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Idade Média

 

Entre os séculos VIII e X, a arte se manifesta em novas atividades, como a iluminura (ilustração manual de livros), a tapeçaria, a ourivesaria, as fundições em bronze e os esmaltes. Com as invasões bárbaras, a arte cristã adquire certa descontração e colorido.

Estilo românico

A revalorização da estética clássica caracteriza o estilo românico, no século XI. Na arquitetura, há um retorno à grandiosidade. Com noção de beleza simples, que se manifesta nos arcos de forma arredondada, o estilo românico surge na arquitetura da Borgonha (abadia de Cluny) e Normandia (catedral de Rouen), é levado para a Inglaterra e estende sua influência sobre a Espanha e a Itália, presente na fachada da igreja de San Miniato, em Florença.

Estilo gótico

Na metade do século XII, surge a arte gótica. Inicialmente uma variante do estilo românico, ganha particularidade cada vez maior. A arquitetura gótica se caracteriza por arcos de forma ogival, vitrais multicoloridos com cenas bíblicas e amplas naves (como na basílica de Saint-Denis e nas catedrais de Chartres e Notre-Dame). Na pintura e na escultura, as figuras são esguias e delicadas e a composição hierarquizada, com rígida simetria - o santo homenageado ocupa a posição central, enquanto anjos e santos secundários são colocados lateralmente.

No século XIV, desenvolve-se uma radicalização do gótico, o estilo flamboyant (flamejante), de decoração rebuscada, formas leves e elegantes (catedral de Colônia, na Alemanha).

ARTE BIZANTINA

A fórmula da arte romana se estende por todo o período paleocristão, quando ganha maior sacralização das figuras, em detrimento de sua perfeição física. Essa arte só vai passar por transformações significativas por volta do século VIII, com a influência da arte bizantina, sobretudo nos entalhes em marfim e mosaicos - veja foto ao lado.

A estilização é retomada, à maneira oriental, e as figuras ganham delicadeza, tornando-se mais espirituais. Um rosto é geralmente retratado de perfil, com alguns traços e a composição bastante sintética. Finda o espírito ático; agora as figuras humanas perdem peso e presença.

ARTE ISLÂMICA

Ocorre no Islã, depois da fundação da religião muçulmana por Maomé (570?-632?), uma produção artística que toma o norte da África. Na sucessão de impérios islâmicos, até o século XV, a arte bizantina experimenta variações, em que se destaca a arquitetura surgida entre os séculos VIII e X, notável pela ausência de monumentalidade.

A suntuosidade dos materiais, os excessos ornamentais e o uso de elementos curvos (ogivas, arcos, arabescos) conferem grandeza à construção. Essas características influenciam a arte ocidental no início da Alta Idade Média.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Idade Média

A Alta Idade-Média

É assim, Constantinopla (hoje Istambul), é a testemunha do nascimento e a morte da Idade-Média. Sua fundação em 330 d.C. por Constantino e queda por Maomé II em 1473 marcam o início e o fim da Idade-Média.

O Imperador Romano, Diocleciano tentou deter a queda do império dividindo-o em duas frentes, o império do oriente e do ocidente, Constantino mudou a capital do império de Roma para Bizâncio, mudando o nome da cidade para Constantinopla, em 395, mantendo o império do oriente. No seu leito de morte, Constantino se converte ao Cristianismo e termina a perseguição a Igreja.

Ai começa a Idade-Média

Logo depois, no ocidente, os bárbaros invadiam Roma em 410, as legiões foram chamadas da Britânia deixando a ilha abandonada, Roma foi saqueada novamente em 455 e depois o rei godo, Odoacro em 476 depôs o último imperador romano e proclamou-se rei da Itália. Fim do império romano em toda a Europa. Gallia (França), Britannia (Inglaterra), e Hispania (Espanha) já podiam se desenvolver sem a ajuda dos romanos.

Agora estavam sós com seus problemas, a Inglaterra teve todo o tipo de invasão bárbara, Jutos, Anglos e Saxões, Pictos e tribos Irlandesas, se divertiam no território abandonado pelos romanos. Já alguns bretões fugiram para a Armórica, região noroeste da França, (antigo território celta), que a partir dai se denominou Bretanha. Por outro lado, a França tem os visigodos em seu território, as tribos germânicas penetravam cada vez mais na França, bem como os vândalos e suevos. Tudo era uma grande liquidação de territórios já que o temido império romano não existia mais.

Desta mistura toda, começaram os reinos.

A força da Espada

Para manter um reino unido a tarefa não era para qualquer um...

Clóvis, o primeiro rei dos Francos (482 a 511) foi responsável pela organização e administração do reino, com campanhas militares consolidou as fronteiras.

Converteu-se ao cristianismo rompendo com o arianismo, seita cristã dos primitivos bárbaros, e impôs a unificação.

Depois da morte de Clóvis, seus filhos ficaram com o reino, assumindo Clotário e depois Clotário II, eram os Merovíngios. Uma das maiores realizações da dinastia Merovíngia foi a conquista da Germânia. Só que não conseguiam impor uma administração merovíngia aos povos conquistados. O problema era a economia... Sem moedas de ouro, os reis merovíngios nunca conseguiram restabelecer um padrão monetário para incrementar o comércio.

Daí, sem dinheiro sem poder...O rei era só um fantoche manipulado por um homem que tinha o cargo de Majordomus, uma espécie de primeiro-ministro. Que adivinha, tinham o cargo hereditário. Depois de 687, um Majordomus de nome Pepino de Heristal impôs sua autoridade em grande parte do reino franco quando expulsou vários invasores. Seu filho, Carlos Martel (Martelo - nome que revelava seu sensível espírito) herdou do pai o cargo.

Carlos Martel sobre as ordens do Rei, juntou os vários feudos e expulsou Árabes, Lombardos, Eslavos e Saxões.

Até que o rei morreu, e o trono se manteve desocupado, graças ao próprio Martel que governou sozinho até sua morte em 741.

O filho de Carlos Martel subiu ao trono em 751, Pepino-o-breve, que teve esse nome não por ser seu reinado curto, mas por causa de um torneio, quando cortou com um só golpe a cabeça de um leão e de um touro selvagem...Bom daí... Ninguém mais se atrevia a brigar com ele, Pepino foi até o Papa e pediu sua aprovação para ocupar o trono dos francos, já que o natural era ocupar o trono um merovíngio e não o filho de um Majordomus, Perguntando ao Papa "Se era justo e conveniente que um povo como o seu fosse governado por um rei desprovido de poder?" O Papa respondeu que "Convém que aquele que detém o poder tenha também o título de rei". Lá estava Pepino-o-breve no trono da França, e começava ai a dinastia Carolíngia.

Então, a Igreja de Roma pediu ajuda ao rei dos Francos para expulsar os Lombardos da Itália, já que Constantinopla não podia vir a seu socorro, assim Pepino-o-Breve, esmagou os Lombardos e fechou um acordo com a Igreja, dali para sempre, era propriedade da Igreja todas as terras que os Romanos não podiam defender. "Nem todos os tesouros do mundo me levariam a tirar de S.Pedro o que um dia lhe dei”.Palavras de Pepino-o-Breve.

Começa assim a influencia política da Igreja na Europa... Suas grandes áreas de terra e abadias começaram a se espalhar, contando com a proteção dos francos.

Pepino-o-breve morreu em 768. Seus dois filhos chegaram ao trono, Carlomano, o mais moço, morreu pouco depois e Carlos Magno assumiu o cargo...Simpático como ninguém, Carlos Magno era famoso por endireitar ferradura na mão, porem. Sabia conduzir muito bem a força e o poder político, sendo um rei lendário, muito fez pela Igreja e levou a França à categoria de império, expandindo suas fronteiras da Saxônia (parte da Alemanha), Frisia e a Catalunha (Espanha) e a Itália Lombarda.

Virou um herói, o Papa Leão III, na noite de 25 de dezembro de 800 o consagrou imperador dos romanos. O título de imperador havia sido extinto do ocidente há quase 400 anos, e o império original em Constantinopla protestou contra esse título...Mas como não era muito aconselhável uma discussão com Carlos Magno, Constantinopla o reconheceu como imperador. E mais tarde também santo, pois lhe atribuíam poderes fantásticos vindos de Deus.

Para administrar mais facilmente seu império, Carlos Magno dividiu-o em várias unidades administrativas chamadas Condado. Para cada Condado, um nobre de confiança chamado Conde, com autoridade jurídica e militar, na região de sua responsabilidade. Além dos Condes, grupos de Nobres que viviam na capital do império Carolíngio chamada Aix-la-Chapelle, exerciam a função de fiscais do imperador, eram conhecidos como Missi Dominici. Trabalhavam sempre em dois, um era bispo, outro um leigo (que não fazia parte da Igreja). Revolucionaram a administração utilizando documentos escritos, pois na época dos Merovíngios, a grande maioria era analfabeta.

Existia paralelamente uma velha tradição dos Merovíngios, chamada de Beneficium, que consistia em doar terras aos nobres que prestassem serviços reais. Esses nobres eram os Vassalos do Rei. Com Carlos Magno essas doações deixaram de ser uma tradição e passaram a ser um direito daqueles que prestaram serviços ao imperador. Esses vassalos não se submetiam à fiscalização dos Missi Dominici. Ai começaram a ter poder.

Carlos Magno morreu com 72 anos, em 814. Com sua morte desapareceu o último chefe e herói popular das grandes invasões. E seu império foi se desintegrando.

Esse período de transição entre o fim do império Romano e a morte de Carlos Magno, ficou conhecido como a Idade das Trevas. Pois o mundo mergulhou no caos e na lei do mais forte. Alguns erroneamente chamam toda a Idade-Média de Idade das Trevas, mas agora você já sabe que não é assim.

Subiram ao trono depois de Carlos Magno, seu filho Luís-o-piedoso, que governou com o título de imperador até 840, tendo três filhos. Com a morte de Luís-o-piedoso, deveria subir ao trono carolíngio; Lotário. Mas seus dois irmãos, Luís, o Germânico e Carlos, o Calvo, reivindicaram o trono. Começou a guerra civil que fez o império ruir. Aproveitando da bagunça armada, os Vikings, os árabes e os húngaros começaram a atacar... Invasões que os Condes não conseguiam repelir. Os três irmãos firmaram um acordo em 843, A França fica com Lotário, Luis-o-Germânico recebe a parte oriental, e Carlos-o-Calvo fica com a parte ocidental do império. É o tratado de Verdum.

A partir daí a desagregação do império foi inevitável.

Em 850 todos os Beneficium tornaram-se hereditários e já em 870 extinguiu-se o último Missi Dominici.

O Feudalismo

A política era do toma lá e da cá, os reis já usavam o Beneficium em troca da fidelidade, dava-lhes terras e títulos de feudos (Propriedade) (Um pequeno reino, com o conde podendo mandar e desmandar). No começo, o que recebiam não era hereditário, mas durava apenas enquanto se mantivesse fiel ao rei. Se faltasse ao seu juramento, o rei tinha o direito de tomar de volta o seu feudo, claro, se dispusesse de força para isso. Até que em 850 todos os Beneficium tornaram-se hereditários.

O Rei que concebia a terra, era o Suserano.

E aquele que a recebia como feudo era o Vassalo.

O suserano e o vassalo tinham um mútuo acordo de auxilio e conselho. Eram aliados. Os vassalos podiam ser seculares ou eclesiásticos, Todos os que tinham obtido um feudo acabaram por formar uma sociedade à parte, eram a Nobreza Feudal. A sociedade baseada neste sistema de terras concebidas a senhores feudatários com responsabilidade e direitos nesta terra chamava-se Feudalismo ou Regime Feudal. Entendeu?

E a vidinha miserável do pobre povo camponês?

O povo, ora o povo... Sempre ameaçado por guerras e por altos impostos da coroa, a grande maioria abdicava de sua liberdade para servir a um senhor, e como não havia mais escravos, (religiosamente contra) os condes optavam por servos. O servo corria com sua família e jurava lealdade ao conde em troca de segurança, só que para desfrutar desta chamada segurança, tinham que ceder suas terras e uma parte de sua colheita anual para o sustento dos homens de armas e manutenção das fortificações e arsenais de seu protetor. O servo agora era isento dos impostos devidos à coroa, porem deveriam pagar uma taxa ao seu senhor.

Aqueles que preferiam a função de soldados à de trabalhador eram treinados e juravam lealdade somente ao seu senhor, que era responsável pela justiça e pela ordem de seu reino, podendo submeter multas e aplicar castigos corporais em seus servos. O senhor agora era um suserano e os que estavam sobre sua proteção eram vassalos. O conde podia dispor do mesmo direito de suserano, nomeando barões que tinham seus próprios vassalos, e assim a pirâmide de poder se formava.

Os que optavam pela segurança de uma igreja ou abadia eram considerados como uma comunidade religiosa, dominando-se pelo nome do santo da igreja ou abadia: Família de S. Pedro, família de Santa Isabel...

Então era assim: O rei era o suserano maior, mandando nos seus vassalos que eram os condes, que por sua vez mandavam nos barões e duques, que mandavam nos soldados e camponeses que tinham como servos. E os servos mandavam em ninguém...

E de que vivia o Rei? Das suas próprias terras e de seu patrimônio pessoal, que dava muito bem pra se viver.

Alguns poderosos vassalos com seus feudos possuindo castelos e tropas guerreavam entre si e contra o próprio Rei. E ainda lutavam contra os invasores...

O Sistema Feudal ou Feudalismo foi se desenvolvendo no século IX até atingir o auge entre o século XII e XIII.

A divisão das terras do senhor do feudo era assim, 40% era Reserva Senhorial, 40% era a Reserva do Camponês, ocupada pelos camponeses, e a terceira parte era composta de Terras Comunais, pastos, florestas ou baldios. Dai retiravam madeira e frutas, Mas ao senhor era reservado direito exclusivo da caça.

Os servos eram obrigados a trabalhar nas terras de seu senhor alguns dias por semana, todo o produto deste trabalho era do senhor. Este imposto era chamado de Corvéia. Além deste, os servos eram obrigados também a pagar um imposto sobre a Reserva do Camponês, que era uma parte do que produziam. Havia ainda as Banalidades, que era o imposto que deviam pagar pelo uso do moinho de trigo ou da prensa para extrair o vinho. Ambos pertenciam ao senhor, mas mesmo quando não pertenciam, os servos por tradição deveriam pagar pelo uso. Outro imposto era o da Mão-Morta, pois quando o servo morria, seus filhos deveriam pagar para continuar nas terras do senhor... Vidinha besta, não? E a igreja apoiava tudo, porque a Sociedade era divida por três camadas fixas, Sarcedotes, Guerreiros e Trabalhadores.

Os Sarcedotes (Clero) eram os mais importantes, pois tinham a exclusividade de falar com Deus. Os Guerreiros (Nobreza) lutavam para proteger a todos dos males do mundo, principalmente contra os infiéis. E os Trabalhadores deveriam trabalhar, ora! Para produzir o necessário para o sustento de todo o resto da sociedade.

A Igreja entende que Deus é o suserano maior e que todos os fiéis são seus vassalos. O gesto de rezarmos com as mãos juntas, nada mais é do que repetir o gesto que se fazia quando o vassalo se dirigia ao suserano.

Se eu vivesse nesta época eu queria ser cavaleiro! É isso que você pensa... A guerra era uma exclusividade da nobreza, um equipamento completo de cavaleiro, (Cota de malha, elmo, armadura, luvas, espada, lança, escudo, etc, etc, etc...) custava à quantia de 22 bois. Uma família de camponeses conseguia ter no máximo dois animais bem magrinhos. Somente a nobreza feudal poderia sustentar isso.

Uma das principais atividades dos cavaleiros era reprimir rebeliões por parte dos camponeses. Os constantes combates destruíam as plantações, por essa razão, a Igreja estabeleceu no século X, a Paz de Deus. Que pretendia que os cavaleiros respeitassem os camponeses e mercadores. Essa Paz de Deus transformou-se na Trégua de Deus, que consistia que os nobres não poderiam guerrear de quinta-feira até a segunda de manhã. Essa intervenção da Igreja nos assuntos militares foi o primeiro passo para as organizações das Cruzadas.

A Baixa Idade-Média

Os nobres no século X viviam isolados em castelos fortificados, diante de constantes invasões. Ao mesmo tempo, mantinham os camponeses sob forte domínio servil. A dinastia Coralíngia havido se extinguido e, em 987, Hugo Capeto subiu ao trono francês. Começava a dinastia Capetíngia, mais ainda assim era controlada pelo poder independente dos nobres feudais.

Luis VI, o Gordo, assumiu o trono em 1108, e começou com a ajuda do abade Suger a impor sua autoridade...Dominava os Condes e Duques por uma política de matrimônio entre os nobres e parentes próximos. Com apoio das ordens religiosas. Suger, o abade conselheiro fez com que a França ganhasse prestígio participando de uma Cruzada. Os Capetos conseguiram um progresso econômico que aumentou ainda mais o poder da casa real.

Felipe Augusto (1180 -1223) tomou para a coroa os territórios de Normandia, Anjou, Maine, Touraine e Artois. O território real cresceu três vezes mais depois das adesões. Os nobres ingleses, possuidores de vastos domínios na França, não reconheceram a autoridade de Felipe Augusto. Para dominá-los, Felipe organizou um exército com a ajuda das cidades manufatureiras do norte. Os ingleses foram derrotados na batalha de Bouvines, em 1214.

