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Sete Pecados Capitais

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Origem dos 7 pecados capitais

Pecado do latim: peccátu

1. erro. engano, falsidade, aparente.

2. transgreção à lei de Deus;

3. transgreção de preceito religioso;

4. maldade;

5. injustiça

6. Saber a diferença entre o bem e o mal e escolher fazer o mal.

7. Algo que tem como salário a morte.

8. Obras da carne.

9. Estado da alma que não se encontrou com Jesus Cristo.

10. Qualquer ato que separa o ser humano de Deus; passível de ser perdoado quando o pecador se arrepende e invoca o nome de Jesus Cristo.

A palavra pecado é usada para caracterizar desobediência a lei de Deus, que pode ser perdoável, não necessitando ser confessado, caso a pessoa se arrependa; ou também um pecado capital, que é aquele que precisa ser confessado, a pessoa se arrepender de ter cometido e, na maioria das vezes de penitência para que a alma possa ser purificada no mármore do inferno.

Abaixo, mostramos alguns trechos do documentário, seguidos das definições e algumas observações acerca da história dos 7 pecados capitais:

Inveja

Segundo Tomás de Aquino, Inveja é o desgosto ou pesar pelos bens do outro, a dificuldade de admirar o outro, o sentimento de injustiça .

O slogan que define a inveja é: Ele é mais do que eu, também quero” a inveja nos faz perder o contato com nossas reais possibilidades.

“Pela inveja do diabo”, costuma dizer-se, entraram no mundo o pecado e a morte, pois o diabo, ao ser condenado a sua condição de anjo maligno, por ser demasiadamente soberbo, tenta fazer com que o ser humano caia no mesmo pecado, e deixe de gozar de um bem que lhe foi arrebatado.

A tradição cristã classificou a inveja como um dos pecados capitais, o vício oposto à virtude da caridade. Tomás de Aquino, no entanto, pergunta por que o sentimento de tristeza tem que ser mau e pecaminoso. Acontece que a maldade não radica no sentir, ou na paixão, mas no que dela pode advir. Não é mau se entristecer, diz São Tomás de Aquino, porque os outros têm aquilo que me falta. A inveja é vício, em todo o caso, na medida em que compele o homem a agir – a agir mal – para remediar essa tristeza. O reprovável não é se sentir aflito pelo bem do outro. O sentimento é incontrolável; o pecado, ao contrário, está na ação que induz essa aflição, a qual é consentida, livre, e pode ser má.

Gula

A Gula é absorver o que não se necessita, ou o que é excedente. Pode se manifestar em todos os quatro planos (espiritual, emocional, racional e material). Claro que a igreja distorceu o sentido original. Segundo São Tomás de Aquino, das forças autodestrutivas existentes, uma das que homem pode se submeter é a gula.

Esse pecado capital poderia se entender como o mais primitivo de todos, uma vez que a oralidade, a primeira fase do desenvolvimento humano, na qual a boca é a fonte de prazer caminha com o homem durante toda sua vida.

Ira

Segundo o dicionário: substantivo feminino, do latim Ira. cólera; zanga; indignação; raiva; desejo de vingança.

Para a Igreja Católica: a ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração, e neste caso normalmente é levado ao suicídio.

Preguiça

Isto provavelmente quase ninguém deve saber, mas o nome original da Preguiça é Acídia.

Acídia é a preguiça de busca espiritual.

Quando a pessoa fica acomodada e passa a deixar que os outros tomem todas as decisões morais e espirituais por elas.

É muito fácil de entender porque a Igreja Católica substituiu a Acídia pela Preguiça dentro dos sete pecados: Trabalhar pode, pensar não! Continuem ganhando dinheiro pra nós, e deixe que eu converso com Deus para que ele resolva tudo.

Luxúria

É definida como uma impulsividade desenfreada, um prazer pelo excesso, tendo também conotações sexuais. “deixar-se dominar pelas paixões”. Em português, luxúria foi completamente deturpado e levado apenas para o sentido físico e sexual da palavra, mas seu equivalente em inglês (Lust) ainda mantém o sentido original (pode-se usar expressões como “lust for money”, “lust for blood”, “lust for power”).

A melhor tradução para isso seria “obsessão”. A luxúria tem efeito na esfera espiritual quando a pessoa passa a ser guiada pelas suas paixões ao invés de sua racionalidade.

Eu morro no inferno, mas num deixo esse pecado de lado.

Orgulho

É o brio, a altivez, a soberba. A sensação de que “Eu sou melhor que os outros” por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada, aumentada, não correspondendo a realidade.

