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Arte Gótica

GÓTICO – 1130 A 1500

É quase impossível determinar com exatidão a passagem do Românico para o Gótico. Por volta de 1800 o gótico ainda era considerado em alguns quadrantes como a essência do que era discrepante e de mau gosto.

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo.

Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas - e precárias - fortalezas.

A tensão popular contribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000.

A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.

Em 1005, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades.

Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o Estilo Gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris. Saint- Denis é considerada como o edifício "fundador" do gótico.

Fins do século XII. Graças ao apoio da burguesia e da classe trabalhadora, os reis conseguem retomar sua autoridade. Enfraquecido, o poder feudal vai aos poucos desaparecendo. A população passa a ter maior influência na vida pública nacional, da qual tinha sido até então mera espectadora.

Eufóricos diante da própria importância, os habitantes de cada região sentem a necessidade de demonstrar sua emancipação.

A catedral será o símbolo de sua vitória. Aí se realizarão não apenas os atos religiosos, mas as atividades comunitárias de todo o grupo: será a casa do povo.

Não mais cheia de esculturas e desenhos tenebrosos, mas alta, imponente, iluminada. Que suas torres pontiagudas tentem atingir as nuvens. Livre do medo do fim do mundo, o povo é animado por novo sopro de fé. As paredes de seus templos devem deixar entrar a luz do sol em múltiplas cores que lembrem a presença divina Da necessidade de construir catedrais que correspondessem euforia e ao misticismo do povo, surgiu a arquitetura gótica. As primeiras foram construídas na França, ao redor de onde se encontra hoje a cidade de Paris; foi essa uma das primeiras regiões a eliminar o feudalismo.

Com as construções das catedrais, começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, por ser o novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, em meados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica - Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

No forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico, as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

A catedral é o local das coroações e sepulturas de reis, mas também representa o ideário de toda a sociedade, a expressão da visão política e teológica de todos os burgueses, pois têm a convicção de construírem, em comum, um símbolo de sua crença, de sua cidade e de sua própria identidade.

Na catedral o burguês é orgulhosamente exibido na rica decoração: com retratos dos fundadores e inscrições.

Os espaços góticos já não poderiam ser fechados com as abóbadas cruzadas de aresta. As abóbadas de ogivas (góticas), constituíram a alternativa.

As nervuras foram usadas pela primeira vez com a função de suporte em Saint-Denis. Foram construídas em primeiro lugar e depois, fechadas as paredes e as abóbadas.

Assim, todo o edifício se tornou mais leve. Os pilares passaram a ser fasciculados com colunelos, recebendo a pressão da abóbada e descarregando-a para o chão.

O abade Suger, arquiteto de Sait Deni tinha pensado mística e simbolicamente em cada pormenor: colunas representando os apóstolos e os profetas e Jesus, a chave que une uma parede à outra. O fascinante é que esta crença provocou uma revolução na arquitetura.

As abóbadas de cruzaria de ogivas e os arcobotantes permitiram uma redução nas massas das paredes. As paredes exteriores passam a ser cobertas com janelões. Como há dificuldades na produção de vidro, estes são em pequenos pedaços suportados por molduras de chumbo. São cores fortes e solenes que brilham mais quanto menos o espaço interior for iluminado. A luz, ao passar pelas imagens sagradas, manifesta sua origem divina.

As janelas serviam para transmitir visualmente a mensagem bíblica aos que não sabiam ler, ou que não tinham posses para comprar bíblias. Sainte Chapelle em Paris é onde este conceito se encontra concretizado de modo exemplar, com o altar iluminado de luz colocado no centro visual.

Os reis franceses utilizavam a igreja como manifestação política de sí próprios. A igreja começou a preocupar-se cada vez mais com os interesses temporais.

As catedrais desta época exprimem, de modo penetrante, esta consciência contraditória: nos "arranha céus de Deus" (Le Corbusier) há novas técnicas aliadas aos novos conceitos religiosos.

