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Cinco Vias da Existência de Deus

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Quais são as cinco vias da existência de Deus?

S. Tomás de Aquino já no final da Medievalidade produz valiosa leitura cristã de Aristóteles à semelhança do que Agostinho fizera no começo da Idade Média com a leitura cristã de Platão. Dentre as suas valiosíssimas contribuições para a História da Filosofia cumpre citar a síntese das principais questões filosóficas e teológicas da Medievalidade, significativa ao embate substancial entre fé e razão que predominou nas discussões da época.

Na Suma Teológica, Tomás, busca por meio das “Cinco Vias da Existência de Deus” demonstrar racionalmente um possível “caminho” a ser percorrido que, sem desprezar a razão, mas antes fazendo uso pleno dela, chegaria à demonstração da existência de Deus. Em outras palavras, a razão teria, para S. Tomás, a função primordial de demonstrar racionalmente aquilo que a fé revelava.

Cinco Vias da Existência de Deus

As cinco vias estão marcadas por forte influência aristotélica e uma estruturação argumentativa lógica que busca, fundamentada na concepção de um Deus “causa/fundamento de tudo o que existe”, demonstrar a sua existência como uma “verdade evidente” já que está “inata a todos os homens” e passível de ser “demonstrada” uma vez que existente no pensamento e na realidade sensível e cognoscível.

AS CINCO VIAS

1ª MOVIMENTO: O raciocínio de Tomás de Aquino que o levou à conclusão de que o movimento é uma das vias para se chegar à demonstração da existência de Deus foi, em resumo, o seguinte: “Tudo o que se move é movido por alguma coisa […]. Mas, se aquilo pelo qual algo é movido também se move, é indispensável que seja movido por outra coisa e assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro movente cairíamos então em um processo indefinido […]. Portanto, é necessário chegar a um primeiro movente que não seja movido por nenhum outro: e este todos entendem ser Deus”. Nessa passagem, o movimento é entendido pelo filósofo como “a passagem da potência ao ato”. Reale é bastante incisivo quando, falando a respeito de tal passagem, diz: “passagem que não pode ser efetuada por aquilo que se move, porque, se se move, isso significa que é movido e é movido por outro, ou seja, por quem é em ato, sendo portanto capaz de operar a passagem da potência ao ato”.Com isso, Tomás conclui que Deus é o “primeiro movente” que a tudo move sem ser movido por nenhum outro.

2ª CAUSA EFICIENTE: Encontramos nas coisas sensíveis uma ordem de causas eficientes, já que nada pode ser causa eficiente de si mesmo, pois se assim o fosse existiria antes de si mesmo, o que é impossível.Também não é possível proceder indefinidamente nas causas eficientes […]. Se, porém, procedermos de forma indefinida nas causas eficientes, não haverá primeira causa eficiente, e portanto não haverá também nem efeito último nem causas intermediárias, o que é evidentemente falso.Logo é necessário admitir alguma causa eficiente primeira, à qual todos chamam de Deus”. Desse modo, Tomás mostra que para encontrar a causalidade eficiente no mundo faz-se necessário partir em busca, antes, da causalidade eficiente primeira que deve ser “incausada” e, portanto, “causa eficiente de todas as outras”. No limite, como bem descreveu Reale, “trata-se de responder a esta interrogação: como é possível que alguns entes sejam causas de outros entes?”. Feito esse percurso, Tomás chega à conclusão de que Deus é a causa eficiente e, portanto, condição de existência dos efeitos e causas intermediárias e finais.

3ª CONTINGÊNCIA: “Encontramos dentre as coisas algumas que podem ser ou não ser […]. É impossível que todas essas coisas existam sempre, pois o que pode não ser alguma vez não é.Se todas as coisas podem não ser, alguma vez nada existiu. Se assim fosse na verdade, também agora nada existiria, pois o que não existe não começa a existir senão a partir de algo que existe; se, entretanto, nada existia, seria impossível que algo começasse a existir, e assim nada absolutamente existiria, o que é evidentemente falso. Portanto, nem todos os seres são possíveis, mas é indispensável que algum ser seja necessário […]. Logo, é necessário admitir algo que seja necessário por si, não tendo fora dele a causa de sua necessidade, antes pelo contrário, que seja ele mesmo a causa da necessidade dos outros: a este ser todos chamam de Deus”. Desse modo, Tomás demonstra que alguns seres são, mas poderiam, sem nenhum problema, deixar de ser haja vista o fato de um dia não terem sido. Disso, ele conclui o caráter contingente de alguns seres. Que podem ou não existir haja vista estarem na ordem da possibilidade. Entretanto, nem tudo pode, desde sempre, estar na ordem da possibilidade porque isso inviabilizaria a existência atual dos seres haja vista a possibilidade de ter existido um tempo em que nada existiria o que, por consequência, eliminaria a existência presente. Desse modo, como afirma Reale, “se quisermos explicar a existência atual dos entes, isto é, a passagem do estado possível ao estado atual, é preciso admitir uma causa que não foi e não é de modo algum contingente ou possível, porque é sempre em ato”. Essa causa não contingente, não possível é a que todos chamam Deus.

4ª GRAUS DE PERFEIÇÃO: “Existe algo que é p verdadeiríssimo, ótimo, nobilíssimo e, por conseguinte, o ser máximo […]. O que é máximo em algum gênero é causa de tudo o que é daquele gênero, como o fogo, que é o máximo do quente, é a causa de todos os quentes,como é dito no mesmo livro. Logo, existe algo que é a causa da existência de todos os seres, e da bondade e de qualquer perfeição, e a este chamamos Deus”. Verificando que na natureza existem vários graus de bondade, beleza, sabedoria e que esses graus guardam correspondência com o uno que é o máximo deles. Essa variabilidade de graus nas coisas garantem a existência de algo no qual a perfeição está em grau absoluto, onde estaria, poderíamos dizer a essência de tudo o que existe. Tomás chega à conclusão de que todos esses graus partem de Deus que é o máximo do existente.

5ª FINALISMO: “Vemos que as coisas que não têm inteligência, como, por exemplo, os corpos naturais, agem para uma finalidade, oque se mostra pelo fato de sempre ou frequentemente agirem da mesma forma,para conseguirem o máximo, donde se segue que não é por acaso, mas intencionalmente, que atingem seu objetivo. As coisas, entretanto, que não têm inteligência só podem procurar um objetivo dirigidas por alguém que conhece eé inteligente, como a flecha dirigida pelo arqueiro. Logo, existe algum ser inteligente que ordena todas as coisas da natureza para seu correspondente objetivo: a este ser chamamos Deus”. Na última via Tomás pensa a necessidade de haver um ser inteligente que governa o mundo, dirigindo as coisas naturais para a sua finalidade pré-estabelecida assim como a flecha se encaminha rumo ao seu alvo quando bem arremessada pelo astuto arqueiro. Constatado o fato de muitas dessas coisas não serem dotadas de inteligência o que lhes permitiria, em algum grau, mover-se em direção à sua finalidade surge a necessidade de haver um ser supremo, dotado de inteligência para operar o mundo colocando-lhe em funcionamento.

Vídeo-Aula: Encontrando Deus Racionalmente

Fábio Guimarães de Castro

Referências Bibliográficas

ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. História da Filosofia (vol. I). 8. ed. São Paulo: Paulus, 2007.

MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

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