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Arte Islâmica

 

A idéia de infinito e a tendência à imaterialidade, reflexos da crença na eternidade, do desprezo pela vida terrena e da vontade de superar os limites do mundo real, nortearam a arte que se desenvolveu em todos os territórios conquistados pelo Islam.

arte islâmica abrange a literatura, a música, a dança, o teatro e as artes visuais de uma vasta população do Oriente Médio que adotou o islamismo a partir do século VII, em sentido estrito, a arte dos povos islâmicos inclui apenas as manifestações diretamente surgidas da prática religiosa, é comum, no entanto, que o termo abarque todos os gêneros da arte produzida pelos povos muçulmanos, associada ou não à religião.

Artes Visuais

De variedade estilística e virtuosismo técnico extraordinários, a arte visual islâmica é decorativa, colorida e, no caso da religiosa, não figurativa, a decoração islâmica característica é conhecida como arabesco, um ornato que emprega desenhos de flores, folhagens ou frutos, às vezes, animais, esboços de figuras ou padrões geométricos, para produzir um desenho de retas ou curvas entrelaçadas, esse ornamento é empregado tanto na arquitetura quanto na decoração de objetos.

A cerâmica, o vidro, os tecidos, a ilustração de manuscritos e o artesanato em metal ou madeira têm sido de importância fundamental na cultura islâmica, a cerâmica constituiu a mais importante das primeiras artes decorativas dos muçulmanos.

Na decoração da louça de barro esmaltado, a maior contribuição islâmica para a cerâmica, empregam-se compostos metálicos nos esmaltes, que, quando queimados, transformam-se em películas metálicas iridescentes. Outros objetos cuja produção se destacou durante o período dos califados (do século VII ao XI) são o bronze e a madeira entalhada do Egito, os estuques do Iraque e o marfim entalhado da Espanha.

No período seljúcida (do século XI ao XIII), manteve-se a importância da cerâmica, dos tecidos e dos vidros, além disso, objetos utilitários de bronze e latão eram incrustados com prata e cobre e decorados com desenhos complexos.

A ilustração de manuscritos também se tornou uma arte bastante respeitada, e a pintura em miniatura foi a maior e mais característica manifestação artística do período que se seguiu às invasões dos mongóis (1220-1260).

O Islam considera a palavra escrita o meio por excelência da revelação Divina, por essa razão, a arte caligráfica se desenvolveu de forma rica e complexa, empregando uma ampla variedade de elegantes caracteres cursivos. A caligrafia era usada também como importante elemento decorativo na arquitetura e em peças utilitárias.

Tapeçaria

Os mais belos tapetes de toda a história da arte são persas e datam dos séculos XVI e XVII, foram produzidos em Tabriz, Kashan, Herat e Isfahan, na dinastia dos safávidas, feitos de lã, seda e outros materiais, os tapetes persas, a exemplo do que ocorrera séculos antes com os turcos, tiveram grande aceitação no Ocidente.

Os temas são variados, mas predominam cenas de caçada e combate, não raro de origem chinesa. Em Agra, Lahore e algumas cidades da Índia, onde também foram produzidos tapetes de inspiração persa, desenvolveu-se um estilo de ornamentação floral tipicamente indiano e mongol, de temática naturalista.

Literatura

No Islam, a literatura se desenvolveu principalmente em quatro línguas: árabe, persa, turco e urdu, o árabe é de extrema importância como a língua da revelação do Islam e do Alcorão.

A poesia árabe, cujos elementos básicos foram herdados de modelos pré-islâmicos, é monorrima (todas as linhas apresentam a mesma rima) e de métrica complicada (sílabas longas e curtas arranjadas em 16 métricas básicas).

Há três gêneros poéticos principais: o gazel (ghazal), geralmente um poema de amor, que tem de cinco a 12 versos monorrimos; o qasida, um poema de louvação com vinte a mais de cem versos monorrimos; e o qita, uma forma literária empregada para lidar com aspectos da vida cotidiana.

Os persas aperfeiçoaram os gêneros, formas e regras da poesia árabe e adaptaram-nos a sua própria língua, desenvolveram também um novo gênero, o masnavi (composto de uma série de dísticos), empregado na poesia épica, desconhecida dos árabes.

A literatura persa, por sua vez, influenciou tanto a literatura urdu quanto a turca, especialmente no que se refere ao vocabulário e à métrica, a Turquia também tem uma rica tradição de poesia popular.

A literatura islâmica compreende ainda textos em prosa, de cunho literário, didático e popular, o gênero que caracteriza a prosa islâmica é o maqama, em que uma narrativa relativamente simples é contada de maneira complicada e elaborada, com metáforas e jogos de palavras.

Arquitetura Islâmica

As restrições religiosas à representação de figuras humanas e de animais no Islam impediu a evolução de técnicas como a pintura e a escultura e acabou por transformar a arquitetura na modalidade artística mais desenvolvido na cultura islâmica.

A arquitetura islâmica, em virtude da forte religiosidade, encontra sua melhor expressão na mesquita, edifício destinado às orações comunitárias.

Sua origem é a casa de Muhammad (na cidade de Madina), que constava de um pátio cercado por muros, com diversos aposentos ao redor.

O projeto clássico da mesquita ficou estabelecido já nos primeiros tempos do islamismo, na dinastia omíada, compõe-se de um minarete, torre muito alta com plataforma da qual o muadhin chama os fiéis para as cinco orações diárias; um pátio de arcadas que tem, ao centro, a fonte para as abluções; uma grande sala de orações, dividida em diferentes naves com colunas; e a qibla, muro ao fundo da sala onde se encontra o mihrab, ou santuário, um nicho que indica ser aquela a direção da cidade sagrada de Makka, voltada para a qual os fiéis devem rezar, junto ao mihrab, está localizado o púlpito, ou minbar.

Outro aspecto característico da arquitetura islâmica é a riqueza da decoração, com base em motivos epigráficos (inscrições com trechos do Alcorão em escritura cúfica ou naskh), vegetais (palmas, folhas de videira e de acanto) e geométricos (arabescos).

A ornamentação inclui ainda, com freqüência, estalactites em gesso, em forma de prisma e com a face curva, a arquitetura islâmica se caracteriza também pelo uso do tijolo, muitas vezes coberto de mosaicos, estuque ou gesso; pelo emprego de arcos em forma de ferradura e multilobulados; e pelo uso da cúpula, quase sempre ornamentada.

Evolução Histórica

Do século VII, de quando datam as primeiras construções, feitas pela dinastia omíada, até o século XVIII, início da decadência do império otomano, o Islam ergueu, em várias regiões compreendidas entre a Espanha e a Índia, grande número de monumentos.

Na Síria e Palestina, os principais foram a mesquita de Umar, em Jerusalém, também conhecida como o Domo do Rochedo, de forma octogonal com exterior decorado em mosaicos bizantinos, concluída em 691; e a grande mesquita de Damasco (705-715), que possuía um grande pátio com arcadas em três de seus lados e uma sala de oração dividida em três naves, todas paralelas ao muro da qibla.

Com a dinastia abássida, instaurada no ano 750, a arte islâmica sofreu a influência da Ásia, surgiram então os mausoléus, e a decoração se estilizou, a capital foi transferida para Bagdá, no Iraque, onde se adotou um traçado urbano de forma circular, protegido por uma muralha dupla.

Mais tarde, em 838, quando o império começava a ser desmembrado em principados autônomos, a corte se estabeleceu em Samarra, na nova capital foi construída uma grande mesquita, com naves paralelas à qibla e um minarete semelhante ao zigurate, além de vários palácios.

Na Espanha, onde se refugiara Abd al-Rahman I, único sobrevivente da dinastia omíada, ocorreu, paralelamente, um período de grande atividade artística, cujo centro era a cidade de Córdoba, a mais importante das obras realizadas na época é a mesquita da cidade.

Iniciada no século VIII, sofreu diversas ampliações ao longo dos dois séculos posteriores, a mesquita de Córdoba tem 19 naves perpendiculares à qibla e um sistema de construção original, no qual se combinam colunas e arcos em ferradura com arcos de meio ponto, ao que tudo indica, uma influência da arte visigoda, decorados com abóbadas alternadas em vermelho e branco. Seu mihrab é coberto de ricos azulejos bizantinos, com profusão de motivos epigráficos e vegetais.

