
Cartaz dos espartaquistas (1919)
O órgão de difusão do Instituto foi a Zeitschrift für Sozialforschung (Revista de Investigação Sociológica), publicada entre os anos de 1932 e 1939. A maioria dos números foi editada no exílio quando, transferido para Nova York desde 1934, e vinculado à Universidade de Columbia, o Instituto anglicizou sua denominação para International Institute of Social Research.
Procurando aproximar Marx com Freud, e por vezes de Heidegger, num gigantesco trabalho de interdisciplinaridade e síntese, praticamente não existiu área da fenomenologia social da qual seus integrantes não tivessem sua curiosidade despertada.
Entre 1930 e 1950 trataram de tudo: de filosofia, de economia, de sociologia, da cultura de massas, da psicologia autoritária, da estética, de cinema, da música, da tecnologia, da ideologia, da acumulação do capitalismo, do desemprego, da literatura, do autoritarismo, do fascismo e, claro, da psicanálise e dos efeitos da repressão sexual.
Todavia, apesar do pano de fundo marxista e neo-hegeliano do qual se diziam herdeiros, sua contribuição mais duradoura foram as observações criticas, negativas, de nítida influência heideggeriana, feitas às esperanças despertadas pelo Aufklärung, o Iluminismo, e pela desconfiança que manifestaram quanto à racionalidade em geral.
Um tanto como resultado das devastações provocadas pela tecnologia durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, e os grandes massacres que se viram, Horkheimer e Marcuse vão ser os primeiros teóricos de esquerda a buscar no Iluminismo, ou a perversão dele, a fonte inesgotável dos problemas contemporâneos.

A metrópole, nova opressão da tecnologia moderna (cena do filme Metrópolis
de Fritz Lang, 1927)
Um tanto que seguindo a tradição romântica de contestação ao racionalismo, afirmaram que a sociedade moderna, ao conquistar a natureza por meio da tecnologia, provocara um empobrecimento geral dos seres humanos, submetendo-os ao que Goethe denominara de o domínio da "cinzenta teoria".
No lugar da religião convencional emergiu o culto ao progresso que, a lá Fausto, tudo sacrifica em nome de uma racionalidade cientifica supra-humana. Herbert Marcuse chegou inclusive a cunhar uma nova designação para defini a sociedade que emergia: a Sociedade Unidimensional, alertando para que não confundíssemos conformismo social (que é a resignação bovina da maioria) com a felicidade humana.
E, por igual, foi o que mais chamou atenção para um outro dos tantos efeitos da tecnologia sobre o restante da sociedade, afirmando que "ela serve para instituir formas novas, mais eficazes e mais agradáveis de controle social e coesão social". Em suma, em vez de ter emancipado os indivíduos, a versão tecnológica do Iluminismo lentamente foi tecendo ao nosso redor amarras, todas elas colocadas a serviço de uma pseudo-racionalidade alienada.
Por fim, no que toca a posição deles em favor de um "marxismo apolítico" - pelo menos foi o caso de Horkheiner e Adorno - ela não deu frutos práticos, visto que os fez empacar ideologicamente. Não só isso, no livro Dialética da Ilustração que escreveram a quatro mãos, num recuo a Schopenhauer, desligaram-se do próprio iluminismo, assumindo uma posição profundamente pessimista sobre o desempenho da razão.
Ocorre que nenhuma concepção teórica resiste muito tempo ao descolamento com as forças sociais vivas da sua época. Se é um fato que existe uma razoável autonomia intelectual em relação às classes sociais, aquilo que os alemães chamam de freischwebend, uma situação "livremente flutuante", ela não resiste aos impactos do tempo. Pairar sobre as coisas é um tanto como habitar uma ilha isolada, pensando em não aderir a nada, leva ao estiolamento ideológico, ao apartamento as coisas mais palpitantes e ativas da vida política e social do meio em que se vive.

T. Adorno
Quando da explosão estudantil de 1968, muitos dos textos dos membros da Escola foram reutilizados pelas lideranças rebeldes como arsenal teórico na luta contra a ordem social e econômica que consideravam iníqua. Houve então uma verdadeira ressurreição da Teoria Crítica (justamente por não fazer parte do arsenal do marxismo ortodoxo nem do radicalismo liberal) usada como um aríete contra o capitalismo e contra o conformismo social europeu do período que sucedeu os anos da reconstrução e do Wirtschaftwunder, o milagre econômico dos anos cinqüenta.
Foi o momento em que Herbert Marcuse, com 70 anos, um tanto esquecido dando aulas na Universidade de San Diego, na Califórnia, viu-se promovido a mentor da rebelião da juventude ocidental. Então alcançou o estrelado e fama internacional, sendo que seus livros Eros e Civilização e O Homem Unidimensional, apesar de redigidos numa difícil prosa freudo-heideggeriana, tornaram-se os raros best-seller de filosofia e ciências sociais a rodarem pelo mundo, entre 1967 e 1970.
Em Berlim, atendendo ao convite de Rudi Dutschke, o líder da radical SDS (Sozialistischen Deutschen Studentenbund), Marcuse, como se fora uma versão alemã de Sartre, deu conferências na Universidade Livre sobre O Fim da Utopia, em meio a um clima de contestação e aberta insurgência do meio estudantil.
Horkheimer, todavia, aquela altura da vida, carregando as cicatrizes da perseguição e do exílio, queria distancia com aquela agitação toda, comportando-se um tanto como Lutero quando se viu inadvertidamente como principal referência da Revolta dos Camponeses de 1525. O filósofo acreditava que a situação social das décadas que se seguiram à derrota alemã de 1945 mudara substancialmente do que era nos anos 20 ou 30. Não havia mais aquele domínio direto da classe de empresários e de donos de industria e de bancos, substituídos que foram por diretórios administrativos controlados por gerentes ou comissões dirigentes.
Os indivíduos assim como as classes sociais começavam a se integrar, superando os históricos antagonismos de luta de classes que haviam gerado o marxismo clássico e que patrocinara a Revolução russa de 1917. Ainda que sua posição fosse por uma "teoria crítica da sociedade", ela não deveria desempenhar a função de porta-voz da agitação social nem de tarol para acelerar as mudanças ou por um fim nas injustiças. Havia uma enorme diferença entre apontar os problemas sociais e querer resolvê-los pela revolução.
Devia-se, isto sim, preservar-se o campo da liberdade duramente conquistado, defendendo-o contra o hitlerismo e o stalinismo. A Europa Ocidental era uma ilha liberal, tanto no espaço como no tempo, "cuja submersão no oceano da violência significaria também o final desta cultura a qual pertence a teoria crítica" (Prefácio da nova edição da Teoria Crítica, coletânea de ensaios escritos entre 1932 e 1941, assinado por ele em abril de 1968).
Toda a antiga linguagem de contundência e de inconformismo - escreveu ele após reproduzir um longo trecho radical de Otto Kircheimer - pertencia a uma época morta. Estava datada, só teve validade naquelas circunstâncias que historicamente já haviam desaparecido, e que, portanto, não tinha potencialmente nenhuma contribuição mais a dar para o futuro.
Deste modo ele distanciou definitivamente o seu trabalho teórico anterior de qualquer contestação da realidade capitalista em que os estudantes viviam naquele momento de tensão, paixão e fúria. Horkheimer aquela altura da vida - um setuagenário em meio ao redemoinho da agitação e tumulto sem fim que cercava as universidades européias e as alemãs - era um veterano cansado das batalhas de outrora e considerava inútil e sem sentido voltar a sacudir as armas da Teoria Crítica como ele fizera nas décadas passadas. Para ele, o rompimento do nexo entre a teoria e a práxis como entendiam os marxistas, havia se dado de modo irremediável.
Assim, o último suspiro do marxismo alemão-ocidental, como se fora um fole perfurado, exauriu-se em meio a agitação estudantil esquerdista vinte anos antes do colapso do comunismo. Nisso antecipou e prenunciou o levante popular e pacífico de 9 de novembro de 1989 ocorrido na Alemanha Oriental que pôs a baixo o Muro de Berlim, enterrando para sempre o marxismo dogmático que ainda predominava por lá, e com ele o regime comunista do leste europeu.
Como epitáfio do ardor de outra é interessante reproduzir um dos seus últimos parágrafos, presente no mesmo prefácio acima citado, antes de Horkheimer recolher-se para o lado das sombras da aposentadoria e ir falecer em Nuremberg, em 1973:
"Proteger, preservar e, onde for possível, ampliar a liberdade efêmera e limitada do individuo face à ameaça crescente a essa liberdade", assegurou ele, "é uma tarefa muito mais urgente que sua negação abstrata, ou o pôr em perigo essa liberdade com ações que não tem esperança de sucesso".
Ainda assim, a Escola tinha um herdeiro que não desistira de tudo: Jürgen Habermas.
Adorno, Theodor W. - Dialética do Iluminismo (1947), A Personalidade Autoritária (1950), Dialética Negativa (1966) e Mínima Moralia (1951)
Benjamin, Walte - Charles Baudelaire: Quadro parisiense (1923), A obra de arte na época da sua reprodução mecanizada (1936) Iluminações (1971).