Luis VIII, sucessor de Felipe Augusto começou seu reinado em 1223 tomando parte do litoral do Mediterrâneo. Criando um sistema de funcionários e fiscais reais.

Luis IX, o famoso S.Luis das Cruzadas governou de 1226 a 1270, apoiado pelos mercadores das cidades que recebiam proteção para as suas atividades em troca de impostos, ainda lutou contra os Albigenses e anexou seus territórios. Derrotou Henrique III da Inglaterra e obrigou o soberano Inglês a jurar-lhe vassalagem. A Inglaterra tinha várias possessões na França e os reis franceses tiveram que lutar constantemente com os reis ingleses.

O Fabuloso crescimento e avanço da sociedade feudal começou a diminuir de intensidade nas últimas décadas do século XIII, e as crises do sistema feudal do século XIV tiveram vários fatores, a crise da fome causada por fortes chuvas em 1314 e 1315, provocando enchentes que destruíram grandes plantações, o comércio sofreu uma diminuição por falta de dinheiro, as minas de ouro e a prata deixaram de produzir, prejudicando a circulação de dinheiro.

Os nobres começaram a roubar e a saquear seus vizinhos, aplicando a força, os Condottieri eram famosos nobres bandidos no norte da Itália, que freqüentemente vendiam seus serviços como mercenários para garantir a segurança de algum feudo.

Ainda a mortalidade na Europa atingiu índices elevadíssimos com a chamada guerra dos cem anos e depois com a Peste Negra.

A região de Flandres era rica em manufaturas e estava localizada ao norte da França. A França pretendia anexar essa área, pois rendia importantes impostos, mas os comerciantes de Flandres mantinham fortes ligações com a Inglaterra, pois este país era um dos principais fornecedores de lã para os teares destes mercadores e artesãos. Assim começaram uma resistência, ao mesmo tempo que a sucessão do trono francês começava a mostrar problemas, pois em 1328, morreu o último descendente de Felipe IV-o-Belo sem deixar sucessor.

Os nobres franceses tinham um candidato da família Valois, mas a Inglaterra exigiu o direito ao trono, por que Eduardo III, rei da Inglaterra, era neto de Felipe IV, por parte de mãe. Os nobres franceses nem ligaram para isso e elegeram o candidato dos Valois, que recebeu o nome de Felipe VI. Daí meu amigo, começou a Guerra dos Cem Anos em 1337.

100 anos de guerra

A peste Negra e Joana D'arc

A guerra durou mais de cem anos, mas só se lutou poucos 50 anos, a guerra era interrompida por armistícios e negociações de tréguas.

Logo no início, quem levava vantagem era a Inglaterra.

A França mantinha seus exércitos nos moldes da cavalaria feudal, pesadamente armada e de pouca mobilidade, já a Inglaterra, inovou seu exército com a introdução de arqueiros lutando a pé, com muito mais mobilidade.

Na Batalha de Crecy, travada em 1346, a cavalaria francesa foi derrotada pelos arqueiros ingleses, os quais utilizaram arcos e flechas que podiam alcançar uma distância de 400 metros com tamanha força que chegavam a atravessar as armaduras dos nobres cavaleiros franceses, nesta única batalha os franceses tiveram uma baixa de 1.500 cavaleiros, um golpe na nobreza.

A situação piorou bastante com a chegada de um inimigo muito mais mortal, a peste negra de 1346 a 1350. Peste bubônica que alcançou a Europa a partir dos exércitos Tártaros, vindos da campanha de Criméia, que cercaram o porto de Caffa em 1347, ratos portando pulgas infectadas foram levadas para o exterior em navios comerciais trazendo a peste para o sul da Europa. Em 1348, ela alcançou a França, a Espanha e a Inglaterra. Um ano depois, a Alemanha, a Rússia e a Escandinávia. O número de mortos chegou a 25 milhões, entre os quais, um terço da população inglesa. Os efeitos foram profundos e duradouros.

A Igreja foi afetada com clérigos treinados inadequadamente e ordenados às pressas para substituir os sacerdotes mortos.

No ano de 1356, na batalha de Poitiers, o rei sucessor de Felipe VI, João-o-Bom, caiu prisioneiro dos ingleses, que pediram um alto resgate, Uma vergonha e a velha cavalaria feudal estava definitivamente ultrapassada como arma de guerra.

E os camponeses ainda se rebelavam, nas chamadas Jacqueries.

Os franceses só começaram a reverter o quadro quando começaram a modernização dos exércitos, que para isso, deixaram os cofres vazios. O rei Carlos VI se mostrava um rei fraco e não tinha nenhuma autoridade para impor-se à nobreza, que reconquistou sua antiga liberdade, gerando verdadeiros partidos na França, divididos pelos Armagnac e Borguinhões. Era a guerra civil.

Aproveitando-se disso, e com o apoio dos Borguinhões, O lendário Henrique V da Inglaterra invadiu a França pelo norte, ocasião da famosa vitória de Azincourt e do tratado de Troyes que obrigava Carlos VI a reconhecer que seu sucessor seria um rei inglês.

No reinado seguinte em 1422, a França estava dividida em dois reinos: ao norte, que era governada por Henrique VI, com o apoio dos Borguinhões e ao sul, governada pelo rei Carlos VII, com os Armagnac.

A oposição contra os ingleses começou a tomar forma, e um sentimento de nacionalismo, pela primeira vez era manifestado.

Uma grande figura apareceu nesta época, uma camponesa de Domremy que tinha visões e ouvia vozes que a mandavam deixar sua aldeia e libertar a França!

Organizou um exército e derrotou em muitas batalhas, ingleses e borguilhões. Conseguindo libertar vastos territórios.

Joana d'Arc (1412-1431) apoiada pelo exército de Carlos VII tomou a cidade de Orleans, em 1429, Levado a Reims, o rei foi reconhecido como soberano francês e Henrique VI nada mais era que um usurpador. Porem, Joana d'Arc representava um nacionalismo crescente e uma forte oposição ao interesse feudal.

Joana sofre várias derrotas, capturada pelos borgonheses é vendida para os ingleses, em um tribunal eclesiástico é acusada de feitiçaria e executada na fogueira em 30 de maio de 1431, na praça do mercado velho, em Ruão.

Carlos VII conseguiu assinar um tratado de paz com os borguilhões, em 1435. A partir daí, trabalhou para derrotar os ingleses.

Com um exército mercenário e uma invenção fantástica chamada Arma-de-Fogo, Carlos VII conseguiu em apenas um ano recuperar mais de 60 fortificações dos ingleses.

A guerra terminou em 1453, os ingleses foram derrotados, mantendo somente a fortaleza de Calais.

Antes as guerras eram travadas por pequenos grupos feudais, entre um pequeno número de nobres armados, agora era um exército centralizado em um único líder nacional, o rei. Com o grande número de mortos, aumentou a autoridade do rei.

As Guerras e a peste negra conferiu aos comerciantes, camponeses e artesãos que sobreviveram uma posição mais fortalecida, cansados de verem suas terras e colheitas destruídas apoiavam esse rei para por fim a anarquia.

A monarquia ainda teve que enfrentar focos de resistência da nobreza feudal. Luis XI em 1461 enfrentou uma revolta de nobres comandados por Carlos-o-temerário, duque da Borgonha que conseguiu o apoio dos ingleses. A rebelião fracassou em 1477.

Foi diante deste quadro que se consolidou os Estados Nacionais, concretizados em Monarquias com poderes fortemente centralizados.

A partir deste ponto, o feudalismo sofreu transformações, visando o lucro de uma nova camada da burguesia...Surgia o Capitalismo.

Como me referi no começo do texto, Constantinopla caiu em 1473 tomada pelas forças de Maomé II. Terminando a Idade-Média.

Muito deste resumo se concentrou na história Francesa, pretendo para o futuro relatar a Idade-Média na Inglaterra, na Espanha e na Alemanha.

Bem como a história da Igreja, que um importante papel representou em todos esses países.

Fonte: www.geocities.com

Idade Média

Idade Média! "Época de trevas, caos em que se imergiram as luzes da antiga civilização, pulverizada pelo formidável embate dos Bárbaros..."Com estas e outras declamações parece-nos estar ouvindo algum pedante que só tenha aprendido da história o que rezam os manuais franceses, e que da tomada da Bastilha faça datar a carta de alforria do gênero humano.

Pois muito em verdade vos dizemos que pela Idade Média professamos sempre a maior veneração, nela saudando uma das mais férteis e gloriosas quadras do espírito humano.

Se na Idade Média definitivamente se afundou o gênio antigo, foi para abrir lugar às civilizações oriundas do Evangelho e que tinham de alagar o mundo, não para destruí-lo qual novo dilúvio, mas para impregná-lo de futurosas colheitas, como no vale egípcio as inundações do rio benfazejo.

Se a Idade Média foi nalgum momento um caos, confessai ao menos que sobre aquela escuridão pairava o espírito de Deus, a cuja voz não tardou o abismo a estremecer banhado em luz...

Percorramos em brevíssima sinopse as diversas províncias do saber humano, e em todas elas veremos como brilhou o inculcado período das trevas.

Na filosofia brevemente haveremos de aludir a Santo Agostinho, qualificado por Villemain como um dos gênios mais vastos e prontos de que se gloria a humanidade; Escoto Erígena, continuador do neoplatonismo eclético de Alexandria, preparador do realismo escolástico, engenho transviado nos devaneios do panteísmo, mas certamente poderoso engenho e talvez inspirador das atrevidas imaginações de Espinosa; Santo Anselmo, que antes de Bacon proclamou a aliança necessária entre a fé e a razão; Roscelino, seu adversário, e que até à heresia foi arrastado pelo calor na defesa das doutrinas nominalistas; Abelardo, mais célebre pelas suas românticas aventuras do que pelo valor dialético que dele fez um dos primeiros professores da Europa; S. Bernardo, seu infatigável antagonista e de Pedro de Bruys e de Arnaldo de Bréscia, campeão da tolerância em prol dos Judeus perseguidos e que preencheu a vida impugnando cismas, reconciliando príncipes e consolando povos; S. Tomás de Aquino, o Anjo da Escola, cujas obras, no dizer de Cousin, são um dos maiores monumentos erguidos pela humana inteligência, e no concílio de Trento figuraram entre os livros dignos de consulta logo após as Sagradas Escrituras... Para que mais nomes depois destes?

Olhai para as letras. Enquanto lá dentro dos mosteiros e casas pias zelosamente se guardam os primores da antiguidade que, a seu tempo divulgados, devem produzir os portentos da Renascença, cá por fora poeta o povo pela boca dos seus trovadores e minnesingers. Na Alemanha são os Niebelungen, na Espanha o Poema do Cid e o Romancero, em França a Canção de Rolando — pedindo meças todos eles às epopéias homéricas na opulência da invenção e na sublime simplicidade, verdadeiras Ilíadas sem Homero, como acertadamente lhes chamou alguém.

Mais tarde, porém ainda dentro do período medieval, vemos na Itália Dante precedido por seu mestre Brunetto Latini; e Petrarca, ainda medievo, posto que já tomado pelo movimento da Renascença: Dante e Petrarca, isto é, o poema épico e a composição lírica em suas mais arrojadas e formosas construções.

Que diremos então da poesia onde exclusivamente se fazia sentir a inspiração cristã? Dos cânticos de Giovani Mariconi, mais conhecido por S. Francisco de Assis, do Stabat Mater de Jacopone de Todi, ou do Dies Irae de Thomaz Celano, obras primas entre as que mais o são, eternos acentos de piedade ou inextinguíveis gritos de dor, que vão atravessando os séculos e constantemente repetidos pela devoção?

Se das letras nos trasladarmos ao domínio das ciências, a começar pela jurisprudência, haveramos de reconhecer, com Muratori e Savigny, a permanência do direito romano, que, à sombra das instituições eclesiásticas, subsistiu em toda a Europa Medieval de par com as bárbaras leis dos vencedores; e posteriormente assistiremos, na cultíssima Bolonha, e sob o influxo do letrado Irnério, à renovação dos estudos jurídicos e à formação daquela erudita escola que principiou por Acúrsio, o ídolo dos jurisconsultos, para terminar em Bartolo, hoje esquecido, mas que por muitos anos teve após si e suas glosas a longuíssima cauda dos Bartolistas. Em o nosso século das luzes muito pasma que por mulheres estejam sendo cultivados o direito ou a medicina; e todavia, durante a escuridão medieval, Novella, filha de Giovanni d'Andréa, professor bolonhês, substituía o pai na sua cátedra magistral da Universidade, e ali professava o direito, mal escondida por uma cortina que, di-lo ingênuo cronista, tinha por objeto impedir que a gentileza da preletora absorvesse a atenção dos estudantes.

Em Salermo um refugiado, o monge cartaginês Constantino, vertia os autores de medicina gregos e árabes, e assim preparava o florescimento da escola cuja popularidade ainda subsiste, perpetuada por célebre coleção de preceitos sanitários. E aí também com os homens emulavam as damas, de uma das quais guardou a memória Orderico Vital, assegurando que com ela dificilmente competiam os esculápios do seu tempo.

Nem somente na Itália. Na península irmã, a ibérica, que arraigado preconceito nos mostra civilizada pela invasão maometana, está hoje provado que muito ao contrário foram os invadidos que poliram os invasores. A cultura hispano-muçulmana, como pondera o douto catedrático granadense Eguilaz e Yanguas, baseando-se nos estudos de Xavier Simonet e outros, não foi obra dos árabes, mas dos renegados cristãos, judeus e mozarabes que foram primeiro os validos e logo os diretores intelectuais dos emires e califas, a quem forneceram a flor dos poetas, retóricos e historiadores.

E que copiosa e esplêndida florescência, essa desabrochada no generoso terreno de Espanha! No palácio de Hescham, o 2o. Ommiada, incompleto catálogo mencionava quarenta e quatro mil volumes. O autor de um dicionário biográfico do XIII século cita mil e duzentos historiadores, cada qual em sua especialidade.

Gramática, poesia, eloqüência, política, direito, teologia, ciências naturais — tudo figura nos mil e oitocentos manuscritos da época, ainda hoje conservados na biblioteca do Escorial e insignificantes restos da enorme coleção estragada pelo incêndio de 1672. Eis o obscurantismo da Idade Média na atrasadíssima península espanhola!

Um lance de olhos às belas-artes. Na pintura é Fra Angélico ou Giovanni da Fiosole, rejeitando o arcebispado de Florença, para fazer da pintura uma suprema elevação a Deus, e realizando na miniatura como nas grandes composições o ideal da beleza cristã; são Huberto e sobretudo João Van Eick, criando a pintura a óleo, e cultivando com igual excelência o retrato, a história, a paisagem, os animais e as flores; é, finalmente, Masaccio, o sublime extravagante, em cujos quadros aprenderam Rafael e Miguel Ângelo.

Foi durante a Idade Média que se cobriu a Europa dessas magníficas igrejas, que ainda hoje são o orgulho de tantas cidades: Nossa Senhora de Paris, Santa Gudula de Bruxelas, as catedrais de Burgos, de Toledo, de Estrasburgo, onde em 1277 o arquiteto Erwin atirava a cento e quarenta e dois metros de altura a soberba flecha do edifício; e a Batalha, esse edifício de pedra entoado sobre a vitória de Aljubarrota...

Em 1378 Schwartz revoluciona a arte da guerra, ou inventando a pólvora, como querem alguns, ou ensinando aos Venezianos a aumentar o cumprimento dos canhões; Flavio Gioja descobre ou divulga a bússola e assim depara seguro guia para longínquas viagens; Gutemberg, Faust e Schoeffer operam a transição da gravura de letras para a imprensa de caracteres móveis e espalham pelo mundo os conhecimentos arquivados nos pergaminhos dos eruditos... Que movimento e que luz no malsinado período das trevas!

Se o Renascimento se inicia com as prodigiosas descobertas de Vasco da Gama e de Colomo, não esqueçamos que já em 1448 o sumo pontífice Nicolau V, pela bula Ex injuncto, que figurou na exposição histórico-européia de 1892, fitava os olhos de sua evangélica solicitude nas terras glaciais da Groelândia e aos bispos de Skalholt e de Hola assinalava a existência de povos pagãos e propínquos àquelas regiões. A América, pela Groelândia conhecida em 986, pela Terra Nova percorrida no ano 1000 e ainda pelo Vinland que provavelmente corresponde ao atual estado de Massachussets — a América, dizíamos, é também uma conquista da barbaria medieval.

À Idade Média pertence ainda aquela pensativa e simpática figura de Henrique o Navegador, sobre cujas instruções, de 1419 a 1447, se foram descobrindo Madeira, os Açores, o Cabo Bojador e o Verde, e que em 1438 lançava na escola de Sagres os fundamentos do poderio marítimo português...

Isto pelo caminho do Oceano, pois que por terra e muito antes já Marco Polo atravessava toda a Ásia, desde a Armênia até ao Japão; Rubruquis, enviado por Luís IX para catequizar a Tartária, esclarecia a Europa sobre os costumes dos Mongóis; e Plano Carpino atingia em suas pregações o coração da Tartária, passando além do Kithai ou Kashgar.