Outro grande exemplo da arte do califado de Córdoba foi a cidade palaciana de Medina Azahara, construída por Abd al-Rahman III. No Egito, que se tornou independente com os tulúnidas, foi construída no século IX a grande mesquita de Ibn Tulun, no Cairo; em Túnis, os aglábidas ergueram a grande mesquita de al-Qayrawan.

No período que vai do século XI ao XV, as principais concepções estéticas islâmicas tiveram origem em Isfahan, com os seljúcidas, no norte da África, Egito e Maghrib,e na península ibérica, com os fatímidas, os almorávidas e os nazaritas.

Os seljúcidas, povos nômades das estepes convertidos ao islam que reunificaram por algum tempo o Oriente Médio, estabeleceram seus centros em Isfahan e Tabriz. Foram os responsáveis pela divulgação da madrasa (espécie de universidade na qual se ensinavam teologia e ciências), em geral edificada junto a uma mesquita e estruturada em torno de um pátio.

O sistema das madrasas passou a ser empregado em mesquitas como a de Isfahan, concluída por volta de 1130, com um pátio central e quatro salas contíguas, ou eyvans, cobertas por abóbadas semicirculares, a sala localizada ao lado da qibla conduz a outra sala com cúpula.

Também surgiu nessa época um novo tipo de minarete, de forma cilíndrica, apoiado sobre uma base octogonal, como o da mesquita Pa-Minar de Zawara, cujo exterior era decorado com cerâmica esmaltada em motivos geométricos. A arquitetura funerária popularizou o mausoléu quadrado coberto com uma cúpula, como o de Sanyar, do século XII.

No Egito, a dinastia fatímida, que governou entre os séculos X e XII, construiu importantes mesquitas, tais como as de al-Azhar e al-Hakim, na cidade do Cairo. Em meados do século XIII, a dinastia dos mamelucos impôs a influência artística seljúcida.

Sua forma arquitetônica mais característica foi o mausoléu, cujo melhor exemplo é o monumento funerário ao sultão Hassan, de planta quadrada e cúpula dourada sobre uma base octogonal, no fim do século XI, após a desintegração do califado de Córdoba numa série de reinos de taifas, a intervenção dos almorávidas, originários do sul do Maghrib, permitiu um novo florescimento da arte na península ibérica e no noroeste da África.

Dois tipos de estruturas caracterizaram os períodos almorávida e almôada, do século XI ao XIII, no Marrocos e na Espanha, um abrange as grandes mesquitas marroquinas, como as de Tinmel e Hasan, em Rabat, e a de Kutubiya, em Marrakech, todas com sólidos e grandes minaretes quadrados.

O outro tipo de arquitetura criou-se para fins militares, como fortificações e pontes com arcos em forma de ferradura. Entre estas figuram a ponte Oudaia, em Rabat, e a ponte Rabat, em Marrakech.

No norte da África, a arte não mudou muito nos séculos XIV e XV, o mesmo estilo de mesquita continuou a ser construído, como a Grande Mesquita de Argel. A decoração arquitetônica em estuco ou pedra esculpida ficou limitada geralmente a padrões geométricos elaborados, temas epigráficos e alguns motivos vegetais.

O último período da arte islâmica na Espanha data do reino nazarita de Granada, fundado no século XIII. Seu monumento mais característico é a Alhambra, cidade palaciana que constitui talvez o mais grandioso monumento do gênio islâmico para integrar arquitetura e natureza.

Constava do alcácer, salões para atos oficiais (mexuar, ou sala de justiça, quarto de Comares), área privada (pátio dos Leões, sala das Duas Irmãs), salas de banhos e maravilhosos jardins, como os do Generálife.

Desde meados do século XIII, quando os mongóis invadiram a Pérsia, registrou-se na região um significativo impulso cultural que se traduziu artisticamente na construção de mesquitas e madrasas de estilo seljúcida e na utilização de cúpulas afiladas e azulejos decorados.

A conjunção de elementos mongóis e turcomanos foi a característica do período timúrida, que transcorreu entre os séculos XIV e XVI. A capital do império foi a cidade mítica de Samarkanda, grande centro político e cultural da Ásia central.

Importantes monumentos foram edificados na época, tais como a mesquita-madrasa de Jargird, com pátio central e quatro eyvans, e a mesquita azul de Tabriz, Irã, famosa por sua decoração em azulejos de cerâmica azul.

A arquitetura funerária desfrutou de grande prestígio entre os timúridas, que construíram na própria capital a avenida de Shaji-Zindá, ladeada por vários mausoléus da família imperial e de membros da nobreza, com suas cúpulas características e decoração em azulejos.

Depois dos mongóis e dos turcomanos, chegaram ao poder na Pérsia os safávidas, que promoveram a arte popular, proliferaram então as mesquitas e madrasas de quatro eyvans e, na arquitetura palaciana, destacou-se o palácio Ali Qapu, com um segundo andar repleto de colunas.

Na mesma época em que ocorria o florescimento da arte entre os safávidas, o império mongol da Índia construía, no século XII, grandes e luxuosas edificações inspiradas na arte persa, como o Taj Mahal, de Agra, mausoléu feito para a esposa do imperador, e o forte Vermelho, em Delhi.

A partir de meados do século XV, o império otomano consolidou-se e seu poder se estendeu pela Turquia, Síria, Egito, Iraque e os Balcãs, na Europa, no império, que só entraria em decadência no século XVIII, difundiram-se as cúpulas e foram construídas mesquitas tanto em forma retangular, com pórtico em cúpula, de influência bizantina, quanto com planta em forma de "T" invertido.

O império atingiu o apogeu nos séculos XV e XVI, quando Istambul se tornou grande centro político e cultural, tendo a basílica bizantina de Santa Sofia como modelo, proliferaram as construções monumentais, como as mesquitas de Suleiman II e de Ahmed I, na mesma cidade.

O desaparecimento do império mughal da Índia, que passou ao domínio britânico, e o gradativo desmembramento do império otomano fizeram com que a arte islâmica sofresse, ao longo do século XIX, um processo de estagnação durante o qual passou a experimentar uma crescente influência ocidental.

Essa adaptação às tendências do Ocidente se intensificou em meados do século XX, quando novas escolas integraram técnicas ocidentais à arquitetura muçulmana, esse movimento, iniciado na Turquia por Sedat Hakki Eldhem e no Egito por Hassan Fathy, se disseminou depois por todo o mundo muçulmano.

Fonte: www.islam.org.br

Arte Islâmica

Arte Islâmica sempre teve um apelo religioso, pois as obras feitas para a comunidade seguiam os preceitos muçulmanos de oração, esmola, jejum e peregrinação. Caracterizou-se também pela valorização dos símbolos, dos traços geométricos e do abstrato.

A representação figurativa era considerada uma imitação fictícia da realidade. Por isso, os artistas contemplavam as obras de Deus com a utilização de arabescos, que eram um resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia.

As pinturas islâmicas eram representadas por afrescos e miniaturas, geralmente usados para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos, que mostravam cenas de caça e da vida cotidiana da corte.

A miniatura era usada nas publicações de divulgação científica para ressaltar textos ou obras literárias. O estilo, parecido com o das miniaturas bizantinas, possuía fundo dourado e ausência de perspectiva.
A arquitetura islâmica destacava-se pela construção de mesquitas - locais de oração. Os tapetes também merecem destaque: entre os desenhos mais clássicos apresentados estão utensílios, motivos florais, caça, animais, plantas e formas geométricas.

Fonte: www.acrilex.com.br

Arte Islâmica

O termo "arte islâmica", não significa, uma manifestação artística que tenha por finalidade render o culto à fé. Mas sim uma unidade criativa de arte e arquitetura características de uma civilização que dominou grande parte do mundo durante muito tempo.

Arte Islâmica
O Taj Mahal, Agra, na Índia

O crescimento da Arte Muçulmana é um dos mais rápidos progressos jamais registrados pela História. A base da arquitetura islâmica vem da herança mediterrânea praticada por gregos e romanos mesclada à influência do Império Sassânida na Pérsia e, posteriormente da renovação trazida por invasores turcos e mongóis que trouxeram influências novas.

