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Arte Naif

 

O adjetivo> naïf> é o mais empregado para o gênero de pintura chamado também de ingênuo e às vezes primitiva (no Brasil). Na época em que foi lançado, o termo naïf era um apelido, como em outras épocas, os pintores foram chamados de impressionistas, cubistas, futuristas, etc...

Os naïfs, em geral, são autodidatas e sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência. Essa é a força desses artistas que podem pintar sem regras, nem constrangimentos. Podem ousar tudo. São os "poetas anarquistas do pincel".

Quem são os pintores naïfs?

Ser naïf é um estado de espírito que leva a uma maneira toda pessoal de pintar. Podemos encontrar pintores naïfs entre sapateiros, carteiros, donas de casa, médicos, jornalistas e diplomatas.A arte naïf transcende o que se convencionou chamar de arte popular.

A Pintura Naïf no Brasil

O Brasil junto com a França, a ex-Iugoslávia, o Haiti e a Itália, é um dos "cinco grandes " da arte naïf no mundo. Um grande número de obras de pintores naïfs brasileiros faz parte do acervo dos principais museus de arte naïf existentes no mundo.

A pintura naïf brasileira é muito rica e cheia de imprevistos. Devido à diversidade de temas relativos à fauna, à flora, ao sincretismo religioso e às suas várias etnias, o Brasil ocupa lugar de destaque no contexto mundial de arte naïf.

Os quadros de naïfs brasileiros são reproduzidos nos mais importantes livros estrangeiros sobre arte naïf. Não há uma exposição naïf internacional importante sem que os artistas naïfs brasileiros sejam convidados a participar.

Em toda a história da pintura brasileira, nunca tantos artistas tiveram suas obras expostas, publicadas, comentadas e citadas como são as dos pintores naïfs. O único pintor brasileiro (entre todas as tendências) a ser premiado numa Bienal de Veneza foi um naïf, Chico da Silva, em 1966, na 33ª Bienal. Ganhou menção honrosa com a sua pintura.

Fonte: www.artenaif.hpg.ig.com.br

Arte Naif

O termo> arte naïf> aparece no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva, produzida por autodidatas que não têm formação culta no campo das artes. Nesse sentido, a expressão se confunde freqüentemente com arte popular, arte primitiva e art brüt, por tentar descrever modos expressivos autênticos, originários da subjetividade e da imaginação criadora de pessoas estranhas à tradição e ao sistema artístico.

A pintura naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação (uso científico da perspectiva, formas convencionais de composição e de utilização das cores) e pela visão ingênua do mundo. As cores brilhantes e alegres - fora dos padrões usuais -, a simplificação dos elementos decorativos, o gosto pela descrição minuciosa, a visão idealizada da natureza e a presença de elementos do universo onírico são alguns dos traços considerados típicos dessa modalidade artística.

A história da pintura naïf liga-se ao Salon des Independents [Salão dos Independentes], de 1886, em Paris, com exibição de trabalhos de Henri Rousseau (1844 - 1910), conhecido como "Le Douanier", que se torna o mais célebre dos pintores naïfs. Com trajetória que passa por um período no Exército e um posto na Alfândega de Paris (1871-1893), de onde vem o apelido "Le Douanier" (funcionário da alfândega), Rousseau dedica-se à pintura como hobby.

Pintor, à primeira vista, "ingênuo" e "inculto", pela falta de formação especializada, dos temas pueris e inocentes, é responsável por obras que mostram minuciosamente, de modo inédito, uma realidade ao mesmo tempo natural e fantasiosa, como em A Encantadora de Serpentes, 1907.

Seu trabalho obtém reconhecimento imediato dos artistas de vanguarda do período - como Odilon Redon (1840 - 1916), Paul Gauguin (1848 - 1903), Robert Delaunay (1885 - 1941), Guillaume Apollinaire (1880 - 1918), Pablo Picasso (1881 - 1973), entre outros -, que vêem nele a expressão de um mundo exótico, símbolo do retorno às origens e das manifestações da vida psíquica livre e pura.

Em 1928, o colecionador e teórico alemão Wilhelm Uhde (1874 - 1947) - um dos descobridores do artista - organiza a primeira exposição de arte naïf em Paris, reunindo obras de Rousseau, Luis Vivin (1861 - 1936), Séraphine de Senlis (1864 - 1942), André Bauchant (1837 - 1938) e Camille Bombois (1883 - 1910). Mais tarde, o Museu de Arte Moderna de Paris dedica uma de suas salas exclusivamente à produção naïf.

No século XX, a arte naïf é reconhecida como uma modalidade artística específica e se desenvolve no mundo todo, sobretudo nos Estados Unidos, na ex-Iugoslávia e no Haiti. Em solo norte-americano, as inúmeras cenas da vida rural pintadas por Anna Mary Robertson (1860 - 1961) - conhecida como Vovó Moses - adquirem notoriedade quando a artista, autodidata, descoberta por um colecionador, completa 80 anos. Oriunda da tradição de retratistas amadores, a arte naïf norte-americana encontra expressão nas obras de J. Frost (1852 - 1929), H. Poppin (1888 - 1947) e J. Kane (1860 - 1934).