Quanto aos progressos da liberdade política, um só reparo e por satisfeitos os danos.

Leia-se a Magna Carta, pedra angular do direito constitucional inglês: "Nenhum homem livre seja capturado ou metido na cadeia, ou desapossado, ou desterrado, ou de qualquer modo seja privado de qualquer propriedade sua, ou da sua liberdade ou de seus livres hábitos; nem contra ele iremos, nem o faremos prender, se não pelo julgamento legal dos seus pares, ou segundo a lei do país". Acordava-se nisto em 1215; e preciso é que decorram quase cinco séculos para chegarmos à lei dos suspeitos da Revolução Francesa...

Eis o que foi a Idade Média, tão increpada de obscurantismo, como que para expiar perante o livre pensamento moderno o crime de sua fé cristã, sob cujo amparo realizou tantos e tais cometimentos...

Carlos de Laet

Fonte: www.permanencia.org.br

Idade Média

A Baixa Idade Média

No século X, os países europeus deixaram de ser ameaçados por invasões. Os últimos invasores - normandos e eslavos - já se haviam estabelecido respectivamente no Norte da França (Normandia) e no centro-leste da Europa (atual Hungria). O continente vivia agora a "paz medieval", a qual ocasionou mudanças que provocaram transformações no panorama europeu.

No período que vai do século XI ao século XV - a chamada Baixa Idade Média - percebe-se uma decadência no feudalismo.

O aumento populacional provocado por essa fase de estabilidade levou à necessidade de mais terras, nas quais os trabalhadores desenvolveram técnicas agrícolas que lhes facilitaram o trabalho. Em torno dos castelos começaram a estabelecer-se indivíduos que comerciavam produtos excedentes locais e originários de outras regiões da Europa. A moeda voltou a ser necessária, e surgiram várias cidades importantes junto às rotas comerciais e marítimas e terrestres.

Ao mesmo tempo, a Igreja, fortalecida, promoveu expedições cristianizadoras ao Oriente - as Cruzadas - tentando recuperar a cidade de Jerusalém, então em poder do Império Islâmico. Durante dois séculos, as Cruzadas agitaram toda a Europa, pois além dos aspectos religiosos havia um impulso comercial muito grande.

A Expansão Comercial

As invasões que ocorreram do século V ao VIII e a desintegração do Império Romano do Ocidente levaram à formação de um sistema social, político e econômico adaptado às novas condições - o feudalismo. Da mesma forma, após o século X, novos fatos e circunstâncias determinaram outra grande transformação na Europa Ocidental.

Embora os feudos continuassem a produzir normalmente, com os servos trabalhando a terra e pagando suas obrigações aos senhores feudais, a produção era insuficiente para alimentar uma população em constante crescimento.

Nesse período, foram introduzidas várias conquistas técnicas que facilitaram em parte as atividades do campo, como o arado e outros instrumentos agrícolas de ferro, moinhos de vento e novas maneiras de se atrelarem os animais, de modo a permitir que eles fossem utilizados à plena força. Também a substituição do boi pelo cavalo, como animal de tração, trouxe vantagens, já que o cavalo é um animal mais ágil e com a mesma força do boi.

Apesar disso, o pedaço de terra cultivado era muito pequeno, o que gerava uma tendência à expansão do espaço agrícola para além dos limites dos feudos e das aldeias. Com o mesmo objetivo ocupavam-se também bosques e florestas.

Ao mesmo tempo, essa população que aumentava também requeria produtos de outra natureza: tecidos, instrumentos de trabalho, utensílios domésticos, entre outros. Alguns indivíduos (vilões) se especializavam na produção de artesanato ou na atividade comercial, surgindo então os artesãos e mercadores que comercializavam esses produtos e os eventuais excedentes agrícolas.

Alguns deles receberam permissão do senhor feudal para concentrar-se junto a castelos, mosteiros e igrejas, dando origem aos chamados burgos, núcleo das futuras cidades. Por essa razão, seus habitantes passaram a ser conhecidos como burgueses, uma nova categoria social que se dedicava ao artesanato e ao comércio de mercadorias.

Um fato relacionado com essa evolução foi o surgimento das Cruzadas, ocorridas nos séculos VI a XIII, que tiveram grande influência nesse panorama, aumentando as possibilidades de comércio da Europa e do Oriente.

A Importância das Cruzadas

Quando se denunciou na Europa que os muçulmanos maltratavam os peregrinos cristãos que chegavam à Terra Santa, iniciou-se o movimento cruzadista, que recebeu esse nome devido à cruz que usava em seus estandartes e vestuário os que dele participavam.

Convocadas primeiramente pelo papa Urbano II, em 1095, na França, as Cruzadas foram, então, expedições de cristãos europeus contra os muçulmanos ocorridas durante os séculos XI a XIII. A missão dos cavaleiros cristãos era libertar a região da Palestina, que na época fazia parte do Império Islâmico.

Além dessa motivação religiosa, entretanto, outros interesses políticos e econômicos impulsionaram o movimento cruzadista:

A Igreja procurava unir os cristãos do Ocidente e do Oriente, que haviam se separado em 1054, no chamado Crisma do Oriente, surgido a partir daí a Igreja Ortodoxa Grega, liderada pelo patriarca de Constantinopla;

Havia uma camada da nobreza que não herdava feudos pois a herança cabia apenas ao filho mais velho. Assim, os nobres sem terra da Europa Ocidental queriam apoderar-se das terras do Oriente;

Os comerciantes italianos, principalmente das cidades de Gênova e Veneza, desejavam dominar o comércio do Mar Mediterrâneo e obter alguns produtos de luxo para comercializarem na Europa;

Outros grupos populacionais marginalizados tinham interesse em conquistar riquezas nas cidades orientais.

Oito Cruzadas foram organizadas entre 1095 e 1270, que apesar de obterem algumas vitórias sobre os muçulmanos, não conseguiram reconquistar a Terra Santa.

Essas expedições envolveram desde pessoas simples e pobres do povo até a alta nobreza, reis e imperadores, tendo havido mesmo uma Cruzada formada apenas por crianças. Dezenas de milhares de pessoas uniam-se sob o comando de um nobre e percorriam enormes distâncias, tendo de obter alimentação e abrigo durante o percurso. A maioria antes de chegar ao destino era massacrada em combates.

Em 1099, Jerusalém foi conquistada, mas um século depois foi tomada novamente pelos turcos muçulmanos, não tendo sido jamais recuperada. No entanto, os europeus conseguiram reconquistar alguns pontos do litoral do Mar Mediterrâneo, restabelecendo o comércio marítimo entre a Europa e o Oriente.

O contato dos europeus com os povos orientais - bizantinos e muçulmanos - fez com que eles começassem a apreciar e a consumir produtos como perfumes, tecidos finos, jóias, além das especiarias, como eram chamadas a primeira, a noz-moscada, o cravo, o gengibre e o açucar.

No século XII, como conseqüência imediata das Cruzadas, inicia-se a expansão comercial na Europa e, com ela, o crescimento das cidades e a decadência do trabalho servil, típico do feudalismo.

As Rotas Comerciais e a Feiras

A expansão comercial, a partir da reabertura do Mar Mediterrâneo, beneficiou principalmente as cidades italianas de Gênova e Veneza. Os comerciantes dessas cidades passaram a monopolizar o comércio de especiarias, comprando-as em portos orientais de Constantinopla, Alexandria e Trípoli, para, através do Mediterrâneo, revendê-las no mercado europeu.

Mas no norte da Europa, junto as Mar do Norte e ao Mar Báltico, também se formaram regiões de intenso comércio, servidas em parte delas cidades italianas, que as atingiam tanto pro mar como por terra. Era a região de Flandres, produtora de tecidos, onde se destacava a cidade de Bruges, e a região do Mar Báltico, que tinha como importantes centro Hamburgo, Dantzig e Lübeck, que ofereciam mel, peles, madeira e peixes vindos de regiões próximas.

Para contatar esses pontos, estabeleceram-se diferentes rotas comerciais. A rota marítima ligava as cidades italianas a importantes centros comerciais do norte da Europa. Já a rota terrestre também ligava as cidades italianas à movimentada região de Fladres, mas atravessava toda a França.

Nos cruzamentos dessas grandes rotas comerciais com outras menores, que uniam todos os pontos da Europa, surgiram as feiras, grandes mercados abertos e periódicos, para onde se dirigiam comerciantes de várias partes do continente. Protegidos pelos senhores feudais, que lhes cobravam taxas de passagem e permanência, os comerciantes fixavam-se por dias e semanas em algumas regiões, oferecendo mercadorias, como tecidos, vinhos, especiarias e artigos de luxo orientais. As feiras mais famosas foram as da região de Champagne, na França.

O desenvolvimento comercial surgido no século XII, fez com que o dinheiro voltasse a ser necessário.

Porém, com em cada região cunhavam-se moedas de diferentes valores, apareceram os cambistas, pessos que conheciam os valores das moedas e se incubiam de trocá-las. Posteriormente, tornando-se as relações mais complexas, surgiram os baqueiros, que guardavam o dinheiro dos comerciantes e forneciam-lhes empréstimos mediante a cobrança de juros. São dessa época os sistemas de cheques e as letras de câmbio, que facilitavam as transações comerciais feitas a distância, utilizados até hoje.

O Ressurgimento das Cidades

Com a expansão comercial desenvolveram-se os burgos, que haviam aparecido em volta de castelos, mosteiros e igrejas, além de outros, surgidos nas rotas comerciais, no litoral e à margem de rios. Sua população, como já vimos, era composta basicamente de artesãos e comerciantes, que ganhavam cada vez mais importância, em função de sua riqueza e de seu número.

Os artesãos dedicavam-se à fabricação de tecidos, instrumentos de ferro, de couro, e de muitos outros materiais. Suas oficinas, que funcionavam com as portas abertas, serviam igualmente para vender as mercadorias diretamente, sem intermediários.

Com o rápido cresimento do comércio e do artesanato nos birgos, a concorrência entre mercadores e artesãos aumentou bastante. Para regulamentar e proteger as diversas atividades, surgiram as corporações. No início eram formados apenas por mercadores autorizados e exercer seu trabalho em cada cidade.

Posteriormente, com a especialização dos diversos artesãos, apareceram as corporações de ofício, que tiveram grande importância durante a Baixa Idade Média: corporações de padeiros, de tecelões, de pedreiros, de marceneiros etc.

Cada umas dessas corporações reunia os membros de uma atividade, regulando-lhes a quantidade e a qualidade dos produtos, o regime de trablho e o preço final. Procuravam assim eliminar a concorrência desleal, assegurar trabalho para todas as oficinas de uma mesma cidade e impedir que produtos similares de outras regiões entrassem nos mercados locais.

Dessa maneira, as corporações de ofício determinavam também as relações de trabalho. Em cada ofícina havia apenas três categorias de artesãos.

Mestres, que comandavam a produção, sendo donos de oficina, dos instrumentos de trabalho e da matéria-prima;

Oficiais ou companheiros, que eram trabalhadores especializados a serviço dos mestres, recebendo em troca um salário. Tornavam-se mestres após realizar uma obra que provasse sua capacidade e habilidade no ofício;

Aprendizes, jovens que aprendiam o ofício trabalhando, durante anos, e recebendo do mestre apenas casa e comida até poderem tornar-se companheiros.

Os comerciantes também procuravam organizar-se em corporações para manter o mercado comerciantes de diferentes cidades se associavam, formando uma liga. A mais famosa foi a Liga Hanseática, que reunia 80 ciades alemãs e que controlava comercialmente o norte da Europa.

Com o amplo desenvolvimento mercantil e artesanal e o conseqüente aumento de importância da classe dos burgueses, a antiga organização feudal, composta por nobres improdutivos e servos presos à terra, já não era mais adequada.

Os senhores feudais passaram a ganhar com o comércio, pois cobravam dos comerciantes taxas de passagem e de estabelecimento em seus feudos. A mão-de-obra servil declinava, pois, além de um grande número de trabalhadores agrícolas ter sido desviado para as Cruzadas (século XI e XII), muitos servos fugiram para dedicar-se às atividades urbanas. Interessados no aumento da produção e em maiores lucros, os senhores feudais liberaram os servos do trabalho obrigatório. Alguns senhores passam a permitir que os servos vendam seus produtos nas feiras e nas cidades, desde que lhes paguem uma quantia em dinheiro.

Outros ainda começaram a se utilizar de lavradores assalariados, pagos por jornada, chamamos jornaleiros.

Pouco a pouco, o poder dos senhores feudais diminuiu, assim como a submissão das cidades às suas leis e impostos. Alguns dos mais importantes comerciantes e mestres-artesãos passaram a organizar-se num conselho, conhecido como comuna. Eram eles que administravam as cidades, cobrando taxas e impostos de seus moradores. Foram essas comunas burguesas que, a partir do século XII, passaram a organizar a luta pela autonomia das cidades. Ela foi sendo conquistada aos poucos, ou de forma violenta, quando se armava e derrotava o senhor feudal da região, ou de forma pacifica, ao comprar a independência da cidade, recebendo a carta de franquia do senhor feudal, que dava ampla autonomia aos núcleos urbanos.

A vitória desses movimentos comunais refletia a importância cada vez maior da burguesia, fato que iria afetar diretamente os acontecimentos dos séculos seguintes.

As Sujas e Apertadas Cidades Medievais

Na baixa Idade Média, houve a rápida multiplicação do número de cidades, nas quais se exerciam atividades comerciais, manufatureiras e também artísticas.

As cidades eram guarnecidas por mulharas que serviam para protegê-la das invasões de nobres e bandidos. Seus habitantes haviam conseguido desvinvular-se parcialmente do controle dos senhores feudais, adquirindo certos direitos e liberdades que atraíam grande número de camponeses. Essa imigração aumentou em demasia a população das cidades, tornando necessária a destruição posteiror reconstrução da muralhas, a fim de ampliar o espaço urbano. Esse procedimento, no entanto, só era acessível aos grandes centro; nas demais cidades, contruíram-se casas e jardins até mesmo no alto das largas muralhas.

Assim, dentro dos limites cercados das cidades, os terrenos eram caríssimos e procurava-se aproveitar cada centímetro. As contruções, em geral de madeira, eram colocadas umas às outras, e os andares superiores eram projetados sobre as ruas, que já eram estreitas, tornando-as ainda mais sombrias. O perigo de incêndio era constante.

Esse incontrolável crescimento demográfico dificultava a observância de padrões de higiene e de conforto.

As condições sanitárias eram péssimas: o lixo eram despejado nas ruas e sua coleta ficava a cargo das eventuais chuvas; até que isso ocorresse, formavam-se montes de detrito, resolvidos por cães e porcos. A água dos rios e poços que abasteciam a cidade era freqüentemente contaminada, ocasionando consatantes surtos de tifo.

Em todo o século XIV e até meados do século XV, a Europa enfrentou uma série de circunstâncias que afetaram profundamente a vida de sua população. Mudanças climáticas trouxeram vários anos seguidos de muita chuva e frio, o que causou o extermínio de animais e plantações, levando a um longo período de fome; a peste negra, originária do Mar Negro e transmitida por ratos, dizimou milhões de europeus já enfraquecidos pela fome.

Além disso, a violência gerada pela Guerra do Cem Anos fez eclodirem revoltas populares que ceifaram outras tantas vidas.

As precárias condições urbanas agravaram ainda mais os problemas gerados por essas crises, pois só a peste negra, propiciada pelas más condições de higiene, fez a Europa perder mais da metade da sua população.

Fonte: www.colegiodasirmas.com.br

Idade Média

Idade Média é o período histórico compreendido entre os anos de 476 ( queda de Roma ) ao ano de 1453 ( a queda de Constantinopla).

Este período apresenta uma divisão, a saber:

ALTA IDADE MÉDIA ( do século V ao século IX )

Fase marcada pelo processo de formação do feudalismo.

BAIXA IDADE MÉDIA ( do século XII ao século XIV )

Fase caracterizada pela crise do feudalismo.

Entre os séculos IX e XII observa-se a cristalização do Sistema Feudal.

Posto isto, vamos dividir o estudo do período medieval em duas partes.

Nesta revisão abordaremos a Alta Idade Média e na próxima revisão veremos o Feudalismo e a Baixa Idade Média.

ALTA IDADE MÉDIA

Período do século V ao século IX é caracterizado pela formação do Sistema Feudal.

Neste período observa-se os seguintes processos históricos: a formação dos Reinos Bárbaros, com destaque para o Reino Franco; o Império Bizantino -parte oriental do Império Romano - e a expansão do Mundo Árabe. Grosso modo, a Alta Idade Médiarepresenta o processo de ruralização da economia e sociedade da Europa.

1. OS REINOS BÁRBAROS

Para os romanos, "bárbaro" era todo aquele povo que não possuía uma cultura greco-romana e que, portanto, não vivia sob o domínio de sua civilização. Os bárbaros que invadiram e conquistaram a parte ocidental do Império Romano eram os Germânicos, que viviam em um estágio de civilização bem inferior, em relação aos romanos. Eles não conheciam o Estado e estavam organizados em tribos.