A fórmula desta nova Arte era com alegria modificada e enriquecida pelos diversos povos que faziam parte da Comunidade Islâmica de acordo com os seus gênios nativos e as influências exteriores a que tinham estado sujeitos.

A inteligência abstrata dos homens do deserto encontra a sua expressão nas linhas geométricas do arabesco; os floridos azulejos esmaltados de Isphahan refletem os sonhos poéticos do Iran.

O estilo Muçulmano destaca-se de todos os outros ele é resultado da unidade espiritual da Comunidade Islâmica e da sensibilidade especial criada pelos ensinamentos do Alcorão.

A originalidade das estruturas arquitetônicas e os motivos ornamentais deram, como resultado, uma arte característica, tipicamente muçulmana. Em todas as criações artísticas islâmicas percebe-se uma indiscutível unidade e uma expressão comum

No ano de 622, o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina (Madinat al-Nabi, cidade do profeta). De lá, sob a orientação dos califas, sucessores do profeta, começou a rápida expansão do Islã até a Palestina, Síria, Pérsia, Índia, Ásia Menor, Norte da África e Espanha.

De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se identificassem. Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços estilísticos dos povos conquistados, que no entanto souberam adaptar muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus próprios sinais de identidade.

Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu início, conceitual e religiosa.

No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má imitação de uma realidade fugaz e fictícia.

Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista. As letras lavradas na parede lembram o neófito, que contempla uma obra feita para deus.

Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no início, como exclusividade das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiães do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação.

ARQUITETURA

Arte Islâmica
Cervo de Medina Azahara, Museu Arqueológico de cordoba, na Espanha

As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina: uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A área de oração era coberta, enquanto no pátio estavam as fontes para as abluções. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e refúgio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos.

No entanto, a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização.

A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um círculo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma.

As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àquelas na forma. A construção de palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capítulo à parte.

As residências dos emires constituíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o hábitat privativo do governante.

Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala do trono.

Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração.

A Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos e mártires.

TAPETES

Arte Islâmica
Recipiente de marfim trabalhado 
Museu de Arte Islâmica do Cairo, Egito

Os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas.

À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o muçulmano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.

Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado.

As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.

PINTURA E GRÁFICA

Arte Islâmica
Tapete de Alcaraz, Museu Arqueológico, Madri

As obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa.

A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação científica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração.

O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capítulo de outro.

Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica.

No início, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco.

Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas.

Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava a cerâmica, mais utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso cotidiano.

Fonte: www.tendarabe.hpg.ig.com.br

Arte Islâmica

1. INTRODUÇÃO

arte islâmica não é a arte de um país ou de um povo em particular. É a arte de uma civilização, formada por uma combinação de circunstâncias históricas: a conquista do mundo antigo pelos árabes, a unificação sob a bandeira do Islam de um vasto território, que por sua vez, foi invadido por vários grupos de povos estrangeiros.

Desde o seu início, a orientação da arte islâmica foi em grande parte determinada por estruturas políticas que desconheceram fronteiras geográficas e sociais. Por essa razão, vamos apresentar um quadro da arte islâmica do ponto de vista das diversas influências que chegaram ao poder, governaram e fragmentaram o império muçulmano original.

A natureza complexa da arte islâmica desenvolveu-se na base de tradições préislâmicas nos vários países conquistados e é uma síntese perfeitamente integrada de tradições árabes, turcas, mongólicas, hindus e persas, manifestando-se em todas as partes do novo império muçulmano.

O elemento árabe é provavelmente em todos os tempos o mais importante. Ele forneceu a base para o desenvolvimento da arte islâmica, através da mensagem do Islam, a língua de seu livo sagrado, o Alcorão, e a forma árabe de escrita.

Esta última transformou-se na mais importante característica isolada de toda a arte islâmica, levando ao desenvolvimento de uma infinita variedade de ornamentação abstrata e todo um sistema de abstração linear, peculiar às diversas formas de arte islâmica e podendo, de uma forma ou de outra, e em todas as suas manifestações, ser reconhecida como de origem árabe.

O elemento turco na arte islâmica, consiste principalmente numa tendência nativa à abstração que os povos turcos da Ásia Central aplicaram a qualquer forma de cultura ou arte com que se depararam em sua longa trajetória. Eles criaram uma inconfundível iconografia turca, com base na importante tradição de motivos figurativos e não figurativos, presentes desde a Ásia Oriental até a Ocidenta.

A importância do elemento turco na cultura islâmica pode, talvez, ser melhor apreciada levando-se em conta que a maior parte do mundo islâmico foi governada por povos turcos, do século X ao século XIX.

O elemento persa na arte islâmica é talvez mais difícil de definir; parece consistir numa atitude poética, peculiarmente lírica, uma tendência à metafísica, que no domínio da experiência emocional e religiosa, leva a um extraordinário florescimento místico.

As principais escolas de pinturas muçulmanas, desenvolveram-se no Irã, tendo por base a literatura persa. Não somente uma iconografia compelta, como também uma imagística específica, abstrata e poética em sua concretização, e sem paralelo em qualquer outra parte do mundo muçulmano, foram criadas no Irã, em fins do século XIV e no século XV.

Muito embora esses três elementos da cultura islâmica sejam por vezes claramente definíveis e distintos, e cada qual contribua mais ou menos, em partes iguais, para o desenvolvimento da arte islâmica, quase sempre se acham tão intimamente entrelaçados e integrados, que não se pode muitas vezes distingui-los com nitidez.

Todas as regiões do mundo muçulmano compartilham numerosas características artísticas fundamentais, que tornaram a totalidade do vasto território uma unidade étnica e geográfica supranacional, apenas comparado, na história da cultura humana, por idêntico domínio do MUNDO ANTIGO, por Roma.

AS ARTES NO ISLAM

ARTE E CALIGRAFIA

Através dos tempos, as religiões, de um modo geral, fizeram uso de imagens figurativas para transmitir a essência de suas convicções. Para o Islam, no entanto, essa arte figurativa assume aspectos de idolatria, motivo porque ele se utilizou de palavras ou letras, em formas e tamanhos diversos, para a transmissão de seus princípios religiosos. Os muçulmanos passaram a usar a arte da caligrafia como expressão religiosa, e, no decorrer do tempo, a arte da escrita tornou-se uma arte muito respeitada.

Segundo o sábio muçulmano Yasin Hamid Safadi, "a supremacia da palavra no Islam está refletida na aplicação universal da caligrafia. Escrever imprime as características de lugar a todas as espécies de objetos - objetos de uso cotidiano, assim como a superfície de paredes inteiras, mobiliário das mesquitas, o exterior e interior das mesquitas, dos túmulos e da Caaba, o mais famoso santuário islâmico. "

A caligrafia arábica foi a forma primeira de arte da expressão visual e da criatividade islâmica. Através da vasta geografia do mundo islâmico, a caligrafia é um símbolo que representa unidade, beleza e poder. Os princípios estéticos da caligrafia são um reflexo dos valores culturais do mundo muçulmano. Uma investigação minuciosa das diferenças estéticas entre a caligrafia árabe e não árabe poderia fornecer um caminho para a compreensão do espírito essencial de cada cultura.

O alfabeto arábico alcançou um elevado nível de sofisticação. Uma construção islâmica pode apresentar inúmeros estilos de escrita em suas paredes, janelas ou minaretes. Muitas das inscrições não se referem necessariamente ao Alcorão, mas, também, aos hadices do profeta, e que estão em sintonia com os objetivos religiosos do prédio. Uma inscrição, por exemplo, pode dar significado à construção, esclarecendo sua função.

A história da caligrafia arábica significa a integração da arte com a erudição. Através da beleza abstrata das linhas, a energia flui entre as letras e palavras. Todas as partes estão integradas ao todo. Essas partes incluem espaços positivos e negativos e o fluxo da energia que abre caminho juntamente com a interpretação do calígrafo.

A caligrafia arábica não é simplesmente uma forma de arte, mas envolve representações divinas e morais, de onde ela adquire sua reputação sublime. Sua beleza abstrata nem sempre é facil de ser compreendida, mas esta beleza pouco a pouco acaba por se revelar ao olhar perspicaz.