Em sua síntese, orgulho é um sentimento de satisfação pessoal pela capacidade ou realização de uma tarefa. Sua origem remonta do latim “superbia”, que também significa supérfluo. Algumas pessoas consideram que o orgulho para com os próprios feitos é um ato de justiça para consigo mesmo.

São Thomas de Aquino determinou sete características como inerentes ao orgulho:

Jactância – Ostentação, vanglória, elevar-se acima do que se realmente é.

Pertinácia – Uma palavra bonita para “cabeça-dura” e “teimosia”. É o defeito de achar que se está sempre certo.

Hipocrisia – o ato de pregar alguma coisa para “ficar bem entre os semelhantes” e, secretamente, fazer o oposto do que prega. Muito comum nas Igrejas.

Desobediência – por orgulho, a pessoa se recusa a trabalhar em equipe quando não tem suas vontades reafirmadas. Tem relação com a Preguiça.

Presunção – achar que sabe tudo. É um dos maiores defeitos encontrados nos céticos e adeptos do mundo materialista. A máxima “tudo sei que nada sei” é muito sábia neste sentido. Tem relação com a Gula.

Discórdia – criar a desunião, a briga. Ao impor nossa vontade sobre os outros, podemos criar a discórdia entre dois ou mais amigos. Tem relação com a Ira.

Contenda – é uma disputa mais exacerbada e mais profunda, uma evolução da discórdia onde dois lados passam não apenas a discordar, mas a brigar entre si. Tem relação com a Inveja.

Avareza

Caracteriza-se pelo excesso de apegos pelo que se possui. Normalmente se associa avareza apenas ao significado materialista, de juntar dinheiro, mas sua manifestação nos outros elementos (espiritual, emocional e mental) é mais sutil e perniciosa. A avareza é considerada a origem de todas as falsidades e enganações.

E é nela que todo caráter moral desses pecados cai em contradição, quando nós observamos que é nas próprias igrejas onde a avareza predomina.

“Todo pecado se fundamenta em algum desejo natural e o homem, ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina” -, e que o pecado é desviar-se da reta apropriação de um bem, Tomás lembra que, se a busca da própria excelência é um bem, a desordem, a distorção dessa busca é a soberba que, assim, se encontra em qualquer outro pecado: seja por recusar a superioridade de Deus que dá uma norma, norma esta recusada pelo pecado, seja pela projeção da soberba que se dá em qualquer outro pecado. Ao acumular indevidamente riquezas, por exemplo, é a afirmação da excelência do eu – pela posse – o que se busca. Assim, a soberba, mais do que um pecado capital, é rainha e raiz de todos os pecados. “A soberba geralmente é considerada como mãe de todos os vícios e, em dependência dela, se situam os sete vícios capitais, dentre os quais a vaidade é o que lhe é mais próximo: pois esta visa manifestar a excelência pretendida pela soberba e, portanto, todas as filhas da vaidade têm afinidade com a soberba”

Poderíamos dedicar uma postagem exclusiva para este pecado capital, visto a evolução histórica da sua concepção, nenhum pecado mudou tanto ao longo dos anos quanto o pecado da ganância.

Para Gregório, o homem avarento era um assassino. Se ele vivesse nos tempos atuais, será que ele consideraria a Igreja Universal como uma Casa de Detenção do Senhor? “Aquele que guarda para seu próprio uso o que iria sustentar o pobre, está matando todos aqueles que poderiam viver para a sua abundância.” (Papa Gregório).

Alguns pensadores da época, tinham seu próprio conceito acerca da Avareza. Aristóteles acreditava que para o indivíduo alcançar uma boa vida ele deveria encontrar o equilíbrio entre o excesso e a deficiência. Já Horácio, defendia que a ganância era o próprio castigo e não o pecado; o castigo era o de estar fadado eternamente pela desejo insaciável pelo poder. É dele a máxima: “Quanto mais você tem, mais você deseja”.

Mas dentre todos estas criaturas antigas, Jesus, com certeza foi o mais engraçado.

Jesus proclamou: – Afastem-se da ganância. O que ganhará o homem se ganhar o mundo e perder a alma?

Com a sua mania de consolar os pobres e oprimidos, Jesus costumava dizer à eles: – Vocês é que são os abençoados, e não os ricos.