As principais tribos germânicas que se instalaram na parte ocidental de Roma foram:

Os Anglo-Saxões, que se estabeleceram na Grã-Bretanha

Os Visigodos estabeleceram-se na Espanha

Os Vândalos fixaram-se na África do Norte

Os Ostrogodos que se instalaram na Itália

Os Suevos constituíram-se em Portugal

Os Lombardos no norte da Itália

Os Francos que construíram seu reino na França.

Os Germânicos não conheciam o Estado, vivendo em comunidades tribais - cuja principal unidade era a Família. A reunião de famílias constituía um Clã e o agrupamento de clãs formava a Tribo. A instituição política mais importante dos povos germânicos era a Assembléia de Guerreiros, responsável por todas as decisões importantes e chefiada por um rei ( rei que era indicado pela Assembléia e que, por isto mesmo, controlava o seu poder ). Os jovens guerreiros se uniam -em tempos de guerra -a um chefe militar por laços de fidelidade, o chamado Comitatus.

A sociedade germânica era assim composta:

Nobreza

Formada pelos líderes políticos e grandes proprietários de terras;

Homens-livres

Pequenos proprietários e guerreiros que participavam da Assembléia;

Homens não-livres

Os vencidos em guerras que viviam sob o regime de servidão e presos à terra e os escravos - grupo formado pelos prisioneiros de guerra.

Economicamente, os germânicos viviam da agricultura e do pastoreio. O sistema de produção estava dividido nas propriedades privadas e nas chamadas propriedades coletivas ( florestas e pastos ).

A religião era politeísta e seus deuses representavam as forças da natureza.

Como vimos na aula 02, o contato entre Roma e os bárbaros, a princípio, ocorreu de forma pacífica até meados do século IV. À partir daí, a penetração germânica deu-se de forma violenta, em virtude da pressão dos hunos.

Também contribuíram para a radicalização do contato: crescimento demográfico entre os germanos, a busca por terras férteis, a atração exercida pelas riquezas de Roma e a fraqueza militar do Império Romano.

Entre os povos germânicos, os Francos são aqueles que irão constituir o mais importante reino bárbaro e que mais influenciarão o posterior desenvolvimento europeu.

O REINO FRANCO

A história do Reino Franco desenvolve-se sob duas dinastias:

Dinastia dos Merovíngios ( século V ao século VIII )

Dinastia dos Carolíngios ( século VIII ao século IX )

OS MEROVÍNGIOS

O unificador das tribos francas foi Clóvis ( neto de Meroveu, um rei lendário que dá nome a dinastia). Em seu reinado houve uma expansão territorial e a conversão dos Francos ao cristianismo. A conversão ao cristianismo foi de extrema importância aos Francos ­que passam a receber apóio da Igreja Católica; e para a Igreja Católica que terá seu número de adeptos aumentado, e contará com o apóio militar dos Francos.

Com a morte de Clóvis, inicia-se um período de enfraquecimento do poder real, o chamado Período dos reis indolentes. Neste período, ao lado do enfraquecimento do poder real haverá o fortalecimento dos ministros do rei, o chamado Mordomo do Paço (Major Domus).

Entre os Mordomos do Paço, mercerem destaque: Pepino d'Herstal, que tornou a função hereditária; Carlos Martel, que venceu os árabes na batalha de Poitiers, em 732 e Pepino, o Breve, o criador da dinastia Carolíngia.

A Batalha de Poitiers representa a vitória cristã sobre o avanço muçulmano na Europa. Após esta batalha, Carlos Martel ficou conhecido como "o salvador da cristandade ocidental".

OS CAROLÍNGIOS

Dinastia iniciada por Pepino, o Breve. O poder real de Pepino foi legitimado pela Igreja, iniciando-se assim uma aliança entre o Estado e a Igreja - muito comum na Idade Média, bem como o início de uma interferência da Igreja em assuntos políticos.

Após a legitimação de seu poder, Pepino vai auxiliar a Igreja na luta contra os Lombardos. As terras conquistadas dos Lombardos foram entregues à Igreja, constituindo o chamado Patrimônio de São Pedro. A prática de doações de terras à Igreja irá transformá-la na maior proprietária de terras da Idade Média.

Com a morte de Pepino, o Breve e de seu filho mais velho Carlomano, o poder fica centrado nas mãos de Carlos Magno.

O IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Carlos Magno ampliou o Reino Franco por meio de uma política expansionista. O Império Carolíngio vai compreender os atuais países da França, Holanda, Bélgica, Suiça, Alemanha, República Tcheca, Eslovênia, parte da Espanha, da Áustria e Itália.

A Igreja Católica, representada pelo Papa Leão III, vai coroá-lo imperador do Sacro Império Romano, no Natal do ano 800.

O vasto Império Carolíngio será administrado através das Capitulares, um conjunto de leis imposto a todo o Império.

O mesmo será dividido em províncias: os Condados, administrados pelos condes; os Ducados, administrados pelos duques e as Marcas, sob a tutela dos marqueses. Condes, Duques e Marqueses estavam sob a vigilância dos Missi Dominici -funcionários que em nome do rei inspecionavam as províncias e controlavam seus administradores.

Os Missi Dominici atuavam em dupla: um leigo e um clérigo.

No reinado de Carlos Magno a prática do benefício (beneficium) foi muito difundida, como forma de ampliar o poder real. Esta prática consistia na doação de terras a quem prestasse serviços ao rei, tendo para com ele uma relação de fidelidade. Quem recebesse o benefício não se submetia à autoridade dos missi dominici. Tal prática foi importante para a fragmentação do poder nas mãos de nobres ligados à terra em troca de prestação de serviços -a origem do FEUDO.

Na época de Carlos Magno houve um certo desenvolvimento cultural, o chamado Renascimento Carolíngio, caracterizado pela promoção das atividades culturais, através da criação de escolas e pela vinda de sábios de várias partes da Europa, tais como Paulo Diácono, Eginardo e Alcuíno - monge fundador da escola palatina.

Este "renascimento" contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da cultura clássica ( greco-romana ). Destaque para a ação dos mosteiros, responsáveis pela tradução e cópia de manuscritos antigos.

DECADÊNCIA DO IMPÉRIO CAROLÍNGIO

Com a morte de Carlos Magno, em 814, o poder vai para seu filho Luís, o Piedoso, o qual conseguiu manter a unidade do Império. Com a sua morte, em 841, o Império foi dividido entre os seus filhos.

A divisão do Império ocorreu em 843, com a assinatura do Tratado de Verdun estabelecendo que:

Carlos, o Calvo ficasse com a parte ocidental ( a França atual)

Lotário ficasse com a parte central ( da Itália ao mar do Norte)

Luís, o Germânico ficasse com a parte oriental do Império.

Após esta divisão, outras mais ocorrerão dentro do que antes fora o Império Carolíngio. Estas divisões fortalecem os senhores locais, contribuindo para a descentralização política que, somada a uma onda de invasões sobre a Europa, à partir do século IX ( normandos, magiares e muçulmanos ) contribuem para a cristalização do feudalismo.

A expansão Islâmica ocorreu em três momentos:

1ª etapa ( de 632 a 661 )

Conquistas da Pérsia, da Síria, da Palestina e do Egito

2ª etapa ( de 661 a 750 )

A Dinastia dos Omíadas, que expandiu as fronteiras até o vale do Indo (Índia); conquistou o Norte da África até o Marrocos e a Península Ibérica na Europa. O avanço árabe sobre a Europa foi contido por Carlos Martel, em 732 na batalha de Poitiers.

3ª etapa ( de 750 a 1258 )

A Dinastia dos Abássidas, onde ocorre a fragmentação político-territorial e a divisão do Império em três califados: de Bagdá na Ásia, de Cordova na Espanha e do Cairo no Egito.

Após esta divisão, do mundo Islâmico será constante até que no ano de 1258 Bagdá será destruída pelos mongóis.

AS CONSEQÜÊNCIAS DA EXPANSÃO

A expansão árabe representou um maior contato entre as culturas do Oriente e do Ocidente. No aspecto econômico a expansão territorial provocará o bloqueio do mar Mediterrâneo, contribuindo para a cristalização do feudalismo europeu, ao acentuar o processo de ruralização e fortalecendo a economia de consumo.

A CULTURA ISLÂMICA

Literatura: poesias épicas e fábulas. Destaque para os contos de aventuras, como As Mil e uma Noites.

Ciências: muito práticos os árabes aplicaram o raciocínio lógico e o experimentalismo. Desenvolveram a Matemática ( álgebra e trigonometria ), a Química ( alquimia ), Medicina ( sendo Avicena o grande nome ) e a Filosofia ( estudo de Aristóteles ).

Artes: a grande contribuição foi no campo da Arquitetura, com construção de palácios e de Mesquitas. Na Pintura, dado a proibição religiosa de reproduzir a figura humana, houve o desenvolvimento dos chamados arabescos.

O IMPÉRIO BIZANTINO

No ano de 395, Teodósio divide o Império Romano em duas partes: o lado ocidental passa a ser designado por Império Romano do Ocidente, com capital em Roma; o lado oriental passa a ser Império Romano do Oriente com capital em Bizâncio ( uma antiga colônia grega). Quando o imperador Constantino transferiu a capital de Roma para a cidade de Bizâncio, ela passou a ser conhecida como Constantinopla.

A ERA DE JUSTINIANO (527/565)

Justiniano foi um dos mais famosos imperadores bizantinos. Seu reinado corresponde ao apogeu do Império Bizantino.

Em seu reinado destacam-se:

O cesaropapismo

Significa que o chefe do Estado ( César ) torna-se o chefe supremo da religião ( Papa ). As constantes interferências do Estado nos assuntos religiosos provocam desgastes entre o Estado e a Igreja resultando, no ano de 1054, uma divisão na cristandade -o chamado GRANDE CISMA DO ORIENTE.

A cristandade ficou dividida em duas igrejas: Igreja Católica do Oriente ( Ortodoxa ) e Igreja Católica do Ocidente, com sede em Roma.

A guerra de Reconquista

Tentativa de Justiniano para reconstituir o antigo Império Romano, procurando reconquistar o Norte da África, a Itália e Espanha que estavam sob o domínio dos chamados povos bárbaros

A Revolta Nika

Para sustentar a Guerra de Reconquista, o governo adotou uma política tributária o que gerou insatisfações e lutas sociais. Justiniano usou da violência para acalmar o Império

Justiniano foi também um grande legislador e responsável pela elaboração do Corpus Juris Civilis ( Corpo do Direito Civil ), que estava assim composto:

O Código

Revisão de todas as leis romanas:

O Digesto: sumário escrito por juristas;

As Institutas: manual para estudantes de Direito;

As Novelas: conjunto de leis criadas por Justiniano.

Com a morte de Justiniano, o Império Bizantino inicia sua decadência. Entre os séculos VII e VIII os árabes conquistam boa parte do Império Bizantino e em 1453 os turcos ocupam a capital -Constatinopla.

A CULTURA BIZANTINA

O povo bizantino era muito religioso e exerciam os debates teológicos.

Muitas questões teológicas foram discutidas, destacamdo­se:

O monofisismo

Tese que negava a dupla natureza de Cristo­humana e divina. Segundo o monofisismo, Cristo tinha uma única natureza: a divina.

A iconoclastia

Movimento que pregava a destruição de imagens sagradas ( ícones ).

Nas artes, os bizantinos destacaram-se na Arquitetura: construção de fortalezas, palácios, mosteiros e igrejas. A mais exuberante das igrejas foi a Igreja de Santa Sofia, construída no reinado de Justiniano. A característica da arquitetura bizantina era o uso da cúpula.

Os bizantinos também se destacaram na arte do mosaico, utilizados na representação de figuras religiosas, de políticos importantes e na estilização de plantas e animais.

A Baixa Idade Média

I. Origens

O feudalismo europeu é resultado da síntese entre a sociedade romana em decadência e a sociedade bárbara em evolução. Esta síntese resulta nos chamados fatores estruturais para a formação do feudalismo.

Roma contribui para a formação do feudalismo através dos seguintes elementos:

A "villa", ou o latifúndio auto-suficiente; -o desenvolvimento do colonato, segundo o qual o trabalhador ficava preso à terra

A Igreja Cristã, que se tornará na principal instituição medieval. A crise romana reforça seu poder político local e consolida o processo de ruralização da economia.

Os "Bárbaros" contribuem com os seguintes elementos:

Uma economia centrada nas trocas naturais

O comitatus, instituição que estabelecia uma relação de fidelidade e reciprocidade entre os guerreiros e seus chefes

Aprática do chamado benefício ( beneficium ), dando imunidade ao proprietário deste

O direito consuetudinário, isto é, os costumes herdados dos antepassados possuem força de lei.

Além destes elementos estruturais ( internos ), contribuíram também os chamados elementos conjunturais ( externos ) , que foram as Invasões Bárbaras dos séculos VIII ao IX os normandos e os muçulmanos.

Os normandos efetuam um bloqueio do mar Báltico e do mar do Norte e os muçulmanos realizam o bloqueio do mar Mediterrâneo. Estas invasões aceleram o processo de ruralização européia - em curso desde o século III - acentuando a economia agrária e auto-suficiente.

II. Estruturas feudais

ESTRUTURA ECONÔMICA

A economia era basicamente agro­pastoril, de caráter auto-suficiente e com trocas naturais. O comércio, embora existisse, não foi a atividade predominante.

As terras dos feudos eram divididas em três partes:

Terras coletivas ou campos abertos

De uso comum, onde se recolhiam madeira, frutos e efetuava-se a caça. Neste caso, temos uma posse coletiva da terra.

Reserva senhorial

De uso exclusivo do senhor feudal - é era a propriedade privada do senhor.

Manso servil ou tenência

Terras utilizadas pelos servos. Serviam para manter o sustento destes e para cumprimento das obrigações feudais.

O caráter auto-suficiente da economia feudal dava-se em virtude da baixa produtividade agrícola.

O comércio, embora não fosse a atividade predominante, existia sob duas formas: o comércio local -onde realizava-se as trocas naturais; e o comércio a longa distância -responsável pelo abastecimento de determinados produtos, tais como o sal, pimenta, cravo, etc... O comércio a longa distância funcionava com trocas monetárias e, à partir do século XII terá um papel fundamental na economia européia.

ESTRUTURA POLÍTICA

O poder político era descentralizado, ou seja, distribuído entre os grandes proprietários de terra ( os SENHORES FEUDAIS). Apesar da fragmentação do poder político, havia os laços de fidelidade pessoal ( a vassalagem).

Por esta relação estabelecia-se o contrato feudo-vassálico, assim caracterizado:

Homenagem

Juramento de fidelidade do vassalo para com o seu suserano

Investidura

Entrega do feudo do vassalo para o suserano.

O suserano ( aquele que concede o feudo ) deveria auxiliar militarmente seu vassalo e também prestar assistência jurídica.

O vassalo ( aquele que recebe o feudo e promete fidelidade) deve prestar o serviço militar para o suserano e comparecer ao tribunal por ele presidido.

ESTRUTURA SOCIAL

A sociedade feudal era do tipo estamental, onde as funções sociais eram transmitidas de forma hereditária. As relações sociais eram marcadas pelos laços de dependência e de dominação.

Os estamentos sociais eram três:

CLERO

Constituído pelos membros da Igreja Católica.

Dedicavam­se ao ofício religioso e apresentavam uma subdivisão:

Alto clero- formado por membros da nobreza feudal (papa, bispo, abade)

Baixo clero- composto por membros não ligados à nobreza ( padre, vigário ).

NOBREZA

Formada pelos grandes proprietários de terra e que se dedicavam à atividade militar e administrativa.

TRABALHADORES

Simplesmente a maioria da população. Os camponeses estavam ligados à terra ( servos da gleba ) sendo obrigados a sustentarem os senhores feudais.

Assim, o clero formava o 1º Estado, a nobreza o 2º Estado e os trabalhadores o 3º Estado.

O Sistema feudal também apresentava as chamadas obrigações feudais, uma conjunto de relações sociais onde os servos eram explorados pelos senhores feudais.

As principais obrigações feudais eram:

1) CORVÉIA

Obrigação do servo de trabalhar nas terras do senhor(manso senhorial). Toda produção de seu trabalho era do proprietário.

2) TALHA

Obrigação do servo de entregar parte de sua produção na gleba para o senhor feudal.

3) BANALIDADES

Pagamento feito pelo servo pelo uso de instrumentos e instalações do feudo ( celeiro, forno, estrada...).

CRISE DO FEUDALISMO

A crise do Sistema Feudal tem sua origem no século XI e está relacionada ao crescimento populacional. Este, por sua vez, está relacionado a um conjunto de inovações técnicas, tais como o uso da charrua ( máquina de revolver a terra ), o peitoril ( para melhor aproveitamento da força do cavalo no arado ), uso de ferraduras e o moinho d'água.

A estas inovações técnicas, observa-se uma expansão da agricultura, com a ampliação de áreas para o cultivo ( conquista dos bosques, pântanos...).

Sabendo-se que a produtividade agrícola era baixa- mesmo com as inovações acima- o crescimento populacional acarreta uma série de problemas sociais: o banditismo, aumento da miséria, guerras internas por mais terras... As Cruzadas foram, neste contexto, uma tentativa para solucionar tais problemas.