As origens da caligrafia arábrica

De acordo com estudos contemporâneos, a escrita árabica é um ramo das escritas semitas, nas quais as consoantes estão representadas. A escrita arábica desenvolveuse comparativamente em um breve espaço de tempo. O árabe tornou-se um alfabeto muito usado e hoje é o segundo em uso, perdendo somente para o alfabeto romano.

Os árabes eram um povo basicamente nômade. Antes do surgimento do Islam, viviam uma vida dura, mas tinham uma cultura fecunda que se expressava na escrita e na poesia. Bem antes de se tornarem uma nação islâmica, os árabes reconheciam o poder e a beleza das palavras.

A poesia, por exemplo, era uma parte essencial da vida cotidiana e as habilidades lingüísticas eram exibidas na literatura e na caligrafia. Os primeiros árabes nutriram um grande apreço pela palavra falada e mas tarde, pela sua forma escrita.

A escrita árabica deriva da nabatéia, que, por sua vez, vem da aramaica. Os nabateus eram árabes semi-nômades que viviam numa área que se extendia desde o Sinai e norte da Arábia, até o sul da Síria. Seu império incluía as cidades de Hijr, Petra e Busra. Embora o império tenha acabado em 105 d.C, sua língua e escrita tiveram profundo impacto sobre o desenvolvimento do alfabeto arábico.

Arqueólogos e linguistas analisaram e estudaram inscrições nabatéias, que representam um estágio de transição mais avançado para o desenvolvimento de caracteres arábicos, como o namarah, do famoso poeta pré-islâmico Imru´al Qays, que data de 328 d.C. Uma outra inscrição, datando do século VI, confirma a derivação da escrita arábica do nabateu e assinala o nascimento de formas escritas arábicas distintas.

Na década de 650 d.C, foram consignadas, por escrito, as primeiras versões completas do Alcorão, numa forma denominada Jazm, que revela uma influência nabatéia. Esta, por sua vez, influenciou, o desenvolvimento da escrita cúfica, de traço vigoroso e angular, que durante séculos se tornou o meio mais popular de recordar o Alcorão sagrado. Simultaneamente, desenvolveram-se outras escritas cursivas com fins burocráticos e privados, e, em meados do século X, já estavam fixadas as seis escritas clássicas da caligrafia islâmica: Thuluth, Naskh, Muhaqqah, Raihani, Tawqi e Riqa.

A escrita do norte da Arábia foi a primeira a ser introduzida e estabelecida na parte nordeste da Arábia. Durante o século V, as tribos nômades árabes, que viviam nas áreas de Hirah e Anbar, usaram esta escrita. Na primeira parte do século VI, a escrita dessa região alcançou Hijaz, na Arábia oriental. Acredita-se que Bishr ibn Abd al-Malik, e seu sogro, Harb ibn Umayyah , tenham introduzido e popularizado o uso deste alfabeto na tribo coraixita do profeta Mohammad, e que foi adotado, com entusiasmo, por outras tribos das cidades vizinhas.

O jazm é o alfabeto arábico mais antigo de que se tem referência. Acredita-se que era uma forma mais avançada do alfabeto nabateu. As letras rígidas, angulares e bem proporcionadas do alfabeto jazm iriam influenciar mais tarde o famoso alfabeto kufi, a escrita cúfica, de uma pequena cidade do Iraque.

Instrumentos de escrita

Os instrumentos típicos do ofício de calígrafo incluiam penas de junco e pincéis, tesouras, uma faca para cortar as penas, um tinteiro e um apontador. A pena de jundo, segundo Safadi, era a preferida pelos calígrafos islâmicos.

Esta pena, chamada de cálamo, ainda é um instrumento importantíssimo para o verdadeiro calígrafo. Os juncos mais procurados eram oriundos das terras costeiras do Golfo Pérsico. Os cálamos eram objetos valiosos e foram comercializados por todo o mundo muçulmano. Um escriba versátil precisava de diferentes cálamos, a fim de alcançar os diferentes graus de delicadeza.

Moldar um junco exigia do escriba habilidades excepcionais. Além disso, tinham um conhecimento meticuloso de como identificar a melhor vareta que fosse adequada para ser uma boa pena, como aparar as pontas e como cortar as varetas exatamente no centro, a fim de que o corte tivesse metades iguais.

Uma boa pena era cuidadosamente guardada e, algumas vezes, passava de uma geração a outra. Outras vezes, ela era enterrada com o calígrafo quando ele morria. Eram usadas tintas de muitas cores, incluindo o preto, o marrom, o amarelo, o vermelho, o azul, o branco, a prata e o ouro. O preto e o marrom eram as cores mais frequentemente usadas, porque sua intensidade e consistência podiam variar enormente.

Muito calígrafos davam instruções de como preparar a tinha, mas muitos guardavam em segredo suas receitas. A tinha feita pelos persas, hindus e turcos conservavam seu frescor por um tempo considerável. A preparação da tinha levava muitos dias e envolvia complicados processos químicos.

Por causa de seu poder de preservar o conhecimento e levá-lo a todo os recantos do mundo, a tinta era comparada com a água e o calígrafo como uma pena nas mãos de Deus.

O papel foi introduzido em 751 d.C, vindo da China para Samarcanda. Este foi o marco decisivo na arte da escrita e desempenhou papel importantíssimo nas inúmeras invenções subsequentes e que reformariam a caligrafia arábica. Este novo meio de comunicação escrita teve um impacto decisivo sobre todos os aspectos da civilização islâmica.

O papel era feito de algodão e, algumas vezes, de seda ou outras fibras, mas não de madeira. Ele era polido com uma pedra lisa, como a ágata ou o jade antes que o calígrafo começasse a escrever. Linhas de orientação quase invisíveis eram traçadas com uma ponta e as letras ficavam sobre essas linhas.

Uma vez pronta, a composição caligráfica podia ser copiada de tempos em tempos pelos mestres dos mais diferentes lugares, tão distantes quanto a Índia ou Istanbul. Como em muitas artes tradicionais, dava-se menos importância às inovações e mais à imitação dos grandes mestres, tanto contemporâneos quanto os antigos. Apesar disso, alguns mestres foram notáveis inovadores.

Exemplos de caligrafia

Arte Islâmica

De todos os elementos da arte islâmica o mais importante é a religião. A multidão de pequenos impérios e reinos que tinham adotado o Islamismo sentiu-se - apesar de orgulhos e ciúmes - antes e sobretudo muçulmana, e não árabe, turca ou persa.

Todos sabiam, falavam e escreviam de forma regular o árabe, a língua do Alcorão. A caligrafia é a suprema das artes islâmicas, e a expressão mais típica do espírito muçulmano. "O teu Senhor - declara a primeira revelação - ... ensinou com o cálamo, ensinou ao homem o que ele não conhecia."

Além disso, como Deus falou em árabe, por intermédio do anjo Gabriel, e as suas palavras foram escritas, pela primeira vez em árabe, a língua e a escrita árabes foram consideradas como tesouro inestimável por todos os muçulmanos.

Só entendendo-as os homens poderiam esperar compreender o pensamento de Deus. Não podiam ter uma missão mais importante que a de conservar e transmitir tesouro tão precioso; e os muçulmanos demonstraram a sua gratidão, fazendo-o com toda a arte de que foram capazes.

A escrita naskh

Foi uma das primeiras a evoluir. Ganhou popularidade depois de ser redesenhada pelo famoso calígrafo Ibn Muqlah, no século X. O seu sistema abrangente de proporção deu à escrita naskh um estilo bem característico. Mais tarde, ela foi reformulada por Ibn al-Bawaab e outros, que a transformaram numa escrita digna do Alcorão - muitos exemplares do Alcorão foram escritos em naskh, mais do que qualquer outro tipo de escrita.

Tendo em vista que é relativamente fácil de ler e de escrever, a escrita naskh teve grande aceitação por parte da população em geral.

A escrita naskh é normalmente feita com traços pequenos horizontais e as curvas são cheias e profundas, os traços retos e verticais e as palavras geralmente bem espaçadas. Atualmente, a naskh é considerada a escrita suprema para quase todos os muçulmanos e árabes em todo o mundo.

A escrita kufi

A escrita kufi (cúfica) foi a escrita sagrada dominante nos primórdios do Islam. Ela foi criada após o estabelecimento das duas cidades muçulmanas de Basra e Kufa, na segunda década da era islâmica (século VIII).