Na Inglaterra, o nome de Alfred Wallis (1855 - 1942) associa-se a navios à vela e paisagens. Descoberto em 1928 pelos artistas ingleses Ben Nicholson (1894 - 1982) e Christopher Wood (1901 - 1930), Wallis pinta com base na memória e na imaginação, em geral com tinta de navio sobre pedaços irregulares de papelão e madeira. Na ex-Iugoslávia, a arte naïf faz escola, na qual se destaca, por exemplo, Ivan Generalic (1914 - 1992).

Soluções da arte naïf são incorporadas a diversas tendências da arte moderna, seja pelo simbolismo (em busca da essência mística das cores), seja pelo pós-impressionismo de Paul Gauguin, que vai para o Taiti em 1891, e faz pesquisas em direção à cultura plástica das chamadas sociedades primitivas, o que se revela no uso de cores vibrantes e na simplificação do desenho como em Ta Ma Tete - Mulheres Taitianas Sentadas num Banco, 1892, e Te Tamari no Atua - Natividade, 1896.

Os trabalhos realizados sob a égide do Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul) - grupo do qual participam August Macke (1887 - 1914) e Paul Klee (1879 - 1940) - e a obra de Wassili Kandinsky (1866 - 1944), em defesa da orientação espiritual da arte, também se beneficiam de sugestões da arte naïf.

Se em sua origem essa modalidade é definida como aquela realizada por amadores ou autodidatas, o processo de reconhecimento e legitimação obtidos nos circuitos artísticos leva a que muitos pintores, com formação erudita, façam uso de procedimentos caros aos naïfs. Além disso, a arte naïf desenha um circuito próprio e conta com museus e galerias especializados em todo o mundo.

No Brasil, especificamente, uma série de artistas aparece diretamente ligada à pintura naïf, como Cardosinho (1861 - 1947), Luís Soares (1875 - 1948), Heitor dos Prazeres (1898 - 1966), José Antônio da Silva (1909 - 1996) e muitos outros.

Entre eles, ganham maior notoriedade:> Chico da Silva (1910 - 1985) - menção honrosa na 33a Bienal de Veneza - e Djanira (1914 - 1979). Aluna do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, Djanira completa sua formação com aulas de Emeric Marcier (1916 - 1990) e Milton Dacosta (1915 - 1988), seus hóspedes na Pensão Mauá, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Nos anos 1950, ela é artista consagrada e uma das lideranças do Salão Preto e Branco.

A arte popular do Nordeste brasileiro - as xilogravuras que acompanham a literatura de cordel e as esculturas de Mestre Vitalino (1909 - 1963) - figura em algumas fontes como exemplos da arte naïf nacional.

Referências

CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. 2.ed. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 584 pp.

CHÂTELET, Albert & GROSLIER, Bernard- Philippe. Histoire de l'art. Paris, Larousse, 1995, 1109 pp.

HARRINSON, C. & FRANSCINA, F. & PERRY, G. Primitivismo, Cubismo, Abstração: começo do século XX. Tradução Otacílio Nunes. São Paulo, Cosac & Naify, 1998, 270 pp. Il. Color. [ Arte moderna: práticas e debates, 2]

LA NUOVA Enciclopédia Dell'Arte Garzanti. Milano: Garzanti Editore, 1986, 1112 pp.

ZANINI, Walter. História Geral da Arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles/ Fundação Djalma Guimarães, 1983, 2 v. 1116 pp. il. p& b. color.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Arte Naif

A> arte naif> é uma criação artística instintiva e espontânea realizada por pintores autodidatas que sentem uma impulsão vital de contar suas experiências de vida.

Arte Naif
Soltando balão - 50x60 - Airton das Neves

Podemos dizer que desde o início dos tempos, quando o homem sentiu a necessidade de criar algo com o único intuito de se deleitar, surgiu a arte naif; assim sendo, ela encontra-se presente ao longo da história da humanidade, pelas mãos de indivíduos que, alheios aos movimentos artísticos, sociais e culturais de sua época, criam unicamente movidos por suas emoções.

Arte Naif
Jarra de flores - 40x30 - Bebeth

A denominação “Arte naif” (aplicada para designar um certo grupo de pintores) como utilizamos atualmente, surgiu no fim do século XIX, com a aparição do pintor francês Henri Rousseau no “Salão dos Independentes”, em Paris.

Atualmente podemos dizer que o Brasil é um dos grandes representantes da arte naif mundial.

Arte Naif
O violeiro - 50x60 - Ernane Cortat

Por ser um país de imensos contrastes, com uma cultura resultante do amálgama de inúmeras outras (a africana, a européia e a indígena), ele é um canteiro fértil para o surgimento e desenvolvimento dessa forma de expressão artística.

Apesar desse imenso potencial, somente na década de 50, o Brasil começou a dar atenção a esse grupo de artistas, com as primeiras exposições de Heitor dos Prazeres, Cardosinho, Silvia de Leon Chalreo e José Antonio da Silva.

