidades sobre o Cometa Halley

Em 1705 Edmund Halley previu, usando as mais novas leis de Newton formuladas à respeito do movimento, que o cometa visto em 1531, 1607 e 1682, retornaria em 1758 (o que foi, infelizmente, após seu falecimento).

O período médio da órbita do Halley é de 76 anos mas não se pode calcular as datas de seus reaparecimentos simplesmente adicionando 76 anos a partir de 1986. A força gravitacional de atração dos planetas maiores altera o período orbital de revolução para revolução. Efeitos não-gravitacionais (tais como a reação dos gases quentes durante a sua passagem perto do sol) também se fazem importantes para alterar a órbita.

A órbita do Halley é retrógrada e inclinada 18 graus à eclíptica. E, como todo cometa, muito excêntrica.

Somente três cometas foram visitados pelas espaçonaves. A ICE da NASA passou pela cauda do cometa Giacobini-Zinner em 1985; O cometa Grigg Skjellerup foi visitado por Giotto em 1989. Em 1986, cinco espaçonaves da URSS, Japão, e da Comunidade Européia visitaram o Cometa Halley; Giotto da ESA obteve fotos bem de perto do núcleo do Halley.

O núcleo do Cometa Halley é de aproximadamente 16x8x8 quilômetros.

Ao contrário do que se esperava, o núcleo do Halley é muito escuro: seu albedo - razão entre a quantidade de luz refletida por um objeto e a quantidade de luz incidente; uma medida da refletividade ou da luminosidade intrínseca de um objeto (uma superfície branca ou perfeitamente refletora teria um albedo de 1,0; uma superfície preta perfeitamente absorvente teria uma albedo de 0,0) - é em torno de apenas 0.03 fazendo-o ser mais escuro que o carvão e um dos objetos mais escuros do sistema solar.

A densidade do núcleo do Halley é muito baixa: aproximadamente 0.1gm/cm3 indicando que ele é provavelmente poroso, talvez por que há muita sujeira remanescente depois dos gelos se evaporarem.

O Halley é quase único dentre os cometas, por ser grande, ativo e ser bem definido, com uma órbita regular. Isto o fez um alvo relativamente fácil para Giotto e outros, mas pode não ser uma representação dos cometas em geral.

O Cometa Halley retornará no ano de 2061.

Fonte: www.unificado.com.br

Cometa Halley

Cometa Halley

Entre agosto de 1985 e agosto de 1986, uma legião de astrônomos profissionais e amadores acompanhou a passagem do cometa Halley – um dos mais esplêndidos espetáculos celestes – e tentou desvendar os seus segredos. Em março de 1986, nada menos que cinco sondas espaciais, lançadas entre dezembro de 1984 e agosto de 1985, fotografaram o cometa de perto. Milhares de pessoas viajaram para a cidadezinha de Alice Springs, no centro da Austrália, considerada ponto ideal de observação.

E, mais excitados que todos os outros, os astrólogos previram acontecimentos importantes (geralmente catástrofes) associados à aparição do cometa, que poucas pessoas então vivas tinham presenciado em sua passagem anterior, em 1910. No Brasil, numerosos observatórios e dezenas de clubes de astronomia engajaram-se no projeto, em contato com a Coordenação Internacional de Observação do Cometa Halley, numa mobilização inédita de curiosidade, recursos e talentos em torno de um projeto internacional de observação astronômica. Por trás de todo esse interesse, que muitas vezes toca as raias do fascínio, se misturam coisas da magia e razões da ciência.

Coisas da magia

O fascínio que os cometas exercem decorre certamente de sua forma inusitada, de suas aparições rápidas e de suas prolongadas ausências. Um astro que arrasta atrás de si uma cauda luminosa, surge voando em direção ao Sol e desaparece do céu para tornar a aparecer anos mais tarde só poderia fascinar a mente humana. Não é de admirar ter sido a cauda a primeira parte do cometa a merecer atenção. O próprio nome cometa, que deriva do grego, quer dizer "estrela de cabelo", uma evidente associação com a cauda; e as palavras chinesa e japonesa para cometa significam "estrela de vassoura" – de novo a alusão à cauda.

(Talvez seja essa origem, aliás, a responsável pela confusão que a certa altura se fez entre cauda e
cabeleira, o invólucro do núcleo do cometa.)

Assim também as ausências, mesmo curtas, causaram perplexidade entre os antigos observadores, gerando não só polêmicas mas explicações que hoje fazem rir. Em 1680, por exemplo, Isaac Newton avistou o cometa que tomou seu nome. O Newton sumiu em novembro para reaparecer em meados de dezembro.

E foi uma luta para o astrônomo inglês convencer os seus contemporâneos de que o cometa simplesmente dera a volta por trás do Sol. Para eles, um primeiro cometa se chocara contra o astro e posteriormente um outro surgira do lado oposto.

Nem o século XX escapou a explicações estapafúrdias. Antes e durante a visita do cometa Halley, em 1910, multiplicaram-se reações que variaram do pitoresco ao dramático. Toda uma aldeia húngara, convencida de que o cometa se chocaria com a Terra, fazendo-a em pedaços, acendeu uma grande fogueira na praça e se atirou a uma orgia místico-gastronômica.