Tinha medidas proporcionais específicas, juntamente com uma angulosidade e linhas quadradas bem pronunciadas. Tornou-se conhecida como a escrita kufi. Essa escrita exerceu um profundo efeito em toda a caligrafia islâmica. Em contraste com as linhas verticais, a escrita kufi tem linhas horizontais que são prolongadas.

É uma escrita consideravelmente mais larga do que alta. Ela foi escolhida para ser usada em superfícies oblongas. Com sua construção geométrica, a escrita kufi podia ser adaptada em qualquer espaço e material, desde os pequenos quadrados de seda até os monumentos arquitetônicos deixados por Timur (Tamerlão), em Samarcanda.

Como a escrita kufi não se sujeitava a regras rígidas, os calígrafos a empregaram sem qualquer esquema de concepção ou execução para as suas formas ornamentais. A escrita assumiu diversas formas, ora com um fundo floral, com desenhos geométricos, ou formas geométricas interligadas, inclusive círculos, quadrados e triângulos - formando palavras, etc.

Essas versões foram aplicadas a superfícies de objetos arquitetônicos, incluindo superfície de estuque, madeira,metal, vidro, mármore, têxteis, etc.

A escrita thuluth

Foi a primeira escrita formulada no século VII, durante o califado omíada, mas só se desenvolveu completamente no final do século IX. Embora muito raramente tenha sido usada para escrever o Alcorão, a escrita thuluth gozou de enorme popularidade como uma escrita ornamental e foi muito usada para as inscrições caligráficas, títulos, cabeçalhos, etc. É ainda a mais importante de todas as escritas ornamentais.

Ela se caracteriza pelas letras curvas, apresentando pequenos traços, como farpas, na parte de cima das letras. As letras são ligadas e algumas vezes entrecortadas, produzindo, assim, uma fluência cursiva de grandes e complexas proporções. A escrita thuluth é conhecida por seus traços elaborados e por sua incrível plasticidade. Surata Al-Fatiha, em escrita Thuluth, tinta, guache e ouro sobre papel

A escrita riqa

A escrita riqa, também chamada de ruq´ah, evoluiu das escritas naskh e thuluth. Ainda que tenha uma afinidade maior com a escrita thuluth, a escrita riqa tomou uma direção diferente, ficando mais simplificada. As formas geométricas das letras são semelhantes às da thuluth, porém são menores e com mais curvas. Ela é arredondada e estruturada de uma forma mais densa, com pequenos traços horizontais.

A escrita riq´ah foi uma das favoritas dos calígrafos otomanos e sofreu muitas modificações nas mãos do shaikh Hamdullah al-Amasi. Mais tarde, ela foi revista por outros calígrafos e foi até transformar-se na escrita mais popular e a mais amplamente usada. Hoje, a escrita riqa é a preferida para a caligrafia no mundo árabe.

Hadice em escrita riqa

As escritas cursivas também foram rapidamente utilizadas para a tanscrição alcorânica, trazendo novas possibilidades para o êxito de efeitos decorativos. E surgiram, assim, as outras quatro escritas importantes: as de Tumar, Ghubar, Taliq e Nastaliq, que, embora não se tornassem populares entre os árabes, foram durante quase quatro séculos a escrita favorita dos muçulmanos do Irã, da Turquia e da Índia.

A escrita taliq

Acredita-se que foi uma escrita desenvolvida pelos persas, de uma antiga e pouco conhecida escrita árabe, chamada firamuz. Taliq, também chamada de farsi, é uma escrita cursiva modesta, aparentemente em uso desde o início do século IX. O calígrafo Abd al-Hayy, da cidade de Astarabad, parece ter desempenhado um papel importante no início da escrita. Ele encorajou seu patrono, xá Ismail, a estabelecer as regras básicas da escrita taliq. Atualmente, ela goza de aceitação entre os árabes e é o estilo caligráfico entre os muçulmanos persas, hindus e turcos.

A escrita nastaliq

O calígrafo persa Mir Ali Sultan al-Tabrizi desenvolveu uma variedade mais leve e elegante de estilo que ficou conhecida como nastaliq. No entanto, os calígrafos persas e turcos continuaram a usar o taliq como escrita para as ocasiões especiais. Nastaliq é uma palavra composta que deriva de naskh e de taliq. A nastaliq foi muito usada nas antologias, épicos, miniaturas e outros trabalhos literários, mas não para o Alcorão. Tinta e guache sobre estuque, com traços de ouro, Nastaliq

Os exemplos de caligrafia como motivo ornamental encontram-se por todo o lado: nas pedras dos túmulos e nos têxteis, nas ânforas, nas armas e nos azulejos, adaptando as formas mais surpreendentes na decoração dos edifícios. As palavras do Alcorão são importantes como forma de embelezamento das mesquitas que elas adornam. Há quatorze séculos, muçulmanos de todas as partes do mundo vêm escrevendo, em árabe, os versículos do Alcorão nas mais variadas formas de caligrafias.

TAPETE

Durante o século XIX, o tapete oriental tornou-se de grande valor mundo afora como obra de arte. Por sua rica história, seu colorido e motivos, o tapete oriental muitas vezes é chamado de "o aristocrata dos tapetes". Tradicionalmente, a expressão tapete oriental tem sido usada para descrever tapetes feitos a mão de procedência oriental.

O processo envolve esticar os fios sobre um tear e ir amarrando em nós esses fios. Quando uma fileira de nós está completa, inicia-se outra. Uma vez o tapete todo tecido, apara-se os fios por grupo,para que fiquem do mesmo tamanho. A precisão do desenho depende de como o tapete foi tecido e em que quantidades os grupos de fios foram amarrados.

A densidade do tapete, ou o número de nós por centímetro quadrado, pode ser um indicador da delicadeza e durabilidade dele. Quanto mais nós, melhor o tapete é. Um tapete oriental fantástico pode ter mais de 500 nós por centímetro quadrado.

Historicamente, as grandes áreas produtoras de tapetes incluem a Turquia, a Pérsia, o Cáucaso e o Turquestão. Mas, também deve ser acrescentado a esta lista o Afganistão, o Paquistão, o Nepal, a India e a China. E, ainda, a Espanha, que sob a influência árabe, também produziu tapetes feitos a mão de grande beleza.

História

O nome "tapete oriental" é frequentemente usado para se referir a todos os tapetes com nós feitos a mão. A arte de dar nós e de tecer os tapetes e as mantas foi uma criação clássica dos povos nômades, que encontrou acolhida por parte dos muçulmanos, assim como do mundo não muçulmano.

Nenhum produto surge mais diretamente das possibilidades e das necessidades da vida nômade. As mulheres fiam e tecem, em forma de tapetes, a lã e o pêlo dos rebanhos, e ao mesmo tempo, encontram tintas naturais de plantas e insetos à sua volta. Os produtos das suas oficinas constituem um mobiliário magnifíco daqueles que vivem em tendas.

Entre as comunidades sedentárias, os tapetes alcançaram novas funções, como cobrir as áreas sagradas das capelas funerárias e das mesquitas, mostrar a riqueza e o bom gosto dos mercadores e principes, e proporcinar a matéria para exportações lucrativas para a Europa.

Os modelos criados foram ricos e variados; configuraram-se desde as formas estilizadas e os desenhos geométricos aos tapetes para oração, que reproduzem o nicho do mihrab e as composições realistas que representam homens, animais e flores.

Embora existam referências a tapetes entre os primeiros escritores gregos e árabes, não se sabe quando o primeiro tapete oriental foi tecido. Acredita-se que a técnica de dar nós em tapetes tenha começado com as tribos nômades da Ásia Central.

Essas tribos produziam tapetes pequenos, decorados com motivos geométricos, inspirados nas formas de animais e plantas. Para o nômade, o tapete não tinha só a função decorativa mas também utilitária, pois servia de cobertura para o chão, divisão de ambientes, cortinas e alforges.

Tendo em vista que os tapeceiros nômades eram forçados a desmontar seus teares sempre que sua segurança era ameaçada por elementos naturais ou inimigos humanos, suas criações refletiam as incertezas de sua vida. Os nômades andarilhos, com esse tipo de vida, acabaram divulgando a arte de tecer tapete para novas terras e povos.