Arte Naif
Vaso com flores na paisagem - 80x60 - Ernani Pavaneli

Depois desse início, as décadas de 60 e 70, vão conhecer uma verdadeira explosão de pintores naifs brasileiros, tais como:> Ivonaldo, Isabel de Jesus, Gerson Alves de Souza, Elza O .S., Crisaldo de Moraes, José Sabóia e muitos outros que juntamente com seus predecessores, estão presentes em nosso acervo.

Arte Naif
Hoje a festa é da vovó - 60x80 - Ana Maria Dias

A arte naif é simples, pura, autêntica e não exige prévios conhecimentos intelectuais e artísticos para ser compreendida, chega direto ao nosso coração e toca nossa alma sem subterfúgios, somente ultrapassando o filtro de nossas emoções.

Fonte: oseculoprodigioso.com

Arte Naif

Arte Naif

Arte Naif
Rio de Janeiro Naïf

Arte Naif
Mestres Naïfs Brasileiros

Fonte:> www.museunaif.com.br

Arte Naif

É a arte da espontaneidade, da criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação.

O artista experimenta uma arte instintiva pela qual expande seu universo particular.

Art Naïf> ou arte ingênua é o estilo ao qual pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas, tampouco no conceito de arte popular.

Esse isolamento situa a Art Naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte primitiva sem que, no entanto, se confunda com elas.

Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito embora seja quase sempre possível descobrir-lhe a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos.

Portanto, não se trata de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.

O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.

Características gerais

Composição plana e bidimensional

Tende à simetria; e a linha é sempre figurativa

Não existe perspectiva geométrica linear

Pinceladas contidas com muitas cores

Fonte: www.acrilex.com.br

Arte Naif

O que é Arte Naïf

A Arte primitiva ou naïf é tipicamente brasileira e está fortemente vinculada à arte popular nacional, mas ainda não é devidamente valorizada internamente. Cabe lembrar que se convencionou chamar arte primitiva a que é produzida por artistas não-eruditos, a partir de temas populares geralmente inspirados no meio rural.

Já quando o tema é urbano, costuma-se utilizar o termo naïve ("ingênuo", em francês), que se pronuncia "naíf", e ganha especial relevância entre artistas franceses e haitianos para designar os pintores que rejeitam as regras convencionais da pintura ou não tiveram acesso a elas.

Os dois estilos, porém, têm em comum as cores vivas e uma imaginação, estilização e poder de síntese levados para a tela com uma técnica aparentemente rudimentar. Em linhas gerais, pode-se dizer que a arte naïf brota do inconsciente coletivo, mantém-se em constante renovação e se deixa penetrar por influências eruditas, embora conserve sua natureza própria. Sabedoria e sonho se irmanam em obras difíceis de definir sob uma única catalogação.

Mas o que seria essa pintura de raízes populares? Para o crítico de arte Américo Pellegrini Filho, a arte popular se caracteriza pelo autodidatismo, por técnicas rudimentares adquiridas de modo empírico, pela espontaneidade e liberdade de expressão, e informalismo (ausência de aspectos formais acadêmicos, como composição, perspectiva e respeito às cores reais).

A arte naïf vem, pouco a pouco, ganhando espaço na mídia. Em 1974, os franceses lançaram um selo com um quadro do mais famoso dos pintores naïfs, Henri Rousseau, enquanto, na Suécia, caixas de fósforos já foram enfeitadas com imagens criadas por Skum, um pintor ingênuo esquimó. Além disso, há museus especificamente de arte naïf, em Laval, na França; em Luzzara, na Itália; em Figueras, na Espanha; em Esquel, província de Chubut, na Argentina; e, em Heblime, na Iugoslávia.

MárioTavares Chicó, em seu Dicionário da pintura universal, localiza os pintores naïfs "perto dos pintores amadores e confundindo-se, muitas vezes, com eles, relacionados também com os criadores de uma pintura popular, os primitivistas distinguem-se por uma posição estética definível à margem da arte erudita, tradicional ou inovadora. Esta é encarada por eles com alguma dose de ingenuidade, não apenas imitativa (caso comum nos amadores) – mas capaz de revelar, por frescura de imaginação, novas possibilidades expressivas, influenciando assim a arte contemporânea."

O alfandegário aposentado Rousseau (1844-1910) foi valorizado pelos intelectuais de vanguarda franceses, como o dramaturgo Alfred Jarry, o poeta Guillaume Apollinaire e os pintores Robert Delaunay e Pablo Picasso, e influenciou os surrealistas. Graças a ele, outros pintores primitivistas foram se impondo, conquistando a crítica e adquirindo uma posição dentro da História da Arte. Basta citar que o Museu de Arte Moderna de Paris tem uma sala especial para os naïfs, onde se encontram, ao lado de Rousseau, Vivin (1861-1936), Séraphine (1864-1942) e A. Bauchat (1837-1938), entre outros.

