Nós, moradores das metrópoles, ao observar o céu estrelado temos a impressão de um caos de pontos luminosos sem ordem alguma. Observadores mais atentos que vivem em mais contato com a natureza percebem certas regularidades e padrões. Olhando noite após noite constatamos que as estrelas não mudam de posição umas em relação as outras. Por isso falamos num movimento diurno que envolve toda a Esfera Celeste, é deste fato que surge a necessidade de se criar constelações. Chamamos constelação um grupamento de estrelas que aos nossos olhos sugere certos alinhamentos e desenhos arbitrários. Há mais de 3000 anos que os homens têm utilizado de figuras imaginárias para lembrar-se das posições aparentes das estrelas.
O conceito de constelação foi sendo alterado com o passar dos tempos. Houve época em que os desenhos em cartas celestes eram mais marcantes do que as estrelas que os sugeriam. Assim podemos falar de uma representação pictórica da constelação. Depois passou-se a usar alinhamentos mais ou menos arbitrários unindo estrelas brilhantes. Era uma representação esquemática. Hoje usa-se regiões da esfera celeste delimitadas por trechos de "paralelos" e "meridianos" celestes (equivalentes aos usados nos mapas geográficos, utilizando coordenadas celestes ao invés de latitude e longitude). Todo o céu foi dividido pela IAU (International Astronomical Union) em 88 regiões. Trata-se de uma representação por área do céu. Logo qualquer astro do qual se saiba as coordenadas pode ser classificado numa constelação específica. Como numa concha de retalhos cada região se encaixa na seguinte sem deixar nenhuma estrela de fora. Nesta divisão procurou-se manter, sempre que possível, uma relação com as constelações já consagradas pelos séculos de observação do céu.

Constelação de Órion: Mapa Celeste de Hevelius (Gdansk,1690), Cortesia de Marcomedes Rangel.
Outro recurso que nos auxilia na memorização das posições das estrelas são os alinhamentos asterismos:
Alinhamento é uma certa forma de relacionar estrelas brilhantes através de retas imaginárias que as unem. Costuma-se fazer isto com estrelas afastadas e especialmente brilhantes (geralmente entre constelações distintas). Exemplo de alinhamento é o Grande Triângulo do Norte que contém em seus vértices três estrelas brilhantes visíveis no horizonte nordeste no início da noite em agosto. As estrelas que compõem o Grande Triângulo são: Vega (Alfa da Lira), Altair (Alfa da águia) e Deneb (Alfa do Cisne).
Asterismo é qualquer grupo peculiar de estrelas que não seja uma das 88 constelações determinadas pela União Astronômica Internacional. Os asterismos mais notáveis são os dois Aglomerados Estelares abertos que estão próximos de nós e que brilham na constelação de Touro. São eles as Plêiades e as Híades. Outros tipos de asterismos constituem-se de desenhos diferentes dos geralmente aceitos como clássicos. É comum por exemplo, chamar de Chaleira o grupo de sete estrelas mais brilhantes da constelação do Sagitário. Outro asterismos famoso é a Falsa Cruz (ou Falso Cruzeiro) na constelação da Carina.
Geralmente o iniciante encontra alguma dificuldade em reconhecer de imediato as constelações. Isto não deve desanima-lo. Alguns momentos de contemplação tranqüila do céu noturno possibilitam que se adquira o hábito de observar. A prática leva a conhecer as diversas constelações. Não há forma melhor de treinar nossos olhos a reconhecer os astros do que o próprio ato de observar. A grande ferramenta para localizar as estrelas são os mapas estelares. Vários tipos podem ser utilizados mas aconselha-se aos iniciantes os planisférios rotativos pela sua facilidade de manuseio. Com uma carta celeste do tipo planisfério obtemos uma imagem das estrelas visíveis no momento da observação. Para isto bastar coincidir nos círculos graduados o dia e hora da observação e você terá uma visão da esfera celeste projetada no plano do mapa.
Entretanto algumas pessoas sentem dificuldade de localizar no céu os astros desenhados no plano do mapa.
A primeira e mais importante dificuldade é a Orientação. Todos os mapas trazem indicadas as direções dos pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). Para localizar as estrelas representadas num mapa é preciso saber onde estão os pontos cardeais no horizonte e orientar a carta celeste de acordo com eles.
Se você colocar o seu braço esquerdo na direção do nascente (leste) você fica de frente para o sul (parte mais importante do céu em nossa latitude). Assim o norte estará suas costas e na sua direita estará o lugar no qual o Sol se põe e o lado para onde gira a esfera celeste. Imagine que a sua frente está um ponto marcando o pólo Sul Celeste e que este se mantém imóvel enquanto toda a esfera celeste gira ao redor dele num movimento lento e uniforme de leste para oeste.
De posse destes referências você pode localizar as estrelas umas em relação às outras. Lembre-se quando referir-se ao Sul ou Norte que no céu isto é feito em relação aos pólos celestes e não aos pontos cardeais. Por exemplo coloque seu planisfério no dia 15 de março à meia-noite. Bem no meridiano vemos a constelação do Cruzeiro do Sul e a leste brilham duas estrelas da constelação de Centauro, são elas Beta Centauro (também chamada Hadar) e Alfa Centauro (Rigil Kentaurus). Logo, quando quiser referir-se a uma estrela, não diga: "aquela abaixo daquela outra". Com os movimentos celestes aquela "abaixo" pode estar acima em outra noite ou em outro momento. É saudável adquirir o hábito de utilizar os pólos celestes (sul e norte) e o sentido de rotação da esfera celeste (leste e oeste) como referência. Por exemplo, dizer que Alfa e Beta do Centauro estão a leste do Cruzeiro significa dizer que estas estrelas estão do lado oposto ao da rotação aparente que o céu faz ao redor do pólo sul celeste durante o passar das horas. Da mesma forma podemos dizer que a constelação da Mosca está ao sul do Cruzeiro pois ela está mais próxima do pólo celeste sul do que esta última. Isto cria um paralelo entre o céu estrelado e sua carta celeste.
Outra questão importante é a Escala. Todo o mapa é uma redução de algo maior daí surge necessidade de escalas de redução. Usamos medidas angulares para determinar as posições (ou melhor as direções) dos astros. Uma escala relaciona um certo comprimento linear (no papel) com uma separação angular (no céu). Isto pode gerar alguma confusão pois no planisfério duas estrelas podem parecer muito próximas e no céu separarem-se muito, dificultando a comparação.
A seguir uma tabela com algumas formas de estimar medidas angulares utilizando como padrão o seu próprio corpo e astros bem conhecidos: