A demanda por traduções técnicas e científicas foi à estratosfera desde que me tornei tradutora na década de 60. Naquele tempo, havia muito pouco treinamento formal disponível, se tanto. Trabalhar numa empresa sempre foi um excelente passo evolutivo para uma carreira como freelance, portanto é mesmo uma pena que seja uma possibilidade quase inexistente para o tradutor em ascensão. Mesmo na década de 60, cargos em empresas eram poucos e as vagas raras, e apenas algumas empresas grandes, como a Shell e a Unilever possuíam departamentos de tradução. Na década de 80, a política de redução de custos varreu as multinacionais e a tradução foi o primeiro departamento a ser encolhido. No caso de ainda continuar existindo, era sob a chefia de uma única pessoa, geralmente uma secretária, cuja função era simplesmente terceirizar o trabalho.
Entretanto, nada substitui um departamento de tradução bem mantido, bem administrado, e devidamente abastecido com todos os dicionários especializados que são tão difíceis de achar e que a maioria dos tradutores não têm capacidade financeira para comprar. Os erros que podem ocorrer quando o trabalho é terceirizado a uma firma de tradução, cuja única preocupação é baratear o preço do tradutor, podem se tornar muito caros no longo prazo. Infelizmente, a solução que as empresas encontraram não beneficia os tradutores. Estas estão usando secretárias bilíngües ou poliglotas como tradutoras, e também acham que ferramentas de memória de tradução - como por exemplo o Trados - irão ajudar na produção de traduções tecnicamente precisas. Seria necessária uma equipe administrativa muito esclarecida para re-introduzir o departamento de tradução, e a maioria dos gestores corporativos está longe de ser esclarecida. Até mesmo as ricas multinacionais preferem gastar o dinheiro contratando consultores administrativos externos, que dirão não haver necessidade de um departamento de tradução! De qualquer forma, as empresas que tinham tais departamentos venderam seu patrimônio (dicionários, software, etc.) - às vezes insubstituível - há muito tempo.
Felizmente, hoje, as oportunidades para os aspirantes à tradução são mais amplas, e como resultado, os serviços externos de tradução se tornaram mais eficientes. Hoje em dia, muitas universidades oferecem cursos de graduação em tradução, e há também programas de mestrado e doutorado em tradução. Algumas universidades também oferecem cursos de intérprete. Muitos dos cursos de tradução e interpretação são pós-graduações de meio período, à noite, ideal para o bacharel em ciências que tem uma vocação inata para línguas ou para a tradução. Não se engane, a tradução é um dom: não é só uma questão de se falar várias línguas. A forma como a mente funciona para ser capaz de juntar duas línguas - e no caso da interpretação para congressos a conexão é feita quase que simultaneamente - é algo que até os cientistas ainda não decifraram.
A maioria das pessoas pensa em tradução quando se lembra do trabalho científico, mas a interpretação é um talento da mesma importância. Os profissionais de tradução simultânea têm tempo de estudar a documentação antes de uma conferência, mas a não ser que tenham um profundo conhecimento de um assunto complexo, não vão conseguir acompanhar. De fato, hoje existem tantas aplicações científicas que implicam necessariamente o uso do computador, que os tradutores simultâneos que os usam estão ficando para trás no conhecimento científico, e achando cada vez mais difícil interpretar em congressos técnicos. Conhecer a ciência é, portanto, igualmente importante na área de interpretação.
Infelizmente, a maioria dos lingüistas é formada em artes. Entretanto, o currículo de alguns veteranos da tradução técnica mostra que primeiro se graduaram em ciência e depois foram tradutores. Entre 1933 e 1939, os países de língua inglesa se beneficiaram vastamente do êxodo maciço gerado pela ocupação nazista na Europa, quando cientistas de todas as idades se debandaram para o oeste, ganhando a vida com dificuldade traduzindo trabalhos fundamentais do que na época era a língua imperativa da ciência: o alemão. Ironicamente, o brilhantismo científico destes refugiados também mudou a linguagem mor da expressão científica: do alemão para o inglês.
Mesmo assim continua havendo uma falta de tradutores para versão e tradução do idioma inglês. Toda firma de tradução, e os departamentos de documentação de toda grande multinacional reclamam de como é raro achar tradutores que entendem perfeitamente o que estão traduzindo!
Como é que se começa como tradutor científico? A primeira coisa a fazer é assegurar que seu conhecimento das línguas em questão é bom e que você conhece sua primeira língua particularmente bem. Os cientistas que não conseguem escrever bem, que cometem erros de ortografia e gramática em sua própria língua, são inúteis como tradutores. Tente encontrar cursos de tradução que vão te ajudar a praticar e aperfeiçoar suas habilidades. Mesmo enquanto aprende, você pode tentar achar trabalho, talvez em sua própria empresa, caso trabalhe em tempo integral, ou ajudando estudantes a traduzirem trabalhos ou teses dentro da sua disciplina científica.