Especificamente em relação a Rousseau, o ensaísta Robert Goldwater, em Primitivism in Modern Art, vê no pintor francês o uso de uma tradição formal aceita para fins puramente estéticos; ou seja, o artista cria porque isso lhe dá prazer. É uma necessidade vital. Por isso mesmo, geralmente não existe a preocupação em se filiar a escolas ou de freqüentar cursos acadêmicos. "Essa atitude comum em relação a diferentes materiais plásticos gera admiração da crítica tanto em relação aos aborígenes como aos novíssimos primitivos", diz o pesquisador.

Para o crítico de arte Romildo Sant’Anna, professor do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, há um diálogo entre a arte dita erudita e a naïf:> "Esses artistas populares, ingênuos e primitivos são alicerces da cultura. É através dos naïfs que muitas vezes a chamada Arte Oficial vai se alimentar; é bem forte que germina a seiva mais cristalina, e dela se bebe, quando nos cansamos de viver num mundo de ilusões e aparências.

É nessas pinturas que fala a voz do excluído. Assim como fazem nos países realmente cultos, devemos dar vivas aos naïfs do Brasil". "A arte naïf documenta novas formas e novas maneiras de aprender e expressar os mistérios insondáveis da vida com extraordinária vitalidade, espontaneidade e beleza", conclui João Spinelli, professor do Instituto de Artes da UNESP, câmpus de São Paulo.

Nos EUA, a pintura primitivista nasceu da tradição dos limners – retratistas amadores dos séculos XVII a XIX – e foi adquirindo posição de relevo graças a nomes como Grandma Moses (1860-1961), J. Frost (1852-1929), H. Poppin (1888-1947) e J. Kane (1860-1934).

O que aproxima todos esses artistas, sejam franceses, norte-americanos ou brasileiros, é a consciência da autonomia do espaço pictórico, o uso expressivo e ornamental das cores, o toque onírico que diferencia o universo criado da realidade e o sopro poético presente nos quadros.

Na III Trienal de Arte Popular de Bratislava, em 1972, na então Tchecoslováquia, por exemplo, o Brasil se destacou ganhando o prêmio de melhor representação nacional. "Na ocasião, surgiu uma nova tentativa de nomenclatura, porque toda arte popular foi agrupada sob o nome de arte ínsita, do latim insatus, inato. No entanto, nos últimos anos, o termo naïf superou todos os demais, sendo aceito internacionalmente", conta o crítico Geraldo Edson de Andrade.

Há até quem diga que os quadros dos primitivistas se assemelham à pintura de crianças.

Anatole Jacovsky discorda e estabelece as diferenças:> "A pintura das crianças não é obra de arte. Para elas, não passa de divertimento, enquanto para os primitivistas trata-se do objetivo de suas vidas. Eles abolem o tempo e remontam às fontes, a esses paraísos infantis perdidos e, afinal, reencontrados. O naïf começa onde morre a criança".

O crítico de arte Martin Green, ao discorrer sobre arte naïf, afirma que a arte conhecida como primitiva é privada de passado e futuro. "Apropria-se do instante e o imortaliza para sempre.

É fruto de uma pura tensão artística, não de uma preocupação comercial:> o que aparece é o sentido de alegria e estupor perante o mundo, como se o estivéssemos olhando pela primeira vez. Essa pintura é o primeiro bater da existência."

O ensaísta iugoslavo Oto Bihalji-Merin, em El Arte Naïf, julga que a essência e o caráter da arte naïf brotam no campo anímico da inocência e da simplicidade.

"Se o artista renuncia a elas, põe em perigo o clima específico de sua arte. Ao longo dos anos ou décadas, pode aperfeiçoar sua técnica e mover-se com maior liberdade em termos da composição. Porém, se sua sensibilidade e receptividade diminuem, começa a se repetir e a produzir em série, podendo ocorrer a perda da ingenuidade e da espontaneidade imaginativa. O interessante da pintura naïf é que se trata de um estilo que não se aprende. Ele nasce com quem o executa. Cada pintor naïf tem um estilo próprio e nos obriga a entrar em contato com a criança pura que existe em nosso interior. Isso porque as imagens naïfs podem tanto ser fantasias delirantes, como caricaturas grotescas ou hiper-realistas."

Como não é pintura acadêmica, não se estuda, mas se sente. Marcada por imagens do cotidiano e pela pureza de traços, cores e formas, a arte naïf espalha-se por França, Haiti, Iugoslávia, Itália e Brasil, mantendo um mercado bem específico. "A arte naïf, ao não se incluir no variante vaivém dos estilos, manifesta-se como uma arte submetida às suas próprias leis. Não é uma arte contra os modernos, apenas uma parcela artística mais subestimada", diz Bihaljin-Merin. "Na obra dos pintores naïfs, não há perspectiva, o desenho é rústico e quase não há mistura de cores, já que eles não têm conhecimento técnico", diz Geraldo Edson de Andrade, co-autor, ao lado de Jacques Ardies, do livro Arte naïf no Brasil.