AS CRUZADAS

Foram convocadas pelo papa Urbano II, em 1095, com o objetivo oficial de libertar a Terra Santa ( Jerusalém ) do domínio muçulmano.

No entanto, outros fatores contribuíram para a organização das Cruzadas: canalizar o espírito guerreiro dos nobres para o oriente; o ideal de peregrinação cristã; o interesse econômico em algumas regiões do oriente e a necessidade de exportar a miséria-em virtude do crescimento populacional.

As principais conseqüências das Cruzadas foram:

Reabertura do mar Mediterrâneo e o desenvolvimento do intercâmbio comercial entre o Ocidente e o Oriente

Fortalecimento do poder real, em virtude do empobrecimento Dos senhores feudais

O renascimento urbano.

Renascimento Comercial

As Rotas

O comércio de produtos na Europa desenvolve-se em dois centros:

No Norte da Europa, onde a Liga Hanseática -união de cidades alemãs- através dos mares do Norte e Báltico, monopolizava o comércio de peles, madeiras, peixes secos, etc...

Na Itália, onde cidades como Veneza e Gênova, monopolizavam o comércio de produtos vindos do Oriente, como a seda, cravo, canela, etc...

Estes centros comerciais eram interligados por rotas terrestres, sendo que a mais importante era a de Champagne.

As feiras

Contribuíram para a dinamização do comércio e das trocas monetárias. Desenvolveram-se no encontro de rotas comerciais ( os nós de trânsito ). A principal feira ocorria na cidade de Champagne, na França.

Renascimento Urbano

O intenso desenvolvimento comercial colaborou para o desenvolvimento das cidades medievais e de uma nova classe social, a burguesia.

A burguesia inicia uma luta pela emancipação das cidades dos domínios do senhor feudal ( movimento comunal ).

No interior das cidades ( Burgos ), a produção urbana estava organizada nas chamadas Corporações de Ofício. ( Guildas na Itália ). O principal objetivo destas organizações era regulamentar a produção, defendendo o justo preço e praticando o monopólio./

O interior da Corporação de Ofício apresentava uma divisão hierárquica, a saber: o mestre, o aprendiz e o jornaleiro - pessoa que recebia por uma jornada de trabalho.

FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS

A formação das Monarquias Nacionais está associada à aliança entre a burguesia comercial e o rei, efetivada no final da Baixa Idade Média.

O interesse da burguesia nesta aliança era econômico, pois o senhor feudal era um obstáculo para o desenvolvimento de suas atividades: impostos excessivos, pesos e medidas não padronizados e ausência de unificação monetária.

Já o rei, que buscava centralizar o poder político, a classe de senhores feudais representava seu principal obstáculo ( lembre-se que o poder político feudal era fragmentado ). Para fazer valer sua autoridade era necessário a criação de um exército, formado por mercenários.

Assim, a burguesia comercial passa a financiar a montagem deste exército. O rei passa a superar o senhor feudal e a impor sua vontade.

A centralização do poder político implica na unificação econômica: padronização de pesos, medidas e monetária -incentivando as trocas comerciais.

A Monarquia passa a criar as Companhias de Comércio, onde o monopólio da atividade comercial ficará a cargo da burguesia.

Monarquia Nacional

Caso francês.

DINASTIA DOS CAPETOS

Substituição das obrigações feudais por tributos pagos à Coroa, criação de um Exército Nacional.

Durante a Guerra dos Cem Anos ( 1337/1453 ), a nobreza feudal se enfraquece, colaborando para o fortalecimento do poder real.

Filipe Augusto (1180/1223 )

Iniciou a luta contra o domínio inglês

Luís IX ( 1226/1270)

Organização da justiça real

Filipe IV, o Belo ( 1285/1314 ) - entrou em choque com o Papado, episódio conhecido como o Grande Cisma, quando transferiu a sede do Papado para Avignon.

A CRISE DO SÉCULO XIV

O final da Idade Média é marcado por uma séria crise social, econômica e política - a denominada tríada: a Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra e a fome, responsáveis pelas revoltas camponesas.

CRISE SÓCIO-ECONÔMICA

Como vimos, a partir do século XI, houve uma expansão da agricultura. Ocorre que as terras de boa qualidade ficam cada vez mais raras, acarretando uma diminuição na produtividade. Soma-se a isto, uma série de transformações climáticas na Europa, responsáveis pela perda de colheitas e gerando uma escassez de alimentos e períodos de fome (1315 a 1317, 1362, 1374 a 1438 ).

Enfraquecida pela fome, a população européia fica vulnerável às epidemias, como no caso da Peste Negra, trazida do Oriente. Calcula-se que um terço da população européia desapareceu.

A epidemia, aliada às sucessivas crises agrícolas, provoca uma enorme escassez de mão-de-obra, levando os servos a fazerem exigências por melhores condições de vida. Muitos servos conseguiam comprar a sua liberdade. Em algumas regiões, no entanto, às exigências dos servos foram seguidas pelo aumento dos laços de dependência, acarretando as revoltas camponesas.

Tanto em um caso - abertura do sistema, quando o servo adquire a sua liberdade; como no outro -fechamento do sistema, quando os laços de dependência são ampliados - o resultado será o agravamento da crise feudal e o início de um novo conjunto de relações sociais.

CRISE POLÍTICA

O período medieval foi marcado pelos conflitos militares, dada a agressividade da nobreza feudal. Entre estes conflitos, A Guerra do Cem Anos ( 1337/1453 ) merece destaque.

A Guerra dos Cem Anos ocorreu entre o reino da França e o reino da Inglaterra, motivada por motivos políticos -a sucessão do trono francês entre Filipe de Valois e Eduardo III, rei da Inglaterra; e motivos econômicos -a disputa pela região da Flandres, importante área produtora de manufaturas.

Ao longo do combate, franceses e ingleses obtiveram vitórias significativas. Entre seus principais personagens, destaque para a figura de Joana d'Arc, que no ano de 1431 foi condenada à fogueira. Após a sua morte os franceses expulsaram os ingleses, vencendo a guerra.

Esta longa guerra prejudicou a economia dos dois reinos e contribuiu para o empobrecimento da nobreza feudal e, consequentemente, o seu enfraquecimento político. Ao mesmo tempo que a nobreza perdia poder, a autoridade do rei ficava fortalecida, beneficiando o processo de construção das Monarquias Nacionais.

A IGREJA MEDIEVAL

A principal instituição medieval será a Igreja Católica.

Esta exercia um papel decisivo em todos os setores da vida medieval: na organização econômica, na coesão social, na legitimação da dominação política e nas manifestações culturais.

O clero estava organizado em clero secular ( que vivia no mundo cotidiano em contato com os fiéis ) e o clero regular ( que vivia nos mosteiros, isolando do mundo ) que obedecia regras. Trata-se dos beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.

O topo da hierarquia eclesiática era ( e ainda é ) ocupada pelo papa. Este exercia dois tipos de poderes, o espiritual ( autoridade religiosa máxima) e o poder temporal ( poder político decorrente das grandes extensões de terra que a Igreja possuía ). O exercício do poder temporal levou a Igreja a envolver-se em questões políticas, como a célebre Querela das Investiduras.

Movimentos reformistas

A interferência da Igreja em assuntos políticos, a corrupção eclesiástica, o desregramento moral do clero e a venda de bens eclesiásticos levaram a Igreja a afastar-se de seu ideal religioso.

No século XI surgiu um movimento reformista que buscava recuperar a autoridade moral da Igreja, originado a Ordem de Cluny, que tinha por objetivo seguir as regras da Ordem Beneditina ( castidade, pobreza, caridade, obediência, oração e trabalho ). O papa Gregório VII, que se envolveu na Querela das Investiduras, havia sido um monge desta ordem.

Outras ordens religiosas surgiram, as chamadas Ordens mendicantes, como a dos cartuxos e dos cistercienses. Pregando a pobreza absoluta e vivendo da caridade, surge a Ordem dos Franciscanos e dos Dominicanos.

INQUISIÇÃO

A perda da autoridade moral da Igreja Católica propiciou o desenvolvimento de uma série de doutrinas, crenças e superstições denominadas heresias, que contrariavam os dogmas da Igreja.

Para combater os movimentos heréticos, o papa Gregório IX criou, em 1231, os Tribunais de Inquisição, com a missão de julgar os considerados hereges. Os condenados eram entregues às autoridades administrativas do Estado, que executavam a sentença.

A Inquisição desempenhava um importante papel político, freando os movimentos contrários aos interesses das classes dominantes.

CULTURA MEDIEVAL

Referir-se à Idade Média como a "Idade das Trevas" é um grave erro. Tal concepção representa uma visão distorcida do período medieval. Este preconceito com a Idade Média originou-se no século XVIII com o Iluminismo - fortemente anticlerical.

No entanto, o período medieval foi riquíssimo em atividade cultural.

EDUCAÇÃO

Controlada pelo clero católico, que dominava as escolas dos mosteiros, escolas paroquiais e as universidades.

O surgimento e expansão das universidades estão relacionadas com o desenvolvimento das cidades, bem como o surgimento de uma nova classe social: a burguesia comercial.

Os ramos de conhecimento estudados nas universidades medievais eram: Teologia e Filosofia, Letras, Ciências, Direito e Medicina. O ensino era ministrado em latim.

ARTES

a) Literatura

Enaltecer a figura do cavaleiro cristão e suas qualidades: lutar pelo bem público, combater as heresias e defender os pobres, viúvas e órfãos.

Na poesia épica exalta-se os torneios, as aventuras e a defesa do cristianismo, tais como a canção de Rolando (século XI ) e El Cid( século XII).

Na poesia lírica, predomina o tema do amor espiritualizado e idealizado do cavaleiro pela sua amada.

No século XIII, o grande destaque da literatura foi Dante Alighieri, autor da Divina Comédia.

b) Pintura

Possuía uma função didática, pois estava associada à divulgação de temas religiosos. Entre os principais pintores medievais, destacam-se Cimabue e Giotto.

c) Escultura

Função decorativa e de divulgação dos valores religiosos.

d) Arquitetura

Desenvolvimento de dois estilos: o românico e o gótico.

Românico: (séculos XI/XII)

Aarcos em abóbadas redondos, sustentados por paredes maciças. A catedral de Notre-Dame la Grande em Poitiers é um exemplo deste estilo.

Gótico: ( séculos XII/XVI )

Uso do arco em ponta ou ogival, permitindo a construção de abóbadas bastante amplas. Existência de muitas janelas para melhor iluminação do interior, muito mais amplo que o estilo românico. O gótico está relacionado com o crescimento populacional e o desenvolvimento urbano.

A catedral de Notre-Dame, em Paris, é um exemplo deste estilo.

e) musica

Divulgava os valores cristãos. Destaque para Gregório Magno ( 590/604 ) que implantou o canto gregoriano. Na música popular, destaque para as canções trovadorescas, cujos temas eram os ideais cristãos.

CIÊNCIAS E FILOSOFIA

A principal corrente filosófica do período foi a Escolástica, que tinha por objetivo conciliar a razão com a fé. Seus principais representantes foram Alberto Magno ( 1193/1280 ) e Tomás de Aquino ( 1225/ 1274). Este último reconstruiu parte das teorias de Aristóteles, dentro de uma visão cristã, na sua obra Summa Theológica.

No setor científico, Roger Bacon (1214/1294) defensor da observação e da experimentação como norma científica.

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Idade Média

IDADE MÉDIA: FILHA DOS ANTIGOS, BERÇO DA MODERNIDADE

“Somos anões empoleirados nos ombros de gigantes. Assim, vemos melhor e mais longe do que eles, não porque nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais alta, mas porque eles nos elevam até o nível de toda a sua gigantesca altura...” Bernardo de Chartres

O conceito de Idade Média como “Idade das Trevas”, em oposição ao Renascimento e à Antigüidade, foi forjado sobretudo no século XIX pelos historiadores liberais, segundo o qual a Idade Média teria interrompido o progresso do conhecimento e da cultura do homem, que seriam retomados mais tarde no século XVI.[1] Felizmente, este conceito vem sendo desmistificado por diversos estudiosos. Seguindo a teoria de Toynbee[2], os movimentos culturais podem estar ligados por uma relação de gerações, de tal modo que uma cultura seja filha da outra. Esta é relação existente entre a Antigüidade, a Idade Média e a Cultura Ocidental Moderna. A idéia de Idade Média como uma época que esqueceu os antigos não se fundamenta e, na verdade, temos a Idade Média como filha da Antigüidade e berço do Renascimento e, enfim, do nosso mundo ocidental.

Portanto não é possível estudar a Idade Média se nos limitarmos a (pre)conceitos criados a posteriori, pois nela encontramos elementos cuja história e significado só se encontram em períodos mais antigos.[3]

O medievo bebe na fonte dos antigos mas, não se contentando com o paladar, altera-lhe o sabor a seu gosto. Estamos falando de uma nova utilização dos antigos (entendidos como toda a cultura antiga, não somente a clássica), que alguns chamariam supostamente de imitação servil, mas que, aos olhos do homem da época é algo completamente novo, moderno.

A partir do legado da tardia Antigüidade latina, a Idade Média adotou e transformou seus elementos, construindo uma imagem própria dos antigos: “a Antigüidade está presente na Idade Média como recepção e transmutação”.[4]

Os medievos procuraram traduzir, estudar e entender os antigos, pois, para refutar suas doutrinas foi preciso conhecê-las.

Eles acreditavam que a filosofia antiga (sobretudo Aristóteles e Platão) tinha de ser reutilizada, à luz de uma nova interpretação cristã, como nos diz neste trecho o inglês Daniel de Morley, reportando-se ao bispo de Norwich:

“Que ninguém se aflija se, tratando da criação do mundo eu invocar o testemunho não dos Padres da Igreja, mas de filósofos pagãos, pois, ainda que estes não figurem entre os fiéis, algumas de suas palavras, a partir do momento que estejam cheias de fé, devem ser incorporadas ao nosso ensino.” [5]

Vejamos a reinterpretação que Santo Agostinho, um dos expoentes da Idade Média, faz de Platão e Aristóteles, ilustrando com o capítulo 8 do livro VI das Confissões[6]. Nele, Alípio – ex-aluno e futuro amigo de Agostinho – recusa-se a assistir às lutas de gladiadores, mas acaba sendo levado “amigavelmente” à força pelos amigos.

Para se proteger contra a massificação e a catarse daquele espetáculo sangrento e cruel, o jovem Alípio conta com seu esclarecimento sobre o que é o bem e o mal, pois o homem instruído e consciente seria capaz de se proteger contra tais males: “Por arrastardes a esse lugar e lá colocardes o meu corpo, julgais que podereis fazer com que o espírito e os olhos prestem atenção aos espetáculos? Assistirei como ausente, saindo assim triunfante de vós e mais dos espetáculos”[7].

Ledo engano: o homem esclarecido, consciente de si mesmo se entrega tanto mais facilmente e com tanto mais ardor àquela massificação. Vamos nos apoiar na brilhante análise que Erich Auerbach[8] faz desse texto para mostrar como a Antigüidade é reutilizada pelo pensador cristão.

A autoconsciência individualista e orgulhosa é derrubada: “não se trata de um Alípio qualquer, mas de toda a cultura racional e individualista da Antigüidade clássica: Platão e Aristóteles, os estóicos e os epicuristas”[9].

A derrocada é tanto maior quanto maior a suposta consciência: o homem consciente se converte em massa e vai além, conduz a massa.

Essa mudança radical, como aponta também Auerbach, é cristã, sendo a derrota a primeira etapa da redenção em Deus:“O Cristianismo dispõe, na sua luta contra a embriaguez mágica, de outras armas que não as da elevada cultura racional e individualista da Antigüidade”[10]. Se por um lado, Agostinho reutiliza os antigos, seu estilo de texto é “totalmente anticlássico”, tanto no tom humanamente dramático como na forma, que lembra passagens bíblicas; Agostinho se utiliza dos clássicos, mas não se deixa dominar por ele, como aponta Auerbach.

Dante é outro “produto” da Antigüidade, e bebe dessa fonte para construir o maior painel da época medieval, sua Divina Comédia. Na viagem de Dante ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso – conduzido pelo altíssimo poeta Virgílio, a mentalidade, a cultura, a sociedade, o amor são questionados em conversas travadas com inúmeros personagens. A Divina Comédia também é uma censura à época, escrita, segundo o poeta, em “linguagem vulgar que as mulheres utilizavam em suas conversações diárias”[11].

No canto IV do Inferno, Dante e Virgílio se encontram com os antigos: Homero, Horácio, Ovídio, Lucano e depois Estácio. Esse encontro representa a aceitação de Dante no círculo dos poetas antigos (a bella scuola) e a sanção de sua missão poética.[12]

Assim, só podemos compreender Dante, se estudarmos Virgílio e, antes deste, Homero:

“O encontro de Dante com a bella scuola autoriza a incorporação da épica latina na poesia universal cristã. Compreende um lugar ideal, onde ficou reservado um nicho para Homero, e onde se acham reunidas todas as grandes figuras do Ocidente (...) Nele deita raízes a Divina Comédia. É a velha estrada da Antigüidade que conduz ao Mundo Moderno.”[13]

Ecoam também em Giovani Bocaccio, autor do Decameron, os reflexos dos antigos. Na medida em que ambos rompem com uma estrutura rígida coercitiva, Eurípides e Bocaccio são precursores da nossa modernidade. Aquele desmistificando o esquema coercitivo-aristocrático das tragédias, colocando o povo como personagem principal e celebrando o indivíduo. Bocaccio, grande admirador e seguidor de Dante, popularizando a literatura e escandalizando com suas novelas, escritas em língua vulgar, em que jovens fogem da peste e se refugiam nos montes, visualizando novos horizontes (fuga do passado, rumo a uma nova era); temos, então, uma transfiguração do espírito revolucionário de Eurípides. Além disso, ambos são precursores do romance burguês moderno.