Jesus era meio cara de pau, porque você chegar para uma pessoa que está morrendo com a fome e todas as outras pragas advindas da liseira e lhe dizer que ele era mais abençoado que aquele cidadão que estava no conforto do seu lar com o bucho cheio, é não ter noção do perigo, é ter muita coragem de não levar um “mói de peia” proveniente da Ira que devia causar nos pobres. Eu, hein! Mais tarde, esse mesmo Jesus foi vítima de sua própria falácia. no episódio em que Judas entregou Jesus em troca de 30 conto réi magro.

Depois desse fato, o apóstolo Paulo escreveu algo, que mais tarde se tornaria uma crítica secreta do Cristianismo ao Império Romano corrompido pela ganância: “A Raiz de todo o mal é a Avareza” Que foi traduzida para o latim: “Radix Omium Matorum Avarira”, sendo as inicias formadoras do nome ROMA! Existe também a história da batalha entre os Vícios x Virtudes, onde o estudioso Prudêncio, considerado gênio na época, por conseguir personificar os pecados, deu forma de mulher à Ganância. Persistindo o episódio no qual ela, que tinha uma aparência feia, se fantasiou em um corpo e rosto belos para poder ludibriar as pessoas que antes não conseguia; Dissimulada, a ganância justificou a sua avareza em nome dos filhos pobres que teria para sustentar.

Qualquer semelhança com aquela pessoa bem arrumada, simpática e falante, que fica no altar da sua igreja, não é mera coincidência.

Não podemos deixar de registar a importância, para a época, do escritor italiano Dante Alighieri, que foi quando realmente surgiu a noção de inferno, purgatório e paraíso, na obra Divina Comédia. Dante escreveu sobre os castigos criado para os pecadores, mandando-os para o inferno, que é onde ele encontra os padres pecadores vendedores de indulgências (perdão total ou parcial dos pecados terrenos, traduzindo para nossa época: dízimo).

A prática da indulgência indicava que agora a Ganância era uma prática aceitável pela igreja. No documentário aparece Dante punindo os padres, que são enterrados, no inferno, de cabeça para baixo com os pés pegando fogo, representando o inverso do ritual do batismo. Mas nem queimando esse povo teve jeito, mais tarde eles inventaram a Simonia (que é a venda de favores divinos, bençãos, cargos eclesiásticos, como por exemplo, a confissão).

Depois desses fatos, e com o advento do capitalismo, da Revolução Industrial e de tantos outros fatos mercantis, o pecado da Avareza nunca mais foi o mesmo, se é que algum dia ele, realmente, representou pecado. Hoje, a ganância é vista como um dom, nós costumamos exaltar os ricos e poderosos.

Mesmo assim, os fanáticos religiosos continuam pensando no pecado como coisa verdadeira, real. Mas, de maneira mesmo que simplória, as pessoas estão se tornando mais esclarecidas e aprendendo a separar fantasia de realidade.

Pecados são frutos de uma concepção religiosa. Não há pecados, o que existe é a indiferença em relação aos problemas dos outros, a arrogância, a incapacidade de doar-se. Atitudes que, contudo, resultam de problemas pessoais.

O que é

Pecado, do grego hamartia, é um verbo que significa errar o alvo. Isso não significa meramente um erro intelectual de juízo, mas não conseguir atingir o objetivo existencial.

Os sete pecados capitais, teologicamente são advindos da perspectiva do cristianismo, ou seja, é a expressão da perda do destino ou do sentido existencial, comprometido com um processo evolutivo, na busca de realização da alma, que pode ser entendida como salvação e cura de todos os males.

Com isso, ao pensarmos nos sete pecados capitais:- -avareza, gula, inveja, ira, luxúria, orgulho e preguiça, chegaremos à conclusão de que todos esses sete pecados desviam os indivíduos das trocas e da verdadeira felicidade.

Os sete pecados capitais nos dão um tipo de classificação dos vícios que eram abominados na época dos primeiros ensinamentos do cristianismo e que atualmente, por conta do capitalismo avançado, estão cada vez mais presentes no cotidiano da humanidade. O intuito dos antigos cristãos era educar e proteger seus seguidores, no sentido de ajudar os crentes na compreensão e auto-controle das suas pulsões e instintos básicos.

É importante ressaltar que não existe registro oficial dos sete pecados capitais na bíblia, apesar de estarem presentes na tradição oral do cristianismo. Para mim, devemos entendê-los como doenças biopsicossociais com repercussões em todos os níveis e quadrantes da vida. Neste contexto é que surgem os estudos de psicossomática e dos comportamentos sociopáticos e psicopáticos.