Bloch, Ernst - O espírito da utopia (1918)
Borkenau, Franz - O declínio da imagem feudal à imagem burguesa (1934), O rinhadeiro espanhol (1936), O fim e o começo: sobre as gerações das culturas e origens do Ocidente (1981)
Fromm, Erich - A Evolução do Dogma de Cristo (1930), O Medo à Liberdade (1941), O Homem por ele mesmo (1947), Psicanálise e Religião (1954), A Revolução da Esperança (1968), A Crise da Psicanálise: ensaio sem Freud, Marx e a Psicologia Social (1970).
Grossmann, Henryk - Acumulação - a lei do colapso do sistema capitalista (1929)
Horkheimer, Max - Estudos em Filosofia e ciências sociais (1941), O Colapso da Razão (1941), Dialética do Iluminismo (1947), Teoria Crítica (1968), Estudos social-filosóficos (1972).
Kirchheimer,Otto - Punição e estrutura social (1939)
Krakauer, Siegfried - Os empregados na nova Alemanha (1929), De Caligari a Hitler (1947)
Marcuse, Herbert - Razão e Revolução: Hegel e a ascensão da teoria social (1941), Eros e civilização (1955), O marxismo soviético (1958), O homem Unidimensional (1964), O fim da utopia (1980).
Neumann, Franz - Behemoth: a estrutura e a prática do nacional-socialismo (1944), O estado democrático e o autoritário (1957)
Pollock, Friedrich - A experiência da planificação econômica na União Soviética (1929), As conseqüências econômicas e sociais da automação (1957).
Reich, Wilhelm - Análise do Caráter (1933), Psicologia de massas do fascismo (1934)
Weil, Felix - Socialização (1922), O enigma argentino (1944)
Wittfogel, Karl August - O despotismo oriental (1957)
Autores com menor ou ocasional participação ou atuação indireta: Ernst Schchtel, Paul Massing, Gerhard Meyer, Kurt Mandelbaum, Paul Lazarfeld, Leo Löwenthal, Mirra Komarovsky, Ernst Krener, Olga Lang, Carl Grünberg, Nathan Ackerman e Marie Jahoda, etc.
Fonte: educaterra.terra.com.br
A finalidade desta escola era fazer uma investigação social sobre a industrialização moderna. Este movimento se iniciou na Alemanha e recebeu o nome de Instituto de Pesquisa Social, criado em Frankfurt em 1924.
Este Instituto nasceu com uma inspiração marxista. No entanto adotou uma postura crítica ao marxismo, não levando em conta as idéias como, a "infra-estrutura econômica", "luta de classes".
Eles incorporaram algumas idéias de Max Weber, o conceito de trabalho de Marx e a teoria de Freud sobre a origem das civilizações.
Deste movimento, iniciado em 1924, surgiu duas gerações:
Primeira: formado por Max Horkheimer, T. Adorno e Herbert Marcuse.
Segunda: formado por Jurgën Habermas e outros como: A. Schmidt, H. Schnadelbach e K. Otto Apel.
As Características Comuns da Escola de Frankfurt: a Teoria Crítica
A maioria dos autores da Escola de Frankfurt são de origem judia. Por esta razão, com a perseguição judia levada a cabo pelos nazistas, tiveram de buscar refugio especialmente em Inglaterra e nos Estados Unidos.
Fundamentalmente todos se colocam dentro de uma inspiração marxista. Entretanto, adotam uma atitude crítica sobre o pensamento de Marx, enriquecendo-a com teorias de outros campos (economia, sociologia, psicologia, etc.) nascendo um assim, um socialismo democrático.
Suas investigações não tomam caráter de um sistema, mas sim um conjunto de ensaios em que se examina a sociedade industrializada atual e mescla conceitos tomados de campos diversos de investigação. São, portanto, estudos de ordem interdisciplinar.
Os componentes da primeira geração deram aos seus estudos o nome de teoria crítica.
Horkheimer faz da teoria crítica um contrapeso ao que chamaram de teoria tradicional. A teoria tradicional tem suas raízes no pensamento platônico e se caracteriza pela pura contemplação desinteressada com a realidade, operando a partir de princípios gerais. Deste modo, a verdade adota uma forma de adequação com as coisas e tem a dimensão instrumental e positiva. Horkheimer tratou em sua teoria crítica de construir um saber racional que denuncie o irracional que existe na história e na sociedade.
Os pontos comuns da teoria crítica são
Partindo de pressupostos marxistas, se trata de mudar as estruturas da sociedade moderna capitalista, mas sem violência, sem revolução nem terrorismo. Os estudos sociológicos de Frankfurt se inclinam à utopia de uma construção de uma sociedade onde impere a ordem, a justiça e a superação da pobreza.