Alguns dos maiores centros de tapeçaria surgiram na Pérsia e na Turquia. Os manuscritos persas descrevem um tapete do rei Chosroes I, tecido em algodão, seda, ouro e prata e guarnecido com pedras preciosas. Marco Polo, em sua visita à região da Anatólia, na Turquia, descreveu os tapetes da região, com seus desenhos geométricos e figuras de animais, como os mais belos do mundo.

O período que vai do século XVI até a metade do século XVIII é conhecido como a idade de ouro da tapeçaria persa. Inúmeros tapetes dessa época chegaram até nós e são reconhecidos por sua harmonia de cores e originalidade de desenhos. Os tapetes turcos apresentam um estilo diferente de nós, desenhos curvilíneos e cores mais suaves.

No mundo islâmico, os tapetes foram usados principalmente para cobrir o chão das mesquitas e casas. Também eram usados como decoração das paredes. Eram feitos de lã de carneiro, do pêlo da cabra ou do camelo, e mais tarde, em algodão e seda. A lã é tirada dos numerosos rebanhos de pastores nômades, que pastam em grandes áreas.

A lã mais fina vem do Curdistão, onde a parte ocidental da Pérsia faz fronteira com a Turquia. A lã do Corassã e de Kirman é famosa por ser mais fina e aveludada, enquanto que a lã do Cáucaso e da Ásia Central é apreciada por ser mais forte e lustrosa.

Os tapetes no mundo islâmico nem sempre apresentam características distintas o bastante para que se possa assegurar suas diferenças. O Islam condena a representação artística de seres humanos e animais e, por causa disso, predominam as formas geométricas nos desenhos dos povos islâmicos.

Embora a Pérsia tenha se convertido à religião islâmica, os tapeceiros persas muitas vezes decoraram suas criações com animais e figuras humanas. É bastante raro encontrar qualquer figura humana nos primeiros tapetes turcos. São famosos seus tapetes de oração, que se caracterizam por uma decoração ricamente detalhada. Todos tem o nicho do mihrab, que aponta para Meca, quando usado para a oração.

Foram quatro as principais áreas do mundo islâmico que se destacaram na produção de tapetes:

  • Cáucaso
  • Ásia Central ou Turquestão
  • Pérsia
  • Turquia ou Anatólia
  • O mais elementar dos teares foi usado para produzir excelentes tapetes orientais. Para os nômades errantes, duas árvores crescendo a poucos metros podia tornar-se um tear, quando um par de varetas podia ser estendido entre elas. Os teares podem ser horizontais e verticais. Tanto um como outro tem um mecanismo simples que permite ao tecelão dividir a trama em dois conjuntos , a fim de que a urdidura possa ser revertida depois de cada arremate da trama.

    O artesão primeiro tece uma orela. São feitos diversos arremates na trama para se obter uma margem estreita que serve de borda para a área que vai levar os nós. Um fator importante na determinação da origem de um tapete é a identificação da forma como o nó foi amarrado. Os tipos mais comuns de nó são o nó turco e o nó persa.

    Referências

    "As origens da Caligrafia Arábica" - Khalid Mubireek AS ARTES NO ISLAM Grandes Impérios e Civilizações - Vol. II, Edições Del Prado

    Fonte: www.islam.com.br

    Arte Islâmica

    O Islamismo é a religião formulada por Maomé e que propagou-se a partir da Arábia desde o século VII. Apesar de considerada uma religião sincrética, formada a partir de elementos cristãos e judaícos, na verdade temos uma religião original, que procurou responder aos anceios dos povos daquela região, incorporando principalmete elementos da cultura dos povos beduínos e algumas característica de outras religiões.

    Na arte, percebemos tanto as influências dos povos pré islâmicos, como também de uma nova cultura, forjada com a construção de importantes dinastias, poderosas e vinculadas diretamente ao elemento religioso.

    Os produção artesanal de tapetes é uma característica anterior a religião, enquanto a construção de grandes templos - Mesquitas - é posterior as conquistas justificadas pela fé.

    TAPETES

    Arte Islâmica
    Tapete Persa

    Os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas.

    À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o muçulmano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.

    Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado.

    As oficinasmais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e lsfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais dássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.

    Arte Islâmica
    Tapete da Índia

    ARQUITETURA

    As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos Vl e Vlll, seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina: uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira.

    A área de oração era coberta, enquanto no pátio estavam as fontes para as abluções. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro político, hospital e refúgio para os mais pobres.Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos.

    Arte Islâmica
    Mesquita Azul

    No entanto, a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no lraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco.

    Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização.

    A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um círculo, foi um dos sistemas mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas variações locais mantiveram a distribuiçào dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma.

    As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àquelas na forma. Aconstrução de palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capítulo à parte.

    As residências dos emires constituíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o hábitatprivativo do governante.

    Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De plantaquadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto defortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala do trono.

    Outra das construções mais originais e representativas do lslã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. AGiralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade.

    Outras construçõesrepresentativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesqúitas na forma e deslinados a santos emártires.

    Arte Islâmica
    Pátio dos Leões

    PINTURA E GRÁFICA

    As obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam oenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelharte ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e indusive chinesa.

    Arte Islâmica
    Ascensão de Maomé

    A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação cienfifica, para tornmr mais daro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração.

    O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizartinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capítulode outro.

    Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se lufma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica.

    No início, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até setransformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadasartisticamente, o que é conhecido como arabesco.

    Arte Islâmica
    Detalhe corão

    Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes intemas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram supertcies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma funçãodesempenhava a cerâmica, mais utiiizada a partir do século Xll e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso cotidiano.

    A importância da tradição islâmica na história da arte é imensa, particularmente, na península ibérica, região que por séculos, em sucessivas conquistas e reconquistas, ocuparam povos que a criaram. Conseqüentemente, as áreas colonizadas por Espanha e Portugal, sofreram forte influência. Na arquitetura é incontestável a intervenção árabe, um legado que se propagou e influenciou os vários estilos arquitectónicos presentes nestes países.

    Motivos e temas da arte islâmica

    Quando se evoca a expressão "arte islâmica", frequentemente julga-se estar perante uma arte desprovida de representações figuradas, constituída unicamente por motivos geométricos e arabescos. No entanto, existem numerosas representações de figuras animais e humanas na arte islâmica, que surgem sobretudo em contextos não religiosos.

    As fontes principais da doutrina islâmica são o Alcorão e os ditos do Profeta Muhammad (ahadith, plural; singular:hadith). Estas duas fontes nada mencionam sobre a representação de figuras na arte; o que é fortemente condenado é a idolatria e o culto de imagens.

    Quando o profeta Muhammad conquistou Meca em 630 um dos seus primeiros actos foi destruir os ídolos que se encontravam na Kaaba, que o Alcorão informa terem sido estátuas inspiradas por Satanás. Uma tradição afirma que Muhammad ordenou a destruição de todas as pinturas religiosas que se achavam naquele edifício, com excepção de uma pintura da Virgem Maria com o menino Jesus.

    A partir do século IX, verifica-se uma censura da representação figurada, que alguns investigadores atribuem à influência de judeus convertidos ao islão. A partir desta época considera-se que o acto de representar um animal ou um ser humano é o assumir por parte do artista do papel de criador que se acredita que deva estar reservado unicamente a Deus.

    As religiões desempenharam um importante papel no desenvolvimento da arte islâmica. Neste domínio enquadra-se evidentemente a religião muçulmana, mas igualmente outras religiões que os árabes encontraram aquando das conquistas territoriais.

    Apenas no século XIII o mundo islâmico tornou-se maioritariamente muçulmano, tendo outras religiões legado o seu contributo para a formação da arte islâmica: o cristianismo (na região que se estende do Egipto à Turquia), o zoroastrismo (mundo iraniano), o hinduísmo e o budismo (na Índia) e o animismo no Magrebe.

    Arte e literatura

    arte islâmica não se inspira unicamente na religião. A literatura persa, como o Shâh Nâmâ, épico nacional composto nos inicíos do século X por Firdawsi, os "Cinco Poemas" (ou Khamsa) de Nizami (século XII), são fontes importantes de inspiração que se manifestam na arte do livro, mas também na relacionada com os objectos (cerâmica, tapeçaria...). As obras de alguns poetas místicos, como Saadi e Djami, dão também lugar a numerosas representações.