Então, cada pecado representa uma tendência equivocada que um fiel poderia ter diante do medo, da angústia e das incertezas da vida. (Essa questão está bem aprofundada no meu livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”). Assim como, os vícios, as dependências os abusos e as compulsões também abrangem os sete pecados, muito estudados no curso de especialização intitulado: “Dependências, Abusos e Compulsões” ministrado na FACIS.

Como vida é expressão de trocas e relações entre as demandas instintivas, psíquicas, sociais e espirituais, somos constantemente mobilizados por necessidades, desejos e demandas de todo tipo e forma. Por outro lado carregamos uma bagagem genética, racial, familiar, cultural e transcendental que também nos influencia provocando mais desconforto, angústia e incertezas quanto ao nosso destino e significado existencial. Com isso, heroicamente, os seres humanos precisam fazer suas jornadas caminhando entre necessidades, destinos, livre arbítrio e limitações pessoais e coletivas que, de acordo com a situação, podem desembocar em pecados ou virtudes. Pois ambos estão potencialmente presentes nas atitudes humanas. Além de serem tão relativos quanto os conceitos de bem, mal, certo e errado.

Todas as pessoas possuem, em seus dinamismos psíquicos, tendências de atuação em todos esses sete pecados. Principalmente na atualidade onde vivemos numa sociedade que está brutalizando as dimensões anímicas e espirituais dos seres humanos. Basta observarmos o comportamento da maioria das pessoas que vão ao Shopping para comprar o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem! Essa atitude, além de estar na contra mão das questões ambientais e de auto-sustentabilidade, tem conotações de inveja, luxúria, avareza e vaidade.

Só o autoconhecimento poderá fazer com que essas tendências sombrias fiquem menos autônomas e que as virtudes possam entrar em equilíbrio harmonioso com os pecados. Pois, no íntimo de cada ser humano tanto as virtudes quanto os pecados estão potencialmente presentes. Tudo é uma questão de consciência e autoconhecimento.

Atualmente, o capitalismo, e sua pior prática que é a do lobismo, estimulam a avareza, a gula, não só de alimentos, mas de conhecimento, informações, acúmulo, entre outras atitudes que possam dar a ilusão do poder. Além disso, o desperdício, a luxúria do luxo e vaidade estão muito presentes também. Basta refletirmos que estamos vivendo em uma sociedade onde 30% da população mundial é subnutrida e outros 30% é obesa! Qual a lógica disso? A questão da vergonha e da culpa é muito pessoal e dependerá da formação ética e espiritual de cada indivíduo, do momento de vida em que ele se encontra. Então, não podemos criar uma classificação entre os sete pecados. Creio que eles se interpenetram e a prática de um acaba, direta ou indiretamente, desembocando na prática dos outros. Dependendo das condições de vida, dos medos, da angústia e das dificuldades do dia a dia, a prática de um pode ficar mais facilitada do que a prática de outros pecados.

Por meio do autoconhecimento, de contínuas reflexões sobre o sentido, o significado da vida, e a compreensão dos desejos, pulsões e atitudes que estão nos motivando é que poderemos harmonizar os pecados com as virtudes.

Por isso, o melhor modo de não sermos dominados pelos pecados é não perdermos o alvo, a meta existencial que deveria ser o sacro-ofício de servir ao invés de apenas servir-se da natureza e da vida. E como todos os seres humanos possuem tanto os pecados quanto as virtudes, devemos ter tolerância com quem está sendo possuído por eles e criar condições para despertar as virtudes, em nós e nos outros. À medida em as pessoas se tornam menos egoístas e mais amorosas, naturalmente as virtudes vão surgindo no lugar dos pecados.

É isso o que Jung propõe com integração da sombra.

É por essa mesma razão que Jesus, na passagem com a prostituta diz:- -“quem nunca errou que atire a primeira pedra”, e nem Ele atirou!

Pecados x Virtudes

Orgulho, Arrogância X Respeito, Modéstia, Humildade

Inveja x Caridade, Honestidade

Ira x Paciência, Serenidade

Preguiça, Melancolia x Diligência

Avareza, Ganância x Compaixão, Generosidade, Desprendimento

Gula x Temperança, Moderação

Luxúria x Simplicidade, Amor

WALDEMAR MAGALDI FILHO

O conceito do pecado é usado na tradição judaico-cristã para descrever a transgressão do homem diante da Lei de Deus, à desobediência deliberada diante de um mandamento divino.