A crítica vai contra o dogmatismo marxista. Rejeita qualquer sociedade totalitarista. Abandona as idéias de "ditadura do proletariado", "luta de classes como moto da história", "superestrutura econômica como centro de qualquer sociedade". Os teóricos de Frankfurt mantêm o socialismo como modelo único capa de superar as injustiças do capitalismo.
Esta crítica atendia especialmente a metafísica, a teologia e a religião. A metafísica e a religião são consideradas ideológicas da sociedade burguesa.
Para eles a razão tem sido instrumentalizada com o fim de obter benefícios e deixando em segundo plano o puro "âmbito do saber". A razão foi reduzida a uma "razão prática e utilitária". Com isso, nossa cultura foi degradada em uma cultura do consumo, mecanizada e robotizada.
Os filósofos alemães, reunidos na escola de Frankfurt, descreveram a racionalidade ocidental como instrumentalização da razão.
A razão instrumental nasce quando o sujeito do conhecimento toma a decisão de que conhecer é dominar e controlar a Natureza e os seres humanos.
Na medida em que razão se torna instrumental, a ciência vai deixando de ser uma forma de acesso aos conhecimentos verdadeiros para tornar-se um instrumento de dominação, poder e exploração.
Essa razão para que não seja percebida, passa a ser sustentada pela ideologia cientificista, que, através da escola e dos meios de comunicação de massa, desemboca na mitologia cientificista.
A noção de razão instrumental nos permite compreender:
a) A transformação de uma ciência em ideologia e mito social, isto é, em senso comum cientificista;
b) Que a ideologia da ciência não se reduz à transformação de uma teoria científica em ideologia, mas encontra-se na própria ciência, quando esta é concebida como instrumento de dominação, controle e poder sobre a Natureza e a sociedade.
c) Que as idéias de progresso técnico e neutralidade científica pertencem ao campo da ideologia cientificista.
Fonte: www.colegiolondrinense.com.br
A Escola de Frankfurt surgiu da iniciativa de um grupo de pensadores alemães formarem o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, em 1923. O objetivo desse instituto era proceder a um exame crítico da sociedade, em geral, e em seus aspectos econômicos, culturais e de produção de conhecimento, a partir de uma perspectiva marxista renovada, isto é sem estar presa, ao historicismo ou ao materialismo. Essa escola foi fundada em uma época de grandes transformações da política germânica, que vinha de uma derrota arrasadora na I Grande Guerra (1914-1918). Durante o período da efêmera experiência liberal da chamada República de Weimar (1919-1933), o Instituto de Pesquisa Social pôde permanecer vinculado à Universidade de Frankfurt, mas depois de Adolf Hitler (1889-1945) ter assumido o posto de chanceler, em 1933, o departamento sofreu várias mudanças, fixando-se primeiro em Genebra (Suíça), depois Paris (França) e finalmente Nova York (EUA), onde permaneceu até o final da II Guerra Mundial (1939-1945).
Os principais membros da Escola de Frankfurt foram Walter Benjamin (1892-1940); Max Horkheimer (1895-1973); Herbert Marcuse (1898-1979) e Theodor W. Adorno (1903-1969). Depois da reconstrução da Universidade de Frankfurt e do retorno do Instituto de Pesquisa Social à cidade, formou-se uma segunda geração de teóricos, dos quais se destacam Karl-Otto Apel e Jürgen Habermas. Walter Benjamin foi um crítico de arte que procurou analisar as condições técnicas por detrás da produção artística. Foi um dos primeiros intelectuais de formação acadêmica a tratar do cinema como modelo do novo paradigma de arte reprodutível que veio a dominar a cultura durante todo o século XX. Suicidou-se com 48 anos ao ver fracassada a sua tentativa de atravessar a fronteira da França com a Espanha, quando buscava asilo contra a perseguição política e étnica, promovida pelos nazistas. Por conta disso, sua obra maior ficou toda fragmentada - como Paris, Capital do século XIX, restando apenas alguns artigos e ensaios que pôde concluir - por exemplo, A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade (1936).
Benjamin detectou com precisão a transformação que o conceito de arte estava passando no início do século XX, com o advento das técnicas de reprodução mais avançadas. Pouco a pouco, a obra de arte veio perdendo a aura de objeto único acessível a uma minoria que exigia um ritual de aproximação próprio, para se tornar em um veículo de propaganda ideológico cuja autenticidade depende agora do meio político ao qual se vincula.