Podemos citar inúmeros outros exemplos, mas limitemo-nos a expor mais dois: o primeiro intelectual, tal como concebemos, nasceu na Idade Média: Abelardo, cristão nutrido na filosofia antiga que reclama a aliança entre a razão e a fé, o primeiro professor, para usar as expressões de Le Goff[14]; e as Universidades, centro da nossa intelligentsia e instituição de pesquisa por excelência, foram criadas nessa época.

Há que se negar as oposições Medievalidade-Antigüidade e Medievalidade-Modernidade pois não se pode ser moderno se não se estuda os antigos. Isso vale tanto para a Idade Média em relação à Antigüidade como para o nosso mundo com relação à Idade Média. É a partir do legado da Idade Média que os clássicos chegam aos renascentistas e, depois, até nós. Dizemos que nosso mundo atual é fruto do pensamento clássico greco-romano.

Na verdade, não nos damos conta que somos filhos do pensamento medieval, no qual os conceitos clássicos passaram pelo filtro da doutrina cristã:

 

“falamos idiomas surgidos naquela época, temos ou pretendemos ter governos representativos, consideramos indispensáveis instituições como julgamento por júri e habeas corpus, alcançamos maior eficiência com o sistema bancário, a contabilidade e o relógio mecânico, cuidamos do corpo com hospitais e óculos, alimentamos melhor o espírito graças à notação musical, à imprensa e às universidades, embelezamos a vida com a música polifônica e os romances”.[15]

Temos de tentar compreender a Idade Média, então, a partir dos olhos de uma pessoa daquela época, isto é, sem preconceitos, reconhecendo sua modernidade e seu rico legado cultural. Conhecer a Idade Média, matriz da civilização ocidental cristã, enfim, é compreender melhor o nosso século.

Della Paschoa Rodrigues

Referências Bibliográficas

AUERBACH, Erich. Mimesis – A Representação da Realidade na Literatura Ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1998.

CURTIUS, Ernst R. Literatura Europea y Edad Media Latina. México: Fondo de Cultura Económica, 1995.

FRANCO Jr., Hilário. A Idade Média – Nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 1996.

HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

LE GOFF, JACQUES. Os Intelectuais na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1995.

LOYN, Henry R. (org.). Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

SANTO AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1999, Coleção Os Pensadores.

[1] Cf. OLIVEIRA, Franklin. “Breve Panorama Medieval” in LOYN, Henry R. (org.). Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1992, p. V.

[2] Cf. CURTIUS, Ernst R. Literatura Europea y Edad Media Latina. México: Fondo de Cultura Económica, 1995, p. 21

[3] Ibidem, p. 30.

[4] Ibidem, p. 39.

[5] Apud LE GOFF, Jacques. Os Intelectuais na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1995, p. 29.

[6] Santo Agostinho. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

[7] Ibidem, p.157.

[8] AUERBACH, Erich. Mimesis – A Representação da Realidade na Literatura Ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1998, pp. 56-61.

[9] Ibidem, p. 59.

[10] Ibidem, Loc. cit.

[11] Apud FRANCO Jr., Hilário. A Idade Média – Nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 1996, p. 140.

[12] Cf. CURTIUS, Ernst R. Op. cit. p. 37.

[13] Ibidem, p. 38.

[14] LE GOFF, Jacques. Op. cit. pp. 39 ss.

[15] FRANCO Jr., Hilário. Op. cit. p. 179.

Fonte: www.unicamp.br

Idade Média

Tábua Cronológica

395: Morte de Teodósio. Com este acontecimento, consideram os Historiadores que se encerra a ANTIGUIDADE e se inicia a IDADE MÉDIA.

407: As legiões romanas retiram-se da Bretanha. l Invasão da Gália pelos povos germânicos.

409: Vândalos, alanos e suevos instalam-se na Península Ibérica.

410: Os visigodos, chefiados por Alarico, conquistam e saqueiam Roma.

416: Os visigodos instalam-se na Península Ibérica.

420: São Jerónimo morre em Belém (Palestina).

c. 425: Os hunos fixam-se na Panónia e os godos na Dalmácia. l Os anglos invadem a Grã-Bretanha.

426: Santo Agostinho: A Cidade de Deus.

429: Os vândalos desembarcam em África.

432: Evangelização da Irlanda por S.Patrício.

434: Átila, rei dos hunos.

439: Os vândalos tomam Cartago.

441: Anglos e Saxões conquistam a Bretanha.

448/49: Os suevos da Península Ibérica convertem-se ao cristianismo.

451: Átila, rei dos hunos, invade a Gália mas em Tróia é batido pelos francos, alemães e romanos.

452: Átila na Itália.

453: Morte de Átila, fim do reino dos hunos.

455: Os vândalos saqueiam Roma.

468: Eurico, rei visigodo, conquista a Península Ibérica.

476: Os reis godos na Itália. l Odoacro, rei das tribos germânicas, informa Constantinopla que acabou o Império do Ocidente.

481: Clóvis é proclamado rei dos francos.

489: Os ostrogodos, comandados por Teodorico, invadem a Península Ibérica.

493: Teodorico funda o reino ostrogodo da Itália.

520: Keitai-Tennô promove a unidade japonesa.

527: Justiniano, imperador do Oriente; época de esplendor; guerra com os persas.

529: Belisário, general de Justiniano, conquista Nápoles. l Justiniano fecha as escolas de Atenas, que tinham prosperado durante cerca de um milénio. l Em Monte Cassino, S. Bento funda a Ordem dos Beneditinos.

533: África do Norte, província bizantina.

543: Grande peste em Constantinopla.

552: Penetração do budismo no Japão.

555: Justiniano expulsa os godos da Itália que é convertida em província bizantina.

565: Morte de Justiniano. l Os lombardos conquistam o norte da Itália, ficando Roma e Ravena em poder de Bizâncio.

568: Os lombardos invadem a Itália.

c. 570/71: Nascimento de MAOMET.

579: Peste em Roma.

581: Yang-Kien unifica os territórios da China.

589: O reino visigodo da Península Ibérica converte-se ao cristianismo.

590: O Papa Gregório Magno promove a unidade cristã no Ocidente, sob a direção de Roma.

596: Começo da evangelização dos anglo-saxões.

603: Conversão dos lombardos ao cristianismo.

606: Fundação do templo budista de Nara (Japão). l No norte da Índia, reino de Harcha Vardhana.

610: Em Bizâncio, início de Heráclio como imperador de Oriente.

614: Os persas tomam Jerusalém.

618: Época de ouro da cultura chinesa.

619: Cosroes II, da Pérsia, é também o senhor do Egipto, de Jerusalém e de Damasco e mantém exércitos no Helesponto. l Dinastia Tang, na China.

621: O budismo, religião oficial do Japão.

622: Heraclio liberta a Ásia Menor. l A «hégira» de MAOMET.

626: Na China, dinastia dos Tang.

627: Vitória de Heráclio sobre os persas, em Ninive. l Império Khmer na Indochina (Camboja).

629: Heráclio reconquista Jerusalém para os cristãos.

630: Triunfo de MAOMET, a Arábia submetida ao islamismo. l Os chineses submetem os turcos orientais. l Introdução do budismo no Tibet.

632: Morte de MAOMET.

633: Primeira edição do Corão.

634: Omar, segundo califa com poderes imperiais.

636: Os muçulmanos conquistam a Síria.

637: Os árabes, conduzidos por Omar, conquistam a Palestina (Jerusalém) e Antióquia.

639: Os árabes conquistam a Mesopotâmia.

640: Os árabes no Egipto.

642: Os árabes em Alexandria.

644: Otman, terceiro califa.

645: No Japão, organização do Estado segundo o modelo chinês.

646: Os árabes conquistam a Arménia.

647: Os árabes conquistam Tripoli.

650: Os kazares estabelecem-se no Don l Na China aparecem os estribos para montar.

651: Os árabes ocupam a Pérsia.

653: Redação canónica do Corão.

655: Os árabes afundam a esquadra bizantina.

656: Morte de Otman. l Começam as lutas pelo califado.

661: No Islão, dinastia dos Omíadas.

664: Primeiras incursões árabes na Índia.

668: Por mar, o califa Moawija ataca Constantinopla. l Os chineses conquistam a maior parte da Coreia.

670: Os árabes no norte de África.

687: Construção da mesquita de Omar, em Jerusalém.

692: Derrota de Justiniano pelos árabes, na batalha de Sebastópolis.

695: Justiniano foge para a Crimeia. l Dicionário sânscrito-chinês.

698: Os árabes conquistam Cartago.

704: Os árabes conquistam Samarcanda e, entre outras riquezas, apoderam-se do segredo de fabricação do papel.

707: Construção da mesquita de Damasco.

709: Queda de Ceuta, fim da conquista árabe no norte de África.

710: Rodrigo, último rei visigodo. l Era de Nara, no Japão.

711: Partindo do norte de África, exércitos berberes comandados por Tarique, invadem a Península Ibérica.

715: As possessões do califa Valid I estendem-se dos Pirinéus à China.

716: O apóstolo Bonifácio inicia a evangelização da Alemanha.

717: Carlos Martel, marechal do reino dos Francos.

717/18: Solimão, filho e sucessor de Valid, tenta em vão tomar Constantinopla.

718: Revoltado contra o domínio dos Mouros, Pelágio funda o reino das Astúrias.

720: Toulouse sitiada pelos árabes.

722: Pelágio derrota os Mouros na batalha de Covadonga.

727: Progresso de Veneza, aliada de Bizâncio.

730: Carlos Martel submete o último duque alemão.

731: O Papa Gregório III excomunga os iconoclastas.

732: Em Poitiers, Carlos Martel derrota os muçulmanos.

734: Na China, idade de ouro do período Tang.

737: O budismo passa a ser religião oficial no Japão. l Pelágio funda o reino das Astúrias.

738: Invasões árabes na Provença.

739: Afonso I, rei cristão de Espanha.

741: Morte de Carlos Martel. l Constantino V imperador de Bizâncio.

742: Nascimento de CARLOS MAGNO.

750: Dinastia árabe dos Abássidas.

751: Pepino o Breve, é coroado rei de França; início da dinastia carolíngia.

756: Fundação do emirato de Córdoba.

757: Os reinos coreanos libertam-se do domínio chinês.

759: Pepino conquista Narbona aos árabes.

760: Campanha de Pepino na Aquitânia.

768: Morte de Pepino.

771: CARLOS MAGNO, rei único dos francos.

774: CARLOS MAGNO conquista a Lombardia.

785: Campanha de CARLOS MAGNO contra Witking e líderes saxões.

786: Construção da mesquita de Córdoba.

786/809: Harum-al-Raschid, califa de Bagdad.

793: Primeiras incursões normandas na Inglaterra.

795: Os japoneses transferem a capital para Quioto.

795/816: Leão III, Papa.

c. 800: Surge a primeira pauta musical.

800: Leão III coroa CARLOS MAGNO como soberano do Sacro Império Romano-Germano.

806: Os francos conquistam a Boémia.

810: Veneza submete-se aos francos.

814: Morte de CARLOS MAGNO.

820: Os normandos atacam a Irlanda.

822: Abd-al-Rahman III, emir de Córdoba.

825: Os árabes conquistam Creta.

828: Egberto torna-se o primeiro rei de Inglaterra. l Os árabes na Sicília.

833: É construído pelos árabes, em Bagdade, o primeiro observatório de astronomia.

838: Os árabes saqueiam Marselha.

839: Os normandos fundam um reino da Irlanda.

840: Início das invasões normandas na Inglaterra.

841: Os normandos atacam o norte da França.

843: Tratado de Verdun; o império de CARLOS MAGNO é partilhado pelos seus três netos e são assim lançadas as bases territoriais dos futuros Estados da França, Alemanha e Itália. l Fim da querela iconoclasta com o triunfo da ortodoxia.

843/44: Os normandos saqueiam Lisboa, Beja e várias localidades do Algarve.

845: Os normandos em Hamburgo e Paris.

846: Os árabes saqueiam Roma.

c. 850: Os chineses descobrem a pólvora.

850: Os normandos estabelecem colónias junto à foz dos rios Sena e Loire. l Luís II, imperador. l Morte de Al-Khuwarizmi, iniciador da álgebra, com um sistema decimal possivelmente de origem hindu. l Surgimento, no Mediterrâneo, de embarcações com velas latinas.

851: Os normandos em Londres e na Cantuária.

852: Boris, o primeiro rei cristão da Bulgária.

859: Os normandos arrasam Navarra.

860: S.Cirilo inicia a evangelização dos povos eslavos.

862: O normando Rurik torna-se senhor de Novgorod e de Kiev. l Invenção da escrita Cirílica.

864: O czar Boris, da Bulgária, converte-se ao cristianismo.

865: A frota dos russos-normandos ameaça Constantinopla.

867: Basílio I, primeiro imperador bizantino da dinastia macedónica.

868: O Egipto separa-se do califado abássida.

871: Alfredo, o Grande, de Wessex (Inglaterra), vence os normandos.

874: Os normandos estabelecem-se na Islândia.

875: Carlos, o Calvo, coroado imperador.

876: Em Constantinopla, construção da Nea, basílica com planta em forma de cruz.

878: Data provável da fundação do Mosteiro de Lorvão.

878: Os árabes ocupam Siracusa.

881: Carlos III, o Gordo, imperador.

885: Paris sitiada pelos normandos. l Os bizantinos recuperam a Itália meridional.

889: Apogeu da civilização khmer.

891: Guido de Spoleto coroado imperador.

893: Simeão, primeiro czar da Bulgária.

904: A frota russa deixa Constantinopla.

905: Navarra, reino independente.

906: Invasões húngara na Morávia e Europa Central.

909: Dinastia fatimita no Egipto.

910: Fundação da Abadia de Cluny

911: Conrado I, rei efetivo da Alemanha.

912: Rolando estabelece-se na Normandia.

914: Ordoño II, das Astúrias, primeiro rei de Leão.

915: Os árabes são expulsos da Itália central.

916: Berengardo coroado imperador.

919: Henrique de Saxe é eleito rei da Alemanha.

920: Apogeu da civilização tolteca, no México.

c. 925: Fundação de Cuzco pelos incas (Peru).

929: Abderramão III é proclamado califa de Al-Andalus.

930: Islândia independente; época das Sagas escandinavas.

936: Otão I, rei da Alemanha.

939: Ramiro II derrota os árabes.

941: Outra vez a frota russa ameaça Constantinopla.

942: Evangelização dos húngaros.

945: Construção da mesquita de Córdoba.

950: Berengário, e o seu filho Alberto, reis de Itália. l Por esta data aparecem os moinhos de vento, na Pérsia. l Por esta data aparece também o moderno arnês de tiro, na Europa.

956: Morre Al Mas'udi, em cujas obras aparece uma primeira versão persa das 1001 Noites.

957: Olga, princesa russa, converte-se ao cristianismo.

959: Os bizantinos alcançam o Tigre; máxima expansão do seu império.

960: Dinastia Song, na China.

961: Os bizantinos conquistam Creta aos árabes.

962: Data provável da revolta do Conde de Portucale contra o domínio do Rei de Leão. l Otão I é coroado imperador por Leão XII e funda o Sacro Império Romano-Germânico.

966: Micislau, duque da Polónia, converte-se ao cristianismo.

969: Fundação da cidade do Cairo pelos fatimidas.

970: Os fatimidas conquistam Damasco.

973: Otão II, rei da Alemanha.

975: Os árabes são expulsos do sul de França.

976: Basílio II, imperador de Bizâncio.

978: Novas invasões dinamarquesas na Inglaterra.

987: Hugo Capeto, rei de França.

989: Conversão da Rússia ao cristianismo.

990: Dinastia Hsi-Hsia, na China.

992: Boleslau Chrobi, fundador e rei da Polónia.

995: Introdução do cristianismo na Noruega.

997: Estevão, fundador e rei da Hungria.

c.1000: O viking Leif Erikson arriba à costa nordeste da América. l Os vikings criam a escrita rúnica.

1002: Etelredo extermina os dinamarqueses na Inglaterra.

1009: Os árabes destroem o Santo Sepulcro.

1013: Svend I, da Dinamarca, também rei da Inglaterra.

1014: Canuto II torna-se rei da Inglaterra, da Dinamarca e da Noruega.

1020: Santa Sofia, de Kiev: monumento de arte bizantina.

1024: Apogeu do Sacro Império Romano-Germânico no reinado de Conrado II.

1031: Em Espanha, queda da dinastia dos Omíadas (árabe).

1037: União de Castela e Leão.

1039: Lisboa, até então dominada pelos Omíadas, é conquistada pelos Abássidas.