Para Ardies, a arte naïf é um estilo que existe há milênios, desde quando o homem desenhava cenas de caça nas paredes das cavernas. "Os artistas naïfs são forçosamente autodidatas no sentido que eles não receberam influência ou dirigismo de um professor de Belas Artes. Eles começam a pintar por impulso e procuram resolver as dificuldades técnicas com meios próprios, sendo perdoados quando as suas figuras não são perfeitamente desenhadas ou quando aparecem erros de simetria e perspectiva. Porém, a experiência da prática aos longo dos anos pode proporcionar ao pintor naïf uma técnica apurada e certeira", explica Ardies.

"A pureza com que pintam mostra que eles não estão querendo provar nada, apenas exprimir o sentimento por meio do pincel. Essa é a força da arte deles", completa Lucien Finkelstein, fundador do Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), no Rio de Janeiro, criado, em 1995, num casarão do Bairro de Cosme Velho, com o maior acervo do mundo no gênero, reunindo cerca de 8 mil obras de 130 países, incluindo aqueles em que a arte naïf é mais forte, como Iugoslávia, Haiti e Equador, e de todos os Estados brasileiros.

Para Ardies, especializado em arte naïf desde 1979, o destaque da arte primitivista reside justamente na total liberdade de criação do artista, que se expressa com espontaneidade e com inocência. "Em geral, o artista naïf oferece uma visão interior, repleta de cor, criando um mundo para si próprio. No Brasil, o movimento cresceu a partir de 1937 com Heitor dos Prazeres, Cardosinho e Sílvia. A arte naïf brasileira, portanto, não toma emprestada a inspiração da vanguarda parisiense, mas reflete uma realidade nacional. Sem mimetismo, extremamente rica e variada, é autêntica e, na maioria das vezes, otimista e alegre. Ela reflete o país tropical, generoso em sua vegetação, aberto em sua gente. Não existe país que melhor sirva a este estilo. Hoje, pela diversidade entre as regiões e os povos que a compõem, a arte brasileira tem seu lugar de destaque no cenário mundial".

Qualquer estudo sobre a arte naïf brasileira deve passar por Heitor dos Prazeres (1898-1966), parceiro de Noel Rosa na célebre música Pierrô apaixonado e premiado na I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, em cujo júri estava o crítico e historiador Herbert Read, um dos nomes mais respeitados da historiografia da arte mundial.

Em Bienais posteriores, Grauben Monte Lima, Elisa Martins da Silveira e José Antonio da Silva estiveram presentes. No exterior, a pintora Iracema Arditi foi uma das maiores responsáveis pela divulgação da pintura naïf, principalmente pelas várias exposições que organizou na França.

José Bernardo Cardoso Jr., o citado Cardosinho (1861-1947), admirado por Portinari e com uma obra no Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma); Chico da Silva (1910-1985), descendente de índios, menção honrosa na Bienal de Veneza, em 1966; o índio Amati Trumai, descoberto pelos irmãos Villas-Boas no Parque Indígena do Xingu, e Antonio Poteiro, oleiro de profissão e ceramista de talento que chegou às telas estimulado pelos pintores Siron Franco e Cleber Gouveia, são nomes obrigatórios da arte naïf nacional.

Há ainda Maria Auxiliadora, (1935-1974), doméstica e passadeira descoberta pelo especialista alemão Ronald Werne na Praça da República; Lia Mittarakis (1934-1998), que ao ter um de seus quadros como capa da revista Time dedicada à ECO -1992, conferência mundial do meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, foi a primeira artista brasileira a ter uma obra reproduzida nessa revista; Elza O. S., célebre por pintar jovens vestidas de noiva, sonho pessoal que nunca realizou; além de Rosina Becker do Valle Pereira, cuja inspiração reside no folclore brasileiro, e a ex-secretária executiva Helena Coelho, artistas ligados, desde 1992, às Bienais de Arte Naïf do Brasil, realizadas pelo Sesc de Piracicaba. "Nossa idéia é ser um centro de referência dessa arte no Estado", afirma Antônio do Nascimento, curador da Bienal Naïfs do Brasil,

"A descoberta do mundo das tintas e dos pincéis acaba se transformando, para uma parcela significativa desses artistas, em uma ótima oportunidade de serem aceitos no seu grupo e de se integrarem à sociedade. E, quando conseguem, aumenta a possibilidade de eles serem reconhecidos e valorizados, independentemente de suas origens, dos seus padrões culturais e dos seus bens materiais", argumenta Nascimento.

O psicanalista Carl Jung chegou a afirmar que "Os pintores naïfs representam os últimos ecos da alma coletiva em vias de desaparecimento".

O colecionador Lucien Finkelstein concorda:> "Afirmo com plena convicção que, fora de nossas fronteiras, os pintores naïfs do Brasil são autênticos porta-bandeiras da pintura brasileira de todas as tendências e de todas as épocas".

A grande questão é o que especialistas em arte, como os conceituados Louis Pauwels, Selden Rodman, Max Fourny, Anatoli Jacovski, Heléne Renard e H. Wiesner vêem na obra naïf.