    As fábulas de origem indiana presentes na literatura árabe são frequentemente alvo de ilustrações nos ateliers de Bagdade e da Síria. Também a literatura científica, como os tratados de astronomia, de mecânica ou de botânica, possui ricas ilustrações.

    Motivos abstractos. A caligrafia

    São numerosos e variados os motivos decorativos nesta forma de arte, desde os motivos geométricos aos arabescos. A caligrafia no islão é considerada uma actividade nobre e sagrada, tendo em vista que as suratas do Alcorão são consideradas palavras divinas. As representações de humanos e de animais são excluídas de obras religiosas. A caligrafia como arte está também presente em obras do domínio do profano.

    Os começos da arte islâmica (séculos VII-IX)

    Antes do aparecimento das dinastias

    Sabe-se muito pouco sobre a arquitectura anterior ao aparecimento dos Omíadas (meados do século VII). O edifício mais importante anterior à era omíada é sem dúvida a "Casa do Profeta" situada em Medina. Esta casa, cujo estatuto é mais ou menos mítico, teria sido o primeiro lugar onde se reuniam os muçulmanos para rezar, embora o islão considere que a oração possa ser efectuada em qualquer local, desde que este esteja limpo.

    A Casa do Profeta possui uma importância considerável para a arquitectura islâmica, visto que ela seria o protótipo das mesquitas de planta árabe: um pátio e uma sala hispotila para as orações. Construída em materiais degradáveis (madeira e barro), não sobreviveu ao passar do tempo. A actual Mesquita do Profeta em Medina foi construída no local onde se julga que existia a casa.

    É difícil distinguir os primeiros objectos islâmicos dos objectos sassânidas e bizantinos, devido ao facto de partilharem as mesmas técnicas e motivos decorativos. Conhece-se uma abundante produção de cerâmica não vidrada, na qual se enquadra uma pequena tigela presente hoje no Museu do Louvre, cuja inscrição assegura a sua inserção no período islâmico. Os motivos decorativos mais importantes são os vegetais

    Arte omíada

    Durante o período omíada, ocorre o desenvolvimento da arquitectura civil e religiosa, tendo se posto em prática novos conceitos e novos plantas. Assim, a planta árabe, com pátio e sala hipostila de orações, torna-se um modelo a partir da construção da Mesquita dos Omíadas em Damasco, que servirá como referência aos construtores posteriores.

    A Cúpula da Rocha em Jerusalém é sem dúvida um dos edifícios mais importantes de toda a arquitectura islâmica, marcada por um forte influência bizantina (mosaicos, planta centrada que recorda ao do Santo Sepulcro), embora já se notem elementos tipicamente islâmicos, como os frisos com inscrições. Os castelos do deserto da Palestina proporcionam também variadas informações quanto à arquitectura civil e religiosa desta época.

    Para além da arquitectura, os artistas trabalharam uma cerâmica ainda primitiva, não vidrada, e o metal. A distinção entre os objectos que pertencem a esta época e os da época pré-islâmica é pouco clara.

    Arte abássida

    Ao contrário do que sucede com os objectos do período omíada, os da era abássida estão bastante estudados. Com a deslocação dos centros de poder para este, entram em cena duas cidades que funcionaram como capitais califais, Bagdade e Samarra, situadas no que é hoje o Iraque. Se na cidade de Bagdade não foi possível realizar escavações, devido a estar hoje repleta de casas, os motivos dos estuques de Samarra, que foram bem estudados, permitindo datar os edifícios desta cidade.

    A cerâmica conhece duas importantes inovações: a invenção da faiança e do lustro metálico. Estas duas técnicas continuarão a ser usadas durante muito tempo após a queda da dinastia abássida.

    O período medieval (séculos IX-XV)

    A partir do século IX o poder abássida é contestado nas províncias que se encontram mais afastadas do centro do poder. Surgem vários califados que afirmam a sua independência face aos Abássidas, como os Omíadas do Al-Andalus (Península Ibérica) ou dos Fatímidas xiitas no Norte de África. No Irão dinastias que governadores administram autonomamente os territórios.

    Al-Andalus e Magrebe

    Sala das orações da Mesquita de CórdovaEm 756 o único sobrevivente do massacre da família omíada em Damasco, perpetuado como forma dos Abássidas se instalarem no poder, chega à Península Ibérica, onde funda um emirado independente. Os seus descendentes governam o Al-Andalus até cerca de 1031, altura em que o Califado de Córdova se dissolve.

    Segue-se um período de pequenos reinos, as taifas, até que o Al-Andalus é conquistado sucessivamente por duas dinastias norte-africanas, os Almorávidas e os Almóadas, que introduzem influências magrebinas na arte. No século XIII o poder islâmico na península resume-se ao reino de Granada, que é integrado na Espanha em 1492, ano em que foi conquistado pelos Reis Católicos.

    A partir de 1196, os Merínidas substituem o poder almóada. A partir da sua capital em Fez, os Merínidas participam em numerosas expedições militares quer na Península quer na Tunísia, onde não conseguem derrotar a dinastia dos Hafsidas. A partir do século XV o poder merínida entra em decadência e estes são substituídos pelos Xarifes no ano de 1549. Por sua vez os Hafsidas sobrevivem até à conquista otomana de 1574.

    O Al-Andalus é um grande centro de cultura medieval. Na arquitectura salienta-se a Mesquita de Córdova, bem como a mesquita Bab Mardum em Toledo ou a cidade palatina de Madinat al-Zahra. Do período nasrida, destaca-se a Alhambra em Granada.

    Egipto e Síria

    Os Fatímidas - uma das poucas dinastias xiitas no mundo islâmico - governaram o norte de África e o Egipto entre 909 e 1171. Um dos seus grandes legados foi a fundação da cidade do Cairo em 969. Esta dinastia estimula o aparecimento de uma importante arquitectura religiosa, bem como a produção de uma série de objectos em diversos materiais: cristal, cerâmica, metais inscrustados, vidros opacos... Numerosos artistas da arte fatímida são cristãos coptas.

    Pela mesma altura na Síria, os atabegs (governadores árabes dos princípes seljúcidas) conquistam o poder. Bastante independentes, jogam com a rivalidade existente entre os princípes turcos e apoiam a instalação dos cruzados. Em 1117, Saladino conquista o Egipto dos Fatímidas e funda a dinastia dos Aiúbidas. Este período não foi de grande relevância para a arquitectura, mas a produção de objectos de elevado valor artístico continua. A cerâmica e o metal inscrustado de alta qualidade continuam a ser produzidos e o vidro esmaltado faz a sua aparição.

    Em 1250 os Mamelucos tomam o poder aos Aiúbudas no Egipto e em 1261 impõem o seu poder na Síria. O poder dos Mamelucos prolonga-se até 1517; durante este período são construídos muitos edifícios.

    Técnicas da arte islâmica

    Urbanismo, arquitectura e decoração

    A arquitectura manifesta-se de diversas formas no mundo islâmico: mesquitas, madrasas (escolas religiosas), edifícios que funcionam como locais de retiro espiritual (como por exemplo, as arrábitas) e túmulos são alguns dos edifícios característicos dos países de tradição islâmica.

    A tipologia dos edifícios apresenta variações de acordo com as regiões e os períodos históricos. No coração do mundo árabe, o que corresponde ao Egipto, Síria e Iraque, no período anterior ao século XIII, as mesquitas seguem todas a mesma planta, com um pátio e uma sala hispotila para as orações, mas variam bastante no que diz respeito à decoração e às formas.

    No Irão encontram-se especificidades próprias, como o emprego do tijolo e o uso de formas particulares como os iwans e o arco persa. Na Península Ibérica foi patente o gosto por uma arquitectura colorida, com o emprego de vários tipos de arcos (em ferradura, polilobados...).

    Na atual Turquia, a influência da civilização bizantina revela-se na construção de grandes mesquitas com grandes cúpulas, enquanto que na Índia da era mogol desenvolvem-se plantas próprias, que se afastam cada vez mais do modelo iraniano e colocam em relevância as famosas cúpulas bolbosas.

    A arte do livro

    A arte do livro é talvez a forma mais conhecida de expressão da arte islâmica, mas também a de mais difícil estudo.