Uma vez que tenha adquirido alguma experiência, o próximo passo é se filiar a um órgão de tradutores e intérpretes profissionais, talvez como um auxiliar. Sempre haverá um órgão em seu próprio país, e você pode achar os endereços na internet. Tente fazer a prova de credenciamento do devido órgão profissional, de forma a se tornar reconhecido como um tradutor avançado, e então ofereça seus serviços a firmas de tradução - você achará muitas na internet.
Sem dúvida você já ouviu alguma coisa sobre TM (tradução mecânica) e MT (memória de tradução). Estes são de grande ajuda para tradutores que estão trabalhando com projetos grandes, porque as palavras são constantemente repetidas e é útil ter um lembrete automático instantâneo de como você traduziu a mesma palavra numa passagem anterior. A MT é muito útil como "localizador" na tradução de uma série de manuais que são atualizados anualmente ou periodicamente; tais mudanças são geralmente pequenas e se dão a esmo, de forma que os clientes de tradução não querem o custo de re-traduzir o manual inteiro quando apenas algumas passagens precisam ser traduzidas. Em vez disso, você pode passar a tradução pelo programa de MT, e este te dirá onde as palavras são iguais e onde há material novo ainda não traduzido. Mas são simplesmente uma ajuda na tradução. Uma tradução ou interpretação automática é tão possível quanto três macacos escreverem Shakespeare batendo sem parar em suas máquinas de escrever. Isso é porque a língua é criativa - cada um que fala e escreve cada língua tem sua própria forma de expressão - e só uma mente criativa pode transformar esta expressão no equivalente em outra língua.
Outra face do trabalho como tradutor científico é que de repente você pode acabar sendo pago para aprender o tipo de informação que você de outra forma teria que pagar para saber! Por exemplo, recentemente me pediram para traduzir uma análise sobre monitores de LCD justo quando eu estava prestes a comprar um! Em certas áreas da ciência, pode-se adquirir conhecimentos inestimáveis. De qualquer forma, como tradutor e intérprete você vai estar sempre aprendendo: novas palavras e expressões, novos avanços sobre seu tema científico - a informação que se adquire é ilimitada.
Espero que isto tenha fornecido um breve insight sobre as oportunidades para cientistas lingüísticos, e que possa incentivar o maior número de pessoas possível a levar em consideração a tradução e a interpretação como uma profissão para exercer nas horas vagas ou em tempo integral.
Josephine Bacon
Traduzido por Karen Shishiptorova
Fonte: www.universia.com.br
A interpretação possibilita a pessoas de idiomas diferentes participar livremente em debates e conferências, eliminando barreiras linguísticas. Para tanto, duas técnicas podem ser usadas:
O intérprete senta-se à mesa de conferências para poder ouvir e ver perfeitamente o que se passa em torno dela e, enquanto um participante fala, o intérprete toma notas para, a seguir, fazer a interpretação para um outro idioma.
Sentados em cabines à prova de som, os intérpretes recebem
pelos fones de ouvido o que é dito em um idioma e, através de
microfones ligados aos receptores dos participantes, transmitem, em outro
idioma, as palavras do orador. É popularmente conhecida, de forma equivocada,
como tradução simultânea.
Essa comunicação é impossível sem o auxílio
de intérpretes profissionais fluentes em seus idiomas de trabalho e
exaustivamente treinados nas técnicas de tradução, interpretação
e comunicação.
A tradução e a interpretação são frequentemente confundidas, mas há uma diferença fundamental. Enquanto o tradutor trabalha com textos escritos (por exemplo, romances, manuais de instruções, cartas, legendagem de filmes e sítios Web), o intérprete transmite a mensagem proferida oralmente por alguém numa língua diferente da do orador.
Grande parte das traduções têm um carácter "prático" (manuais, relatórios oficiais, relatórios financeiros, etc.). Outras são do tipo "literário" (poemas, romances, ensaios, etc.).
Consoante o tipo de texto, a tradução pode exigir que o tradutor possua determinados conhecimentos técnicos, como, por exemplo, no domínio da electrónica, das finanças, da medicina, da química ou da botânica, ou de certos aspectos culturais ou estilísticos, nomeadamente para poder fazer rimas ou jogos de palavras.
Hoje em dia, as pessoas aprendem muito mais línguas estrangeiras do que antigamente. Contudo, a necessidade de tradução não desapareceu. Pelo contrário, fenomenos como a globalização e o desenvolvimento tecnológico, com a consequente necessidade de manuais de instruções para novos produtos, assim como o número crescente de canais de televisão, tornam a tradução ainda mais necessária.
No que se refere à tradução automática, é verdade que esta pode dar uma ideia geral do que trata um texto escrito numa língua desconhecida, mas a probabilidade de erros é elevada. Uma boa tradução deve ter em conta o contexto, a estrutura e as regras gramaticais, o estilo, os potenciais sentidos múltiplos de uma palavra, os sinônimos e os jogos de palavras. As tecnologias relacionadas com a língua devem ser vistas como um instrumento à disposição dos tradutores humanos e não como substituindo-se a estes.
Fonte: www.cekconsulting.com.br