A fim de estudar a obra de arte na época das técnicas de reprodução, é preciso levar na maior conta esse conjunto de relações. Elas colocam em evidência um fato verdadeiramente decisivo e o qual vemos aqui aparecer pela primeira vez na história do mundo: a emancipação da obra de arte com relação à existência parasitária que lhe era imposta pelo seu papel ritualístico. Reproduzem-se cada vez mais obras de arte, que foram feitas justamente para serem reproduzidas. (...) Mas, desde que o critério de autenticidade não é mais aplicável à produção artística, toda a função da arte fica subvertida. Em lugar de se basear sobre o ritual, ela se funda, doravante, sobre uma forma de praxis: a política (BENJAMIN, W. A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução, IV, p. 11).
Para atender as exigências do gosto da massa a arte moderna passa a assumir novos valores, como o de quantidade no lugar da qualidade. A importância cada vez mais crescente das massas e do proletariado exigiu dos regimes totalitários à direita e à esquerda a estetização da política e o uso político da obra de arte. Fenômenos observados nas campanhas eleitorais e em estílos artísticos como o futurismo fascista e o realismo social dos comunistas. O conceito de massa desenvolvido por Benjamin foi aplicado por Adorno e Horkheimer em sua crítica à situação paradoxal a qual o Esclarecimento havia chegado.
(...) O indivíduo, sobre o qual a sociedade se apoiava, trazia em si mesmo sua mácula; em sua aparente liberdade, ele era o produto de sua aparelhagem econômica e social. O poder recorria às relações de poder dominantes quando solicitava o juízo das pessoas a elas submetidas. Ao mesmo tempo, a sociedade burguesa também desenvolveu, em seu processo, o indivíduo. Contra a vontade de seus senhores, a técnica transformou os homens de crianças em pessoas. Mas cada um desses progressos da individuação se fez à custa da individualidade em cujo nome tinha lugar, e deles nada sobrou senão a decisão de perseguir apenas fins privados. O burguês cuja vida se divide entre o negócio e a vida privada (...), rompido consigo e com todos, já é virtualmente o nazista que ao mesmo tempo se deixa entusiasmar e se põe a praguejar, ou o habitante das grandes cidades de hoje, que só pode conceber a amizade como social contact, como contato social de pessoas que não se tocam intimamente. É só por isso que a indústria cultural pode maltratar com tanto sucesso a individualidade, porque nela sempre se reproduziu a fragilidade da sociedade (HORKHEIMER, M. & ADORNO, Th. "A Indústria Cultural", in Dialética do Esclarecimento, pp.145-146).
A atomização do indivíduo foi o resultado extremado do desenvolvimento da industria cultural, em sua vinculação aos ideais liberais. Esse foi o diagnóstico fornecido por Adorno e Horkheimer tendo em vista a avalanche de bens de consumo oferecidos ao grande público e o condicionamento do comportamento das massas, padronizado pela publicidade, logo após o fim da II Guerra Mundial. Quatro décadas depois, Jürgen Habermas detectou que esse processo de atomização decorria da concepção filosófica, metafísica, que desde Descartes punha o indivíduo como um ente solitário a descobrir o mundo, sem no entanto ter como perceber no outro um semelhante com o qual a sua subjetividade tem de defrontar-se. O choque dos mundos criados por cada um dos indivíduos não encontra solução sob essa tradição solipsista da metafísica. Assim o paradigma tradicional que separa o sujeito do objeto, sendo o outro um objeto para o sujeito, não pode resolver o problema das relações intersubjetivas que caracterizam o convívio social. Por conta disso, o isolamento proverbial do filósofo metafísico transpôs para os indivíduos de uma sociedade moldada dessa forma o afastamento gradativo dos indivíduos, entendidos, agora, ao pé da letra, como átomos, indivisíveis.
A primeira geração de Frankfurt ainda manteve-se presa ao paradigma "sujeito-objeto". A crítica da razão instrumentalizada - essa que procura meios para atingir determinados fins -, feita por Adorno e Horkheimer teve como única alternativa, proceder à uma dialética negativa do esclarecimento, concluindo por uma postura irracional frente à visão pessimista do futuro da racionalidade. Herbert Marcuse depositou suas esperanças ainda em uma nova esquerda - formada agora, não por trabalhadores, ou representantes destes, mas por estudantes e grupos postos à margem da sociedade -, que fosse capaz de realizar a mudança radical em direção a tão prometida utopia. Uma sociedade comunal que tem por pressuposto uma natureza humana totalmente maleável.
Marcuse ainda acreditava em obras tais como Eros e Civilização (1955) e O Homem Unidimensional (1964) que uma teoria e uma razão renovada seriam capazes de preparar as gerações para a ação radical. E mesmo depois das consequências frustrantes das Revoltas Estudantis de 1968, esse otimismo repetia-se em Contra-Revolução e Revolta (1973). Dentro do projeto de emancipação do esclarecimento Marcuse insistia:
Preparar o terreno para esse desenvolvimento ainda faz da emancipação da
consciência a tarefa primordial. Sem isso, toda a emancipação dos sentidos,
todo ativismo radical, permanece cego, frustrado em seus intentos. A prática
política ainda depende da teoria (só o Establishment [Situação] pode passar
sem ela!): da educação, persuasão - e Razão.