A partir do final do séc XII foram fundadas novas cidades. Os reis cristãos consideravam ser sua obrigação fundar novas cidades para, deste modo, conduzir as pessoas até Deus.

Paris era talvez, com seus 200.000 habitantes, juntamente com Milão, a cidade mais populosa da baixa idade média.

A obra que se tornou mais importante foi a catedral edificada no meio da cidade. Era uma obra erigida pelo esforço comum dos habitantes, que contribuíam com o dinheiro, ou com a própria força de trabalho. Eram formadas lojas.

Nobreza, clero e massa popular competiam em generosidade mística.

O objetivo era um só: colaborar para a construção das dispendiosas catedrais.

Com a autoridade monárquica cada vez mais assegurada, as antigas zonas feudais foram-se transformando e surgiram as primeiras cidades: Noyon, Laon, Sens, Amiens, Reims, Beauvais, onde se encontram as catedrais góticas mais belas do mundo.

Nas catedrais, as vistas laterais e da abside eram obstruídas. Assim, só era dada importância especial à fachada voltada à poente, com a entrada principal, realçada geralmente pelas únicas torres do edifício. Estas eram coroadas com pequenas torres (pináculos), novas flechas que almejavam o céu.

O repertório da escultura em pedra do gótico é uma descrição fatual do divino, especialmente nos pórticos reais: em Chartres, os reis e as rainhas de França, estão vestidos com roupagens bíblicas.

LE SAINTE-CHAPELLE

Luiz IX a edificou para as relíquias adquiridas de Bizâncio (coroa de espinhos e fragmentos da cruz).

Os 12 apóstolos estão representados por esculturas nos pilares. Esta capela era a capela do palácio real.

REIMS

A catedral de Reims, na qual se realizava a coroação dos reis franceses, é famosa sobretudo pela rosácea, que domina a sua fachada poente.

NOTRE DAME

Provavelmente foi lá que se utilizou pela 1. vez o sistema de contrafortes abertos = arcos botantes.

Foi destruída na revolução francesa e restaurada no séc XIX

CHARTRES

O chamado pórtico real da catedral constitui o ponto alto da escultura do gótico clássico francês.

Arte Gótica
Chartres, uma das primeiras catedrais góticas da França.

A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço.

Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares.

Arte Gótica
Divisão da abóbada gótica. Os arcos ogivais (arcos cruzados em diagonal) distribuem o peso da abóbada, tornando-a com isso mais leve.

Os arcos de meia circunferência usados nas abóbadas das igrejas românicas faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes.

Isso obrigava a um apoio lateral resistente: pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora. O espaço para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia. O espírito do povo pedia luz e grandiosidade. Então como conseguí-las?

O arco em meia circunferência foi substituído por arcos ogivais ou arcos cruzados. Isso dividiu o peso da abóbada central, fazendo com que ele se descarregasse sobre vários pontos, simultaneamente, podendo ser usado material mais leve, tanto para a abóbada como para as bases de sustentação. Em lugar dos sólidos pilares, esbeltas colunetas passaram a receber o peso da abóbada.

O restante do peso foi distribuído por pilares externos. Estes, por sua vez, remetem o peso aos contrafortes - torres pontiagudas e muito trabalhadas, que substituem as maciças pilastras românicas, com a mesma função. As torres dão mais altura e majestade à catedral.

As paredes, perdendo sua importância como base de sustentação, passam a ser feitas com um dos materiais mais frágeis de que se dispunha: o vidro.

Surge a desejada luminosidade. Grandes e feéricos vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida cristã. A magia dos vitrais góticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade mística que lembra a presença divina.

O sistema de suportes constituídos de pilares cantonados e fasciculados, pequenas colunas cilíndricas e nervos, junto com os arcobotantes, tornou a parede mais leve, até seu quase total desaparecimento. As janelas ogivais e as rosetas acentuaram ainda mais a transparência da construção. A intenção era criar no visitante a impressão de um espaço que se alçava infinitamente até o céu.

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