O crítico Enock Sacramento responde:> "Experts de visão acurada, freqüentadores das Bienais de Paris e de Veneza, da Documenta de Kassel e da FIAC, perceberam logo que a maioria das manifestações da vanguarda mundial não levava a nada, apesar de glorificada momentaneamente pela mídia e apresentada como ‘arte de ponta’. Pouco a pouco, os críticos internacionais estariam mais dispostos a aceitar a arte naïf". "Eles se tornaram, de fato, mais sensíveis ao fascínio da arte bruta, sincera, espontânea, calorosa, colorida e fortemente temperada do pintor naïf", finaliza Sacramento.

"O Brasil é um berço da pintura ingênua. As solicitações sensoriais criadas por um país tropical e por seu folclore, ligadas à liberdade gerada pela arte moderna, fizeram surgir nos campos e nas cidades milhares de ingênuos — a maioria sem qualquer expressão. Sobram poucos, uns trinta, cujas qualidades vão além do simples colorismo bruto e das incorreções anatômicas para chegarem à arte propriamente dita", avalia o crítico paulista Flávio de Aquino.

Encontrar talentos no universo dos chamados primitivos é um grande e fascinante desafio. Para isso, é preciso conhecer o maior número possível de artistas do Brasil e do Exterior, buscando as características que tornam alguns desses pintores expoentes do que há de artisticamente melhor, dando-lhes destaque não como meros naïfs, mas colocando-os entre os principais nomes da arte universal, independente de categorias, estilos e nomenclaturas.

Oscar D'Ambrosio

BIBLIOGRAFIA

AQUINO, F. de. Aspectos da pintura primitiva brasileira. Rio de Janeiro: Editora Spala, 1978.
ARDIES, J. A arte naïf no Brasil. Textos de Geraldo Edson de Andrade. São Paulo: Empresa das Artes, 1998.
AYALA, W. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Editora Spala, 1986.
Bienal Naïfs do Brasil. Curadoria de Antonio do Nascimento. Piracicaba: SESC, 1998.
BIHALJI-MERIN, O. El arte naïf. Tradução de M. L. R. Grau. Madrid: s. ed., 1978.
CAMPOS DA PAZ, M. "Fábio Sombra: e o Rio de Janeiro continua lindo". In: Projeto> 
Naïfs do Brasil. Exposição nº 5. Rio de Janeiro: Museu Internacional de Arte Naïf, 2000.
D’AMBROSIO, O. Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus. São Paulo: Editora Unesp, 1999.
FINKELSTEIN, L. "Helena Coelho: poemas coloridos". In: Projeto Os Futuros> 
Grandes da Arte Naïf. Exposição nº 6. Rio de Janeiro: Museu Internacional de Arte Naïf, 1998.
Naïfs Brasileiros de Hoje. Frankfurt: Ed. Feira Internacional de Frankfurt, 1994.> 
FOURNY, M. Album mondial de la Peinture Naïve. Paris, Herva, 1990.
GOLDWATER, R. Primitivism in Modern Art. Cambridge/London: Belknap Press, 1986.
JACOVSKY, A. Dictionnaire des Peintres Naïfs du Monde Entier. Basel: Basilius Press, 1976.> 
Les Proverbes vus par les Peintres Naïfs. Paris: Max Fourny, 1973.
KLINTOWITZ, J. Arte ingênua brasileira. São Paulo: Banco Cidade, 1985.
MIMESSI, J. N. Pintura primitiva (naïve): resultados de uma pesquisa. Assis: Edição do Autor, 1991.> 
PAUWELS, L. L’arche de Noë et les Naïfs. Paris: Max Fourny, 1977.
PELLEGRINI FILHO, A. Que pintura é essa, afinal?. In: D. O Leitura, v. 8, n. 87, p. 6-7. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, agosto/1989.
PONTUAL, R. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.> 
RODMAN, S. Genius in the Backlands: Popular Artists of Brazil. Old Greenwich: Devin- Adair, 1977.> 
SCHENBERG, M. Pensamento em arte. São Paulo, Nova Stella, 1988.

Fonte: www.artcanal.com.br

Arte Naif

É a arte da espontaniedade, da criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação, portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Claro que, como numa arte mais intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem tanto.

Art naïf> (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.

Esse isolamento situa o art naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.

Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito embora, mesmo nesses casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos.

Não se trata, portanto, de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.

O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.

Características gerais

Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa

Não existe perspectiva geométrica linear.

Pinceladas contidas com muitas cores.

Principal Artista

Henri Rousseau (1844-1910), homem de pouca instrução geral e quase nenhuma formação em pintura. Em sua primeira exposição foi acusado pela crítica de ignorar regras elementares de desenho, composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário.

Estreou com uma original obra-prima, "Um dia de carnaval", no Salão dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros.

Nos primeiros anos do século XX, após despertar a admiração de Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso, Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas, seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo.

Simone R. Martins e Margaret H. Imbroisi

Fonte: www.unilins.edu.br

Arte Naif

Arte Naif
"A Árvore da Vida Indígena"
téc: mista - 70x50- ano 1999

Arte Naif
"Oferenda à Iemanjá"
téc: mista - 70x50 - ano 1998

Arte Naif
"Festa Indígena"
téc: mista - 40x35 - ano 1998

Arte Naif
"Candomblé na Praia - BA
" téc: mista - 70x50 - ano 1998

Arte Naif
"Tapi caçando Sururijú"
téc: mista - 50x65 - ano 1998

Arte Naïf – Ingênua

Originada na Arte Plástica Pré-histórica, 40 à 45.000 anos A.C. a arte Naïf é a arte mais antiga, pura, ingênua e anti naturalista.

