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Arte Gótica

Escultura

A escultura no período do Gótico Final consistia nas peças que integravam as construções da época, ou seja, tinham o papel de dar as catedrais os traços teológicos que o tema exigia. A figura de Cristo predominava, dando ênfase à importância de Jesus na Terra, e também demonstrava as tendências humanistas que se desenvolveriam a seguir nas esculturas e na arte em geral.

Foi também nessa época que as obras ressaltaram o papel da Virgem Maria, como sendo a intermediária entre Deus e os homens, o que pode ser constatado no tema da catedral de Notre Dame, em Paris.

Foi nesse período em que as esculturas começaram a ter maior imponência, se destacando em relação ao resto do ambiente até tornarem-se completamente independentes da arquitetura das construções em que eram inseridas, além de caminharem para o estilo realista, através das esculturas que serviam de retratos e que compunham sepulcros.

Estilos Internacionais

No final do século XIV, a fusão da arte italiana e norte-européia já resultara no desenvolvimento de uma arte gótica internacional. Destacados artistas viajaram por toda Europa. Em conseqüência, idéias foram disseminadas e combinadas, até que obras nesse estilo acabaram por surgir principalmente na França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

O gótico internacional guardava um sabor especialmente cortês e aristocrático, impregnado de uma preocupação flamenga pelo detalhe naturalista; e, ao contrário das diversas vertentes da primeira arte gótica, tinha caráter distinto e uniforme.

No século XV, o gótico internacional desenvolveu-se em duas vertentes, e ambas podem ser consideradas revoluções.

Uma estava no sul da Europa, em Florença, e originou a Renascença italiana. A outra estava no norte, nos Países Baixos (Bélgica e Holanda), onde a pintura passou por uma transformação autônoma, mas igualmente radical, que daria início à Renascença setentrional.

Abaixo, seguem as principais vertentes da arte gótica internacional, acompanhadas de suas principais características:

Gótico Francês

A França foi o berço do Gótico, favorecida por sua intensa atividade intelectual baseada no período anterior, o Românico.

Os suportes intelectuais do gótico proporcionaram o desenvolvimento de um novo valor aos sentidos do ser humano e a Natureza. Graças a esse fato, ocorreu a suavização da rigidez românica, proporcionando a criação de um estilo mais natural, mais humano, no qual os santos sorriam.

Assim como no Românico, a pintura ganhou destaque no gótico francês, caracterizada pela elegância e pelo dinamismo. No início, eram utilizadas cores planas, mas progressivamente as pinturas adquiriram gradações que o aproximaram do Gótico Italiano.

A arquitetura e a escultura gótica francesa apresentam uma característica marcante: o uso de fundos dourados, para aumentar o valor material e simbólico das obras, isso ocorria principalmente nas igrejas, visando a valorização das imagens santas - um fundo de ouro introduz uma luz mágica e não natural, bem como configura um espaço inexistente.

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Catedral de Canterbury

Gótico Alemão

O gótico alemão se põe em paralelo com outros estilos continentais, como o do gótico francês, e alguns rasgos do gótico inglês, especialmente nos vitrais, como nas da catedral de Estrasburgo. Uma das obras mais conhecidas do gótico alemão é a Códice Manesse, realizado para 1300 por Rudiger Manesse, dedicado ao rei de Boêmia.

Uma das principais características do gótico alemão é o fato de demonstrar uma complexa simbologia religiosa ao mesmo tempo que exaltam o rei.

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Catedral de Estraburgo

Gótico Espanhol

A influência dos estilos internacionais determinou a origem do Gótico espanhol.O estilo francês foi o mais influente no estilo espanhol, devido ao fato de Espanha e França passarem unidas culturalmente ao longo da Idade Média, graças às rotas de peregrinagem do Caminho de Santiago.

A influência francesa teve seu ponto álgido no século XIII. As pinturas deste século são praticamente em sua maioria quadros ou vitrais, onde destaca-se o vitral que enfeita a catedral de Leon.

As principais características da pintura espanhola são: contorno muito marcado, obras coloridas e cenas complexas. Os séculos XIV e o XV foram testemunhas da implantação de duas escolas de poderosa influência nos artistas hispanos, a centro-europea, que teve como conseqüência a pintura hispano-flamenca, e a pintura do Gótico italiano, que teve como conseqüência o gótico italianizante.

