O Construtivismo constitui-se em tendência universal e permanente na Arte. Movimento anti-naturalista gera formas segundo uma ordem matemática, propondo uma arte abstrata, geométrica e autônoma. Corresponde a uma ruptura total com a tradição da mímese, ou da representação da realidade visível.
No quadro da arte do século XX, manifesta-se através de movimentos e grupos de vanguardas tais como:
Cubismo
Futurismo
Abstracionismo 2ª Fase
Suprematismo
Raionismo
Produtivism
Neoplasticismo/De Stijl
Bauhaus
Grupo Círculo e Quadrado
Grupo Abstração-Criação
Na condição de tendência constante da arte está presente nas neovanguardas do pós II Guerra e anos 50: MovimentoSpaziale, Arte Concreta e Neoconcreta; nos anos 60, Arte Cinética e Op Art, Arte Minimalista e Arte e Novas Tecnologias. Desde o início do século, o Construtivismo enfatiza as conexões entre arte, tecnologia e matemática.
Esta tendência faz surgir um conjunto de obras semelhantes, mas com diferenças quanto a sua origem. Parte delas oriundas da desconstrução e reconstrução geometrizada de formas naturais como no caso do Cubismo e Futurismo. Outras anti-naturalista resultam de uma ordem matemática com uma linguagem de formas e cores autônomas em relação à natureza ou ao real como por exemplo o Abstracionismo em sua 2º fase e a Arte Concreta.
Fonte: www.mac.usp.br
Para o construtivismo a pintura e a escultura são pensadas como construções - e não como representações -, guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. O termo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda russa e a um artigo do crítico N. Punin, de 1913, sobre os relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953). A consideração das especificidades do construtivismo russo não deve apagar os seus elos com outros movimentos de caráter construtivo na arte, que têm lugar no primeiro decênio do século XX, por exemplo, o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wasilli Kandinsky (1866-1914) na Alemanha (De Blaue Reiter), 1911; o De Stijl [O Estilo], criado em 1917, que agrupou Piet Mondrian (1872-1944), Theo van Doesburg (1883-1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas e o suprematismo fundado em 1915 por Kazimir Malevitch (1878-1935), também na Rússia. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes, de diferentes modos, no cubismo, no dadaísmo e no futurismo italiano.
A ideologia revolucionária e libertária que impregnou as vanguardas em geral, vai adquirir feições concretas na Rússia, diante da revolução de 1917. A nova sociedade projetada no contexto revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova, que se coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do povo. Afinal, a produção artística deveria ser funcional e informativa. Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883-1959) para o Palácio do Trabalho e para o jornal Pravda e, sobretudo, no Monumento à Terceira Internacional de Tatlin, exposto em 1920, mas nunca executado, que seria erguido no centro de Moscou. Em ferro e vidro, a gigantesca espiral giraria sobre si mesma, concebida para ser também uma antena de transmissão radiofônica. Foi descrito pelo artista como "união de formas puramente plásticas (pintura, escultura e arquitetura) para um propósito utilitário". A obra de Alexander Rodchenko (1891-1956) é outro exemplo de atualização do programa construtivista e produtivista russo. Das pesquisas iniciais, em estreito diálogo com as pinturas abstratas e geométricas de Malevitch, o artista passa às construções tridimensionais por influência de Tatlin, encontrando posteriormente na fotografia um meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. Sua perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Eisenstein.
As discussões em torno da função social da arte provocam fraturas no interior do construtivismo russo. Os irmãos Antoine Pevsner (1886-1962) e Naum Gabo (1890-1977), signatários do Manifesto Realista de 1920, recusam um certo programa social e aplicado da arte - lembremos as críticas de Gabo ao monumento de Tatlin -, em defesa de uma morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de Malevitch. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata, do diálogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais, como o vidro e o plástico. Em 1922, quando o regime soviético começa a manifestar seu desagrado com a pauta construtivista, Pevsner e Gabo deixam a URSS. Na década seguinte, a defesa oficial de uma estética "realista" e "socialista" representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal levadas a cabo pelos construtivistas. O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos ideais estéticos da vanguarda russa que irão impactar a Bauhaus na Alemanha, o De Stijl [O Estilo], nos Países Baixos e o grupo Abstraction-Création [Abstração-Criação], na França. Gabo será um dos editores do manifesto construtivista inglês de 1937, Circle.
Não são pequenas as influências do construtivismo na América Latina em geral, e no Brasil em particular, no período após a 2ª Guerra Mundial. Marcas da vanguarda russa podem ser observadas nos movimentos concreto de São Paulo (Grupo Ruptura) e no Rio de Janeiro (Grupo Frente). A ruptura neoconcreta estabelecida com o manifesto de 1959 - que reuniu Amilcar de Castro (1920-2002), Ferreira Gullar (1930), Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004), Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanúdis (1915) - não afastou as influências do construtivismo russo, sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner.
Referências
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Fonte: www.itaucultural.org.br