    Ela agrega simultaneamente:

  • a pintura
  • a encadernação
  • a caligrafia
  • a iluminura e a miniatura
  • A arte do livro é geralmente dividida em três domínios: árabe (manuscritos sírios, egípcios, magrebinos), persas (manuscritos criados no Irão, sobretudo a partir da era mongol) e indiano (manuscritos mogóis). Cada um destes grupos possui o seu próprio estilo, divisível por várias escolas, com os seus próprios artistas e convenções. Regista-se uma evolução paralela, que resulta em alguns casos das influências recíprocas ou da deslocação de artistas motivada por acontecimentos políticos.

    As artes ditas "menores"

    Neste domínio salientam-se manifestações artísticas classificadas na visão eurocêntrica como "menores", mas que na civilização islâmica atingiram um grau de desenvolvimento considerável:

  • a arte do metal
  • a arte da cerâmica
  • a arte do vidro;
  • a arte de trabalhar a pedra
  • a arte da talha
  • a arte do marfim.
  • Fonte: www.historianet.com.br

    Arte Islâmica

    A conceituação do que seja arte islâmica já traz uma certa complexidade ao se tentar estabelecer uma definição geopolítica, racial, cultural ou religiosa. Egípcios, árabes, iraquianos, todos esses povos e muitos outros mais, se confundem dentro desse conceito de arte, embora sejam tão diferentes e eventualmente tenham posturas diametralmente opostas.

    arte islâmica está na Espanha e Portugal e também está na Índia e nas Filipinas. É uma vastíssima região do mundo. Vamos estabelecer aqui que o termo arte islâmica não tem unicamente a conotação religiosa mas uma certa unidade estética que distingue e caracteriza esse conjunto. Definitivamente, é uma coisa complexa e não estou conseguindo simplificar como gostaria.

    Arte Islâmica
    Arabescos em um cálice feito em cerâmica e no cofre em marfim - desenhos complexos

    A primeira, e talvez a mais forte maneira de expressão artística ligada ao islamismo é a caligrafia árabe. Segundo o Alcorão, Deus falou aos homens em árabe e a escrita passou então a ser a maneira de expressar a palavra de Deus. Essa missão de difundir a palavra de Deus através da escrita é bem representativa do espírito muçulmano.

    CyberArtes já publicou, há bastante tempo, uma matéria sobre Escrita Árabe e outra sobre Arte Celta, uma seguida pela outra (edições 38 e 39 que continuam disponíveis), e até hoje continuamos recebendo um bom número de correspondências vindas de todos os lugares sobre os dois assuntos. Já estamos na edição 78 e as correspondências continuam. Por esse motivo, vamos deixar de lado o alfabeto árabe nessa matéria, tanto quanto for possível, e enfatizar outros aspectos da arte islâmica.

    Na arte islâmica é marcante a importância da cerâmica e da preparação de azulejos. Empregando motivos encontrados na natureza, como flores, frutos, folhagens e animais, e até mesmo desenhos geométricos, os artesãos elaboram um amarfanhado de figuras, retas, curvas e letras para formar motivos de decoração, ao mesmo tempo em que registram mensagens ou conceitos.

    Esses ornamentos são empregados na decoração de prédios, tanto no interior como no exterior, além de usados na fabricação de objetos de qualquer tipo. São os arabescos. De certa maneira é possível ler, nesses objetos.

    Arte Islâmica
    Azulejos são empregados na decoração de interiores e exteriores nas mesquitas, como a Mesquita Azul, em Istambul (foto à direita) - proporções gigantescas

    A cerâmica é de suma importância para os muçulmanos. Eles empregam algumas substâncias metálicas misturadas ao esmalte com que pintam o barro e louça. O resultado, quando ocorre a queima, é uma película metálica de grande brilho e fosforescência. A complexidade dos desenhos é outra característica facilmente encontrada: vidro, madeira, metais, marfim, tudo é trabalhado com desenhos complexos e detalhados.

    Arte Islâmica
    Harmonia, colorido e grandiosidade na cúpula da mesquita no Egito e na Kaaba, em Meca, Arábia Saudita - a Arte Islâmica é marcada pela religiosidade e está em uma vasta região do planeta

    arte islâmica é colorida. Tanto o interior dos prédios como o exterior são freqüentemente decorados com azulejos ou com mosaicos feitos com azulejos em muitas cores. O efeito é belíssimo em alguns casos e impressiona pela grandiosidade e pelo cuidado nos detalhes.

    O mundo tem muitos exemplos de enormes templos dedicados a orações ou ao louvor: isso é verdade no Cristianismo, no Budismo e em praticamente todas as religiões; no Islamismo não é diferente. Os azulejos datam de 5000 a.C. conforme foram encontrados em escavações no Egito. Naquela época já se faziam murais e foram encontradas as cores

    Azul Turquesa e Verde Nilo, produzidas pelos primeiros alquimistas. Apesar da aridez dos desertos que tanto caracterizam muitas das regiões dominadas pelo islamismo, a arte islâmica procurou lidar com todas as cores do arco íris e as suas inesgotáveis variações desde o início.

    Arte Islâmica
    Minaretes, no Egito e na Espanha - variedade de formas e de quantidade de acordo com cada região

    As mesquitas, locais preparados para as orações, eram inicialmente uma imitação da casa de Maomé, em Medina. Havia um pátio quadrado com uma porta voltada para o sul. Haviam galerias feitas com troncos de palmeira e fontes para a ablução.

    Essa simplicidade foi sendo perdida na medida em que se procurava fazer da mesquita um lugar magnífico e transcendental entre essa vida e a outra vida. Três elementos caracterizam as mesquitas: a harmonia das formas, o emprego das luzes e a caligrafia que existe em todos os lugares representando a palavra de Deus.

    Toda Mesquita tem um Minarete, uma espécie de torre de onde se sinaliza avisando as horas das orações. A forma, o estilo decorativo e até a quantidade de minaretes em uma mesquita, varia de acordo com o local, sendo de uma maneira na Turquia, de outra no Egito, na Espanha, no Irã e assim sucessivamente.

    O mundo islâmico é muito vasto e formado por paises que muitas vezes se antagonizam e etnias sem possibilidade de convivência. A cúpula que cobre os templos, os arcos que caracterizam quase todas as mesquitas, tudo isso tem tantas e variadas formas como imenso é o mundo islâmico. Descrever tudo detalhadamente aqui faria do texto muito maior do que o padrão definido por CyberArtes.

    O Islamismo é uma religião concebida inicialmente por Maomé, a partir do século VII. Recebeu influência, como não poderia deixar de ser, das forças religiosas dominantes na época, o judaísmo e o cristianismo, mas é uma religião original, no sentido de que veio para responder aos desejos do povo árabe - tanto os nômades como aos pertencentes as poderosas dinastias existentes.

    Na mesma região onde os cristãos e judeus estabeleceram templos e lugares sagrados, os islâmicos também marcaram presença com suas mesquitas. Igrejas, mesquitas e sinagogas: essa mistura nunca teve uma convivência pacífica e harmoniosa. Não deveria ser assim, mas é!

    A pintura islâmica não foi usada, como no cristianismo, para decorar os edifícios religiosos. Empregava-se unicamente nas residências e alguns prédios públicos. Foram feitos afrescos mas pouca coisa foi conservada até hoje. O estilo é estático e sem profundidade.

    De fato, a pintura nem de longe tem a importância que se da a caligrafia e a cerâmica. A arte da tapeçaria também foi importante, mas vamos deixar isso para um outra ocasião. Foi à partir dos desenhos sem significado aparente dos tapetes persas que se deu origem à moderna arte abstrata.

    arte islâmica está longe de ser a arte de um pais. À partir da dominação árabe em uma vasta região do mundo, todos esses povos reunidos pelo islamismo receberam uma forte e variada influência dos povos conquistados e oponentes. Esse o motivo de tanta variação mesmo nos elementos mais padronizados e característicos.

    Não há uma unidade rígida, mas uma influência tão complexa como um arabesco. Para nós, ocidentais, a postura islâmica é muitas vezes incompreensível em seu desprezo pela vida terrena e pela constante exaltação da vida transcendental. A arte, entretanto, facilmente atinge o nosso coração.

    Fonte: www.cyberartes.com.br

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