Gótico Italiano

O Gótico Italiano esteve presente nos séculos XIII e XIV.

Originou-se ao norte da península italiana: Florença, Assis, Parma, Pescia e foram as principais cidade de onde surgiu o novo estilo ,afastado do Gótico europeu. Este novo estilo baseia-se na recreação sobre artifícios de captação espacial e ordenamento geométrico, resgatados da Antigüidade clássica, que nunca foi abandonada nas cidades citadas.

A temática segue sendo religiosa em sua maioria, mas é nestes momentos que aparece uma tendência nova, que busca inspiração na vida cotidiana dos cidadãos das repúblicas mercantis italianas.

As províncias italianas mais orientais receberam a influência da arte bizantina, as obras produzidas nessas regiões são caracterizadas como feitas a "maneira greca ",tal fato é facilmente notado em Roma, Veneza e Sicilia. Aparte desta escola de influência oriental, outros focos importantes foram Siena e Florença, escolas de enorme valor. Alguns desenvolvimentos técnicos, como a introdução do óleo, ainda imperfeito, a plasmação da perspectiva em caixa, que anuncia a perspectiva geométrica, o prolongamento visual em pontos de fuga, são os precedentes imediatos da perfeição científica do período imediatamente conseqüente na Itália.

O principal artista do estilo gótico foi italiano Giotto. Giotto revolucionou a pintura ao criar a noção de tridimensionalidade. Abandonou a rigidez bizantina e dotou suas figuras de volume e sentimento, expressando assim, por meio da arte, o humanismo que são Francisco de Assis imprimiu à religião no início do século XIII.

Giotto di Bondone nasceu na localidade de Vespignano, perto de Florença, em 1266, 1267 ou 1276, e foi discípulo de Giovanni Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século XIII.

Entre 1306 e 1309, em Pádua , Giotto foi chamado para executar o que muitos consideram sua maior obra, a decoração da capela da Arena, de propriedade de Enrico Scrovegni. Atrás do altar, Giotto pintou o "Juízo final" e nas paredes laterais, afrescos com cenas dos Evangelhos e da vida da Virgem e a série "Vícios e virtudes".

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Madona - Capela de Pádua /Itália – Giotto

Gótico Inglês

Já desde o século XI, concretamente no ano 1066, os normandos tinham-se estabelecido como dinastia dominante no trono inglês. Isto trouxe consigo a implantação dos modelos estéticos de sua terra natal, o norte francês, pelo qual o resultado final do gótico britânico tem muito que ver com o desenvolvimento do gótico em França.

Ao mesmo tempo, temos de somar a grande tradição pictórica de qualidade que se tinha desenvolvido nas ilhas durante o período anglo-saxão e celta, já que o românico inglês era muito escasso. A dinastia normanda financiou a implantação das Universidades, como centros educacionais afastados da órbita católica, mais afim às ordens do Vaticano, para poder criar um conhecimento unido à monarquia.

A mais importante neste momento foi Oxford. O grande centro artístico, no entanto, foi à corte de Londres. A pintura inglesa do gótico é quase em sua totalidade composta por quadros.

O estilo gótico inglês tem como característica o fato de apresentar imagens muito decorativas, realizadas com elegância.Outra característica da pintura inglesa é a presença de fundo, que apóia o aspecto de tapeçaria.

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King´s College (Cambridge, Gran Bretaña)

Bibliografia

GOZZOLI, M.C. Como Reconhecer a Arte Gótica. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 69p.
RIBEIRO, F. História crítica da Arte – 5 volumes. Rio de Janeiro: Fundo Cultura, 1965. 265p.
RIBEIRO, H.P. A arte gótica. Bauru: Unesp, 1969. 108p.
UPJOHN E.M., WINGERT, P.S., MAHLER, J.G. O Neoclassicismo e oRromantismo in História Mundial da Arte: do Barroco ao Romantismo. 3ª edição, Livraria Bertrand
GUINSBURG, J. O Romantismo. São Paulo: Editora Perspectiva, 1978
UPJOHN, E.M.; WINGERT, P.S.; MAHLER, J.G. História Mundial da Arte: Dos Etruscos ao Fim da Idade Média. 4.ed. São Paulo: Bertrand, 1975. 267p.

Fonte: www.willians.pro.br

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