(...) Devem ser desenvolvidas estratégias que se adaptem ao combate à contra-revolução.
O desfecho depende, em grande medida, da capacidade da jovem geração - não
para "cair fora" e não para se acomodar, mas para aprender como reagrupar-se
após a derrota, como desenvolver, com a nova sensibilidade, uma nova racionalidade,
para suportar o longo processo de educação - o indispensável requisito prévio
da transição para a ação política em grande escala. Pois a próxima revolução
será uma preocupação de gerações e "a crise final do capitalismo" poderar
levar o melhor de um século (MARCUSE, H. Contra-Revolução e Revolta, 4, pp.
128-129).
Durante a II Guerra Mundial, a Escola de Frankfurt esteve radicada em Nova York. Nesse período, Marcuse trabalhou no Departamento de Serviços Estratégicos, colaborando no esforço de guerra para preparação de uma análise do regime nazista. Em 1950, quando o instituto retornou à Alemanha, Marcuse permaneceu nos Estados Unidos, ocupando cargos acadêmicos em diversas universidades, com em San Diego, em 1965. Contudo, não deixou de fazer palestras na Universidade de Frankfurt, em 1966, contra a Guerra do Vietnã. Sua pregação dos dois lados do Atlântico fez dele o principal filósofo a influenciar diretamente o Movimento Estudantil de 1968.
Nessa época, já começava a se formar uma nova geração de pensadores políticos em Frankfurt. Em 1962, Habermas, que fora assistente de Adorno entre 1956 a 1959, obteve seu doutorado com a publicação da tese Mudança Estrutural da Esfera Pública. Até que Apel viesse a ingressar em Frankfurt, como catedrático em filosofia, em 1972, o interesse de Habermas esteve voltado para discussão da relação entre conhecimento científico e interesse, técnica e ideologia. Destacam-se desse período o artigo "Técnica e Ciência como Ideologia" (1968) e o livro Conhecimento e Interesse (1968), obras que, como as anteriores, procuravam resolver o problema do conhecimento em uma teoria crítica da sociedade, através de uma clarificação dos métodos, nos moldes conceituais de uma filosofia da consciência tradicional (2).
Karl-Otto Apel tornou-se doutor em filosofia pela Universidade de Bonn, em 1950. Depois de ter alcançado o título de Livre Docente, na Universidade de Mainz, em 1961, foi catedrático em diversos centros acadêmicos alemães, até chegar a Frankfurt. Suas obras iniciais estavam voltadas para uma crítica da hermenêutica e do uso pragmático da linguagem, isto é à compreensão de todos os enunciados da língua como atos de fala que exercem uma ação no mundo. Em 1973, Apel publicou o artigo "O A priori da Comunidade de Comunicação" - incluído na coletânea Transformação da Filosofia -, onde lançou as bases de um novo paradigma pragmático para filosofia. Apel examinou em detalhes os problemas de fundamentação das ciências e das éticas que se baseavam no método solipsista da modernidade que esbarrava no princípio de Hume que impede a postulação de normas ou leis da natureza a partir da observação da regularidade de um fato. Ou seja, o fato de um acontecimento ser assim, não quer dizer que este deva ser assim, a famosa falácia naturalista. De modo que, da descrição, não seria possível propor nenhuma norma prescritiva. Para evitar tais dificuldades, Apel procurou adotar uma estratégia que evitasse os problemas do isolamento de sujeito e objeto, colocando o fato da comunicação estar na base de todo discurso científico e que para uma norma ser considerada válida, seria necessário, além da livre aceitação de um acordo, mas os esclarecimentos que devem atendem às exigências de justificação dos ouvintes que participam da conversação.
Desde então, procedeu a segunda geração de Frankfurt a uma guinada pragmática da argumentação, que contou com o apoio de Habermas. Ambos, Habermas e Apel trataram de delinear um novo conceito de racionalidade que tinha agora a comunicação como sua forma de sustentação. O discurso teórico, não mais dependeria apenas de pressupostos sintáticos e semânticos - se uma proposição bem formulada tinha um valor de verdade -, mas sobretudo de uma compreensão intersubjetiva que precisa atender às condições pragmáticas do discurso prático, onde para ser bem sucedido a mensagem tem de ser compreendida pelo seu receptor. Uma nova concepção de verdade surgiu daí com o conceito de consenso argumentado que esteve no centro de uma promissora Ética do Discurso.