Posteriormente substituído por outras artes do estilo acadêmico, impressionismo, expressionismo, surrealismo e cubismo, a arte Naïf caiu em desuso muito pelas rupturas estéticas da arte européia, que necessitavam de veículos mais ágeis e flexíveis. As apresentações anti-naturalista da idade pré-histórica, tinha perdido por muitos séculos seus valores da criação e expressividade. Assim esta arte durante muitos séculos, essa forma de expressar-se transformou-se numa arte perdida no tempo.

No século XX com a Renascença, descoberta do pintor francês Henrie Rousseau, também conhecido como Douanier Rousseau, e dos primeiros estudos mais profundos da arte Naïf pelo alemão Wilhem Uhde, que trabalhava na França foram projetadas as obras de Seraphine, a pintura mística com flores de Camille Bombois e de Louis Vivin.

Além disso outros Naifs da qualidade foram descobertos nos EUA, na Itália, na Alemanha, sobre tudo na Iugoslávia, aonde uma escola de Artistas Pintores sobre Vidro desenvolvesse em torno de Ivan Generalic, a arte Naïf se desenvolveu aqui no Brasil com vários mestres reconhecidos internacionalmente, como Antônio Poteiro, Djanira, Heitor dos Prazeres, Gérson, José Antônio da Silva, Iracema Arditi, Maria Auxiliadora, Waldemiro de Deus, Chico da Silva e Outros.

Todos esses artistas plásticos com suas obras que formam a sua linguagem, tem um estilo, um componente técnico indispensável a sua produção.

Eu mesmo, em minhas pinturas recentes da forma autodidata, faço o uso desta arte perdida.

As primeiras obras descobertas e conhecidas dos Continentes Europeus, Africanos, Latino Americanos e Australianos apresentam em si, unindo o simbolismo mágico da forma ingênua e natural.

Esta forma da pintura Naïf, traz a luz, o significante e o significado que ungido na poesia desta arte perdida, provoca o encontro, sempre bem vindo, da criação, expressão e percepção própria.

Por suas características e frescor pictórico, o pintor estilo Naif, sua arte Naïf ou seja, um pintor ingênuo fazendo uma arte ingênua, é visto como um anti naturalista.
Isto é, não pretendo retratar a realidade tal, como ela é, mas como ele a vê.

Quando cria na tela a imagem de uma árvore, simplifica o conjunto, destaca os galhos e pinta folha por folha de forma não acadêmica, altera as proporções dos diferentes elementos de seus temas.

Registra as formas anatômicas com total liberdade. As cores são utilizadas ao seu bel-prazer, sempre sem compromissos com as cores naturais de seus motivos, mas mesmo assim, sempre bem harmonizados.

Esta pintura, este estilo é figurativo, narrativo, conteudista e temática.

As pinturas Naïf sempre tiveram e tem um perfil semelhante ao parágrafo acima mencionado.

Aqui no Brasil são mais conhecidas como primitivos, embora outras denominações estão sendo propostas:> instintivos, primitivo moderno, para diferenciar sua arte dos povos primitivos, nativos, dos flamengos e italianos anteriores à 1400 da arte africana insitos, ingênuos.

Pela presente mostra, ante naturalista, desvinculada da escola e preceitos acadêmicos, a arte ingênua e primitiva é exemplo dos conceitos, que afirmei nessa narração.

Esta arte Naïf não é a arte popular, sobre ponto de vista da produção, mas mantém intensa relação com o cotidiano, em cenas populares e pitorescas, traduzidas em cores policromos e formas descabidas, longe da representação real, mas que conseguem ser significativas, tanto aos eruditos, quanto aos leigos que as apreciam elogiam ou criticam.

No estilo da minha pintura, não gosto muito de pintar o rosto das pessoas porque nesse universo tão grande, um rosto não diz muito é anônimo.

Mas quando pinto um rosto o ponto mais forte são os olhos, pois são eles que nos permite ver a beleza neste mundo.

Que tristeza para as pessoas cegas, impossibilitadas de enxergar as maravilhas deste mundo.

Quero apresentar com esta narração, meus pensamentos sobre a demonstração desta arte com algumas de minhas obras.

As vezes não adianta a pessoa ser amorosa, compreensiva, flexível, colaboradora, etc. se ela está em um meio que não ressoa nestas vibrações. Seria o mesmo que eu queria oferecer uma exposição de pintura para os cegos do instituto de cegos.

Por mais que fosse minha benevolência, compreensão, colaboração, espírito solidário eu nunca faria um cego entender e perceber minha obra, eu estaria no meio errado e seria mesmo uma grande burrice fazer uma coisa desta. Não é?