Ao som das orações e imprecações, todo o estoque de comida e de bebida foi sendo consumido até que a ressaca e o pasmo se instalaram. Além da colisão, anunciada por astrólogos, temia-se o envenenamento por gases da cauda do cometa (a qual, conforme as previsões, a Terra cruzaria a 21 de maio).

Muita gente vedou portas e janelas e se trancou a sete chaves, e não faltou quem amealhasse gordas somas vendendo máscaras contra gases. Segundo um boato jamais confirmado ou desmentido, no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, uma virgem quase foi sacrificada por religiosos fanáticos ansiosos para aplacar o cometa; teria sido salva por policiais, no bom estilo dos romances de aventuras. Em vários lugares houve casos de suicídio.

Claro, não ocorreu colisão nem envenenamento. (a possibilidade de colisão existe, mas, segundo os astrônomos, é de apenas uma em um milhão.) E cruzar os gases na cauda de um cometa não é mais perigoso do que se expor à poluição de uma área industrial durante algumas horas.

Mas o Halley, portador de uma antiga fama como assassino de monarcas, em 1910 a confirmou: faleceu Eduardo VII da Grã- Bretanha e Irlanda. Para muita gente, foi o cometa que matou o rei, embora ele já estivesse doente e até pensando em abdicar.

Por um lado, como se vê, os homens buscam os cometas como um deslumbrante espetáculo celeste.

Por outro, atribuem-lhes mortes e todo tipo de desastres. Até o dilúvio universal já foi atribuído a um deles.

No ano 11 a.C., a aparição de um outro teria anunciado a morte de Marco Agripa, poderoso general e estadista romano.

No ano 48 a.C., quando César e Pompeu entraram em guerra, Plínio o Velho, famoso naturalista romano, pontificou: o conflito seria "um exemplo dos terríveis efeitos que se seguem à aparição de um cometa".

No ano 60 de nossa era, Nero, verificando que os deuses se punham a enviar cometas contra Roma, e temendo que os patrícios romanos o sacrificassem a fim de apaziguá-los, houve por bem tomar a iniciativa; ato contínuo, vários patrícios foram passados pelo fio da espada. Atribuíram-se igualmente a cometas a destruição de Jerusalém, no ano 66; a morte do imperador romano Macrino, em 218; a derrota de Átila, rei dos hunos, em 451; e a morte de Haroldo II, rei dos anglo-saxões. Haroldo II morreu em 1066, ano de visita do cometa Halley, em luta contra Guilherme I o Conquistador, duque da Normandia e depois rei da Inglaterra.

Tanto a aparição do Halley quanto a conquista normanda da Inglaterra estão retratados no célebre bordado conhecido como tapeçaria de Bayeux (por ter sido trabalhado nesse famoso centro tapeceiro) e também como tapete da rainha Matilde (por ser atribuído a Matilde, esposa de Guilherme).

Responsabilizados por tantas desgraças, os cometas sofreram revides. Afonso VI de Portugal entrincheirou-se numa ameia de seu palácio e recebeu o Halley a tiros de pistola.

Mas se a associação entre os cometas e a desgraça é predominante, pelo menos não é única. Giotto de Bondone, considerado o maior pintor do século XIV, viu o Halley em 1301 e, dois anos depois, o incluiu no afresco "Adoração dos magos", do ciclo de Pádua, em que retratou a história sacra. Vem daí a confusão entre o Halley e a estrela de Belém. Na verdade, não consta que esse cometa tenha aparecido no ano do nascimento de Jesus Cristo.

As razões da ciência

Segundo uma das teorias que buscam explicar a origem dos cometas, eles teriam se formado ao mesmo tempo que o resto do sistema solar. Ora, os cometas, até onde se sabe, apresentam uma composição notavelmente estável, ao contrário de outros astros, submetidos a profundas alterações após formados.

Isso se deve, aparentemente, a dois fatores. Primeiro, sua pequena massa, graças à qual ficam pouco expostos à ação desintegradora da gravidade dos grandes astros. E segundo, a grossa camada de gelo que lhe recobre o núcleo. Assim, muitos astrônomos vêem os cometas como verdadeiros depósitos de matéria- prima do sistema solar; no dia em que se conhecer a composição exata do seu núcleo, estaremos muito mais perto de saber de que matéria foram originalmente feitos o Sol e seus planetas, inclusive a Terra.

Os cientistas também têm interesse nos próprios cometas – sua composição, suas órbitas, seu destino.

Mas, antes de mais nada, o que são os cometas? Os babilônios os chamavam de salamu (meteoros).

Segundo Aristóteles, eram o resultado da incandescência de emanações gasosas da Terra; para Heráclides de Ponto, não passavam de nuvens luminosas; Anaxágoras e Demócrito os interpretavam como efeitos de choque de corpos celestes; e Diógenes acreditava tratar-se de estrelas. Mas todas essas suposições antecederam a invenção da luneta. Hoje, entende-se por cometa um astro de massa ínfima em relação às próprias proporções, dividido em cabeça e cauda (a cabeça, por sua vez, compõe-se de núcleo e cabeleira) e que gira em torno do Sol numa órbita elíptica. Já é um bom começo, mas tanto a origem quanto a composição dos cometas ainda se encontram no terreno das hipóteses. As idéias puramente fantasiosas foram ficando para trás, porém importantes hipóteses científicas ainda esperam confirmação.

Fonte: www.topgyn.com.br

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