O conceito do pecado nas grandes religiões monoteístas, judaísmo, cristianismo e islamismo, embora sempre visto como a inclinação humana em errar contra a perfeição divina, tem interpretações diferentes. O judaísmo descreve o pecado como uma violação da Lei, não sendo visto propriamente como uma falta moral; para os hebreus o pecado é um ato, não um estado da alma do homem, não passando de geração em geração, já que o homem é dotado de vontade livre. Para os cristãos católicos, o pecado é a herança que o primeiro homem, Adão, deixou para todas as gerações. É o pecado original, que diante da rebelião de Eva e Adão contra Deus, causou todos os males do mundo. O pecado original, visto que Adão era perfeito, só poderia ser expiado por outro homem perfeito, no caso Jesus Cristo, que não concebido da estirpe imperfeita de Adão e Eva, redime a humanidade diante do seu sangue derramado.

Na doutrina católica, três pecados são assinalados

O pecado original, vindo da rebelião de Adão e Eva no Éden, e transmitida para todas as gerações da humanidade; o pecado mortal, desobediência do homem após adquirir o perdão do pecado original através do batismo, que o leva à morte da alma; e, o pecado venial, cometido pelo homem quando em estado de ignorância das leis, digno do perdão divino. Através desses conceitos, a igreja católica classificou o que hoje é conhecido como os sete pecados capitais.

Os sete pecados capitais precedem ao próprio cristianismo, sendo vícios que se conhecia na antiga cultura grega, adaptados quando se deu a helenização dos preceitos cristãos.

Os sete pecados capitais não são encontrados enumerados nas escrituras sagradas judaico-cristãs. A Bíblia refere-se a todos eles e muitos outros de forma dispersa. Eles só vieram a ser classificados e agrupados pela igreja medieval, a partir do século VI, pelo papa Gregório Magno (540-604), que tomou como referências as cartas apostólicas de Paulo de Tarso. Gregório Magno considerou os sete pecados como mortais, que ao contrastar com os veniais, significavam a morte da alma.

Capital, do latim caput (cabeça), significa que os sete pecados são os mais altos de todos os outros, sendo eles

A soberba, a ira, a inveja, a avareza, a gula, a preguiça e a luxúria.

Para combater cada pecado capital, foram classificadas sete virtudes

A humildade (soberba), a paciência (ira), a caridade (inveja), a generosidade (avareza), a temperança (gula), a disciplina (preguiça) e a castidade (luxúria). Mais do que um conceito geral da oposição do homem à Lei divina, os sete pecados capitais é uma visão moral dos princípios do cristianismo católico e da igreja que ele representa.

As Listas dos Sete Pecados Capitais

Sete Pecados Capitais

A classificação dos sete pecados capitais tem como raiz velhas tradições dos vícios apontados pela filosofia grega, mescladas às cartas apostólicas cristãs. Com a conversão de Roma ao cristianismo, esta religião perde grande parte da sua essência judaica, sofrendo uma helenização que lhe acrescentaria princípios filosóficos vistos como pagãos. Se para os gregos havia a ausência do pecado, as virtudes eram perseguidas como um ideal. Aristóteles mencionava as virtudes como princípio fundamental da busca da felicidade humana. No ascetismo do cristão medieval, o politeísmo grego é substituído pela Lei de Deus, transgredi-la era pecar contra o amor com o qual o Criador nos concebera. Assim, os pecados capitais são extremos opostos às virtudes, que, ao contrário do que pensavam os gregos, não servem para a felicidade do homem medieval, mas para salvar-lhe a alma.

Na origem mais remota da lista dos sete pecados capitais, está a classificação do grego Evágrio Pôntico (346-399), um monge cristão e asceta, que fez parte da comunidade monástica do Baixo Egito, vivendo as suas experiências ao lado dos homens do deserto. O monge traçou as principais doenças espirituais que afligiam ao homem, chamando-as de os oito males do corpo.

Os oito crimes ou paixões humanas constavam na lista de Evrágio Pôntico em ordem crescente, conforme o que ele pensava ter mais gravidade, sendo eles: A gula, a avareza, a luxúria, a ira, a melancolia, a acídia (preguiça espiritual), a vaidade e o orgulho.

Na lista, a melancolia, vista pelos gregos como uma enfermidade da saúde, é transformada em pecado. Evágrio Pôntico parte do conceito de que, à medida que o homem fechava-se no egoísmo de si mesmo, os pecados tornavam-se mais intensos e degradantes da alma, atingindo um apogeu com o orgulho ou soberba.

A doutrina de Evágrio Pôntico foi conhecida pelo monge Joannes Cassianus, que a divulgou no oriente, espalhando-a pelos reinos cristãos.

Fonte: reevolucao.net/an.locaweb.com.br/

 

 

 

 

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