Contudo, mesmo a nova racionalidade comunicativa, embora estivesse livre dos problemas de objetivação e de valores intersubjetivos que não podiam ser satisfeitos pelo paradigma anterior de sujeito e objeto, por estar ligada viceralmente a uma comunidade de falantes, a teoria do agir comunicativo permaneceu originariamente presa a formulações idealizantes. Por conta disso, tem problemas de aplicação de suas hipóteses em contextos concretos de conflito permanente de interesses, onde raramente se aplicam os pressupostos pragmáticos da comunicação. Apel teve consciência disto, já no início dessa guinada.
A fundamentação de uma ética da comunicação que foi desenvolvida até aqui, parte de pressupostos idealizados. Ela considera, em princípio, não tanto a circunstância de que, na institucionalização da discussão moral, não são consideradas apenas dificuldades intelectuais, mas o fato de que esta institucionalização deve ser concretizada numa situação historicamente concreta, que já está sempre condicionada por conflitos de interesses. Ela não considera, por exemplo, a circunstância que, mesmo aqueles que adquiriram a plena compreensão do princípio moral, ainda não podem, sem mais, tornar-se membros de uma ilimitada comunidade de parceiros de comunicação com iguais membros, mas permanecem vinculados à sua real posição e situação social. Por este vínculo real eles são condenados a assumirem uma responsabilidade moral específica, que não pode ser definida pelo princípio formal da "trans-subjetividade", no sentido da comunidade de argumentação (...) (APEL, K-O. O A Priori da Comunidade de Comunicação, in Estudos de Moral Moderna, seção 2, § 2.3.5, p. 152).
O problema de como aplicar as normas do discurso argumentativo ao contexto concreto do mundo da vida impediu que a Ética do Discurso não passasse de mais uma teoria contemporânea promissora. O fato de não considerar a situação moral específica de cada participante que tem de tomar suas decisões sob as pressões do tempo e assumirem as suas consequências trouxe de volta o cetismo irracionalista que atingiu o existencialismo e colocou a Ética do Discurso como, entre tantas, mais uma proposta de princípios reguladores para questões ligadas ao cotidiano de cada um.
Fonte: br.geocities.com
Em novembro de 1918, pro clamou-se a república em um país até então dominado pela família dos Hohenzollern, cujo poder se ampliou desde sua constituição no século XII, na Prússia, até o século XX e que conduziu à unificação dos principiados independentes, formando um Estado nacional. Foi Bismarck quem, em 1871, consolidou o Estado alemão sob a hegemonia da Prússia, o que significava predominância do militarismo e da burocracia. A Alemanha, portanto, tornou-se à imagem e semelhança do Reino da Púrssia. No início do século XX a Alemanha assistiu a duas insurreições operárias: a de novembro de 1918 - que proclamou a república e depôs os Hohenzollern - e a de 1923, levante dos operários de Bremen, sufocados pelo Partido Socialista Alemão, que, na ocasião, era governo. A sociedade alemã foi seriamente abalada por esses movimentos.
A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 por iniciativa de Félix Weil, filho de um grande negociante de grãos de trigo na Argentina. Antes dessa denominação tardia (só viria a ser adotada, e com reservas, por Horkheimer na década de 1950), cogitou-se o nome Instituto para o Marxismo, mas optou-se por Instituto para a Pesquisa Social. Seja pelo anticomunismo reinante nos meios acadêmicos alemães nos anos 1920-1939, seja pelo fato de seus colaboradores não adotarem o espírito e a letra do pensamento de Marx e do marxismo da época, o Instituto recém-fundado preenchia uma lacuna existente na universidade alemã quanto à história do movimento trabalhista e do socialismo. Carl Grünberg, economista austríaco, foi seu primeiro diretor, de 1923 a 1930. O órgão do Instituto era a publicação chamada Arquivos Grünberg. Horkheimer, a partir de 1931, já com título acadêmico, pôde exercer a função de diretor do Instituto, que se associava à Universidade de Frankfurt. O órgão oficial dessa gestão passou a ser a Revista para a Pesquisa Social, com uma modificação importante: a hegemonia era não mais da economia, e sim da filosofia. A Teoria Crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofos "tradicionais", colocando-os em tensão com o mundo presente.
Max Horkheimer nasceu em 1885, Stuttgard, e faleceu em 1973. Como todos os intelectuais da Escola de Frankfurt, era judeu de origem, filho de um industrial - Mortitz Horkheimer -, e ele próprio estava destinado a dar continuidade aos negócios paternos. Por intermédio de seu amigo Pollock, Horheimer associou-se em 1923 à criação do Instituto para a Pesquisa Social, do qual foi diretor, em 1931 sucedendo o historiador austríaco Carl Grünberg.
Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em 1903 em Frankfurt, filho de pai alemão - um próspero negociante de vinhos, judeu assimilado - e mãe italiana. Cedo em sua vida intelectual, descobriu a obra de Kant por intermédio de seu amigo Kracauer, especialista em sociologia do conhecimento, que viria a se notabilizar com a publicação da obra De Caligari a Hitler, sobre as relações entre o cinema e o nazismo. Adorno vinha de um meio de musicistas e amantes de músicas e logo se orientou para a estética musical. Com o fim da Guerra, Adorno é um dos que mais desejam o retorno a Frankfurt, tornando-se diretor-adjunto do Instituto Para Pesquisa Social e seu co-diretor em 1955, com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno torna-se o novo diretor.
Herbert Marcuse nasceu em Berlim numa família de judeus assimilados. Foi membro do Partido Sicial-Democráta Alemão entre 1917 e 1918, tendo participado de um Conselho de Soldados durante a revolução berlinence de 1919, na seqüência da qual deixou o partido. Estudou filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu os filósofos e professores de filosofia Husserl e Heidegger e se doutorou com a tese "Romance de artista".
- Neste trecho do ensaio de 1933, Horkheimer, fala da nessecidade de reunificar ética e política, sentimentos morais e transformação social.
- Neste texto, de 1937, Horkheimer mostra a indivisão entre a teoria conceitual e práxis social. A teoria Crítica reunifica razão pensamento duralista que separa sujeito e objeto de conhecimento.
-Horkheimer apresenta nesse texto de 1970 as características de sua Teoria Crítica: filosofia e religião, teologia e revolução devem ser coadjuvantes.
- A arte possui um tônus revolucionário especial: não pode mudar a sociedade mas é capas de transformar a consciência daqueles que modificam o mundo. Isso porque indica um "princípio de realidade" incompatível com a coerção política e psíquica.
Fonte: pessoal.portoweb.com.br
A Escola de Frankfurt é nome dado a um grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas que se encontram no final dos anos 1920. A Escola de Frankfurt se associa diretamente à chamada Teoria Crítica da Sociedade. Deve-se à Escola de Frankfurt a criação de conceitos como "indústria cultural" e "cultura de massa".
Theodor Adorno
Max Horkheimer
Walter Benjamin
Herbert Marcuse
Leo Löwenthal
Franz Neumann
Friedrich Pollock
Erich Fromm
Jürgen Habermas
Oskar Negt
Axel Honneth
O grupo emergiu no Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (em alemão: Institut für Sozialforschung) da Universidade de Frankfurt-am-Main na Alemanha. O instituto tinha sido fundado com o apoio financeiro do mecenas judeu Felix Weil em 1923. Em 1931, Max Horkheimer, discípulo de Guile, tornou-se director do Instituto. É a partir da gestão de Horkheimer que se desenvolve aquilo que ficou conhecido como a Teoria Crítica da Sociedade, comumente associada à Escola de Frankfurt.
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, os membros do Instituto, na sua maioria judeus, migraram para Genebra, depois a Paris e finalmente, para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque. A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os Estudos sobre Autoridade e Família, escritos em Paris, onde estes fazem um diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedade burguesas contemporâneas. Nestes estudos, os filósofos põem em questão a capacidade das classes trabalhadoras em levar a cabo transformações sociais importantes.
Esta desconfiança, que os afasta progressivamente do marxismo "operário", se consuma na Dialética do Esclarecimento de 1947, publicado em Amsterdã onde o termo marxismo já se encontra quase ausente. Em 1949-1950 publicam os Estudos sobre o Preconceito que representa uma inovação significativa nas metodologias de pesquisa social, embora de pouca significação teórica.
Com Erich Fromm e Herbert Marcuse inicia-se uma frente de trabalho que associa a Teoria Crítica da Sociedade à psicanálise. Fromm, precursor desta frente de trabalho, logo se distancia do núcleo da Escola, e este perde o interesse pela Psicanálise até o início dos trabalhos de Marcuse.
Marcuse, que permanece nos EUA após o retorno do Instituto para a Alemanha em 1948, foi o mais significativo dos frankfurtianos, do ponto de vista das repercussões práticas de seu trabalho teórico, já que teve influência notável nas insurreições anti-bélicas e nas revoltas estudantis de 1968 e 1969.
Adorno continuará o trabalho iniciado na Dialética do Esclarecimento, de reformulação dialética da razão ocidental, em sua Dialética Negativa, sendo considerado ainda hoje, o mais importante dos filósofos da Escola. Com a sua morte, começa o que alguns chamam de segundo período da Escola de Frankfurt, tendo como principal articulador, o antes assistente de Adorno e depois, seu crítico mais ferrenho, Habermas.
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Fonte: pt.wikipedia.org