Eu não estou me referindo aos predicados extras, que um cego tem, que as vezes são superiores mil vezes do que daqueles que enxergam.

Eu não estou especulando a respeito das qualidades de um ser humano que não pode enxergar, eu estou exemplificando o fato de querer atingir a uma escala das pessoas que sabem pelo fato a elogiar ou criticar uma obra, que existe tal forma de observação.

No trabalho artístico encontra-se o respeito e o amor de cada um de nós para com o próximo.

Assim conseguimos a comunicação sem barreiras, sem fronteiras dos idiomas e sem preconceitos.

O idioma a linguagem da arte, os povos no mundo inteiro entendam esta linguagem.

Não procuro guiar-se apenas pelo gosto não gosto, deixe que o quadro o observe, pois, sendo a pintura é uma linguagem de comunicação visual, a ela cabe comunicar-se com você, e não você com ela.

Deixe de interrogar a toda hora quando estiver em frente de um quadro – que quer dizer isso?

A linguagem da pintura são as formas, criatividades, expressões e conteúdos que o próprio artista sente pela alma dele.

A linguagem da pintura, o conteúdo são as formas da criatividade e da expressão do pintor cada um reflete mundos próprios impossíveis de serem imitados.

Siegfried Kreutzberg

Fonte: www.artcanal.com.br

Arte Naif

Convencionou-se chamar de primitiva a arte praticada por artistas não eruditos, isto é, por pessoas que negam a importância do estudo e do conhecimento ou simplesmente, como é o mais comum, nunca tiveram acesso a ele.

Essas pessoas normalmente retratam temas rurais, pois é nesse meio onde o desconhecimento é maior mas mesmo assim não é menor a vontade de fazer arte.

Quando os temas usados são nitidamente urbanos, convencionou-se usar o termo "naive" que vem a significar "ingênuo", em francês, e pronuncia-se náif.

Ficou assim no português. (Fonte:Oscar D' Ambrósio - Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP, 1999).

Arte Naif

Arte Naif

A pintura dita primitiva, de origem rural ou urbana (náif) tem características comuns, como as cores vivas e a síntese de cenas da cultura coletiva. Obviamente os artistas são mais ou menos influenciados pelo saber erudito e é difícil classificar essas coisas. É sempre difícil o terreno das classificações.

A arte popular não tem técnicas sofisticadas. O artista aprende através da própria experiência e da observação do trabalho de outros artistas aos quais tem acesso, normalmente gente da própria região. Não há respeito pela proporcionalidade correta, perspectiva e outras convenções, simplesmente porque o artista náif ou primitivo, desconhece essas coisas.

Os temas são comumente os da cultura regional ou de alguma notícia de um acontecimento que tenha se tornado muito importante. Os materiais são simples e baratos.

Arte Naif

Arte Naif

Os franceses valorizam grandemente os artistas primitivos e existem museus dedicados unicamente a esse tipo de arte. O Louvre tem uma área dedicada ao assunto. Existem artistas primitivos que se tornaram famosos. Mestre Vitalino ( Ver Artista 27 em CyberArtes) não sabia ler e mereceu o nome de mestre. Ao redor dele, nasceu uma comunidade de artistas imitadores e foi criada uma escola. Skun, um pintor ingênuo esquimó é um outro exemplo e muitos outros mais.

Aqui em Olinda, temos muitos exemplos de artistas náif que se misturam a artistas com técnica apurada, em uma convivência que faz de Olinda um lugar único e cativante.

Para algumas pessoas a arte primitiva pode ser comparada ao desenho de crianças. Alguns críticos de arte argumentam que os desenhos de crianças são apenas divertimento ao passo que o trabalho dos artistas é um objetivo de vida, uma expressão da sua própria vida. Pode ser, e fica aqui um tema para debate, porque em arte, nada é definitivo e completo. O fato é que as crianças apenas estão se divertindo, ao passo que o artista, procura expressar uma idéia, uma emoção consciente, um ponto de vista.

Arte Naif

Arte Naif

Assim, a arte náif é apenas a arte primitiva com o tema do artista urbano, aquele que esquece bois, cavalos e feirantes porque na sua vida esses assuntos estão apenas nos livros. O artista náif cuida do ônibus, da chegada da polícia nos bares, dos crimes que assolam nossas cidades, do cais do porto e das brigas entre galeras.

Arte Naif

Talvez o que distinga o artista náif do primitivo rural seja a agressividade das cidades, o que torna o cotidiano do artista náif um tanto mais perigoso e influencia, naturalmente, os seus temas.

Assim, a arte náif é apenas a arte primitiva com o tema do artista urbano, aquele que esquece bois, cavalos e feirantes porque na sua vida esses assuntos estão apenas nos livros. O artista náif cuida do ônibus, da chegada da polícia nos bares, dos crimes que assolam nossas cidades, do cais do porto e das brigas entre galeras. Talvez o que distinga o artista náif do primitivo rural seja a agressividade das cidades, o que torna o cotidiano do artista náif um tanto mais perigoso e influencia, naturalmente, os seus temas.

Arte Naif

Arte Naif

Fonte: www.cyberartes.com.br

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