1042: Os dinamarqueses expulsos da Inglaterra.

1043: A frota russa ameaça Constantinopla.

1048: O Papa Leão IX empreende a reforma eclesiástica.

1050: A primeira escola médica europeia, em Salerno.

1054: Ruptura da Igreja grega com a romana.

1056: Henrique IV, rei do Sacro Império Romano-Germânico, bate os saxões na Turíngia e entra em conflito com o Papa. l Os almorávidas na África do norte.

1059: Construção da Abadia de Westminster.

1063: Inicia-se a construção da Catedral de Pisa.

1064: Os cristãos reconquistam Coimbra aos mouros; governo do moçárabe Sisnando.

1066: Guilherme da Normandia conquista a Inglaterra; fim da dinastia saxónica e início do feudalismo.

1070: Os normandos conquistam o sul da Itália.

1071: Despertar do Islão com os turcos.

1073: Eleição do Papa Gregório VII; condenado o tráfico de funções, o casamento dos padres e as investiduras laicas.

1075: Inicia-se a construção da Igreja de Santiago de Compostela.

1078: Inicia-se a querela das investiduras laicas.

1079: Inicia-se a construção da catedral de Winchester.

1080: Hassan Sabah funda em Alamut a Seita dos Assassinos.

1084: O normando Robert Guiscard saqueia Roma. l Bruno de Colónia funda a Ordem da Cartuxa.

1086: Os Almorávidas (muçulmanos) invadem a Península Ibérica.

1087: Urbano II, Papa.

1088: Fundação da Universidade de Bolonha.

1091: Por ter casado com D. Urraca, filha de Afonso VI de Leão, o conde D. Raimundo passa a governar a Galiza.

1095: Urbano II prega e promove a primeira Cruzada.

1096: Por ter casado com D. Teresa, filha de Afonso VI de Leão, o conde D. Henrique de Borgonha passa a governar os condados de Portucale e Coimbra.

1098: Os cruzados conquistam Antióquia. l Roberto de Molesme funda a Ordem de Cister.

1099: O cruzado Godofredo de Bouillon conquista Jerusalém. l É fundada a Ordem de S. João de Jerusalém, primeira ordem religiosa de cavalaria.

1100: Balduíno I, primeiro rei de Jerusalém.

1102: Balduíno derrota os fatimitas e ocupa Cesária. l Os almorávidas em Valência.

1105: Por esta data surgem na Europa os moinhos de vento.

1106: Os almorávidas em Sevilha. l Henrique V, rei da Alemanha. l Fim da questão das investiduras laicas.

1109: Os cruzados tomam Tripoli e Beirute. l Na Sicília surge o primeiro documento escrito em papel. l Ano provável do nascimento de D. AFONSO HENRIQUES.

1110: Balduíno toma Sídon.

1111: Henrique V coroado imperador. l Os almorávidas em Saragoça.

1112: Construção do Templo de Angkor Vat (Camboja).

1114: Começa na China a dinastia Chiu.

1118: Fundação da Ordem dos Templários.

1121: Primeira condenação de Abelardo.

1122: Fim da luta das investiduras.

1124: Os cruzados conquistam Tiro.

1127: Guilherme de Aquitânia: Canções.

1128: Em Portugal, Batalha de S. Mamede, entre D. AFONSO HENRIQUES e a sua mãe.

1131: Em Coimbra, construção do Mosteiro de Santa Cruz.

1135: D. AFONSO HENRIQUES edifica o castelo de Leiria.

1139: Na batalha de Ourique, vitória de D. AFONSO HENRIQUES contra os mouros. l Primeira guerra civil em Inglaterra, entre Estevão e Matilde.

1140: Início da construção da Sé velha de Coimbra. l Floresce a lírica provençal.

1141: Segunda condenação de Abelardo.

1143: Tratado de Samora e fundação do reino de Portugal; D. AFONSO HENRIQUES primeiro soberano.

1144: Revoltas contra o Papa; estabelece-se um governo republicano em Roma.

1147: Segunda Cruzada. l D. AFONSO HENRIQUES conquista Santarém e Lisboa aos mouros.

1148: Derrota dos cruzados frente a Damasco.

1150: Decreto de Graciano: compilação das leis da Igreja (direito canónico). l Por esta data começa a ser utilizada a energia hidráulica para fins mecânicos.

1152: Frederico Barba Roxa, rei da Alemanha.

1154: Henrique II, rei da Inglaterra, dinastia dos Plantagenetas.

1156: Hungria submetida a Bizâncio. l Os árabes iniciam a reconquista das possessões normandas na África do Norte. l É fundada a Ordem dos Carmelitas. l No Japão, os clãs Taira e Minamoto ocupam Quioto.

1157: Ruptura de Frederico com o Papa.

1158: Fundação da Ordem de Calatrava.

1159: D. AFONSO HENRIQUES doa o Castelo de Cera (Tomar) aos Templários e conquista Évora e Beja aos Mouros.

1160: Os normandos são expulsos da África do norte.

1163: Iniciada a construção da Notre-Dame, em Paris.

1166: Floresce Averroes, comentarista de Aristóteles.

1167: Fixam-se em Oxford estudantes ingleses provenientes de Paris.

c. 1168: Os aztecas no México.

1170: Foral dos mouros livres de Lisboa, Almada, Palmela e Alcácer.

1171: Henrique II inicia a conquista da Irlanda. l Fundado em Veneza o primeiro banco de depósitos. l Surgem inovações económicas: letras de câmbio, seguros marítimos, etc. l Saladino, sultão do Egipto.

1173: Os almóadas, senhores de Espanha.

1174: A Escócia presta vassalagem a Henrique II. l Iniciada a construção da Torre de Pisa.

1175: Em Córdoba, floresce o filósofo judeu Maimónides; o Guia dos Perdidos é a sua obra mais importante.

1176: Frederico Barba Roxa, da Alemanha, reconhece a autoridade do Papa Alexandre III. l Saladino na Síria.

1180: Filipe II promove o desenvolvimento do reino da França. l O Romance da Raposa, compilação anónima. l Maria de França: Poemas.

1181: Construção do Alcazar de Sevilha. l Cruzada contra os albigenses.

1182: Nascimento de Francisco de Assis.

1183: Saladino conquista Alepo.

1185: Morte de D. AFONSO HENRIQUES.

1186: No Japão inicia-se a época Kamakura.

1187: Saladino reconquista Jerusalém.

1188: Reconciliação do Papa com a comuna romana. l Saladino conquista todas as possessões cristãs, excepto Tiro, Tripoli e Antióquia. l O futuro Gengis Kan unifica as tribos mongóis.

1189: Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra. l Terceira Cruzada.

1190: Frederico I morre na Cruzada.

1191: Henrique VI, imperador. l Os cruzados conquistam Chipre e S. João de Acre.

1192: Trégua de três anos entre Saladino e Ricardo Coração de Leão.

1193: Morte de Saladino.

1194: Construção da catedral de Chartres.

1195: Os almóadas derrotam os castelhanos na batalha de Alarcos. l Começa a ser usada a bússola magnética. l Médico na corte cordovesa, Averróis cai em desgraça.

1197: Os cruzados conquistam Beirute. l Império inca, no Peru.

1198: É fundada a Ordem dos Cavaleiros Teutónicos.

1198/1216: Inocêncio III, Papa; apogeu da Igreja (estados pontifícios) no período chamado Cristandade Medieval.

1199: João Sem Terra, rei da Inglaterra.

c. 1200: Os aztecas instalam-se no México; aliados aos toltecas, levam à ruína a civilização maia.

1202: Quarta Cruzada; os cruzados atacam o Império do Oriente.

1204: Tomada de Constantinopla pelos cruzados; é fundado o império latino.

1205: Wolfram de Eschenbach: Parsifal.

1206: Os venezianos ocupam Creta. l Gengis Kan, imperador dos turcos e mongóis. l Francisco de Assis sai da casa paterna e faz voto de pobreza.

1208: Organizadas, em Paris, as corporações de professores e estudantes.

1209: Fundação da ordem franciscana. l Uma cisão dos estudantes de Oxford dá origem à Universidade de Cambridge.

1212: Afonso II de Portugal e Pedro II de Aragão aliam-se e derrotam os mouros na batalha de Navas de Tolosa. l Frederico II, da Alemanha, é aclamado rei da Sicília l Construção da catedral de Reims.

1214: Gengis Kan apodera-se de Pequim.

1215: O rei João Sem Terra, por exigência dos barões ingleses, promulga a Magna Carta.

1217: Quinta Cruzada.

1218: Os mongois ocupam a Coreia.

1219: Os mongois ocupam Samarcanda. l Francisco de Assis prega o Evangelho ao sultão do Egipto.

1220: Os mongois invadem a Pérsia.

1221: Fracasso da Quinta Cruzada. l Iniciada a construção da Catedral de Burgos. l São Francisco convoca Sto. António de Lisboa para o Capítulo Geral da ordem.

1222: Fundação da Universidade de Pádua.

1223: Os mongois conquistam a Crimeia.

1224: Os bizantinos expulsam os latinos da Ásia Menor. l Fundação da Universidade de Nápoles. l Apogeu do poeta persa Saad.

1225: Nascimento de Tomás de Aquino.

1226: Morte de Francisco de Assis. l Luís IX (S.Luís), rei de França.

1227: Morte de Gengis Kan; divisão do império entre os seus quatro filhos.

1228: Sexta Cruzada. l Fundação do partido guelfo, na Itália.

1229: Frederico II é coroado rei, em Jerusalém.

1232: Fundada a Inquisição sob orientação dos dominicanos. l Corre a notícia da invenção de um relógio mecânico.

1234: Em Granada, iniciada a construção do Alhambra.

1236: Fernando III reconquista Córdoba. l Alexandre Nevski, príncipe de Novgorod. l Os mongois na Rússia.

1237: Publicação póstuma do Romance da Rosa, de Guilherme de Lorris.

1240: Os mongois destroem Kiev e concluem a conquista da Rússia.

1241: Os mongois na Polónia, Hungria e Boémia. l Tratado entre Hamburgo e Lebeque, fundação da Liga Hanseática (Hansa).

1242: Os mongois abandonam as suas conquistas na Europa Central.

1243: Os mongois na Ásia Menor.

1244: Jerusalém sob a dominação islâmica do Egipto.

1248: Sétima Cruzada, encabeçada por S. Luís. l Fernando III, de Castela, conquista Sevilha.

1249: S. Luís conquista Damieta. l Os portugueses conquistam o Algarve aos mouros.

1250: Os muçulmanos reconquistam Damieta. l S. Luís na Síria. l Iniciada a construção da Catedral de Estrasburgo. l Nas embarcações aparece o timão moderno.

1252: Afonso X, o Sábio, rei de Leão e Castela. l Roger Bacon lecciona em Oxford.

1253: Fundação da Sorbonne.

1254: Fim da Sétima Cruzada. l Data provável do nascimento de Marco Polo.

1256: Em Paris Tomás de Aquino mestre catedrático em Teologia.

1258: Hulagu Kan funda a dinastia mongol na Pérsia e destrói Bagdad.

1259: Charles d'Anjou domina o Piemonte.

1260: Com Kublai Kan é fundada a dinastia Yuan (mongol) na China. l Primeira emissão de papel-moeda. l Afonso X, o Sábio, ordena a compilação das Sete Partidas. l Em Florença é construída a Igreja da Santíssima Trindade.

1261: Os gregos enfrentam os latinos e reconquistam Constantinopla. l Fim do império latino. l Restabelecimento do califado do Cairo.

1265: Nasce, em Florença, Dante Alighieri.

1266: Charles d'Anjou, rei de Nápoles. l Roger Bacon inicia a publicação de três obras: Opus Majus, Opus Minus e Opus Tertium.

1270: Encabeçada por S. Luís, oitava e última Cruzada. l Início da viagem de Marco Polo à China.

1272: Eduardo I, rei da Inglaterra, institui o Parlamento como sistema de governo. l Prática de dissecação humana, em Bolonha.

1273: Rodolfo de Habsburgo, rei da Alemanha.

1274: Concílio de Lyon, fim do cisma oriental, união das Igrejas. l Morte de Tomás de Aquino.

1276: João XXI, Papa. l João de Meung: segunda parte do Romance da Rosa.

1276/90: Marco Polo percorre todo o Império da China.

1277: Tempier, bispo de Paris, condena as teses averroista e tomista.

1278: Em Florença, construção da Igreja de Santa Maria, a nova.

1279: D. Diniz, rei de Portugal. l A dinastia dos Mongóis estende-se a toda a China.

1285: Filipe IV, o Belo, rei de França.

1289: Fundação da Universidade de Montpellier.

1290: Floresce Moisés ben Sem Tob, autor de Zohar, compilação dos ensinamentos cabalísticos. l Esculturas da fachada da Catedral de Siena. l Templo Yasaka, no Japão.

1291: É fundada a Confederação Helvética; por esta época surge a lenda de Guilherme Tell. l Primeiras missões franciscanas na Índia.

1292: Morte de Kublai Kan. l Dante: Vita Nova.

1293: É fundada, em Portugal, uma Bolsa de Mercadores.

1296: Separação dos reinos de Nápoles e Sicília. l Início da construção da Catedral de Florença.

1297: No reinado de D. Diniz, pelo tratado de Alcanises são fixadas as fronteiras de Portugal.

1298: Marco Polo dita a crónica das suas viagens.

1299: Osman I, sultão turco.

1300: Aparecem os portulanos, mapas marítimos.

1302: Em Florença, os guelfos no poder.

1303: Bonifácio VII excomunga Filipe, o Belo.

1305: Frescos de Giotto na Igreja de Sta. Maria de Pádua.

1306: Expulsão dos judeus de França.

1308: A Universidade de Lisboa é transferida para Coimbra.

1309: Os Papas em Avinhão.

1310: Construção do Palácio dos Dux, em Veneza.

1312: O Concílio de Viena suprime a Ordem dos Templários.

1314: Dante: A Divina Comédia.

1317: João XXII excomunga os Visconti e acaba por usurpar o poder na Itália.

1321: Morte de Dante.

1322: A propósito da pobreza apostólica, conflito entre o Papa e os franciscanos.

1323: Sublevação de camponeses, na Flandres.

1324: Morte de Marco Polo. l Leão XXII excomunga e derruba Luís da Baviera.

1325: Os aztecas fundam Tenochtitlan. l A Universidade de Paris condena o tomismo.

1327: Luís, o Bávaro, na Itália.

1328: Filipe IV (Valois), rei de França.

1329: O papa João XXII condena 26 proposições das obras do filósofo Eckart.

1330: Por esta data aparecem as primeiras armas de fogo.

1331: Estevão IX, rei dos sérvios.

1333: No Japão, fim do governo de Kamakura. l Casimiro III, rei da Polónia. l Yusuf I, rei de Granada.

1334: Giotto dirige os trabalhos da Catedral de Florença.

1337: Início da Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra.

1340: Os exércitos de Afonso IV de Portugal e de Afonso XI de Castela derrotam os muçulmanos na batalha do Salado. l Primeiras tabelas de juros para banqueiros.

1341: Coroação poética de Petrarca, em Roma.

1342: Luís, o Grande, rei da Hungria e da Polónia.

1343: Petrarca: De Contemptu Mundi.

1346: Guerra dos Cem Anos: os ingleses derrotam os franceses na batalha de Crécy.

1348: A Peste Negra na Europa. l Fundação da Universidade de Praga. l Aperfeiçoamento do mecanismo dos relógios. l Boccacio: Decameron.

1349: Carlos, o Mau, rei de Navarra. l Petrarca: Cancioneiro.

1350: Divisão do Parlamento inglês em Câmara Alta e Câmara Baixa.

1353: Junto ao estreito dos Dardanelos, Orkan I funda a primeira cidade otomana na Europa.

1354: O viajante Ibn Batutta chega a Tomboctu.

1355: INÊS DE CASTRO é assassinada nos Paços de Santa Clara (Coimbra).

1356: Guerra dos Cem Anos: os ingleses derrotam os franceses na batalha de Poitiers.

1357: Nascimento de D. JOÃO, futuro MESTRE D'AVIS.

1358: Jacqueries, sublevação dos camponeses, em França.

1359: Murad I, sultão otomano.

1360: Guerra dos Cem Anos: paz de Brétigny.

1363: Tamerlão (Timur Lenk), rei dos mongois.

1364: Fundação da Universidade de Cracóvia.

1365: Fundação da Universidade de Viena.

1368: Reinício da Guerra dos Cem Anos. l Na China começa a dinastia Ming.

1369: D. Fernando de Portugal em luta com Castela.

1370: Em Portugal é criada uma Bolsa de Seguros Marítimos.

1372: Apogeu de Ibn Khaldun autor do Livro dos Exemplos.

1375: Atlas catalão, possivelmente da autoria de A. Cresques. l Em Portugal, D. Fernando promulga a Lei das Sesmarias.

1378: O Grande Cisma do Ocidente: o Papa Urbano VI em Roma e o Papa Clemêncio VII em Avinhão.

1380: Data provável do nascimento de FERNÃO LOPES.

1382: Condenação do teólogo inglês John Wyclif. l Os mongois incendeiam Moscovo.

1383: Em Portugal, D. Fernando morre sem descendência, abrindo-se uma grave crise dinástica; regência de D. Leonor de Teles; rebelião da burguesia e da arraia miúda contra a nobreza.

1384: Tamerlão chega ao Mar Cáspio. l D. João I, de Castela, cerca Lisboa.

1385: João das Regras induz as Cortes de Coimbra a aclamarem D. JOÃO, MESTRE D'AVIS, como rei de Portugal. l Já no reinado de D. JOÃO I , na batalha de Aljubarrota o exército português, comandado por Nuno Álvares Pereira, dizima o castelhano. l À pazada, BRITES DE ALMEIDA mata sete castelhanos.

1386: Tamerlão em Bagdad. l Fundação da Universidade de Heidelberg.

1387: Celebra-se o Tratado de Windsor entre Portugal e a Inglaterra, consolidado pelo casamento de D. JOÃO I com D. Filipa de Lencastre.

1387/1455: Vida de Fra Angélico.

1388: Início da construção do Mosteiro da Batalha.

1392: Em França, no reinado de Carlos VI, são fabricadas as primeiras cartas de jogar.

1394: Tamerlão chega ao Cáucaso. l Nascimento do INFANTE D. HENRIQUE.

1398: João Huss começa a pregar em Praga. l Tamerlão conquista Delhi.

1399: Henrique IV, primeiro rei de Inglaterra da casa Lancaster.

1400: Por esta data aparece o ferro fundido e o mecanismo biela-manivela. l Morte do poeta inglês Geoffrey Chaucer.

1401: O casamento entre D. Afonso (conde de Barcelos e filho ilegítimo de D. JOÃO I) com D. Brites, filha de D. Nuno Álvares Pereira, origina a casa dos Duques de Bragança que virá, no século XVII, a constituir a quarta dinastia real portuguesa.

1402: Início da construção da Catedral de Sevilha.

1411: É assinado a paz provisória entre Portugal e Castela.

1412: Nascimento de Joana d’Arc.

1414: Concílio de Constança, um só Papa, Martinho V.

1415: Huss é queimado vivo. l Sob o comando de D. JOÃO I, Portugal inicia a sua expansão ultramarina com a conquista de Ceuta.l Infante D. Pedro: O Livro da Virtuosa Benfeitoria.

1416: Afonso V, rei de Aragão e da Sicília.

1417: Eleição de Martinho V, fim do Grande Cisma.

1418: O Infante D. Pedro inicia a sua longa viagem pelas Sete Partidas do Mundo.

1419 - FERNÃO LOPES, Guarda-mor da Torre do Tombo. Gonçalves Zarco e Vaz Teixeira descobrem o arquipélago da Madeira. l Fundação da Feira de Lyon.

c. 1420: Deve-se aos portugueses a invenção da caravela.

1420: Guerra dos Cem Anos: Tratado de Troyes, Henrique V regente da França. l Pequim, nova capital chinesa. l O Infante D. Henrique é nomeado regedor da Ordem de Cristo.

1421: Sob a orientação do Infante D. Henrique, os portugueses iniciam a exploração da costa ocidental africana.

1424: Os turcos conquistam Esmirna e reconquistam Anatólia.

1425: No México, Itzcoatl, rei dos aztecas. l Início da colonização da Madeira.

1426: Massacio pinta os Frescos da Capela Brancacci, em Florença.

1427: Descobrimento do arquipélago dos Açores, por Diogo de Silves. l De Bruges, o Infante D. Pedro escreve carta a D. Duarte, que é um verdadeiro breviário político.

1428: Guerra dos Cem Anos: os ingleses cercam Orleans.

1428/38: D. Duarte I, de Portugal: O Livro da Ensinança de Bem Cavalgar em Toda a Sela e O Leal Conselheiro.

1429: Guerra dos Cem Anos: Joana d’Arc liberta Orleans, faz coroar o seu rei Carlos VII na catedral de Reims e lidera os franceses contra os ingleses.

1430/50: Fernão Lopes: Crónicas de D. Pedro, de D. Fernando e de D. João I.

1431: Guerra dos Cem Anos: Joana d’Arc, com 19 anos, é presa, julgada, condenada e queimada viva.

1433: Morrem Nuno Álvares Pereira e D. JOÃO I. Em Portugal sobe ao trono D. Duarte. Gil Eanes transpõe o cabo do Bojador, começando o reconhecimento da costa africana.

1433/99: Vida de Marsilio Ficino.

1434: Cosme de Médicis governa a República de Florença; esplendor das artes renascentistas. l Os portugueses chegam ao Cabo Bojador.

1436: Em Florença, Fra Angélico: Frescos do Convento de S. Marcos.

1437: Desastre militar português em Tânger e os mouros aprisionam o Infante D. Fernando.

1438: Revolução burguesa em Portugal.

1439: Povoamento do arquipélago dos Açores.

1440: Nicolau de Cusa: De Docta Ignorancia.

1443: Morre no cativeiro, em Fez, D. Fernando, o Infante Santo.

1444: Desembarca em Lagos o primeiro contigente de escravos filhados na costa africana. l Em nome de D. Afonso V, o Infante D. Pedro promulga as Ordenações Afonsinas.

1446: Os turcos invadem a Grécia. l Em Florença morre o arquiteto Filippo Brunelleschi. l Morte do escultor Donatello.

1449: O Infante D. Pedro, regente do reino após a morte de seu irmão D. Duarte, é vencido e morto na batalha de Alfarrobeira pelas hostes de seu sobrinho, D. Afonso V.

1450: Francisco Sforza, duque de Milão. l Data provável em que o português Zurara escreve a Crónica da Tomada de Ceuta. l Data, embora incerta, em que são pintados, talvez por Nuno Gonçalves, os Painéis de S. Vicente. l Época de ouro da laca japonesa.

1451: Nascimento de Colombo.

1452: Nascimento de Leonardo Da Vinci numa aldeia da Toscânia, Itália.

1453: Zurara: Crónica dos Feitos da Guiné. l Fim da Guerra dos Cem Anos: independência da Borgonha, que perde Paris e a Normandia para os franceses; a Inglaterra fica apenas com a cidade de Calais. l Os turcos otomanos, chefiados por Maomet II, tomam Constantinopla; fim do império bizantino (consideram os historiadores que, com este evento, se dá por encerrada a Idade Média e começa a Idade Moderna).

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Idade Média

idade média, ao contrário do que muitos pensam, não foi um período negro na história.

Durante a idade média, foram desenvolvidas muitas coisas como técnicas de engenharia, construção, a arte tanto em quadros como em paredes, técnicas de cultivo entre muitas outras coisas. Havia também o claro domínio da igreja sobre as pessoas, prendendo-as na religião católica de certa forma sob opressão, mantendo-se forte durante esse período, sendo portanto a igreja a parte mais marcante dessa época.

Baixa Idade Média

Baixa Idade Média corresponde ao período entre os séculos XII e meados do século XV. Nesse momento histórico ocorreram inúmeras transformações no feudalismo, como o renascimento do mundo urbano e o reaquecimento das atividades comerciais; o fim do trabalho servil; o surgimento da burguesia; a centralização política nas mãos dos monarcas; e as crises da Igreja Católica. Toda a trama histórica levou o sistema feudal ao seu limite, produzindo uma grave crise que desembocou na transição para o capitalismo.

Economia Feudal

A economia feudal deve ser dividida basicamente em dois blocos: alta idade média e baixa idade média.

Durante a alta idade média, que transcorreu entre o século V ao século XI, devido, principalmente a instabilidade política, fruto das invasões bárbaras, a economia feudal caracterizou-se pela auto-suficiência.

Na baixa idade média notou-se uma ruptura com as características de subsistência que apresentava o feudalismo. Com o fim das invasões e o surgimento de novas técnicas agrícolas foi possível a comercialização do excedente de produção.

Arte Medieval

A arte medieval sofreu uma grande influência da Igreja Católica.

As artes que se destacaram na Idade Média foram as artes plásticas: arquitetura, pintura e escultura.

Suas principais realizações foram as igrejas, podendo-se distinguir, nelas, dois estilos básicos: o romântico e gótico.

Romântico

1 – na arquitetura

A impressão de solidez inabalável das construções, firmemente plantadas no solo. Um efeito visual perfeito, para transmitir a confiança na solidez da Igreja Católica, num mundo agitado e inseguro. Para agüentar o peso das abóbadas de pedra, usam-s e colunas grossas e paredes maciças, reforçadas, do lado de fora, por contrafortes. Para não enfraquecer as paredes, as janelas são poucas e estreitas, criando contrastes de luz e sombra no interior, que transpira recolhimento e paz.

2 – na decoração

A escultura e a pintura são mais usadas como complementos da arquitetura. Os temas são escolhidos e tratados de modo a formarem um catecismo visual, que ensina ao povo analfabeto os fundamentos da religião.

Gótico

1 - na arquitetura

A catedral gótica é um movimento em direção ao céu. Tanto no exterior como no interior, todas as linhas da construção apontam para o alto. Essa atração para cima é acentuada pelo uso de arcos pontudos (arcos ogivais), substituindo os arcos plenos do estilo românico.

2 - na pintura

No estilo gótico, embora a pintura seja freqüentemente substituída pelos vitrais, são comuns as pinturas em painéis de madeira e sobre relevos. As figuras adquirem mais naturalidade ,e o colorido é mais vivo.

Sociedade feudal

A sociedade feudal era composta por três classes básicas: Clero, Nobres e Servos.

A estrutura social praticamente não permitia mobilidade, sendo portanto que a condição de um indivíduo era determinada pelo nascimento. As terras eram divididas em feudos, onde havia um senhor, o senhor feudal que mandava em tudo no local. O senhor era o proprietário dos meios de produção, enquanto os servos representavam a grande massa de camponeses que produziam a riqueza social.

Cada feudo tinha sua moeda, leis, tecnologia e às vezes a própria língua(o tamanho dos feudos eram tão grandes que não havia comunicação entre eles a não ser em caso de guerra, fazendo com que cada um tivesse um desenvolvimento diferente. O clero possuía grande importância no mundo feudal, cumprindo um papel específico em termos de religião, de formação social, moral e ideológica. No entanto esse papel do clero é definido pela hierarquia da Igreja, quer dizer, pelo Alto Clero, que por sua vez é formado por membros da nobreza feudal. Originariamente o clero não é uma classe social, pois seus membros ou são de origem senhorial (alto clero) ou servil (baixo clero).

A maioria dos livros de história retrata a divisão desta sociedade segundo as palavras do Bispo Adalberon de Laon: "Na sociedade alguns rezam, outros guerreiam e outros trabalham, onde todos formam um conjunto inseparável e o trabalho de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros".

Os servos tinham de pagar muitas taxas aos senhores feudais, como:

Corvéia

O servo deveria prestar trabalho gratuito ao senhor feudal.

Banalidade

Pagamento de uma taxa por utilizar os instrumentos do senhor feudal.

Capitação

Imposto anual pago por cada indivíduo ao senhor feudal.

Talha

Parte da produção do servo deveria ser entregue ao nobre.

Heriot

Taxa paga pelo servo ao assumir o feudo no lugar de seu pai que veio a morrer.

Idade Média
Vila medieval

Idade Média
Imagem de um típico burgo

Idade Média
Representação de um batalha medieval

Idade Média
Imagem de uma festa

Idade Média
Feudalismo

Idade Média
Catedral de Notre Dame - Paris

Idade Média 
Peste negra

Idade Média
Catedral de Tournus - França

Idade Média
Quarto da nobreza

Fonte: www.csj.g12.br

Idade Média

Idade Média e os temas medievais são usados até hoje em histórias reais ou fantásticas que chegaram até nós. Assim, os contos de fada, com suas princesas, castelos, dragões e reis, são geralmente ambientadas na Idade Média. Ainda ouvimos falar também da bravura dos cavaleiros das Cruzadas, que atravessaram o Oriente Médio e a Europa para lutar contra os infiéis. Muitos rituais católicos têm origem medieval.

Enfim, a Idade Média é uma fonte de histórias infantis, de lendas, filmes, jogos e videogames. Mas ela se compôs fundamentalmente de fatos reais.

Por isso, devemos separar a realidade da imaginação. As pessoas, hoje em dia, têm uma visão idealizada desse passado, que foi recriado no imaginário da humanidade durante os últimos séculos. Por exemplo, muitos contos de fada foram escritos por autores românticos do século 19, tendo como base histórias do folclore que eram contadas por diversos povos ao longo dos séculos.

Desse modo, os autores românticos inventaram um passado medieval cercado de ricos castelos e belas princesas. Isso estava dentro de um ideal artístico, que, no entanto, estava longe de espelhar a realidade da maioria da população que vivia naquele período.

Idade "média" por quê?

Mas o que devemos entender, afinal de contas, quando dizemos "Idade Média"? Esse termo refere-se a uma divisão do tempo que engloba praticamente 1.000 anos de história do continente europeu. Essa classificação para o período - "Média" - foi uma forma de os homens dos séculos 14 e 15, dos reinos italianos, mostrarem que eram inovadores, modernos, transformadores.

Esses homens - pintores, artistas e pensadores do chamado Renascimento - achavam que estavam rompendo com um período culturalmente atrasado do mundo ocidental, dominado pelo pensamento da Igreja católica. Assim, os renascentistas classificavam-se como "modernos" e acreditavam que estavam fazendo renascer o esplendor das culturas grega e romana da Antigüidade.

Entre a Idade Moderna e a Idade Antiga havia, portanto uma idade intermediária, que ficava no meio, sendo a média entre esses dois períodos.

Assim nasceu o conceito de Idade Média.

Essa classificação, na verdade, é uma simplificação preconceituosa, pois classifica uma cultura como inferior a outra e resume a história de diversos povos que viviam na Europa como uma só história.

De qualquer forma, o estudo desse período é extremamente importante, para podermos entender diversos aspectos da história do mundo ocidental.

Roma, Ocidente e Oriente

Idade Média tem como marcos de seu começo e seu fim duas datas que se referem ao Império Romano.

Seu início é marcado pela tomada de Roma pelos germanos: a derrubada do Império Romano do Ocidente ocorreu no ano de 476. O fim da era medieval é dado pelo ataque de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, tomada pelos turcos em 1453.

Alta e Baixa Idade Média

Para compreender melhor esse vasto período, costuma usar-se uma subdivisão temporal entre Alta e Baixa Idade Média.

Alta Idade Média é o primeiro momento, quando ocorreu formação de diversas sociedades na Europa e se passou entre os séculos 5 e 10. Foi nesse período que se formaram os feudos, estabeleceram-se as relações de suserania e vassalagem, e o poder da Igreja Católica constituiu-se e fortaleceu-se.

Já o período da Baixa Idade Média, sua segunda e última fase, foi aproximadamente do século 10 ao século 15. A partir dessa época, novas idéias e novas práticas foram surgindo e houve um processo de decadência das instituições feudais, que se formaram ao longo dos cinco séculos anteriores.

Idéias equivocadas sobre a Idade Média

No entanto, mais do que pensar em auge e decadência, nascimento e morte de uma época, é importante entender que todos os aspectos que formaram o pensamento e as práticas medievais estão longe de representar um cenário único, um panorama unitário.

idéia de Idade Média desde de muito tempo esteve associada a atraso, a uma época de "trevas" no conhecimento, de pouca liberdade e de restrita circulação de idéias. Embora essa concepção não esteja totalmente errada, de maneira nenhuma podemos imaginar que foi somente isso que ocorreu no continente europeu durante os 1.000 anos de duração do período medieval.

Por que não podemos dizer que a Idade Média foi uma época só de atraso para os povos europeus? Porque, embora impregnada pela mentalidade religiosa, a cultura floresceu, como comprova a arquitetura da época, com suas grandes catedrais. Da mesma maneira, no interior da Igreja, diversos pensadores se esforçaram para conciliar a religião cristã com a filosofia grega, em especial a de Aristóteles. Ao mesmo tempo, assentando-se sobre a organização social e jurídica do antigo Império Romano, a Igreja contribuiu para civilizar as tribos e reinos bárbaros.

Ao mesmo tempo, se é fato que durante a Alta Idade Média a economia esteve praticamente centrada na agricultura, isso ocorria porque os feudos produziam grande parte dos produtos que necessitavam consumir e a circulação de pessoas era restrita numa Europa povoada por fortificações isoladas uma da outra. No entanto, nem sempre esse cenário correspondeu à Europa inteira.

Além dos feudos

Assim, nem todas as relações sociais e de produção estavam concentradas nos feudos, com os senhores e servos. A partir do século 10, os povos que não se encaixavam nesse esquema, que viviam de outras atividades, como comércio e negócios, começaram a morar no entorno dos feudos, nas áreas de passagem e de feiras.

Enfim, não podemos mais continuar repetindo que a Idade Média (séculos 5 a 15) seja um período "de trevas", de falta de conhecimento e de opressão contra os povos. Repetir isso é complicado porque estaremos concordando com os artistas renascentistas, os "modernos", que tinham uma visão preconceituosa sobre o período medieval.

Na verdade, a própria Idade Moderna (a partir do século 15) foi conseqüência de muitas conquistas medievais, como o renascimento comercial da Europa (século 11), obtido principalmente devido a ação das Cruzadas (séculos 11 e 13).

Fonte: educacao.uol.com.br

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